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domingo, 15 de junho de 2014

És o meu presente...



Esta foto, que seguro agora com alguma dor no peito, tinha um significado muito mais forte de quando a tirei. Lembro-me de dizeres, antes de sairmos de casa:
-- Tenho-te uma surpresa. Um requinte bordado em mim, muito antes de ter nascido. Um carinho comprado de trabalho com amor, por alguém que nunca conheci mas que sabia cada centímetro do meu corpo. Alguém que me amou em cada cruzar de linha, e que fiz erguer em cada correcção. Sendo eu perfeita, fiz o escriba aperfeiçoar a sua letra, que um dia pintaria na minha pele um brilho de sedução. A história da minha surpresa, herdada, abria em mim a gaiola que libertou minha mãe, senhora de sabedoria profunda e de um conforto aconchegante. Aqui me mostro, vestida por um Deus, para o dia da minha dança de acasalamento.
Caminhavas pela praia, deixando para trás pegadas que marcava levemente a areia, como um toque no meu corpo. O vestido cozia-se a ti, dando-se em cada movimento, envolvendo-vos de tal maneira, que nenhum poderia viver sem o outro. Era-te uma protecção. Um ornamento cuidadosamente vestido e absorvido pela pele que te compõem fisicamente o Eu. Ressaltava de ti, um Sol tristonho por não poder ficar mais tempo sobre a tua pálida figura. Reflectias-lhe apenas uma imagem angelical daquilo que lhe concedias. Deste-me a mão, entrelaçaste os dedos e sorriste para mim. Beijámo-nos. Tocaste-me o rosto, a barba e acarinhaste a bochecha rosada.
-- Meu querido... Meu amor eterno, de mãos que me afagam a carência. És a razão do meu sorriso surgir quando estou triste, dos gemidos gritarem-me pelo corpo e de um amor pequenino e cuidadoso que se abraça ao meu coração. Todos os dias morro, a cada olhar que te faço e percebo que é mais um dia em que não estarás cá.
Os olhos conteram uma lágrima e ficaste sem expressão. Estavas prestes a chorar, soube-o. Pegaste na minha mão por breves segundos e atiraste-a para as tuas costas, pedindo um abraço. As mãos lançadas ao meu pescoço obrigaram-me a baixar, enfrentando a sereia bela, de olhos grandes focados nos meus. Fechaste os olhos e segui os teus passos. Os lábios secos humedeceram-se, com toque suave e demorado da tua boca. Abraçaste-me com força e ao teu ouvido declarei baixinho:
-- Amo-te! Amo-te! Amo-te! -- ouvi o teu sorriso e senti uma força agarrar-se ao meu tronco. Choraste-nos, pois a perda faz-se acompanhar dos dois e não apenas de mim. Pelos momentos únicos que vivemos e não veremos. A força do Sol embateu numa nuvem e o calor aqueceu-nos as pernas e as costas a partir do chão.
-- Amo-te! -- respondeste-me com um enorme sorriso, de lágrimas já secas e o cabelo entre-cobrindo o espelho da alma. Estava feliz, por ter encontrado o presente do mundo para mim. Dois animais, separados por biliões de colisões, mortes e evolução. Dois seres que desde o inicio do tempo, aguardavam o momento para colidir, viver, evoluir e morrer.

Choro-te, no banco que nos viu crescer...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Clepsidra I


A lua espreitava por entre os cortinados semi afastados entre si, esvoaçando com a brisa quente que fazia lá fora, aquecendo o ambiente do quarto perfumado de incenso. Ouvi a maçaneta da porta, e surgiste por trás dela com um sorriso e o cabelo quase seco depois do banho. Atiraste a toalha para cima da cama e caminhaste confiante até mim. Beijaste-me, enrolando os teus braços à volta do meu pescoço.
«Quero-te…» - sussurraste-me ao ouvido, molhando-o.

Sabíamos que se tratava de uma posse vertiginosa de nós. Querermo-nos em nada constituía Razão, era uma busca infindável daquilo que ultrapassa o mundo lá fora, que observava-mos atentamente. E perdíamo-nos como as luzes movimentadas dos carros e das estações de comboio sobrelotadas.
«Tens-me!» - pronunciei-te igualmente ao ouvido. Passando os lábios pelos teus cabelos cujo aroma se confundia com a fragrância ambiente do quarto. Estava escuro. A minha mente iluminava-se de ti. Nada mais somos do que aquilo que sentimos. Os meus dedos estremecem quando te sinto. Sou o estremecer de ti.
O homem do correio chegara e eu despia-te a pele, afogando-te em pétalas de beijos e abraços por toda a tua essência visível. Ignoramo-lo. Que interessavam as cartas? De que nos serviam as palavras quando nos marcávamos daquele modo tão clemente?
Senti que te escorria veneno por entre as tímidas pernas, enquanto te elevava contra a parede que te arrefecia delicadamente a coluna vertebral perplexa de prazer.

Olhavas-me nos olhos, controlando-me as mãos na parede, impedindo a satisfação do tacto. Beijavas o meu peito, sentindo-o na tua pele suave. Sorriste. Levaste a boca ao meu pescoço e mordeste-o de prazer. Um súbdito acorrentado às tuas garras provocantes que me provocavam numa intensa sedução física. Ajoelhaste vagarosamente, serpenteando o teu peito explícito, acelerando o meu coração. Sentiste-o bater forte e quente na mão, que me enregelou. Lambeste a ponta do gelado e devolveste de novo as minhas mãos à parede. Ergueu-se e caiu sobre a tua língua que o esperava.

O carteiro bateu de novo e vi a sua silhueta afastar-se da porta, espreitando a janela aberta. Não sei o que acreditou ter visto. A tua cabeça movia-se, lubrificando horizontalmente a peça importante do meu ser que te enchia de uma energia invisível potente e carente. Olhei para ti, e vi o azul do controlo penetrar-me. Imóvel, tentando partir as correntes em que me deixavas, ouvia a saliva e o ar sair-te da boca, imitando uma lambidela apressada a um gelado que se derretia nas tuas mãos agora quentes e confortáveis.

O estafeta afastou-se. Finalmente livre, beijei-te a boca, sentindo o sabor que resistia nos teus lábios. Troquei de posição contigo e de mãos no teu peito, acariciei a seda limpa pelo lago de onde surgiste. Beijei-te os seios, saltitando por eles até à barriga, segurando-te firme pelo rabo. Beijei-te o pescoço, acalmando os ciúmes ao irmão do lado oposto a quem dei um presente húmido. Rocei-te a barba na delicada tez de ti e agarraste-te a mim, marcando o momento com os vergões vermelhos da tua suplicia vibrante. Despi no teu peito, uma massagem que te aquecia para uma corrida a que já me havias deixado preparado. Dissequei o teu corpo com a ponta da minha língua e cozi o que restava dele com a ponta dos meus dedos frios que te arrepiavam o sensível paraíso que transformaria o santo que sou num diabo eloquente, incapaz de resistir ao doce carnal que escondias timidamente de mim.

Suspiros. Berrávamos o silêncio que ninguém podia escutar. O libido transportava-se exteriormente às paredes pacatas daquele canto. E o canto das aves apoiava-nos com uma força cobiçada. Deixei-a cair em rios de mim. Os rios levavam ao mar que eu tanto queria mergulhar e emergir nela como se lhe fosse os braços, as pernas e a camisa que agora lhe vestia delicadamente. Escrevíamos rosas e violetas em jarros de porcelana chinesas e as abandonadas camélias invejavam-nos. Adormecermo-nos era como despertar para a realidade que não nos queria felizes. O estremecer transformou-se na clepsidra que indesejavelmente tomava-nos em cada amanhecer da vida. Arcadas de beijos. Também te quero assim.

A respiração soprava ao meu ouvido, cansada. Deitada para mim, deixavas-te adormecer numa morte que nos unia no meio dos lençóis. A temperatura do teu corpo subia em cada pedaço de sonho que partilhavas com um toque brusco dos teus dedos no meu braço. O fogo do meu sangue, extinguia-se, esquecido por mim que te maravilhava a face de sorriso confortável. Ver-te adormecer no meu regaço, ao som mudo que se desligava em candeeiros, transportava-me em viagens cujo único destino seriam os teus braços. Fechei os olhos e adormeci, partilhando um sopro dessincronizado. Toquei-te levemente e ali me deixei ficar.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Desvanece...


Dois corpos, nus na escuridão de um espaço infinito. Abraçados um ao outro, de olhos fechados, sentindo os seus corpos frios, sensíveis. As emoções deslizavam sobre a pele como seda, acarinhando-se mutuamente com os seus dedos melancólicos. Ouvia a respiração dela sobre a dele, arfante, quase como um gemido. Aproximaram-se, sentiu o cabelo dela na sua cara e deixou-se absorver pelas ondas que lhe limpavam a alma, que lhe acalmavam a mente. Afastavam do seu consciente a tristeza de um adeus e aproximavam-se os sorrisos pequeninos da sua mulher, as corridas, as brincadeiras, a comida e as paisagens.
Os pulmões dela encheram-se de ar, beijada no peito, agarrada, acariciada. Deixou-se levar, guiar por entre a erva alta de um prado verde. Sentia a brisa fresca no peito, os cabelos bater-lhe nas orelhas e o sol descansar sobre a almofada de estrelas. A terra húmida sobe os seus pés, as mãos trémulas que lhe acariciavam o corpo, a cara, a cintura.
Um foco de luz ténue incidiu sobre eles, serpenteando sobre os seus corpos como uma vela soprada pelo ar de um anjo, hipnotizada por um beijo, bêbeda.

-- O que sou eu para ti?
-- Tudo o que quiseres ser...

Os lábios tocaram-se, as mãos sentiram a cara e a chama morreu, perdendo o brilho à medida que se emaranhava na escuridão.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um pincel e três guaches...



Existe um chilrear que dança no ar...
Uma caixa de guaches que pinta o momento.
Um lápis desenha e assombra as nuvens no papel limpo pela lixívia.
Os guaches choram rios coloridos, serpenteantes, banhados pela cera arenosa.
Soltaram as crianças, como balões, como pomba livres.

Sem ninguém se aperceber, a natureza cruzou-se com a alegria e os sorrisos rasgados. A euforia dos pequeninos entrelaçou os dedos com as flores, deixando os raios de sol encaracolar os seus cabelos rebeldes. Fizeram-se corridas entre borboletas. Saltitaram entre os riachos, criaram ramos de flores e ofereceram-nos às meninas.
E estas fugiam, de rapazes com as mãos porcas da terra e minhocas penduradas nas pontas dos dedos.
Quando a fome apertou, os rapazes subiram às árvores, deixando cair para as pequenas camisolas das suas namoradas, fruta. A fruta mais doce e suculenta que poderiam encontrar. Porque "roubada" sabe sempre melhor...

Debaixo de uma grande árvore, sobre uma larga toalha, sentaram-se todos, para contemplar no sossego incomum de criaturas energéticas, o fim do mundo rasgado de luz, encoberto pela escuridão que traria as aventuras do medo.

sábado, 25 de agosto de 2012

Quero saber...


Cada vez que te olho de longe, a saudade do meu coração relembra-me a dor que sinto, num choro sem lágrimas de sofrimento invisível, o tempo em que tento não esquecer a tua cara, o teu cheiro, os dedos cruzados nos meus e a tua voz doce junto ao meu ouvido.
Não precisamos de falar naquele momento de reencontro, que acontece apenas entre os nossos olhos. As almas cruzam-se, entrelaçam-se em sentimentos. Separados por alguns metros, mas já nos sentimentos tão próximos um do outro que os nossos cérebros dançam entre si, como animais em época de acasalamento, num hipnotismo enfeitado, ondulante de luzes e cores.
Finalmente aproximamo-nos numa correria de deslumbre, em que cada passo nos faz imaginar os braços um do outro, o toque dos lábios e as caricias das nossas mãos. O tempo parece abrandar...
O teu corpo frágil e pujante de desejo, abraça-me num aperto forte que me faz sentir vivo, reconforto que nunca senti e confiança que me faz ser homem de novo. O teu cheiro penetra-me nas roupas, os teus longos cabelos que te caem pela face de solidão e saudade, enrolam-se nos meus, cheiram ao champô que tanto usas, e no teu pescoço posso sentir um pouco do perfume que tanto adoras. As tuas hormonas femininas saltam diante do meu nariz, e todo o meu eu te protege de qualquer outro macho. És a minha fêmea, a minha querida e delicada flor, és a minha humana, e apenas tu te encontras registada no meu coração. Levantas a cabeça para me olhares nos olhos e lágrimas escorrem-te pelas bochechas, tão triste... tão sozinha...
-- Tive tantas saudades tuas amor!! -- murmuraste-me.
-- E eu tive saudades tuas!
-- Não! -- respondes-te baixando a cabeça -- Eu tive mais!!
-- Tive tantas saudades tuas. -- disse, com um sorriso gentil, enquanto sentia a tua fragilidade. Adoro isso em ti. Pareces cristal... um sensível cristal... que aguarda desesperadamente por um carinho e reconforto.
Os teus olhos secavam lentamente, enquanto todas as recordações nos relembravam a nossa história. Levantei a tua cara, até fitar os teus lábios, com a minha mão e beijámos-nos por breves segundos de olhos abertos. Sentis-te a minha língua tocar-te nos lábios e inspiras-te bem fundo, agarraste-me na cara com vontade e não me largas-te mais. Parecia um beijo ansioso de despedida, um beijo de saudade interminável.
Juntos assim, não precisamos de mais nada para nos fazermos felizes, mas continuas na dúvida, com as tuas perguntas e receios, com a incerteza de saber se estamos a ser precipitados demais. E eu respondo-te que se nos damos tão bem emocionalmente, as nossas conversas duram horas e nunca têm fim, temos ainda uma vida toda pela frente para nos conhecermos, reconhecermos, e ouvirmos um ao outro. Pois como sabes, somos duas pessoas com muita coisa para dizer... e com muito mais ainda para fazer!

Quero-te ouvir, ver chorar, sentir-te frágil e vulnerável, rebentar e encher de raiva. Quero compreender-te, conhecer-te, aprender contigo e deixar que sejas o que nunca te deixaram ser.
Quero saber o que escondes dentro de ti... agarrar-te na mão e puxar-te para cima, como nunca ninguém o soube fazer contigo.
Estou aqui... sempre estive!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O que não me sai por vergonha...


Pousei os livros no tapete rolante e desfolhei o primeiro. Imagens de aves captaram-me a atenção, mais abaixo vi um conjunto de bicos e a sua funcionalidade.
Era a minha vez de ser atendido. Olhara para ela muito pouco, mas os cabelos eram escuros ondulados e compridos, alta, magra e com um relógio laranja na mão esquerda. Não tinha anéis.

Numa introspecção rápida, mais tarde, percebi que a cor do relógio demonstrava ser uma rapariga com uma mente jovem, muito simples, menina, não significando que não era psicologicamente madura.

Olhei-a nos olhos e fiquei envergonhado. Ela não podia ver, mas acredito que talvez sentisse. Deslumbrei-me com a sua cara. A sua beleza, simples, de rapariga, com aqueles cabelos compridos e uma altura invejável. Apaixonei-me um pouco, como um tolo. Queria dizer qualquer coisa mas não sabia, nunca soube, agir. E o que iria dizer? Como?

Quando me devolveu o cartão de crédito, o qual viu e reviu à procura de um nome, eu sei que sim, segurei-lhe na mão e disse:
-- Não tenhas medo em ficares vergonha, corada ou sem saber o que dizer, mas eu acho que és uma rapariga incrivelmente bonita!
Ela olhou para mim muito pasmada e a sua cara ficou vermelha. Segurou o cartão enquanto tentava manter a compostura.
-- Obrigada. -- responde ela, olhando para mim durante uns segundos, desviou olhar rapidamente para as teclas à sua frente e preparou-se, tentou, para atender o próximo cliente.
Atendeu o meu irmão, e eu fiquei ali, enquanto ele se apercebia interiormente que ela estava nervosa.

Eu sabia que ela tinha sentido qualquer coisa. Revejo o sorriso dela, vezes e vezes sem conta, pensando para mim a figura de totó que tinha feito, só lhe fui capaz de dizer "Obrigado"? E ainda por cima com o cabelo "todo" à frente da cara? Que figura... mal me deve ter visto os olhos, ou sequer a cara... muito menos o sorriso, suponho.

Será que perdi a oportunidade?
E se ela já tivesse namorado?
E se não tiver, mas não quiser nada comigo? Ter-me achado simplesmente "interessante"?
Talvez ela tenha sentido que sou demasiado velho ou que queira coisas que ela não pode dar.
-- Só saberás se perguntares. -- sim, frases feitas também eu as sei.
O intuito aqui, é partilhar, não para vocês, mas para mim. Para um futuro. É difícil pedir um nº de telemóvel sem se ser demasiado exibicionista. É difícil pedir de forma simples, bonita e meiga. De maneira que não assuste nem afugente. Para mim é, porque sou naturalmente envergonhado, principalmente quando me sinto atraído por uma rapariga como aquela.
Não sou de namorar com tudo, de me atirar a todas, as feridas custam e demoram a passar. E como já referi noutros textos, quando me agarro, é para sempre ou até que ela me deixe. Não se namoros fáceis, rápidos. Sou de dar a mão e permanecer ao lado, mesmo que me chateie ou me magoe. Não sou um cão abandonado, sei ser. Oh... agora sei ser. Pensar em tudo 3 ou 4 vezes, e não em apenas 2 ou 3 sem ver realmente o quadro todo.

O que não me sai por vergonha... são acontecimentos que não me fazem crescer mais, que não me ensinam, que eu não mudou. São momentos em que eu não tenho qualquer impacto, não altero nem intrigo. Torna-se passageiro e ao fim de um dia ou dois, esquecem-se de mim e da minha cara. Que é possivelmente o que vai acontecer com ela quando chegar a casa e procurar pelo meu nome, caso o faça. Apercebe-se então que se esqueceu do nome, pior ainda não sabe de onde sou... houvesse uma maneira de nos encontrarmos ou de comunicarmos, e talvez, talvez, pudesse surgir uma amizade.
Porque... só pelo simples facto de eu ter comprado 7 livros de uma colecção de animais, que ela fez o prazer de passar pelo código de barras um a um, talvez se tenha interessado um pouco em mim, naquilo que eu gosto, naquilo que vejo ou leio. Na pessoa que sou por trás dos cabelos compridos que me cobrem a vergonha estampada no rosto. Sim, talvez tenha causado um impacto, por muito pequenino e efémero que tenha sido. Talvez um dia mais tarde nos encontremos, eu me lembre da sua cara e ela da minha, e... se houver tempo, conversarmos.
Mas que digo eu? Estou a sonhar, mas às vezes sonhar é bom. Ás vezes? SEMPRE!
Sonhar mantém-me criativo, as emoções psicológicas, físicas e a sensibilidade mais apurada. Se eu não souber chorar pelo que me faz feliz, não mereço ter alguém do meu lado.
Tenho epifanias, momentos de deslumbro quando vejo um documentário e junto os pontos de algo que já tinha visto antes. Fico pasmado a olhar para o ecrã, a sentir as lágrimas escorreram-me pelo rosto, de tão incrível que é sentir essas epifanias, momentos de heureca! É como olhar para o universo na noite mais calma, com o céu limpo no topo de uma montanha, deitado e rodeado pelos nossos pequenos filhos. E contar-lhes as histórias dos navegadores portugueses que descobriram o mundo através delas. Mostrar-lhes as maravilhas do universo, da natureza num momento único da nossa mais profunda paixão de curiosidade.

Paula Brito e Costa da empresa Raríssimas disse uma vez numa reportagem da sic algo parecido com isto quando lhe perguntaram se pensava mal dos pais que não conseguiam ou não tinham forças suficientes para ajudar os seus filhos "deficientes", enquanto que outros conseguiam:
Há pais que conseguem, há outros que não.
E a que é que isto vem a propósito? Não somos todos iguais. Bem, estatisticamente existe muita gente igual a muita gente, caso contrário não havia modas. O que eu quero dizer com isto é que existem pessoas que são boas numa coisa, e "más" noutras. Mas não significa que não tenham valor. Deixámos de dar valor ao que nos torna humanos para passar a dar valor a pessoas?

sábado, 30 de junho de 2012

Ouve de mim...



A minha alma não chora por ti!
Ouve-me ao soar dos trovões...
Os meus olhos contemplam a tu morte...
A tua pálida pele... a mim me faz sorrir...
Regurgito a tua dor e enforco o teu amor.

Cai a mim de joelhos e suplica por um sorriso...
Abraça-te a mim à espera de um abraço...
Odeio-a-me ó princesa!
Nega-me os teus sonhos e os teus carinhos...
Penetrei em ti e rasgada te abandonei...

Grita pelo amor que nunca foi teu...
Por mim irás cair...
Comigo te levarei à morte...
Caminha longe...
Encontra outro e faz por merecer.

Odeio a tua vida!
Odeio o teu sorriso!
Odeio os teus olhos...
Serás colhida pelo vento e atirada de novo à sorte.

Do que esperas?
Não por mim, nem por vida.

** ***

A cidade arde...
Vejo fugir ficando eu para lutar.
Um crime que me fez cair... pela mão me levantaram e com ela me acompanharam
Não morri...
Não deixei de ser.

Sou feliz e isso incomoda-te!
Fazem-me feliz e isso deixa-te nervosa!
Dão-me amor e isso queima-te por dentro...
Não chores o que poderia ter sido...
Não sonhes com o que já não te pertence.
Roubei-te o sopro da vida e continuas a querer sair do poço em que te enterras...

Afoga-te! No choro da depressão que te consome e não queres mostrar...
Que te falte o ar à noite antes de dormires...
Enferruja a mente com os sorrisos falsos que tanto gostas de me mostrar...

Não me tens valor, não me és nada a não ser pó...
Pertences ao mundo das pessoas e não dos animais!
Desapareces-te e agora sou eu quem não te quero ver mais...

Morre por outro mas não por mim...
Luta por outro mas não por mim...
Não desistas do amor, ma só te peço que não seja o meu!
Sê feliz nas ruas da amargura que teimas em negar aos teus olhos... fecha-te e cala-te para sempre!

Vê em mim a felicidade que nunca terás, e os abraços esquecidos na tua mente...
A tristeza do teu corpo em não ser agarrado e beijado...
Vê em mim o mundo negro e belo que te escorregou pelas mãos e não soubeste segurar...

domingo, 24 de junho de 2012

Um ombro despido...



Os seus caracóis tocaram-me o rosto... gentilmente como a brisa suave.
Senti os seus lábios beijar-me carinhosamente a bochecha, os olhos, o nariz, o meu rosto... 
Serena como um ronronar, beijou-me os lábios, deslizou a língua sobre eles e brincou com a minha.
Deixou-se cair sobre o meu corpo sentindo os traços da minha cara com a sua, como um cego sente objectos.
Beijou-me o pescoço, a orelha e sentiu-me tremer... na sua face desenhou-se um pequenino e maroto sorriso. Endireitou-se e olhou-me do alto... contemplou o seu ombro pálido quase despido, e com a mão contrária, lentamente o despiu. Embrulhou-se em sensualidade e despertou o meu desejo, assim o deixou ficar, meio despido, à espera de um pequeno beijinho meu.

O seu peito sobressaia por entre aquele leve e fino vestido, aproveitando-se das suas curvas, agarrou a minha mão e fez-la descer sobre seus peitos, senti a sua excitação, e pouco depois a sua barriga, fazendo-me agarrar as suas ancas. Com ambas as mãos no meu peito pulou cuidadosamente, sabendo que os seus peitos saltariam diante dos meus olhos inocentes.
A sua mão tocou-me a cara e beijei-a como uma princesa. Aproximei-me do seu corpo, e sentados beijá-mo-nos ardentemente.

Os nossos lábios cumprimentaram-se, e os seus cabelos tocaram-me o rosto. Caracóis caminharam suavemente de bochecha em bochecha, num balançar descendente, até que o seu nariz tocou no meu, e com um pequeno gesto brincámos com eles.
Bastou o toque dos nossos lábios, para que os inexperientes corpos se sentissem leves, as nossas mentes vazias e as borboletas florescessem sobre a nossa pele, como uma pequena electricidade num momento de ímpeto e descoberta. Uma epifania mágica e glamorosa.

Olhos hipnóticos cruzaram-se com os meus, deixando-me pequeno e vulnerável, tocou-me na cara e senti os seus dedos enrolarem-se nos meus caracóis. De forma delicada puxou-os para trás exibindo para si o meu pescoço com o qual encheu de beijos e caricias, pequenas trincas aqui e ali, até que a orelha foi de novo alvo da sua marota língua.
Um raio de sol debruçou-se sobre nós e o seu cabelo iluminou-se como uma autêntica estrela, a sua ondulação ganhou brilho, uma vida que contrastavam com as brancas nuvens fora daquele quarto dourado.

Levei a minha mão à sua boca e os seus lábios chuparam-me o dedo enquanto a sua língua provocava a ingenuidade da minha mente.
Sorriu para mim... abraçando-me sobre os ombros que ela adorava ter à sua volta. Os seus olhos brilharam contemplando o meu rosto, lembrando-se da nossa história e agarrou-se apaixonadamente.
A sua carência de carinhos, de toques suaves e íntimos, rapidamente gritaram às minhas mãos, à minha língua, assim que ela se deixou cair para o meu lado e me olhou com beicinho, à espera de um doce, de uma  massagem, de uma língua marota sobre o seu umbigo e a sua menina.
-- Amo-te... -- declamou com a sua mão no meu rosto.


terça-feira, 12 de junho de 2012

O meu príncipe...


O meu gato morreu..
Cinzento de olhos verdes, gordinho e que não me largava. Esperava por mim no portão quando chegava da escola e adorava sentar-se nas minhas pernas e tomar o seu banhinho de língua.

Não sei para onde foi, ou para onde tem direito a ir. A mamã diz que está no céu, mas o papá diz que não.
Onde está então? Está vivo? É feliz? Ainda sente dores?
Não sei para onde foste pequeno gatinho e tenho pena de não puder voltar a brincar contigo. De te abraçar e ver lamber. De te ver saltar o muro e miar.
Na verdade... via-o tao poucas vezes, que para mim parecia um sonho. O meu melhor amigo. Exististe realmente?
Deitava-se de barriga para o ar e assim ficava durante horas, a ressonar um ronronar.
Uma vez foi connosco à praia! Toda a gente o olhava. As pessoas não estavam habituadas dizia o papá no carro à vinda para casa.

Não sei para ondes foste pequeno marufo, mas aqui te deixo alguns bicoitos que tirei sem eles saberem.
És o príncipe mais bonito do mundo!

domingo, 10 de junho de 2012

À noite vêm os sonhos...


A menina pulava e saltava. Ria e cantava.
Fingia ser uma filha, enquanto era filha. Brincava aos papás e às mamãs com duas pessoas um pouco mais crescidas que ela. Fazia de conta que tinha outros pais, que comíamos amoras e que tinha de ir ás compras.
Vi naquele momento, naquela brincadeira elaborada que ela criava dentro da sua, ainda inocente, mente a sua maneira própria de crescer. De se tornar um dia como a mamã. Grande e sempre pronta a ouvir. Mas seria algo mais... uma maneira de criar um espaço em volta de algo a que ela ainda não compreendia. A sua personalidade e o seu lado feminino.

Deitámos-nos os três na cama, e ela dormia. Controlava o jogo, as falas, as ideias e as opiniões dos papás. Daquelas pessoas que não o eram nem sabiam ser pais. Ela sabia-o bem e por isso... guiava-os, naquela tarefa tão difícil. 

Ficarmos sentados a ver o desenrolar das brincadeiras e dos jogos das crianças, ensina-nos, ou pode ensinar-nos, mostrar-nos coisas que esquecemos, que não percebemos. Que um dia fizemos mas substituímos por outro tipo de brincadeiras e/ou preocupações.
São um mundo mágico, que nos polvilham com encanto e fantasia. Por vezes... abstracta.
Aprende-se a estimular a memória, a desenvolver as relações inter-pessoais, a sua personalidade, os seus gostos e os "não gosto", os medos, fantasias, sonhos e desejos.
São uma esponja tão fértil, que qualquer contacto com um estímulo trará percussões inimagináveis.


A noite vem, e com ela os monstros. O pai abre o livro e a mãe lê. Inventam vozes e gestos horripilantes ou carinhosos perseguidos por sorrisos ou olhos bem abertos e assustadores.
Apesar de serem pequenas histórias, simples e descomplicadas, são autênticas guloseimas de papar e birrar por mais. Pequenas bolachas que fazem os seus pais criar uma ligação com a sua filha sempre pronta a uma nova aventura.
Os cobertores cobrem a sua cara nos momentos mais sombrios, enquanto os seus pequenos olhitos observam as páginas pintadas com desenhos escuros e gatafunhos que só o papá e a mamã entendem. Devem ser língua de ogres ou de bruxas... Este livro parece estar enfeitiçado, mas só naquelas 2 ou 3 páginas!
Lá vai deixando o medo escapar-se por entre os abraços da mãe para saber, uma e outra vez, que a história acabará sempre em bem.

São contos Peter Pan que fazem voar aquela semente adormecida e agarrada ao peluche que protege com a sua própria vida, com tudo... dos seus próprios medos e pesadelos.
A luz de presença iluminará a escuridão e será o fogo dos dragões, protectores da donzela adormecida. Fará brilhar o seu cabelo, e a mais pequena estrela cintilante no céu será ofuscada por tamanha beleza dourada que são os seus cabelos.
A lua já espreita pela janela, lá no alto da escura e estranha noite. Acompanhada de estrelas e cometas, de brilhos que fazem lembrar o bâton da mãe e as conversas com o telescópio no colo do pai.

Dormir não era um problema para ela... pois as grandes aventuras, tinha-as com os seus amigos nos sonhos mais bonitos e mágicos. As histórias de dormir? Eram só a introdução para que a sua mente voasse para "bué-longe" e se aventura-se com os seus desenhos animados mais favoritos, as conversas mais engraçadas e trapalhices que a faziam chorar de tanto rir.

A sua cama... era um palco de descobertas e aventuras.
A sua almofada? Uma caixinha de surpresas e segredos que jamais revelaria a sua verdadeira identidade.
Era um cavalo chamado Dora e sabia falar com todos os animais!
Que criança tão fértil... só podia sair à mãe! Mas que duas...

sábado, 9 de junho de 2012

Um berço...


Vê-lo dormir tranquilo, no seu berço. Imaginar e sonhar que seja feliz. Vê-lo um dia caminhar pelo próprio pé, correr, cair, fazer amigos, encontrar alguém que o faça também feliz e que assim morram ao lado um do outro.

Acordar com o seu choro, e levantar-me com a preocupação no peito. Pegar-lhe e deitá-lo sobre os meus braços junto ao meu peito. Assim, choramingão e irritado. Desvendar os mistérios que o seu choro esconde e que eu como pai e papá, instintivamente, saberei responder.

Mas lá vem a mãe, orgulhosa e preocupada de braços abertos para proteger o seu rebento do que quer que lhe tenha acontecido ou incomodado.
-- É a fralda. Vai-te deitar que eu mudo. -- responde o pai.
O bebé volta para o seu progenitor, e lá vão os dois a balbuciar numa língua que ninguém entende. Já a mãe... fica de braços cruzados à porta, a ver o desenrolar de todo aquele acontecimento, que ainda hoje, depois de vários meses, não se habituou nem se quer habituar. Ver o pai mudar a fralda ao seu filho, numa ligação que ela própria sabe ser diferente da que ela tem com o seu filho.
Não é por ser uma coisa de homens, ou por ser uma coisa de mulheres. É a natureza no seu estado mais puro.
Do pai,o bebé procura a força e estabilidade. Da mãe... procura alimento, reconforto e calma.

A mãe aproxima-se do seu homem, e abraça-o pela cintura, depositando a sua cabeça no seu ombro. Observando a cena, aquele espectáculo mágico. Feliz.

Deitado de novo no seu berço, limpinho e mais calmo, observam o seu bebé rir e balbuciar de olhos bem arregalados, brilhantes e grandes. Gesticulando com as suas pequenas mãozitas. Mãozitas com o qual vai aprender a desenhar e a pintar. Montar puzzles, acariciar cães, gatos, sentir e arrancar a relva. Trepar aos montes e ás árvores.
Não tinham pressa de ver o seu bebé crescer e tornar-se num alguém. Queriam saborear todos os momentos únicos e fascinantes. Tanto para aprender um com o outro, e muito mais para descobrir em conjunto. Com aquele pequeno ser que entrou nas suas vidas e da qual não queriam que sai-se tão depressa.
Lágrimas de felicidade, sorrisos e noites sem dormir, só para sentir o seu mexer irrequieto na barriga da mamã. Cada vez que acontecia, pareciam testemunhar a sua caminhada, o seu primeiro passo. Um passo lunar...

Vê-lo deitado, tranquilo, no seu berço de olhos e braços esticados para os seus pais, dar-lhes ia outro motivo para não dormirem muito naquela noite. As suas conversas iriam durar horas, com tanto fascínio, desejo e amor que partilhavam por um único ser, num sentimento mútuo que os fazia chorar. Felizes e completos.

Um berço de vida... cheio de vida, repleto de aventuras e descobertas, de emoções e sonhos. Um berço pequeno perante tamanhos corações. Nada teria mais importância do que sentir todo aquele pequeno mundo crescer e ganhar brilho aos olhos daqueles papás tão emocionados perante a fragilidade e capacidade que a natureza e eles mesmos! tiveram em criar o seu bebé.

A dor partilhada... num momento único de cumplicidade, para um perpétuo momento de felicidade.
Do parto ao primeiro colo... animais somos, e façamos o que fizermos, os nossos filhos serão sempre a maior conquista que faremos neste planeta. Por muitas luas e planetas que descobriremos no futuro, o primeiro passo será para sempre mais importante que a ida à lua. Somos seres simples no seu estado mais puro, mas gostamos de dramatizar.
Um dia pelas montanhas, em contacto com a natureza e os animais... e a sua mente voará para palácios e castelos.

Uma mente em borbulho cósmico.
Um abraço e um cheiro para controlar o pior dos pesadelos.
Um choro e um coração preocupado.
-- Mamã... Papá... adoro-vos!
E com um sorriso se iniciará outra etapa da nossa história.

Amo filhos que ainda não tenho...
Que ainda não vi nascer e que nunca abracei...
Amo filhos que ainda não segurei, lhes olhei nos olhos e disse:
-- Tu és o meu filho! E eu sou o teu papá!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Que animal serias?


Se pudesse escolher que animal, e que tipo de animal seria, ou gostava de ser.
Escolheria ser mamífero e uma Suricata (meerkat).

"Dentro do grupo, os animais revezam-se nas tarefas de vigia e proteção das crias da comunidade.
O sistema social dos suricatas é complexo e inclui uma linguagem própria que parece indicar, por exemplo, o tipo de um predador que se aproxima. Estudos mostram que os suricates são capazes de ensinar activamente suas crias a caçarem, um método semelhante à capacidade humana de ensinar."
Fonte: Wikipedia

Sempre que me perguntavam, dizia não saber, mas quase sempre um borboleta, por vezes mudava para cavalo, lobo... mas agora sei e adoro o sistema social das suricatas. Que é tão complexo quanto os nossos. Ainda hoje não se compreende nem se sabe muito como funciona. Baseamos-nos na nossa sociedade e complexidade intrincada de criar relações e grupos. Mas eles possuem milhões de anos de evolução, e nós aparecemos à apenas uns meros 10.000.

Parecem seres que não têm muito para ensinar ao mundo, que talvez um lobo ou um cavalo fosse melhor. Mas eu prefiro a parte complexa dos seus cérebros, das regras que regem o seu grupo, família e aprendizagem.
Todos os animais têm emoções e um sistema de aprendizagem. Mas são sem dúvidas os que mais me cativam.

A sua complexidade fascina-me...
E tu? Que animal serias? Terias a certeza e confiança na tua escolha?

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Meu anjo caído...



Meu anjo... meu anjo caído. Que no peito trazes a dor das mil almas que para sempre amas-te... à eterna juventude te subjugas-te e de joelhos choras-te a morte de cada uma, excepto a minha.
Meu anjo... meu segredo eterno...
O teu sopro dá vida, inspira, emociona e fascina até o ser mais ínfimo, uma paisagem de deslumbre de um universo sem fim, de um negro que me abraça e engole na escuridão. Beija-me... e arranca de mim um olhar sem vida, pálido, de um corpo em epifania, num deslumbre que me arrepia a alma.

Transforma-me num pensamento, e leva-me até à origem do universo. Quero ver... quero lá estar, quando tudo acabar. E volto a respirar, a cheirar o mundo... Abraça-me, segura-me e eleva-me aos céus, meu amor... minha paixão, meu assombro. Luz da minha vida. Procuro-te. Minha esperança.
Assobia a música da natureza clássica que jaz morta entre os nossos pés, e faz as folhas voarem ao som daquela nota mais simples, e rodopiarem na sinfonia mais melódica que fará um prado de flores brotar e pintar-se de novo. Canta do coração a melodia do paraíso da tua alma e a neve derreterá para sempre, numa impetuosidade que se espalhará numa dança de emoções.

Ao som do borbulhar da vida, me deito perante vós. Me choro em suplicio para que me poupais a vida, a alma nua descansa em pedra branca, tal sois a vossa pele. Embrulhada delicada estarás para sempre, um pensamento puro, uma inspiração divina sereis!
Mas desejarei... desejarei-vos ao meu lado. Pois antes de saber que vos amava, que acreditava em vós, tocas-te no meu coração. O meu sangue ferveu, o coração saltou e sozinho chorou. Era magia... um chilrear que o fazia tremer. Era vivo por fim...

Deambulando perdido pelo mundo, num arfar ardente... sem sonhos, sem vida e sem sorrisos. A mãe morte caminha ao meu lado, como um corvo que não descansa. Ferve-lhe na foice a vontade de me provar  o sangue. Sou perseguido pelo passado de uma mão que me continua a roubar os doces e as esperanças.

Oferece-me a tua mão, meu anjo... pinta-te do branco que um dia iluminou a minha alma, a minha pequena alma. E poisando a tua foice sobre a minha cabeça, me transformes em mais do que uma nuvem no céu... devolve-me às nuvens das estrelas onde poderei para sempre viver num mundo que se junta para ser assombrado. Assombrado por ti, até que o relógio do tempo pare. O universo escureça e tudo seja engolido no fúnebre que um dia foste, cais-te sete vezes, e oito te levantas-te.

Ama-me... meu humano renascido, das penas que deixei cair por vós. Levantai-vos. Amai-me o meu eterno espírito. Sê o meu pecado, o meu fruto proibido, a sede e a fome, a vergonha do nu que pelo véu se soltou.
Selai as nossas almas e deixai-as brotar na mais bela flor. Abraçai-me como nunca me abraçaram, beijai-me os lábios com a graciosidade e o encanto que só vós me poderei conceder. Gratificai-me com a vossa beleza todos os dias da sua vida.
Sê meu! Oh... sê meu! E para sempre vos chorarei... seja ele deus, eu serei sua esposa, o seu anjo alado.
O teu anjo caído... sê meu! Oh... sê meu...



-- What are you?
-- I'm an Angel.
-- What's your name?
-- Satan.

Inspiração:
Tree Of Live
Antonio Vivaldi - The Four Seasons
Fallen by ~earthquakk
The Mysterious Stranger by Mark Twain

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Hoje...


Hoje dei umas explicações de inglês a um rapazito. Não sei ensinar, não sei explicar, pelo menos acho que não, mas tentei e dei o meu melhor.

Sinto-me bem e contente. Percebi que tenho um grande e largo caminho a percorrer até poder ensinar bem, aos meus filhos. A vida mostra-me que vale a pena lutar, continuar a sonhar e sorrir. Assim parece...
Quando tudo desaba, ou parece desabar, a minha vida parece recompor-se... talvez seja um poço. Etapas de uma vida... o vestir de uma pele nova para cada vez que cresço, cada vez que me levanto.

Desejo morrer, mas por alguma razão a vida continua a mostrar-me razões para sorrir e sonhar com aquilo que mais desejo... eu e tu com eles nos braços.

Não é fácil, mas é um prazer enorme fazê-lo...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Será de mim?

À minha volta, toda a gente parece ter razoes para ser feliz... toda a gente excepto eu.

Sinto o cheiro do medo escapar-me do corpo... um cheiro espinhoso, que se sente a metros de distância.
Queria ser feliz, toda a gente quer... é verdade, mas pelo menos só feliz.
Não sinto amor, não sinto felicidade, nem amizade, nem simpatia... não sinto um beijo nos meus lábios, um cheiro pelo qual me apaixonar. Não vejo nem sinto a felicidade, um objectivo realizado, ou um simples abraço daquele beijo e cheirinho que me faz sonhar... se ao menos tivesse um...

Sinto ter uma vida enfadonha... sem vida, sem o "natural", sem o que é "normal" nesta sociedade, sinto pressões, consigo cheirar as ambições. E eu... e EU? O que sou?! O que faço?
-- Nada. Não fazes nada da tua vida. És um como um rato. Dormes, comes e cagas, nada mais.
Às vezes sinto que faço alguma coisa... o que faço de errado? Ou sou eu o erro?! Talvez seja então esta a razão dos beijos desaparecerem, com o perfume e os abraços, trocados apenas por palavras sem sentimentos... quase como... "onde me estava eu a meter...".

Sou eu o problema... uma morte rápida, anseio à muito a escuridão. Toda a vez que caiu... levanto-me, monto-me na minha bicicleta, e então recomeça... eu acho que aprendo algo de cada vez que toco no chão. O que falta? Desisto de tudo à tanto tempo... mas continuo a lutar, sem saber ainda, contra o quê, ou a favor do quê... De filhos! Pelos meus filhos. De uma vida... com amor. Queria ser feliz. Mas sempre que monto na bicicleta, a queda parece inevitável, aprenda o que aprender... sou eu que não sei pedalar? Sou eu então um problema da educação que tive? Eu todo sou um erro! Um erro grande que assumo.
Quero saltar fora do barco, mas...

Será das músicas? Ou da falta delas? Será por não ter amigos? Por não ler? Por não ser abrangente? E menos selectivo... Será das roupas? Do cabelo? Da barba? Será talvez, e aí sim então terão talvez razão, a minha maneira de pensar. Será talvez a minha maneira de ver as coisas? De as sentir? Talvez por ser burro?
Por não estudar o suficiente ou por não me esforçar... Talvez por não viver um pouco como os outros? O que é? Será por causa de tudo isto? 

Qual é a razão? Tem de haver uma não é?

Algo que sempre fui, ou consegui ser "muito bem", e até aqui tenho as minhas dúvidas... para falar a verdade, acho que tenho sempre dúvidas... Sempre fui aquele rapaz "estranho", com quem falar. Deixem-me dizer-vos uma coisa que talvez já devam saber... Na universidade encontrarão com 100% certeza absoluta, rapazes bem mais interessantes do que eu. Mais bonitos, mais atraentes, muito mais inteligentes e capazes. Encontrarão alguém que ambiciona ser pai, todos acho que ambicionam, apenas uns mais do que outros. Encontrarão alguém que sabe falar melhor, escrever melhor, que estuda, que se aplica, que sonha, que cria meta e objectivos, que fala e conversa sobre coisas muito mais interessantes e cativantes, que sabe o que quer, que ouve música de jeito, que se veste extraordinariamente bem, e que possui um QI invejável.

Na universidade... irão encontrar um amigo. Um parceiro ou parceira. Alguém ainda mais único do que qualquer pessoa que possam ler na internet. Se somos todos únicos? Uns mais do que outros... se eu sou melhor? Já vi quem seja melhor do que eu. Mas sinceramente, não é preciso ser-se melhor do que eu. Uma rapariga quer um homem com futuro. Não quer um homem que não sabe ser homem. Um homem que chora, um homem que se perde, que só consegue sonhar, que não objectiva nem realiza nada. Querem um homem que estude, que se esforce, que tenha futuro, e principalmente dinheiro. Um pai tem de ser inteligente, mas isso encontra-se às carradas na universidade.

E agora que penso nisso, talvez pais "normais" que saem, que bebem ou fumam, que socializam e têm carrada de amigos, saberão educar melhor os seus filhos, do que eu, que sonho em aprender mais, em ler, em ver, em sentir, em aprender, para que tudo o que lhes dê não seja em vão, mas com um objectivo de os ajudar a crescer. Mas... só posso sonhar. Sempre que desejo comprar algo, racionalizo se realmente preciso, se me faz falta, ou se não passa do desejo consumista. Como escrevi num post "Por não ter dinheiro...".
É como sonhar que vou poder comer um balde de pipocas, mas de repente percebo que os meus pais não me o vão comprar porque é pura gulosice. O que não deixa de ser verdade... Preciso mesmo das pipocas? Sabem bem, mas e depois? Acabam-se em 5 minutos e gastas-te 3€. E com os 3€ compravas leite e pão. E com mais 1€, talvez fiambre e queijo. E com 4€ ou 5€, fazias uma refeição que te podia durar pelo menos 20 minutos, e ficarias mais satisfeito...

Será um problema meu? Racionar dinheiro, racionar pensamentos, racionalizar tudo o que compro e desejo.
O que é a minha vida então? Não a tenho se for a ser sincero. Se for verdadeiro comigo mesmo... não tenho vida. Não tenho nada pelo qual lutar, a não talvez por um amor que não conheço, ou uma vida que ambiciono, destruída pela racionalização de coisas com o qual nunca lidei. Se eu quero ser melhor?
Eu já o desejei, já me esforcei, até que me apercebi de que enquanto eu estava a tentar SER já muita gente o era à muita tempo. De que adianta então, se não vou ser melhor, se não vou ser formidável ou inteligente? Se não vou ter ninguém para amar e dar amor. Uma vida perdida é o que vos digo... desabafo então será.

O que se passa comigo? Porque sinto tanta culpa, e só consigo ver metade...
Não estou pronto para nada, e se não tentar, não estarei pronto para absolutamente mesmo nada. Gostava que fosse diferente... não digo "quero que seja diferente", porque isso é implícito, é algo que nasce em mim, mas que se evapora juntamente com o medo... o que posso fazer? Farei apenas o que sei, mas não me posso singir apenas ao que sei, ao que gosto, ao que faço melhor...

Não sei amar, não sei estudar, não sei trabalhar, não sei ser responsável, não sei ser homem, não sei ser adulto e decidido. Sei ser criança, malandro, desinteressado, desmotivador, incapaz, triste e infeliz, ignorante, irresponsável, brincalhão, sem personalidade... Não aprendo, assim parece.

As emoções afectam-me o estado de espírito, também a vida leva a sua dose de chapadas e pontapés.
Envolvo-me demais, desejo de mais... apenas algo que nunca tive...

Resumindo e concluindo o auto-explicável... na universidade existe e sempre irá existir alguém melhor do que eu, mais bonito, mais inteligente, mais capaz, mais pai, mais amoroso, mais carinhoso, mais respeitador, mais sensível, mais homem, mais adulto e responsável... Se encontram, e encontrarão de certeza, não percam o vosso tempo comigo, não me queiram como amigo, nem como namorado, ou marido ou pai dos vossos filhos, deixem de me ler, de falar para mim ou de me ouvir...

Arranjei uma razão para morrer... e sei então, que não estou a fazer falta nenhuma ao mundo. Não o melhoro, não faço nada, apenas o critico. Não sou melhor que ninguém e nem sei amar...
Arranjei uma razão para morrer... finalmente.

Será de mim?
O que será de mim?
O que será sem mim?
-- As coisas continuarão como são, quer estejas vivo ou morto. A tua morte será uma pena, não uma perda! Deves pensar que fazes falta a alguém ou ao mundo! Enfim...

Vejo-vos do outro lado... assim espero.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Não sei... mas tenho esperança


[00:10] Eu vi-te um dia...
[00:15] Num dia de chuva...
[00:21] Eras tão bela...
[00:28] E tu sorris-te e vi o Sol!
[00:34] Forma-mos um arco-iris...
[00:40] E o teu abraço... fez-me churar
[00:46] Mas não deixas-te.
[00:50] Era tão frágil, nos teus braços...
[00:57] Fazes-me feliz!
[01:00] Fazes-me sonhar!
[01:03] Fazes-me voar...
[01:05] Por entre as ondas...
[01:10] Dos teus cabelos...
[01:14] Para lá das nuvens...
[01:21] Dos teus sentimentos... que guardo com carinho.
[01:34] És a flor do meu jardim!
[01:41] O raio de sol... que me aquece.
[01:48] Que me acorda, na manhã mais triste...
[01:52] Eu não mereço...
[01:59] O teu sorriso..
[02:05] Os teus carinhos.
[02:11] Eu sou tão pequeno...
[02:17] Eu não sou nada...
[02:21] Nem sei fazer...
[02:25] Não sei amar... não sei acarinhar, não sei fazer-te feliz.
Queria-te na minha vida, entre os meus braços.
Sentir o bebé, nos nossos abraços, e num sorriso, uma fotografia imortal...
Fazê-lo sonhar em histórias, e levá-lo comigo onde mais ninguém sonha ir, e criar...
Dormir, e sentir-me ao meu lado... como dois velhos cansados, resmungões.
Quero abraçar-te, desejar estar acordado, e fazer-te sentir... o que ainda não consegui.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Por não ter dinheiro..


Não faço mais da vida, por não ter dinheiro.
Não vou mais longe, por não ter dinheiro.
Não consigo mais, por não ter dinheiro.
Não cresço mais por não ter dinheiro.
Não aprendo mais, por não ter dinheiro.

Falta-me o dinheiro para ser "feliz"...
Falta-me o "poder" para "o" poder ter...

As revistas que não compro... Os Documentários que não compro, as coisas que não aprendo, as coisas que não posso ver, sem poder dar em troca, "dinheiro".
Tenho saúde, mas até ela eu tenho de comprar quando tiver doente.
Tenho filhos, mas até a eles tenho de comprar comida e roupas, se os quero ver crescer ao meu lado...
E o tempo? Que falta e faz falta?
E as coisas que não faço? Que não vejo? Que gostava de fazer...

É a anorexia do meu ser...
É o oprimir de um individuo, a opressão de uma mente que podia ser mais, que podia ser mais feliz, mais livre, sentir-me mais leve e sorridente, se tivesse o dinheiro, se tivesse o poder de ter tudo o que pudesse experiênciar...

Por não ter, vejo-me sem nada, mesmo que "possa" ter "tudo". E do que me vale então ver as coisas de outra maneira? Ou compreender? Ou ver os documentários? Se depois aquelas pontas que faltam, não aparecem para ser lidas, vistas, sentidas, por falta do tempo, por falta do dinheiro?

Não sou mais feliz, por não ter dinheiro, por não ter tempo. Por não puder ir para onde quero, por falta do tempo, porque a gasolina anda cara, porque o tempo é pouco, e temos sempre de trabalhar no dia a seguir. É uma frustração que não afecta ninguém, pois ninguém pensa nisso. Deixam de se preocupar.
E fazem "bem"...

Parece que de certa forma, me fecho, mas nunca o faço, sou apenas um trónhado! Um infeliz e um infortuno, que não pode tocar no pacote de plasticina lá no alto da mesa, porque sabe que nunca irá crescer, por muitos aniversários que faça... E é então que os "sorrisos", deixam de ser sorrisos, para passar a ser tristeza, que se afunda no corpo, na alma, sem dar-mos por isso.
Fecha-nos numa folha branca, num rectângulo desenhado a lápis, sem puder pintar com lápis de cera.
Para nunca descobrir o que é pintar em aguarela, sem sentir nem ver, nem aprender...

Deixo de puder ser mais, talvez melhor, e mais feliz, por não ter dinheiro... para realizar os meus sonhos, os meus fanatismos, os meus desejos, os meus gostos... estou fechado.

Para quê então "viver"? Se SEI!! que nunca poderei alcançar tal coisa? Está destinado, eu sei... sinto-o.
Irradio de felicidade. E os meus sorrisos invadem mentes...
Já que não posso ser mais por não puder ter... quero dar aos meus filhos, quero ensinar, quero mostrar-lhes o que o "mundo" tem e dá em cada grão de areia. Quero que saboreiem o mundo como eu o vejo. Sem poderes, sem dinheiros, mas com todo o tempo do mundo... (assim desejo).
Uma visão do mundo, dos sons, das paisagens e do espaço sem tempo, num tempo que transforma o espaço... e um choro profundo, num arrepio de alma, fará tremer tudo o que já viram numa vida vivida na ignorância desculposa do que é ser criança.

Uns nasceram com tudo, e outros nasceram sem anda, e sem nada ficarão...
Poderão não ter nada com que ambicionar, mas poderão pelo menos, sonhar no mar de sentimentos que aprenderam, em sorrisos e compreensão, em abraços e carinhos, em beijos e imagens, onde as palavras não fazem sentido.

Não será por não ter dinheiro, que os meus filhos não terão o que vejo.
Não será por não ter tempo, que os meus filhos não serão mais inteligentes do que já sou.
Sou burro... bastante estúpido, cromo e desajeitado... mas fico feliz por puder sentir o mundo. Um mundo que não se sente... que não se maravilha, que não se ouve, que só "eu" sinto.

O tempo pára, e aquela flor transforma-se na magnificiencia que o universo criou em todo o seu esplendor, em milhares de milhões de CABUMS e PUFFS, explosões cósmicas e biliões de colisões...
A lágrima escorre pelo rosto. Com o mesmo sentimento vagueiam os sentimentos e as emoções por algo tão... inútil. Um amontoado de átomos rodeados em mistérios e sentimentos...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Avernus na escuridão...



Quando te vejo, à noite...
Aqui, num abraço frio,
A tua cara que contempla a morte,
Faz-me tremer a alma, e chorar o mundo...

E das tuas mãos brotam flores!
Que pintarão o mundo com as cores do teu amor.
Soltas um grito que canta a mais bela sinfonia,
enquanto o vento leva os teus cabelos e os teus sonhos.

É esta a magia do teu ser...
Quanto te abraço com encanto,
Num leito funebre.

Uma noite da minha vida,
entre um sorriso fraco e cartas de amor.

A minha vida reconforta-se,
E voamos mais alto.
Partir com o medo no peito, e um beijo nos lábios...
Uma palavra de amor... e ninguém já mais saberá o que é ter vivido ao teu lado...

Canta para mim...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Aconteceu... a vida!


Vemos-la saltar, entre as pedras do passeio e a berma da estada,
Vemos-la fugir das ondas, e a cavar buracos em toda a praia...
Irrequieta, Alice!
Vem sempre com insectos no bolso. Corre pelo jardim de infância como se não ouvesse amanha!
Grita e ri, desengonçadamente, com a cara e as mãos pintadas, e o bibe que sirva de toalha...

Ela cai, mas não chora... e vê-mo-la então estrebuchar, zangada com o mundo.
Sempre com o seu olhar, aquele olhar que parece atravessar as coisas mais simples... e perguntas sem vergonha ou tabu.
 Uma criativa desalmada, que inventa histórias e personagens com os seus ursos e almofadas.

Dá-me um beijo, meu amor... dá-me um beijo.

Por entre a tempestade, apareces-te como uma luz, forte e brilhante... com um sorriso que me destruiu a âncora do meu ser, neste mar apanhado pela tempestade.
Num balançar incessante, num choro profundo, na escuridão da pressão de uma chuva... que contra todas as probabilidades, virou dia.

Um olhar que atravessava o horizonte do presente, uma estranha cor que nos fazia voar num sonho sem fim, no futuro do nosso ser. Visões de algo que ainda não existia, mas que parecia ser tão real como tu e eu.
Cada gesto, cada palavra, cada beijo... um reencontro das nossas almas.
Pareciam perdidas, neste lugar tão estranho e assustador, numa nova época, que desconhece o amor.
Amor como "Os Maias", amor rústico(velho, antigo)... em que só a velhice do nosso pensamento, partilhada por cartas de amor, permanece na história do nosso pais...

Assim foi Pedro e Inês, assim serei eu e tu!
Com sonhos pela Escócia, do seu timbre e paisagens... tal como o é portugal.
Anjos caídos do céu, que se encontraram numa probabilidade infinita...
És a minha alma gémea!

-- O que aconteceu?
-- Ela. A minha vida.