quarta-feira, 29 de junho de 2022

À descoberta de Germil - 3º dia de caminhada (8KM)

[Germil - Perdido no monte - 8km]

The Interrupters - Take Back The Power

A manhã começou com a vontade de fazer a mesma volta que fiz no primeiro dia, mas ao contrário; Foi na aventura que decidi tomar, nos riscos que me pareceram "fáceis" que me perdi a tentar subir o primeiro monte.
Passei, com um toque de aventura e medo, um riacho escondido entre espinhos e vegetação densa rasteira. Atravessei com sucesso o vale que era separado pelo rio e ao avistar a encosta que me levaria ao cume do outro monte onde no primeiro dia explorei.
Inicia a demanda cheio de energia e confiança, mas à medida que o me aproximava do cume, era obrigado a desbravar terreno por mato denso, ervas e arvoredo mais alto que eu, e pedras que não conseguia trepar, a coisa foi piorando à medida que forçava a subida entre espinhos que me cobriam até cintura, incapaz de ver o chão que pisava. Fiquei com os pés encharcados e as pernas a gritar de dores pelos espinhos, numa questão de minutos. Quando percebi que não havia forma de subir, que não havia caminhos, nem pedras, nem terreno mais liso e arvoredo rasteiro, entrei em pânico.


Não fazia ideia onde estava mesmo tendo a estrada e as casas ao longe como pontos de referência. Tinha que descer e voltar a passar pelo mesmo inferno que foi subir. Não queria desistir, mas voltar a terreno seguro era a melhor opção. A meio da "derrota" ainda dei um trambolhão, acabando no meio das silvas que por sorte não me picaram, mesmo ficando de pernas para o ar. 

Depois de voltar ao inicio da primeira aventura desenfreada mato a dentro e encosta acima, voltei a aventurar-me por outros caminhos menos traiçoeiros, mais fáceis de percorrer.

Apercebi-me, com a derrota e o pânico, que a natureza não tem leis, nem castiga, não espera nem derrota.
A natureza simplesmente existe e vive, independentemente de quem se aventurar nela.
Fui até onde ninguém iria e isso deixa-me orgulhoso com uma mistura de medo e dores, já que o joelho e a canela continuam doridos.
Não me arrependo de me ter aventurado com o risco de me perder ou ficar lá preso e magoado, pois estava ciente dos riscos, porque sabia que combater esse medo e enfrentar esse desejo, essa vontade, essa energia, e de receber em troca algo que não consigo de forma alguma controlar na minha vida. Porque subir uma encosta de mato grosso e impossível de trespassar não é o mesmo que enfrentar um colega de trabalho ou um cliente chateado. Naquele momento de pânico, a culpa não era de ninguém a não ser minha, e até mesmo essa culpa eu não fiquei com ela. A vontade de enfrentar o desconhecido e o desconforto do que não controlo foi maior do que ter "caminhado pelo seguro".

"Para a frente é que é Orlando!"

À descoberta de Germil - 2º dia de caminhada (9KM)

[Rota - Percurso Germil - 7km]

Aproveitei o 2º dia para estar mais um pouco na cama, acabar de ver um filme, e esperar pelo padeiro que só chega à aldeia pelas 10 horas.
Tomei o pequeno-almoço, arrisquei ir ao Intermarche mais próximo para comprar algo doce para que ajudasse a dar-me um pouco mais de alento neste mundo quase vazio. Comprei tudo o que estava na lista, menos as molas para a roupa e os fósforos...

às 14h00 preparei-me e saí com destino à rota de Germil de +/- 7km. O que ao início parecia uma rota fácil, tornou-se numa verdadeira aventura, onde de um momento para o outro me vi consumido por arvoredo e silvas tão altas como eu durante algumas dezenas de metros. Não fosse mais corajoso e teria desistido à primeira.
Aproveitei o tempo que tinha para me aventurar em caminhos não marcados, para que pudesse fazer mais alguns kms ou percurso maior, mas aquela parte da montanha tinha sido conquistada por silvas, ervas rasteiras ou arvoredo alto e forte. Por muito esforço que eu fizesse, não conseguia avançar mais do que 2 ou 3 metros. No entanto, foi gratificante puxar os limites do meu conforto um pouco mais, tendo sempre a segurança como primeira prioridade.



Os últimos 3kms do percurso, apesar de terem sido feitos por estrada, foram muito mais difíceis do que estava à espera devido ao Sol. A mochila já pesava nos ombros e as costas davam sinal de cansaço.

Não sei o que o dia me espera amanhã, mas sinto quase como se já tivesse comprido esta aventura. Resta saber se é um sentimento interno de realizado pessoal alcançada, ou se é o meu ser, habituado ao mundano, ao fácil, à rotina a dizer-me num pequeno sussurro, que está desconfortável neste "novo" tédio.

segunda-feira, 27 de junho de 2022

À descoberta de Germil - 1º dia de caminhada

[Germil, Ponte da Barca, Portugal]
MÚSICA CELTA - Piano, Flauta - CALMARIA #034

O peso da solidão, ao longo da noite do primeiro dia,  que se fez mais fria do que o esperado, foi-se levantando. Enrolado em cobertores mais pequenos que eu mas que ajudaram a enfrentar o vazio e o silêncio de Germil.

O silêncio durante a noite, acompanhado pelo sino falso feito de megafones, foram a minha companhia, até ser recebido por um cão bege, de uma mistura de Lavrador, de pata da frente (direita) no ar e a de trás com uma ferida no joelho. Mais tarde percebi que era quase tudo fita para ter comer requintado porque rejeitou um pedaço de maçã que lhe tentei dar, tão depressa como apareceu.

A vontade de subir a encosta cresceu durante a tarde de ontem e a noite do dia seguinte. Estava decidido em desbravar terreno, fosse ele qual fosse, para chegar ao topo do monte mais próximo. Meti-me a caminho, acompanhado de silêncio, sem saber que estrada tomar, sem conhecer percursos, rotas, passagens. O objectivo era chegar lá acima, e cheguei, várias vezes, entre mato grosso, silvas e pedras.


O silêncio acompanhou-me durante toda a viagem, mas preferia que um poeta o tivesse feito. Que um pintor e um músico recriassem a obra desta magnífica natureza. Paisagens, ecossistemas, animais, plantas, que constroem este lugar rochoso, quase inóspito, num dos locais mais tranquilos que tive o privilégio e a sorte de visitar. Em certos momentos, sentia-me percorrer a Terra Média do Senhor dos Anéis.

Durante a caminhada de reconhecimento e na tentativa de chegar a um novo topo, ergui os olhos para contemplar a paisagem e deparei-me com uma cavalaria (grupo de cavalos), castanho-escuro, a comer o que o solo lhe proporcionava e a mim transformava o passeio numa aventura. Fiquei alguns minutos a apreciar, e decidi segui-los, sem medos, sem entraves, mesmo que ficasse longe da civilização, o importante era aproveitar o momento. Percorri mais 1km atrás deles até mudar de direcção para tentar descobrir caminho e voltar para casa, e ao longe bem perto do topo, dois bois enormes com cornos ainda maiores que me fizeram apreciar o animal a uma distância segura. A imponente cabeça ergue-se com o olhar fixo em mim e decidi continuar o meu caminho.

Com o passar do tempo, o peso da solidão foi desaparecendo. O peso do medo, do desconforto, do incontrolável, da tristeza. Apesar de longe do conforto da cama, da aldeia e de caminhos marcados, não me senti perdido, nem desconfortável. Estava finalmente a ter a aventura que sempre quis mas que nunca tive tempo. Pude arriscar. Pude viver, ao meu ritmo, ao meu gosto, sem horas, sem prazos.


Agora que a noite se aproxima, anseio o Padeiro que só trás pão às Terças, Quintas e Sábados pelas 10h00.
O tapete que trouxe tem dado muito jeito ao lado da cama. Faltou trazer uns chinelos, meias quentes, molas para pendurar a roupa, algo doce para dar mais conforto ou desconforto e dores. Os wraps (fiambre, queijo, frango e alface) e a fruta têm sido uma salvação, e faço questão de ter sempre duas latas de atum e garfo para emergências. 1L de água chegou perfeitamente para os 10km que percorri hoje, e ao fim da caminhada as pernas e os pés já gritavam para parar. Foi fantástico! Foi maravilho! É magnífico!
Fazer isto sozinho é incrível, mas com boa companhia, é transcendente!

domingo, 26 de junho de 2022

A solidão onde sempre vivi e que sempre me controlou...

O projecto QuotaGest deu-me a oportunidade de conhecer o Sr. Carlos Moreira da Associação Péd'Rios em Germil, Ponte da Barca, Portugal.
Numa primeira conversa fiquei a saber que o Sr. Carlos utilizava o meu programa e ele que eu era o programador por trás de todo o projecto. Rapidamente trocámos cartões de visita/publicidade do nosso trabalho. Foi então, que depois de um ano fechado em casa, e problemas que se tornaram autênticas bolas de lava, que decidi lutar contra esta solidão onde sempre vivi e que sempre me controlou.
Arrisquei, enviei email, marquei cinco dias de férias no albergue e esperei mais de um mês para iniciar esta nova aventura.

Depois de ter feito 210km, 2h de viagem, o jantar, preparar o lanche para a caminhada de amanhã e me deitar na cama, apercebi-me de que faltou trazer o essencial: boné/chapéu, meias quentes e garfos.

Introspecção
Sinto o peso do silêncio à minha volta enquanto descanso deitado num colchão com cobertores improvisados.
Estou sozinho, acompanhado apenas pelas fotos e mapas nas paredes, de colchões vazios e a escuridão lá fora.
Com o pôr do sol quase no fim, a encosta começa a cintilar de luzes, como uma procissão e festas que aparecem devagar para alegrar a aldeia neste canto remoto perto da fronteira com o norte de Espanha.

É aqui, no meio de tudo e do nada, do silêncio que tem peso, de um silêncio que sussurra levemente apenas o som do vento e dos pássaros. Uma solidão externa, fora do que sou, onde a consciência é transportada para cada célula do meu corpo. Sinto-a em cada parte do meu corpo como um lençol molhado, à temperatura ambiente, sem peso suficiente para me enterrar o corpo, nem leve que não o consiga sentir nos pêlos que me cobrem.

Tenho ainda em mim o medo que me controla. Um controlo manipulador da minha liberdade, do meu espírito. Carrasco das minhas aventuras, dos meus sonhos, dos meus desejos, das minhas conquistas.
Trago ainda preso, acorrentado às paredes do meu cérebro, talvez até faça mesmo parte das paredes e da gelatina de todas as sinapses de pensamentos e sentimentos que me formam, o controlo desmedido pelo que não posso nem consigo controlar.

Esta é a primeira etapa da minha experiência na verdadeira solidão. Acompanhado apenas por mim mesmo, com os meus monstros, medos e desejos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Chora. Sofre.

[Alone in the room - Pinterest]
Dark Piano - Broken by Lucas King

O que fazes sozinho, sentado na escuridão?
O que consegues aprender no silêncio do quarto que se fecha sobre ti?
O que sentes nas costas cansadas?
Onde se entranha o medo? As tristezas? As desilusões? A solidão?

Quanto mais lutas para fugir do frio que te embrulha nos cobertores da cama, na frieza e instabilidade da tua vida, dos teus pensamentos, mais sozinha ficas; mais longe de ti, mais fundo no poço.
Quanto mais lutas por ti, pelo sopro da vida, pelo carinho, pela voz que te sai trémula entre os lábios, mais fundo vais, mais longe te perdes, no choro que tens como único amigo.

Repetes vezes sem conta, na tua mente, a aparente destruição de tudo o que existe em teu redor, ao teu lado, à tua frente... desenterras memórias do passado para te dar alegria no presente e te servir de apoio ao futuro. Mas os teus olhos em lágrima, de garganta apertada de sofrimento, da aflição do descontrolar de uma avalanche que cai sobre ti como se tudo tivesse escolhido o mesmo dia para acontecer.
Descobres entre as frestas do muro que te enclausura, te sufoca, te faz perder o toque da luz, a força dos raios do sol, que a natureza apodrece e morre aos teus pés e tudo se torna incerto.
O que restava de beleza no mundo, desapareceu com o vento, com a chuva, com a queda das folhas.

Não há palavras bonitas, não há doces, filmes ou noites longas na cama, que curem as feridas que se abrem e se mantém.
O frio entranha-se nos ossos e tornam-se parte do frio que carregas na face, nas mãos, nas costas arqueadas.
Todos os sonhos e objectivos de dissipam, como a beleza do mundo, perdem as cores, a vontade, a inspiração. A única vontade que existe nesse novo mundo, é chorar.

O que fazes sozinha sentada na escuridão?
Não estás sozinha, não estás abandonada.
Onde se entranha o medo?
No coração que sempre bateu.
Chora. Sofre.
As coisas melhoram, vais ver.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [51]

[We just bought it! - Pinterest]

[1] | [2] | [3] | [4] | [5] | [6] | [7] | [8] | [9] | [10] | [11] | [12] | [13] | [14] | [15] | [16] | [17] | [18] | [19] | [20] | [21] | [22] | [23] | [24] | [25] | [26] | [27] | [28] | [29] | [30] | [31] | [32] | [33] | [34] | [35] | [36] | [37] | [38] | [39] | [40] | [41] | [42] | [43] | [44] | [45] | [46] | [47] | [48] | [49]


Um raio rasgou o céu, de uma ponta da casa à outra, iluminando a violência do vento e da chuva para lá das amplas janelas. O chão tremeu. O som entrou pelos ouvidos como uma locomotiva em descarrigalamento.
De entre a fúria da natureza, surgiu o tom azul e logo de seguida um tom vermelho. Piscavam cores lá fora. Abri a porta de madeira, inchada e pesada, as dobradiças deram sinal de horrores e a miúda tentou desprender-me os dedos da sua pequena mão. Era escusado ter medo do que desconhecia se nunca lhe desse uma oportunidade... espreitei com a garota à frente e vi uma figura feminina, fardada, sair do carro de pistola em punho. Escondia-se por trás da porta, sob a chuva gelada, com os relâmpagos a cair atrás de si.
Conseguia sentir a difícil respiração daquela agente, sobre as toneladas de água, os barulhos rasgados e as vibrações sonoras que se acompanhavam de um espetáculo de luzes.
-- Se queres viver volta para trás! -- gritei-lhe com a arma apontada à criança chorosa, com a mãe a arrastar-se ensanguentada em plano de fundo.
A agente aproximou-se, cuidadosamente.
-- Larga a arma e solta a criança! -- gritou-me, com um paço firme.
-- Jéssica... querida! -- descobri-lhe no rosto.
-- O que fazes aqui!? -- parou, surpreendida, com o dedo ainda no gatilho.
-- A acabar um serviço, e tu? -- sorri-lhe, olhando Joana.
-- Fui chamada devido a assalto e tentativa de homicídio.
-- Vieste à casa certa!
-- Hã? Porquê? -- perguntou de arma apontada para o chão, lançando o olhar entre mim e a garato, e a mãe que tentava pedir ajuda numa voz já sem força.
-- Vais-me ajudar a arrumar esta desgraça toda ou...?
-- Que valente merda que tu fizeste!!! -- gritou-me. Num só movimento, empurrou-me para trás, quase como um soco no peito.

Entrou, furiosa, arrumou a arma, e olhou em volta. No momento em que seguiu o rasto de sangue da mãe galinha, parou a marcha. Digeriu o rasto de destruição por toda a sala. Pintado no chão, nos tapetes, nos móveis virados, no sofá ensaguentado, nas mulheres de corpo e alma destruidas. Enraivecida, voltou a atenção para mim, de mãos nas ancas.
-- OLHA-ME SÓ PARA ESTA MERDA!!! VÊ O QUE FIZESTE!!! Não sei se te consigo safar desta... Pedi-te para não voltares a fazer mais nada do género, e nem um ano passou e voltas ao mesmo!? Eu devia-te ter prendido logo na primeira vez! Mas és meu irmão... ODEIO-TE TANTO!!!


Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [52]
GuardarGuardarGuardarGuardarGuardarGuardar

domingo, 15 de abril de 2018

A construção de um império pessoal...


[Photo: Chadwick Tyler | Model: Jana Knauerova]

Viver não é sinónimo de fumar, de beber, de ir para a esplanada do café, do bar ou dançar numa discoteca. Não é viajar, nem ir à praia.
Não é sinónimo de gargalhadas com os amigos, numas muitas "loucuras" de brincadeiras parvas e infantis, que surgem pelo simples facto de ou já estarem bêbados ou em grupo.

A falsa satisfação social que o tabaco e o álcool proporcionam, envenenam o cérebro jovem que ainda não amadureceu, que ainda não cresceu. Depende do contacto social, das amizades, das conversas efémeras e do vício luxuoso de gastar +5€ cada vez que sai.
Porque quando as árvores tombadas começarem a surgir no teu caminho, e situações difíceis que não podes controlar ou melhorar te inundarem a preocupação; As conversas cheias de gargalhada, onde te sentiste aceite, integrado, ouvido e valorizado, não terão o impacto suficiente para te ajudar a decidir.

És tu quem dá o paço em frente.
És tu quem toma a última decisão.
Mas garanto-te que tomá-la quando o álcool já entrou no organismo, as gargalhadas substituiram as conversas sérias e o conforto que os amigos te deram nesse momento ínfimo da tua vida, não terá o impacto que desejas. Pura e simplesmente, porque não foste capaz de ver que a árvore tombada tinha um arbusto de silvas do outro lado. Se estás à espera que eles estejam ao teu lado na tua primeira entrevista de emprego, na ida às finanças, na fila dos CTT, ou naquele primeiro exame de código, estás cego.

Os amigos ajudam a apaziguar o stress, o nervosismo e a dar uma falsa satisfação ao ego. Esses teus "momentos de viver", de "aproveitar a vida", são outra droga, outro vício que já não controlas, que julgas ser o bem mais necessário; Os momentos que te tornam quem és...
És incapaz de ir para o café sozinha, porque na realidade, és incapaz de estar sozinha no mundo, por tua própria conta. Tens medo da solidão. Tens receio do que os outros possam pensar em ver alguém sozinho no café. Vives de um medo que não controlas.
O momento em que entras para o mercado de trabalho, recebes dois sacos: um de responsabilidades e outro de deveres.
A tua liberdade, a tua voz, a tua opinião, deixam de contar, porque as pessoas são mais velhas do que tu, têm mais poder do que tu, e se te poderem foder, fodem.
Voltas então ao mesmo vício, à necessidade de estar com os amigos, de puxares um cigarro e beber uma cerveja, na esplanada do café, com o desejo de soltar o stress, o nervosismo e a tristeza acumulada durante a semana de trabalho.
Entras num poço, numa espiral que não te leva a lado nenhum mas que acreditas estar a fazer alguma coisa com a tua vida porque estás feliz nesse momento, e a vida nem está má; recebes o teu ordenado, tens carta e até carro próprio ou dos teus pais, e sais para passear e até lês uns livros... mas não podias estar mais longe da realidade em que se tornou e se transforma a tua vida.
Paras no tempo. Estagnas. Tornas-te mais um(a), português amargurado, que critica o estado do mundo, do país, ou da mentalidade dos outros, por o país não ser como os teus amigos. Não ser fácil como o teu cigarro e a tua cerveja.
A única solução que encontras para combater esse tédio, essa falta de vida própria, é sair com os amigos, lançares objectivos para o "próximo ano" e "acreditar" que as coisas vão melhorar.
Mas continuas a estar longe da realidade. Continuas a ser incapaz de ver e de compreender por ti, sozinho(a), que viver a vida não se faz através de cafés, cigarros e cervejas, tão pouco de viagens, mas das decisões. Do caminho difícil que precorres para realizar um sonho.

É fácil sonhar, mas é na luta dele, do esforço ao longo dos anos, dos sacrifícios, que te realizas e vives.
Os livros de auto ajuda são uma excelente oportunidade para aprender a ser alguém melhor do que já és, mas apenas ler não chega. É preciso ver os outros, experimentar, errar e tentar.
Se não partir de ti a mudança... Se não vier de ti a vontade consciente de deixar para trás os maus hábitos, os vícios, e começares a fazer da tua solidão, do teu Eu, da tua alma, um amigo, uma prateleira com livros de tuas anotações, da cultura e razões fundamentadas de seres o que és, não cresces, não te tornas melhor...

Por viveres a vida de forma tão vibrante, divertida e despreocupada durante tantos anos, o impacto da realidade das coisas que te rodeiam começam a apertar no pescoço, a fazerem-se sentir em peso nas costas mal habituadas, começa-se a fazer sentir, quando precisas de tomar uma atitude, uma decisão importante e falhas ou te é difícil, porque o hábito assim o proporciona.
Entras em stress, em pânico, em parafuso, por coisas tão simples... Não te é habitual "pensares demais" nas coisas. Preocupares-te com elas. Com a responsabilidade ou exigência do trabalho que tens a fazer, dos documentos para assinar ou assuntos para tratar, nos mais diversos locais que desconheces, onde não se riem para ti, não te aceitam no grupo ou bebem uma cerveja contigo enquanto puxam do segundo cigarro, porque não estão entre amigos que se apoiam...
Por viveres a vida de forma tão vibrante, divertida e despreocupada durante tantos anos, as coisas que te rodeiam, tal como as pessoas, as aventuras, as coisas exitantes, loucas e diferentes, perdem força, beleza, curiosidade aos teus olhos. Tudo se torna "igual", parado, monótono, indiferente...

Viver, caro humano, não é a "curtição" num café, numa esplanada, em pleno desboche social, para quebrar tabus, ideias políticas ou ideologias sociais, mas sim na produção e desenvolvimento de quem tu és, e usares o que tens para dar, para melhorar o mundo. Não precisas de ir tão longe, basta fazer a diferença com aquilo que mais gostas de fazer.

Viver, tem como base dois pontos:
  • A construção de um império pessoal.
  • A construção de um império social.

A construção do teu império pessoal, é aquilo de que te constróis. É aquilo que és quando estás sozinho. É a maturidade e a personalidade que desenvolves ao longo da tua vida.
São as experiências que tiveste. São os erros, os fracassos, os sucessos. São os filmes, as séries, os livros, as revistas, os documentários.
Esse teu império pessoal, é o que te define. São os argumentos que possuis para provar porque gostas da cor, ou da música, ou do filme que te dizem tanto.
Se não és capaz de crescer por dentro, será dificil cresceres por fora quando estiveres sozinho. E acredita, um dia vais estar sozinho... E se não estiveres sozinho fisicamente, vais estar sozinho de forma pessoal, sem conhecer ninguém e ninguém te conhecer. Nesse dia, quando o teu Eu surgir, vais sentir na mente que não foste capaz de desenvolver nem de habituar, a solidão e a frieza do que é estar sozinho e dependeres de ti para sobreviver no mundo. Porque na verdade, criaturazinha, não tens valor nem és ninguém, tal e qual como eu.

A construção do teu império social, é tudo o que fazes com familiares, amigos, estranhos, empregados de mesa ou qualquer outro tipo de interacção com pessoas. São a "cortição" até às tantas da noite com os amigos e colegas, seja de trabalho, de escola ou de infância.
São as tardadas ou as horas prolongadas na esplanada do café, no meio de uma conversa para marcar presença, para rir e engalhofar.
São as cunhas, são as amizades rápidas, os namoros. São a capacidade de meter conversa para criar amizades, através da simpatia ou educação.

Ambas são importantes. Ambas te dão ferramentas para viver e saborear a vida de uma forma consciente e responsável. Pois de um lado tens a capacidade de estares sozinhos e criares os teus momentos, os teus sonhos, e do outro tens o amor ou a atenção que muitos de nós precisam.

A única diferença, é que preferiste desenvolver as tuas "competências" sociais, enquanto acreditavas que o teu império social crescia no mesmo passo.
Fazem mais por ti as caminhadas no meio da floresta, com ou sem GPS, o pôr do sol e aqueles pequenos momentos que te dão energia ou tristeza à alma. Faz-te melhor a exploração da gruta que negas existir dentro de quem és desde que nasceste. A escuridão da depressão de que todos transportamos como um cancro em bomba relógio.
Faz mais por ti um livro, que um cigarro e uma cerveja na mão.
É quando tens a cabeça debaixo da bota pesada, que te pressiona o crânio, te prende as mãos e te arranca do coração e do corpo todo o desejo e força de "viver", que passas a saber o que é realmente estar vivo e a importância que as coisas que nunca fizeste te começam a gritar tanto, até abrirem tuneis na pele, do nó da garganta às pontas dos dedos, como arrepios e assombros que em voz de lamentação, te fazem perceber e consciencializar de que deverias ter sido mais produtiva para contigo, ao invés de "curtir" a vida da forma mais despreocupada e luxuosa possível, porque "só se vive uma vez."

Mas é precisamente aí que pessoas como tu se enganam, se engasgam, se tornam hipócritas. É nesse momento de paralesia social do "desboche" e "curtição", que param, que estagnam. Porque é verdade que só se vive uma vez, e que se deve levar e fazer essa caminhada da forma mais alegre e preenchida possível, só não te podes esquecer de que para viver ao máximo, precisas de comer, precisas de roupa, de um tecto, de uma cama, e essa vida tão maravilhosa que levas de adolescente irreverente, um dia acaba, porque o dinheiro é emprestado pelos teus pais, como injecções de capitais.

Se não fizeres pelo teu futuro, não terás nenhum.


Para ti, que não fumas nem bebes, que não sais muito de casa e tens poucos ou nenhuns amigos com quem sair... Lê; Percebe que não precisas de nada dessas coisas para viveres. Para cresceres, para te tornares num homem ou numa mulher. A tua história não se constrói no meio de venenos e vícios que te sugam o pouco dinheiro que tens todos os meses. E o tempo que estarias num café, poderias estar a ler um livro, a escrever, a desenvolver projectos. Não precisas de ter medo por andar sozinho(a).
Sê tu próprio. Não te sinjas por modas, nem pelo que os outros fazem.
Acusarem-te de não viveres, de não curtir a vida, não significa que estás errado, signfica que preferes investir o teu tempo noutras coisas.
Usa esse tempo livre para enriqueceres a tua cultura geral. Para ler, para compreender melhor o mundo que te rodeia.
Constrói e solidifica a essência daquilo que és. Tornares-te melhor de ti para os outros. Cada tentativa que resulte num erro, estás a um passo mais próximo de te tornares quem sempre desejaste ser. Mesmo que te inspires em alguém físico, ou no personagem de um livro ou das tuas histórias, reconhece e percebe que um dia irás lá chegar, irás ser tão bom ou melhor do que aquilo que sonhas.
Dá tempo. Alcançar esses objectivos demora anos.
Uma dica... Põem os pés fora de casa ou os pés bem acentes na terra. Sê analítico em tudo o que te acontece ou te rodeia. Não deixes as emoções tomarem e controlarem as tuas decições. É esse o caminho que tens de percorrer para te tornares alguém ainda mais interessante. Crescer! Descobrires-te, re-inventares-te. A ti, e à tua história. Virares a página do teu próprio livro, e continuares, levando contigo tudo o que sabes, tudo o que sentes, tudo o que sonhas, tudo o que te faz sofrer e sorrir.

Tu, que me lês, e és um merdas; Sentes-te um merdas ou te fazem sentir um ninguém que não sabe aproveitar a vida, curtir, festejar, fazer amigos. Vou-te contar um "segredo".
Para poderes fazer alguma coisa da tua vida, tens de começar uma revolução dentro de ti para alcançar a mudança mais importante da tua mente: Confiança!
Enquanto não tiveres confiança em ti, nas coisas que fazes, nas coisas que dizes, e te deixares dominar pelas incertezas, pelos medos, pela vergonha, pelos pensamentos negativos, pela depressão ou pela morte daquilo que testemunhas todos os dias de ti próprio, vais continuar a caminhar na mesma estrada, com espinhos e árvores tombadas.
O dia em que respirares confiança, vais enfrentar o próximo degrau: tornares-te Macho/Fêmea-Alpha. E por muito que finjas ter confiança, um dia isso vai tornar-se parte de ti como o caminhar, e não há mal nenhum nisso, porque no fim e no fundo, todos nós usamos máscaras.
Os ombros vão estar direitos, as costas deixaram de estar quebradas pelo medo e insegurança, e o teu caminhar vai ser firme e confiante.
Com o tempo, com a luta que pretenderes fazer, vais perceber mais tarde que TU podes alcançar tudo! Que TU podes fazer tudo, ser tudo, ir a todo o lado e perguntar o que quiseres! Porque a vida, torna-se muito mais simples, muito mais fácil, quando a vês sem medos, sem vergonhas, sem o nervosismo de interacção humana.
Depois do teu exame de condução, o medo de conduzir controlava a tua mente. Injectava em ti sonhos aterrorizantes de acidentes e multas. No entanto, com o tempo, ganhas-te confiança nos pedais, nas mudanças, no volante, e em ti mesmo. Se olhasses para trás, para a tua primeira aula de condução, dirias que foi uma das experiencias mais assustadoras da tua vida, mas que conquistaste, com o tempo, por muito dificil que tenha sido.
É precisamente assim que deverás ver a vida. Não há razão para ter medo, vergonha, incertezas, receios, nervosismo, ou entrar em paranóia ou stress por algo tão insignificante.
Porque o segrego, é saberes que o podes fazer! É saber que com o tempo tudo se torna um hábito ou te nsai aturalmente.
É agarrar a vida pelos cornos! Torcer e amassar! É rasgar tudo aquilo que te prende numa zona de conforto que existe apenas na tua mente, e seres a pessoa curiosa que és! Perguntar, descobrir, aprender.

Não precisas de beber, de fumar, de sair à noite, de ir ao cinema, de ter montes de amigos e te sentires integrado num grupo. Isso são tudo cadeados que te prende nas caixas daquilo com que a sociedade te pretende controlar e desmiular. Esses vicios e fraquezas não fazem parte da pessoa que és; da pessoa que escondes e guardas dentro de ti: o Macho/Fêmea-Alpha! O líder! O corajoso! O destemído! E não há mal nenhum em seres tudo isso porque os outros não fazem ideia nem querem saber.

Enquanto não te puseres á frente do urso, não saberás que tens um lobo dentro de ti. Se vais sair, cordeirinho, sai à vida agarrando-a pelos cornos! Torce e amassa! Tudo o que tens de fazer, é saber que o podes fazer. Só tens de ir lá e conquistar. E mostra a todos os filhos da puta que te disseram que não podias fazer nada da tua vida, que estás a caminho! Porque tu vais conquistar tudo aquilo que eles disseram que não serias capaz. E lembra-te: Tudo aquilo que não te matar, é melhor correr!!!
Tens dentro de ti tudo o que precisas para ser um líder, para conquistar e dominar a tua vida e o que desejas para ti. Será com esses pés que vais desbravar caminho para que outros te sigam. Será com essas mãos que irás criar o que mais desejas. Com a tua postura, irás dominar e conquistar qualquer lugar que entres. Se errares? É natural, como a natureza. Não vives para aprender, aprendes para descobrir realmente como viver.
Tu constróis a tua vida.

Mas... e quando te sentires triste? Vazio, com medo, nervososo, envergonhado, sensível? Aprende a perdoar. A perdoar aquilo que és. Aprender a analisar o porquê das coisas que te deixam assim. Além disso, quem disse que depressão é uma coisa má? Que descer até ao fundo do poço é uma coisa horrível? Que ter medo te destrói? É com os momentos mais tristes e infelizes da nossa vida que podemos valorizar o sorriso, a gargalhada, a piada, os momentos realmente bons, bonitos e genúinos. Pois para sentires o carinho e o afecto de um abraço, tens primeiro de sentir a solidão e a tristeza profunda. Aprende a abraçar a solidão e tudo o que ela traz consigo.

Existe uma frase muito interessante sobre relacionamentos:
"Ao inicio é tudo muito bonito. Cheio de amor e paixão; A pessoa lambe-te de alto a baixo e de um dia para o outro, deixas de ser alguém."
As pessoas à tua volta, têm o Síndrome Titanic. O que me sempre me diferenciou de pessoas da minha idade, é que eu sabia que o navio iria bater um dia. Enquanto eles estão na "curtição", a fumar, a beber, a "viver a vida", despreocupados por o navio ir bater no iceberg, eu já comecei a aprender a nadar.
Consciêncializa outra coisa: Essas pessoas que conheces, que vão para os cafés, ou que bebem e fumam, que saiem de casa para "aproveitar" a vida, que saem à noite, grande parte dessa gente não tem filhos, não tem obrigações financeiras dispendiosas todos os meses. Muitas não trabalham, não têm filhos, só estudam, e os papás sustentam todos esses gastos de vida louca. Vivem a vida com o dinheiro dos pais, e não há nada mais humilhante para o carácter de uma pessoa dessas, do que usar e gastar o dinheiro de outras pessoas, para aclamarem e plenos pulmões que eles é que sabem "viver a vida", e curtir, e que eles é que são fixes porque têm amigos, e saem de casa, e fazem festas e vão todos juntos até á praia. Mas alguém os sustenta...

A construção do teu império pessoal, da tua pessoa, da tua mente, da tua solidão, da tua força, da confiança e da tua presença, é a escada mais importante que subirás na vida. Tu és o Alpha.
Se as coisas não te desafiam, não te irão mudar. E quando um dia olhares para trás, para a pessoa que és hoje, vais sentir orgulho ou saber que podias ter feito mais?

O que farias se não tivesses medo?

O que farias?
O que dirias?
Onde irias?

Isso que sentes, que te prende, é o único obstáculo entre ti e a realização de tudo o que desejas ser. É uma pergunta que te faz tremer, porque descobres nesse ponto de interrogação o vazio em que sempre sobreviveste, sem nada para espremer, sem nada para emoldurares. Foste, simplesmente. Existes meramente, como um peão num jogo de xadrez. Como uma cara no meio da multidão, no plano de fundo da vida dos outros.

Vais ter medo a tua vida toda, ou vais fazer alguma coisa com ela!?

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Vais procurar-me nos outros...

[Mother and Son playing - Pinterest]

[26/12/2017]

Vais procurar-me nos outros. Prometo-te.

Piadas parvas e talvez alguma infantilidade à parte, tudo o que dei e fui para ti, não terás com mais ninguém.

Tudo o que fui, foi do que li, do que vi, senti e vivi.
Todos os pequenos momentos foram feitos para serem únicos e especiais, nossos.
O nosso primeiro passeio.
O nosso primeiro beijo. O ramo de flores...
O nosso pôr do sol.
A nossa primeira vez. No meio do nevoeiro de um dia cujo frio não se fez sentir...

Dei tudo de mim, sem nunca pedir nada em troca.
Todo o meu carinho.
Toda a minha ternura.
Todo o meu tempo.
Toda a minha paixão e desejo.
Todo o meu amor.
Toda a minha atenção e dedicação.

Acredita quando te digo que me irás procurar nos outros. Contigo descobri que posso dar muito mais do que pensava. Que posso ser melhor do que me esforcei ao máximo para o ser contigo. Que tudo, mas absolutamente tudo, me veio do coração e da alma, sem nunca com o objectivo de te magoar a ti e aos teus, mas para te deixar realizada, completa, satisfeita e corajosa.

Sou o rapaz que toda a rapariga sonha ter, mas não te recordas de quando a tua "amiga" se queixava do "namorado" e te dizia na cara que tinhas sorte em ter um rapaz como eu.
Não fui perfeito quanto à atenção das minhas piadas ou situações em que abri a boca sem pensar primeiro. Mas situações menos boas da minha parte, e tens um homem de 28, que apesar de não socializar, nem ter amigos com quem sair, esteve ao teu lado quando estavas doente, indisposta ou mais sencível naquele período do mês.
Que está a criar um império para ele e para a futura familia.
Que tem carro próprio.
Um trabalho com um bom horário.
Que tem um bom ordenado.
Um apartamento.
Que corre.
Que lê. Que se informa. Que vê filmes e séries.
Que escreve.
Tinhas um homem, que não bebe, não fuma e prefere ficar a teu lado, no sofá, na cama ou a passear, do que sair todas as tardes e noites para ir beber com os colegas de trabalho, ir jogar á bola ou fazer qualquer outra coisa como todos os homens que não amam as suas mulheres.

Foi na minha forma de estar com quem não conheço que me ajudaste a mudar, e também, no sexo.
Mas como te disse uma vez:
-- "A proxima que vier já terá alguém melhor."

Não chores. Foste tu quem preferiu acabar.
Foste tu que não viu mais de mim.
Foste tu que se esqueceu do que é aceitar a diferença.
Vais procurar-me nos outros. Prometo-te.
Daqui por uns anos, irás perceber algo muito importante sobre mim:
Eu não parei no tempo como todos os teus amigos.
Eu não me torno mais parvo com o tempo.
Não fico mais burro nem tomo menos riscos.
Eu não me esqueci de que estou a crescer. De que erro e que tenho muito para aprender.
Eu não tenho amigos, mas crio obras, dentro ou fora de mim, que me unem aos outros.
Eu não paro no tempo...
Não é ser convencido, é dizer-te, através destas últimas palavras, que perdeste a oportunidade de estar ao lado de alguém que te faria feliz o resto da vida. É dizer-te a verdade de quem sou, do que dou, do que fui para ti e ao teu lado.
Não é ser convencido, é dizer que aquilo em que sou realmente especial, é em amar e cuidar.

A próxima que entrar na minha vida, terá o homem que quiseste deixar ir. O homem que gostavas que eu fosse. Melhor.

Prometo-te.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Eu recordo-me...


Eu recordo-me...
Tinhas as mãos bonitas.
Recolheste os meus passos, entre os dedos compridos, e o meu andar virou de cabeça para baixo.
Nunca foram o suficiente para decidir por mim o caminho a seguir na estrada, ou na vida... foste o iman que calibrou a minha bussula.
Deambulando pelo mundo, encontrei-te.
Tinhas uma roupa tão bonita.
Eu recordo-me...
Tinhas uns lábios perfeitos que adorava beijar. Saborear.
Despir-te, nua, até à alma, desenhando um traço envenenado na pele suave, por onde escorria a saliva que me saia entre os lábios, sobre cada osso, cada músculo, cada pêlo.
Soltei da masmorra o assassino, o monstro, o demónio fantasiado, acorrentados e amordaçados. Em silêncio aguardaram o teu corpo, cuja vergonha te penetrou como um rei, no meio de gemidos abafados.
O teu olhar era brilhante.
Eu recordo-me...
Um espectador, aguardado a próxima fala, o próximo acto de uma peça que se desenrolava em cada palavra, cada gesto, cada olhar nos teus olhos.
Foram eles o meu maior crítico. O consolo de ternura. As saudades e o desejo.
Vi neles os nossos momentos, nesse ultimo adeus em que a terra queimava, em que o sonho ardia em cinza, preparando o luto, a doença.
Eu morri e tu viveste.
Uma felicidade inacabada.
Eras linda.
Eu ainda me recordo...

--------------------
Inspiração:

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Nunca...


Nunca amei ninguém, como te amo a ti.
Nunca desejei ninguém, como te desejo a ti.
Nunca senti por ninguém, o que sinto por ti.
Nunca vivi com ninguém, o que vivi contigo.
Nunca sofri tanto por alguém, o que sofro todos os dias por ti.

És para mim o luto mais difícil de fazer.
Sabes onde me encontrar... se um dia quiseres caminhar.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Um dia deixarás de ser tu...

https://www.pinterest.pt/pin/509188301601629707/

Sinto saudades de ser amado...
Saudades de sentir o amor através do abraço, de um beijo, de um simples olhar.
As memórias tornam-se pesadelos de uma angústia que se descontrola de dia para dia, que se infiltra no coração triste, sozinho, com tamanha amargura, saudade, solidão.
Choro em sofrimento, invisível, recordando o teu cheiro, o teu amor por todo o meu corpo, a tua presença.
Uma saudade de ti que se transforma, que se monstrifica em cada lágrima derramada sobre o rosto que grita por ti, pelo calor das tuas mãos, pelo toque suave dos teus lábios, pelo laço simples e perfumado que colocavas à minha volta em cada saudade morta por um abraço teu.

Sinto saudades do amor...
Saudades de o buraco da solidão ser preenchido pelo que sou incapaz de lhe dar, como humano que sou na minha mais perfeita imperfeição que é de viver sozinho. Não existem amigos suficientes para o tapar. Não existem risos nem apoio que cheguem, para que a escuridão atenue ou vá embora.
É nas saudades que te vejo. É na dor de te perder, de não te ter, de não te acarinhar, de ouvir a tua voz cantar aos ouvidos.
É no compromisso de saber que estás lá, e sempre estarás, numa promessa de ternura.
Saber que me dás com toda a paixão que carregas contigo, com todo o desejo.

Sinto saudades da cama preenchida...
Saudades do teu peso ao meu lado, do teu calor, dos movimentos de conforto e desconforto.
Da minha mão no teu corpo, na tua cintura, só para saber que ainda ali estavas, que ainda respiravas, que ainda me amavas.
Uma memória, um sonho que nunca poderia criar com todos os detalhes que foi ter alguém, tu, assim ao meu lado, todas aquelas horas da noite, num mesmo colchão, num mesmo sono...
Saber que de manhã, ao acordares, nos demorávamos a preparar para ganhar a vontade de sair debaixo dos lençóis.

Tenho saudades...
Penso então, na razão de te ter sido tão fácil deixares para trás, todo esse mundo, todo esse carinho e ternura que um dia partilhámos. Essa história mágica, os momentos únicos.
Repenso, num sofro de sentimentos abafados, o teu querer da distância, a tua vontade da morte de todas as coisas que um dia nos foram queridas, nos foram especiais.
Para onde foi a vontade? Onde encontro eu a minha força de seguir em frente e esquecer que tudo isso foi apenas só mais um capitulo inacabado?
Que razão existe de quereres atirar todos os momentos que passámos juntos, para o lago, pedra-ante-pedra? Que horrores cometi? Que atrocidades te fiz para chegares a ponto final?

Pensar amar alguém, é-me uma traição...
Conceber sequer dar o mesmo amor a outra pessoa, é um pensamento que sou incapaz de completar na minha mente, no meu coração, através dos músculos do meu corpo, cujo único que querem é ter-te de volta, sabendo eu que sou imperfeito.
Um imperfeito que continua a crescer, a aprender, a criar quem é e o que será.

Se é esse o desejo, de te perderes de mim, espero que um dia não te arrependas, tarde de mais.
Sempre estive aqui, com vontade de amar e ser amado. Nesse dia, possivelmente, já farei alguém feliz todos os dias...tal como um dia te fiz a ti.
Um dia deixarás de ser tu... deixarás de ser a "tal" que julguei ter encontrado.
Que todos os beijos te continuem nas memórias dos momentos que partilhámos.
Que os ramos de flores te alegrem nos dias mais tristes.
Que a minha ausência na tua cama se faça sentir nos teus pés e nas tuas costas.
Que a saudade do meu amor por ti te assombre nos dedos entrelaçados de outro qualquer.

Um dia... tornares-te-ás apenas um alguém... pois da saudade o amor não se alimenta, torna-se pequeno. Se não alimentares, evapora-se com o tempo.


Um beijo a tudo o que foste, a tudo o que fizemos, a tudo o que de bonito partilhámos.
Um abraço de "adeus" que não quero dar, por tudo o fomos.


-------------------------
Que o meu texto te dê conforto, tu que me estás a ler, nesta altura tão difícil para ti, como foi e é sem dúvida para mim.
Porque amo com tudo o que sou e tenho para dar.
Errei por dizer coisas parvas sem nunca com o objectivo de ofender.
Errei por dizer piadas simples, apenas por achar que me ajudariam a integrar, a ser aceite, a acalmar o meu nervosismo.
Errei por não pensar primeiro antes de falar.

Que a minha experiência te ajude a crescer, a corrigir, a ser melhor.
Não penses que deste de menos. Disso não te poderás arrepender. Seria pior se nada tivesses dado, ou fosse insuficiente.
Trata-a(o) com todo o carinho, atenção, dedicação e ternura. Dá-lhe, proporciona-lhe o sentimento que gostavas de receber, que adoras sentir, que te faz e sabe bem.

Nunca te esqueças de uma coisa muito importante:
"Quando um dia tudo acabar, e tudo desaparecer, só poderás contar contigo mesmo(a)."
"Vai piorar antes de começar a melhorar."
A solidão humana não chega para descrever o sofrimento que é o de existir sozinho na tua própria mente carregada de amor e dedicação que tens para dar.
Tens um valor inestimável! Nunca deixes de ser, muito menos de dar...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Vou sentir saudades tuas...

[Im Fine. - Pinterest]
[Be gente. - Pinterest]


(played during a thunderstorm)


Deixa-me ajudar-te...
Quero ouvir-te, e saber que os meus olhos te dão alento.
Tocar o teu rosto de mão quente e deixar que te deites na palma da minha alma.
Conta-me os medos que te assombram. Os receios que te controlam a vida e o espírito de quem és, que te suga a força e a vontade de seres, de te inspirares.
Desabafa o receio de te perderes de ti, do que já foste.

Sem ti, não consigo respirar!
Apareces em todos os recantos das minhas memórias, como personagem de fundo... E quando penso no nosso último beijo, no ultimo abraço, no ultimo "adeus"; O aperto no peito faz-me chorar a saudade que sinto todos os dias por ti.
É do teu olhar de sorriso tenurento, que vou sentir mais saudade. Dos teus lábios tocarem os meus gentilmente. Do conforto que foi chorar no teu peito, do reconforto que foi ser abraçado por ti.
É o desejo de te voltar a sentir junto de mim, minha, princesa, meu amor eterno...

Que a tua face não desapareça da memória.
Que o teu cheiro e doçura não esbote da minha pele.
Que a tua essência abrace para sempre quem sou.
Foste tu a minha amada. A minha paixão de uma vida, a parte de mim que nunca fui capaz de ser.
És a luz que me ilumina a escuridão do vazio que hoje, neste dia sombrio e frio, se abate sobre mim, me rasga o peito e enche de lágrimas num sofrimento mudo, num mundo que já não faz sentido.

Já senti amor, mas foste tu a primeira que mexeu comigo.
A primeira amizade por quem lutei mais.
A personalidade com quem mais cresci e amadureci.
Que não seja um acabar. Que não seja um adeus. Que o até já esteja ao virar da esquina, e todo o tempo que perdemos nos reencontre, com o mesmo amor e paixão do nosso primeiro beijo, do nosso primeiro abraço, ao pôr do sol, nas Portas de Coimbra, no sitio mais bonito que foi conhecer-te, descobrir-te e amar-te. Um momento ao qual me agarro, pois tudo o que é mais sagrado, aconteceu ali, junto de mim, por ti e para ti.


"Sê gentil contigo, estás a fazer o teu melhor que podes."

sábado, 1 de julho de 2017


Os altifalantes da estação falaram e um comboio verde deslizou à sua frente, num guincho metálico, sustendo a sua paragem.
Entraram no intercidades, caminho a Lisboa. Subiram as escadas de metal e procuraram os lugares previamente comprados online. Sentaram-se, num conforto que lhes custava apenas mais 5€ no preço final do bilhete.
Cecilia esperava ver maioritariamente homens de negócios, engravatados e de fatos imaculados, portáteis abertos e telemoveis de luxo sobre as mesas, mas para seu espanto, sem se decepcionar muito, descobria algumas pessoas a dormir, uma senhora de palavras cuidadas ao telemovel. Jovens de phones nos ouvidos e um ligeiro barulho de fundo de conversas e contra-conversas, que respeitavam os ouvidos de cada um dos passageiros.

Levou largos e longos minutos para descobrir os sons da caixa de metal. Eis então que nas colunas surge a voz do comandante a avisar a proxima paragem.
Sentiu a força no corpo, e a barriga pesar. Tinham acabado de parar em mais uma estação do qual desconhecia o nome e que os colocava cada vez mais próximos do seu destino.

A corda que trago em mim...


Olha para a minha gravata. Vês o negro que se abraça à volta do meu pescoço? É feito da mesma escuridão de onde vêem os meteoritos. Este nó apertado à volta da respiração, traz um fogo até aos pulmões, onde são abotoados pela camisa às riscas de linhas delineando as curvas do meu corpo.

Despir o casaco, permitindo à luz dos teus olhos crescer de desejo. A camisa, inquieta a vontade de me tocares. A respiração que se realça no peito apertado pelo tecido, provoca a aceleração do arfar, da respiração calórica que te escorre em suores frios de prazer pelo pescoço até às mãos suadas e sedentas.

A grava-ta alarga-se, e aproxima-se ao corpo dos teus sentidos. Cai ao chão, ela e as tuas pernas. Queres um beijo? Recebe o toque e sente o olhar que com a mão na face te os guia a mim.
Sinto os tremores no teu corpo quererem subir pelo meu braço. Recompõem-te, espera, limpa a boca, em breve estarei tão junto de ti, que respirar te será dificil. Mexer, um esforço. Este peito que te elouquece, amarra-te numa dança que perdes a cada músculo preso por mim na corda que é a minha lingua.

Esta gravata, é o inicio do teu prazer mais transcendente...
Agora que te enforca, vou-te despir.

terça-feira, 13 de junho de 2017

O Rei sem Coroa...


Não governa em lado nenhum e em lado algum se deixa governar.
Há nele a vontade de viver da honra de não ser dominado e de não se deixar dominar.
A morte é o unico rio que não consegue parar, que não conseguu beber ou controlar.
A velocidade, a força e o caudal envenenam-lhe o espírito, que sem reino seu, se descontrola e deambula pelas florestas de pantanos escondidos em cada caminhada que faz com os seus pensamentos e desvaneios.

Não há palácio a não ser um buraco para si.
Não há amigos a não ser a solidão e o silêncio.
Não há vida que brilhe nos seus olhos a não ser a do fogo, na escuridão que cobre a vela de uma chama que um dia lhe saltava do peito.

Não há coroa, não há vida, não há legado que deixe de si, neste mundo que foi só dele e por ele vivido.

--------------------
Data: 12/06/2017
A fazer: Passeio com Ana Teresa - Porto
Local: Estação de comboios de Aveiro: 20h - 20h30
Inspiração: Pinterest - A king without a crown (writing prompts).

domingo, 28 de maio de 2017

Disseram-me que não podia correr...

[]

Disseram-me que eu não podia correr com os homens. Que as mãos das mulheres não eram grandes o suficiente para agarrar o punho da espada, e que os braços não tinham força para a erguer sobre a cabeça.
Fora feita para cuidar da casa, das crianças, da comida, dos velhos, dos animais, mas não para a guerra.
-- As mulheres lutam de maneira diferente.  -- disse o meu marido. -- Lutam cada vez que dão à luz. Carregam um pequeno milagre que um dia se tornará numa dona de casa ou num lutador.
Porque nos damos nós mulheres, ao trabalho, de cuidar e acarinhar um filho, se ao fim de 18 primaveras, se não fôr mais cedo, o vêmo-lo partir para uma guerra que poderá não o trazer de volta? Se ele vai por mim, sua mãe, eu quero ir por ele, e por todas as mulheres que não podem acompanhar os seus filhos nesta corrida sem retorno.

Ao vestir a cota de malha por cima da pequena blusa, senti as chicotadas rasgarem-me as costas. O frio do metal apertava-me os ossos e tornava tensos os músculos "frágeis", mal treinados, dos meus braços. O cabelo atado em puxo aquece-me num bafo incómodo as costas. Quando eu vestir tudo o resto, e o elmo me cobrir a cara, bastará não dizer uma única palavra e todos pensarão que serei mais um deles. Talvez um agricultar das terras vizinhas, ou um jovem ajudante de padeiro.

Disseram-me que as batalhas são feitas e travadas entre homens. Deste lado da fileira, não imaginam que uma mulher lhes vai arrancar a espada e o escudo das mãos. Quando descobrirem quem sou, Liliane, mãe de cinco filhos e duas filhas, irão fugir! Irão sentir o grito de guerra nos seus ouvidos.
Hoje eu marcho ao lado de pais e avós.
Hoje eu marcho por eles e pelos meus filhos.
Hoje lutarei pela liberdade.

O dia começou...


Saio do trabalho, meio-dia, sábado. O sol toca-me na pele, aquece-me pelos braços despidos. Hoje sinto-me inspirado.
Desejoso por chegar a casa e ver-te de mangas arregaçadas, debruçada sobre os tachos a fumegar. Ansioso pelo teu sorriso e o olhar cansado, de quem pede um carinho, um mimo, um beijo e um abraço.
Passo a mão no teu rabo, subindo gentil com as pontas dos dedos por cada nó de osso nas tuas costas e delicio-te com um beijo de saudade.
Enrolo-me de abraço no teu corpo, e deslizo as mãos sobre as tuas, lavando as mãos com as tuas, no escorrer que me acalmava a vontade. Beijo-te de novo.
Nas pernas sinto então umas mãos pequeninas, enchendo a casa de gargalhadas e risos pequeninos. Os caracóis mexiam com rebeldia enquanto o corpo se colava ao meu, com saudade, com amor, da mesma forma que eu me agarrava a ti.
Apanhei-a no meu colo, assim como quem pega num bebé, e enchi de beijos o que nos era tão especial; tão traquina; tão irrequieto.
Acabaste a louça, mexes-te o tacho fumegante e correste para nós, já sem avental, já sem os olhos cansados, já sem a tristeza no rosto.

O sol atravessa a sala conquistada por bonecos. Os desenhos lutam na caixa mágica e os pais sobre o sofá. Tenho saudades de ti, amor. Tenho saudades do tempo.

domingo, 26 de março de 2017

Red Room - Show, don't tell...

[Random Inspiration 124 - Pinterest]

A escuridão do pequeno escritório era interrompida por uma dança de luzes, provenientes da televisão parada ao centro, sobre um móvel. O espaço ia-se revelando com a mudança de plano das câmaras no ecrã.
Agarrou no comando ao lado do cigarro sobre um cinzeiro de vidro, e apertou o botão do som. Suavemente, vozes começaram a surgir da pequena caixa de madeira, e a figura forte, sentada numa cadeira de cabedal, cujas costas tocavam quase a parteleira de livros atrás de si, ouvia a entrevista no mais absoluto silêncio.

------

Um rapaz novo, de roupa casual aparecia em destaque perante a imagem da câmara, com o seu queixo ligeiramente acima do ombro de uma figura feminina. Sorriu.
-- As pessoas comparam-te à ex-estrela Mia Kalifa, que tal como tu, de um momento para o outro se tornou numa estrela! O que achas a que se deve este sucesso? Consegues explicar?
-- Bem... -- Ri-se ligeiramente envergonhada. A câmara foca a cara de uma jovam de 25 anos, de cabelo escuro e uma cara muito jovem e oval, fazendo questão de fazer sobressair do seu vestido um decote bastante assentuado. -- Tem haver com estas duas armas! -- responde, levantando os seus peitos com ambas as mãos. -- Não é só por causa das mamas, que são "naturais". -- continua, utilizando as mãos para indicar aspas entre a palavra. -- Eu sou uma rapariga que acabou os estudos em Psicologia. Dei aulas durante 2 anos, e sempre fui uma excelente aluna apesar de ser complementamente louca em várias partes do cérebro. Sou uma rapariga bonita, inteligente e muito safada. -- riu-se.
-- Usas-te a expressão "naturais". O que queres dizer com isso? São falsas mas parecem naturais? -- perguntou o rapaz.
-- Fiz uma operação, sim, para aumentar. Foram-me muito caras! Às vezes para termos o que gostamos, temos de aceitar coisas que não são as melhores no momento. Sacrifiquei muito de mim para as poder fazer.
-- Em que sentido? Monetário?
-- Sim, e também a nivel emocional. Tive me mentalizar que uma vez operada não voltaria atrás. Sou uma mulher decidida!
-- Sentes-te confortável com o tamanho delas?
-- Não têm selicone, o que já por si é o melhor. Ao toque são naturais! Não é incrivel!?
-- Foi por isso que foram tão caras?
-- Muito caras! Mas valeram a pena e adoro o tamanho! Sinto que já nasci assim! -- riu-se.

-----

Um telefone antigo de corda, fez a mesinha tremer, acompanhando-se de um destinto som metálico. A figura pega-lhe com um só gesto e leva-o ao ouvido.
Em silêncio por breves segundos, numa voz grossa e claramente zangada, tentando manter a calma, falou:
-- Sim, estou a ver. Ela fala de mais. Está a atrair demasiada atenção. Façam-lhe uma visita. Dá o trabalho ao Touro. Ele que a faça desaparecer. -- pausou a voz por um momento e continuou. -- Limpo! E segue o jornalista. Quero saber a que restaurante costuma ir comer. -- da mesma forma que pegou no telefone, pousa-o, sem dizer uma única palavra a mais.

--------------------
Show, don't tell - Writing tips
Show, Don’t (Just) Tell

segunda-feira, 6 de março de 2017

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [50]

[Stepping in her body - Pinterest]

[1] | [2] | [3] | [4] | [5] | [6] | [7] | [8] | [9] | [10] | [11] | [12] | [13] | [14] | [15] | [16] | [17] | [18] | [19] | [20] | [21] | [22] | [23] | [24] | [25] | [26] | [27] | [28] | [29] | [30] | [31] | [32] | [33] | [34] | [35] | [36] | [37] | [38] | [39] | [40] | [41] | [42] | [43] | [44] | [45] | [46] | [47] | [48]

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [49]

-- O que queres de nós? Dinheiro?
Soltei uma gargalhada.
-- Achas que me faz falta o dinheiro? -- respondi.
-- Não toques na Joana! Ela não te fez mal nenhum! -- gritou-me a mãe.
-- Não te preocupes com a Joana, a filha da nossa querida Madalena vai-lhe fazer companhia!
A cara dela ficou vermelha de raiva. A fúria crescia visivelmente nas veias dos seus braços, no arfar cadenciado no seu peito e atirou-se a mim como se a vida da filha dependesse daquele momento. E dependia. Mais ou menos...
Com um murro bem calculado, atirei-a ao chão, através do estômago. Contorceu-se e cuspiu-se toda, sentido as entranhas arderem por dentro.
-- Não te preocupes querida Madalena, a tua filha vai seguir o mesmo caminho que a mãe. O de puta!
Ela não respondeu, limitou-se a cair ao chão encolhida em dores. Tentou balbuciar qualquer coisa, mas nem conseguiu abrir a boca.

Ouvi a porta da casa de banho, do piso de cima, começar a bater novamente. A voz de Joana estava distante. Os relâmpagos caiam lá fora e a chuva abafava qualquer som que viesse de dentro de casa. Ninguém estaria perto o suficiente para ouvir gritos, tiros, moveis a cair e vidros a partir. Apontei a arma à amante de Jesus Cristo e os olhos focaram-se na minha arma. O medo cresceu lentamente em volta dos seus olhos, à medida que o chão tremia debaixo dos meus pés.

Disparei.
Gritou.
Sentiu uma dor no ombro.

Caminhei até ao andar de cima, arrombei a porta com o pé, depois de muito tentar dialogar com uma mulherzinha cheia de medo de mim, mas não adiantou. Agarrei a criança por um braço e empurrei-a para que fosse à minha frente. Chorava, desconsoladamente, sempre olhando para trás, por cima do ombro. Foi então que correu desenfreada pelas escadas, numa tentativa de me fugir, mas uma bala alojou-se a poucos metros mais abaixo, ultrapassando os seus pés rápidos e parou; Como uma estátua ficou imóvel. Ali, no meio das escadas.
-- JOANA!!! -- gritas-te tenebrosa. Nesse momento nem os relâmpagos tem faziam jus à força da voz. Foi revigorante sentir o timbre feminino aflito descer-me pela espinha.
-- Joana, Joana, Joaninha...  -- chamei, descendo degrau a degrau, soletrando cada palavra em cada passo. -- Se não te portas bem, a próxima será na tua mãe. -- avisei. Agarrei-lhe no punho, e trouxe-a até à sala. Deixei-me ficar no hall, para que mãe e filha se olhassem.
-- Minha filha! Querida!
-- Vamos todos dar um passeio? -- perguntei às mulheres. -- Queres ir dar um passeio Joana? -- questionei, erguendo-lhe o pulso para que tomasse atenção ao que dizia e me olhasse nos olhos.
A face vermelha acagaçada de medo, de olhos pequeninos e quase sem brilho olharam-me e cruzaram-se de novo com os da sua progenitora. Chorou nesse momento, enquanto a minha mão a apertava e arrastava para longe da mãe galinha.

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [51]
GuardarGuardarGuardarGuardar