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segunda-feira, 28 de maio de 2018

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [51]

[We just bought it! - Pinterest]

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Um raio rasgou o céu, de uma ponta da casa à outra, iluminando a violência do vento e da chuva para lá das amplas janelas. O chão tremeu. O som entrou pelos ouvidos como uma locomotiva em descarrigalamento.
De entre a fúria da natureza, surgiu o tom azul e logo de seguida um tom vermelho. Piscavam cores lá fora. Abri a porta de madeira, inchada e pesada, as dobradiças deram sinal de horrores e a miúda tentou desprender-me os dedos da sua pequena mão. Era escusado ter medo do que desconhecia se nunca lhe desse uma oportunidade... espreitei com a garota à frente e vi uma figura feminina, fardada, sair do carro de pistola em punho. Escondia-se por trás da porta, sob a chuva gelada, com os relâmpagos a cair atrás de si.
Conseguia sentir a difícil respiração daquela agente, sobre as toneladas de água, os barulhos rasgados e as vibrações sonoras que se acompanhavam de um espetáculo de luzes.
-- Se queres viver volta para trás! -- gritei-lhe com a arma apontada à criança chorosa, com a mãe a arrastar-se ensanguentada em plano de fundo.
A agente aproximou-se, cuidadosamente.
-- Larga a arma e solta a criança! -- gritou-me, com um paço firme.
-- Jéssica... querida! -- descobri-lhe no rosto.
-- O que fazes aqui!? -- parou, surpreendida, com o dedo ainda no gatilho.
-- A acabar um serviço, e tu? -- sorri-lhe, olhando Joana.
-- Fui chamada devido a assalto e tentativa de homicídio.
-- Vieste à casa certa!
-- Hã? Porquê? -- perguntou de arma apontada para o chão, lançando o olhar entre mim e a garato, e a mãe que tentava pedir ajuda numa voz já sem força.
-- Vais-me ajudar a arrumar esta desgraça toda ou...?
-- Que valente merda que tu fizeste!!! -- gritou-me. Num só movimento, empurrou-me para trás, quase como um soco no peito.

Entrou, furiosa, arrumou a arma, e olhou em volta. No momento em que seguiu o rasto de sangue da mãe galinha, parou a marcha. Digeriu o rasto de destruição por toda a sala. Pintado no chão, nos tapetes, nos móveis virados, no sofá ensaguentado, nas mulheres de corpo e alma destruidas. Enraivecida, voltou a atenção para mim, de mãos nas ancas.
-- OLHA-ME SÓ PARA ESTA MERDA!!! VÊ O QUE FIZESTE!!! Não sei se te consigo safar desta... Pedi-te para não voltares a fazer mais nada do género, e nem um ano passou e voltas ao mesmo!? Eu devia-te ter prendido logo na primeira vez! Mas és meu irmão... ODEIO-TE TANTO!!!


Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [52]
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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Vais procurar-me nos outros...

[Mother and Son playing - Pinterest]

[26/12/2017]

Vais procurar-me nos outros. Prometo-te.

Piadas parvas e talvez alguma infantilidade à parte, tudo o que dei e fui para ti, não terás com mais ninguém.

Tudo o que fui, foi do que li, do que vi, senti e vivi.
Todos os pequenos momentos foram feitos para serem únicos e especiais, nossos.
O nosso primeiro passeio.
O nosso primeiro beijo. O ramo de flores...
O nosso pôr do sol.
A nossa primeira vez. No meio do nevoeiro de um dia cujo frio não se fez sentir...

Dei tudo de mim, sem nunca pedir nada em troca.
Todo o meu carinho.
Toda a minha ternura.
Todo o meu tempo.
Toda a minha paixão e desejo.
Todo o meu amor.
Toda a minha atenção e dedicação.

Acredita quando te digo que me irás procurar nos outros. Contigo descobri que posso dar muito mais do que pensava. Que posso ser melhor do que me esforcei ao máximo para o ser contigo. Que tudo, mas absolutamente tudo, me veio do coração e da alma, sem nunca com o objectivo de te magoar a ti e aos teus, mas para te deixar realizada, completa, satisfeita e corajosa.

Sou o rapaz que toda a rapariga sonha ter, mas não te recordas de quando a tua "amiga" se queixava do "namorado" e te dizia na cara que tinhas sorte em ter um rapaz como eu.
Não fui perfeito quanto à atenção das minhas piadas ou situações em que abri a boca sem pensar primeiro. Mas situações menos boas da minha parte, e tens um homem de 28, que apesar de não socializar, nem ter amigos com quem sair, esteve ao teu lado quando estavas doente, indisposta ou mais sencível naquele período do mês.
Que está a criar um império para ele e para a futura familia.
Que tem carro próprio.
Um trabalho com um bom horário.
Que tem um bom ordenado.
Um apartamento.
Que corre.
Que lê. Que se informa. Que vê filmes e séries.
Que escreve.
Tinhas um homem, que não bebe, não fuma e prefere ficar a teu lado, no sofá, na cama ou a passear, do que sair todas as tardes e noites para ir beber com os colegas de trabalho, ir jogar á bola ou fazer qualquer outra coisa como todos os homens que não amam as suas mulheres.

Foi na minha forma de estar com quem não conheço que me ajudaste a mudar, e também, no sexo.
Mas como te disse uma vez:
-- "A proxima que vier já terá alguém melhor."

Não chores. Foste tu quem preferiu acabar.
Foste tu que não viu mais de mim.
Foste tu que se esqueceu do que é aceitar a diferença.
Vais procurar-me nos outros. Prometo-te.
Daqui por uns anos, irás perceber algo muito importante sobre mim:
Eu não parei no tempo como todos os teus amigos.
Eu não me torno mais parvo com o tempo.
Não fico mais burro nem tomo menos riscos.
Eu não me esqueci de que estou a crescer. De que erro e que tenho muito para aprender.
Eu não tenho amigos, mas crio obras, dentro ou fora de mim, que me unem aos outros.
Eu não paro no tempo...
Não é ser convencido, é dizer-te, através destas últimas palavras, que perdeste a oportunidade de estar ao lado de alguém que te faria feliz o resto da vida. É dizer-te a verdade de quem sou, do que dou, do que fui para ti e ao teu lado.
Não é ser convencido, é dizer que aquilo em que sou realmente especial, é em amar e cuidar.

A próxima que entrar na minha vida, terá o homem que quiseste deixar ir. O homem que gostavas que eu fosse. Melhor.

Prometo-te.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Eu recordo-me...


Eu recordo-me...
Tinhas as mãos bonitas.
Recolheste os meus passos, entre os dedos compridos, e o meu andar virou de cabeça para baixo.
Nunca foram o suficiente para decidir por mim o caminho a seguir na estrada, ou na vida... foste o iman que calibrou a minha bussula.
Deambulando pelo mundo, encontrei-te.
Tinhas uma roupa tão bonita.
Eu recordo-me...
Tinhas uns lábios perfeitos que adorava beijar. Saborear.
Despir-te, nua, até à alma, desenhando um traço envenenado na pele suave, por onde escorria a saliva que me saia entre os lábios, sobre cada osso, cada músculo, cada pêlo.
Soltei da masmorra o assassino, o monstro, o demónio fantasiado, acorrentados e amordaçados. Em silêncio aguardaram o teu corpo, cuja vergonha te penetrou como um rei, no meio de gemidos abafados.
O teu olhar era brilhante.
Eu recordo-me...
Um espectador, aguardado a próxima fala, o próximo acto de uma peça que se desenrolava em cada palavra, cada gesto, cada olhar nos teus olhos.
Foram eles o meu maior crítico. O consolo de ternura. As saudades e o desejo.
Vi neles os nossos momentos, nesse ultimo adeus em que a terra queimava, em que o sonho ardia em cinza, preparando o luto, a doença.
Eu morri e tu viveste.
Uma felicidade inacabada.
Eras linda.
Eu ainda me recordo...

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Inspiração:

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Nunca...


Nunca amei ninguém, como te amo a ti.
Nunca desejei ninguém, como te desejo a ti.
Nunca senti por ninguém, o que sinto por ti.
Nunca vivi com ninguém, o que vivi contigo.
Nunca sofri tanto por alguém, o que sofro todos os dias por ti.

És para mim o luto mais difícil de fazer.
Sabes onde me encontrar... se um dia quiseres caminhar.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Um dia deixarás de ser tu...

https://www.pinterest.pt/pin/509188301601629707/

Sinto saudades de ser amado...
Saudades de sentir o amor através do abraço, de um beijo, de um simples olhar.
As memórias tornam-se pesadelos de uma angústia que se descontrola de dia para dia, que se infiltra no coração triste, sozinho, com tamanha amargura, saudade, solidão.
Choro em sofrimento, invisível, recordando o teu cheiro, o teu amor por todo o meu corpo, a tua presença.
Uma saudade de ti que se transforma, que se monstrifica em cada lágrima derramada sobre o rosto que grita por ti, pelo calor das tuas mãos, pelo toque suave dos teus lábios, pelo laço simples e perfumado que colocavas à minha volta em cada saudade morta por um abraço teu.

Sinto saudades do amor...
Saudades de o buraco da solidão ser preenchido pelo que sou incapaz de lhe dar, como humano que sou na minha mais perfeita imperfeição que é de viver sozinho. Não existem amigos suficientes para o tapar. Não existem risos nem apoio que cheguem, para que a escuridão atenue ou vá embora.
É nas saudades que te vejo. É na dor de te perder, de não te ter, de não te acarinhar, de ouvir a tua voz cantar aos ouvidos.
É no compromisso de saber que estás lá, e sempre estarás, numa promessa de ternura.
Saber que me dás com toda a paixão que carregas contigo, com todo o desejo.

Sinto saudades da cama preenchida...
Saudades do teu peso ao meu lado, do teu calor, dos movimentos de conforto e desconforto.
Da minha mão no teu corpo, na tua cintura, só para saber que ainda ali estavas, que ainda respiravas, que ainda me amavas.
Uma memória, um sonho que nunca poderia criar com todos os detalhes que foi ter alguém, tu, assim ao meu lado, todas aquelas horas da noite, num mesmo colchão, num mesmo sono...
Saber que de manhã, ao acordares, nos demorávamos a preparar para ganhar a vontade de sair debaixo dos lençóis.

Tenho saudades...
Penso então, na razão de te ter sido tão fácil deixares para trás, todo esse mundo, todo esse carinho e ternura que um dia partilhámos. Essa história mágica, os momentos únicos.
Repenso, num sofro de sentimentos abafados, o teu querer da distância, a tua vontade da morte de todas as coisas que um dia nos foram queridas, nos foram especiais.
Para onde foi a vontade? Onde encontro eu a minha força de seguir em frente e esquecer que tudo isso foi apenas só mais um capitulo inacabado?
Que razão existe de quereres atirar todos os momentos que passámos juntos, para o lago, pedra-ante-pedra? Que horrores cometi? Que atrocidades te fiz para chegares a ponto final?

Pensar amar alguém, é-me uma traição...
Conceber sequer dar o mesmo amor a outra pessoa, é um pensamento que sou incapaz de completar na minha mente, no meu coração, através dos músculos do meu corpo, cujo único que querem é ter-te de volta, sabendo eu que sou imperfeito.
Um imperfeito que continua a crescer, a aprender, a criar quem é e o que será.

Se é esse o desejo, de te perderes de mim, espero que um dia não te arrependas, tarde de mais.
Sempre estive aqui, com vontade de amar e ser amado. Nesse dia, possivelmente, já farei alguém feliz todos os dias...tal como um dia te fiz a ti.
Um dia deixarás de ser tu... deixarás de ser a "tal" que julguei ter encontrado.
Que todos os beijos te continuem nas memórias dos momentos que partilhámos.
Que os ramos de flores te alegrem nos dias mais tristes.
Que a minha ausência na tua cama se faça sentir nos teus pés e nas tuas costas.
Que a saudade do meu amor por ti te assombre nos dedos entrelaçados de outro qualquer.

Um dia... tornares-te-ás apenas um alguém... pois da saudade o amor não se alimenta, torna-se pequeno. Se não alimentares, evapora-se com o tempo.


Um beijo a tudo o que foste, a tudo o que fizemos, a tudo o que de bonito partilhámos.
Um abraço de "adeus" que não quero dar, por tudo o fomos.


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Que o meu texto te dê conforto, tu que me estás a ler, nesta altura tão difícil para ti, como foi e é sem dúvida para mim.
Porque amo com tudo o que sou e tenho para dar.
Errei por dizer coisas parvas sem nunca com o objectivo de ofender.
Errei por dizer piadas simples, apenas por achar que me ajudariam a integrar, a ser aceite, a acalmar o meu nervosismo.
Errei por não pensar primeiro antes de falar.

Que a minha experiência te ajude a crescer, a corrigir, a ser melhor.
Não penses que deste de menos. Disso não te poderás arrepender. Seria pior se nada tivesses dado, ou fosse insuficiente.
Trata-a(o) com todo o carinho, atenção, dedicação e ternura. Dá-lhe, proporciona-lhe o sentimento que gostavas de receber, que adoras sentir, que te faz e sabe bem.

Nunca te esqueças de uma coisa muito importante:
"Quando um dia tudo acabar, e tudo desaparecer, só poderás contar contigo mesmo(a)."
"Vai piorar antes de começar a melhorar."
A solidão humana não chega para descrever o sofrimento que é o de existir sozinho na tua própria mente carregada de amor e dedicação que tens para dar.
Tens um valor inestimável! Nunca deixes de ser, muito menos de dar...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Vou sentir saudades tuas...

[Im Fine. - Pinterest]
[Be gente. - Pinterest]


(played during a thunderstorm)


Deixa-me ajudar-te...
Quero ouvir-te, e saber que os meus olhos te dão alento.
Tocar o teu rosto de mão quente e deixar que te deites na palma da minha alma.
Conta-me os medos que te assombram. Os receios que te controlam a vida e o espírito de quem és, que te suga a força e a vontade de seres, de te inspirares.
Desabafa o receio de te perderes de ti, do que já foste.

Sem ti, não consigo respirar!
Apareces em todos os recantos das minhas memórias, como personagem de fundo... E quando penso no nosso último beijo, no ultimo abraço, no ultimo "adeus"; O aperto no peito faz-me chorar a saudade que sinto todos os dias por ti.
É do teu olhar de sorriso tenurento, que vou sentir mais saudade. Dos teus lábios tocarem os meus gentilmente. Do conforto que foi chorar no teu peito, do reconforto que foi ser abraçado por ti.
É o desejo de te voltar a sentir junto de mim, minha, princesa, meu amor eterno...

Que a tua face não desapareça da memória.
Que o teu cheiro e doçura não esbote da minha pele.
Que a tua essência abrace para sempre quem sou.
Foste tu a minha amada. A minha paixão de uma vida, a parte de mim que nunca fui capaz de ser.
És a luz que me ilumina a escuridão do vazio que hoje, neste dia sombrio e frio, se abate sobre mim, me rasga o peito e enche de lágrimas num sofrimento mudo, num mundo que já não faz sentido.

Já senti amor, mas foste tu a primeira que mexeu comigo.
A primeira amizade por quem lutei mais.
A personalidade com quem mais cresci e amadureci.
Que não seja um acabar. Que não seja um adeus. Que o até já esteja ao virar da esquina, e todo o tempo que perdemos nos reencontre, com o mesmo amor e paixão do nosso primeiro beijo, do nosso primeiro abraço, ao pôr do sol, nas Portas de Coimbra, no sitio mais bonito que foi conhecer-te, descobrir-te e amar-te. Um momento ao qual me agarro, pois tudo o que é mais sagrado, aconteceu ali, junto de mim, por ti e para ti.


"Sê gentil contigo, estás a fazer o teu melhor que podes."

domingo, 28 de maio de 2017

O dia começou...


Saio do trabalho, meio-dia, sábado. O sol toca-me na pele, aquece-me pelos braços despidos. Hoje sinto-me inspirado.
Desejoso por chegar a casa e ver-te de mangas arregaçadas, debruçada sobre os tachos a fumegar. Ansioso pelo teu sorriso e o olhar cansado, de quem pede um carinho, um mimo, um beijo e um abraço.
Passo a mão no teu rabo, subindo gentil com as pontas dos dedos por cada nó de osso nas tuas costas e delicio-te com um beijo de saudade.
Enrolo-me de abraço no teu corpo, e deslizo as mãos sobre as tuas, lavando as mãos com as tuas, no escorrer que me acalmava a vontade. Beijo-te de novo.
Nas pernas sinto então umas mãos pequeninas, enchendo a casa de gargalhadas e risos pequeninos. Os caracóis mexiam com rebeldia enquanto o corpo se colava ao meu, com saudade, com amor, da mesma forma que eu me agarrava a ti.
Apanhei-a no meu colo, assim como quem pega num bebé, e enchi de beijos o que nos era tão especial; tão traquina; tão irrequieto.
Acabaste a louça, mexes-te o tacho fumegante e correste para nós, já sem avental, já sem os olhos cansados, já sem a tristeza no rosto.

O sol atravessa a sala conquistada por bonecos. Os desenhos lutam na caixa mágica e os pais sobre o sofá. Tenho saudades de ti, amor. Tenho saudades do tempo.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [50]

[Stepping in her body - Pinterest]

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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [49]

-- O que queres de nós? Dinheiro?
Soltei uma gargalhada.
-- Achas que me faz falta o dinheiro? -- respondi.
-- Não toques na Joana! Ela não te fez mal nenhum! -- gritou-me a mãe.
-- Não te preocupes com a Joana, a filha da nossa querida Madalena vai-lhe fazer companhia!
A cara dela ficou vermelha de raiva. A fúria crescia visivelmente nas veias dos seus braços, no arfar cadenciado no seu peito e atirou-se a mim como se a vida da filha dependesse daquele momento. E dependia. Mais ou menos...
Com um murro bem calculado, atirei-a ao chão, através do estômago. Contorceu-se e cuspiu-se toda, sentido as entranhas arderem por dentro.
-- Não te preocupes querida Madalena, a tua filha vai seguir o mesmo caminho que a mãe. O de puta!
Ela não respondeu, limitou-se a cair ao chão encolhida em dores. Tentou balbuciar qualquer coisa, mas nem conseguiu abrir a boca.

Ouvi a porta da casa de banho, do piso de cima, começar a bater novamente. A voz de Joana estava distante. Os relâmpagos caiam lá fora e a chuva abafava qualquer som que viesse de dentro de casa. Ninguém estaria perto o suficiente para ouvir gritos, tiros, moveis a cair e vidros a partir. Apontei a arma à amante de Jesus Cristo e os olhos focaram-se na minha arma. O medo cresceu lentamente em volta dos seus olhos, à medida que o chão tremia debaixo dos meus pés.

Disparei.
Gritou.
Sentiu uma dor no ombro.

Caminhei até ao andar de cima, arrombei a porta com o pé, depois de muito tentar dialogar com uma mulherzinha cheia de medo de mim, mas não adiantou. Agarrei a criança por um braço e empurrei-a para que fosse à minha frente. Chorava, desconsoladamente, sempre olhando para trás, por cima do ombro. Foi então que correu desenfreada pelas escadas, numa tentativa de me fugir, mas uma bala alojou-se a poucos metros mais abaixo, ultrapassando os seus pés rápidos e parou; Como uma estátua ficou imóvel. Ali, no meio das escadas.
-- JOANA!!! -- gritas-te tenebrosa. Nesse momento nem os relâmpagos tem faziam jus à força da voz. Foi revigorante sentir o timbre feminino aflito descer-me pela espinha.
-- Joana, Joana, Joaninha...  -- chamei, descendo degrau a degrau, soletrando cada palavra em cada passo. -- Se não te portas bem, a próxima será na tua mãe. -- avisei. Agarrei-lhe no punho, e trouxe-a até à sala. Deixei-me ficar no hall, para que mãe e filha se olhassem.
-- Minha filha! Querida!
-- Vamos todos dar um passeio? -- perguntei às mulheres. -- Queres ir dar um passeio Joana? -- questionei, erguendo-lhe o pulso para que tomasse atenção ao que dizia e me olhasse nos olhos.
A face vermelha acagaçada de medo, de olhos pequeninos e quase sem brilho olharam-me e cruzaram-se de novo com os da sua progenitora. Chorou nesse momento, enquanto a minha mão a apertava e arrastava para longe da mãe galinha.

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [51]
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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

[Bright Star - Pinterest]

Amor, chora comigo.
Abraça-me o corpo,
Coloca as mãos à volta da minha cara.
Sentes a dor no meu soluçar?
O medo de te perder num piscar.
O receio de me morreres num arfar.

Abraça-me,
Toca-me os lábios.
Olha-me,
Assim comigo, sem disturbios,
Sentir o cabelo como algodão,
Entre estas cobertas no meio de um nevão,

Quatro beijos,
Quatro caricias,
Quatro sorrisos,
Quatro suplicias.

Vem, estrela brilhante,
Deitar-te sobre o meu peito,
Soltando um suspiro amoroso,
E deixando para trás, o medo, distante.

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Abbie Cornish (Fanny Brawne)
Edie Martin (Toots)
Bright Star (2009) directed by Jane Campion

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O pai não sabe, mas vamos procurar e aprender os dois...

[Little girl reading - Pinterest]

Existe algo de diferente em ti. Não neste momento, ou neste dia, mas desde que te peguei pela primeira vez. Os olhos azuis que herdaste da tua mãe expandiram-se como o universo, e tocas-te-me por dentro, como um dedo no coração, curiosa.
E vendo-te na nossa cama, debruçada sobre uns livros que comprei há anos a pensar neste preciso "agora", te vejo completa. Um sonho realizado. Uma batalha incessante para que cresças rodeada de estímulos, de risos e sorrisos, de bons e maus exemplos. De oportunidades para ver e aprender. Viver!

A tua mãe novamente me dirá que penso demasiado, que me preocupo demasiado, que te encho de mimos e atenção, que te estrago de certa forma. Mas um dia quando tiveres a consciência daquilo que foste, daquilo que recebeste, daquilo que fizemos juntos, prefiro que estejas farta do meu carinho, do que negligenciada, abandonada e mal amada.
Prefiro estar contigo todos os dias da minha vida a teu lado e deixar-te aventurar sabendo que estou por perto. Tenho medo de te perder. Medo que te percas nos sofrimentos que passei; Mas o mundo não é cor-de-rosa; Não é bonito, nem simpático.

Tira só mais um livro querida. Pergunta-me, explica-me, mostra-me! O pai também quer aprender a forma como vês o mundo. Lê, escreve, desenha, pinta! O pai ama tudo o que crias, tudo o que imaginas, tudo o que inventas nesse mundo fantástico que não acaba.

Ama. Aprende.


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Ernst, prazer em conhecer-te!


Ernst atravessou a biblioteca, colando o olhar ao de Catherine, a bibliotecária alta e extremamente tímida.
Não sabia o que fazer. Estava em pânico e o balcão à sua frente não ajudava muito a sua confiança. Meia trémula e apavorada, de um lado para o outro, tentou desviar o olhar sobre uns livros empilhados, mas a postura de Ernst, com os olhos focados no seu corpo, não a impediram de espreitar, por entre o cabelo, aquele rapaz confiante, lindo e destemido a caminhar na sua direcção.
-- Olá, boa tarde. -- ofereceu-lhe Ernst, poisando alguns livros.
-- Boa tarde. -- gaguejou Catherine. As bochechas já rosadas escondiam-se atrás do cabelo loiro longo e liso. -- É para levar? -- perguntou sem o olhar.
-- Sim. -- confirmou, tentando encontrar os olhos da trémula rapariga.
Passou os livros no leitor de barras e devolveu-os ao pedaço de homem que lhe estava a tirar as forças das pernas e da fala.
-- Catherine? O que fazes mais logo?
-- Eu? -- a lingua enrolou-se e gaguejou muito nervosa. -- Eu... Não sei... Vou para casa.
-- Não me dispensas cinco minutos da tua companhia?
Devidamente informatizados, entregou os livros a Ernst. As bochechas coradas aquecia-lhe a face e as orelhas pareciam inchar. O coração palpitava, o peito custava a encher e as mãos tremiam nervosamente segurando uma caneta.
-- Respira fundo. -- segurou-lhe a mão e a esferográfica num só movimento. -- Não há razão para uma rapariga como tu estar nervosa.
-- Não estou. -- desculpou-se, olhando-o nos olhos por breves momentos. A sua mão continuava presa pela confiança do rapaz, e tão cedo não a forçaria para que fosse livre novamente. O toque dos seus dedos nos dela, quase entrelaçados, combinando a firmeza dele com a pele sedosa dela, fazia-lhe crescer entre as pernas e na ponta da lingua, um desejo ardente de ser atacada por tudo o que compunha o rapaz. Desde o seu físico à sua personalidade e mistério.
-- Telefona-me quando estiveres pronta. -- pediu Ernst com um olhar sereno.
Catherine não respondeu nem acenou com a cabeça. Ficou a olhar para o número na palma da mão. Uma caneta bateu-lhe nos dedos e caiu na mesa logo abaixo. Ernst tocou-lhe com um só dedo no anelar. Nesse mesmo instante, Catherine olhou-o nos olhos e vislumbrou um sorriso, seguido de um piscar de olho. O rapaz virou costas e saiu com os livros debaixo do braço. Em choque e com a vergonha a entupir-lhe os ouvidos, deixou-se ficar a olhar para ele, já do outro lado da janela, enquanto uma rapariga da idade de Ernst aguardava a vez de ser atendida.
A campainha tocou e o transe desfez-se. Das seis horas que lhe restavam do dia de trabalho, Catherine iria passar os seus olhos mais vezes no número de telemóvel tatuado na sua mão do que no Enter do teclado.

O seu primeiro dia de estágio acabara de se tornar ainda mais inesquecível!
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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Hipnótica

[Wuthering Heights - Pinterest]


Hipnótica. É a palavra que melhor descreve o teu rosto. Só um poeta apaixonado seria capaz de pintar uma obra da tua beleza.
Os teus olhos não me penetram, chamam-me a ti, fazem-me questionar a sanidade da razão e ponderar a loucura. A misteriosa dor que é te olhar, a da paixão, de te conhecer e saborear em cada palavra "louca" que teces na minha mente, numa conversa que só faz sentido no coração que já não pertence a nenhum de nós.

Sê simples, sê mulher. Sê, sem nunca te fechares do mundo; principalmente de mim. Quero ver o teu sorriso ao acordar de manhã, para o resto da vida, e inspirares-me com toda a tua essência.
Sê minha. Faz-me crescer. Pois do que do que depender de mim, já mais te largarei a mão, os pés nunca terão descanso e a mente viajará na nossa história, nos nossos sonhos, nas nossas conquistas.


Encontrar-te, foi mágico.
Conhecer-te, um desafio.
Mas amar-te... divino!

domingo, 2 de outubro de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [49]

[Standing on her neck - Pinterest]

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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [48]

-- Não me mates por favor! -- gritou, berrou, esperneou, enquanto a arrastava pelos cabelos para fora da cozinha.
-- Na cama não gemias tanto... -- comentei, sentindo o peso do seu corpo incomodar-me o cotovelo.
Atirei-a para o sofá e tapei-lhe a boca com fita-cola. Prendi os membros com Zips. Vê-la assim amarrada, de cara vermelha e em pânico acendia uma chama em mim que já não controlaria durante muito tempo. Esta noite será memorável!
Tranquei a porta da frente, ajeitei os cortinados, apaguei as luzes e subi as escadas. A mãe da criança arrastava-se pelo chão, até à casa-de-banho onde a sua filha gritava por si. O chão manchava-se de sangue e a maçaneta da porta movia-se violentamente, sincronizada com a vosita de Carolina.
-- O que quer de nós? -- gritas-te, com raiva, seguindo-se um choro descontrolado e derrotista de ti mesma. Ias morrer, ouvias a Morte aproximar-se.
-- Não preciso de nada vosso, por enquanto. Mas levarei a tua filha comigo...
Vi a raiva surgir na tua cara em volta do nariz e o teu franzir de sobrancelhas. Se não tivesses levado um tiro no ombro, acredito que naquele momento terias tentado atirar-me ao chão.
-- Não abras a porta Joana!
-- Mamã! -- gritou a criança indefesa.
-- És patética. -- levantei-a pelo ombro ferido. Gemeu e gritou de dores. -- Ainda não te convenceste de que não há nada de que eu não possa fazer. Continuas a acreditar que tens salvação. O que pensas? Que um raio vai entrar por aquela janela e matar-me!? -- nos milésimos de segundo que passaram, o quarto iluminou-se com um clarão do exterior, seguido de um estrondo que fez o soalho tremer.
-- MAMÃ! -- gritou a miúda assustada, forçando ainda mais violentamente a maçaneta.
-- Quem diria... -- respondi admirado. -- Joana, se não te calas, EU MATO A TUA MÃE! -- gritei. Os gritos histéricos pararam de imediato.

Sinto a ferida no ombro aprofundar-se e uma dor aguda intensificar-se. Não conseguia controlar o meu corpo com tanto sofrimento. Agarrou em mim, arrastou-me até às escadas e atirou-me por elas a baixo. Senti a cabeça bater em cada degrau. Senti-me um saco cheio de ossos partidos. Não me conseguia levantar.

Deitei-te no chão, atei os braços e as pernas. construí a cena de um crime perfeito e bastava agora dar-te um tiro na cabeça.
Madalena seria acusada de triplo homicídio e ocultação de cadáver, pois Joana nunca mais seria encontrada. Em tribunal, as investigações revelariam que tudo tinha sido um acto de ciúmes, comprovados por emails e telefonemas trocados entre um homem e a patroa.
Enquanto me investigassem, Joana estaria escondida na minha cave, por pouco tempo obviamente, até poder mudar de país e a declarar como minha filha.
Fui buscar a tua funcionária e soltei-a. Estava assustada, vidrada no teu corpo nu coberto de sangue.
-- Estás bem? -- perguntou a amiga.
-- A Joana! Vai buscar a Joana!
Madalena olhou-me nos olhos e pisei-lhe a cabeça com a bota.
-- Ninguém vai a lado nenhum. -- proibi.

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [50]

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [48]

[Door broken open - Pinterest]

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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [47]

-- Se lhe tocas... -- ameaçou-me a galinha depenada.
-- Matas-me? -- sorri.
Dei-lhe um tiro no ombro, do mesmo braço que permanecia amarrado, e o pintainho fugiu para o canto de olhos abertos e cara pálida. Ela gritou, sangrou e sentiu a morte pisar-lhe o peito. Aproximei-me dela, do canto da cama e da sua "mais que tudo". Atirou o braço bom às minhas pernas e agarrou as calças. Em vão. Peguei na Carolina, que esperneava desenfreada.
-- NÃO!!! -- gritou óbvia a mãe.
-- Ninguém vos consegue ouvir. Já viste a tempestade lá fora? Está de matar! -- soltei uma gargalhada. -- Se não paras de te mexer a tua mãe leva outro tiro. -- cessou de imediato, com o seu olhar triste colado ao meu e às dores da mamã. Tranquei a miúda na casa de banho, e regressei ao quarto. Lá de baixo, ouço o bater na porta. Espreitei pela janela e vi um 2º carro estacionado à tua porta. A puta da tua amiga apareceu finalmente! Abriu a porta e escondi-me na casa de banho com a tua Carolina.
-- Já cheguei! -- gritou, encharcada e quase despenteada. O chapéu de chuva pingava a entrada da porta, e o vento varria os cortinados. Chamou o teu nome. Procurou-te na cozinha e encontrou a Joana, ainda abalada e a recuperar o fôlego.

Tentei marcar o 112 mas o sinal estava fraco. Ajudei aquela desconhecida a sentar-se na mesa e dei-lhe um copo de água.
-- Quem és tu? O que te aconteceu e o que fazes aqui?
-- Você tem de telefonar para a policia! -- exigiu-me  a rapariga.
-- Não tenho rede! O que fazes aqui!?
-- Corremos perigo! Fuja e peça ajuda! Ele vai mata-la também!
-- O quê? Quem? -- não percebia nada do que esta estranha estava a gritar-me, mas percebia no seu tom de voz e na sua cara que o assunto era sério. Muito sério. Procurei uma faca nas gavetas, mas estavam todas vazias. Para onde raio foram as facas todas!?
-- Onde estão as facas? -- perguntei-lhe.
-- Não há facas na casa? -- perguntou-me, aflita, vasculhando de novo o que já tinha visto.
-- O que se está a passar?
-- Ele veio matar a Carolina e a mãe dela! Não suba, fuja! Fuja e peça ajuda por favor!
-- Ele veio matar a Carolina? Mas quem raio é ele?
-- O homem que lhe ofereceu esse colar!
Foi então que tudo bateu no fundo.

-- Madalena, que surpresa! -- felicitei-a à porta da cozinha, com a faca de novo na mão e a pistola repleta das impressões digitais de Joana. -- Ainda bem que te juntas-te à festa! -- dei um tiro na cabeça da miúda. Madalena caiu ao chão, sentindo a onda de choque no peito e o jato de sangue e cérebro gravar-se nas suas retinas.
Atirei-lhe a arma para as pernas e presenteei-lhe o meu peito.
-- Mata-me!
Sem hesitar, pegou no peso proibido e premiu o gatilho dezenas de vezes até se aperceber que já não havia balas.
-- São cartuchos vazios sua burra de merda! Obrigado por a apanhares, agora tem as tuas impressões digitais... -- contei-lhe, arrancando-lhe o doce das mãos.

domingo, 7 de agosto de 2016

Se não dás sexo, ao menos sê interessante...

[Chloë Montez - Pinterest]

Às vezes ainda penso em ti, na nossa mentira de "namoro", de amores e discussões "importantes" só porque estávamos "apaixonados". Mas a razão de surgires na minha mente mais vezes do que estarmos juntos, é por seres a coisa mais recente que tive. Porque se não tivesses sido tu, a última, teria sido outra "qualquer".
Não foste o suficiente interessante para me manter ao teu lado. Não deste o suficiente, nem fizeste o suficiente. Não houve nada que tenhas feito que me tenha deixado uma semente, por muito pequena que fosse, para continuar a pensar em ti com desejos e devaneios loucos à noite, com a mesma gula de te ver todos os dias como o fiz durante tanto tempo por estar "apaixonado". Mas não te sintas mal, afinal todos erramos, e aprendemos com os erros. E eu, dei demais.

Mas se namorar é apenas existir, entras então num tédio cíclico para onde arrastas outras pessoas que querem sorrir e abraçar, e tu, por crer ou não crer, te transformas numa estátua fria de pedra áspera.
O que existiu na tua mente para recear amar? Que experiências esperavas partilhar?
Esperar para as ter nunca me foi uma opção, principalmente porque tudo passa depressa demais, e depois da primeira vez, a cena em si, do teu teatro de horrores, de negações e frieza, não passa de mais uma experiência de sentimentos em que dizes Sim ou Não. Se não te queres descobrir sozinha, não dês falsas esperanças a quem sempre te abraçou e te levou a viajar. Ou a quem sempre te quis ajudar a ver o mundo através das experiências que ainda não tinhas. Abrir a mente, por muito virgem que sejas, não deve ser um impedimento para cresceres. Se é só depois do sexo que tencionas amadurecer, não esperes que os rapazes te adorem e se babem todos por ti. Afinal, tu continuarás "virgem" de experiências durante demasiados anos até entenderes que poderias ter feito tudo isso muito mais cedo. Vai por mim, estou a passar por isso e já tenho 26.

Não me arrependo de nada. Do que disse, do que fiz, dos passeios, do amor, do carinho, do dinheiro gasto, o tempo em tua casa, do jantar que fiz, das idas ao cinema. É suposto crescer. Ultrapassar a árvore tombada, subir o muro. É suposto correr, caminhar no mínimo, para a frente; Caso contrario, mais tarde, encontrarás a morte de ti mesma.

Isto é uma crítica para ti, porque sei que vais ler. Mas espero, apesar de tudo, que seja um abre-olhos para a pessoa medrosa que tens dentro de ti. Eu tenho uma também, mas luto todos os dias para me desafiar a desbravar caminho por entre a multidão de pessoas que me assusta, que me olha, que me julga. Se não crescer um pouco todos os dias, não estou a viver, e tu, estás parada no tempo por causa de um medo "virgem" que se chama: Experiência.
Aterrorizo-me com as alturas, mas se não tentar combater a fobia, se não lutar pelo que quero ser, pelo que quero sentir, ter poder de decisão, sou um escravo dos meus próprios medos.

Tu que lês tanto, que vês tantos filmes, foste a pessoa que menos deu e menos tentou coisas novas comigo. Nada do que me fizeste ou do que fizemos, me foi algo novo ou de verdadeiramente interessante e excepcional na vida que levo. Se não foste capaz de marcar essa diferença, mesmo quando te disse que precisavas de a fazer, o que esperas de mim? Um novo namoro? Uma amizade?
Que conversas teremos? Que coisas interessantes teremos para falar?
Se nunca me beijaste por prazer, me abraçaste com vontade, me deste prazer com desejo... o que esperas agora de mim?

Se não dás sexo, ao menos sê interessante...

sábado, 9 de julho de 2016

Não te prendas ou fujas do passado...

[Come with me - Karel Balcar]


À morte dela te tornarás em nada e ficarás com tudo. Exposto ao mundo de emoções e esventrado de dentro para fora, pela ausência de um sere que não és tu, mas que te fazia sentir sagrado. Aos olhos dela, eras o sorriso que tinha medo em esboçar, os passos de dança que tinha medo em dançar e as palavras que criavam nós na sua língua, na sua mente envergonhada e medrosa.
Na morte dela, descobriste que o amor por alguém é algo cruel.

Descobres que tudo destes, sem pedir nada em troca, sabendo desde sempre que nunca houve um beijo de si mas um aperto de mão, num negocio feito e aceite por ela.
Recordas os seus pés nas piores circunstâncias, os medos no rosto, as inseguranças caírem pelos seus dedos. Ela viu em ti o homem que sabias ser e tu o príncipe encantado que acreditou salvar a impotência de alguém distraído. Era bonito olharem-se pelo espelho. Era carinhoso o gemido que fazia aos passares as mãos na sua essência. Mas toda a vez que a olhavas, tocada e exigente, perdias o desejo e a paixão. Perdias o fogo.
A sua morte afasta-te do mundo dos vivos. Afasta-te do "querer", da "saudade". Estar morta, era pecado, um alívio, o fim da escravidão emocional.

Tornavas-te feliz, sem nada do que restava do contracto. Recordas a sua existência. Recordas o sorriso e as palavras, na morte de todas as suas coisas. Agora que respiras por ti, não te esqueças do que foi viver, do que foi fazer feliz. Abraça-a todos os dias quando o sol nascer, porque aceitar que um dia ela te fez feliz, é a prova de que lá pelo meio, ela foi quase a mulher de procuravas.

Não te prendas ou fujas do passado, abraço-o, valoriza-o e aprende com ele...


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [47]

[Red lips - Pinterest]

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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [46]

-- Porque gritas tanto? Porque esperneias tanto? Tu pediste isto, lembraste? -- removi o pano de entre os dentes. Respirou fundo, sem tirar a olhar de mim, e disse com dificuldade:
-- A minha filha não era para aqui chamada! Conheces a minha rotina, sabes bem que hoje não era o dia mais indicado, principalmente porque Madalena vem cá a casa!
-- Mas minha querida, hoje é o dia perfeito! Hoje é o dia da tua morte...
Ela rasgou as pupilas, num brilho intenso, de choque. As bochechas ficaram pálidas, seguindo-se tudo o resto como um fogo. Enfiei-lhe o trapo goela a baixo e soltou os seus típicos guinchos, enquanto me via sair do quarto, de faca na mão, imaginando o pior. Desci as escadas e abri a porta da dispensa, onde as duas meninas se abraçavam.
-- Vem comigo. -- pedi ao rebento, já menos assustado, de olhos vermelhos e secos. -- Vem comigo, ou mato a tua mãe! -- sussurrei ao ouvido.
-- O que vais fazer? -- perguntou a Joana. Agarrei no braço da miúda e puxei-a para mim. -- O que vais fazer com a Carolina!? -- exigiu num grito.
-- O inimaginável! -- respondi-lhe. De costas para ela, senti uma dor aguda nas costelas. Quase caí ao chão. Virei-me para ela e defendi um segundo murro. A cachopa foge-me entre os dedos e entro numa luta de submissão, e controlo, por uma pequena colher que lhe tiro da mão com um soco no peito. Arranco-lhe o ar dos pulmões, ela arfa de olhos abertos como um cavalo assustado e cai em cima de uns sacos de batatas. -- Desiludes-me! Volto, quando acabar o que viemos fazer. -- Tranquei a traidora adolescente e corri para o quarto principal. Sem esperar, vi o botãosinho ajudar a mamã a tirar as ultimas cordas do braço esquerdo.
A faca reflectiu nos olhos da criança emocionalmente violada.

sábado, 21 de maio de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [46]

[Suffocation - Pinterest]

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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [45]

ACTUALMENTE

-- Não me faça mal. -- pediu docemente limpando as lágrimas do rosto com a sua mãozita.
-- Não querida, claro que não!
-- Não faça mal à minha mamã!
-- Não faço, prometo. -- sorri.

-- Ele seria incapaz. -- reforçou uma voz por trás de mim.
-- Mãe! -- gritou a filha com as lágrimas pingarem nos pulsos apertados pela minha cúmplice. Os olhos embaciados da miúda rabugenta acordavam a minha perversa criatura.
As duas cabritinhas sairam do quarto, e voltei-me para a matriarca da casa. Aflita, regurgitava o pano em gritos abafados, lutando na cama, enquanto a sua "mais-que-tudo" desaparecia no horizonte escuro e ruidoso.
Com os relâmpagos a caírem lá fora, e o vento a dobrar as árvores, a tristeza da mãe camuflava-se na casca medonha da raiva que me perseguia de olhos em chama pelo quarto. Era um farol, que chamava a atenção do meu olhar sobre o seu corpo arfando oxigénio.
-- Não faças essa cara. A tua filha está em excelentes mãos! Confia em mim. Oh espera. Não podes! -- soltei uma ligeira risada. -- Mas agora a sério, a Joana só a foi trancar na despensa. -- aproximei-me da cama. Pousei um joelho no colchão revirado e gatinhei sobre Ti. O teu cheiro vibrava nas minhas narinas. Os teus movimentos arrepiavam-me em prazer. Lutares pela vida fazia-me sentir vivo! -- Anseio este momento desde o dia em que te vi entrar no parque de estacionamento. Oh meu deus! Um diamante! Mas para te matar, o crime tinha de ser bem feito... Estudar-te. Conhecer-te. Assim que conheci a tua Madalena, sabia que Judas estaria por perto. Deves estar a pensar que isto não vai dar certo, porque a tua querida amiguinha vai chegar não tarda. Ligar para a polícia e nós vamos presos e tu ficas para "sempre" a salvo, não é minha totinha? Mas estás tão enganada... Quando ela chegar, vai-te encontrar morta. Vou levar a tua filha comigo, para outra cidade, e a tua Madalena vai ficar com as culpas todas. Vão perceber que te matou por ciúmes. Não achas uma ideia brilhante ter pegado fogo à casa e tu teres-lhe dado a chave da tua? E sabes quem engendrou tudo isso? -- apontei para mim -- exactamente. Eu. O teu assassino!