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sexta-feira, 23 de maio de 2014

O viajante solitário...


Hoje (22-05-2014), tive um sonho, que tinha tido quando era muito pequeno. Cerca de 4 a 5 nos de idade. No tempo em que ainda dormia no quarto gigante com os meus pais e o meu irmão, cada um num lado da cama. Lembro-me de dormir sempre o lado direito, para quem olhasse de frente para ela (cama), apesar de o meu pai me garantir que todos os dias trocávamos de cama. Segundo nos veio a dizer mais tarde: Conheceu um senhor que na altura em teve filhos, dormia também com cada um do lado da cama. Mas, com o tempo, foi-se apegando mais ao filho que dormia do lado dele do que dormia do lado da mãe. Como o meu pai não queria que isso lhe pudesse acontecer, trocava-nos; Daí a explicação para um acto que podiam achar "estranho".

O sonho em si, talvez não vos diga nada, mas como vejo as coisas de maneira diferente e tento examinar tudo o que me rodeia, vejo, ouço, digo, sonho, vou ter mesmo de pôr por escrito aquilo que vi e porque razão este sonho, há muito esquecido, me é tão... intrigante.
Poderia dizer que era só mais um dos sonhos recorrentes que todos temos ao longo das nossas vidas. O que é perfeitamente "normal", e há até quem estude isso, como é abordado no documentário "NOVA - What Are Dreams?". A primeira coisa que me surgiu à cabeça, foi um sentimento de déjà-vu. Eu próprio me apercebi de que reconhecia o sonho, aquele cenário e mais importante ainda, das emoções.
Bom, terei de dizer que segundo neurologistas, os déjà-vu são um erro do cérebro. Eu não acredito que o meu cérebro tenha erros ou construa falhas. A nossa capacidade de nos relembrar-mos de certas cenas e emoções, esta directamente ligada à memória e à previsão de eventos, o que é imperativamente importante para a nossa sobrevivência. Portanto, dizer o que cérebro tem falhas a esse ponto de déjà-vu, é para mim um erro.

O sonho transportava-me para o interior de uma nave oval branca, como uma espécie de bola de rugby, mas todo o interior estava vazio e o chão parecia feito de azulejos quadrados mais ou menos do tamanho do meu pé. Tinha algo como 14/16 anos, e conseguia ver o universo através de amplas janelas. Não sabia se a nave estava a andar, porque tudo lá fora parecia parado. Um sentimento de solidão abatia-se sobre mim. Estava sozinho. Não ouvia vozes, não existia mais ninguém. Não havia quartos, balcões de cozinha, mesas, comida. Apenas eu, dentro de uma nave ao qual não sabia o destino.
Numa idade em que nunca tinha visto filmes de guerras espaciais ou sobre o universo, apesar de o meu pai me falar disso e possivelmente ter visto alguma imagem na capa de um livro, não tinha o conceito de viajem no espaço ou sequer de uma nave, apesar de reconhecer que conhecia muito bem a sensação de abandono e solidão. Foi um sonho muito vivido na altura, apesar de não o compreender quando acordei. Hoje, quando voltei a sonhar com o mesmo, senti exactamente os mesmos sentimentos. Principalmente a de vazio. Sei que é difícil compreender, e ainda mais difícil é para mim explicá-lo, mas quer eu queria acreditar quer não, isto, não foi um sonho, mas uma memória de uma vida passada. Não, não sou uma reencarnação, mas este sonho é tão intenso, tão real, tão emocionalmente detalhado, que quando acordei, julguei tratar-se de uma memória verdadeira e não só de um sonho que tive quando era criança.

Este viajante solitário, numa nave desprovida de ornamentos, relembrava-me o filme "2001 Odisseia no Espaço", baseado num livro com o mesmo nome, escrito por Arthur C. Clarke. Um filme que viria, muito pouco, já depois dos meus 14/16 anos, e finalmente aos 22 em mais detalhe. Percebi hoje mais tarde, de uma possível explicação para o sonho. Este viajante nunca poderia ser um organismo orgânico, porque não havia comida na nave, e muito facilmente sucumbiria à paranóia do silêncio e da inexistência de contacto físico, tão característico e necessário nos animais. Seria um robô. Uma supra-inteligência que vagueava pelo espaço, de estrela em estrela, de planeta em planeta, à espera do Big-Crunch. Seria um viajante, construído à milhões de anos por uma espécie já extinta. Um viajante sobrevivente a alguns Big-Crunchs, e que existia com um único propósito: Repopular os planetas. Talvez dê um livro, e posso dizer que já o ando a escrever à algum tempo, mesmo antes de ter este sonho. Foi uma inspiração, não haja dúvida, mas também um momento muito estranho para o meu cérebro, para a minha personalidade e percepção daquilo que é a realidade, as memórias e os sonhos.


Um aparte:
Sonhos são uma outra dimensão "física". Quase como um "13º Andar".
Ou serão histórias criadas por nós, para ocultar o que realmente se fez do outro lado?
Outra teoria é a de que nos sonhos, todos nos juntamos.
Serão memórias de vidas passadas?
Talvez também uma maneira de manter o relógio biológico actualizado?

Fui capaz de dissecar o sentido emocional e psicológico de dois sonhos, e todos tinham uma razão. Todos me fizeram re-viver emoções ou aprendizagem, como acontece no dia-a-dia. Cada conversa, cada expressão, cada cena e cenário tinham uma razão psicológica de ser. Como já o disse: mostravam-me coisas que já tinha vivido, visto, ouvido, e situações de interacção humana.
Acredito que sirvam para nos ajudar a continuar a evoluir, errar e aprender. Servirão também para nos ajudar a compreender melhor um problema, visto que o nosso cérebro está mais imaginativo e mais activo durante os sonhos.
Não estamos a dormir, estamos a evoluir.
É também uma forma de treinarmos as nossas capacidades para lidar com situações de stress, violência, vergonha, saudade e felicidade. E podemos revivê-lo várias vezes, sem nunca morrer realmente.

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segunda-feira, 29 de julho de 2013

É um design optimizado...


"A Chita é um design optimizado daquilo que funciona."

É o aperfeiçoamento, a evolução de um animal construído para matar, para caçar. A lei do mais forte, do mais adaptável, do mais capaz, do mais versátil, do mais veloz. Tal como o foram os Neanderthals.

Nós humanos, deixámos de ser os criadores do mundo, para passar a ser o declínio de uma civilização e  de uma espécie. Somos, tornamos-nos e caminha-mos para lá, para a nossa destruição. Caminhamos para a estandardização do individuo, dos pensamentos, do modo de vida.
Já fomos em tempos, os melhores animais que já caminharam neste planeta, porque evoluímos e sobrevivemos graças à nossa facilidade de adaptação em qualquer meio ambiente. Infelizmente, hoje em dia o que se vê é a desconstrução de pensadores, para o cultivo de escravos mentais.
Li há já algum tempo, um médico que dizia que todas estas novas doenças, como é o exemplo do stress, do cancro, depressão, raiva, são tudo coisas recentes, de uma civilização demasiado industrializada. O meu irmão leu também algures de que as guerras, sejam mundiais ou de conquista, são muito recentes no percurso da nossa civilização, pois antigamente, as únicas guerras que existiam era a de entre duas pessoas, por uma situação ocasional. Não era nem nunca foi com mais de 1000 pessoas toda para o mesmo fim.
O próprio povo europeu, permanece dos mais psicologicamente activos em termos de guerrear terreno. Fomos nós quem descobrimos o mundo, quem o conquistou, e somos nós que o colonizámos. Ainda existe em Portugal, um certo ódio aos Espanhóis, simplesmente porque não queremos que o nosso país caí nas mãos deles, ou deixemos de ter um "portugal" nosso. Somos territoriais e adoro isso. Adoro porque mantém as tradições, a cultura e a língua viva.
Infelizmente, aparecem por aí gente que odeia barreiras, e que a Europa deveria ser um país num todo e não por partes. A esses falta-lhes aulas de história e presença no mundo. Nasci em Portugal, e não quero um dia ele desapareça, seja conquistado ou comprado. Somos um povo que já fez história, que já descobriu e deu a conhecer o mundo, que revolucionou a navegação marítima e até ajudou a levar o homem à lua com a utilização do Astrolábio. Mas estamos a perder o nosso "design optimizado" para um bando de pitas e pitos que não pensam, não racionalizam, não amadurecem, que têm nariz empinado e que só se preocupam com a sua vida profissional e não uma vida pessoal. Vão para o estrangeiro, porque o país já não dá nada. Eles não vão para fora porque o país já não lhes dá emprego ou "apoios", mas porque sonham com uma vida que só lêem em livros. Não é por arranjarem trabalho lá fora, não é só, é porque para onde quer que vão, podem ser quem quiserem e criar uma nova história, mas nunca uma nova entidade.


Nós, portugueses, já fomos uma Chita, e das melhores que existiram na Europa. Fomos um povo de bárbaros que correu com os Romanos. Tornámos um pedaço de quintal, num país vasto. Sonhámos alto, mas também lutámos bastante. Infelizmente, outra infelicidade, o povo empobreceu e deixou apodrecer a sua mente tão aventureira. Apareceu um povo, que não é português, mas um povo que é interesseiro, que sonha com uma vida à americano, que sonha com dinheiro, com poder. Um povo em que cada um tem de ser a sua casa própria com quintal, o seu carro de marca, a sua casa de férias. Sonha com riqueza que não tem e que não sabe gerir. Sonha... com a cabeça virada para livros e fantasias. Porque se uns têm, "eu também tenho de ter". Este povo fudeu-se e a próxima geração será a pior de que há memória. Tenho medo de passar a ver um país ovelha, e não uma Chita.

"A fina flor do entulho.
"É tão chique brincar aos pobrezinhos"! 
Ao Expresso, disse Cristina Espírito Santo, uma das veraneantes, que viver ali, na Comporta, "é como brincar aos pobrezinhos". Disse-o sem pudor. E nesta simples frase transparece toda a raça desta gente, o pensamento, a atitude perante a vida e os seus "semelhantes". Gente para quem as criadas ainda são bonnes, os motoristas são chauffeurs, os operários são a canalha. Gente que despreza quem os serve e os ajudou a enriquecer. Gente que gasta, numa hora, o que a esmagadora maioria dos portugueses não ganha num mês. Não houve 25 de Abril que os obrigasse a mudar de rumo, nem sobressalto que os levasse a arrepiar caminho. Eles aí estão de pedra e cal. Os amos. Os donos de Portugal. A brincar aos pobrezinhos. Com os pobrezinhos. A quem, esmoleres e cristãos, dão esmolas. Com um esgar de asco nas faces bronzeadas pelo Sol da Comporta. 
Há gente tão pobre, tão pobre,mas tão pobre... que a única coisa que têm é dinheiro.
Desculpem-me o desabafo."
por João Monge Ferreira em Facebook


O idealismo de uma mulher "perfeita"...

domingo, 24 de março de 2013

Os meus genes superiores...


Muitas vezes vejo fotos de rapazes, que me fazem pensar de que se eu tivesse com eles ou entre eles, naquela terra ou naquele espaço, seria o mais bonito deles todos.
Mas essas "muitas vezes", que acontecem cada vez que vejo alguém na televisão, em fotos, entrevistas, na rua ou no shopping, não têm valor, porque ninguém lhes dá, nem mesmo eu, porque ponho-me a pensar que  ao dizer e expor essa opinião, estaria a demonstrar superioridade, egocentrismo. Talvez seja até uma forma de me darem valor, de alguém de fora olhar para o centro, para mim. Ou, talvez, ter lugar num grupo, entre amigos ou pessoas. Uma maneira de me tornar ouvido ou presente?

E porque penso isso? Porque me acho bonito, me sinto bonito e penso que sou bonito. Porque me acho que tenho valor, que sou interessante e os outros iriam gostar de mim. Mas sentir-me bonito e pensar que sou bonito, são coisas totalmente diferentes. Posso-me sentir bonito, com o que vejo quando me olho ao espelho, com o que vejo no meu interior, e pensar que sou bonito através daquilo que vejo no espelho pelos olhos da sociedade, dos outros.
Não me sinto bonito todos os dias, pois obviamente, haverão dias em que me irei sentir mais em baixo, contudo, posso dizer que me sinto e que sou bonito, afinal os meus pais dizem-mo muitas vezes, entre outros familiares que não me vêm à anos... Mas não o digo com superioridade, a armar-me e a fazer-me de bom, de melhor. Sou um rapaz normal que se sente bonito e que se vê bonito. Ainda assim, a "minha" beleza irá depender de um milhar de milhão de factores de pessoa para pessoa, globalizando-as estatisticamente. Uma forma de perceber o que estou a tentar dizer é utilizando o meu cabelo como exemplo.
Existe gente que gosta e gente que não gosta. As pessoas que gostam usam argumentos para provar e explicar porque gostam de me ver com cabelo comprido, ora porque é por ser comprido, pela cor, pelo encaracolado, pelo efeito que me dá à cara, ou como me cai sobre os ombros. Quem não gosta, por incrível que pareça, até hoje nunca explicaram o porquê. É-lhes mais fácil dizer que não, só porque sim, sem saberem o porquê, do que dizerem que não e explicarem a sua opinião.


Sim, porque a beleza tem aspectos diferentes, e opiniões diferentes, de pessoa para pessoa. E achava eu que seria o rapaz mais bonito, ou um dos rapazes mais bonitos naquele pequeno ou grande grupo de pessoas, poderia, ao fim e ao cabo, ser totalmente mentira, erróneo.
Será verdade? Existem raparigas e rapazes que nasceram com a lotaria genética. Com os melhores genes, as melhores curvas, altura, cara, olhos, simetria facial, etc etc. Resumidamente, Modelos!
Não sou de todo um modelo, pois sinto e sei que sou menos bonito que muitos rapazes modelo e mesmo não modelo, simples rapazes; Assim como o meu cabelo não é dos mais lindos pois existem raparigas, e rapazes, com cabelos muito mais bonitos do que o meu. Não os censuro nem os julgo, não lhes tenho preconceitos só porque são mais bonitos ou se vestem bem. E se sabem vestir bem... outro ponto importante de beleza actual.
Não lhes tenho ciumes, tenho perguntas: "Porque é que são mais bonitos?". Pelo menos aos meus olhos. São-no de facto? Talvez a um grande grupo de pessoas mas, e depois? São pessoas normais. Ui? A sério!?
Querendo eu dizer com isto o seguinte. Para elas, com os amigos, serão apenas mais uns, sem grande impacto ou interesse. Sim, são bonitos, nada de mal nisso, mas para quê tanto fascínio ou tanto alarido? São só pessoas que estão geneticamente melhores do que eu ou tu. Talvez até nem se achem assim tão confiantes como eu cada vez que se olham ao espelho ou se interrogam ao seu próprio Eu.
Costuma-se dizer que uma mulher bonita, dispensa inteligência. Porque a única coisa que precisa é de saber procriar, dar bons genes. Serve única e exclusivamente para acasalar e... sinceramente, natural e instintivamente é algo muito corriqueiro no meio animal. Somos animais, não somos robôs.

Num estudo que vi à pouco tempo (meses), dizia que pessoas que se vestem e se preocupam em se vestir bem, são mais propicias a ser egocêntricas, sociopatas, manipuladoras, a ter charme superficial, pouca empatia, destemidas, a não sentirem remorsos e culpa. Conheço algumas pessoas assim.

People with 'Dark' personalities are better at making themselves look attractive

No entanto, não sendo eu uma daquelas pessoas que procura desesperadamente por atenção, amizade e carinho pelas outras pessoas, de todo e muito pelo contrário, conheço muita gente que seria capaz de fazer quase qualquer coisa só para ser conhecida, para ser vista, para ter breves momentos de fama, nem que fossem apenas pasmos e publicidade gratuita da sua pessoa. As raparigas então... adoram ser conhecidas, umas mais do que outras, de serem vestias, olhadas, cobiçadas, quanto mais famosas, mais próximas ficam das estrelas de hollywood.

E tenho a opinião, que irá ser muito criticada, mas essa é a minha opinião, não um desejo fanático, mas um objectivo que pode ser prescindido. Não é algo imprescindível e que não queira de todo me afastar ou esquecer, mas é algo que eu apoio, para mim. Utilizando por tanto, a imagem do texto, que eu sei que também irá haver muita gente a criticar-me, porque Hitler é odiado por muita "boa" gente sem saber metade da história, como é perfeitamente normal numa população de mentalidade cada vez mais americanizada, como fala "João Blümel" em "João Blümel lê a mente de Fátima Lopes". Porque um português que não critique sem saber argumentar, não é bom português. É mais um, de facto, mas não é o verdadeiro português ferrenho, mesquinho e hipócrita.
Da minha perspectiva, sendo esta a minha opinião, ter filhos com alguém racialmente inferior, ou geneticamente impura, não é do meu agrado. Tendo eu uma linhagem com mais de 500 anos, uma árvore genealógica cujo o nome Mota tem poder sobre qualquer outro nome de família existente nessa mesma época, tenho por direito quase monárquico, a ter descendentes do mais puro que houver, com a mulher mais bonita, mais saudável, com a melhor riqueza e hereditariedade.
Achando-me eu bonito, mas não superior, e não, não estou a ser hipócrita, porque sou tão "bom" como outro rapaz "qualquer", porque a minha beleza genética não é uma coisa assim tããão incrível, o meu corpo procura apenas mulheres (obviamente) com um grau de beleza X. Não diria um "grau", diria apenas um perfil facial genético de um determinado aspecto. Segundo estudos científicos, procuramos parceiros que se pareçam connosco de uma certa forma. Olhos, largura a que os olhos se encontram, sobrancelhas, bochechas mais ou menos redondas, queixo, largura da boca, grossura dos lábios, comprimento do nariz, formato do nariz.
Não, não sou preconceito, tenho amigas que já me disseram que primeiro conhecem o que está por dentro, que se apaixonam pelo que a pessoa é por dentro e só depois pelo que ela é por fora. Poderia dizer de forma fria, que isto é atitude de gaja, de rapariga "pessoa" que não reconhece e não aceita o instinto animal que existe em cada ser humano. Uma rapariga que não... e sim, são minhas amigas e considero-as minhas amigas, não significa no entanto que concorde com a opinião delas, em tudo; que não... foi manipulada psicologicamente, ou que não se deixou manipular e "infectar" pelo pensamento "animalesco" que todos trazemos. Primeiro, acho isso infeliz. Uma "pessoa" que não se aceite como animal que é, não tem direitos.
Sim, de facto é algo frio e cruel de se dizer, porque eu sou homem e só quero é sexo, procriar e ter filhos. Iram pensar em milhares de coisas que uma pessoa fria como eu: é, pensa e faz. No entanto, a única coisa que quero é deixar bom genes, seres "perfeitos", Arianos de raça. Todo o homem terá este pensamento. Afinal fomos geneticamente moldados para o fazer e desejar. Está-nos enraizado.
Por incrível que pareça, a mulher sofre do mesmo "mal". Como me disse o meu pai um dia, algo que ele leu, as mulheres quando namoram, procuram um rapaz forte, que as proteja, que lhes dê segurança, MAS quando querem ter filhos, assentar e "casar", procuram um homem com feições mais leves, com um corpo mais normal, mais bonito, que ele próprio seja mais confiante e meigo. Porque quando uma mulher só quer é foder, é com um homem "qualquer" desde que lhes seja minimamente bonito, mas quando querem procriar, ter filhos, fazer uma vida, vão à procura dos homens "raros" que elas tanto diziam não existir.

Os meus genes, não são superiores ao de outras pessoas, dependendo muito a quem me refiro como "pessoas" ou a que pessoas enquanto grupo. São-no, de facto, enquanto história. São importantes enquanto herança. Tenho parentes por afinidade que são descendentes directos de D. Pedro, o mesmo que casou com Inês de Castro. Não, não me estou a tornar superior ou a gabar, mas a partilhar uma opinião, uma ideia. Podendo eu casar com quem eu quiser, sem nenhum "compromisso" para com a minha herança genética, nobre e importante com mais de 500 anos, achar que num grupo de pessoas que desconheço de todo, poderia ser e talvez me tornaria no alvo de cobiça e, provavelmente, "luxuria" ,de uma certa maneira e talvez até num príncipe para uma "monstra", e digo isto com algum gozo, que poderia ser melhor, não me valeria de nada.
Porque eu preocupo-me com o que pessoa tem para "dar" intelectualmente. De nada me serve ter a mulher mais perfeita do mundo, tal como idealizo, se ela não soubesse jogar xadrez, interessar-se por ter filhos, brincar com eles, pintar com eles, rir, fazer rir, aprender e chorar, debater e odiar discutir. De nada me serviria ser o centro das atenções, dos olhares, se não tivesse rodeado de pessoas que me aceitavam como era, sem grandes perguntas, sem grandes esforços ou sapos gordos engolidos.

No fundo, no fundo, aquilo que sinto e penso cada vez que olho para um grupo de indivíduos que eu acho geneticamente inferiores, é apenas uma forma, perfeitamente natural, do meu mecanismo sexual masculino de mostrar à concorrência, de que sou melhor, que sou bonito, que valho a pena. Os meus genes superiores... nessas alturas, fazem o papel que têm a interpretar, gritar psicologicamente ao meu corpo, com emoções, sentimentos, memórias e imagens, de que estou num período fértil, de que estou apto para procriar. Poderá simplesmente, ser um grito de guerra. Pois cada vez que vejo uma rapariga que me atrai, abraçada a um homem que não vale as meias que veste; O meu cérebro, o meu subconsciente, relembra-me da minha beleza, do meu caminhar confiante caso eu fosse um antílope ou um alce, para me dar um descarga de adrenalina caso seja necessário lutar para a ter. Infelizmente hoje em dia já não se pode lutar, apenas se pode usar as palavras. Coisa positiva por um lado. Pois assim os machos mais fortes não comem tudo e elas não abrem as pernas a qualquer um, apesar de isso não ser totalmente verdade. Abrem-nas a qualquer um, se namorarem com ele.

O grupo de pessoas, cujo o meu cérebro me grita que são inferiores, paea mim, de alguma forma, serão o mesmo tipo de pessoas com quem eu não me daria. Sim, aquilo que estou a dizer também é algo irracional de se dizer, mas existe gente pior. Eu escrevo e "partilho" a minha opinião, e acreditem, não sou o único a tê-la. Feliz ou infelizmente, deram com o meu blog, mas existem mais meia centenas iguais ou piores ao meu.
O meu pensamento para com este grupo de pessoas que desconheço, não tem motivo para existir, e de certa forma diriam que estou a tentar encontrar um lugar onde possa ser reconhecido, visto, olhado , admirado, amado, acarinhado e invejado. Se calhar até pode ser isso tudo, mas eu não me autorizo a ser mais um. Expliquei de forma racional, psicológica e biológica o porquê de pensar ou sentir.
Em 100% dos casos, esse grupo de pessoas contem sempre uma ou mais raparigas/mulheres. Pelo que é perfeitamente natural eu me achar mais apto ou melhor ao lado delas, do que outros rapazes. Mas as mulheres/raparigas, gostam é dos mais feios, dos mais parvos, dos mais estúpidos, dos mais absurdamente anorécticos de inteligência relacional e interpessoal, dos brutos e maxistas, bêbados e fumadores. Mas o problema sou eu, não são os outros...


Coisas "impossíveis" de explicar, não são impossíveis, apenas aconteceram tão poucas vezes que ainda não tivemos a oportunidade de as estudar.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Pronta para arrasar?


Na revista académica, disponibilizada no ISEC no inicio do mês de Dezembro, "MaisSuperior" [Revista: PDF e Online], na secção com o titulo "Look At Me - Pronta para arrasar?" (pág. 14), descreve 6 maneiras "infalíveis" de uma rapariga se "embelezar" e "arrasar".
  • Batom
  • Golas
  • Unhas
  • Eyeliner
  • Saltos-altos
  • Fascinators
De uma forma muito elitista, manipuladora e comercial, manipulam a mente fácil de raparigas, ou que se acham as mais belas da universidade ou as mais feias. São dicas com um propósito, dar confiança, uma auto-confiança falsa, arrasar os "machos" e esconder as imperfeições que só elas podem ver.
Segundo o meu professor de Gestão, ele referiu a razão de se usar perfumes. Como todos sabemos os perfumes eram usados para esconder os maus cheiros. Mas apesar de estar provado cientifica e estatisticamente de que as pessoas, homens e mulheres, preferem o cheiro natural, não é essa a ideia que a publicidade, os filmes, livros e novelas passam para a sociedade. Sim, a sociedade é manipulada para comercializar, para vender e impingir, sem que ninguém se aperceba, produtos que não nos fazem falta nenhuma.

No livro "Mulheres Inteligentes Relações Saudáveis", no capítulo 12, "Os homens cometeram atrocidades contra as mulheres" (pág. 123), o autor explora um tema pouco falado pela sociedade ou na sociedade de hoje. Ele explica que as mulheres sempre foram repreendidas, maltratadas, não tinham direito ao voto e sobretudo no século XXI, tinham sido obrigadas socialmente a serem mais magras, a preocuparem-se com o aspecto físico, com o seu cabelo, com o seu cheiro, depilação. Obrigavam-se elas próprias a regimes de dietas para parecerem como modelos. Sempre foram oprimidas pelos homens e isso todos nós sabemos.
Porém, existe algo que não ninguém. As mulheres continuam a ser manipuladas e dominadas pela sociedade, pela moda, pela crença, pelo elitismo, são as que mais utilizam Redes Sociais, não fossem elas próprias, seres com natureza de "relações publicas".
Dominam o mercado dos cosméticos, dos perfumes, das roupas, do calçado, dos óculos, da alimentação, da higiene. Para dizer a verdade, elas dominam todo e qualquer mercado que preste serviços para ambas as partes, tanto homens como mulheres. Quem estiver de fora e vir as estatísticas rapidamente chegará à conclusão de que afinal a mulher não é assim tão vitima dos homens, que não é uma escrava e que com o tempo tem vindo a dominar o mercado mundial. Tem-se re-escrito e libertado dos séculos de opressão e escravidão, tanto sexual como psicológica. No entanto... apesar de dominarem o mundo, pois são de facto 3 vezes mais do que os homens, elas é que são as dominadas e manipuladas. O seu cérebro é alvo de constantes ataques publicitários, de imagens e ideais sociológicos, de marcas e produtos.
É por isso, que as mulheres são impingidas com uma imagem de beleza. Vêm-no nas celebridades, nas modelos, em capas de revistas e filmes.

Já repararam em revistas que falam de mulheres, em que do lado esquerdo surge um texto a falar bem da mulher, do seu aspecto físico  da sua beleza natural. Um texto que glorifica a beleza de cada mulher e de que elas não precisam de cremes de anti-envelhecimento, de pintar o cabelo, de usar maquilhagem porque já são bonitas? Se olharem depois para o lado direito, são imediatamente bombardeadas com publicidade de cremes anti-envelhecimento, de cremes para a cara ou para as mãos, de maquilhagem em promoção ou uma nova marca, de champô que dá mais brilho, de sprays que criam caracóis lindíssimos  de unhas de gel, de batom e roupas que realçam as "poucas" curvas do corpo.

Na revista de "Pais e Filhos" (ainda a designar), surge um texto de uma mulher grávida, que dá pequenas dicas de vestuário, que outras grávidas poderão utilizar para não perderem o "estilo", mesmo com uma barriga enorme.
Um dos que me chamou mais à atenção, foi o facto de ela indicar roupas com decotes, porque dessa maneira os homens e outras mulheres iriam olhar para o seu decote e não para a barriga mais abaixo. Não percebendo eu muito sobre o assunto nem a verdadeira razão para "esconder" a gravidez, apenas posso dizer o que eu penso sobre essa dica. As mulheres grávidas são feias? Uma barriga de grávida é algo indesejável? É algo que incomoda porque toda agente fica a olhar e a comentar que aquela mulher está grávida? Não era suposto ser algo bonito e festivo? O nascimento de um bebé é algo corriqueiro na natureza. Há milhares de milhões de anos que nos reproduzimos mas somos os únicos animais que festejamos um nascimento. Ora... se festejamos o nascimento, celebramos os seus primeiros passos como se tivéssemos ido à Lua, porque razão a sociedade se sentiria incomodada ao ponto de tentar esconder ou dar um toque e retoque no estilo de roupa? É verdade que existem roupas feias, confortáveis mas feias. No entanto, esconde-se ou tenta-se desviar a atenção.
O mesmo acontece quando se dá de mamar aos bebés. Há quem defenda poder dar a mama com ela destapada e há quem exija censura. É um acto normal que a sociedade tende em denegrir, em esquecer e desvalorizar. Porque dar de mamar aos bebés é algo pudico, feio e tabu, tem um seio nu à mostra e as pessoas ainda têm uma mente muito tabu. Mas quando é para mostrar na televisão, gente estúpida a beber leite de uma estrutura em metal com tetas a fingir de borracha que dá leite, já não é algo assim tão mau.


Para além do anúncio ser estúpido como tudo, talvez não seja tão pior como os anúncios da TAG Optimus, mostra a sociedade de jovens que habita neste país. Jovens sem cérebro, sem inteligência, sem emoção, sem vida, sem criatividade, sem qualquer tipo de educação e capacidades auto-cognitivas. Sem consciência. São o cancro que se espalha como fogo. São a doença do século. São o vírus que se vende. Manipulados por todos os meios de comunicação.
Algo que os apresentadores dos programas que passam em horário fazem muito bem, é vender ideias! E fazem-no tão bem que as pessoas nem se percebem. Não é mania nem é conspiração, é a realidade!

Tem-se criado uma imagem, uma marca, um modelo a seguir por toda e qualquer mulher. Antigamente dizia-se "Gordura é formosura", hoje se uma rapariga/mulher ultrapassar 2 ou 3kg do peso ideal, já é sinónimo de que está gorda e que esses 2 ou 3kg as vão deixar menos atraentes aos seus namorados ou aos homens.
Existe uma outra acção que se tornou tabu, quer de ser executada pelas próprias mulheres ou inquirida. Uma mulher evita pesar-se, evita saber o seu peso, e foge ou acusa de falta de educação, quem lhe ousar perguntar o seu peso. No mesmo patamar, encontra-se a famosa pergunta "Que idade tem?". Como se a idade fosse um problema para alguma mulher.
A estes duas grandes facadas, acrescenta-se o perfume, ou a falta dele. Se uma mulher não usa perfume, não é considerada de todo uma mulher, ou pelo menos, terá uma imagem de malandra, de preguiçosa, de despreocupada com a aparência, coisa que hoje em dia é impensável.
Como referi no texto "A minha tulipa...", as mulheres usam e abusam de técnicas que lhes permita entrar um parceiro sexual, um macho com o qual acasalar e ter bons filhos, com bons genes. Daí o uso de flores, de vestidos decotados, de cheiros (perfumes), de cores que atraem. O próprio salto-alto tem um barulho característico. Emite um som que transmite confiança, glamour, desejo sexual, virilidade, e fertilidade. É verdade que com o passar dos anos, as mulheres e os homens tiveram necessidade de chamar a atenção para o seu potencial físico e genético. Infelizmente, hoje em dia, essas duas imagens estão completamente manipuladas e alteradas. Tanto a nível psicológico como a nível físico. Pelo que as mulheres deixam de ser mulheres, e os homens deixam de ser homens para passarem a ser animais irracionais. Mas as mulheres não lhes ficam atrás, e tendem em querer dominar a opinião dos homens, do seu marido ou namorado, porque se acham no direito de usar e abusar do poder que nunca tiveram. Sou contra. Tanto ela como ele têm direito a expressarem-se, mas não de comandarem, manipularem ou criarem jogos e guerras psicológicas. Duas pessoas inteligentes têm uma relação inteligente. Consciente.

O problema de hoje, não vem só da sociedade, apesar de ser implementado com ajuda dela. O problema vem de uma geração de des-educação. Um grave problema de sentido de responsabilidade que os pais não querem assumir. Porque se os pais dessem uma educação de consciência, de respeito por si próprio e de auto-reflexão. Se dessem uma educação, não baseada nos padrões definidos pela sociedade, mas por eles próprios, não haveriam raparigas a olhar para fotos de modelos, a anorexia ou a bulimia deixariam de existir.
Como prova do deficiente e doente molde de corpo perfeito que foi criado e impregnado na sociedade pelas grandes empresas de moda, é a existência do grupo Pro-Ana. Que é a favor da anorexia extrema e descontrolada. Onde raparigas tomam laxantes e a única coisa que comem é verduras e muita água. Fazem as necessidades sempre antes de se pesarem, pois sabem que as fezes e a urina acrescentam pelo menos 2 ou 3 quilos.
O problema persiste nas revistas, como as que referi acima. Uma revista académica que incentiva às práticas de criar uma mulher totalmente falsa, quer de beleza quer de confiança. Uma revista que continua a vender os padrões tecidos pelas grandes empresas de cosméticos.
Publicidade como a da Yorn ou do TAG, que mostra uma mente irreverente, de excessos e com a ideia de que a vida deve ser "vivida ao máximo". Pensar no agora e deixar o futuro para depois. Fazer agora e pensar nas consequências depois. Agir primeiro, reflectir depois.
Porque só se deve começar a pensar em cuidar de um filho quando ele nos aparecer nos braços. Só se deve preocupar com certas coisas quando se chegar à altura.

O problema das pessoas, é acharem que tudo é um dado adquirido. Não querem saber porquê, quando surgiu, como foi inventado, porque é que é assim e não de outra maneira. Um pouco como o que aconteceu com o livro "As 50 Sombras de Grey", que de um momento para o outro foi um sucesso de vendas e que toda agente andava a falar dele. Pois é mentira. Foi uma estratégia de markting para vender um livro que foi criticado duramente por ser algo como o Twilight mas para mulheres adultas. Implementaram uma mentira nas capas do livros com os post-its a dizer "Sim, este é o livro de que todos andam a falar", e na verdade, ninguém conhecia o livro, e no entanto já era um sucesso de vendas.
É com mentiras destas que a mente das pessoas é manipulada e configurada. Paul Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazi de Adolf Hitler, tem uma das frases mais célebres, que é hoje em dia utilizada pelas grandes empresas que querem esconder ou omitir algo que poderia significar perda de mercado ou desestabilização social.

"Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade."
"Torne a mentira grande, simplifique-a, repita-a, e eventualmente todos irão acreditar nela." - Adolf Hitler

Neste caso, a grande mentira é oferecida às mulheres, com as grandes publicidades de roupa, moda, beleza, fisionomia. Até a lingerie é vendida apenas até um certo tamanho para as obrigar inconscientemente a perderem peso, a fazerem dietas e se sentirem feias ou indesejadas, gordas ou com peso a mais, para comprarem produtos e dietas de que não precisariam se não fossem tão fáceis de manipular. E afirmo-o que o são, pois mais de 80% de pessoas religiosas, são mulheres. Basta sintonizar na TVI e ver a missa do Domingo para ter essa resposta.
Uso também as novelas para provar que as mulheres são as que mais se deixam envolver por assuntos sociais que em nada enriquecem as suas capacidades cognitivas, mas sim, que apenas destroem a imagem que têm de si e dos que as rodeiam. "O divórcio em Portugal..."


E agora? Estás "Pronta para arrasar?"

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A geração anti-pedagógica...


O desemprego voltou a subir, mas desta vez alcançou quase 2 000 000 (2 milhões) de desempregados! 655 000 estão inscritos no centro de emprego e 50% são licenciados (325 000).

Se já dizem que no século 21 existem mais licenciados de que há registo, também existe maior taxa de desemprego para os mesmos. Têm um curso mas não têm emprego. Em portugal estamos a enfrentar um problema pelo qual a França já passou em 2006, se não me engano. Mas lá está, num país cujos agricultores são pagos para não produzir e assim deixar portugal dependente de produtos externos que podiam muito bem ser colhidos por cá, continuamos o mesmo país em crise à mais de 30 anos que não avança nem deixa avançar.


Li num video do youtube um comentário que fala sobre as gerações. E era algo mais ao menos assim:
Cada vez que surge uma nova geração, ela fica pior que a anterior! Mais burra, mais malandra, mais inculta, mais fria, mais distante, menos amor, menos paciência, menos capacidades.

E ele tem razão! Vi o trailer do "novo" filme sobre a Lagoa Azul, e li alguns comentários, apesar de não ter sido necessário, mas enquanto via o trailer percebi que aquele filme não seguia o mesmo amor e carinho que os 2 primeiros criaram. Apercebi-me então que o amor como o conhecíamos e via-mos nos filmes antigos, como o muito célebre Feiticeiro de Oz, tem os seus dias contados, já Fernando Pessoa dizia o mesmo num dos seus poemas. Sim, o amor começa-se a perder neste ambiente cada vez mais urbano e industrializado, onde tudo envolve tudo, onde tudo se embrenha em tudo. Em que o esforço que se faz numa relação é canalizado única e exclusivamente para os dias de festas ou quando o espírito anda de sorriso.
No mesmo sentido, a propósito do seguimento da falta de amor de uma geração que caminha para o seu colapso e para a destruição do mundo, onde todos têm tudo, ou não têm nada. Onde os ricos gostam de se mostrar mais ricos e os pobres de se fazerem de coitadinhos, e outros pobres de lutar pela sua vida, vem o novo reclame do "Regresso às aulas" do Continente. Quando o ouvi pela primeira vez, colei os olhos no televisor, fiquei a ouvir a pior música que mais irrita ouvir onde quer que passe, uma música de merda, ainda pior, cantada por um garoto de merda.
Que merda é esta meu? Agora os putos lutam através do estilo? Lutam uns com os outros para ver quem tem mais e melhor? Quem vem vestido com as melhores marcas e o melhor material escolar? Para onde caminha esta geração? Para um colapso de mentalidades. Vamos ver daqui por uns 10 ou 15 anos, adultos que não sabem ser adultos, e pior de tudo, que nunca foram crianças. Que, como referi acima, sempre tiveram tudo, pediram tudo, que se acham os melhores por terem estilo, por terem um carro (pago pelos papás), o 12º ano sem nenhuma aptidão nem valor para acrescentar ao mundo. Acabaram de testemunhar, com este video, a geração de merda, os pais de merda que temos, a publicidade de merda que existe, os programas e educação de merda que se espalha por todo o lado, e os futuros pais que irão pisar este país quando os nossos filhos nascerem. É a geração de merda dos morangos com açúcar. A geração de merda dos ipads, iphones, smartphones. Têm tudo mas não têm nada. E a 99% falta-lhes a inteligência. E vamos ser sinceros, sempre lhes irá faltar inteligência e maturidade, para além da consciência, educação e capacidade cognitiva.

Voltámos ao estatuto do "Sr.doutor" só porque um tem e pode ter mais do que os outros? Voltámos ao tempo em que os ricos se voltam a achar superiores? Intensificámos a "preocupação" que os garotos têm por tudo o que é de marca? Em que criticam e falam mal dos que não têm só porque podem ter, comprar e pagar as roupas de marca? Como apareceu uma vez numa reportagem onde crianças se preocupavam mais com as roupas umas das outras do que em brincar.

Estamos a entrar, se bem que eu acho que já entrámos à alguns anos, numa geração Anti-Pedagógica. Uma geração que só se vai preocupar com os filhos e o seu futuro, de forma consciente, se é que serão pessoas conscientes o suficiente para perceber e se preocuparem com isso, quando engravidarem as namoradas ou quando tiverem o filho nos braços. Ai sim, começam a ler alguns livros, a falar com alguém, a interagir com o filho dos outros, vão a psicólogos e a consultas de aconselhamento e planeamento familiar porque na verdade, não sabem ser pais. Eu não sei ser pai, mas pelo menos preocupo-me à muito mais tempo. Uau, estou-me mesmo a armar em bom e importante não estou? Bem... não, mas também depende da perspectiva. Pode ser que com este texto consiga abrir os olhos a alguém e ela passe para o lado dos bons.

Uma coisa que devia existir, e digo isto porque eu não sei se existe, era um psicólogo de família. Tal como existe um médico de família, devia existir um psicólogo de família. Porque pagar para tentar resolver ou conversar um problema familiar é algo absurdo. Ainda assim, acho que seria um caso perdido porque muitas pessoas nem sequer percebem o que se lhes está a dizer.
Esta geração não precisa de psicólogos que os acompanhem, não precisam de dinheiro, iphones, modas e cursos universitários, precisam é de aprender a ter humildade. Aprender a respeitar os outros. Aprender a dar valor ao dinheiro. E os pais precisam de aprender a dar valor aos filhos. Os pais precisam de aprender a ser pais. Porque esta geração Anti-Pedagógica, que não quer nem se preocupa em educar, e em ser educada da maneira correcta, vai trazer muitos problemas para o futuro de portugal. Porque se estas gerações em que vivemos e estamos a criar, já são um problema, onde alunos batem em professores, agridem outros alunos no meio da rua, em que o número de agressões cresce de ano para ano, entre alunos e alunos e entre alunos e professores, a próxima geração que vier será das piores de que há memória, e aí sim, vão todos pedir para que Salazar volte. Para que bater nos alunos seja uma lei ou uma regra e um direito dos professores. Já o era à dezenas de anos. E não falo em agressão pura e dura, mas umas palmadas nas mãos nunca fizeram mal a ninguém. Eu levei a minha dose, fui chamado de ignorante por professores e já falaram mal para mim, porém, não é por isso que deixo de ser quem sou, com interesse por documentários, filmes, livros, artigos de revista, estatísticas e estudos científicos. Não deixei de ser quem sou, nem me tornei mais agressivo por os meus pais me baterem na altura correcta, os professores me ralharem, me darem uns "carlassos", por sofrer de bullying na escola. Não deixei de ser quem sou, aliás, sou quem sou por tudo o que me aconteceu. E ainda que me aconteceu grande parte das coisas, para ser um testemunho para os meus filhos e eu próprio não me ficar a perguntar para o resto da vida, como seria se eu fosse vitima de bullying? Violência escolar. Assim já sei.

Adoro o meu país! E o futuro dele? Ui! Até choro de tanta alegria.... Vocês não?
Os meios de comunicação criam cópias, modas, mentes espelho, personalidades falsas e sem valor. É esta a nova geração. Uma geração de repetidores e não de criadores.

domingo, 29 de julho de 2012

A diversidade humana...


Bem, em primeiro lugar o titulo não era suposto ser "A diversidade humana" mas sim "A diversidade animal", mas percebi que com este ultimo nome ninguém se iria interessar em ler. Se é que na verdade alguém se interessa. Tal como já referi noutros textos, isto não é para vocês, é para mim e quem quiser aprender ou reflectir sobre as coisas que eu aqui exponho de outra maneira e perspectiva diferente.

Todos sabem, ou já ouviram falar, da diversidade animal. Não só numa diversidade de vida, répteis, mamíferos, insectos, vertebrados (peixes), mas também a função que cada existe dentro de cada espécie. Se falarmos em Abelhas ou Formigas, conhecem-se funções tais como: soldados, rainhas, operárias, entre outras.
Nos mamíferos, acontece +/- o mesmo mas de maneira diferente, todos ajudam. Os machos desempenham o papel deles e as fêmeas a mesma coisa, mas quando se trata de vigiar, caçar, cuidar, ensinar e educar, quase todos têm assumem esse papel. Se pensarmos nas Suricatas, em que o nosso sistema social evoluiu do deles, reparamos que todos podem assumir tarefas diferentes ao longo do dia. Tanto podem estar de vigia naquele momento, como podem ir caçar, guardar as crianças ou escavar uma toca.
O mesmo acontece com os humanos.

Todos assumimos uma tarefa, uma "especialização", uma profissão. Trabalhamos e estudamos para assumir essa tarefa. Especializámo-nos em criar algo que ajude um conjunto de outras pessoas e como recompensa receber dinheiro por isso.
Porém, acontece algo ainda mais interessante que nem todos se apercebem. A própria mentalidade humana tem a tendência em se juntar a outro tipo de mentalidade. O que quero dizer com isto? Bem, vou tentar explicar. De uma amiga ouvi dizer que as raparigas novas procuram um macho, um homem dominante, alguém forte. E que os homens procuram uma rapariga nova que podem proteger. Pessoalmente não gosto, não apoio nem é a minha ideia ou vontade como "macho". "A selecção sexual..."
A única estatística que conheço que me ajuda a comprovar de que certas especialidades se juntam com outras especialidades, é um post que vi num site de humor brasileiro, "Casamento perfeito", em que os Engenheiros Informáticos se juntavam a Psicólogas, ou Psicólogos se juntam com Engenheiras Informáticas.  Estatisticamente, no site, isso está comprovado, o que me leva a afirmar que acontece com outras "profissões", neste caso, especialidades.

Mesmo não falando desta estatística, todos sabemos que o ser humano é o único animal do mundo, obviamente devido à sua grande capacidade cerebral, que possui o maior numero de tarefas. As chamadas profissões como falei atrás, explica que ao longo dos tempos fomos criando soluções aos problemas que encontramos na nossa sociedade. Se juntarmos um conjunto enorme de animais num único local, o mais provável é não "evoluírem" de forma ordeira ou se quer evoluir. Falei atrás da nossa capacidade única e extraordinária de olhar para um objecto ou até mesmo de o criar e durante o seu período de utilização aperfeiçoamo-lo. "O que faz dos humanos, humanos?"
É essa a razão de termos uma vasta diversidade de tarefas; Porém, com a sociedade que existe hoje em dia, essa diversidade começa-se a centrar em especialidades mais "atraentes" psicologicamente.
Segundo Ken Robinson, que já participou em TEDTalk, a nossa sociedade tem-se concentrado nas linguas, matemática, enquanto arte e musica estão no fundo da pirâmide. "Ken Robinson says schools kill creativity"
Diz ainda que daqui por uns anos, teremos mais formados do que em toda a história da humanidade, e a única função que as universidades têm, é criar pessoas para darem aulas. Não criam profissionais, criam repetidores. A meu ver. Por isso, a diversidade humana é cada vez menos valorizada. Algo incrivelmente valorizado hoje em dia, é estudar algo numa universidade que tenha saída no mercado. Não é estudar algo que se goste, é estudar algo que tenha saída. É por isso que existem médicos tão frios nos nossos hospitais. Especialistas que não sabem ser parte de uma sociedade. De pessoas infelizes com o curso que tiraram ou com a profissão que seguiram só porque lhes garantia dinheiro. É por isso que grande parte da população portuguesa espera pelo fim-de-semana, para escapar ao inferno que é o seu trabalho, um trabalho que não escolheram por vontade mas por dinheiro. Sei que hoje em dia todos tentam arranjar qualquer coisa, mas  falo dos "profissionais" no activo há já vários anos.
Pensem nos professores. Quantos professores interessantes, motivadores e que explicava bem a matéria conheceram? Um? Dois? Mas nós não temos só um ou dois professores, temos 8 ou 9! Professores que nos tratam mal, que não incentivam, que nos obrigam a decorar e a fazer trabalhos que só queremos deitar pela janela. Esses, não são professores, são pessoas que se especializaram numa área à procura única e exclusivamente numa coisa, dinheiro! E existe esse tipo de gente em todo o lado. Por muito difícil que pareça.

É importante haver diversidade de talentos, é fundamental abrir-lhes os horizontes. Se todos fossemos para médicos, não haveria casas, se todos fossemos para economia, informática, gestão empresarial, psicologia, contabilistas ou advocacia, não haveria músicos, dançarinos, escritores, não haveria filmes, realizadores, editores de imagem, de som, fotógrafos, cientistas, físicos, biólogos, e os edifícios antigos não ficariam de pé, se não houvessem , não compreenderíamos a nossa história sem os historiadores. Não haveria pratos onde comer ou fazer o comer, se não existissem escultores, não haveria colheres, facas, nem revistas... não haveria roupa diferente sem designers de roupa.

"Hoje em dia, não haveria fraldas descartáveis se não tivéssemos ido ao espaço. Não haveria telefones sem satélites.

É importante haver diversidade. É importante dar às nossas crianças a melhor educação e também prepará-las para a o "mundo lá fora". Mostrares-lhes de que podem seguir o sonho delas sem se sentirem pressionas por barreiras ou medos."
Fonte: "Crianças sem sonhos..."

Algo fundamental que devemos ensinar aos nossos filhos, é a de que podem ser o que quiserem, ganhem muito ou pouco, haverá sempre algo que podem fazer. Tal como disse Miguel Gonçalves em "TEDxO'Porto 2012 - Miguel Gonçalves":

"Da próxima vez que os vosso filhos chegarem a casa a dizer que querem criar o Twitter 3.0, não se riam deles! Perguntem-lhes o que é que eles precisam!"
"Da próxima vez que o miúdo chegar a casa a dizer que quer ser o melhor aluno da turma, não se riam dele! Porque é a pior coisa que podem fazer! Empurrem-nos para a frente! Porque querer ser o melhor do mundo, é bom! E as pessoas que querem ser as melhores, não deviam ter a mania, deviam ser aplaudidas. Porque é preferivel querer ser o melhor e não conseguir, do que ser morno a vida toda!"

Com a mentalidade que existe em portugal, uma mentalidade de velhos num país que quer evoluir tecnologicamente. Num país de velhos num país que quer evoluir social e culturalmente, para além de querer poder ter outras visões e partilhá-las. Sim, realmente é difícil seguir uma funcionalidade, tarefa de sonho num país como este, onde a primeira coisa que se pensa é o dinheiro. Quando é para casar, os papás e os avós começam logo a pensar no carro que o namorado ou a namorara tem, nas casas que os pais dela tem, se têm dinheiro, se têm terreno, se têm quintas, casas de férias, cavalos, empresas. Deixamos de viver de uma forma natural, de uma forma instintiva, para viver de uma forma destrutiva para a humanidade. Pessoas são a pior evolução que o humano tomou. Para além dos grupos "sociais" que existem, dos burros e dos inteligentes, são o esgoto, são o esterco. Poluem o mundo cientifico e inteligente, da mesma maneira que os religiosos o fazem. A diversidade humana, tem realmente coisas muito boas, mas a sociedade só se interessa pelo que é modelável, no que podem tornar em moda, de controlar, de vender. E é triste ver um planeta com incríveis seres humanos, ser destruído e poluído como tem acontecido.
A diversidade humana perde o valor nas tarefas que realmente importam. Se algo não tem saída, cortamos o cordão umbilical e atiramos os formados e especializados para o rio, de perna atada a uma pedra pesada para que morram sufocados pela impossibilidade de não arranjar emprego. Mas o mais interessante é que as universidades que fornecem cursos já sem saída, continuam de portas e vagas abertas! Obviamente porquê? Porque sabem que pode sair de 80 alunos um aluno muito bom, que irá conseguir emprego. Mas todos são bons! O que um não tem, o outro pode ter às carradas! E o ser humano não trabalha melhor sozinho, trabalha em conjunto! É por isso que precisamos de pessoas qualificadas noutras áreas para manter uma pequena loja ou um escritório a funcionar. Mesmo um laboratório. Nada se vai limpar sozinho! Os canos rotos não se trocam sozinhos. As cadeiras não se montam sozinhas, nem as prateleiras, ou uma casa.
É mau ir para pedreiro? É, é um trabalho que requer muita força física, mas não significa que seja um trabalho mau, porque até é mais bem pago que um professor. E quem limpa sanitas ou varre o lixo na rua, devia ser desvalorizado pelo que faz. Sem essas pessoas, estaríamos rodeados de ratos, doenças, lixo, infecções e de ar venenoso.

A diversidade humana é importante para manter o mundo a funcionar correctamente e de forma saudável. Pois da mesma maneira que existem várias espécies no mundo que têm uma função diferente, instintiva e naturalmente enraizada no seu corpo e mente, são importantes para todo o eco-sistema que vive e respira de parasitas, presas e predadores. Mesmo as plantas têm funcionalidades diferentes, mesmo nós não nos apercebendo-nos disso.
Não é uma evolução que surge pura e unicamente para satisfazer as nossas necessidades. E quando falo em evolução falo em adaptação, que foi essa a razão principal da evolução em primeiro lugar.
Existe um diversidade de funcionalidades entre animais, pois todos agem sobre um único solo, e diversidade de tarefas. Tanto existem abutres que são necessários ao meio-ambiente, pois sem eles no mapa das espécies, e uma pequena área poderia tornar-se mortal. Não têm mais nenhuma funcionalidade, mesmo socialmente, para além dessa. Só fazem isso e nada mais. Mas depois temos as Suricatas que podem assumir vários papeis na sua "comunidade", no grupo ao qual pertencem.
Algo que nos diferencia destes pequenos mamíferos, é a nossa capacidade de criar "profissões", tarefas que nos ajudam a evoluir psicologicamente. Como é o caso de estudar as estrelas e o universo com a ajuda da matemática e filosofia. Criámos áreas que nos ajudaram intelectualmente a crescer, a ver o mundo e tudo o que nos rodeia de uma forma muita mais detalhada e pormenorizada. Não nos cingimos só às tarefas básicas do ser-se professor, curandeiro, agricultor, guerreiro e rei.

Quanto mais evoluímos, mais especialidades tenderemos em criar. Mas serão valorizadas com tempo?
Pensem um pouco... de que precisam os leões de se preocupar com o lixo que fazem, se não usam plástico nem outro tipo de materiais? Tudo o que usam, falando agora do macacos, são paus e pedras, e isso já existia na natureza.
Deixem uma criança crescer, vejam-na crescer, e verão que irá tentar arranjar soluções para os mais variados problemas. Irá perceber com o tempo de que se não tem um terreno para fazer crescer alface, terá de ir ao supermercado ou à vizinha comprar ou pedir. Que se não tiver ovelhas, terá de ir às lojas comprar lã. Se não souber cozer, terá de pedir a uma costureira (penso que é este o nome), ou ir a uma loja de roupa comprar uma camisola já feita. Mas o ser humano não é o único com a capacidade de tentar resolver problemas, os macacos também o são, ou os polvos, e até os golfinhos, ou as baleias. Mesmo as técnicas de caça dos leões são soluções a problemas que encontraram durante a sua evolução.
à milhares de anos corríamos com pedras e paus na mão, hoje já nos basta uma espingarda e uma boa pontaria para ter o comer no prato sem grandes correrias.

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http://www.ted.com/talks/elizabeth_gilbert_on_genius.html http://www.ted.com/talks/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html http://www.ted.com/talks/janet_echelman.html http://www.ted.com/talks/sir_ken_robinson_bring_on_the_revolution.html

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Crianças sem sonhos...


Hoje em dia, as crianças têm um papel mais importante na vida "social", no seio familiar, para um pais, do que tinha antes do fim do século 18. Pelo qe vi num documentário francês sobre a criança.

A importância da criança para o país, a longo prazo, e a compreensão de que cada criança é importante e não deve ser rejeitada, que deve ter educação, uma boa alimentação e saudável, "começou" na Inglaterra numa altura em que não havia rapazes para combater na guerra. Esta transformação da visão que as pessoas tinham sobre as crianças, alterou-se quase repentina-me. Fábricas começaram a surgir para criar brinquedos, roupas. Se as crianças fossem saudáveis e vivessem mais tempo, significa que haveria mais soldados prontos a combater. Na altura em cada 10 crianças, 9 não chegavam à idade adulta.
Foi necessário esta mudança para que a criança tivesse um significado profundo para o futuro do país. A criança tinha agora uma família, e era importante. O seu futuro era importante.

A igreja foi a primeira a denegrir os actos de "poligamia", filhos ilegítimos e bastardos. Tudo o que não provinha de um casal de duas pessoas, era considerado algo terrível. Essa ideia dos casamentos monogâmicos, só surgiu perto dos finais do século 12, onde as igrejas se começaram a fartar de ver tantas crianças entrar nas igrejas, deixadas ao abandono.
A relação entre pais e filhos nessa altura era fria, sem amor e carinho. Os bebés morriam prematuramente, e em cada 8 crianças que uma mulher pudesse ter, apenas 4 deles, com muita dificuldade, conseguiam chegar à adolescência. Não só devido às doenças, mas também à falta de dinheiro, de comida para puder sustentar.

Na roma não havia quartos, nem portas. Comiam todos juntos, não havia mesas separadas. Faziam as necessidades todos juntos, fazem sexo todos juntos, e dormiam todos juntos. Não existia a palavra vergonha. Tudo se fazia sem pudor.

Também é importante referir que Napoleão Bonaparte, foi um dos principais "criadores" das educação obrigatória. Todas as crianças deviam ser alfabetizadas, irem à escola. Criou o sistema "nacional" de saúde como hoje o conhecemos, todos têm direito à vacinação. Implementou um sistema de canalização, para que todas as pessoas tivessem direito à higiéne. Não foi um monstro, foi um revolucionário. Odiava a sujidade.

Hoje as crianças são educadas para serem formadas, terem um curso universitário. Não nego a escolaridade obrigatória até ao 12º ano, mas sermos quase que obrigados pela sociedade, pais, amigos, familiares, vizinhos, revistas, músicas, filmes e televisão, a tornar-mo-nos em doutores, e engenheiros, torna a nossa existência, a existência do ser humano, numa brincadeira para com as nossas capacidades únicas como seres inteligentes e curiosos que somos por natureza.


Estamos a esmagar a criatividade e a originalidade que todos temos, porque o que nos ensinam na escola, única e exclusivamente, é: "Se errares, se não estudares, nunca vais ser ninguém na vida!", "Errar é errado e deves ter medo!".

O que nós, pais e professores, devemos fazer é precisamente o contrário! Devemos ensinar aos nossos filhos que errar é apenas mais um processo de aprendizagem. E não estou a falar do fazer algo errado como roubar, matar, bater, insultar... Falo de que não devem ter medo de cair, nem de ter vergonha por dizerem algo. Que não devem ter medo de errar a uma conta, a ler, a escrever, a Aprender. Não se deve dizer que é errado interpretar algo de uma forma totalmente diferente da que os próprios professores ensinam. Óbvio que ajuda à percepção, mas até eu às vezes tenho algumas dificuldades. Não é errado brincar com bonecas, com carros, com camiões. Não é errado nem devem ter medo de chorar, de desabafar, de serem diferentes! E do que a sociedade se aproveita, é da "facilidade" com que as crianças são influenciadas, pois tudo à sua volta lhes diz o que devem fazer, como fazer, o que dizer, como serem, como agir, como escrever, o que escrever, o que dançar, o que não dançar, para criarem grupos de crianças às quais consigam vender. As modas das roupas são o melhor caso, e o pior deles todos! A moda da música, demonstra que o cérebro das crianças não evolui segundo elas mesmas, mas segundo a maneira que as empresas querem que cresça. As crianças de hoje são controláveis!! E isso é um perigo!

Acabou-se com a diversidade de habilidades que cada pessoa tem, para só se aceitar na sociedade pessoas com capacidades "normais" e que estejam dentro dos paramentos normais de um país/empresa. Dá-se tão poucos créditos aos cientistas, aos fisicos, aos filósofos, inventores, camionistas, pedreiros, electricistas, mulheres a dias, empregados de mesa, empregados de balcão, linguistas, tradutores, controladores de tráfego, escritores.... pessoas muito mais importantes do que aqueles estudantes que acabam de sair quentinhos da universidade!! Porque quem lhes limpa as sanitas, são pessoas importantes, quem lhes fez a casa, quem faz a instalação eléctrica, que limpa as ruas, quem lhes diz o que tomar para a dor de cabeça ou para as dores de garganta, se calhar, e muito provavelmente, é muito, e são, muito mais importantes do que um engenheiro. E no fim de tudo, tudo se conjuga, mas quem fica com os louros todos, são aquelas ovelhas, padronizadas e moldadas à sociedade de hoje.

Nós estudamos para termos um emprego, trabalhos para ter dinheiro, temos dinheiro para comprar comida, compramos comida para sobreviver! A nossa "vida" perfeita como a desenhamos, toda esta sociedade, este consumismo, modas, e publicidade são apenas e só, uma maneira de nos controlarem enquanto população, e para nos entreterem o cérebro. Todos os dias somos bombardeados com publicidade para comprar isto e aquilo. Nós vivemos para trabalhar! E trabalhamos para sobreviver!

E o que devia ser feito, era cortar em todos os impostos que existem, e tudo o que se quisesse-se criar, construir, adquirir, inventar, fazia-se! Sem se pagar um tostão! E se essa prática existisse em todo o mundo, acreditem que à mais de 100 anos que estaríamos tecnologicamente e medicamente mais avançados. Mas é por sermos controlado por todo um conjunto de factores, desde o dinheiro à ideia que "auto-satisfação" que nos impingiram ao logo dos vários anos da nossa vida, somos meras ovelhas que apenas se podem tornar diferentes sem muito exagero, ou sem sair muito do carreiro.
O que estamos a fazer neste momento, é a criar crianças sem qualquer tipo de felicidade. Crianças sem originalidade ou talento, sem criatividade. E isso é um problema grave para o futuro das nossas gerações, pois perdemos tudo aquilo que nos define como humanos. A criatividade.

Precisamos de reestruturar a educação que existe nas escolas. Introduzir a dança, as artes, a música. Digo isto porque na minha altura tudo parecia durar pouco tempo. A música devia fazer parte do infantário, Mozart, Beethoven, entre muitos músicos. Ouvirem histórias ao som de alguma música, ouvirem poemas e incutir-lhes a leitura desde cedo, tal como a dança deveria ser algo natural e não programado para qualquer que fosse o dia da semana. A música devia ser algo natural, estar presente nas brincadeiras. Dar e criar espaço para que as crianças possam voar.
Deixarem folhas e lápis de cores disponíveis, deixarem instrumentos de música e puzzles. Iriam fazer barulho?! Iria parecer que tinham começado uma revolução ou estoirado alguma guerra, mas seria importante que fossem livres! Porque não é o barulho que os vai fazer ficar surdos ou desrespeitadores, é a falta dessa liberdade que cria pessoas frustradas, stressadas, infelizes com as escolhas das suas vidas. Toda a criança é um terreno fértil para cultivar e manter em máximos cuidados. É importante também dizer, que se deve "sempre" incentivar a criança a ser autónoma e auto didáctica. Que por auto-recriação queira aprender, conhecer mais, ir mais longe, subir ou descer um monte de areia, sem medos, sem receios. Todas devem ter o direito, a liberdade e a disponibilidade de poderem crescer com todas e quaisquer influencias. Porque nem todas têm a disponibilidade de crescerem por falta de pais em casa ou de uma entidade que saiba e compreenda o que é ser criança, e o que é cuidar de uma mente tão jovem e entusiasmada como a de uma criança... é um assunto que deve ser levado a sério, e algo que não deve ser posto de lado até à altura do parto. Todo e qualquer pai, deve ter a consciencia de que para um filho ser e permanecer "humano", feliz e capaz de se compreender a ele a ao mundo que o rodeia, é necessário muito mais do que apenas carinhos, é necessário estar presente, e dar-lhe o maior número de experiências que ele conseguir compreender e perceber. Um bebé não compreende uma paisagem, mas é importante sair com ele e mostrar-lhe, e atenção!, expo-lo aos sentimentos dos próprios pais. Permitir que os bebés explorem o som da natureza, do vento, das folhas, das árvores. Proporcionar-lhes um local, em casa, ou fora dela, de aprendizagem.

O cheiro influencia, a música de fundo influencia, as emoções dos pais influencia, as cores, os brinquedos, os sons, o calor, o frio de uma divisão, a presença dos pais na mesma sala onde brinca ou dorme o bebé. As histórias de dormir, a alimentação, os banhos, os tpc's, os amigos, os animais domésticos, os tapetes, o chão de tacos ou de azulejo, a banheira, a roupa e o cheiro do champô... tudo influencia a mente de uma criança. Não podemos que tudo se realize como idealizamos, mas podemos ajudar os nossos filhos a serem mais felizes, inteligentes, educados e capazes de concretizar os seus sonhos.

Um grande problema que as crianças enfrentam hoje na nossa sociedade, é o tempo. A falta dele para ser mais concreto. Hoje em dia, as crianças não têm tempo para serem crianças! Depois da escola vão para ATL's onde fazem os deveres, e não têm muito tempo para brincar. Têm actividades. Têm espaço para brincar, mas será o espaço mais adequado? Lá! Nos ATL's, todas são educadas e ensinadas da mesma maneira, mas não com o mesmo tempo. Não existe um espaço onde a criança possa realmente brincar, aprender ou desenhar e até mesmo comer ao tempo dela. Não digo que não se deva puxar mais por alguém, mas faltar-lhe com as ajudas é que não!
-- "Ou és como os outros... ou és um inadaptável que vai ter problemas para o resto da vida!"
É isto que ensinam! É isto que dizem às nossas crianças! E isso é um problema muito grave!
Porque para além dos ATL's para lhes ocupar o tempo "livre", aos fins de semanas, os pais colocam-nos nos mesmos ATL's, ao cuidado de avós, ou em actividades como os escuteiros, catequese, igreja, futeboll, etc etc... quando se calhar, o que deviam fazer com os seus filhos era ir passear, ainda que alguns pais não possam, passear pelo parque, castelos, monumentos, algo lúdico e educativo! Os escuteiros também ensinam muita coisa, mas num local onde se usa uniforme, para além de introduzirem a "disciplina" e a "ordem" nestas crianças desde cedo, obrigam-nas a serem iguais às outras.

Neste pais, as próprias crianças, chegam ao ponto de se preocuparem com as roupas umas das outras, como referi num texto anteriormente. A sociedade ainda não compreendeu a necessidade real que as crianças têm para o futuro de tudo. Quer dos próprios pais, quer do país e do mundo!
É importante haver diversidade de talentos, é fundamental abrir-lhes os horizontes. Se todos fossemos para médicos, não haveria casas, se todos fossemos para economia, informática, gestão empresarial, psicologia, contabilistas ou advocacia, não haveria músicos, dançarinos, escritores, não haveria filmes, realizadores, editores de imagem, de som, fotógrafos, cientistas, físicos, biólogos, e os edifícios antigos não ficariam de pé, se não houvessem , não compreenderíamos a nossa história sem os historiadores. Não haveria pratos onde comer ou fazer o comer, se não existissem escultores, não haveria colheres, facas, nem revistas... não haveria roupa diferente sem designers de roupa.

Hoje em dia, não haveria fraldas descartáveis se não tivéssemos ido ao espaço. Não haveria telefones sem satélites.

É importante haver diversidade. É importante dar às nossas crianças a melhor educação e também prepará-las para a o "mundo lá fora". Mostrares-lhes de que podem seguir o sonho delas sem se sentirem pressionas por barreiras ou medos.

Uma criança sem sonhos, é uma criança sem futuro e sem vida. Uma criança com medos e incertezas, é uma criança que desconhece o que é ser feliz e viver feliz.

Nós criamos bebés! Não criamos adultos!
Nós ensinamos crianças! Não criamos engenheiros!
Porque quando alguém segue para a universidade, essa pessoa está a seguir um sonho pessoal e não uma obrigação de estatuto pessoal imposta pela sociedade. Ou pelo menos assim devia ser.

Sem liberdade não há grandes génios. E a liberdade, como já foi referida, é algo muito importante em ter em conta quando introduzirmos as mentes das nossas crianças à diversidade de experiências, quer sejam físicas, olfactivas, visuais, auditivas ou paladar que a natureza nos proporciona.

Nós não somos o "mundo", apenas vivemos na natureza, em caixas de betão...


To me, human communities depend upon a diversity of talent, not a singular conception of ability.
"A three year-old is not half a six year-old." They're three.

by Ken Robinson
Fonte: [link]

Ver:
http://www.ted.com/talks/elizabeth_gilbert_on_genius.html
http://www.ted.com/talks/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html
http://www.ted.com/talks/janet_echelman.html
http://www.ted.com/talks/sir_ken_robinson_bring_on_the_revolution.html

http://apluschildrensbooks.com/2011/12/15/tips-reading-childrens-books-aloud-interesting/
http://www.theupbeatdad.com/

sábado, 17 de dezembro de 2011

A velhada...


Noutro dia tinha entrado num autocarro, novo, em fase de testes do SMTUC.
E os condutores trocaram de posição, e então um deles ficou a explicar como funcionava o nosso sistema.

Uma velha muito indignada, e na conversa grita do fundo:
-- Isto faz tempo?
-- Não faz tempo minha senhora, estou apenas a explicar-lhe como funciona.
-- Mas nós temos horários a cumprir!

Este velhos de hoje, parece que não pensam que o pais já não é feito para eles, mas sim para os mais novos. Agora que pensei nisto, hoje vi uma velha a fazer um telefonema, e a mim parecem-me macacos a tentar abrir nozes com iPhones. Não sabem o tipo de tecnologia que está na palma das mãos dela. Não fazem ideia de que as coisas merecem e têm de se adaptar aos cidadãos e não aos seus umbigos velhos.

Este pais não é para velhos!! Este pais é para os mais novos e DOS mais novos!
População mais pobre de mentalidade. Ainda presas ao Salazar e à "nossa" senhora de Fátima...

domingo, 30 de outubro de 2011

Uma vida que marca...


Lembro-me de ser gozado pelo meu nome. (ó motoreta!)
Lembro-me de me sentir inferior na escola, de ter poucos amigos e de ser posto a um canto, pela minha professora.
Lembro-me de ter necessidades especiais na escola, e de ter explicadora na 2ª classe da primária.
Lembro-me de ter chumbado no 2º ano. De me apaixonar por uma rapariga, e de o meu amor não ser correspondido. Miudas ricas de nariz empinado...

Lembro-me de os meus pais me baterem e ralharem comigo, das indecições que tinham um com o outro em eu e o meu irmão fazermos a coisas.
Lembro-me de querer subir o monte e o meu pai deixar, mas a minha mãe aos berros a dizer que NÃO!.
Lembro-me de querer andar à "bulha" (a brincar - a sério) mais o pedro, contra um bando de garotos, e a minha mãe não deixar, e depois passado uns tempos, já dizia que sim.

Uma vida de incertezas...
Lembro-me de os meus pais me ensinarem a diferença entre o E e o P, e nunca a saber, e ficarem chateados comigo.
Lembro-me de me baterem, e de ter saudades deles quando ficava em casa e eles iam trabalhar.
Lembro-me de me assustar uma vez com a máscara que o meu pai trouxe um dia, e de continuar a ter medo durante mais uns 6 ou 7 anos. Tinha medo de a olhar e de tocar.

Lembro-me das minhas "tias", já velhas, que me obrigavam a fazer os deveres da escola.
Lembro-me de elas terem dezenas de puzzles e eu brincar mais o meu irmão.
Lembro-me da atmosfera daquele apartamento que mais parecia uma biblioteca enfiada algures noutro país, entre uma floresta mágica.
Lembro-me de roubar moedas debaixo de umas estátuas... se calhar foi por isso que morreram.
Lembro-me de os meus pais não brincarem comigo. De o meu pai dizer que ía só à casa de banho, e depois nunca mais voltava.

Lembro-me de a minha mãe cantar canções para dormir, enquanto o meu pai andava à caça de um morcego ou de uma coruja.
Lembro-me de a minha mãe e nós, vermos os desfiles de moda, e ela gozar com tudo, e dizer que o que elas traziam na cabeça, parecia um pequnico.
Lembro-me de me chatear com o meu irmão engolir a saliva e eu ouvir.
Lembro-me de sentir estranho, por pensar que toda agente no mundo tinha as orelhas diferentes uma da outra, quando na verdade.... era eu o único.

Lembro-me de todos os garotos na escola já andarem a trocar os cromos dos poquemons, e eu só receber as primeiras 4 saquetas uns 4 meses depois. Lembro-me de essas saquetas trazerem pastilhas, e eu guardá-las para mais tarde.
Lembro-me de brincar na terra, e de arrancar folhas das àrvores do meu quintal, para fingir que eram notas.

Lembro-me de as raparigas não gostarem de mim, e de ter umas paixonetas um bocado esquisitas.
Lembro-me de "sempre" o ultimo a ser escolhido pelos meus colegas para fazerem as equipas.
"-- Escolham-me a mim!! Eu sei que não jogo um peido mas ao menos escolham!"
Lembro-me de ser apontado pelos meus colegas, como a causa de serem sempre eles o alvo dos professores, e a desculpa de se portarem mal.
Lembro-me de ser gozado até aos 14.
Depois na proficional, lembro-me de ser gozado até aos 19.

Lembro-me "dos meus colegas de turma", me atirarem com pedras na estação.
Lembro-me de ter tido uns 8 cães, e todos terem morrido com causas que desconhecia.
Lembro-me de passar toda a minha vida doente da garganta, e de um dia ir para a escola sarapintado de iozina, e os meus colegas gozarem comigo.

Lembro-me de a minha mãe ameaçar o meu pai que queria o divórcio.
Lembro-me de o gritar à nossa frente tanta vez, que acabámos por começar a nem ligar.
Lembro-me de ter escrito uma vez na primária, num caderno, em resposta a uma pergunta:

"O que ouves fora da porta do teu  quarto?"
e de eu responder:
"Ouço os meus pais a ralharem um com o outro".
Lembro-me de o professor (Professor Dias), dizer que não era nada daquilo e apagar-me a resposta.
Depois escrevi o que todos os outros escreveriam:
"Ouço os pássaros a cantar, os carros a passar, o meu irmão a brincar..."
Mas os outros meninos eram todos filhos únicos...

Lembro-me de o professor me bater uma vez com os nós dos dedos na cabeça, mais os aneis que tinhas enfiado nos dedos e eu chorar, porque estava desatento.
Lembro-me de sair a chorar para ao pé da minha mãe, e de ela me dizer:
"E fez muito bem! E está calado se não ainda apanhas mais!!"
Lembro-me de não ser amado pela minha mãe, e ainda hoje tenho dificuldade em ver isso.
Lembro-me de não me sentir amado. De os meus pais me ensinarem a matéria da primária, e apenas do meu pai a explicar-nos a matéria de história numa quadro branco.
Lembro-me de ele me comprar uns brinquedos fiches, e de os arranjar com uns ferros, para não se partirem ou cairem partes do corpo. Os brinquedos que eu tinha...
Lembro-me de nos chamar ao quarto com os livros e de nos ler passagens. De nos explicar o significado.

Lembro-me de inventar uma história e de a mostrar ao professor.
Lembro-me de me sentir inferior e de não perceber as matérias, tão rápidamente como os outros.
Lembro-me de chorar por não conseguir fazer a letra perfeita.
Lembro-me de ser vita de bullying, na proficional, à frente dos meus professores, e eles não fazerem nada quanto a isso.

Lembro-me de os meus pais me contarem o ataque de raiva que a minha mãe teve um dia, e de ela rasgar "todas" as fotografias deles os dois juntos e as atirar da escadas abaixo em pedaços. Tudo porque ele nos queria levar a nós e à mãe dele, ao Portugal dos Pequeninos, mas não termos dinheiro para isso.
Lembro-me de ter medo da minha mãe, e de ela não me desejar as boas noites.
Lembro-me de ser apenas o meu pai a fazê-lo, enquanto a minha mãe se deitava.
Será que nos ama mesmo? Ou amava na altura? É muita coisa para fazer com dois garotos que não paravam um segundo...

Lembro-me de ela me dizer que tinha nascido com um sinal enorme nas costas, e que com o tempo ir desaparecendo.
Lembro-me de a despedirem. Lembro-me de a acusarem.
Lembro-me de um senhora PUTA como à merda, receber mais dinheiro que as outras funcionárias do ATL, e não fazer um peido. Passava os dias todos a limar as unhas.
Lembro-me de ter medo do escuro...

Lembro-me de ter um computador e de não lhe ligar nenhuma.
Lembro-me de uma vez na 3ª classe me calhar o planeta Plutão, e de me sentir bastante bem com a ideia.

Sinto que não vou ser ninguém, e que nem tenho nenhuma missão neste mundo.
Sinto que ninguém liga ao que eu digo, e que não sou importante.

Lembro-me de a minha "tia" morrer, e eu não sentir pena por isso.
Lembro-me depois, aos 18 anos, de sentir a falta delas, e de ter pena por elas não estarem comigo, para verem no que me tornei.
Lembro-me de todos os outros serem especiais e eu não.
Lembro-me de fazer anos no ultimo dia de aulas, e ninguém se lembrar.
Lembro-me de os meus colegas de 18 anos, na proficional, não se lembrarem dos meus anos, mesmo que os tenha avisado no dia anterior.
Lembro-me de os únicos dois ricos e inteligentes da minha turma, na primária, e no ciclo, terem direito a festa de aniversário e bolo na sala de aula, e os outros não.
Lembro-me de não saber inglês.
Lembro-me de calhar em turmas, onde era o alvo de gozo dos meus "colegas".
Lembro-me de ter ódio aos ricos, e ainda hoje tenho.
Lembro-me de o meu irmão me partir uns legos num ataque de raiva.
Lembro-me de ter pedido um quarto só para mim por causa disso, e de ter perdido grande parte das peças.
Lembro-me de ele ser mais alto que eu, de ter mais força que eu, e de uma vez, quando eramos mais novos, chorarmos agarrados.
Lembro-me de ele me ensinar coisas novas, e de ele perguntar à noite:
"-- Está ai alguém?".
Lembro-me de ver filmes de terror, e de sonhar, ainda hoje, os mesmos sonhos de quando era pequeno.
Lembro-me de a minha mãe me ter deixado fumar um cigarro dela, e perceber que fumar faz mal.

Lembro-me de ter vergonha, de ter muita vergonha.
Lembro-me de não ser amado no tempo certo.
Lembro-me de os meus pais me tratarem como uma criança com idade acima da que já tinha. De me tratarem como se fosse mais velho.

Lembro-me de continuar a brincar até aos meus 18 anos, com legos e outros brinquedos.
Sei agora que não tive a educação que devia ter tido. Tive a melhor educação a nivel cognitivo, e que mais ninguém teve.
Sei agora que os meus pais me deviam ter feito esforçar mais nos estudos, a ter uma boa alimentação, a sentir amor.
Sei agora que não devia ter estado esposto às zangas deles, nem às indecisões.

Os meus pais... estavam demasiado ocupados para nós, pois estavam cançados e a trabalhar para não nos faltar comer na mesa, nem roupa.
Mas faltou o mais importante... amor e carinho, e certas regras.

E é por me ter habituado a isto. À falta de várias coisas importantes como o estudar, que hoje tenho dificuldades, e que me estou a cagar para ele, mesmo sabendo que é importante!
Porque para mim, não estudar, é como eu saber que é a terra que anda à volta do céu.
Para mim é tão real não estudar, nem ser necessário esforçar-me, como o céu ser azul.
Mesmo que eu saiba que é importante...


Da mesma forma que eu pensava sobre as minhas orelhas. Acreditava piamente, que TODAS as pessoas no mundo tinham as orelhas diferentes um da outra. Era esse o mundo para mim.
Tal como o é às vezes. E hoje sei que estou errado, por VI que todos à minha volta as têm iguais, e que até são diferentes uma da outra.

Muitas vezes penso que sou metade o meu pai e metade a minha mãe, porque tenho a orelha de cada um. Mas ODEIO ser-lhes igual! ODEIO ser parecido, ou sequer parecer.


"-- Lembras-te de muita coisa ò paulo!"
Não! Apenas sei a vida que tive!! E sei que é por causa disso que sou assim. Estranho e estúpido.
É por saber e tentar compreender o que fui e o porquê, que me conheço. Ou talvez... que me compreenda...
É a forma que tenho em me conhecer e em saber o que deverei SER para que os meus filhos não sejam como eu.
Quero ser para eles, o que nunca ninguém foi para mim...

Lembro-me de o meu pai dizer:
"-- Aproveita para brincar enquanto és novo..."
Falta-me aproveitar a "vida". Falta-me vive-la. Falta-me senti-la.


Eu gosto de mim, mas odeio-me profundamente.