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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Este é o Alfredo...


Este é o Alfredo. Um cão de família que vive para os seus donos.
Num dia de calor, já no fim da Primavera, Alfredo saiu de casa com os seus dois amigos favoritos: Dois gémeos que vivem no seu próprio mundo, com a sua própria lingua e piadas que às vezes não fazem muito sentido.
De rabo a dar-a-dar, o Ovelhinha -- nome dado pelos irmãos -- parou para cheirar melhor um buraco na vedação do vizinho. Desconhecia tal cheiro. Pronto! Tinha o nariz estragado!
De dentro do buraco, assustando-o, surgiu um pequeno ratito muito senhor das suas piadas.
-- Ei! -- chamou a pequena bola de pêlo -- Parece que viste um rato! -- e desatou-se a rir.

Este era o Júlio; Um hamster bastante grande para a sua idade e dieta. Era o animal de estimação da filha do vizinho, a Francisca, cobiçada pelos dois irmãos, que admiravam a sua beleza sempre de longe pela vergonha.
-- O que és tu!? -- perguntou Alfredo intrigado com o tamanho da criatura engraçada.
-- Sou um hamster ora pois!
-- E o que é isso? É algo para brincar?
-- Não! -- assustou-se. -- Sou um rato. Um rato de estimação de marca cara!
-- Ahh... mas podes brincar não podes? Pareces pesado.
-- Pesado? Não! São apenas largo de ossos! -- assegurou-lhe Julio erguendo a barriga felpuda no ar, que a deixou cair de imediato, orgulhando-se das suas curvas e do seu peso.

[05/08/2015]

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A morte não tira, conquista!



Estava uma criança, a chorar à beira de um rio. Numa mão tinha uma faca e na outra um pulso cortado. A morte apareceu, saltitando de guinchos eloquentes e aos poucos se aproximou da criança moribunda, perdida.
-- O que aconteceu criancinha? -- perguntou a Morte.
-- Cortei-me e quero morrer! -- respondeu-lhe com os olhos pesados e uma voz decidida.
-- Oh! Mas a morte não se deve chamar! Que idade tens tu menino?
-- Tenho cinco! Cinco dedos que não contam e que não agarram a vida. Sou torcido e sacudido, como as laranjeiras do outro lado do rio.
-- Vem, vamos saltar e dançar! -- a morte ofereceu-lhe a sua mão. -- Vamos rir e sorrir! Vamos celebrar a tua morte!
A criança pulou, agarrou-se à Morte e cantou os passos e os saltos. O sorriso preenchia-lhe o rosto e os olhos brilhavam de sossego e completa alegria. A Morte veio, deixou morrer e desapareceu.

E tu? Queres uma faca também!?

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I am nothingness
Nobody hears me because i am nothingness
Nobody sees me because i am nothingness
Nobody understands me because i am nothingness

Then I hear this beautiful melody
I approach her and dance with her and feel at ease
I dance... and dance... and realize too late
That this will be my last dance on Earth
My dance with Death

No one is going to miss me
No one will ever know my story
Because i am nothingness

domingo, 20 de outubro de 2013

Às vezes esqueces-te...



Olhou para ele, observando nostalgicamente, como gotas que batem em janelas, uma lágrima que percorria os contornos da sua cara, sentiu um calor no peito e as mãos frias.
-- Eu sou tu nos teus dias mais tristes, e tu és eu, nos meus dias mais felizes. Não preciso de dor para sofrer e não preciso de sorrir para ser feliz. Basta ouvir a tua voz junto ao meu ouvido, sentir as tuas mãos tocarem-me a cara e os teus olhos conquistarem os meus com o tempo. É um amor que me faz esquecer a dor de não te ter. Sonhos e desejos que me aquecem à noite, aprisionando-me por vezes em sonhos abafadores, tristes, repletos de amargura e desafios impossíveis. Vejo-te em cada cor de cabelo, cada caminhar confiante e esfolhar de livros. Estás em todo o lado, mas é a tua voz que denuncia o sócia do teu eu que me entristece, me enraiva e me faz amar-te.
-- Os teus dias mais tristes, Cátia, são os meus dias mais felizes. -- ela olhou para ele, estranha, sem conseguir perceber o que queria dizer. Ele era feliz por saber que ela estava infeliz? Gostava de a ver sofrer? -- São os mais felizes, porque finalmente desces dessa tua grandeza e partilhas comigo uma dor que não me quer largar a mão. Tornas-te mais carente, tristonha e eu embalo-me contigo num carinho mútuo. Olhas-me nos olhos, agarras-me as mãos e beijas-me sem pensar. Fazes-me feliz nos teus dias mais tristes, porque deixas de ser a Cátia e o teu Eu, para passares a ser a consciência instintiva e emocional que esqueces que existe na tua vida e na dos outros. Relembras-te de quem sou e do que faço na tua vida, que achas ser tão perfeita. Uma vida imperfeita que eu ajudo ao limar as pontas da tua rabugice, intolerância ou falta de paciência.

Firme como uma estátua, com os seu par de olhos acastanhados fixos nos do seu namorado, Cátia manteve-se calada. A voz do rapaz entrava-lhe com toda a sabedoria, quase como um poema que explicava o mundo. Tremeu com um arrepio na espinha. Os cabelos eriçaram-se e ficara surda por um momento, sem nunca deixar de ver a face simpática daquele que a comprava através do dom da palavra. Ouviu as ondas do mar perto de si e os sinos tocarem ao fundo. As gargalhadas de crianças seguiram-se como um comboio que se aproximava, tornando-se, no fim, no som da chuva que batia na sua janela. Olhou-a de olhos pesados. As emoções escorriam pelo vidro, aprisionando-se num grito cheio de força de vontade, mas sem poder para fazerem a diferença. Tal como as palavras que se agarravam às papilas gustativas, arrastando uma voz roca e fraca, tal como as fracas palavras que não pensava em dizer.

-- Esqueci-me do quão bonito és...
-- E do quão bonita te tornas...
-- Do calor que me provocas no peito...
-- E na fraqueza que sinto ao respirar...
-- Dos lábios molhados...
-- E nas palavras doces ao teu ouvido...

Cátia sentiu as pernas pesadas. As mãos carentes tocaram a própria cara e ajeitaram o cabelo. Ele sabia que estava submissa, cansada, necessitada e caminhou calmamente para junto daquela rapariga calada, tranquila à janela. Sentou-se, olhou-a e com um sorriso de compreensão, de persistência, levou, com alguns dedos, uma madeixa à frente da cara dela para trás da orelha. Tocou-lhe a cara e de olhos apaixonados nos dela, beijou-a no momento oportuno. Cátia soltou uma lágrima. A chuva lá fora tinha finalmente conquistado. Vim, Vivi, Venci.


A única imagem que faz sentido de pernas para o ar, é a do universo.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Uma fatia de bolo...


Sai de casa, sobre um sol ainda a acordar da Sexta-Feira selvagem. Uma leve brisa agarrou-se nos meus cabelos, esticando os seus caracóis e deixou-se ir, percorrendo a rua. Na face levava um pequeno sorriso quase imperceptivel. Estava feliz por podermos finalmente voltarmos a estar um ao lado do outro, a lanchar, a conversar, a acarinhar saudades e limpar as feridas emocionais da distância.
Na esplanada do café, no exterior, sentavas-te tu, observando o mundo, comprimentando-o com um ligeiro acenar de mão e um sorriso bonito. Olhaste-me de longe, como mais uma figura na tua vida, como mais um adereço naquela rua pouco movimentada. Foi preciso aproximar-me um pouco mais para saltares da cadeira com um grande sorriso na cara e correr-mos os dois para os braços abertos um do outro. Estávamos à espera deste momento. O teu coração batia no meu peito como um tambor entusiasmado, e o beijo trémulo, pedia-me num mermúrio que te agarrasse com força.
As tuas pequenas e finas mãos seguraram-me a cara e olhaste-me, tentanto ler tristeza. Ficaste pasmada por uns segundos e sorriste, deixando a tua cabeça cair no meu peito. As minhas mãos contiuavam no teu corpo e deixaste-te ficar assim, no aconchego carente que tanto necessitas de ser sacieado. Não és frágil, mas quando estás comigo autorizas a tua inocência e sencibiliade a desabrocharem sem medo. Sabes que os seguro com cuidado e carinho, e também não precisas de me dizer o que fazer, pois sempre confiaste.
A tua mão entrelaçou-se na minha. As pessoas olhavam-nos enquanto caminhávamos de volta à mesa, e eu mais do que tu, senti-me envergonhado e um pouco incomodado. Não era só por sermos um casal diferente, ou de uma rapariga tão bonita como estar ao lado de um rapaz com o cabelo tão comprido como o meu, de eu parecer "jesus cristo" (anti-cristo), mas pelo facto de eu sair pouco da concha, da minha zona de conforto ao qual só tu tens a chave.
Constrangido com os olhares, beijaste-me, deste-me a mão e sem o mesmo medo de vergonha que me pelava, declaras-te:
-- Estava cheia de saudades tuas!!! Ah! E hoje os meus pais vão ao castelo de "Castelo de Montemor-o-Velho". Hoje tens alguma coisa para fazer de tarde? -- perguntaste, à espera de um "não".
-- Não. -- respondi juntamente com um sorriso.
-- Yey!! -- agarraste-te de alegria ao meu pescoço.

O que é um conto sem uma conversa? O que é um conto sem interacção? Porque criar parte da imagem de um momento é sinónimo de bloquear a imaginação!?
Porque uma história sem falas, peca nas tentativas, na força e na vontade de ser mais forte que o medo ou a vergonha e agir, reagir, agarrar, abraçar e beijar. Um conto sem vozes, é um conto de todos sem nunca tocar ninguém em especial.
Continua...

sábado, 6 de julho de 2013

É castigo ou tortura?




Dar uma chapada na cara de uma criança, dos 2 ou 14 anos, de uma certa perspectiva, é algo obsceno, frio e insensível de se fazer. É algo que muitos pais e mães usam como ultimo recurso, mas é especialmente perpetuado quando a criança falta ao respeito na cara dos pais. Quando lhes chama nomes menos próprios para uma criança daquela idade.

Uma chapada na cara, é, grande parte das vezes, humilhante para quem a leva. Sendo a nossa cara a parte do corpo que constitui o maior número de músculos, e a "única" que nos permite comunicar de forma não verbal. Por tanto, a razão para uma chapada ter tanto impacto nas nossas emoções, deve-se ao facto de ela nos "proibir" expressarmos-nos. Um sinónimo de que deveríamos estar calados, que deveríamos ter vergonha e em parte, deixar de existir. Que a nossa opinião não conta para nada e não tem importância. É, para além do "cheiras mal da boca", uma forma de rebaixar, de inferiorizar. Se um adulto se sente incomodado e inferior, alvo de gozo, então uma criança, por muito inconsciente que seja, sentirá que fez a pior coisa do mundo. O que é o objectivo da chapada. Mas para uma criança, é quase como que os próprios pais dizerem ao filho:
-- Odeio-te! Não gosto de ti!


Dar uma chapada, só mesmo em ultimo caso e na altura certa, é a atitude mais correcta a ter? Pessoalmente acho que não, pois mexe bastante com a caixa psicológica da criança. Uma palmada no rabo ou nas mãos, é sempre melhor do que um puxão de orelhas ou uma chapada.
Como li na internet, existem crianças com problemas graves de audição devido a um puxão de orelhas que foi longe de mais. Inclusive, crianças que ficaram com os músculos da mesmas, rasgados.
Existem vários livros hoje em dia, que "ensinam" os pais a educar e a responsabilizarem-se pelos seus actos, sem ser à chapada e à palmada, ainda existe muito casal que, ou não sabe educar ou tem excesso de raiva a mais. Que usam e abusam do poder de serem "pais" para poderem descarregar o stress do seu dia-a-dia nos seus filhos. Da mesma forma que existem muitos pais que amam os seus filhos, que os respeitam e ouvem, existe também, de forma proporcional, pais que "odeiam" os filhos, que se tivessem poder de escolha ou capacidade de recuar no tempo, preferiam nunca ter tido filhos. Como abordo em parte em "Elas, que andam sozinhas...".
Para esses pais, o "castigo", tanto físico como psicológico é uma forma de tortura? Uma tortura do qual tiram prazer?
Vocês então perguntam-se: "Mas que tipo de pai é que haveria de retirar prazer por encher um filho de porrada e de violência psicológica?". Bem, todos os pais que são divorciados ou que estão separados e têm filhos, e que nunca os quiseram. Os mesmos pais que se tiveram uma noite de sexo com um rapaz ou rapariga qualquer e que ao saberem que a miúda estava grávida, sentiram a vida arruinar-se para sempre.

Até que ponto, um castigo não é uma forma de tortura, mais do que educação? Até que ponto uma palmada, uma chapada, um castigo, um berro mais alto aos ouvidos, não é para os pais, um escape ao stress que os filhos lhe causam todos os dias, simplesmente por existirem, por terem despesas, por causarem prejuízo e mais dores de cabeça do que momentos de orgulho.

Castigar uma criança, não é o mesmo que estar a educar. O meu ralhava comigo e por vezes dava-me umas palmadas bem assentes no rabo e mandava-me, a mim e ao meu irmão, para o quarto de castigo. Como muitos pais fazem. No que ele se tornava único, era quando ao fim de algum tempo, depois de nos deixar pensar no que tínhamos feito, vir falar connosco, incutir, conversar, digerir a informação, o porquê do castigo, o porquê de estarmos errados, onde errámos e o que aprendemos.
Na minha opinião, acredito que a agressão verbal, é pior do que a física. A agressão psicológica, os jogos psicológicos, a frieza das palavras para com os sentimentos da criança. Uma palavra é capaz de fazer mais danos a uma criança, do que uma palmada marcada no rabo. Porque enquanto uma palmada forte, desaparece ao fim de umas horas, uns dias, uma palavra irá agarrar-se a qualquer parte do seu cérebro e ficar lá até ao dia da sua morte, a torturá-la e a manipulá-la da forma mais negativa que se conhece.

domingo, 9 de junho de 2013

Os príncipes, são sempre perfeitos... II


Segundo as mulheres de hoje, os homens já não são como eram antigamente, e deixam muito a desejar. Por um lado preocupam-se "cada vez mais" em estarem presentes na vida das crianças, dos seus filhos, de mudar a fralda, de ser mamã e não só papá com a sua figura central na família. Porque quer queiram quer não, o homem continua a desempenhar um papel fundamental em qualquer família. Segundo palavras do meu pai, é o homem que toma as grande decisões. A mulher pode escolher os cortinados e os tapetes, mas quem decide se, se muda de casa ou se deita uma parede abaixo, é e sempre será o homem. Não é por ter mais força, mas porque está preparado psicologicamente para decidir sobre decisões importantes.
A parte em que eu falo de que os papás de hoje se preocupam com as crianças, e em deixar tanto de serem homens mas mais domésticos, não se reflecte em todo o país. Onde moro, ainda existe o Zé-Povinho que obriga a namorada a carregar o filho e as compras todas quando vêem do intermarche. Outros ex-amigos que engravidaram umas gajas, e que as deixaram. Como tanto vi por aí. São mais os que se divorciam, coisa que está comprovada estatisticamente segundo palavras de um senhor conhecido, tudo por causa da crise, do que os que têm filhos e se mantêm juntos. Logo, é pouco provável que os "pais" de "hoje" se preocupem mais do que à vários anos. Os pais à 20 anos preocuparam-se e preocupam-se. Obviamente, irá sempre existir pessoas que não têm educação nenhuma, infelizmente são mais as que não têm nem sabem dar, do que as que têm. Perpetuando assim o nosso tão querido "Zé-Povinho".

Os homens estão condenados a extinção, assegura cientista australiana

Todos sabemos que as mulheres são mais que os homens. E por essa razão, as mulheres deveriam deixar de serem cabras ao ponto de odiar que um homem deixe uma, para ir para outra. E deixem-me explicar o porquê. Porque o macho, no reino animal, não está nem foi concebido para procriar e acasalar com uma única mulher a vida toda. Se assim fosse, o mundo estaria muito mais deserto e de certeza absoluta que já só restariam 1% ou 2% de espécies vivas.
Bom, sei perfeitamente que somos seres muito mais emocionais, com uma percepção psicológica e social bastante evoluída e detalhada. O simples facto de conseguirmos prever e criar objectivos a longo prazo, transforma-nos em animais mais racionais, analíticos e, também, observadores. Sei que uma mulher ter 2 ou mais parceiros, como acontece com a Poligamia, é algo ainda tabu, e penso que nunca o deixará de ser. E... é preciso também avisar de que a vida das pessoas, é privada e é de cada um. Meter o nariz e o bedelho onde não são chamados, é tudo coisa de mulheres, infelizmente, ainda não evoluíram nesse sentido, e temo que não evoluam de todo.
Continuando. Cada um ama quem quer. Cada um casa-se com quem quer. O problema está, quando as mulheres e homens, se acham no direito de controlar a cara metade. Prova disso é a violência doméstica e psicológica. Coisa muito comum hoje em dia, principalmente os jogos psicológicos que as mulheres aparafusam e cravam na mente dos homens "príncipes". Existem excepções, óbviamente. E falo tanto para as mulheres como para os homens. Mas... como a mulher está a "ganhar terreno", falo dela. Para além de ter passado precisamente pelo mesmo. Não sou um "príncipe perfeito", mas esforço-me para melhorar e aprender a ser melhor.

O pensamento da mulher, segundo o video "Pensamento sobre as mulheres nos Anos 60" do documentário "Eu Tarzan, Você Jane", só prova que a mentalidade da mulher mudou bastante. Não estou a referir aos protestos pelo direito ao voto, pelo uso das calças de ganga, entre outra coisas, nisso estou a favor e fico feliz que a mentalidade tenha mudado, mas não posso deixar de criticar o facto de elas nos anos 60 verem o homem como uma referência, uma defesa do ambiente, um "macho" para as proteger e as fazer sentirem-se seguras. Com os anos, as mulheres, como também está provado e estudado, deixaram de se "sentir" "inferiores" para passarem a achar que tinham um lugar no mundo dos homens. E quando falo no mundo dos homens, falo no mundo da força. Quer vocês queiram quer não, o homem é 2 vezes mais capaz do que as mulheres e ele próprio domina toda e qualquer área que antigamente "pertencia" à mulher. A única coisa que não vos podemos tirar, nunca, mas mesmo nunca, é a interacção que têm com as crianças, mas nisso... 90% da população já começa a deixar muito a desejar. Quer homens quer mulheres. Vejo com cada tronho, que fico com pena das capacidades cognitivas da criança no futuro.
Se por um lado as mulheres "dominam" ou querem "dominar" áreas em que o homem actua há já centenas de anos, por outro lado, têm vindo a perder a capacidade de desejar ter filhos. Que é o que vejo também muito por aí e não é por haver crise, é por a própria mulher começar a desleixar-se para o que foi talhada, a maternidade, e começar a preocupar-se cada vez com a sua carreira profissional. Nunca as mulheres se começaram a preocupar tanto com a sua própria vida, com o seu egocentrismo, deixarem de ser as "escravas" dos homens, de deixar de serem a "típica" mulher caseira e doméstica. Na sua cabeça, deixaram todos os rótulos e "obrigações" só porque achavam que também tinham direito. Têm. De facto têm poder de escolha, de ter ou não um filho, de serem ou não fodidas. Têm direito a escolher se querem ou não ter um homem que seja mais do que elas, ou que receba mais do que elas. Um aspecto hoje em dia muito importante para elas. Receber mais do que eles já é uma coisa boa. Ser melhor mãe do que eles, é que... já é outro assunto pelos vistos. Serem melhores pais, educadores, responsáveis e maduras, já é outro assunto. Triste, porque quando se começa a querer ser muito bom numa coisa, as outras ficam para trás e depois já é tarde para as "recuperar". Basicamente a mulher têm-se vindo a destruir a ela própria. Milhares de anos oprimidas e sem direitos. Bastou abrir-se as portas e tirar-lhes as trelas, para começarem a mijar em todo o lado. Eu sei o que isto é, porque a minha ultima ex foi exactamente a mesma coisa. Do 8 ao 80 em menos de 4 meses.

Algo que não posso deixar também de criticar, é o facto de as raparigas, futuras mulheres, começarem a perder a capacidade de argumentos com valor. Textos de 3 ou 4 linhas sem qualquer interesse. Textos sempre sobre o quanto amam um rapaz, e poucos meses depois, o quanto ele as decepcionou e as fez sofrer. Típico. As raparigas que, antigamente eram um ser que amadurecia mais depressa que os rapazes, parece agora demorar tanto como o próprio macho da sua espécie. Ora, dois seres da mesma espécie com a mesma capacidade nula e aberrória de maturidade e excesso de liberdade e falta de educação, só têm uma consequência: futuras crianças deficientes. Sim, porque se falta a maturidade, a educação, existe excesso de liberdade e pouco reconhecimento das consequências, então o futuro das próximas gerações só pode ser pior do que as que existem actualmente. Mas a culpa não é da crise; É dos papás!!!
A rapariga hoje em dia, tem mais força que um rapaz. Os papás choram por elas, e recebem à chapada os rapazes. Porque... eles têm de ser "fortes". Segundo o documentário "Eu Tarzan, Você Jane", as raparigas amadurecem muito mais cedo e a sua linguagem e expressão verbal é mais avançada do que os rapazes. Mais uma prova do riquismo. Do "o meu filho tem de ser melhor que o teu!", como abordo em "A eugenia existe...", "O riquismo e a superioridade..."-

"Olhei para ela e apaixonei-me. Olhei para a mãe e vieram-me as lágrimas aos olhos, de alegria..." 
Em Nascer pai (Pais e Filhos)

Já não faltava a Eugenia e a raça Ariana, e os papás de hoje continuam a fazer escolhas muito selectivas sobre o que preferem amar e preservar. Já não querem nem preferem um descendente ao seu trono. Já não querem nenhum rapaz, nenhum príncipe, nenhum futuro rei. Querem RAINHAS! Deixou-se de se fazer reis, para se passar a fazer princesas. Coisa que não compreendo muito bem, porque um filho rapaz, para o homem é sempre algo com grande valor. As filhas deles, por este andar, só podem virar lésbicas. Só pode.

"Fomos à procura de histórias e emoções sentidas durante o parto. Mas não falámos com mães. Desta vez, damos a palavra aos homens, que também nascem no momento em que o filho vem ao mundo. Como pais." 
Em Nascer pai (Pais e Filhos)

Eu não preciso de ver o meu futuro filho nascer, para me sentir um Pai e também uma Mãe. Eu já sou pai, dos pés à cabeça. Eu nasci para o ser, e morrerei com o mesmo sentimento. Sou um animal que veio para perpetuar a sua espécie e não para preferir uma "carreira profissional". Não é isso que me faz feliz, e não foi para isso que fui educado, coisa também muito importante de sublinhar.
Parece tudo um mar de rosas, tudo muito fofinho, muito bonito, muito corderosinha, muito queque, muito simples, muito ternurento... tudo DEMASIADO!! Os poemas são para serem lidos e fazer pensar, para além de nos fazer sentir. Estes "testemunhos" de pais, são apenas para deixar as mamãs e as mulheres a sonhar no "príncipe perfeito" que nunca há de vir, porque eles não existem. Existem homens que são realmente autênticos tesouros. Mas a realidade é que as mulheres quando os têm, não sabem bem o que fazer com eles. Esperam deles o mesmo que receberam dos outros. Chapadas, jogos psicológicos, agressões físicas e verbais, proibições, controlo apertado no que vestem e no que dizem, traições e frieza.

Não, não sou preconceito, tenho amigas que já me disseram que primeiro conhecem o que está por dentro, que se apaixonam pelo que a pessoa é por dentro e só depois pelo que ela é por fora. Poderia dizer de forma fria, que isto é atitude de gaja, de rapariga "pessoa" que não reconhece e não aceita o instinto animal que existe em cada ser humano. Uma rapariga que não... e sim, são minhas amigas e considero-as minhas amigas, não significa no entanto que concorde com a opinião delas, em tudo; que não... foi manipulada psicologicamente, ou que não se deixou manipular e "infectar" pelo pensamento "animalesco" que todos trazemos. Primeiro, acho isso infeliz. Uma "pessoa" que não se aceite como animal que é, não tem direitos.
Sim, de facto é algo frio e cruel de se dizer, porque eu sou homem e só quero é sexo, procriar e ter filhos. Iram pensar em milhares de coisas que uma pessoa fria como eu: é, pensa e faz. No entanto, a única coisa que quero é deixar bom genes, seres "perfeitos", Arianos de raça. Todo o homem terá este pensamento. Afinal fomos geneticamente moldados para o fazer e desejar. Está-nos enraizado.
Por incrível que pareça, a mulher sofre do mesmo "mal". Como me disse o meu pai um dia, algo que ele leu, as mulheres quando namoram, procuram um rapaz forte, que as proteja, que lhes dê segurança, MAS quando querem ter filhos, assentar e "casar", procuram um homem com feições mais leves, com um corpo mais normal, mais bonito, que ele próprio seja mais confiante e meigo. Porque quando uma mulher só quer é foder, é com um homem "qualquer" desde que lhes seja minimamente bonito, mas quando querem procriar, ter filhos, fazer uma vida, vão à procura dos homens "raros" que elas tanto diziam não existir. 
Em Os meus genes superiores...
Se as mulheres são capazes de chegar ao cumulo de exigir, de "poder escolher", de seleccionar o homem, porque razão se tornam tão picuinhas quando eles os traem quando são novas? Porque razão se tornam tão cabras e apunhalam tudo o que se mexe pelas costas? Qual é o motivo ou a razão que têm, para falar mal dos homens, de que eles só querem é rabos de saias, se babam pelas modelos ou as que andam na rua todas descascadas, de decote à mostra e todas provocadoras? É por elas, as mulheres que criticam, serem uma merda? Não prestarem? Porque razão não se podem eles babar se elas se babam ainda mais, e ficam muito mais parvas quando vão todas juntas no dia da mulher a uma discoteca ou bar de strip? Para quê ciúmes se fazem a mesma coisa!? Porquê condenarem os homens, se as mulheres conseguem ser bem pior!? E são, cada vez mais se tornam, e não digam que não.
Contou-me a minha mãe, da ultima vez que foi com as amigas no dia da mulher a um restaurante com homens stripers, que as mulheres casadas e com filhos eram as piores! Acrescentou que um dos rapazes já quase todo nu, teve de trepar um pilar que havia no palco, caso contrário as mulheres todas histéricas e parvas dos cornos desmanchavam-no por completo só porque estavam com uns copos a mais, porque era "dia da mulher" e em casa não tinham nada daquilo.
O meu pai acrescentou também, que em casa eram púdicas e só faziam uma ou duas posições. São mulheres capazes de tapar os próprios olhos quando vêem uma cena de sexo, ou de ficarem coradas. De elas próprias, proibirem os maridos e os namorados de verem as mulheres descascadas nas novelas que elas próprias devoram. De proibirem e de condenarem um homem por olharem para um belo par de pernas ou de mamas. Quando o problema são elas. Existe toda uma cultura na sociedade, dominada pela mulher.
Livros, revistas, filmes, músicas, canais de televisão, letras de música, poemas, fotografias, publicidade...

O divórcio em Portugal...
Ele é bruto para mim, não quero casar

Um problema pior ainda, é quando as mulheres usam e abusam de um homem "perfeito". O mesmo ao contrário. Mas eu não estou aqui para defender os homens nem para falar mal das mulheres. O que se vê cada vez mais, é um interesseirismo por parte delas, do que deles.
Segundo palavras de um psicólogo, na TVI: "Nós homens somos como cãezinhos. Basta dizerem-nos que somos bonitos, que gostam de nós e que nos amam, que ficamos logo a dar ao rabo.". É uma realidade. Só que elas usam e abusam do nosso verdadeiro amor, da nossa perseverança e paciência com as porcarias que tanto fazem, só mesmo para nos foderem o juízo.
Continua-se-lhes a ser ensinado que só se devem casar com homens ricos, inteligentes, poderosos, capazes de aliviar a pressão económica para a educação dos filhos. Se gostam ou não verdadeiramente deles, já é outra conversa, mas primeiro está o dinheiro e a segurança monetária. Volto-me a repetir, eu sei.

Os homens não estão a ficar melhores. Estão a ficar piores. Não sabem o que é uma relação, e conheço muita gente mais velha que eu, que sabe menos do que eu. Gente que por ser "mais velho" que se acha melhor e mais capaz. O meu irmão também tem andado a errar em algumas coisas que já não erro à bastante tempo, e temos a mesma idade. Querendo eu dizer com isto que, não é por trabalharem mais, acordarem mais cedo, e rebentar com as costas todas no trabalho ou a cabeça nos estudos, que vos irá fazer de vocês pessoas "melhores". Conheço gente que acha que o seu namoro está estável e são felizes, e desconhecem os graves problemas debaixo de uma simples conversa. Como também já escrevi muito por aqui.
Sendo assim, os homens, estão cada vez piores. Não só por culpa da deseducação e do excesso de liberdade, mas também pela liberalização e domínio sobre os homens que as mulheres vão tendo cada vez mais. Se elas podem cada vez mais e eles cada vez menos, então vão-se desleixando.

As relações inter-pessoais, estão a tornar-se piores e piores. Existe cada vez mais informação sobre casos de sucesso e de insucesso. Reina no facebook as frases "mais batidas que a punheta", mas ainda assim, as pitas e os pitos perdem toda e qualquer capacidade de processar a informação que vêm. Acham que tudo é real, quando nas suas cabeças ainda tudo é muito fantasioso e qualquer proibição ou fuga à lei é uma aventura. "Acesso a informação, não é o mesmo que ser-se inteligente".
Têm, hoje mais do que nunca, acesso a todo o tipo de histórias, a textos longos de sofrimento e arrependimento, de amor "platónico" e "infinito". Contudo, continuam a errar. É como ler um livro de como montar uma cadeira, chegar ao fim e continuar sem saber como a montar. Só prova que as crianças, que os futuros cidadãos deste país, sabem fazer apenas uma única coisa: "Decorar e Colar" informação. Nem sequer precisam de a perceber, de a negar ou até mesmo questionar. Para quê? As opiniões são dadas de forma gratuita... Basta decorar a matéria e estar sempre de acordo com a grande maioria da sociedade.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Os príncipes, são sempre perfeitos...

Bastam apenas 30 segundos para uma marca influenciar uma criança. (1:38) 
Em Criança - A alma do negócio
Nas histórias de princesas, nunca se conhece a história dos "príncipes". Elas têm uma vida de escrava, ou são as mais infelizes, as mais desvalorizadas, as mais traídas, apunhaladas, as que têm mais azar e infelicidades.
Já os príncipes, são sempre perfeitos. Ricos, bondosos, meigos, lutadores, realistas, fantasiosos, aventureiros, caçadores, amorosos, perfeccionistas e também desleixados, tudo quanto as fizer mais felizes e preenchidas. Basicamente o príncipe, não tem uma personalidade própria, nem uma vida. Vieram ao mundo para as agradar, serem escravos dos caprichos e desejos delas. Serem abusados da sua paciência, espaço e tempo. Satisfazerem todos os prazeres carnais quando elas querem e não quando ele quiser. De uma maneira geral, o príncipe é um robô, um escravo "livre" da sua senhora e esposa para sempre "fiel".
O mesmo acontece com os filmes.
Criam o mundo perfeita para mentes imperfeitas, imaturas, irresponsáveis, malandras e interesseiras. Ensina-se-lhes o ABC do "amor" perfeito e sempre correspondido, sempre bonito e aconchegante, como acontece nos contos de fadas.

"Pode até ser bonito pela lado romântico, mas estou falando pelo lado do comprometimento e lealdade com o bem estar.
Um relacionamento é baseado primeiramente em amizade, confiança e respeito.
Se você mal conhece, não confia e pouco respeita a pessoa que está ao seu lado, não pode falar que isso que você sente é amor, acorde.
O que normalmente você sente pelas outras pessoas é *paixão seguida de apego." 
Em Imagens falam mais do que palavras!
A influencia neste assunto, não é exclusiva das histórias de sapos e princesas, é também em larga escala da sociedade que nos rodeia. Como se costuma dizer: "De pequenino se torce o pepino.". Uma prova disso, são as novelas que passam na televisão portuguesa.
No seguimento de uma conversa com uma Tia minha, em que ela me "explicou" que: 60% dos divórcios portugueses são causados, ou são influenciados, pelas novelas brasileiras.
...
Porém, é essa a razão da mentalidade dos portugueses não crescer. Em tempos vi um estudo, se não me engano, que dizia que uma das razões para os povos que vêm novelas serem tão antagónico a tudo o que é a favor do progresso, da modernização, é o facto de verem novelas e não séries. Nos grandes países industrializados e evoluídos, não se vê novelas, vêem-se séries, que sim, duram anos [...] 
Em O divórcio em Portugal...
Na realidade, este amor de "reis e rainhas", não é mais do que um interceirismo. Estas meninas são educadas para amar, não o príncipe, mas o poder e a riqueza que dele vêm. A beleza de uma mulher, compra facilmente um casamento ou um namoro. Compra, não aprende nem faz por merecer. É-lhe dado por direito genético. Por beleza. A única coisa que a rapariga aprende, é que tem de ser capaz de trazer ao mundo, muitos pretendentes. Um chega e "deve ser" rapaz.
Estas histórias, manipulam a esponja cérebro da criança. Implantam o riquismo, a superioridade, a selecção de indivíduos; Porque um príncipe não pode ser feio. Se ele é bonito e irresistível nos sonhos, nos contos, nas histórias e nos filmes, então também tem de o ser na realidade. Aqui dá-se, a manipulação de gostos. Impinjam e vendem opiniões. Nada mais fácil de alcançar isso do que com letras de música sobre amor e tristeza.
Socializa-se pelas crianças, como fertelizante, que uma relação para ser uma "relação", um namoro, deve ter amor, carinho, respeito, perseverança, beijos, abraços, sentir algo no coração que não se explica, ser fiel e nunca trair. E na realidade, o que se deveria ensinar e cultivar às crianças, era o respeito mútuo, a amizade, a confiança, os deveres e as regras que se devem fazer cumprir quando se comprometem a relacionar-se mais intimamente que não apenas abraços e beijinhos. A cultivar a relação, a partilhar experiências e a vida. E sobretudo, explicar-lhes que ninguém é de ninguém. Que a cara metade não manda nem ordena nem pode obrigar a outra pessoa a ser assim só porque lhe convém.

Que vejas em mim...

A imagem que é apresentada e embelezada à mulher, é a de que ela deve ser A mulher. Para sempre esposa. Também ela açoitada para ser uma boa mulher na cama, uma boa cozinheira, agradar, estar sempre bonita e apresentável. [editado 19/04/2014] Essa ideia pode ser vista no filme "Mulheres Perfeitas". Porém, a ideia que é passada para as mulheres é a de que o homem deve ser bonito, e além disso, ter todas as qualidades e conhecimentos para fazer todo o tipo de trabalhos "pesados" e até leves, que levem a mulher a ser dispensada dessas tarefas que lhe são mais naturais, como é o caso de cuidar dos filhos, ser sensível, cuidadosa, fazer o comer. O que se começa a ver cada vez mais na nossa sociedade, é precisamente a escravidão do homem por parte da mulher. O homem deve começar a assumir cada vez mais o papel de pai e também de mãe, de começar a possuir responsabilidades e ajudar na lida da casa. Não estou contra isso, até porque sou a favor. O filho não é de um, é dos dois. E quando é dos dois, é para os dois. O que estou a criticar neste caso, é precisamente a escravidão do homem, que tem de começar a fazer cada vez mais coisas, para o qual ele não foi nem está talhado instintivamente para fazer. É verdade que a mulher está cada vez mais a emancipar-se profissionalmente e cada vez a ter mais escolhas, mas a destruição que causa a nível sociológico e parental, é estrondoso. Como abordo em "Eu quero, posso e Compro!".
Já quase toda agente conhece o anuncio de Natal do El Corte Inglês. Onde a esposa diz no final do reclame "Eu quero, posso, e Compro!", com uma convicção de mulher "guerreira". Transmitindo a mensagem de que é ela quem manda lá em casa, que é ela quem veste as calças, e tudo gere à volta da capacidade extraordinária de força e resistência que só as mulheres têm, que é o lidar com a casa, comida, festas, cabeleireiros, filhos, roupa, loiça, jantar, educação, etc etc. Uma imagem de 4 a 5 segundos, que demonstra o quão poderosas,  "necessárias" e importantes são as mulheres.
Bem, eu não acho que não o sejam, que não sejam necessárias e importantes. São-o. Mas cada vez mais vejo raparigas, já com os seus 18 aos 25,26 anos, que já não são mulheres. As novas mulheres desta geração, são os homens.
As mulheres deixaram de ser as que passavam a limpar a casa, a aspirar, a fazer as camas, a levar as crianças à escola e a fazer o comer. Deixaram de parte essas tarefas que dominavam "tão bem", e trocaram de lugar com os homens. O que eu defendo, é que deve ser uma coisa partilhada de igual modo, bem explicada para ambas as partes e não através de percentagens. Cada um tem o dever de ajudar no que quer que seja.
O que o anuncio do El Corte Inglês, entre muitos outros anúncios, livros "Fifty Shades of Grey", novelas "Gabriela", filmes e músicas têm demonstrado, ou transformado sem que ninguém se aperceba disso, é o facto de estarem a criar uma sociedade, a criar uma mentalização na sociedade, de que as mulheres devem mandar, que têm força para mandar, que mandam mais do que os homens. Que deixaram de ser elas a escolherem o melhor macho, e de que, segundo os anúncios e publicidades de moda, cosméticos e de dinheiro, devem usar tudo o que têm, para mostrar e fazer sobressair em si, tudo aquilo que têm de bom, e tornar o "mau" em algo incrivelmente irresistível para qualquer homem e invejoso para todas as mulheres. O homem tem sido colocado cada vez mais numa posição inferior à da mulher. Ele faz cada vez mais para agradar, e elas cada vez refilam mais com eles. Existem excepções, mas vê-se uma troca de papeis instintivos entre estes dois animais. 
É verdade que a mulher continua a escolher o melhor macho, mas o macho tem de lutar e de fazer muito mais, é-lhe exigido cada vez mais, milhares de sucessos genéticos e intelectuais, monetários e sociais, que não o eram à séculos atrás. Em que era o homem quem tinha mais força, quem decidia e escolhia a rapariga com quem queria casar e procriar. A mulher, a única coisa que podia fazer para recusar, era afirmar que não amava o homem. O que eu volto a defender, não é o homem continuar por cima da mulher, a comandar, mas uma partilha dessas decisões. O que cada vez se vê menos.
Em "Eu quero, posso e Compro!"

[editado 19/04/2014] No livro "The Female Man", pode ler-se algo sobre os homens terem morrido e elas não necessitarem deles para terem filhos devido aos avanços científicos.
Ficção científica feminista

O que nos ensinam desde crianças, e cada pai deverá ensinar os seus filhos a filtrar a informação que recebem sem dar conta, é que comprar faz bem. Mas já é um comprar para esbanjar, um comprar para satisfazer uma necessidade que na realidade nem sequer é necessária. Para quê ter a pujança de querer comprar um carro novo, um telemóvel, uma casa, um computador, uma televisão? É só para ter o mais recente? A coisa nova não irá fazer muito mais que a coisa velha, salvo excepções. É absurdo. O mesmo acontece com a mente esponja das crianças. Que hoje estão tão à mercê de tecnologia que só destrói, desconstrói e não educa ou enriquece. Como é abordado no livro "Como se forma uma Inteligência" do Dr. Toulouse.

As histórias da "carochinha", vieram ao mundo para impregnar a mente inocente e inconsciente das crianças. O objectivo é Vender, Vender, Vender. Tal como o dia dos "namorados", que é mais uma maneira de vender. Ou o dia da criança, do pai, da mãe.

Jeremy Irons talks about Eurocrisis - 5 para a meia noite

O problema com as histórias, não são a sua "moral". A sua mensagem final que serve para educar ou civilizar melhor a criança, mas sim como essa história entra na mente ingénua e infantil das crianças. A sua capacidade de filtrar essa informação, ou qualquer outra informação, torna-se num músculo que não se mexe. Um músculo habituado sempre ao mesmo tipo de música, à mesma vibração intelectual. Os mesmos livros, os mesmos filmes, as ideias e opiniões. Como falo em "A tua mente num frasco...".

O filme Branded, como já falei aqui, aborda precisamente este tema. Todos os nossos desejos são fabricados e manipulados pelas empresas de publicidade, que tentam vender, que nos manipulam a opinião para comprarmos. Para terem uma pequena ideia, coisa de uma semana, entrei numa loja de sapatos para mulher, com o cantito de 2 metros quadrados para homem. Nada de anormal e a que eu já não tivesse habituado. Mas qual não foi o meu espanto, quando comecei a ver o mesmo tipo de sapato em todo o lado.
Eram TODOS iguais, e só se distinguiam pela cor, pelos efeitos e brilhantes, pelos adornos e tipo de salto. Olhei à volta e 90% da loja estava repleta dos mesmos tipos de sapatos. Pensei logo: "Querem criar um nova moda". E foi o que aconteceu. É de facto moda. Já o são. 
... 
Não somos nós que exigimos algo novo, são as marcas que nos vendem a vontade de comprar! Não somos nós que decidimos, são as marcas que decidem por nós! Não somos nós que compramos, são as marcas que nos controlam o desejo de ter. 
Em A tua mente num frasco...
Os desejos são-nos implantados, são fabricados e comercializados, como tanto falo e me repito por aqui. São a realidade. Um "dado adquirido", uma falsa realidade, uma falsa certeza. Informação incontestável porque sempre foi assim. As coisas foram sempre feitas daquela maneira. É a força do hábito. Tal como sabermos o abecedário quase de trás para a frente, e sermos incapazes de decorar números maiores do que 9 dígitos. É o tal músculo que foi habituado ao mesmo movimento, vezes e vezes sem conta, ao longo da dezenas de anos. Para as crianças, as coisas tornam-se uma realidade, apesar de ser falsa. Tal como aquele estudo com macacos, uma escada e um cacho de bananas.

"Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para pegar as bananas, jogavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de algum tempo, quando um macaco subia a escada os outros enchiam-no de pancada. Com mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.  
Então substituíram um dos macacos por um novo.
A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, sendo dela retirado pelos outros, que o espancaram. Depois de alguns murros, o novo integrante do grupo não subiu mais à escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na porrada ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto e finalmente o ultimo dos veteranos. 
Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse pegar nas bananas. Se possível fosse perguntar a algum deles porque razão batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: 
"Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui". "
Em Os Macacos
Video Youtube - Os cinco macacos.

Se é tão fácil manipular a mente dos adultos, ainda mais fácil é manipular a mente das crianças. O que por um lado é bom, porque assim permite às grandes empresas vender todo o tipo de produtos. Não sei se já se aperceberam, mas em Setembro, época do inicio da escola, o que começa a aparecer de publicidade na televisão, são colecções de fascículos. Carros, cadernetas de autocolantes, xadrez, jogos, livros, conjunto de pratos, aprender a montar um barco em madeira ou um carro com motor a gasolina. Tudo serve para vender, para fazer os filhos pedirem aos pais para comprar.
Criança - A alma do negócio
Jovens e Dinheiro (2008)

É perigoso educar e ensinar as crianças com este tipo de histórias. De se lhes embelezar a mente facilmente criativa e receptiva a todo o tipo de experiências. É perigosíssimo deixar que sejam alvo deste tipo de propaganda que tem apenas como fim a comercialização e não a educação, a instrução, o cultivar cognitivo. A consciência e a informação que uma criança detém, deve ser educada e ensinada. Como fala o livro já mencionado acima. "Como se forma uma Inteligência" do Dr. Toulouse.
As escolas ensinam as crianças a decorar e não para interiorizar. Não há nada para perceber, apenas fazer, apenas calcular, apenas ler e desconstruir. Mas ensinar a desconstruir com regras, deixa a mente dos mais novos, com a impossibilidade de terem gosto por si próprios. Porque é-lhes negado a "criação" ou a invenção. Jay Silver: Hack a banana, make a keyboard! Se uma criança não tem capacidade para reflectir o mundo, o ambiente, porque na realidade não lhes é ensinado praticamente nada sobre uma sociedade. Aquilo que aprenderem é fora da escola, com os pais, amigos e familiares, e por essa razão portugal tem uma das taxas mais alta de analfabetismo, que continua a ter a mesma percentagem que à de 50 anos, e a iliteracia.

É preciso mudar a maneira como se ensina. Como vi hoje na TVI, por um convidado, em que dizia que portugal tinha feito melhorias, mesmo a nível de ensino, mas comparadas com as melhorias feitas a nível europeu, que não valeram o esforço, porque comparadas, são tão insignificantes que face aos restantes países da europa, continuamos precisamente na mesma. O problema está na mania do riquismo, da superioridade. As próprias raparigas, mesmo as que ainda nem têm idade para andar na primária, já são muito, ou fazem-nas pensar que são muito, independentes, que são mais do que os rapazes, que são melhores. Que o futuro delas é serem as melhores profissionalmente. Não é por causa da crise, é por causa da típica sociedade americanizada e industrializada.
Este texto está focado e centralizado na mulher, na rapariga, na criança feminina, pois as histórias, grande parte das histórias são sobre as mulheres. Mas também aos homens é passada a imagem de guerreiros, de amorosos e protectores, apesar de nenhuma delas (as histórias), lhes explicar como se faz esse tipo de coisas tão... complexas para nós. Não fomos talhados para abraçar. Fomos talhados para caçar, para correr, para foder, para espalhar a nossa semente, à bruta, pelo cheiro e pela visão. É essa a nossa natureza. Não a uso no meu dia a dia, mas defendo-a como informação importante a ter e reter.

Com tudo, para representar de vez aquilo que estou a "criticar" e a discutir aqui, a debater, a expor, é a música "Love Story" da Taylor Swift. Pode-se ver ela, logo nas primeiras imagens, vestida de princesa a cantar para o seu príncipe encantado. Ela sempre com o seu penteado perfeito, com maquilhagem, com o olhar sedutor e as roupas bem pintadas de ouro. Isto, é a comercialização da ideia de princesas. O mesmo que acontece com os "bailes de finalistas". O drama, nunca foi criado para o homem, foi criado para as mulheres, pelos homens. Poemas, são a melhor representação de amor por parte de um homem. A mulher deve ser burra e não deve saber escrever. Começámos a conquistar a mulher através das palavras, deixando de parte os nossos odores corporais como sempre se fez ao longo destes milhões de anos. Escrevemos livros e inventámos histórias. Dominámos o dom da palavra. Não por necessidade, mas porque sabíamos que elas se derretiam e se tornavam fáceis de conquistar através desse mecanismo. Na realidade, não é uma selecção "natural".

Selecção natural é engenharia.
Selecção sexual é arte.
E o que se tem comercializado bastante nos filmes, nos livros, novelas, séries, revistas e publicidade, é a imagem do casal a brincar com os seus filhos, e todos a esboçarem um grande sorriso de alegria. Fossem as pessoas mais inteligentes, e perceberiam que são apenas modelos que não têm qualquer tipo de relação entre si. Que aquilo que se vende hoje em dia, é uma forma de "desleixar" as pessoas, de desleixar ou deixarem de se incomodar com a sua falta de capacidade de educar uma criança. 
Despreocupam o seu cérebro, porque está na sua cabeça, a imagem bonita do casal que eles, inconscientemente, acreditam estar a criar no seio da sua família  Que as relações com os seus maridos é bonita e estável, que nada os poderá separar. Porque é fácil, tem a cor certa e é bonito de se ver, de se sonhar e objectivar. Mas vem então um grande problema. Nada do que pensam estar a fazer, ou a sonhar, está de facto ou irá de facto acontecer. 
Como se pode ver no anúncio da Danone com o novo iogurte "Grego da Danone" (Youtube), percebe-se facilmente que existe um grande fosso entre duas pessoas. Mas não é pelo grande fosso que existe de inteligência. [...] o que o anúncio demonstra, é a realidade que continua a existir entre um casal. Neste caso, duas pessoas, que estão a conversar por serem atraentes uma a outra. Duas pessoas que se tenta encaixar um no outro, através dos seus gostos. 
Juntam-se por interesses e não por instinto. Sim, realmente nos tempos que correm, é muito improvável que duas pessoas se juntem por instinto. No entanto, não estão juntas, porque não sabem lidar, porque não sabem ouvir, porque não sabem aceitar.
Em O divórcio em Portugal...

O verdadeiro amor existe?

A eugenia existe...
Pronta para arrasar?
Espero não vir a viver no país que prevejo...
The Little Princess

domingo, 2 de junho de 2013

Que vejas em mim...


Calma é a noite, em que me deito ao teu lado, saboreando-te a pele entre os meus lábios e conhecendo-te através da voz bruxa que me enfeitiçou. Beija-me o veneno e abraça-me, Morte, com as asas de corvo que não me assustam, que penteiam os cabelos que não invejas e que sente cegamente, a face do anjo da tristeza e solidão que observas em cada palavra, mas que se evapora atrás de cada sorriso. Dorme comigo, Obscura. Deixa-te cair nas teias que teço para ti, com que te embrulho e te fazem amparar as quedas que te são tão difíceis. Deposita no meu peito os cabelos indomáveis da tua mente, e cria em mim, o ninho que te for mais confortável. Que ouças o meu coração bater de alegria e parar, morrer, a cada raiar dos teus olhos nos meus. O teu olhar educa o carrasco humilde que sou. És uma epifania. Um conto em poema, decorado com cuidado, e guardado, memorizado em todos os recantos da minha mente, da minha língua, dos meus ouvidos, do meu nariz. Surpreendes-me, assustas-me, controlas-me e é então quando te sentes demais, que ofereces a mão pálida e defunta, à minha. Crias uma dança, única e sensível, para cada dedo meu que fazes deslizar e sentir em toque as palavras do teu perdão.

Que a minha cara não te assuste por entre os cabelos. Que os meus cabelos não te afastem de um beijo. Que as minhas sobrancelhas não te façam pensar no diabo. Que as minhas conversas não te façam bocejar e sobretudo, desejar estar longe do estranho que sou para mim. Que o meu amor não seja mordido, arranhado e destruído, por não teres tido a coragem de desistir, acabar ou ouvir. Que as minhas palavras não te façam insónias, te deixem triste ou zangada. Porque nada do que faço é com intenção de magoar. Não sou o "perfeito", mas tento todos os dias consertar o que não me apercebi ter fragilizado. Que não sejas uma mimada. Que dês valor. Que valorizes o meu abraço para sempre, e nunca me trates com o mesmo ódio ou frieza que já vi, vivi e beijei. Que sintas de mim, mesmo que atabalhoadamente, o sonho que é, partilhar uma vida ao teu lado. Que viajas e corras comigo, pelas montanhas e florestas que nos atormentem.
Que me guies e ensines, o deslumbrante mundo que nunca conheci. Que não te ofendas com as minhas piadas. Que sorrias e me abraces sem pedir. Que me beijes ainda mais, sempre que te apetecer. Que não te sintas incomodada com a erecção que sentires em cada beijo, é sinal que te amo da forma mais pura. Que não te quero foder em cada oportunidade. Que percebas que cada choro meu é uma prenda dos meus sentimentos mais recônditos e escondidos que tenho e sinto na minha alma triste, gasta e zangada de amores. Que vejas em mim, o teu companheiro para a vida, e não uma oportunidade ou uma fuga. Que ao olhar-me ao longe sintas saudades. Que abrir as pernas não simbolize sexo, mas uma guerra de cócegas que sabes que vais querer desforra. Que leves de mão dada, a minha insegurança e me ajudes a acreditar melhor em mim. Que brinques com a criança que sou, e que perdoes o adulto que cresço em me tornar. Que eduques comigo as crianças que teremos. Que compreendas que não te pertenço, mas que me comprometo em dedicar, preservar e abraçar, cada momento que passarmos juntos. Que partilhes comigo a cozinha e a lida da casa. Que te atrevas a ser surpreendida. Que não uses maquilhagem e não tenhas medo de acordar despenteada. Que não vejas o mal, de o meu cabelo ser tão ou mais comprido que o teu. Que ao fim de um passeio, fujas comigo para a livraria do shopping, e nos sentemos a ler, folhear e devorar as palavras de frases intrincadas. Que te aventures comigo, por monumentos, igrejas e castelos. Que te deixes subir e descer um monte, uma árvore ou um rio. Que percebas que ficas sempre bem nas fotografias, e que eu não sou nada fotogénico. Que consciencializes, de que somos duas pessoas, a crescer e a aprender a conviver, a partilhar uma vida que sempre foi só nossa. Duas pessoas com o mundo por explorar e milhares de milhões de experiências ainda por descobrir. Não sou mau, nem ando sempre zangado. Que cresças e floresças. Que não mudes por mim, mas que aceites. Que não me tentes mudar ou manipular, porque só te faz ficar mais longe daquilo que viste em mim e valorizaste.

E quero que um dia, quando me vires de joelhos à tua frente, que não penses em grandes coisas. Provavelmente estarei apenas a limpar o chão.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Sê meigo, sê gentil...


Caminhaste até à porta do quarto, e o meu coração já a mil, bateu outros mil. Senti-as mais duras, ela, cada vez mais quente e molhada. Estava nervosa. Mais nervosa do que tu, porque... sabes? Nós raparigas temos... complexos com o nosso corpo. Vergonha, medo que não gostem, que nos achem feias, que fiquem enojados e não queiram mais nada connosco depois de tirarmos as roupas, que vos escondem tamanhas imperfeições.
Sentia na minha barriga as borboletas e pequenos tremores pela coluna a baixo. O sangue espalhava-se com força, aquecendo-me. Suava ansiedade por todos os poros do meu corpo. Medo e desconforto prévio. Sabia que eras meigo, simpático e carinhoso comigo, com o meu corpo. Mostravas-lo todas as vezes que me falavas baixinho, ou sempre que me agarravas com aquela confiança ternurenta. Imagens dignas de filme. Mas não me sentia confortável, sabes? Era a nossa primeira vez, o que era muito mágico e especial para mim. Pelo menos para mim era. Gostava que também o fosse para ti. Não sabia se naquele momento a tua cabeça continuaria no mesmo sitio, ou se voaria da "razão" e do "presente", deixando-me amargurada, sozinha, ao frio, como tanto aconteceu com algumas colegas minhas. Não queria mesmo, mas mesmo nada que te tornasses num apressado egoísta. Bastou olhar-te nos olhos, que me acalmavam, para saber que estaria protegida.
O quarto tinha um silêncio estranho, mas extremamente provocador. Fazia-me ficar ainda mais atenta aos pequenos barulhos que a casa fazia. Pensava sempre que entraria alguém pelo quarto a dentro, o que me deixava incomodada, por saber que a privacidade num momento tão único como este, podia tornar-se nula de um momento para o outro, mas excitava-me saber que poderia ser apanhada.
Deste a volta à chave e trancas-te a porta. Sorriste e caminhando na minha direcção, tiraste a camisola vermelha. Desapertando aquela camisa azul que te fica tão bem, chegas-te mais perto, dançando levemente com a roupa, com o teu olhar, acabando com os teus lábios nos meus, deitados na cama. Sentias-me tensa , com receio e sorriste ligeiramente. Desceste a cabeça até ao meu umbigo, e com os lábios borbulhaste uma brincadeira. Senti as cócegas libertarem-me das correntes que não querias ver em mim. A pequena brincadeira abriu a caixinha tímida e fizeste-me sentir tua de novo, presente na tua vida, nas tuas palavras, nos teus gestos, no teu toque.
Ajoelhaste-te aos pés da cama. Receei. Pegas-te no meu pé como um príncipe calça uma princesa e beijaste-o gentilmente, sem pressas. Através dos teus lábios senti o reconforto do nosso primeiro abraço e do nosso primeiro beijo.
Não me abandones, agora que tudo parece ser tão mágico e perfeito! Não te percas de ti nem de mim. Quero sentir a tua voz no meu ouvido entrar como uma melodia, os teus olhos castanhos penetrarem-me a mente e cuidares de mim até ao fim, como uma flor dança com a brisa. Rodeares-me com os teus braços, sentir o coração palpitar no teu peito e sorrires. Sê meigo, sê gentil... por favor?
Levantaste-me a perna e muito devagarinho, quase como se tivesses a saborear um gelado, deslizaste a língua pelas costas do pé, perna e virilha. Os teus dedos acompanharam em sintonia, fazendo-me vibrar. Não eram cócegas, mas se tivesse que descrever, seria uma massagem agradável e muito divertida para os meus 6 sentidos. Sabias exactamente o que fazer. Era de loucos! Dominaste-me por completo. Sentia os teus dedos percorrem-me o corpo e a tua língua, o teu cabelo, o teu nariz, acalmarem-me o corpo tenso. Relaxei, fechei os olhos e deixei-me absorver pela massagem. As mãos de dedos compridos aproximavam-se, uma e outra vez, daquele local tão sensível, a provocar-me, a despertar-me de novo.
-- Amo-te. -- declaraste-te, deitado em cima de mim, fitando-me nos olhos. -- Amo-te tanto... -- e a tua mão passou pela minha cara, fazendo as tuas palavras e o tom de voz meigo e sincero, entrarem-me pelos ouvidos como um banho quente e lençóis aconchegantes. Soltaste uma lágrima. Permaneceste a olhar-me, choroso, e eu sem saber o que tinha feito. Beijaste-me, senti o salgado da gota tão preciosa e de seguida os teus braços à minha volta, que me apertavam de uma saudade que conhecia de cor.
-- Amo-te meu príncipe...

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Hoje, na nossa cama...
Passar a manhã e uma vida...
Boa noite amor...
Deslumbre de momentos esquecidos...
A nossa eterna manhã...

quinta-feira, 23 de maio de 2013

As brincadeiras, não tão inocentes, das crianças...


Uma coisa que muitos ainda não repararam, que ainda não perceberam e que se esqueceram com o tempo. Algo que não sei quando surgiu e se já havia no tempo dos meus pais ou dos meus avós, o que não acredito muito. E essa coisa é: "cachaços", depois de alguma criança cortar o cabelo.
Os cachaços não são uma brincadeira de crianças, os cachaços são violência física e psicológica, perpetuada por crianças más e sem empatia, sem respeito ou educação. Quem o faz são as mesmas crianças que fazem o bullying. As mesmas que incentivam à criação de colunas paralelas uma à outra, de alunos, num corredor, só para dar uns pontapés e carlassos a quem passar pelo meio.
Desenganem-se se são actividades inocentes, feitas apenas por brincadeira sem querer fazer mal aos outros. É precisamente isso que essas brincadeiras são. Para fazer mal aos outros! São um tipo de bullying mais "soft", mas não deixa de ser agressão psicológica, pois quem leva, quem apanha, fica com medo, é-lhe-o incutido pelo simples facto de ter cortado o cabelo, ou outra coisa qualquer que signifique ter de levar alguns. São rituais passados de turma para turma, de ano para ano. Não são praxes, porque ninguém as aceitou. E até as praxes são agressões, têm gritos, têm obrigações e proibições. São como seitas, onde só entra e é espezinhado quem quer, é um facto, mas não deixa de ser um tipo de bullying. Onde o cérebro do jovem é bombardeado com medo por errar.

Esquecem-se que as brincadeiras feitas no recinto escolar, as brincadeiras que implicam contacto físico sem autorização e abusiva por parte do "agressor", também é bullying. Mas tendemos a achar que é algo que já vem de à muitos muitos anos, que é uma tradição centenária e ai dos nossos filhos que não se deixem "praxar" nas escolinhas, ai deles que não abracem o espírito de interacção do secundário e do liceu. Ajuda-os a conhecer gente nova, não é!? Bem, os garotos na praia são os que mais facilmente fazem e descobrem amigos sem recorrerem a chapadas no pescoço ou outro tipo de agressões, por tanto... algo está mal e é a mentalidade.
Mas não são só os contactos físicos, são também os jogos, mesmo até os de futebol, em que os melhores formam a equipa e vão escolhendo os melhores até chegar àqueles miúdos que não sabem a ponta de um corno, que não sabem jogar ou não têm tanto jeito. E então, no fim, acontecem duas coisas: OU um deles engelha o nariz e chama o mongolóide, OU então faz-se de amigo super simpático, e com um sorriso aceita-o na equipa. Numa (equipa), o rapaz nem toca na bola, na outra, é provável que também não toque. Sim, é a selecção animal a decorrer diante dos nossos olhos, a escolha através de uma selecção não só genética, mas também de perícia, de engenho, de capacidades intelectuais e físicas para se desembrulhar numa actividade e durante uma actividade. Coisa que é aceite por 50% dos papás e criticada pelos restantes 50%. Em que uns defendem a Eugenia, e em que os outros se manifestam e criticam pelo direito à igualdade.
Nisso, tenho duas opiniões. Acho normal, pois com os animais acontece os mesmo, e acho errado, pois somos seres que devemos partilhar com gosto e não sermos egoístas e com o sentimento de superioridade no corpo só porque um não sabe aquilo que eu sei e isso faz-lo ser menos do que eu e eu melhor do que ele. Como falo em "A eugenia existe...". A tal "superioridade" que andam a incutir muito aos garotos e que eles próprios levam para cova. Coisa que eu acho mesmo de crianças, porque também já fui assim, egoísta, e a achar-me superior aos outros por saber ou fazer coisas que poucos fizeram ou fazem. Parolices de cachopo...

Recebi mais do que os que dei, e quando os dei, dei-os para me integrar no grupo, para não ser excluído e não me sentir escorraçado. Já não bastava quando se formavam equipas em qualquer desporto. e ser escolhido em ultimo. Normalmente os que não têm grande perícia ou destreza, ficam sempre com as raparigas. Nem vale a pena explicar porquê.
Parei, quando tomei consciência de que não gostava que me fizessem a mim, e eu próprio odiar fazer aos outros. Eu sabia que odiava, que não me sentia bem, mas foram tão poucas as vezes que o fiz e eu era tão novo, que nunca tinha pensado muito sobre o assunto. O acto tornava-se divertido, não por eu tirar prazer de magoar os outros, de os fazer sentirem-se tristes ou vê-los fracos, mas porque estava a interagir com os outros miúdos "fixes" da minha turma. Porque fazia-me sentir parte do grupo, da matilha, acolhido. Não que as minhas opiniões passassem agora a ter mais valor ou a merecer tempo e atenção deles, mas estava lá. Com o grupo. Um (pouco) muito como acontece nas universidades. Quando uma pessoa vê que é recebida por todos, dá-se a vaidade, pois todos nos olham, e o Ego iluminasse, irradia de felicidade. Pertencemos finalmente a um grupo, e aquilo que temos para oferecer, é a devoção. Como também acontece com a religião. Ou com bandas de música. E se criticam aquilo pelo qual nos ajoelhamos, há bulha da grossa! Crianças... só é pena não terem argumentos.

Por isso, se somos assim tão "humanos" e nada haver com animais "irracionais", porque temos e vocês têm a  tendência de perpetuar actos que não são reais e que também não fazem bem? São como as histórias de encantar, que nos encantam a mente com as suas lições de mural pouco compreensíveis mas que ensinam alguma coisa que ainda não conseguimos perceber. Basicamente, servem só para nos entreter. Não nos dão nada, não nos ensinam, não nos instruem nem educam.
Não se vende tanto por aí, a ideia de que as crianças devem ser amigas umas das outras? Amar e abraçar as outras sem quaisquer preconceitos, sem superioridades. Com igualdade e respeito mutuo? O que eu vejo muito por aí, principalmente nos ciclos e no liceu, e sim, sei que os jovens começam a entrar na fase da adolescência por essa altura, mas também conheço gente que está nessa fase, por exemplo raparigas e até os rapazes mais calmos, e não os vejo a serem tão parvalhões como parte dos que andam com eles. Porque será então? É uma geração de atitudes e maneiras desenvolver a sua vida que é passada de pais para filhos, com o intuito ou sem intuito de eles serem mais... desenrascados, maduros, responsáveis, adultos.

As brincadeiras das crianças, não são sempre inocentes, e deve-se ter cuidado com isso, pois começa já a haver certos problemas criados pelas roupas que as crianças trazem.
Eu tenho roupa de marca e tu não!
Eu tenho lápis caros e tu não!
Eu tenho e tu não!

O que tens, é falta de educação!


A geração anti-pedagógica...
A violência infantil...
A publicidade da deseducação...
O período fértil da irracionalidade...
Praxes...
Praxes... II

terça-feira, 7 de maio de 2013

Adivinha o quanto eu gosto de ti...



Seguro-te nos braços com a vontade de nunca te deixar partir. Desejo para mim, que fiques para sempre assim, pequeno o suficiente para te segurar, atirar ao ar e levar pelo dedo.
Os olhos profundos que herdaste da tua mãe, olham-me acompanhado de um grande sorriso e do riso mais carinhoso que me encanta todas as vezes que te fazemos uma careta. A tua mãe, ela que te é tão dedicada, derrete-se ao ver-me mudar-te a fralda, a brincar com os teus brinquedos junto de ti ou a ouvir-me ler-te umas histórias de animais encantados.
Tornas os ombros do pai, num cavalo que orgulho em te fazer cavalgar e conquistar o mundo em redor.
À noite permaneço ao teu lado até adormeceres, enquanto a tua mãe te canta uma canção de embalar. Enches de alegria, uma vida já tão rica em abraços e beijinhos. Exiges e aventuras-te por sítios,  que sendo-te completamente desconhecidos, não temes em apalpar, agarrar e conquistar.

A caminho do super-mercado, cantamos as cantigas que aprendes na escola que eu e a tua mãe fazemos um esforço para aprender. Já lá vai o tempo em que as sabia de cor... Danças sem medo e cumprimentas sem vergonha, todos os meninos e meninas com que te cruzas. Atiras-te à fruta e gritas-lhes os seus nomes. Já sabes tirar o saco e escolher as cores da roda dos alimentos que a tua mãe tanto te ensina durante as horas do banho. Corres de um lado para o outro, e só paras quando encontras a tua secção favorita, ou a dos brinquedos ou a dos livros enfeitiçados com criaturas e personagens mágicas. Desfolhas livros medievais, de astronomia. Debruças-te sobre os de pintora, anatomia e de lendas antigas. Mostra-me o que descobriste, ensina-me o que aprendeste...

Tocas em tudo, aprendes e devoras o feitiço do desconhecido. Sento-te ao meu colo, e contamos as nuvens, rimo-nos para a mamã e beijas-nos com um grande abraço nos nossos pescoços. O perfume da mãe "cheira sempre muito bem" e não te cansas de dizer o quando gostas de nós. Fico com ciumes, e às vezes medo, que ela me troque por um príncipe perfeito que tanto me esforço em afastar dos sapos.

-- Papá! -- Não me vês chorar, mas é o que acontece cada vez que te vejo receber-me empolgado de braços abertos. Corres de mim no recreio do ATL para junto das outras crianças, mas assim que o Sol troca com a Lua, sabes que as cócegas e os aviões de colher estão a chegar. Largas tudo o que estás a fazer e corres para nós, que te esperamos impacientemente, orgulhosos e completos, ao portão que serve de entrada para o teu pequeno reino.
A tua mãe, quando sai mais cedo do trabalho, aparece de surpresa no escritório do pai, onde acabas sempre por fazer as delicias de toda a gente, enquanto te observo ao longe, com a mãe galinha sempre por perto.
Levar-te a navegar pelas ruas, pelos monumentos, museus e bibliotecas, delicia-nos. Colas-te aos vidros e tentas sempre mexer em tudo. Queres descobrir, saber o porquê e como funciona. Já seguras na máquina fotográfica, aplicas os dotes que a tua mãe te costuma ensinar e tiras as fotos mais trémulas e engraçadas que inocentemente te esforças em tirar.

Que traquina! Todos os fins de semana saltas e abraças os pais já cansados. Já não temos a tua energia, mas esforçamos-nos para te acompanhar em tudo o que desejas e te empenhas em fazer. Sabes o abecedário e contar até 20. Deixas todos de boca aberta quando lhes respondes de onde vêm os bebés ou como aparecemos na Terra. Não te escondemos nada e esforçamos-nos para que compreendas tudo.
Lá me vês então, eu ou a tua mãe, a desfolhar nos livros grossos o significado de alguma coisa, quando as perguntas que antigamente eram tão fáceis de responder, se tornam autênticas demandas do conhecimento.
Ensino-te a pintar e a desenhar. Já não deixas que te segure na mão como antigamente... és tu, por ti, sozinho. Demos-te liberdade e ensinamos-te que a vida nem sempre é fácil. Tu escolhes, tu decides. Demos-te opinião. Mostramos-te e explicamos-te para que decidas e aprendas por ti. Mas és cabeça dura, sais à tua mãe...

Odeio quando ralho contigo e te ponho de castigo, e até a tua mãe sofre cada vez que te dá uma palmada nas mãos. Deixamos-te sozinho durante um bocado, que para nós parece uma eternidade, a pensar no que fizeste. Conversamos contigo, abraçamos-te e beijamos-te.
És uma criança cheia de vida e sempre com amor para dar. Ensinas-nos o que fingimos por vezes esquecer, só para teres o prazer de ensinar e explicar. De poderes por breves momentos, seres tu o pai e a mãe.

Amo-te com todas as forças que tenho e ensino-te tudo o que aprendi e aprendo, cada vez que te vejo crescer...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Queria fugir, esconder-me e morrer...



Sentia ferver em mim uma raiva que mal sabia segurar nas pontas dos dedos. Um nó que me apertava o sensato e fazia jorrar pela espinha nervosa todas as memórias e momentos de uma vida ao qual atiçava com raiva os monstros dos sofrimentos, tristeza, raiva, perdão...
Acumulava-se no peito a vontade, o desejo mórbido de lhe segurar pelo pescoço e apertá-lo até a sua cara ficar roxa, azul, pálida e sem vida. Já podia sentir nas minhas mãos a força bloquear-lhe o ar do cérebro e aprisioná-lo para sempre naquela caixa escura e anárquica de palavras e carinhos ríspidos, desprovidos de sentidos, de razão e compreensão. A minha testa em evaporação, condensava gotas capazes de competir com as minhas lágrimas mais profundas. Contorcia-se de medo, a face que sempre o olhou com um grande e verdadeiro sorriso. Com as mais meigas expressões de amor. Um companheiro que me fazia acreditar cegamente num "para sempre", como os contos de fadas ou os livros que devorava nos longos dias de praia.

Atraiçoada, violada, rasgada, perfurada, manipulada, escorraçada, gozada, pisada e cuspida como o caralho de um aborto vivo num corpo sem vida. De mãos acorrentadas em arame espinhoso como se tornaram tão depressa as suas mãos e a sua voz que sempre achei ser só minha. A imagem do homem confiante, forte e protector que sentia sempre que caminhava ao lado dele, de mão na minha cintura ou confortávelmente agarrada à minha, eram agora um indesejo físico, que me provocava mais vómitos do que borboletas na barriga.
O vestido desconcentrava-o da conversa e do meu olhar profundo, penetrante. Era como olhar para um macaco sedento de sexo. Fodas todos os dias, a toda a hora. Queimava-me, achando eu que era a minha obrigação, o meu dever como mulher, como namorada, como futura esposa e mãe dos seus filhos. Uma lei natural que me sentia compelida a lavrar, porque o amor sempre me esteve vendado, simplificado e inexplicado. Uma relação construída em mentiras, pela minha incapacidade absurda e corrosiva de achar que o problema era meu, que só eu é que tinha de inventar soluções para as zangas e  discussões que nunca tive a intenção de começar ou sequer a culpa de o fazer gritar-me mais alto, para a escrava sexual e objecto de interesse que sou.

O meu pescoço arranhado ardia como uma comichão que nunca tive, mas o coração emocional ardia em brasa vulcânica, que me perfurava órgãos e fazia a fome fugir-me pelas pernas verdes, trémulas e inconstantes.
O olhar dele sobre o meu corpo, lembrava-me os momentos que antecediam ao pedido de um broche, de joelhos, de um agarrar forte nos meus cabelos para ao fim de algum tempo me empurrar com forte pujança o caralho do qual lhe sempre sentia o mijo. Engravidaria primeiro pela boca, do que pela princesa, que ele exigia estar sempre bem limpinha. Sem o mínimo de conforto, e aparafusada por dores agudas inconstantes, como cadela com cio.
A espuma que lhe saía pela boca, alegrava-me a mioleira desprovida de inteligência, que como ele sempre me dizia: -- "Tens uma cona, até na cabeça!".
O momento cobria-se das trevas, que percorriam todo aquele meu ser pútrido e esporrado, como o corredor para a morte. Em breves segundos estaria acompanhada pela minha grande amiga adrenalina que me fazia arrefecer os ciúmes de o ver apalpar e namoriscar raparigas que desconheciam as costas daquele objecto escravo, virado contra e não a favor. Vergada e chicoteada pelo puro prazer de submissão. Veias rebentavam debaixo da pele, esganando o fraco pescoço de um homem urso, que afinal era apenas galinha.

Senti um toque no meu peito, vi desenhar-se um sorriso na sua cara de nariz de batata, sobrancelhas satânicas e ouvi o sorriso típico de um violador elitista. A mão trémula aguentou-se firme e apertou o pulso intrusivo. Olhou-me nos olhos com raiva e como ferro em brasa, descarregou sobre a minha bochecha a mais pesada estalada embrulhada num murro.
Não havia amigos, familiares ou estranhos para testemunhar o abuso psicológico, dos jogos e vinganças que ele montava à minha volta como puzzles sem instruções, sem pistas.
Os meus cabelos entrelaçaram-se nos dedos dele, segurou-me a boca com força e vociferou o racismo machista que lhe raiava dentro daquele peito peludo. Cuspiu-me a cara: -- "És uma puta!".
O meu medo transparecia como uma grande máscara que era incapaz de trocar. O prazer crescia-lhe nos olhos e as mãos fortes apertavam-me com mais força. As curvas esqueciam o carinho desajeitado dos seus dedos. Fosse eu barro, e as suas unhas cravar-se iam com a mesma facilidade. As marcas, os sinais que se escondiam debaixo de camisolas oferecidas como pedidos de desculpa, que camuflavam a vontade enjoativa de me foder de novo, naquela cama feita de lavado.

Conversas mortas, sem valor e importância. Fosse eu mostrar desinteresse, e teria sorte em não levar com um cinto nas pernas, ou sentir a sua navalha deslizar sobre o meu peito provocador.
Amiga de um inimigo, que me envenenara a mente de falsas promessas, esperanças e sonhos. As lágrimas forçaram a saída, esborratando a linha preta de maquilhagem de baixo do olho. Desenhou-se um risco longo através das crateras e fendas das feridas mal tratadas que o faziam lembrar a merda das góticas que tanto odiava sem saber porquê.
Segurou-me pelo pescoço, bofeteou-me até cair na cama e desapertou as calças. Imobilizou-me as mãos, lambeu-me o pescoço com a saliva ácida empestada de mau cheiro. Apertou com força as minhas mãos sobre a minha barriga comprimida e vergou-me nas pernas, o elástico das cuecas.

Queria fugir, esconder-me e morrer...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Não paras de me surpreender...



Entrei à tua procura, com um pequenino sorriso nas minhas bochechas. Respirava fundo, não por ter medo mas por ansiedade. As minhas mãos começavam a soar e a roupa parecia prender-me os movimentos.
Sentei-me na primeira cadeira que encontrei e sorri para a Joana, a enfermeira com quem tanto conversavas.
-- Ela está mesmo a sair! -- respondeu, reconhecendo-me.
-- Obrigado. -- sorri.
Ouvi a porta abrir e de imediato me levantei escondendo atrás das costas o que trazia na mão. Felizmente ainda vinhas meia distraída e a conversar com a doutora.
-- Obrigada... -- respondeste, depois de dois beijos na sua cara. Voltaste-te para a enfermeira Joana e reparaste logo numa sombra muito distinta, com um formato e altura bastante reconhecível. Atiraste o olhar contra o meu peito e subiste-o até aos meus olhos, à minha cara, aos meus lábios que conhecias de cor. Olhaste-me com alguma tristeza, um certo trago a raiva que se desenhava nas tuas sobrancelhas mas um sorriso que rapidamente transformou todo o teu corpo em total euforia química. Parecias uma criança a desembrulhar um ovo-kinder, ou aquela estudante que tinha tirado o seu primeiro "Muito Bom". Qualquer pessoa que olhasse para ti naquele momento, iria perceber a felicidade jubilante em que te encontravas, era contagiante! Eu próprio não podia deixar de me sentir tão feliz por te ver tão confiante e confortável.
Destapei a mão direita do pano surpresa e apresentei-te, muito romanticamente, como se fosse a primeira vez que te pedisse em namoro ou em casamento, um ramo de flores vermelhas, muito bem enfeitado. Coisas melosas que eu sei que te agradam.

A tua face corou e tapaste a boca com alguma vergonha. Tinha chegado atrasado à consulta, sabia-lo, mas não me tinha esquecido de ti. Jamais de um rosa como tu. Reparaste na camisa branca, debaixo da camisola vermelha, nas calças bege que tu tanto dizias fazer sobressair o meu rabo bonito. Ficaste embasbacada, admirada e sem saber o que dizer. Deixaste-te absorver pela minha presença, pelas cores, pelo presente que já não importava mas que ajudava a embelezar e a dar valor àquela mão tão grande que adoras ver passar pelo teu corpo, à noite, quando o frio aperta.
Estiquei o braço oferecendo-te o ramo, e todo o teu corpo tremeu, levemente, gritando por um abraço que parecia tocar-te. Correste para mim, chorando de felicidade pelo momento que nunca irias esquecer. E se o fizeres, estarei aqui todos os dias da tua vida, para te-o relembrar, de como foi e ainda é mágico.
Abraçada a mim, a apertar-me com força, segredas-te-me ao ouvido, as palavras que me fizeram vibrar e desbotar em lágrimas.
-- São gémeos. São um casal...
A voz doce cintilou nos meus ouvidos como uma simples canção de embalar, pura, perfeita. O meu peito já fraco encheu-se de ar e abracei-te, colei-te a mim. Agarrei-te com vontade de te mostrar que eras minha, e sem medo, chorei por ti e por mim o milagre que a natureza nos tinha presenteado. Aqueles dois pequeninos intrometiam-se entre nós, como ainda hoje fazem de braços esticados à espera de colo. Mas abraçar-te não chegava, e queria olhar para a tua cara, reconhecer a tua felicidade, relembrar-me das lágrimas e do teu sorriso incrivelmente ternurento.
Viste-me a chorar, de bochechas molhadas e lábios rasgados, um para cada lado, com os olhos a brilhar, mesmo achando que podia ser da luz, sorriste um pouco, reconhecendo os sentimentos que transbordava. Beijei-te, senti os teus lábios, os teus cabelos, o cheiro ao teu perfume, o calor do teu corpo, e riste-te, contagiando-me de imediato.
-- Parabéns!! -- felicitou a Joana, batendo palmas por breves momentos, até que aceitas-te o seu abraço respondendo oportunamente:
-- Obrigada.
Cada um tão caloroso e verdadeiro, que quando chegou a minha vês, podia jurar que sentiste um bocadinho de ciúmes. E vontade não te faltou de lhe dizer: -- "Já chega, ele é meu, larga-o!"

Aceitaste o ramo de flores que olhas-te por breves segundos, pois o grande presente não eram elas, com as suas cores aromáticas e beleza sinfónica, era eu. O maior e o melhor presente naquela pequena sala. Percorreste todo o meu corpo demoradamente, gravando na memória uma imagem babada de mim, a que agrafaste com força à ecografia e às emoções eufóricas que te faziam pular.
Muito rapidamente, debruçaste-te sobre a grande mala e vasculhastes os pojos e despojos de maquilhagem, telemóvel, carteiras de cartões e moedas, lenços e batons, retirando com cuidado de um pequeno bolso escondido, a ecografia oferecida pela doutora.
-- Olha... a Inês e o André. -- largámos juntos as lágrimas de felicidade que a Joana parecia partilhar com alguma inveja. Sabíamos que era apenas uma foto, a preto e branco, onde nada podia ser destingido, mas olhar para ela, era como ver os futuros desenhos a lápis daqueles rebentos abotoados às nossas asas.
Sentis-te um ponta-pé na barriga, e olhas-te rapidamente para mim. Agarraste-me na mão e levantas-te a roupa que te escondia esse sexy umbigo. Fui tocado, interagi de novo. Na minha mente, as minhas mãos pareciam agarrar as deles, e desejei secretamente sentir naquele momento a força das suas mãozinhas, de ouvir o seu choro, de apressar o processo...
-- Vamos! Quero ir comer, estou cheinha de fome. Parece-me que vão sair glutões como o pai... -- sorriste incriminando-me de comer mais do que a tua barriga danone aguenta. Cozinhas bem! O que queres que faça!?
Despedimos-nos da Joana, atravessamos a porta e o Sol radiante parecia já saber da noticia. Até a Lua nos tinha vindo espreitar, para que rapidamente fosse afastada pelas nuvens que pareciam pintar o azul do céu, com pinceladas brancas de guache. As mesmas pinceladas loucas com que os nossos filhos pintam tudo o que vêm, tudo em que tocam. Não as transformam em ouro, mas a nossa paciência e dedicação... parecem-se com ele!

-- Ai que guerrillas! Não sei como conseguem ter tanta energia! Que diabretes!
-- Só podem sair a alguém... -- retorqui.
-- A ti! -- respondeste sem pensar, sorrindo como um pequeno diabrete. Sem avisares correste para junto deles de braços abertos.
-- Vou-vos apanhar! hahahahah
-- Não me escapam!
Eles, corriam de um lado para o outro, a fugir de nós, gritando em plenos pulmões o medo criança de serem apanhados pelo papão do papá e pela bruxa da mamã... Estás tramada connosco!