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segunda-feira, 28 de maio de 2018

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [51]

[We just bought it! - Pinterest]

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Um raio rasgou o céu, de uma ponta da casa à outra, iluminando a violência do vento e da chuva para lá das amplas janelas. O chão tremeu. O som entrou pelos ouvidos como uma locomotiva em descarrigalamento.
De entre a fúria da natureza, surgiu o tom azul e logo de seguida um tom vermelho. Piscavam cores lá fora. Abri a porta de madeira, inchada e pesada, as dobradiças deram sinal de horrores e a miúda tentou desprender-me os dedos da sua pequena mão. Era escusado ter medo do que desconhecia se nunca lhe desse uma oportunidade... espreitei com a garota à frente e vi uma figura feminina, fardada, sair do carro de pistola em punho. Escondia-se por trás da porta, sob a chuva gelada, com os relâmpagos a cair atrás de si.
Conseguia sentir a difícil respiração daquela agente, sobre as toneladas de água, os barulhos rasgados e as vibrações sonoras que se acompanhavam de um espetáculo de luzes.
-- Se queres viver volta para trás! -- gritei-lhe com a arma apontada à criança chorosa, com a mãe a arrastar-se ensanguentada em plano de fundo.
A agente aproximou-se, cuidadosamente.
-- Larga a arma e solta a criança! -- gritou-me, com um paço firme.
-- Jéssica... querida! -- descobri-lhe no rosto.
-- O que fazes aqui!? -- parou, surpreendida, com o dedo ainda no gatilho.
-- A acabar um serviço, e tu? -- sorri-lhe, olhando Joana.
-- Fui chamada devido a assalto e tentativa de homicídio.
-- Vieste à casa certa!
-- Hã? Porquê? -- perguntou de arma apontada para o chão, lançando o olhar entre mim e a garato, e a mãe que tentava pedir ajuda numa voz já sem força.
-- Vais-me ajudar a arrumar esta desgraça toda ou...?
-- Que valente merda que tu fizeste!!! -- gritou-me. Num só movimento, empurrou-me para trás, quase como um soco no peito.

Entrou, furiosa, arrumou a arma, e olhou em volta. No momento em que seguiu o rasto de sangue da mãe galinha, parou a marcha. Digeriu o rasto de destruição por toda a sala. Pintado no chão, nos tapetes, nos móveis virados, no sofá ensaguentado, nas mulheres de corpo e alma destruidas. Enraivecida, voltou a atenção para mim, de mãos nas ancas.
-- OLHA-ME SÓ PARA ESTA MERDA!!! VÊ O QUE FIZESTE!!! Não sei se te consigo safar desta... Pedi-te para não voltares a fazer mais nada do género, e nem um ano passou e voltas ao mesmo!? Eu devia-te ter prendido logo na primeira vez! Mas és meu irmão... ODEIO-TE TANTO!!!


Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [52]
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domingo, 26 de março de 2017

Red Room - Show, don't tell...

[Random Inspiration 124 - Pinterest]

A escuridão do pequeno escritório era interrompida por uma dança de luzes, provenientes da televisão parada ao centro, sobre um móvel. O espaço ia-se revelando com a mudança de plano das câmaras no ecrã.
Agarrou no comando ao lado do cigarro sobre um cinzeiro de vidro, e apertou o botão do som. Suavemente, vozes começaram a surgir da pequena caixa de madeira, e a figura forte, sentada numa cadeira de cabedal, cujas costas tocavam quase a parteleira de livros atrás de si, ouvia a entrevista no mais absoluto silêncio.

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Um rapaz novo, de roupa casual aparecia em destaque perante a imagem da câmara, com o seu queixo ligeiramente acima do ombro de uma figura feminina. Sorriu.
-- As pessoas comparam-te à ex-estrela Mia Kalifa, que tal como tu, de um momento para o outro se tornou numa estrela! O que achas a que se deve este sucesso? Consegues explicar?
-- Bem... -- Ri-se ligeiramente envergonhada. A câmara foca a cara de uma jovam de 25 anos, de cabelo escuro e uma cara muito jovem e oval, fazendo questão de fazer sobressair do seu vestido um decote bastante assentuado. -- Tem haver com estas duas armas! -- responde, levantando os seus peitos com ambas as mãos. -- Não é só por causa das mamas, que são "naturais". -- continua, utilizando as mãos para indicar aspas entre a palavra. -- Eu sou uma rapariga que acabou os estudos em Psicologia. Dei aulas durante 2 anos, e sempre fui uma excelente aluna apesar de ser complementamente louca em várias partes do cérebro. Sou uma rapariga bonita, inteligente e muito safada. -- riu-se.
-- Usas-te a expressão "naturais". O que queres dizer com isso? São falsas mas parecem naturais? -- perguntou o rapaz.
-- Fiz uma operação, sim, para aumentar. Foram-me muito caras! Às vezes para termos o que gostamos, temos de aceitar coisas que não são as melhores no momento. Sacrifiquei muito de mim para as poder fazer.
-- Em que sentido? Monetário?
-- Sim, e também a nivel emocional. Tive me mentalizar que uma vez operada não voltaria atrás. Sou uma mulher decidida!
-- Sentes-te confortável com o tamanho delas?
-- Não têm selicone, o que já por si é o melhor. Ao toque são naturais! Não é incrivel!?
-- Foi por isso que foram tão caras?
-- Muito caras! Mas valeram a pena e adoro o tamanho! Sinto que já nasci assim! -- riu-se.

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Um telefone antigo de corda, fez a mesinha tremer, acompanhando-se de um destinto som metálico. A figura pega-lhe com um só gesto e leva-o ao ouvido.
Em silêncio por breves segundos, numa voz grossa e claramente zangada, tentando manter a calma, falou:
-- Sim, estou a ver. Ela fala de mais. Está a atrair demasiada atenção. Façam-lhe uma visita. Dá o trabalho ao Touro. Ele que a faça desaparecer. -- pausou a voz por um momento e continuou. -- Limpo! E segue o jornalista. Quero saber a que restaurante costuma ir comer. -- da mesma forma que pegou no telefone, pousa-o, sem dizer uma única palavra a mais.

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Show, don't tell - Writing tips
Show, Don’t (Just) Tell

segunda-feira, 6 de março de 2017

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [50]

[Stepping in her body - Pinterest]

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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [49]

-- O que queres de nós? Dinheiro?
Soltei uma gargalhada.
-- Achas que me faz falta o dinheiro? -- respondi.
-- Não toques na Joana! Ela não te fez mal nenhum! -- gritou-me a mãe.
-- Não te preocupes com a Joana, a filha da nossa querida Madalena vai-lhe fazer companhia!
A cara dela ficou vermelha de raiva. A fúria crescia visivelmente nas veias dos seus braços, no arfar cadenciado no seu peito e atirou-se a mim como se a vida da filha dependesse daquele momento. E dependia. Mais ou menos...
Com um murro bem calculado, atirei-a ao chão, através do estômago. Contorceu-se e cuspiu-se toda, sentido as entranhas arderem por dentro.
-- Não te preocupes querida Madalena, a tua filha vai seguir o mesmo caminho que a mãe. O de puta!
Ela não respondeu, limitou-se a cair ao chão encolhida em dores. Tentou balbuciar qualquer coisa, mas nem conseguiu abrir a boca.

Ouvi a porta da casa de banho, do piso de cima, começar a bater novamente. A voz de Joana estava distante. Os relâmpagos caiam lá fora e a chuva abafava qualquer som que viesse de dentro de casa. Ninguém estaria perto o suficiente para ouvir gritos, tiros, moveis a cair e vidros a partir. Apontei a arma à amante de Jesus Cristo e os olhos focaram-se na minha arma. O medo cresceu lentamente em volta dos seus olhos, à medida que o chão tremia debaixo dos meus pés.

Disparei.
Gritou.
Sentiu uma dor no ombro.

Caminhei até ao andar de cima, arrombei a porta com o pé, depois de muito tentar dialogar com uma mulherzinha cheia de medo de mim, mas não adiantou. Agarrei a criança por um braço e empurrei-a para que fosse à minha frente. Chorava, desconsoladamente, sempre olhando para trás, por cima do ombro. Foi então que correu desenfreada pelas escadas, numa tentativa de me fugir, mas uma bala alojou-se a poucos metros mais abaixo, ultrapassando os seus pés rápidos e parou; Como uma estátua ficou imóvel. Ali, no meio das escadas.
-- JOANA!!! -- gritas-te tenebrosa. Nesse momento nem os relâmpagos tem faziam jus à força da voz. Foi revigorante sentir o timbre feminino aflito descer-me pela espinha.
-- Joana, Joana, Joaninha...  -- chamei, descendo degrau a degrau, soletrando cada palavra em cada passo. -- Se não te portas bem, a próxima será na tua mãe. -- avisei. Agarrei-lhe no punho, e trouxe-a até à sala. Deixei-me ficar no hall, para que mãe e filha se olhassem.
-- Minha filha! Querida!
-- Vamos todos dar um passeio? -- perguntei às mulheres. -- Queres ir dar um passeio Joana? -- questionei, erguendo-lhe o pulso para que tomasse atenção ao que dizia e me olhasse nos olhos.
A face vermelha acagaçada de medo, de olhos pequeninos e quase sem brilho olharam-me e cruzaram-se de novo com os da sua progenitora. Chorou nesse momento, enquanto a minha mão a apertava e arrastava para longe da mãe galinha.

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [51]
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Intensifica-o, e tudo o resto se desmorona...

[Death white Cow - Pinterest]

Hoje, o mundo morre um pouco mais, e eu choro mais do que nunca. Ficando a garganta entupida de soluços sofridos. O peito arde e a dor cria um terror medonho no meu cérebro. O ar não passa, não consegue entrar, não pode descer, e a combustão intensifica-se nos pulmões.
Há dor maior do que não morrer? Dor maior do que estar vivo?
Há maior pecado que desejar morrer? Desejar a morte do Eu?
As lágrimas desbotam a máscara branca de um carnaval que nunca foi feliz.
Há sofrimento suficiente no mundo para perceberes que a vida nunca deveria ter germinado? Não é suficiente a extinção dos seres vivos para compreenderes que já nada tem valor?
Há algo neste planeta digno de ser amado? Digno de ser apreciado?
Embalo a criança dentro de mim, no colo mais quente e reconfortante que possuo dentro de mim. Ela chora, morre, cai e quebra-se. Nada do que lhe possa dar para tirar as incertezas, o sofrimento e as feridas nos joelhos, a manterá viva pelo sorriso das coisas.
A mascara branca perde a cor, o elástico e deixa de existir com o tempo. O sofrimento da alma enaltece cada músculos do meu corpo. Olhar o horizonte e observar a morte do mundo, em dor, em sangue, num misto de frio e nevoeiro, arranca de mim toda a consciência.
A cinza que me criou, o barro que me deu forma, trouxe com eles um defeito: Medo.

domingo, 2 de outubro de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [49]

[Standing on her neck - Pinterest]

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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [48]

-- Não me mates por favor! -- gritou, berrou, esperneou, enquanto a arrastava pelos cabelos para fora da cozinha.
-- Na cama não gemias tanto... -- comentei, sentindo o peso do seu corpo incomodar-me o cotovelo.
Atirei-a para o sofá e tapei-lhe a boca com fita-cola. Prendi os membros com Zips. Vê-la assim amarrada, de cara vermelha e em pânico acendia uma chama em mim que já não controlaria durante muito tempo. Esta noite será memorável!
Tranquei a porta da frente, ajeitei os cortinados, apaguei as luzes e subi as escadas. A mãe da criança arrastava-se pelo chão, até à casa-de-banho onde a sua filha gritava por si. O chão manchava-se de sangue e a maçaneta da porta movia-se violentamente, sincronizada com a vosita de Carolina.
-- O que quer de nós? -- gritas-te, com raiva, seguindo-se um choro descontrolado e derrotista de ti mesma. Ias morrer, ouvias a Morte aproximar-se.
-- Não preciso de nada vosso, por enquanto. Mas levarei a tua filha comigo...
Vi a raiva surgir na tua cara em volta do nariz e o teu franzir de sobrancelhas. Se não tivesses levado um tiro no ombro, acredito que naquele momento terias tentado atirar-me ao chão.
-- Não abras a porta Joana!
-- Mamã! -- gritou a criança indefesa.
-- És patética. -- levantei-a pelo ombro ferido. Gemeu e gritou de dores. -- Ainda não te convenceste de que não há nada de que eu não possa fazer. Continuas a acreditar que tens salvação. O que pensas? Que um raio vai entrar por aquela janela e matar-me!? -- nos milésimos de segundo que passaram, o quarto iluminou-se com um clarão do exterior, seguido de um estrondo que fez o soalho tremer.
-- MAMÃ! -- gritou a miúda assustada, forçando ainda mais violentamente a maçaneta.
-- Quem diria... -- respondi admirado. -- Joana, se não te calas, EU MATO A TUA MÃE! -- gritei. Os gritos histéricos pararam de imediato.

Sinto a ferida no ombro aprofundar-se e uma dor aguda intensificar-se. Não conseguia controlar o meu corpo com tanto sofrimento. Agarrou em mim, arrastou-me até às escadas e atirou-me por elas a baixo. Senti a cabeça bater em cada degrau. Senti-me um saco cheio de ossos partidos. Não me conseguia levantar.

Deitei-te no chão, atei os braços e as pernas. construí a cena de um crime perfeito e bastava agora dar-te um tiro na cabeça.
Madalena seria acusada de triplo homicídio e ocultação de cadáver, pois Joana nunca mais seria encontrada. Em tribunal, as investigações revelariam que tudo tinha sido um acto de ciúmes, comprovados por emails e telefonemas trocados entre um homem e a patroa.
Enquanto me investigassem, Joana estaria escondida na minha cave, por pouco tempo obviamente, até poder mudar de país e a declarar como minha filha.
Fui buscar a tua funcionária e soltei-a. Estava assustada, vidrada no teu corpo nu coberto de sangue.
-- Estás bem? -- perguntou a amiga.
-- A Joana! Vai buscar a Joana!
Madalena olhou-me nos olhos e pisei-lhe a cabeça com a bota.
-- Ninguém vai a lado nenhum. -- proibi.

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [50]

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [48]

[Door broken open - Pinterest]

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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [47]

-- Se lhe tocas... -- ameaçou-me a galinha depenada.
-- Matas-me? -- sorri.
Dei-lhe um tiro no ombro, do mesmo braço que permanecia amarrado, e o pintainho fugiu para o canto de olhos abertos e cara pálida. Ela gritou, sangrou e sentiu a morte pisar-lhe o peito. Aproximei-me dela, do canto da cama e da sua "mais que tudo". Atirou o braço bom às minhas pernas e agarrou as calças. Em vão. Peguei na Carolina, que esperneava desenfreada.
-- NÃO!!! -- gritou óbvia a mãe.
-- Ninguém vos consegue ouvir. Já viste a tempestade lá fora? Está de matar! -- soltei uma gargalhada. -- Se não paras de te mexer a tua mãe leva outro tiro. -- cessou de imediato, com o seu olhar triste colado ao meu e às dores da mamã. Tranquei a miúda na casa de banho, e regressei ao quarto. Lá de baixo, ouço o bater na porta. Espreitei pela janela e vi um 2º carro estacionado à tua porta. A puta da tua amiga apareceu finalmente! Abriu a porta e escondi-me na casa de banho com a tua Carolina.
-- Já cheguei! -- gritou, encharcada e quase despenteada. O chapéu de chuva pingava a entrada da porta, e o vento varria os cortinados. Chamou o teu nome. Procurou-te na cozinha e encontrou a Joana, ainda abalada e a recuperar o fôlego.

Tentei marcar o 112 mas o sinal estava fraco. Ajudei aquela desconhecida a sentar-se na mesa e dei-lhe um copo de água.
-- Quem és tu? O que te aconteceu e o que fazes aqui?
-- Você tem de telefonar para a policia! -- exigiu-me  a rapariga.
-- Não tenho rede! O que fazes aqui!?
-- Corremos perigo! Fuja e peça ajuda! Ele vai mata-la também!
-- O quê? Quem? -- não percebia nada do que esta estranha estava a gritar-me, mas percebia no seu tom de voz e na sua cara que o assunto era sério. Muito sério. Procurei uma faca nas gavetas, mas estavam todas vazias. Para onde raio foram as facas todas!?
-- Onde estão as facas? -- perguntei-lhe.
-- Não há facas na casa? -- perguntou-me, aflita, vasculhando de novo o que já tinha visto.
-- O que se está a passar?
-- Ele veio matar a Carolina e a mãe dela! Não suba, fuja! Fuja e peça ajuda por favor!
-- Ele veio matar a Carolina? Mas quem raio é ele?
-- O homem que lhe ofereceu esse colar!
Foi então que tudo bateu no fundo.

-- Madalena, que surpresa! -- felicitei-a à porta da cozinha, com a faca de novo na mão e a pistola repleta das impressões digitais de Joana. -- Ainda bem que te juntas-te à festa! -- dei um tiro na cabeça da miúda. Madalena caiu ao chão, sentindo a onda de choque no peito e o jato de sangue e cérebro gravar-se nas suas retinas.
Atirei-lhe a arma para as pernas e presenteei-lhe o meu peito.
-- Mata-me!
Sem hesitar, pegou no peso proibido e premiu o gatilho dezenas de vezes até se aperceber que já não havia balas.
-- São cartuchos vazios sua burra de merda! Obrigado por a apanhares, agora tem as tuas impressões digitais... -- contei-lhe, arrancando-lhe o doce das mãos.

domingo, 24 de julho de 2016

A invasão da Europa...


[Adolf Hitler and Eva Braun by Heinrich Hoffmann]

A invasão da Europa por parte dos refugiados, não traz apenas crianças e mulheres que fogem de uma guerra civil, perpetrada pelo grupo radical islâmico ISIS; Traz elementos preparados para desencadear um conjunto de revoluções dentro da própria União Europeia. Homens fortes, treinados no seu país de origem, que esperam o "sinal" para fazer explodir o pânico e a desconfiança nas ruas.

Coloquemos os pontos nos i's, e deixemo-nos de rodeios perante a realidade dos factos e a verdade do que está a acontecer: Esta guerra é ideológica, política, religiosa e racista!
O objetivo é simples: Conquistar toda a Europa. Destruir os seus valores, as suas leias e principalmente a sua religião!

", por certo, algo como um conflito, se não uma guerra, entre o Ocidente Cristão e os Islão." - Pag. 61

"... o problema politico do Islão está em que ele não encontrou a sua forma política." - Pag. 62

"Muitos europeus, ou ocidentais, com boas intenções, dirigem ao Islão o concelho urgente de se reformar, mais precisamente o de realizar as reformas religiosas, sociais e políticas que permitirão aos muçulmanos participar plenamente no mundo comum e na humanidade reunida que se desenham. Esse concelho ocorre-nos tanto mais naturalmente quanto a Europa tem uma experiência particularmente longa e rica desse tipo de mudança profundas, nas quais a associação humana que muda preserva, porém, a sua continuidade subjectiva." - Pag. 62/63

"É possível ver-se aí uma das grandes causas da dificuldade do Islão em praticar efectivamente a democracia: por um lado, a Lei indiscutível exclui ou limita severamente muitas liberdades pessoais, que a democracia reclama: por outro, a enorme latitude da conduta dos príncipes, ou dos chefes, é incompatível com o respeito das leis democráticas." - Pag. 64/65
A Razão das Nações: Reflexões sobre a Democracia na Europa - Pierre Manent
A democracia na Europa, tem evoluído ao longo das ultimas centenas de anos. Através de invasões, trocas comerciais, queda de impérios, guerras mundiais e unificação de uma só moeda. (Euro €)
Os povos árabes, especialmente os mais pobres, estão há tantos anos em guerra, em conflitos em discussões religiosas, que pouco ou nada fizeram para impor a lei democrática e deixar para trás a lei da natureza.
A inquisição, a peste negra, os descobrimentos e as guerras mundiais, ajudaram a Europa a unificar-se. Foram o catalisador "bárbaro" -- me parte -- que nos fez re-escrever uma história sanguinária.
Demos ao mundo a revolução industrial, o comboio, o automóvel, prédios, pontes, auto-estradas, a prensa. E o que trouxemos dos Árabes? Números e matemática? A India é tão conhecida pelos seus deuses como pela sua incrível matemática e matemáticos.
Tudo o que nos foi oferecido pela cultura Árabe, quando ainda dominavam a Península Ibérica, fora roubado de civilizações vizinhas.
Os escravos negros eram comercializados aos Europeus, precisamente por mãos Árabes.

Sim, tivemos a inquisição que matou milhares de pessoas em nome de "Deus", que oprimiu e retardou o avança científico e tecnológico, mas fomos capazes de usar a democracia em nosso favor, quando renegámos a religião para segundo plano. Foram tempos horríveis, que eu próprio como Agnóstico/Ateu, condeno, mas somos hoje "civilizados". Independentemente do que aconteça no resto do mundo.
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Mas existe algo que estes invasores se estão a esquecer e que irá deitar por terra qualquer hipótese de sobrevivência da sua espécie na Europa/Ocidente.

100% da roupa que usam é proveniente de negócios que o Ocidente possuí com o Oriente.
100% das sapatilhas que calçam, são manufacturadas em fábricas construídas pelo Ocidente, no Oriente.
100% dos telemóveis que usam, são desenvolvidos e criados pelo Ocidente.
100% dos hospitais da Europa, são mantidos e geridos por médicos Europeus.
A educação na Europa, está mais avançada que a mentalidade dos próprios refugiados, incluíndo aqueles que sonham em invadir e conquistar o coração do Ocidente.
Quando tudo tiver conquistado, quando todos os brancos tiverem desaparecido:
Quem vai trabalhar nos taxis?
Quem vai trabalhar nos hospitais?
Quem vai trabalhar nas terras?
Quem vai usar as máquinas agrícolas?
Quem vai trabalhar nas fábricas?
O que raio é que eles sabem fazer!?
Se eles querem realmente conquistar todo o Ocidente, utilizando o controlo de nascimentos a seu favor, -- para cada 1 filho europeu, os refugiados terão 3 --, como irão ensinar nas escolas? Como irão conduzir carros?
É que... eles sabem o que sabem, e têm o que têm, porque lhes estamos a ensinar. Deviam sentir-se agradecidos e não violentos. Deviam escolher a diplomacia e não a revolução militar, de arma na mão e reconquista nos olhos.

Quando nenhum branco existir, irão voltar ao tempo da pedra. Eles são a prova viva de uma cultura que não evoluí à mais de 2000 anos, que ainda não teve, nem fez, qualquer avanço científico, matemático ou filosófico.
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“Porque razão 120 civis inocentes merecem morrer na Síria por 84 civis inocentes terem morrido em França?”, pergunta McAdams. -- FRANÇA “VINGOU-SE DE NICE” COM BANHO DE SANGUE NA SÍRIA


Estas novas ideologias "humanísticas" de pró-refugiados, que os acéfalos do "pró-multiculturalismo" tentam obrigar-nos a engolir, em que uma pessoa que mata 84 pessoas é visto como sendo um pobre coitado com problemas psicológicos, começa seriamente a destruir a democracia e a sanidade de toda a União Europeia, incluindo a própria democracia, que sofreu, durante séculos, alterações e "reformas" para chegar ao que é hoje.


Sinto-me ofendido por tamanha barbaridade que leio nos comentários e na noticia.
Esta gente podre, que chora 260 civis, tentam fazer-me sentir mal, sentir-me culpado pela morte de gente externa ao Ocidente, à democracia e às leis.
Fazem-me sentir o opressor, o erro, a "mente fechada", o "racista" sem coração, apenas e só por expressar a minha opinião.

Mas eu não vou pedir desculpa.
Não me vou sentir mal por morrerem  260 pessoas. Faz parte da guerra.
Se 84 franceses morreram, para mim é triste. Se 260 pessoas morreram no outro lado do mundo, não me faz diferença nenhuma. Cada país e continente tem a sua história, o seu passado, as suas guerras e tratados de paz.
A Europa teve 2 guerras mundiais e hoje une-se num só exército: NATO.
Partilha fronteiras, sem perder os seus costumes.
Partilha leis, ideias e decisões, sem que cada país perca o respeito ou o controlo do seu "pedaço de terra".
Estou pela Europa, porque ela apesar de todas as guerras e conflitos, da inquisição e de pestes negras, conseguiu, como países, invadidos e conquistados, de conquistadores do mundo, transformar a diferença em algo positivo e lucrativo.
Não vou pedir desculpa por 260 pessoas. Os Estados Unidos mataram bem mais logo após 2001 e ninguém as chorou, porque ei de chorar eu!?
Porque me devo sentir culpado?
Eu não conduzi nenhum camião contra pessoas.
Eu não lancei nenhuma bomba.
Também não fiz explodir um aeroporto nem andei à machadada a pessoas dentro de um comboio.
A realidade, é que a Europa está a tornar-se excessivamente apaneleirada.
Tudo se sente ofendido por tudo e por nada.
"Todos os brancos se devem sentir mal pelo que fez no passado."
"Devemo-nos sentir mal pelas pessoas que fogem de um país em guerra."
Portugal foi invadido 3 vezes pela França e a única coisa que o povo deixou para os invasores, foram Uvas e Limões.
No México decapitam pessoas à catanada e ninguém chora.
Nas favelas vivem crianças que só conhecem a vida da droga e ninguém as chora.
Torna-te homem e mulher!
O mundo está em guerra à muito tempo, não é só de agora! Se queres fazer alguma coisa de útil, vai para as trincheiras combater! Agora não defendas é uma ideologia que não tem leis. Que não sabe o que é democracia e que vive, apenas e só, através de um livro.

Não vou pedir desculpa pela morte de quem não segue leis. Que vê na Europa um "país" livre de se ser e fazer o que se quiser sem qualquer opressão religiosa ou política. Para eles que vêm de países sem uma verdadeira revolução filosófica, olham para nós como um paraíso onde não precisam de trabalhar nem pagar casa, carro e hospital, pois tudo lhes é dado de borla.
Porque são vistos, e fazem-se de, coitadinhos, pobres, que fogem da guerra, da fome e da miséria, da tristeza e da perseguição. E o povinho burro da Europa, que condena mais depressa um pedófilo que um estripador, acha-se no direito de ajudar tudo e todos os que vêm para cá. De oferecer o nosso lucro a gente que nunca fez nem fará nada pela paz democrática. Que não tem os mesmos valores ou sequer interesse em fazer da Europa, algo melhor.

Os meus antepassados lutaram e revolucionaram-se para que um dia os seus filhos e netos vivessem em paz e harmonia. Eu não vou chorar nem pedir desculpa!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [47]

[Red lips - Pinterest]

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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [46]

-- Porque gritas tanto? Porque esperneias tanto? Tu pediste isto, lembraste? -- removi o pano de entre os dentes. Respirou fundo, sem tirar a olhar de mim, e disse com dificuldade:
-- A minha filha não era para aqui chamada! Conheces a minha rotina, sabes bem que hoje não era o dia mais indicado, principalmente porque Madalena vem cá a casa!
-- Mas minha querida, hoje é o dia perfeito! Hoje é o dia da tua morte...
Ela rasgou as pupilas, num brilho intenso, de choque. As bochechas ficaram pálidas, seguindo-se tudo o resto como um fogo. Enfiei-lhe o trapo goela a baixo e soltou os seus típicos guinchos, enquanto me via sair do quarto, de faca na mão, imaginando o pior. Desci as escadas e abri a porta da dispensa, onde as duas meninas se abraçavam.
-- Vem comigo. -- pedi ao rebento, já menos assustado, de olhos vermelhos e secos. -- Vem comigo, ou mato a tua mãe! -- sussurrei ao ouvido.
-- O que vais fazer? -- perguntou a Joana. Agarrei no braço da miúda e puxei-a para mim. -- O que vais fazer com a Carolina!? -- exigiu num grito.
-- O inimaginável! -- respondi-lhe. De costas para ela, senti uma dor aguda nas costelas. Quase caí ao chão. Virei-me para ela e defendi um segundo murro. A cachopa foge-me entre os dedos e entro numa luta de submissão, e controlo, por uma pequena colher que lhe tiro da mão com um soco no peito. Arranco-lhe o ar dos pulmões, ela arfa de olhos abertos como um cavalo assustado e cai em cima de uns sacos de batatas. -- Desiludes-me! Volto, quando acabar o que viemos fazer. -- Tranquei a traidora adolescente e corri para o quarto principal. Sem esperar, vi o botãosinho ajudar a mamã a tirar as ultimas cordas do braço esquerdo.
A faca reflectiu nos olhos da criança emocionalmente violada.

sábado, 21 de maio de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [46]

[Suffocation - Pinterest]

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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [45]

ACTUALMENTE

-- Não me faça mal. -- pediu docemente limpando as lágrimas do rosto com a sua mãozita.
-- Não querida, claro que não!
-- Não faça mal à minha mamã!
-- Não faço, prometo. -- sorri.

-- Ele seria incapaz. -- reforçou uma voz por trás de mim.
-- Mãe! -- gritou a filha com as lágrimas pingarem nos pulsos apertados pela minha cúmplice. Os olhos embaciados da miúda rabugenta acordavam a minha perversa criatura.
As duas cabritinhas sairam do quarto, e voltei-me para a matriarca da casa. Aflita, regurgitava o pano em gritos abafados, lutando na cama, enquanto a sua "mais-que-tudo" desaparecia no horizonte escuro e ruidoso.
Com os relâmpagos a caírem lá fora, e o vento a dobrar as árvores, a tristeza da mãe camuflava-se na casca medonha da raiva que me perseguia de olhos em chama pelo quarto. Era um farol, que chamava a atenção do meu olhar sobre o seu corpo arfando oxigénio.
-- Não faças essa cara. A tua filha está em excelentes mãos! Confia em mim. Oh espera. Não podes! -- soltei uma ligeira risada. -- Mas agora a sério, a Joana só a foi trancar na despensa. -- aproximei-me da cama. Pousei um joelho no colchão revirado e gatinhei sobre Ti. O teu cheiro vibrava nas minhas narinas. Os teus movimentos arrepiavam-me em prazer. Lutares pela vida fazia-me sentir vivo! -- Anseio este momento desde o dia em que te vi entrar no parque de estacionamento. Oh meu deus! Um diamante! Mas para te matar, o crime tinha de ser bem feito... Estudar-te. Conhecer-te. Assim que conheci a tua Madalena, sabia que Judas estaria por perto. Deves estar a pensar que isto não vai dar certo, porque a tua querida amiguinha vai chegar não tarda. Ligar para a polícia e nós vamos presos e tu ficas para "sempre" a salvo, não é minha totinha? Mas estás tão enganada... Quando ela chegar, vai-te encontrar morta. Vou levar a tua filha comigo, para outra cidade, e a tua Madalena vai ficar com as culpas todas. Vão perceber que te matou por ciúmes. Não achas uma ideia brilhante ter pegado fogo à casa e tu teres-lhe dado a chave da tua? E sabes quem engendrou tudo isso? -- apontei para mim -- exactamente. Eu. O teu assassino!

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [45]


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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [44]

Aproximou-se da sua primeira vítima, de cigarro entre os lábios e olhou-a, pálida, roxa, sem vida. Pingando da mesa para o chão. Com o telemóvel, tirou algumas fotografias ao corpo. Procedeu depois à remoção da faca, com alguma dificuldade, e poisou-a em cima da mesa com outro material cirúrgico.
Passou-se uma hora até que o assassino voltasse. O carro passou novamente junto ao muro do armazém, travando sobre as pedras. A porta fechou-se. Correu o portão ligeiramente e fechou-o atrás de si.
Joana, sentada na cadeira onde antes tinha estado amarrada, olhou fixamente para o seu professor e disse-lhe:
-- E agora? Como nos livramos do corpo?
-- Vejo que tomaste banho; e que estás a usar uma das minhas camisas... e boxers. -- a aprendiz manteve-se séria, obrigando-o a responder. -- Tenho um forno industrial, antigo, que dará conta do recado. Fica na outra divisão.
A expressão na sua face tornou-se mais suave, e respirou fundo, enquanto olhava para o cadáver em decomposição.
-- Como foi? -- perguntou-lhe.
Joana limitou-se a olhar para o sangue a pingar, impávida, sem qualquer expressão, sem dizer uma única palavra.
-- Está tudo bem? -- toquei-lhe no ombro, mas ela recusou o toque. Vi-lhe então o telemóvel nas mãos e arranquei-o. Ela ficou a olhar muito séria para mim, pedindo-o vezes sem conta. Abri-o, retirei-lhe o cartão SIM e joguei as peças para cima do cadáver. -- Nunca mais tires fotos! Principalmente com telemóveis pessoais! Queres ir presa!?
Ela continuou séria e afastou-se. No espaço de tempo que ela levaria a digerir toda a situação e a acabar de fumar o resto do maço de tabaco que me roubara, eu fiz o que fazia melhor. Destruir um morto. Fazê-lo desaparecer... enrolado em plástico, com as roupas dentro de um saco, incluindo a lavagem dos instrumentos em água e lixívia a ferver. Ela voltaria, já o forno estava ligado e a corpo se derretia como manteiga, espalhando pelo ar o cheiro a carne queimada.
-- Não te tornas algo novo sem deixar algo para trás. Se queres matar, tens de ser paciente. Tens de conhecer-te a ti para poderes manipulares os outros. Se não souberes como funcionas, não podes desmontar a personalidade da tua vítima em pequenos objectivos, que se derrubados na ordem certa ou correctamente, te tornarão no titereiro. -- ela olhou para mim, sentindo na cara o calor do forno. -- Para fazermos isto bem, vais ter de fazer exactamente como eu te digo. Não há erros neste mundo; Pois o mais ínfimo detalhe que nos escape ou erro que cometamos, temos a policia à perna.

sábado, 23 de abril de 2016

Até te vais borrar de medo! [2]

[The moment - Pinterest]


Hoje não vais dormir.
Eu sou a besta que guarda as chaves da tua prisão. Vou arrancar-te a pele dos ossos e quando encontrarem o teu corpo, vais estar triturado no fundo de um pântano.
Rasgar-te o sorriso da cara nunca me fez sentir tão em casa. Estás com medo de mim agora? A morte ao meu lado é mais misericordiosa! O tempo será uma tortura.
Junta os teus amigos e vem lutar pela tua cabeça. Levanta os braços, desta não vais parar ao chão, nem ao hospital, mas trouxe um caixão para cada um!
Vou matar o número Um! Caçar o líder da revolução inconsciente e irreverente. Ainda te sentes com sorte? Ainda te sentes com força?
Se entrares na escola, junto o grupo à tua volta, pois eu vou entrar com a manada atrás de mim!
Junta as pedras, que de paus não tenho medo de usar. Protege a cara ou ficarás irreconhecível.
Sou O lobo solitário que te arrancará do coração da alcateia. Sentes o medo tornar a visão turva? Cheiras a morte? Antevês o teu fim? Delicio-me com o teu sofrimento!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [44]


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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [43]

A faca atravessava o peito da inimiga, que soluçava sangue da boca, olhando fixamente para o tecto enquanto o frio lhe percorria o peito. Sentia o coração bater cada vez mais devagar e a respiração arfante de Joana mesmo ao seu lado.
Cuspiu-lhe em cima. Olhou para as suas mãos, pintadas de sangue e esfregou-o na própria cara. Tinha libertado o monstro; Encontrado a raiva perdida do seu animal interior.
-- "Vou matar o Gonçalo!" -- decidiu.
Vitoriosa, afastou-se, desligou o aviso do telemóvel e procurou uma casa de banho, em especial com chuveiro de água quente. Despiu-se, evitou confrontar-se no espelho mas foi capaz de reter uma breve imagem de si, da sua cara pintada, das mãos e dos braços salpicados. A água bateu-lhe na nuca, desceu os cabelos e cobriu o corpo em forma de abraço caloroso. Sentiu algo na consciência, um peso de culpa, mas uma grande satisfação na morte. Na raiva extravasada, no ódio infligido, na morte assistida. Os gritos e grunhidos da vítima agarravam-se às suas pernas trémulas, mas a satisfação que era saber que a causa da morte da mãe estava agora morta, que se tinha feito justiça... parecia que todo o peso e saudade do mundo lhe aliviavam as costas, os ombros, as dores de pescoço. O seu corpo renascia. O valor da vida nunca lhe tinha sabido tão bem. O duche de breves minutos libertavam-lhe a mente do casulo, do castelo que fizera crescer. A água lavava da cara não só o sangue mas todas as máscaras que usara até àquele pequeno momento de vislumbre. Tirar a vida, bem merecida, deu-lhe uma razão para viver e saborear. 

Banho tomado, olhou para o relógio: O assassino estava a demorar-se. Junto a uma parede, abriu um cacifo alto, velho e em ferro, onde encontrou um maço de tabaco de uma das vítimas. Ao lado, em pequenos sacos de plástico com fecho "zip", amontoavam-se os bens pessoais das vítimas do seu futuro namorado. Pareciam provas de crime, o que de facto eram! Se alguma vez alguém as encontrasse ou fossem entregues à policia, especialmente as cartas de condução ou documentos de identidade de cada um dos sacos de carne e osso, à polícia, facilmente iriam relacionar as imagens e os nomes com as mais de 30 pessoas desaparecias nos últimos 10 anos.
Retirou um cigarro, com o filtro branco marcado por batom, e acendeu-o. O prazer inflou-lhe o peito, em cada um dos pulmões, e com o fumo a querer sair expirou uma epifania que lhe subiu ao cérebro. Segregava tanta dopamina com um só "travo" -- do cigarro -- que o prazer da acção se associava à memória curta: os olhos perderem o brilho e a cara estagnar numa só expressão.
Olhou para trás, para a montra da morte, e com um certo escárnio nos olhos odiou o corpo defunto, de lábios roxos.
As câmaras continuariam a gravar até deixarem de ter espaço no cartão de memória.