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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Sê diferente, mas consciente...



Após a tua morte deixarás o que trouxeste no teu nascimento.
Perante o teu fim irás perceber que o valor da vida não existe. Que não somos nada. Um universo sem humanos seria a mesma coisa. Na mesma belo, na mesma magnífico e incrivelmente fascinante.
Mas se estás aqui, por vontade ou não, encontra um buraco, escava um e faz dele o TEU buraco.

Ainda te lembras de quanto tempo demoraste a aprender a gatinhar? A andar? A distinguir cores? Objectos? Ou quanto tempo precisaste para atar pela primeira vez os sapatos? A escrever as letras ou o abecedário?
Talvez não te lembres, mas todos os dias foram uma luta. Todos os anos te sentias mais alto e mais capaz. Os livros e os filmes, com o tempo, começaram a ter uma história mais interessante com ideias que nunca tinhas percebido.

Por isso chora, esconde-te, grita, mas não tenhas medo, não desistas, estás a crescer. E se errares!? Se errares, aprende com eles. Re-escreve-te.
És um animal magnífico, acredites quer não. Adopta um cão ou um gato. Perceberás mais tarde, que a domesticação foi o melhor que a nossa espécie alguma vez conseguiu alcançar sem tecnologia.

Quando te voltares a sentir triste, pega num livro de receitas de doces e faz um bolo. Se correr mal, faz de novo. Lembra-te: é através das experiências que crescemos! Demoraste anos a aprender a atar os teus próprios sapatos, por isso dá-te um desconto. Estás a aprender, a crescer!

"Se caíres sete vezes, levanta-te oito."

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Se este texto te ajudar, deixa umas palavras, também eu preciso de saber que faço falta neste mundo...

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Sorri, sê feliz, ama...


A tua mãe adora deixar-me sozinho contigo na cama enquanto me conquistas a atenção com livros enfeitados de personagens mágicas. Ela prepara o pequeno almoço para os três e eu invento uma história só para ti, cheia de vida, de risos e brincadeiras. És a minha ouvinte mais apaixonada. Deliciaste a olhar para mim, super atenta, sentindo a minha voz acarinhar-te os ouvidos, e as caretas preencherem a tua sede de imaginação e brincadeira.
Os desenhos enfeitam os livros mas tu enfeitiças as nossas vidas. Roubas-nos as energias só para te pudermos acompanhar e recarregas-nos com um simples sorriso. Adoro quando sorris. A beleza que exteriorizas da tua vontade de conhecer as coisas que te rodeiam. Ajuda-nos a ser crianças de novo. Pede-me só mais uma história. Pede-me só mais uma dança com a mãe. Tu adoras ver-nos dançar e eu adoro dançar com as duas únicas mulheres com quem me casei. Todos os dias és uma aventura de perguntas espontâneas e desinibidas. Todos os dias me obrigas a crescer, a aprender, a aceitar. Todos os dias deposito o meu coração no teu presente.
A tua mãe diz que deveria ter mais calma, mas sou incapaz de te deixar com perguntas por responder, com livros de histórias por contar, com brinquedos de viva própria por personificar. És o meu recreio.

Maria? Sorri. Sê feliz. Nós amamos-te!

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Este é o Alfredo...


Este é o Alfredo. Um cão de família que vive para os seus donos.
Num dia de calor, já no fim da Primavera, Alfredo saiu de casa com os seus dois amigos favoritos: Dois gémeos que vivem no seu próprio mundo, com a sua própria lingua e piadas que às vezes não fazem muito sentido.
De rabo a dar-a-dar, o Ovelhinha -- nome dado pelos irmãos -- parou para cheirar melhor um buraco na vedação do vizinho. Desconhecia tal cheiro. Pronto! Tinha o nariz estragado!
De dentro do buraco, assustando-o, surgiu um pequeno ratito muito senhor das suas piadas.
-- Ei! -- chamou a pequena bola de pêlo -- Parece que viste um rato! -- e desatou-se a rir.

Este era o Júlio; Um hamster bastante grande para a sua idade e dieta. Era o animal de estimação da filha do vizinho, a Francisca, cobiçada pelos dois irmãos, que admiravam a sua beleza sempre de longe pela vergonha.
-- O que és tu!? -- perguntou Alfredo intrigado com o tamanho da criatura engraçada.
-- Sou um hamster ora pois!
-- E o que é isso? É algo para brincar?
-- Não! -- assustou-se. -- Sou um rato. Um rato de estimação de marca cara!
-- Ahh... mas podes brincar não podes? Pareces pesado.
-- Pesado? Não! São apenas largo de ossos! -- assegurou-lhe Julio erguendo a barriga felpuda no ar, que a deixou cair de imediato, orgulhando-se das suas curvas e do seu peso.

[05/08/2015]

domingo, 29 de setembro de 2013

Um momento para mais tarde recordar... [2]



Ergueste-te e endireitaste o corpo despido. Ajeitaste a Carolina junto ao teu seio e percorreste o soalho de madeira até à cadeira de baloiçar da tua avó. Sentaste-te. Beijaste-a na testa e deixaste que te segurasse no indicador. A força dela percorria-te o dedo como um arrepio na espinha. Observei-vos com ternura, testemunhando uma das primeiras interacções entre mãe e filha, o primeiro laço de intimidade que os "homens nunca irão perceber".
A tua a pele branca ao sol, fazia exteriorizar em brilho o interior doce, rejuvenescido, que se alimentava da beleza platónica da nossa semente que com tanto carinho seguravas nos braços. Era capaz de te ver nos olhos, a ansiedade de a veres tornar-se uma pequena mulherzinha, comprares-lhe o primeiro soutien e aconcelhá-la nos namoros. Ouvi-la falar sobre o seu primeiro príncipe, o seu primeiro beijo, a sua primeira vez e criares por fim a união mais inesquecível de todas! Ser-se Mãe!

Irrequieta, a Carolina agitou as pernas e procurou a mama com a boca. Era comilona! Tinha comido à tão pouco tempo, mal tinha arrotado e já estava a pedir mais!? Vamos ter de arranjar um part-time só para a alimentar. Que assim seja. Sai mesmo ao pai quando era garotito, ou será mais à mãe? Sim, porque tu eras igual! Empanturravas-te toda de chocolate e comias os bolos todos que apanhasses na mesa da cozinha. "Diziam que tinha um diabrete no corpo...", lembras-te de me contar? Talvez seja por isso que às vezes te vejo brincar de forma tão irracionalmente criança com a nossa pequenina. O teu sorriso nessas alturas deixa de ser matreiro ou provocador, e passa a ser um verdadeiro tesouro que transmite energia, alegria, felicidade, calma e segurança. Um sorriso tão puro e reconfortante que se pode sentir, para além de ser visto e amado, por todo o corpo como uma descarga eléctrica, que me põem aos pulos por dentro, aos gritos e a correr de um lado para o outro, por saber que estás feliz, que chegaste e me desejas.

Olhaste-a desesperada, estampando-se na cara a frustração de perder uma e outra vez, o mamilo que lhe dava alegria e conforto. Ajeitaste-as, à Carolina e a mama, e devagar chuchou a fome que nos impressionava. Ver-te tão calma e feliz, deixava-me em êxtase.
-- Devagar Carolina. -- avisaste-a. Por alguma razão ela cessou e olhou-te nos olhos, levantou os braços no ar e gesticulou as mãos sobre a tua cara. Sorriste e como mãe babada, endiabrada, provocaste estranhos barulhos junto das suas mãozinhas e na tua cara abriste a cortina para uma das peças de teatro mais cómicas que uma criança tão nova poderia sorrir.

Sabendo como és, vendo o que fazes, sentindo como a amas, completas-me, uma e outra vez, todos os dias, até à nossa velhice.

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terça-feira, 16 de julho de 2013

Uma fatia de bolo...


Sai de casa, sobre um sol ainda a acordar da Sexta-Feira selvagem. Uma leve brisa agarrou-se nos meus cabelos, esticando os seus caracóis e deixou-se ir, percorrendo a rua. Na face levava um pequeno sorriso quase imperceptivel. Estava feliz por podermos finalmente voltarmos a estar um ao lado do outro, a lanchar, a conversar, a acarinhar saudades e limpar as feridas emocionais da distância.
Na esplanada do café, no exterior, sentavas-te tu, observando o mundo, comprimentando-o com um ligeiro acenar de mão e um sorriso bonito. Olhaste-me de longe, como mais uma figura na tua vida, como mais um adereço naquela rua pouco movimentada. Foi preciso aproximar-me um pouco mais para saltares da cadeira com um grande sorriso na cara e correr-mos os dois para os braços abertos um do outro. Estávamos à espera deste momento. O teu coração batia no meu peito como um tambor entusiasmado, e o beijo trémulo, pedia-me num mermúrio que te agarrasse com força.
As tuas pequenas e finas mãos seguraram-me a cara e olhaste-me, tentanto ler tristeza. Ficaste pasmada por uns segundos e sorriste, deixando a tua cabeça cair no meu peito. As minhas mãos contiuavam no teu corpo e deixaste-te ficar assim, no aconchego carente que tanto necessitas de ser sacieado. Não és frágil, mas quando estás comigo autorizas a tua inocência e sencibiliade a desabrocharem sem medo. Sabes que os seguro com cuidado e carinho, e também não precisas de me dizer o que fazer, pois sempre confiaste.
A tua mão entrelaçou-se na minha. As pessoas olhavam-nos enquanto caminhávamos de volta à mesa, e eu mais do que tu, senti-me envergonhado e um pouco incomodado. Não era só por sermos um casal diferente, ou de uma rapariga tão bonita como estar ao lado de um rapaz com o cabelo tão comprido como o meu, de eu parecer "jesus cristo" (anti-cristo), mas pelo facto de eu sair pouco da concha, da minha zona de conforto ao qual só tu tens a chave.
Constrangido com os olhares, beijaste-me, deste-me a mão e sem o mesmo medo de vergonha que me pelava, declaras-te:
-- Estava cheia de saudades tuas!!! Ah! E hoje os meus pais vão ao castelo de "Castelo de Montemor-o-Velho". Hoje tens alguma coisa para fazer de tarde? -- perguntaste, à espera de um "não".
-- Não. -- respondi juntamente com um sorriso.
-- Yey!! -- agarraste-te de alegria ao meu pescoço.

O que é um conto sem uma conversa? O que é um conto sem interacção? Porque criar parte da imagem de um momento é sinónimo de bloquear a imaginação!?
Porque uma história sem falas, peca nas tentativas, na força e na vontade de ser mais forte que o medo ou a vergonha e agir, reagir, agarrar, abraçar e beijar. Um conto sem vozes, é um conto de todos sem nunca tocar ninguém em especial.
Continua...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Toda a vez que olho para ti...



Toda a vez que olho para ti, vejo em mim um melhor Eu. Toda a vez que sorris, e mostras sem medo os dentes brancos, a minha alma fraqueja e chora, por saber que tamanha infelicidade que causei no mundo, foste a primeira e a única, a esticar-me a mão de compreensão. O brilho dos teus olhos não se vê, o amor que tens por mim não se sente no ar, mas as tuas mãos mostram um mundo de sentimentos completamente diferente dos que sempre julguei conhecer. Porque os teus lábios não são só vermelhos, tornam-se húmidos e deixam escapar com carinho, as palavras de poemas esquecidos, as histórias e as aventuras de alguém sem casa, com a vida estampada em cada gesto, com a força a marcar cada passo da tua jornada. A tua companhia não ocupa espaço, a tua roupa que se espalha desarrumada-mente pelo chão, pinta-o de alegria, de liberdade.
Partes correntes mais depressa do que corações e soltas a criança da birra tão devagar como lambes um gelado. Porque as tuas palavras são para ser ouvidas, para serem entranhadas e digeridas. E dás tempo. Dás espaço. Entregaste sem nunca te segurar, mesmo insegura como nunca antes conheci. Dás um pulo, levantaste, sorris e apertas a mão. A tua vida parece ser tão simples que me imagino nas tuas histórias.
Falas comigo, como se fosse o ultimo dia das nossas vidas, e as brincadeiras mantêm longe a monotonia, mas muito perto, o medo de te perder, de sentir a terra negra nas mãos e o rosto sofrer por já não ter ao meu lado o livro e a música que abriu o meu coração.
Cada vez que te vejo caminhar para mim, sinto um fervor crescer-me no peito. Um doce sabor nos lábios que te gritam um beijo. Os meus dedos tremem e só sossegam quando te tocam, quando o teu corpo se cola ao meu. Porque estar ao teu lado simboliza saber ouvir-te, cuidar de ti, sentir o que tens para oferecer, arriscar uma aventura e largar da mão a criança envergonhada que sempre fui. Segurar-te, agarrar-te com força e dizer-te o quanto me és. Envolver-te no conforto das palavras que não chegam, nos sorrisos e jogos que não te cansas de oferecer. Escrever uma história que ambos imaginámos sem nunca saber como irá acabar. Se acabar...
A magia que me encanta o mundo, encanta a casa e a futura barriga. As conversas que ainda não tivemos, os livros que ainda não lê-mos, os filmes que não vimos. As bibliotecas depois do almoço, as caminhadas à luz das estrelas, os passeios ao sol e os mergulhos na praia.
És uma sonhadora, com os pés assentes na terra com vontade voar. Adoro a frieza com que me ralhas às vezes, e a tristeza que sentes ao me ver sofrer. Da energia jubilante com que te abraças ao me pescoço e te atiras com a confiança que nem sempre tenho, para sentires de novo a força dos meus braços, mãos e dedos te segurarem com o medo amoroso de te deixar cair.
Cada vez que olho para ti... deixas de me ser um mistério para passares a ser parte de mim, do espaço que respiro, da cama que partilho, dos sorrisos que me fazem florescer. Por quem és? Por quem vives? Por quem te tornas?

Caminhas comigo?


important is not the day you find something
but the day it suddenly makes sense
by *Rona-Keller

domingo, 30 de junho de 2013

Junta-te à festa...



As conversas dominavam o ambiente onde o medieval se cruzava com o moderno. Como um chilrrear indistinto na natureza, ouviu-se tocar uma flauta. Devagar aquelas notas caminharam por toda a feira, até que o seu som se agarrasse ao silêncio, convidando-o para o seu banquete.

As crianças saltavam, rodopiavam, e nas caras dos espectadores despia-se o sorriso da timidez, que espalhava como um grande bocejo enquanto a cabeça começava a abanar ao ritmo da pandeireta.
Os pés trauteavam o chão levantando poeira, obrigando o mundo a mover-se com eles. Ouviam-se palmas e gritos de "yha!".
Um aglomerado de pessoas que se juntou "só por um bocadinho", criou uma festa, uma dança caótica de abraços e braços entrelaçados, saias no ar e cabelos ao vento. A emoção e os risos contagiavam tudo e todos e ninguém conseguia ficar parado. As cores vibrantes, os olhos brilhantes e o vento fresco entre as orelhas refrescava o ambiente já tão acolhedor e enraizado na nossa cultura.

Não tenhas vergonha, a festa ainda agora começou!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Venham comigo...




A mãe acordou-me, o sol cumprimentou-me e corri pela casa com a fome na barriga. Apanhei o pão já feito do meu pai e fugi até ao sofá, onde me sentei e me perdi. As conversas indistintas aconchegavam-me como almofadas, mas as palavras que me faziam pular e sorrir de alegria, eram aquelas que se chegavam ao pé de mim, devagarinho, como os gatinhos? e me sussurravam: "Vamos dar uma volta...".
Os meus pais, de braços abertos, recebiam-me, presenteando-me o seu colo como uma cadeira de princesa até ao seu coche mágico. Um coche que viaja pelo mundo inteiro, e que voltava a casa sempre sem se perder. O meu sono de beleza, surgia sem avisar, obrigando-me a desligar do mundo, a perdê-lo de vista. Deixava de o deslumbrar, de o ver passar.
Os parques e as florestas faziam-me correr por todo o lado, cheia de energia e curiosidade. Mas as caminhadas pela montanha? Pelos prados largos e planícies verdes? Esses, faziam-me sentar e sonhar. Observar a natureza, ouvi-la, senti-la, respirá-la, conhecê-la de longe pela paisagem e de perto pelo toque da relva. Deitar-me à sombra e ver o céu compor-se de nuvens. Um abraço, um carinho e um beijinho.
A mamã e o papá deitavam-se, riam-se, rebolavam e brincavam como duas crianças apaixonadas. O seu eterno amor iria para sempre ficar comigo. Rugiam sobre mim, como leões desesperados por cócegas, acabando sempre com beijinhos e palavras meigas aos meus ouvidos. Uma paixão que me fervilhava nas veias a cada beijo deles. Um sentimento que me arrepiava as costas por cada olhar ternurento. Recordações  com um cheiro a perfume de Pai e Mãe.

Adoro o vento soprar-me na cara e fazer os meus cabelos voar como uma bandeira da praia. De o  chilrear me penetrar no corpo como o timbre acolhedor da voz dos meus dois botões. Sentir o sol aquecer-me a cara e levar-me da mente a pomba branca da liberdade. Sentir na cara e no nariz, a face do papá e o nariz da mamã. Ser o centro dos pequenos e grandes momentos. Sentar-me nos bancos do jardim e receber nas mãos de migalhas, pombas e andorinhas. Pintar de todas as cores o retrato que faço do mundo e  rebolar de máquina fotográfica na mão para apanhar os sorrisos envergonhados daqueles que todos os dias me amam.

Venham comigo, vou-vos ensinar a voar outra vez...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Não paras de me surpreender...



Entrei à tua procura, com um pequenino sorriso nas minhas bochechas. Respirava fundo, não por ter medo mas por ansiedade. As minhas mãos começavam a soar e a roupa parecia prender-me os movimentos.
Sentei-me na primeira cadeira que encontrei e sorri para a Joana, a enfermeira com quem tanto conversavas.
-- Ela está mesmo a sair! -- respondeu, reconhecendo-me.
-- Obrigado. -- sorri.
Ouvi a porta abrir e de imediato me levantei escondendo atrás das costas o que trazia na mão. Felizmente ainda vinhas meia distraída e a conversar com a doutora.
-- Obrigada... -- respondeste, depois de dois beijos na sua cara. Voltaste-te para a enfermeira Joana e reparaste logo numa sombra muito distinta, com um formato e altura bastante reconhecível. Atiraste o olhar contra o meu peito e subiste-o até aos meus olhos, à minha cara, aos meus lábios que conhecias de cor. Olhaste-me com alguma tristeza, um certo trago a raiva que se desenhava nas tuas sobrancelhas mas um sorriso que rapidamente transformou todo o teu corpo em total euforia química. Parecias uma criança a desembrulhar um ovo-kinder, ou aquela estudante que tinha tirado o seu primeiro "Muito Bom". Qualquer pessoa que olhasse para ti naquele momento, iria perceber a felicidade jubilante em que te encontravas, era contagiante! Eu próprio não podia deixar de me sentir tão feliz por te ver tão confiante e confortável.
Destapei a mão direita do pano surpresa e apresentei-te, muito romanticamente, como se fosse a primeira vez que te pedisse em namoro ou em casamento, um ramo de flores vermelhas, muito bem enfeitado. Coisas melosas que eu sei que te agradam.

A tua face corou e tapaste a boca com alguma vergonha. Tinha chegado atrasado à consulta, sabia-lo, mas não me tinha esquecido de ti. Jamais de um rosa como tu. Reparaste na camisa branca, debaixo da camisola vermelha, nas calças bege que tu tanto dizias fazer sobressair o meu rabo bonito. Ficaste embasbacada, admirada e sem saber o que dizer. Deixaste-te absorver pela minha presença, pelas cores, pelo presente que já não importava mas que ajudava a embelezar e a dar valor àquela mão tão grande que adoras ver passar pelo teu corpo, à noite, quando o frio aperta.
Estiquei o braço oferecendo-te o ramo, e todo o teu corpo tremeu, levemente, gritando por um abraço que parecia tocar-te. Correste para mim, chorando de felicidade pelo momento que nunca irias esquecer. E se o fizeres, estarei aqui todos os dias da tua vida, para te-o relembrar, de como foi e ainda é mágico.
Abraçada a mim, a apertar-me com força, segredas-te-me ao ouvido, as palavras que me fizeram vibrar e desbotar em lágrimas.
-- São gémeos. São um casal...
A voz doce cintilou nos meus ouvidos como uma simples canção de embalar, pura, perfeita. O meu peito já fraco encheu-se de ar e abracei-te, colei-te a mim. Agarrei-te com vontade de te mostrar que eras minha, e sem medo, chorei por ti e por mim o milagre que a natureza nos tinha presenteado. Aqueles dois pequeninos intrometiam-se entre nós, como ainda hoje fazem de braços esticados à espera de colo. Mas abraçar-te não chegava, e queria olhar para a tua cara, reconhecer a tua felicidade, relembrar-me das lágrimas e do teu sorriso incrivelmente ternurento.
Viste-me a chorar, de bochechas molhadas e lábios rasgados, um para cada lado, com os olhos a brilhar, mesmo achando que podia ser da luz, sorriste um pouco, reconhecendo os sentimentos que transbordava. Beijei-te, senti os teus lábios, os teus cabelos, o cheiro ao teu perfume, o calor do teu corpo, e riste-te, contagiando-me de imediato.
-- Parabéns!! -- felicitou a Joana, batendo palmas por breves momentos, até que aceitas-te o seu abraço respondendo oportunamente:
-- Obrigada.
Cada um tão caloroso e verdadeiro, que quando chegou a minha vês, podia jurar que sentiste um bocadinho de ciúmes. E vontade não te faltou de lhe dizer: -- "Já chega, ele é meu, larga-o!"

Aceitaste o ramo de flores que olhas-te por breves segundos, pois o grande presente não eram elas, com as suas cores aromáticas e beleza sinfónica, era eu. O maior e o melhor presente naquela pequena sala. Percorreste todo o meu corpo demoradamente, gravando na memória uma imagem babada de mim, a que agrafaste com força à ecografia e às emoções eufóricas que te faziam pular.
Muito rapidamente, debruçaste-te sobre a grande mala e vasculhastes os pojos e despojos de maquilhagem, telemóvel, carteiras de cartões e moedas, lenços e batons, retirando com cuidado de um pequeno bolso escondido, a ecografia oferecida pela doutora.
-- Olha... a Inês e o André. -- largámos juntos as lágrimas de felicidade que a Joana parecia partilhar com alguma inveja. Sabíamos que era apenas uma foto, a preto e branco, onde nada podia ser destingido, mas olhar para ela, era como ver os futuros desenhos a lápis daqueles rebentos abotoados às nossas asas.
Sentis-te um ponta-pé na barriga, e olhas-te rapidamente para mim. Agarraste-me na mão e levantas-te a roupa que te escondia esse sexy umbigo. Fui tocado, interagi de novo. Na minha mente, as minhas mãos pareciam agarrar as deles, e desejei secretamente sentir naquele momento a força das suas mãozinhas, de ouvir o seu choro, de apressar o processo...
-- Vamos! Quero ir comer, estou cheinha de fome. Parece-me que vão sair glutões como o pai... -- sorriste incriminando-me de comer mais do que a tua barriga danone aguenta. Cozinhas bem! O que queres que faça!?
Despedimos-nos da Joana, atravessamos a porta e o Sol radiante parecia já saber da noticia. Até a Lua nos tinha vindo espreitar, para que rapidamente fosse afastada pelas nuvens que pareciam pintar o azul do céu, com pinceladas brancas de guache. As mesmas pinceladas loucas com que os nossos filhos pintam tudo o que vêm, tudo em que tocam. Não as transformam em ouro, mas a nossa paciência e dedicação... parecem-se com ele!

-- Ai que guerrillas! Não sei como conseguem ter tanta energia! Que diabretes!
-- Só podem sair a alguém... -- retorqui.
-- A ti! -- respondeste sem pensar, sorrindo como um pequeno diabrete. Sem avisares correste para junto deles de braços abertos.
-- Vou-vos apanhar! hahahahah
-- Não me escapam!
Eles, corriam de um lado para o outro, a fugir de nós, gritando em plenos pulmões o medo criança de serem apanhados pelo papão do papá e pela bruxa da mamã... Estás tramada connosco!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Eu sabia...


A vaca e o burro foram "proibidos" no presépio.
Então o que se tirou, foi a vaca da Maria e o burro do José.

Eu sabia que a Maria era uma granda vaca, mas daí a igreja assumir... fiquei perplexo!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sozinho em almofadas


Quero dormir ao teu lado... e sentir com saudade, as minhas mãos percorrem o teu corpo. Cheirar o perfume, beijá-lo e acariciá-lo, até que o sono feche os teus olhos...
Saudades de acompanhar a tua respiração e sentir-te junto a mim, presente.

-- Toma lá...
-- O que é isto?
-- É um comprimido para dormires.

sábado, 16 de abril de 2011

O autocarro ia tão cheio...


O Autocarro ia tão cheio, tão cheio, tão cheio, que se enfiássemos uma folha de papel, tirava lugar a 3 pessoas!!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Matadouro...


Matadouro: Onde as vacas vão de "MU" para SI!
by Simpsons

Episódio: Apocalypse Cow - 4/27/08
Empresa: Abbatoir & Costello slaughterhouse
Mensagem: "Where Cows Go from Moo to You"

quinta-feira, 10 de março de 2011

Canal Odisseia...


Canal Odisseia...
O canal de documentários, mais português do mundo, e o site mais espanhol de entre todos os sites portugueses!

Sou o anão mais alto do mundo! (um gajo com 1.80m)
E o gajo mais magro de entre os gordos! (45kg)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Dia 12...


Dia 12, tornou-se algo único.

Um encontro de pessoas, de bloggers, numa cidade rodeada de igrejas.
Segundo o meu irmão, uma das aldeias, a aldeia, mas velha de Portugal.

Foi um dia muito diferente e até melhor do que estava à espera. Fomos até... agora esqueci-me do nome, mas lembro-me de andar num elevador movido a água. :)
Andámos de autocarro para chegar lá ao cimo da terra, já lá em cima, caminhámos um pouco, não vimos monumentos nenhuns, o que parece mal para visitantes. xD Mas parámos para almoçar.
Conversámos e debatemos. Interagimos de uma forma muito dinâmica.

12 pessoas desconhecidas entre si, num dos parques mais bonitos de Braga, também só vi este! -.- :D
Pintámos uma tela, em conjunto, de uma forma muito abstracta. E depois ouve alguém meio tolinho que decidiu começar a pintarmos a cara um dos outros e... lá aconteceu.
Finalmente, e depois de muita palhaçada, faltou escrever-mos uma acção na testa um dos outros. Como sempre, a minha foi a mais infeliz delas todas! "Dá-me beliscões". xD

Diverti-me bastante!
Foi um dia diferente e interessante.
Adorei a forma em como comunicámos, mesmo sendo estranhos uns aos outros.
As ideias, as piadas partilhadas.


Muita coisa acontece em 2 meses, ainda mais, muita coisa acontece em 2 semanas.
Talvez por saber que tenho finalmente, alguém com quem partilhar as minhas ideias.
Não significa que seja diferente em pensamento, talvez seja apenas mais aberto, mais livre.
Talvez aceite mais. Bem... tenho 21, fisicamente, mas gosto da interactividade, mesmo sentindo atracção pelo oposto. Estar quieto e calado. Gosto disso! Gosto de poder comunicar muito bem e sorrir, e ser também um calado e anti-social.
Este dia abriu-me uma janela, não só para o convívio, para os amigos, para as amizades, mas também mostra que nem todos são ou podem ser amigos. O nosso grupo deu-se muito bem, pois todos estávamos abertos a novas experiências. Todos fomos lá, um pouco tímidos, nervosos e sem saber o que fazer, mas abertos ao momento, ao convívio, ao conhecer e interagir. Era-mos todos já mais velhos, com média de 21 anos, e sabíamos ou pelo menos tínhamos uma outra mentalidade. Bem... acho que se nos largassem num jardim de infância, seriamos um desastre! As crianças ao nosso lado, seriam uns "menino do couro". xD

E reflectir, pensar nisto, pensar na facilidade com que entrámos nas brincadeiras, ainda que um pouco nervosos por nos expormos dessa maneira, e não! não era praxe, era convívio, um convívio diferente e aceitável! Pensar na facilidade, nas brincadeiras, na interacção, e na semelhança com as crianças quando pintam tudo e mais alguma coisa, quando deviam era pintar a tela e não a cara, a roupa, o chão... faz-me pensar e acreditar que este país tem futuro! Existirão pais fenomenais. Pessoas abertas e bem dispostas!

Parece que as coisas acontecem por uma razão, e estarei à espera de saber, a qual me irá guiar este acontecimento.
Aconteceu algo de bom à uns dias, este será outro, à 3ª, é de vez! ^^

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O escuteiro...


Um Escuteiro é:
Um menino vestido de parvo comandado por um parvo vestido de menino.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Prioridades


Não é inteiramente mentira. xD
Escusado será dizer, que isto também é para as raparigas. :D

"I agree…we all NEED to do it occasionally. It’s like homework…you try to do it, but you always end up masturbating…" by Sarah H.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Qual é a melhor maneira...


What is the best way to speak to a monster ?
From a long way away !


Às vezes, as pessoas deviam fazer a mesma coisa.
Ficarem caladas e não dizer nada.
Deixarem de se preocupar com os outros, e preocuparem-se mais com elas.
Deixarem que os outros sejam e façam o que bem entenderem... deixarem de meter o bedelho no que os outros fazem. Deixarem de ser intrometidos.
Que deixem de pensar:
-- "Aquela gaja foi uma parva, porque não me disse nada quando passou por mim."
Porque simplesmente não ia com cabeça para cumprimentar ou dizer o que quer que fosse!
-- "A namorada daquele é isto..."
-- "Aquela gaja disse isto..."
-- "O revisor está a ver o bilhete daquela senhora."
-- "Aquele senhor está a ter um problema com o bilhete..."
-- "Vem aí uma ambulância, será que aconteceu alguma coisa?".

Metam-se na vossa vida!
Importem-se com vocês, e deixem os outros em paz.
Deixem de dar importância à conversa daquele casal de namorados, ou velhos.
De se preocuparem com a pintelhise que os outros fazem. A menos que vos prejudique...

---------
Origem da piada: http://www.kidsjokes.co.uk/

sábado, 8 de janeiro de 2011

Às vezes...


Às vezes, tentamos, esforçamos-nos, partimos um braço e às vezes até a cabeça, para tentar fazer, o que achamos impossível. Pior, é quando esse "impossível", nos torna desesperados, e achamos que não existe nada pior e nada mais impossível do que fazer "aquela coisa", funcionar como queremos.
Perdemos dias, perdemos as noites, as forças, a paciência e a cabeça.

É então que percebemos:
Andamos a tentar fazer fogo com pedra mármore!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Os nossos pais...


São assassinos!!

"-- Ai que o meu pai mata-me!"
"-- O meu pai vai-me bater, por ter tirado esta nota"
"-- A minha mãe vai encher-me de porrada quando chegar a casa..."
"-- A mãe vai matar-te quando souber o que fizeste..."

Os nossos pais, são assassinos.
Matam-nos por qualquer razão, por qualquer motivo.
E ninguém os prende! o.O?
Dizemos a nós mesmos que os nossos pais nos matam ou batem por termos tido más notas, mas nem eles na altura se esforçavam, queriam tanto brincar lá fora, como nós hoje em dia. Eles eram obrigados a saber tudo na ponta da língua. E hoje, obrigam-nos a ser doutores, professores, astronautas, pilotos de aviões, arquitectos, etc etc.

Hoje em dia, temos o dobro da sua capacidade de aprendizagem.
Somos mais capazes. Contudo, eles não deixam de ser psicopatas! :D