Uma sombra cintilante de ódio abraçou todo o horizonte, carbonizando a terra com chamas tão altas que faziam arder as nuvens. O odor pestilento varria as ruas com gritos acorrentados em cada pedra da calçada, das pessoas que morriam na agonia mais macabra, num testemunho da ira de deus. A chuva ácida queimava a relva e os cabelos das crianças. Os animais corriam com expressões de pura aflição, privados dos seus instintos; carregando fúria e desorientação com a carne devorada e pendurada nas próprias costelas, atropelando e tropeçando nos amontoados de almas perdidas no limbo. As montanhas de carne grelhada, pelas brasas de um churrasco que crescia e devorava cantos desconhecidos numa gruta que aprisionava a humanidade numa corrente infinita de espinhos e lamentos depressivos, queimava as narinas dos cães de guerra.
Bolas de labaredas rompiam do chão, das nuvens e da própria água. A dor insuportável e o inferno que rasgava buracos imensos e profundos, sugavam a beleza do mundo, as cores das flores, das folhas, dos animais, da natureza. O horror rasgado nas expressões, compravam suicídios para os portais do monstro de nome proibido, fazendo a terra tremer e os vulcões explodir em cada salto para o abismo. A escuridão cobria o dia e as erupções iluminavam a natureza desaparecer numa dança caótica de fogueiras e fagulhas que viajavam até aos quatro cantos do fim do mundo. Havia relâmpagos que serpenteavam durante quilómetros e duravam horas a desaparecer. O som dos trovões despedaçavam pedras e iluminavam os portões para os confins do sub-mundo.
O macabro monstro subia dos sonhos, do fundo do poço e queimava tudo à sua passagem. As casas destruíam-se com a fúria do vento; As árvores dobravam perdendo as folhas e os frutos, enquanto o Sol se contorcia num raio de luz que perdia forças e o conforto do calor. As trevas reuniam-se no fundo dos oceanos, nas fendas mais escarpadas, e borbulhavam o gás corrosivo que faltara nas câmaras de gás de Auschwitz. A extinção ocorria por todo o planeta, ultrapassando a fúria de satanás 65 milhões de anos antes.
Que morram todas as coisas!!!
Que os rios chorem pó e as nuvens caiam