segunda-feira, 16 de maio de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [45]


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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [44]

Aproximou-se da sua primeira vítima, de cigarro entre os lábios e olhou-a, pálida, roxa, sem vida. Pingando da mesa para o chão. Com o telemóvel, tirou algumas fotografias ao corpo. Procedeu depois à remoção da faca, com alguma dificuldade, e poisou-a em cima da mesa com outro material cirúrgico.
Passou-se uma hora até que o assassino voltasse. O carro passou novamente junto ao muro do armazém, travando sobre as pedras. A porta fechou-se. Correu o portão ligeiramente e fechou-o atrás de si.
Joana, sentada na cadeira onde antes tinha estado amarrada, olhou fixamente para o seu professor e disse-lhe:
-- E agora? Como nos livramos do corpo?
-- Vejo que tomaste banho; e que estás a usar uma das minhas camisas... e boxers. -- a aprendiz manteve-se séria, obrigando-o a responder. -- Tenho um forno industrial, antigo, que dará conta do recado. Fica na outra divisão.
A expressão na sua face tornou-se mais suave, e respirou fundo, enquanto olhava para o cadáver em decomposição.
-- Como foi? -- perguntou-lhe.
Joana limitou-se a olhar para o sangue a pingar, impávida, sem qualquer expressão, sem dizer uma única palavra.
-- Está tudo bem? -- toquei-lhe no ombro, mas ela recusou o toque. Vi-lhe então o telemóvel nas mãos e arranquei-o. Ela ficou a olhar muito séria para mim, pedindo-o vezes sem conta. Abri-o, retirei-lhe o cartão SIM e joguei as peças para cima do cadáver. -- Nunca mais tires fotos! Principalmente com telemóveis pessoais! Queres ir presa!?
Ela continuou séria e afastou-se. No espaço de tempo que ela levaria a digerir toda a situação e a acabar de fumar o resto do maço de tabaco que me roubara, eu fiz o que fazia melhor. Destruir um morto. Fazê-lo desaparecer... enrolado em plástico, com as roupas dentro de um saco, incluindo a lavagem dos instrumentos em água e lixívia a ferver. Ela voltaria, já o forno estava ligado e a corpo se derretia como manteiga, espalhando pelo ar o cheiro a carne queimada.
-- Não te tornas algo novo sem deixar algo para trás. Se queres matar, tens de ser paciente. Tens de conhecer-te a ti para poderes manipulares os outros. Se não souberes como funcionas, não podes desmontar a personalidade da tua vítima em pequenos objectivos, que se derrubados na ordem certa ou correctamente, te tornarão no titereiro. -- ela olhou para mim, sentindo na cara o calor do forno. -- Para fazermos isto bem, vais ter de fazer exactamente como eu te digo. Não há erros neste mundo; Pois o mais ínfimo detalhe que nos escape ou erro que cometamos, temos a policia à perna.

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