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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Um sonho persegue-nos, nasce connosco...

[Soldiers going to battle - Pinterest]

Two Steps From Hell - Moving Mountains
When you see the huge enemy armada coming out of the fog...

A cavalaria despedaçava a erva e o orvalho com a luz da lua a seus pés. A marcha conquistava a orla da floresta onde tinham montado acampamento para flanquear em surpresa a primeira vaga que desembarcaria naquela fatídica manhã de remos e água gelada a escorrer-lhes nos corpos.
Na cabeça do plutão surgiu Afonso Henriques, um promissor cavaleiro e futuro rei de "Portu Gal". O número de elementos da sua unidade de ataque, era inferior às ajudas dadas pelos espanhóis, naquela zona longínqua do reino de Leão e Castela, invadida por muçulmanos.
Ao longe, já a cobrir a praia como formigas famintas, desembarcavam os invasores, conquistando passada a passada, espalhando o seu odor e a sua lingua pelo ar. Contava-se uma inferioridade de cinco para um, contra a coligação de Portugueses e Espanhóis. Estes últimos quase desistiram de um ataque, optando pela diplomacia, mas Afonso não estava preparado para dar de mão beijada as terras de seu pai a meio bando de homens grosseiros que vinham da outra ponta do oceano. Se queriam um pedaço da Peninsula Ibérica, teriam de passar por cima do seu cadáver.
-- Henrique, não temos soldados suficientes! Sê razoável! -- aconselhou-o seu grande amigo de infância.
-- Prefiro morrer pelo que acredito! Morrer por um sonho! A fugir como um cão cobarde de rabo entre as pernas.
-- Ao menos espera por eles! -- pediu.
-- Não te preocupes meu belo amigo, nós chegamos para todos eles! Vê! Vê como eles se arrastam de cansaço por esta terra bonita! O que dirão os teus filhos e os filhos dos teus filhos? Esta terra é nossa, foi-nos dada por Deus, por meu pai. Acredita em mim, hoje, nós vamos fazer história! -- desembainhou a espada grande e pesada com um só gesto e apontou para a horda de homens já vencidos pelo cansaço. -- Pelo futuro dos nossos filhos! -- brindou de espada no alto, incentivando o guerreiro no peito de todos os homens que o seguiram durante dias até àquele ponto.
A cavalaria e infantaria de Afonso Henriques, rasgou o ar num arrepiar de rugidos guerreiros que se fizeram ouvir poucos minutos depois nos ouvidos dos muçulmanos ainda habituados ao som da rebentação das ondas e do remos baterem na água.
-- "Vejo neste país um futuro invejável! Só temos de ir lá e conquistá-lo!" -- pensou o primeiro herói de Portugal.


Um sonho persegue-nos, nasce connosco, bem no fundo da nossa mente. Existe por trás de cada ideia, cada palavra, cada sentimento e surge num único lugar: na saudade de cada português.

domingo, 30 de junho de 2013

Junta-te à festa...



As conversas dominavam o ambiente onde o medieval se cruzava com o moderno. Como um chilrrear indistinto na natureza, ouviu-se tocar uma flauta. Devagar aquelas notas caminharam por toda a feira, até que o seu som se agarrasse ao silêncio, convidando-o para o seu banquete.

As crianças saltavam, rodopiavam, e nas caras dos espectadores despia-se o sorriso da timidez, que espalhava como um grande bocejo enquanto a cabeça começava a abanar ao ritmo da pandeireta.
Os pés trauteavam o chão levantando poeira, obrigando o mundo a mover-se com eles. Ouviam-se palmas e gritos de "yha!".
Um aglomerado de pessoas que se juntou "só por um bocadinho", criou uma festa, uma dança caótica de abraços e braços entrelaçados, saias no ar e cabelos ao vento. A emoção e os risos contagiavam tudo e todos e ninguém conseguia ficar parado. As cores vibrantes, os olhos brilhantes e o vento fresco entre as orelhas refrescava o ambiente já tão acolhedor e enraizado na nossa cultura.

Não tenhas vergonha, a festa ainda agora começou!

domingo, 8 de julho de 2012

O cabelo consciente...

[_ by ~AnitaAnti]

O cabelo, pelo menos o meu, acredito, que tenha e ou sirva como uma extensão da minha personalidade.
Não é absurdo, porque é algo meu, que eu penso e "sinto". Cada um terá a sua teoria e esta é a minha.
A ultima vez que cortei o cabelo, foi em Junho de 2009, para além de o corte ter ficado pequeno e até "interessante", fiquei triste, um pouco vazio. Decidi então nunca mais cortar. E se corta-se, deixaria crescer bastante para que quando se corta-se o tal um ou dois centímetros das pontas, não acaba-se com o couro cabeludo rapado.
O meu pai leu algures, que pelo menos uma ou duas vezes na vida, todos devem rapar o cabelo, para que o couro cabeludo "renasça" e respire. Que apanhe ar e até mesmo algum pouco de sol que tanto faz bem à pele desde que não seja em excesso.

Vi uma vez um episódio do "Extreme Makeover", (que agora não consigo encontrar) em que várias mulheres se submetiam a uma mudança de visual, tanto física como estilo corte de cabelo. E haviam várias mulheres com um cabelo extremamente grande. Em 90% dos casos, foi-lhes mostrado um video, uma compilação de outras mulheres que tinham cabelo comprido, que também não queriam cortar, decidiram arriscar e cortar. No fim adoraram. Mas não foi a imagem das que adoraram que me ficou na cabeça, mas uma simples imagem que passou num cagagésimo de segundo, que me ficou cravado na memória. Uma mulher que se olhou ao espelho no fim, e chorou de tristeza, de solidão. Tinha perdido algo.
De uma perspectiva, é normal ficarmos "incomodados" ou com bichos no estômago quando estamos habituados a uma rotina, a algo que nos é natural, e temos de lidar com mudanças rápidas. É o que acontece quando mudamos de carro, de casa, de cores de camisola, de amigos, de escola.

O cabelo, é também um peso, noto isso quando tomo banho. Se fico muito tempo com a cabeça para baixo, rapidamente apanho uma dor de pescoço.
Estive a ver Girl shaves her head bald - 2011, e veio-me à cabeça, de como será para as mulheres, que rapam o cabelo, usarem a maquilhagem. Usam mais? Usam menos? Compreendem melhor as curvas da sua cara? Usam-nas melhor? Não usam de todo.
Será que uma vez rapado, irão continuar com ele assim, rapado/curto, durante mais tempo que o normal?
Outra coisa que reparei, foi o de que, se não se penteasse o cabelo, pelo menos aquelas pessoas que têm cabelo comprido e ondulado/encaracolado, acabariam, ao fim de alguns meses por criar rastas. Não é pelo não tomar banho, mas porque é o que acontece se não escovar-mos ou desentrelaçarmos os nós que vão dando ao longo do tempo, quer quando caminhamos, corremos, dormimos, quando o vento sopra ou viramos a cabeça.

Quando durmo mal, quando tenho pesadelos, ou fico a pensar muito durante o sono, noto que de manhã o meu cabelo está mais oleoso. Quase como se exterioriza-se aquilo que se passa dentro do meu cérebro. Os problemas, a felicidade ou a tristeza. Não é só por causa do calor mas pelo que me vai na mente. É algo "absurdo"? Para mim não o é de todo. Não me aconteceu várias vezes, e ainda que tenha consciência de que o meu cabelo é mais oleoso do que seco, percebo também que ele fica assim mais facilmente quando algo me perturba. Normalmente é quando penso mais, durante a noite. Pois não sei se sabem, mas é à noite que o cérebro mais aquece, e mais trabalha.
Antigamente não tinha muitos cuidados com o cabelo, mas desde que comecei a aprender algumas técnicas, uma das melhores coisas que aprendi, foi a apanhar o cabelo durante a noite. Não entrelaça os cabelos e é mais fácil de escovar/pentear depois de manhã. Que é o que costumo fazer quando acordo. Penteio com o pente e não com uma escova.

Gosto de sentir o cabelo na minha cara, nos meus ombros. Gosto de o usar quando faço massagens, e de sentir o cabelo da minha namorada na minha boca, na minha cara, nas minhas mãos.
Prefiro o cabelo ondulado/encaracolado, ao liso. Pois o encaracolado, para mim pelo menos, tem mais vida, tem força! Tem vontade, é selvagem, tem uma identidade. Enquanto que o cabelo liso... é algo simplório. Muito simples, muito banal, muito "pita rica" e singela. Não tem vida, não tem força. É pura e simplesmente... trivial.
O que também vi num programa televisivo, foi de que o cabelo que fica solto, espetado no topo da cabeça, que cria... algo "não bonito" do ponto de vista da moda e dos modelos com os seus produtos, é sinónimo de saúde do couro cabeludo.

No que toca a cabelo, também existe o seu extremo.
De um lado, do lado mais negativo, estão as rastas, sinónimo de sujidade e desleixo. O que é verdade.
Na outra ponta, temos os cabelos de modelos e princesinhas que usam e abusam de produtos para que os cabelos fiquem sempre bonitos e brilhantes.
Mas no meio ainda existe duas diferenças. Aqueles que lavam, escovam e está a andar. E aqueles que lavam, escovam e aplicam um ou outro produto para as pontas.

Há coisa de um mês, quando vinha no comboio para casa, enquanto olhava para o cabelo de uma rapariga, encaracolado/ondulado louro, os gestos que ela fazia para atirar o cabelo para trás e o manter fora da cara e das bochechas, olhei em redor e apercebi-me de algo. Questionei-me.
Para que serve o cabelo hoje em dia? É só para proteger?
Tornámos um dos meios principais para nos proteger do calor, o cabelo, o pêlo se pensarmos como mamíferos que somos, para manter fresco os nossos cérebros, em... moda.
Preocupamo-nos com o aspecto do nosso cabelo, ou com o cabelo dos outros. Os penteados tornam-se moda, tal como aconteceu com aquela mania dos Emos, de andar com uma franja sobre um olho.
Se alguém não tem o cabelo minimamente bem tratado e arranjado, e não falo de rastas, pensamos logo que a pessoa não se cuida, não toma muitas vezes banho, que se não souber cuidar do seu cabelo, não sabe cuidar do seu corpo e de si. De uma perspectiva, isso é inteiramente verdade!
Se fôrmos desleixados com a nossa maneira de vestir, se não formos acertivos com o que realmente queremos para nós, tornam-mo-nos aos olhos das outras pessoas em figuras desleixadas. Nem sequer é preciso pensar muito sobre isso, porque é a realidade.
Mas porque razão é que pessoas que parecem desleixadas, normalmente são-o?

Ou nos preocupamos em exagero com a nossa aparência, neste caso com o cabelo, ou não nos preocupamos devidamente.
O cabelo, como referi acima, deixou de ser algo útil, para ser algo estético. É só cabelo! É só pêlo! Não os precisamos de encher de produtos, cremes, máscaras e sprais para sermos o centro das atenções. Nós não nos atraímos uns aos outros única e exclusivamente pelo cabelo. Sei que os tempos mudaram um pouco desde que éramos símios, mas cabelo é só cabelo. Nós atraímo-nos através das ferómonas, de substancias quimicas que libertamos. Cheiramos as hormonas uns dos outros, o suor, os genes. Sentimos atracção pela parte física, pelas curvas do nosso corpo às curvas da nossa cara.
As raparigas costumam estar sujeitas a vários estereótipos de moda, que as leva a cuidarem melhor do seu cabelo. Mas não significa que por cuidarem bem ou muito bem do seu cabelo, seja quem for que o faz, que será um bom amigo, uma boa pessoa, um bom humano, que seja inteligente, que saiba crescer, que seja madura e consciente. Pois quem se preocupa exageradamente com a sua aparência, desde as roupas que veste, as marcas que compra, perfumes, bijutaria, colares e fios, e tratamentos para o cabelo e cara... é alguém, que tem problemas emocionais. Que não acredita em si mesma e que precisa da opinião dos outros, que vive dos sorrisos e bons comentários das outras pessoas. Que necessita de se sentir vista bonita fora do seu quarto, para se sentir "completa" e "realizada". Têm uma baixa auto-estima.

Não devemos deixar de pentear o cabelo e de o lavar, mas não sejamos de extremos.
O que é o cabelo hoje em dia? Uma forma de marca? Uma moda? Uma esponja capaz de atrair ou afastar pessoas? Um campo de relva alta onde os cabeleireiros e não só, podem fazer as suas experiências?
Da minha perspectiva, para além de o cabelo ser só cabelo, e ser necessário cuidar e tratar da forma mais simples possível, sem gastar muito dinheiro, acho que o grande problema de não vermos o cabelo de outra forma, é devido às revistas, publicidade a produtos, estrelas que aparecem de cabelo "perfeito". Interiorizamos essa... "verdade" como sendo uma realidade. O que é um problema grave! Pois ficamos com uma ideia completamente errada e perigosa de como o cabelo humano deve "ser".

Costumo ver muito rapaz com o cabelo curto, e fico a pensar qual é a razão de eles o usarem assim. Certamente não será apenas por ser mais fácil de lavar, por não pesar, ou por não gostarem de cabelo comprido, mas sim também porque, para além de ser uma moda muito bem conseguida, para além de ser um estereótipo, de ser uma "marca", uma "personalidade", é algo que ajuda com as raparigas. É algo que está tão enraizado na nossa cultura, que o cabelo comprido no homem deixou de ser sinal de virilidade, maturidade, força, para passar a ser algo como incómodo, calorento, uma competição indesejada.
O cabelo curto, passou a ser a chama para grande parte de todas as mulheres, desde que a tropa foi introduzida na sociedade humana. O acto de rapar o cabelo, era algo duro de fazer para os homens até àquele momento, mas com os anos, tornou-se uma imagem de marca, um sinal de respeito e superioridade. Daí existirem os Skinheads, homens e mulheres com a cabeça completamente rapada, que tentam mostrar superioridade por um acto tão simples. Portanto, o cabelo curta, nos dias que correm é algo que atrai as mulheres, porque sentem que o homem fica mais limpo, mais visível, que não compete com o cabelo dela, é mais fácil de passar a mão, de o controlar.
O que não acontece com os rapazes de cabelo comprido, que hoje em dia assusta muita rapariga. E assusta porque é comprido. Porque não é um hábito. Associou-se ao HeavyMetal, à violência, ao estranho e ao confuso. Ao obscuro, ao negro e à música satânica. E as raparigas de hoje sentem-se ameaçadas por rapazes assim. Sentem-se desconfortáveis. Obviamente que existem excepções. Mas até as raparigas que gostam de rapazes com cabelo comprido, têm opiniões quando ao tamanho que o cabelo de um rapaz ou do seu namorado deve ter. O interessante, é que na idade média, era completamente normal um homem possuir cabelo comprido. Tal como nos mostra o filme Braveheart.
A necessidade de andar com o cabelo cortado, iniciou-se sobre-tudo através na necessidade de tomar banho. Era escusado andar a gastar água no campo de batalha ou até mesmo em casa para lavar tanto cabelo. As pessoas começaram a cortar mais vezes para pouparem água. Não só devido à guerra, mas também devido à falta de água potável para beber.

Um cabelo longo-curto, que toca nos ombros, é algo que as mulheres consideram viril. Principalmente se o homem possuir uma pêra e um bigode simples bonito. A tal barba por fazer de 2 ou 3 dias que 99% da mulheres parece adorar e derreter-se. O que é interessante porque já ouvi e conheço raparigas que odeiam homens de barba, seja de que maneira for. Da mesma maneira acontece com os pêlos no corpo. Lá está, é a moda, uma mudança negra por parte dos nossos instintos animais.
Bem, realmente é mais bonito ver a vagina de uma mulher com pouco ou nenhum pêlo à volta. Dá realmente um ar mais limpo. Mas eu não estou a dizer que devem arrancar tudo. Sei que de uma forma evitam infecções urinárias, sujidade entre outro tipo de problemas. Fica mais fácil de lavar e limpar. Mas aparar também é uma boa solução.
Ainda que uma mulher com pêlos nos braços, hoje em dia comece a parecer cada vez mais nojento e "tabu",  os pêlos debaixo dos braços são importantes para ajudar a soar.

De onde veio esta mania das mulheres para fazerem depilação ao corpo tudo, incluindo aos braços, às sobrancelhas, às mãos? Onde veio esta mania para arranjar as unhas? Esta mania com a maquilhagem?
Desde quando se tornou o cabelo, um quadro de exposição para uma obra de arte, e não pura e simplesmente como um quadro onde mostrar ao mundo daquilo que realmente somos feitos. De como é realmente a nossa beleza natural. Transportamos na cabeça, uma imagem do que os nossos genes podem oferecer à mulher ou ao homem.
O cabelo curto, não é uma consciência de século XX, uma visão actualizada da mentalidade social, mas sim um estado que evoluiu para se tornar hoje, em algo... simples absurdo. E o que quero dizer é que, quando ainda estávamos na idade da pedra e do bronze, e todos usávamos cabelos compridos. Nenhuma mulher se preocupava com o cabelo do homem. Havia sexo na mesma. Havia amor na mesma. Havia caça, casas, armas, bebés, roupas. Os homens não deixavam de ser homens por ter o cabelo comprido. Algo mudou e hoje os homens de cabelo comprido são vistos como "difíceis" e/ou maus, e não como "pessoas" normais.
Um caso interessante é do vocalista dos Cannibal Corpse que tem 2 filhas, uma esposa e é vocalista de uma das bandas de Death Metal mais conhecida em todo o mundo. Não é mau pai por ter cabelo comprido. Diria até que é pior que as filhas! Ama a mulher, faz festas de anos, tem amor e sente amor. É responsável, é maduro, não fuma, não bebe, nem consome drogas. O cabelo comprido faz dele um homem que impõe respeito? Sim, faz, porque ele também não nenhum franganote. Mas não se torna má pessoa por usar o cabelo daquela forma.

Hoje em dia tendemos em ver o cabelo, não como uma extensão da nossa personalidade, ainda que por vezes, ao cortar o cabelo e mudar de estilo soframos alterações, quase como acontece quando mudamos de roupa. Lá está, volto um pouco ao inicio, quando digo que é quase como mudar de casa, de carro. Demora tempo a habituarmo-nos. E é por demorar e criar um espaço temporal para novas oportunidades, que criamos inconscientemente novos caminhos para "novas" experiências. Tendemos em vê-lo como algo que define o estatuto daquela pessoa, no meio social.
Pode-se dizer então que o cabelo de uma pessoa faz mais do que simplesmente proteger a sua cabeça. É um cartão de visitas. É uma fonte de atracção, de cobiça, espanto, inveja. Pode ser ainda usado como ferramenta de sedução e charme. Ou como algo completamente obscuro e depressivo, como o caso da personagem Samara no filme The Ring.
Deixou portanto de ser só pêlo, para passar a ser algo mais. E até os pêlos púbicos das mulheres já merecem "penteados". É incrível observar o aparecimento de industrias que se dediquem a este tipo de coisas.

Não sei como é que as mulheres se vêm umas às outras da perspectiva dos seus cabelos. Numa sociedade cada vez mais "americanizada", as mulheres, na minha maneira de ver as coisas, são muito mais frias e ríspidas umas com as outras. Se tem as pontas espigadas é porque é desleixada, não se preocupa nem trata e por consequente, não arranjar um homem que goste dela.

Não sou contra estilos de penteado, acho apenas, da minha perspectiva, que as pessoas se preocupam de mais. É verdade que hoje podemos usar o cabelo para muita coisa, em várias situações e momentos. Podemos bater recordes mundiais, até mesmo com a barba, mas perdemos aquela visão de ver o cabelo como sendo só pêlo. Um pêlo que herdámos com uma certa "gafe" já repararam?
Existem animais que têm pelo, mas dali não cresce mais. Tal como as unhas. Mas a nós não. Está sempre a crescer e a regenerar. Houve então uma altura na nossa evolução em que perdemos os pêlos no corpo e passámos a ter apenas cabelo, que cresce sem parar.


Podemos ter ferramentas, mas não saber usá-las...
Podemos saber usar as ferramentas, mas não saber aproveitá-las... explorar as nossas capacidades e melhorar os nossos conhecimentos.

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Os tipos de cabelo e a "personalidade" das pessoas.
Reciclagem de cabelo humano?
First Haircut! Ankle Length Long Hair
Sei que o humorista português João Seabra tem um sketch sobre cabelos, mas não consigo encontrar o video.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Caçadores de Magia - Prologo (parte 3)


Correu para a porta, e sentiu os guardas aproximarem-se. Teria de decidir rapidamente, se ficaria para lutar, ou fugir enquanto tinha tempo. Afinal... ele não sabe como usar tal bola, a energia poderia ser regenerada, mas funcionaria sempre que ele quisesse? Puxou do arco e de uma flecha, dirigindo-se para a porta.

Alterou a sua visão, e tudo se transformou num preto pesado. Apenas via os objectos que produziam calor, como desenhos. Olhou uma lamparina, e a única coisa que podia ver, era um brilho branco, expelindo chamas de calor. A caixa da lamparina bloqueava por vezes tal imagem. Os gritos dos guardas fizeram-se ouvir lá ao fundo, a mais de 100 metros. Os seus corpos não podiam ser vistos com a sua visão, mas na sua cabeça, as imagens de tal homens, parecia-lhe como pipocas. Via agora através do guarda da frente. O virar de cada viela, o olhar para o seus soldados... sentia até, os seus dentes ranger, e a mão apertar com força o punho da espada. Começavam-se a aproximar, e podia ver agora, todos eles, despidos de pele, carne, ossos... apenas as veias e o coração pareciam desenhar-se. A terra começava a tremer.
O vulto fechou os olhos, e concentrou-se. contava cada soldado, e verificava a posição de cada arma. Estudava a posição dos escudos, dos capacetes. Estudava as roupas pesadas, e a força de cada um, com um simples olhar. A sua experiência começava-lhe a fazer jeito; afinal, não estaria a desperdiçar tanta energia e tempo com cada um. Mas não podia ter acerteza, pois seriam apenas meras especulações. Mas tinha a certeza de uma coisa, de que seria capaz de matar metade daqueles homens, antes de tentar sair dali.

-- Mãe? o que se passa lá fora? -- perguntou um rapaz, que olhava pela janela a algumas casas à frente.
O vulto tremeu e fechou os olhos. Imagens de uma pilhagem percorriam-lhe as entranhas do corpo, fazendo o vulto tremer mais, e apertar com mais força, as suas armas bélicas. Nesse pensamento, turvo mas marcante, ouvia um bebé chorar, mulheres a gritar, e homens e espadas a combater sangrenta-mente.

Os soldados aproximavam-se. Esticou o arco com a flecha, comprida e negra. Não tinha penas, e a ponta, que parecia uma pirâmide com apenas as suas arestas, era detalhada com pequenas curvas em forma de anzóis muito pequenos. A ponta era afiada e bastante comprida, que bifurcava como uma agulha. Juntou a flecha ao olho, e estudando o balançar do homem à direita, na fila da frente, fez um ajuste ligeiro ao seu dedo e rodou a sua seta nalguns graus ínfimos, e apontou-a à mão que segurava a espada. Os dedos sentiram a força do arco, e a sua cara o vento da corda. Em milésimos de segundo, a flecha atinge o ponto de foco. Trespassa a carne e um dos alguns ossos, cravando de imediato na madeira da espada, ficando soldada ao punho de ferro da mesma. O soldado caí ao chão, enquanto os amigos continuam na correriam olhando para ele.
Recarrega o arco comprido, e desta vez, quase como instinto, aponta à cabeça do chefe, o primeiro no pelotão. Num brilho azul invisível, visto apenas pelo vulto, a flecha voa num rodopio, curtando o som dos gritos, perfurando o crânio do chefe, do soldado por trás deste, e encaixando-se no peito de um outro. Todos os 3 caiem, os soldados param.
-- "Ela matou 4 dos nossos guardas!" -- ouviu o vulto, no seu pensamento. --"Somos uns 15 e pela primeira vez... não sei se estamos à altura." -- continuou o vulto a ouvir. O comandante estava pensativo, tentando ver algo mais do que uma simples sombra naquele local tão escuro. Ouviu um silvo, e um grito do soldado ao seu lado junto às orelhas. Uma flecha tinha-lhe perfurado a rótula, e se espetado no chão. O soldado atingido caiu ao chão em dores, e amigos mais próximos puxaram-no para dentro do grupo. Outros tantos ocuparam as suas posições, munidos de escudos, fizeram uma fila, protegendo se a si, e ao comandante.
O comandante era tão alto como os seus guardas, o cabelo preto, num ondulado encaracolado, descia pelas costas, e pelos seus ombros cobertos pela cota de malha do pequeno capacete.
-- Tragam-na! -- gritou o comandante, arrumando de seguida a sua espada.

O vulto puxou de outra flecha, e apontou-a ao soldado que corria quase sem folgo. Mas deteve-se.
-- ""Tragam-na"? Do que é que ele está a falar? Isto não me cheira nada bem." -- pensou o vulto, mantendo a sua corda esticada. O seu pensamento foi invadido novamente. Um sujeito envolta de trapos e escondido por um capuz, era forçado a sair de um quarto com pouca palha no chão. Um chão de pedras, que estava sujo e empestado.
-- Larguem-me! -- ouviu o vulto, ampliando a sua visão, focando-se naquele ponto muito frio, representado por um branco, em vez do vermelho que representava o calor. Alterou a sua visão uma vez mais, e via, ainda com ampliação, todo o mundo na sua cor e luz natural.
Fizeram a rapariga aproximar-se do comandante, e o vulto atirou a flecha, que acumulava força sintética à mediada que permanecia na corda, para o braço de um dos guardas que segurava aquela figura feminina e desprotegida, pelo ombro direito. Nesse mesmo momento, uma flecha vinda de cima, atinge a sua "vespa negra", e cola-a à parede de uma casa, entre a junta de duas pedras. Rapidamente o vulto olha para cima, e depara-se com 5 soldados armados com arcos com metade do seu tamanho (90cm) e com flechas muito mais pequenas que as suas. Eram a elite, e estavam camuflados, desde os pés à cabeça, com armaduras finas mas resistentes, pintadas de preto. O conjunto era leve, e não levavam capacete. Pois os seus cabelos e barbas compridas, de cores fortes e escuras, escondiam-os por entre a bruma da noite.
Na sua orelha, ouviu o vento mudar de direcção, e sentiu a pressão do ar, subir a cada segundo que passava.

-- Temos algo que pertence! -- falou o comandante. Levou a mão ao capuz, e atirou-o para trás, permitindo ao vulto saciar a sua curiosidade. Era uma rapariga, jovem, com os seus 16/17 anos, de cabelos loiros escuros compridos. A sua cara, de anjo, estragada pelo medo da morte, continuava ainda assim, a espalhar a sua juventude. O vulto sentiu os guardas assumirem novas posturas mais rígidas e confiantes, à medida que as hormonas de tal rapariga tão madura e perfeita para casalar, lhes entreva pelas narinas putridas de macacos e pelos encravados. Porcos! Nojentos! Aquela rapariga havia sido violada dezenas de vezes. Era isso o que via, enquanto a face, de Teresa, a rapariga, lacrimejava e se contorcia em medos, que nem os monstros dos sonhos conseguiam fazer. A sua cara mostrava a medo. Transpirava a pesadelos e gestos que lhe marcavam o corpo em nódoas negras.
Voltou a olhar para os arqueiros de elite, e respirou fundo. E durante o seu inspirar, sentiu o ar tornar-se mais pesado. O arco estava em baixo, e não tinha qualquer flecha na mão. Estava desprotegia. Decidiu então, arrumar o arco nas suas costas, sobre a mira de arqueiros e o olhar atento do comandante, que não hesitaram em dar um passo em frente, e largar tudo o que tinham em cima daquele espectro.
Por cima de um dos arqueiros, pôde ver o nevoeiro aproximar-se. Mas o vento não estava do seu lado, e demoraria a cobrir aquela área iluminada pelas lamparina.
-- DEVOLVE O QUE ROUBAS-TE! -- gritou o comandante apertando com força o colarinho da rapariga que contorceu ainda mais a sua cara. Encolhendo e virando-a para o lado oposto da cara do comandante.
Este, puxou de uma faca, e com a ponta, encostou-a à garganta da jovem.
O vulto reconhecia a cara de Teresa, mas estava diferente, estava mais velho. As memórias surgiam, e muito penosamente, num esforço que lhe apertava o coração, lembrava-se dela nas suas risadas e caminhadas pela floresta que percorria de quando eram novos. Lembra-se de lhe tocar e cheirar o cabelo, enquanto se escondiam na erva alta daquela planície tão a norte do país. Reconhecia-a de a ver ajudar a sua mãe a fazer pão. Era uma criada, e as vestes nessa mesma visão, demonstravam-no.
Desembainhou a espada, cessando o movimento de imediato, permitindo que alguns centímetros da sua lâmina reflectisse a luz fosca do local. E enquanto isso, uma flecha perfurou o chão ao lado do seu pé, e todos se aproximaram, num hesitar nervoso.
-- Pensa bem nos teus movimentos! Pois poderam ser os últimos que tu e ela verão!
-- Larga-a! -- gritou o vulto.
-- Deves achar que aqui tens autoridade! Estás em desvantagem, e sugiro que te rendas. Rato!
O vulto apertou com força o punho da espada.
-- Sabes bem que nunca terás a esfera! Larga-a! Ou enfio-te a espada nas goelas! -- ameaçou, apontando com firmeza.
-- Devolve o que é meu! Se não quem enfia a espada nas goelas, são eu a ela.
-- Verás a morte passar em frente dos teus olhos... -- sussurrou o vulto.
-- Devolve o que é meu! Ou aqui a nossa pequena... puta! -- os soldados esboçaram sorrisos, enquanto a rapariga sentia o seu cabelo ser puxado para trás. -- Será violada contigo! -- os soldados soltaram gargalhadas, o que assustou Teresa, e fez o vulto vincar os seus dedos na pega da espada.
-- Está bem. -- respondeu. Deixou o punho da espada, obrigando esta a deslizar pela bainha com o seu próprio peso, e retirou do bolso do seu colete, a esfera. Um branco cor de leite, que parecia um berlinde gigante. Pesava pelo menos um quilo, e era muito suave.
-- Atira! -- gritou o comandante. Dito isto, o vulto fez escorregar o seu polegar, da direita para a esquerda, acendendo a luz da esfera, e atirou-a para o chão, fazendo-a rola pelo mesmo. Toda a área se cobriu de branco. Num branco que cegava temporariamente todos os presentes naquela rua. Desembainhou a espada e correu tão rápido como a luz que se aproximava do grupo de soldados. A sua visão mudou, e junto do comandante, cortou-lhe a mão que segurava a faca. Balançou a espada de cima para baixo, num ângulo que 200º, e cortou a cabeça ao soldado do lado esquerdo. Perfurou, cortando a vestimenta da rapariga, a barriga do que lhe segurava os cabelos por trás. Teresa estava finalmente livre, mas não em segurança...


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Não vale a pena tentar roubar esta história, pois se o fizerem, as minhas ideias para um livro, serão muito melhores! Serão únicas, serão diferentes, serão ousadas.

Referências:
Capacete

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Caçadores de Magia - Prologo (parte 1)



O guarda tremeu de frio, e sentiu-se cair entre as ameias. Segurou-se, abanou a cabeça, e esfregou os olhos. Olhou em volta, para verificar de que ninguém o tinha visto descuidar-se. Prosseguiu com a guarda. Subiu mais um lance de escadas, e dali por 20 metros, estaria sobre o portão Norte.
Um nevoeiro tomava forma. Era espesso, e muito cinzento. Parecia que alguém tinha colocado fogo à floresta.
"-- Abriram as portas do inferno..." - pensou o guarda.
A estrada, começava a ser galgada pelo nevoeiro, e o vento fazia-o mover-se depressa. Tudo estava calmo, e a única coisa que se podia ouvir, eram os ramos das árvores chiar, e o vento bater nas bandeiras hasteadas ali ao lado.
O guarda olhou para as mãos, e notou alguma porcaria entre os dedos. Tratou em limpa-los, só mesmo porque não tinha mais nada que fazer. Levou um dedo à boca, e pôs-se a roer a unha. Por entre o nevoeiro, algo reluzente ganhava nitidez à medida que se aproximava da sua cara. Até que se apercebeu do que se tratava. Atirou-se ao chão, e deixou-se ficar, ofegando pela vida. Levantou a cabeça lentamente, e viu um vulto surgir por entre a dispersão do nevoeiro.

-- "Estamos a ser atacados, tenho de avisar..." -- nesse mesmo momento, ouve algo atingir o portão. Debruçasse sobre a ameia, para tentar ver o que era. Ao olhar para baixo, vê o vulto. Aparentava ser alguém ágil, pois movera-se depressa para se esconder. Trazia uma capa escura como a noite, e nem a luz nos seus olhos se faziam brilhar perante as tochas pregadas junto do portão. Com um único movimento, o vulto lança uma flecha, que perfura o pescoço do guarda.

O vulto olha para cima, verificando se não existem mais guardas. Coloca então a sua mão encostada ao portão, e começa a fazer pressão sobre umas tábuas e uns quantos pregos. À medida que o tempo passa, e a pressão aumenta, um decalque profundo e queimado começa a aparecer. A madeira em volta, começa a rachar, e surgem pequenas labaredas. Estalidos percorrem todo o portão, enquanto as chamas se apagam e reacendem, espontaneamente, sobre a madeira. Lascas saltam enquanto acabam de arder. Com um pequeno impuslo do seu ombro, o seu braço envolve-se em fios, estrelas e fumo azul-claro. Da sua mão, despedaçando a madeira à medida que a penetra, emana uma labareda de um tom azulado mais escuro.
Os encaixes do portão caiem, como um peso que é capaz de abanar o chão. Os estalos multiplicam-se, começam a parecer tiros de uma metralhadora, até que param de-repente. Com um simples sopro, o portão desfaz-se em pedaços. Com a ajuda do vento, transformar-se-à em pó.

O vulto, dá um passo em frente. Cheira o ar, inclinando a cabeça, e o brilho no seu braço, aumenta e diminui, enquanto lê cada cheiro, cada som e palavra que escuta dentro daquelas paredes tão espessas. Procurava algo. Alguma energia inquieta. Algum pedaço de informação que viesse com o vento ou que estivesse guardada nas chamas daquela tocha junto do portão.
Ouviu terra ser pisada, a quase 5 metros de distância da esquina da casa mais próxima. Por entre a escuridão, aproxima-se do que quer que seja. Empunha a faca que trazia do sinto, e o cheiro inconfundivel a humano, invade-lhe o cérebro. É um guarda. Vem cansado e empunha apenas a sua armadura pesada. A doença da mulher ocupa-lhe o cérebro, e sem se aperceber, é trespassado pela faca do vulto, enquanto este lhe tapa a boca, para que não grita-se. A força do vulto é assombrosa, e com um aperto no punho sua faca, abre o homem ao meio, estripando-o de alto abaixo, parando apenas na perna.

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