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quarta-feira, 29 de junho de 2022

À descoberta de Germil - 2º dia de caminhada (9KM)

[Rota - Percurso Germil - 7km]

Aproveitei o 2º dia para estar mais um pouco na cama, acabar de ver um filme, e esperar pelo padeiro que só chega à aldeia pelas 10 horas.
Tomei o pequeno-almoço, arrisquei ir ao Intermarche mais próximo para comprar algo doce para que ajudasse a dar-me um pouco mais de alento neste mundo quase vazio. Comprei tudo o que estava na lista, menos as molas para a roupa e os fósforos...

às 14h00 preparei-me e saí com destino à rota de Germil de +/- 7km. O que ao início parecia uma rota fácil, tornou-se numa verdadeira aventura, onde de um momento para o outro me vi consumido por arvoredo e silvas tão altas como eu durante algumas dezenas de metros. Não fosse mais corajoso e teria desistido à primeira.
Aproveitei o tempo que tinha para me aventurar em caminhos não marcados, para que pudesse fazer mais alguns kms ou percurso maior, mas aquela parte da montanha tinha sido conquistada por silvas, ervas rasteiras ou arvoredo alto e forte. Por muito esforço que eu fizesse, não conseguia avançar mais do que 2 ou 3 metros. No entanto, foi gratificante puxar os limites do meu conforto um pouco mais, tendo sempre a segurança como primeira prioridade.



Os últimos 3kms do percurso, apesar de terem sido feitos por estrada, foram muito mais difíceis do que estava à espera devido ao Sol. A mochila já pesava nos ombros e as costas davam sinal de cansaço.

Não sei o que o dia me espera amanhã, mas sinto quase como se já tivesse comprido esta aventura. Resta saber se é um sentimento interno de realizado pessoal alcançada, ou se é o meu ser, habituado ao mundano, ao fácil, à rotina a dizer-me num pequeno sussurro, que está desconfortável neste "novo" tédio.

segunda-feira, 27 de junho de 2022

À descoberta de Germil - 1º dia de caminhada

[Germil, Ponte da Barca, Portugal]
MÚSICA CELTA - Piano, Flauta - CALMARIA #034

O peso da solidão, ao longo da noite do primeiro dia,  que se fez mais fria do que o esperado, foi-se levantando. Enrolado em cobertores mais pequenos que eu mas que ajudaram a enfrentar o vazio e o silêncio de Germil.

O silêncio durante a noite, acompanhado pelo sino falso feito de megafones, foram a minha companhia, até ser recebido por um cão bege, de uma mistura de Lavrador, de pata da frente (direita) no ar e a de trás com uma ferida no joelho. Mais tarde percebi que era quase tudo fita para ter comer requintado porque rejeitou um pedaço de maçã que lhe tentei dar, tão depressa como apareceu.

A vontade de subir a encosta cresceu durante a tarde de ontem e a noite do dia seguinte. Estava decidido em desbravar terreno, fosse ele qual fosse, para chegar ao topo do monte mais próximo. Meti-me a caminho, acompanhado de silêncio, sem saber que estrada tomar, sem conhecer percursos, rotas, passagens. O objectivo era chegar lá acima, e cheguei, várias vezes, entre mato grosso, silvas e pedras.


O silêncio acompanhou-me durante toda a viagem, mas preferia que um poeta o tivesse feito. Que um pintor e um músico recriassem a obra desta magnífica natureza. Paisagens, ecossistemas, animais, plantas, que constroem este lugar rochoso, quase inóspito, num dos locais mais tranquilos que tive o privilégio e a sorte de visitar. Em certos momentos, sentia-me percorrer a Terra Média do Senhor dos Anéis.

Durante a caminhada de reconhecimento e na tentativa de chegar a um novo topo, ergui os olhos para contemplar a paisagem e deparei-me com uma cavalaria (grupo de cavalos), castanho-escuro, a comer o que o solo lhe proporcionava e a mim transformava o passeio numa aventura. Fiquei alguns minutos a apreciar, e decidi segui-los, sem medos, sem entraves, mesmo que ficasse longe da civilização, o importante era aproveitar o momento. Percorri mais 1km atrás deles até mudar de direcção para tentar descobrir caminho e voltar para casa, e ao longe bem perto do topo, dois bois enormes com cornos ainda maiores que me fizeram apreciar o animal a uma distância segura. A imponente cabeça ergue-se com o olhar fixo em mim e decidi continuar o meu caminho.

Com o passar do tempo, o peso da solidão foi desaparecendo. O peso do medo, do desconforto, do incontrolável, da tristeza. Apesar de longe do conforto da cama, da aldeia e de caminhos marcados, não me senti perdido, nem desconfortável. Estava finalmente a ter a aventura que sempre quis mas que nunca tive tempo. Pude arriscar. Pude viver, ao meu ritmo, ao meu gosto, sem horas, sem prazos.


Agora que a noite se aproxima, anseio o Padeiro que só trás pão às Terças, Quintas e Sábados pelas 10h00.
O tapete que trouxe tem dado muito jeito ao lado da cama. Faltou trazer uns chinelos, meias quentes, molas para pendurar a roupa, algo doce para dar mais conforto ou desconforto e dores. Os wraps (fiambre, queijo, frango e alface) e a fruta têm sido uma salvação, e faço questão de ter sempre duas latas de atum e garfo para emergências. 1L de água chegou perfeitamente para os 10km que percorri hoje, e ao fim da caminhada as pernas e os pés já gritavam para parar. Foi fantástico! Foi maravilho! É magnífico!
Fazer isto sozinho é incrível, mas com boa companhia, é transcendente!

domingo, 26 de junho de 2022

A solidão onde sempre vivi e que sempre me controlou...

O projecto QuotaGest deu-me a oportunidade de conhecer o Sr. Carlos Moreira da Associação Péd'Rios em Germil, Ponte da Barca, Portugal.
Numa primeira conversa fiquei a saber que o Sr. Carlos utilizava o meu programa e ele que eu era o programador por trás de todo o projecto. Rapidamente trocámos cartões de visita/publicidade do nosso trabalho. Foi então, que depois de um ano fechado em casa, e problemas que se tornaram autênticas bolas de lava, que decidi lutar contra esta solidão onde sempre vivi e que sempre me controlou.
Arrisquei, enviei email, marquei cinco dias de férias no albergue e esperei mais de um mês para iniciar esta nova aventura.

Depois de ter feito 210km, 2h de viagem, o jantar, preparar o lanche para a caminhada de amanhã e me deitar na cama, apercebi-me de que faltou trazer o essencial: boné/chapéu, meias quentes e garfos.

Introspecção
Sinto o peso do silêncio à minha volta enquanto descanso deitado num colchão com cobertores improvisados.
Estou sozinho, acompanhado apenas pelas fotos e mapas nas paredes, de colchões vazios e a escuridão lá fora.
Com o pôr do sol quase no fim, a encosta começa a cintilar de luzes, como uma procissão e festas que aparecem devagar para alegrar a aldeia neste canto remoto perto da fronteira com o norte de Espanha.

É aqui, no meio de tudo e do nada, do silêncio que tem peso, de um silêncio que sussurra levemente apenas o som do vento e dos pássaros. Uma solidão externa, fora do que sou, onde a consciência é transportada para cada célula do meu corpo. Sinto-a em cada parte do meu corpo como um lençol molhado, à temperatura ambiente, sem peso suficiente para me enterrar o corpo, nem leve que não o consiga sentir nos pêlos que me cobrem.

Tenho ainda em mim o medo que me controla. Um controlo manipulador da minha liberdade, do meu espírito. Carrasco das minhas aventuras, dos meus sonhos, dos meus desejos, das minhas conquistas.
Trago ainda preso, acorrentado às paredes do meu cérebro, talvez até faça mesmo parte das paredes e da gelatina de todas as sinapses de pensamentos e sentimentos que me formam, o controlo desmedido pelo que não posso nem consigo controlar.

Esta é a primeira etapa da minha experiência na verdadeira solidão. Acompanhado apenas por mim mesmo, com os meus monstros, medos e desejos.

domingo, 15 de abril de 2018

A construção de um império pessoal...


[Photo: Chadwick Tyler | Model: Jana Knauerova]

Viver não é sinónimo de fumar, de beber, de ir para a esplanada do café, do bar ou dançar numa discoteca. Não é viajar, nem ir à praia.
Não é sinónimo de gargalhadas com os amigos, numas muitas "loucuras" de brincadeiras parvas e infantis, que surgem pelo simples facto de ou já estarem bêbados ou em grupo.

A falsa satisfação social que o tabaco e o álcool proporcionam, envenenam o cérebro jovem que ainda não amadureceu, que ainda não cresceu. Depende do contacto social, das amizades, das conversas efémeras e do vício luxuoso de gastar +5€ cada vez que sai.
Porque quando as árvores tombadas começarem a surgir no teu caminho, e situações difíceis que não podes controlar ou melhorar te inundarem a preocupação; As conversas cheias de gargalhada, onde te sentiste aceite, integrado, ouvido e valorizado, não terão o impacto suficiente para te ajudar a decidir.

És tu quem dá o paço em frente.
És tu quem toma a última decisão.
Mas garanto-te que tomá-la quando o álcool já entrou no organismo, as gargalhadas substituiram as conversas sérias e o conforto que os amigos te deram nesse momento ínfimo da tua vida, não terá o impacto que desejas. Pura e simplesmente, porque não foste capaz de ver que a árvore tombada tinha um arbusto de silvas do outro lado. Se estás à espera que eles estejam ao teu lado na tua primeira entrevista de emprego, na ida às finanças, na fila dos CTT, ou naquele primeiro exame de código, estás cego.

Os amigos ajudam a apaziguar o stress, o nervosismo e a dar uma falsa satisfação ao ego. Esses teus "momentos de viver", de "aproveitar a vida", são outra droga, outro vício que já não controlas, que julgas ser o bem mais necessário; Os momentos que te tornam quem és...
És incapaz de ir para o café sozinha, porque na realidade, és incapaz de estar sozinha no mundo, por tua própria conta. Tens medo da solidão. Tens receio do que os outros possam pensar em ver alguém sozinho no café. Vives de um medo que não controlas.
O momento em que entras para o mercado de trabalho, recebes dois sacos: um de responsabilidades e outro de deveres.
A tua liberdade, a tua voz, a tua opinião, deixam de contar, porque as pessoas são mais velhas do que tu, têm mais poder do que tu, e se te poderem foder, fodem.
Voltas então ao mesmo vício, à necessidade de estar com os amigos, de puxares um cigarro e beber uma cerveja, na esplanada do café, com o desejo de soltar o stress, o nervosismo e a tristeza acumulada durante a semana de trabalho.
Entras num poço, numa espiral que não te leva a lado nenhum mas que acreditas estar a fazer alguma coisa com a tua vida porque estás feliz nesse momento, e a vida nem está má; recebes o teu ordenado, tens carta e até carro próprio ou dos teus pais, e sais para passear e até lês uns livros... mas não podias estar mais longe da realidade em que se tornou e se transforma a tua vida.
Paras no tempo. Estagnas. Tornas-te mais um(a), português amargurado, que critica o estado do mundo, do país, ou da mentalidade dos outros, por o país não ser como os teus amigos. Não ser fácil como o teu cigarro e a tua cerveja.
A única solução que encontras para combater esse tédio, essa falta de vida própria, é sair com os amigos, lançares objectivos para o "próximo ano" e "acreditar" que as coisas vão melhorar.
Mas continuas a estar longe da realidade. Continuas a ser incapaz de ver e de compreender por ti, sozinho(a), que viver a vida não se faz através de cafés, cigarros e cervejas, tão pouco de viagens, mas das decisões. Do caminho difícil que precorres para realizar um sonho.

É fácil sonhar, mas é na luta dele, do esforço ao longo dos anos, dos sacrifícios, que te realizas e vives.
Os livros de auto ajuda são uma excelente oportunidade para aprender a ser alguém melhor do que já és, mas apenas ler não chega. É preciso ver os outros, experimentar, errar e tentar.
Se não partir de ti a mudança... Se não vier de ti a vontade consciente de deixar para trás os maus hábitos, os vícios, e começares a fazer da tua solidão, do teu Eu, da tua alma, um amigo, uma prateleira com livros de tuas anotações, da cultura e razões fundamentadas de seres o que és, não cresces, não te tornas melhor...

Por viveres a vida de forma tão vibrante, divertida e despreocupada durante tantos anos, o impacto da realidade das coisas que te rodeiam começam a apertar no pescoço, a fazerem-se sentir em peso nas costas mal habituadas, começa-se a fazer sentir, quando precisas de tomar uma atitude, uma decisão importante e falhas ou te é difícil, porque o hábito assim o proporciona.
Entras em stress, em pânico, em parafuso, por coisas tão simples... Não te é habitual "pensares demais" nas coisas. Preocupares-te com elas. Com a responsabilidade ou exigência do trabalho que tens a fazer, dos documentos para assinar ou assuntos para tratar, nos mais diversos locais que desconheces, onde não se riem para ti, não te aceitam no grupo ou bebem uma cerveja contigo enquanto puxam do segundo cigarro, porque não estão entre amigos que se apoiam...
Por viveres a vida de forma tão vibrante, divertida e despreocupada durante tantos anos, as coisas que te rodeiam, tal como as pessoas, as aventuras, as coisas exitantes, loucas e diferentes, perdem força, beleza, curiosidade aos teus olhos. Tudo se torna "igual", parado, monótono, indiferente...

Viver, caro humano, não é a "curtição" num café, numa esplanada, em pleno desboche social, para quebrar tabus, ideias políticas ou ideologias sociais, mas sim na produção e desenvolvimento de quem tu és, e usares o que tens para dar, para melhorar o mundo. Não precisas de ir tão longe, basta fazer a diferença com aquilo que mais gostas de fazer.

Viver, tem como base dois pontos:
  • A construção de um império pessoal.
  • A construção de um império social.

A construção do teu império pessoal, é aquilo de que te constróis. É aquilo que és quando estás sozinho. É a maturidade e a personalidade que desenvolves ao longo da tua vida.
São as experiências que tiveste. São os erros, os fracassos, os sucessos. São os filmes, as séries, os livros, as revistas, os documentários.
Esse teu império pessoal, é o que te define. São os argumentos que possuis para provar porque gostas da cor, ou da música, ou do filme que te dizem tanto.
Se não és capaz de crescer por dentro, será dificil cresceres por fora quando estiveres sozinho. E acredita, um dia vais estar sozinho... E se não estiveres sozinho fisicamente, vais estar sozinho de forma pessoal, sem conhecer ninguém e ninguém te conhecer. Nesse dia, quando o teu Eu surgir, vais sentir na mente que não foste capaz de desenvolver nem de habituar, a solidão e a frieza do que é estar sozinho e dependeres de ti para sobreviver no mundo. Porque na verdade, criaturazinha, não tens valor nem és ninguém, tal e qual como eu.

A construção do teu império social, é tudo o que fazes com familiares, amigos, estranhos, empregados de mesa ou qualquer outro tipo de interacção com pessoas. São a "cortição" até às tantas da noite com os amigos e colegas, seja de trabalho, de escola ou de infância.
São as tardadas ou as horas prolongadas na esplanada do café, no meio de uma conversa para marcar presença, para rir e engalhofar.
São as cunhas, são as amizades rápidas, os namoros. São a capacidade de meter conversa para criar amizades, através da simpatia ou educação.

Ambas são importantes. Ambas te dão ferramentas para viver e saborear a vida de uma forma consciente e responsável. Pois de um lado tens a capacidade de estares sozinhos e criares os teus momentos, os teus sonhos, e do outro tens o amor ou a atenção que muitos de nós precisam.

A única diferença, é que preferiste desenvolver as tuas "competências" sociais, enquanto acreditavas que o teu império social crescia no mesmo passo.
Fazem mais por ti as caminhadas no meio da floresta, com ou sem GPS, o pôr do sol e aqueles pequenos momentos que te dão energia ou tristeza à alma. Faz-te melhor a exploração da gruta que negas existir dentro de quem és desde que nasceste. A escuridão da depressão de que todos transportamos como um cancro em bomba relógio.
Faz mais por ti um livro, que um cigarro e uma cerveja na mão.
É quando tens a cabeça debaixo da bota pesada, que te pressiona o crânio, te prende as mãos e te arranca do coração e do corpo todo o desejo e força de "viver", que passas a saber o que é realmente estar vivo e a importância que as coisas que nunca fizeste te começam a gritar tanto, até abrirem tuneis na pele, do nó da garganta às pontas dos dedos, como arrepios e assombros que em voz de lamentação, te fazem perceber e consciencializar de que deverias ter sido mais produtiva para contigo, ao invés de "curtir" a vida da forma mais despreocupada e luxuosa possível, porque "só se vive uma vez."

Mas é precisamente aí que pessoas como tu se enganam, se engasgam, se tornam hipócritas. É nesse momento de paralesia social do "desboche" e "curtição", que param, que estagnam. Porque é verdade que só se vive uma vez, e que se deve levar e fazer essa caminhada da forma mais alegre e preenchida possível, só não te podes esquecer de que para viver ao máximo, precisas de comer, precisas de roupa, de um tecto, de uma cama, e essa vida tão maravilhosa que levas de adolescente irreverente, um dia acaba, porque o dinheiro é emprestado pelos teus pais, como injecções de capitais.

Se não fizeres pelo teu futuro, não terás nenhum.


Para ti, que não fumas nem bebes, que não sais muito de casa e tens poucos ou nenhuns amigos com quem sair... Lê; Percebe que não precisas de nada dessas coisas para viveres. Para cresceres, para te tornares num homem ou numa mulher. A tua história não se constrói no meio de venenos e vícios que te sugam o pouco dinheiro que tens todos os meses. E o tempo que estarias num café, poderias estar a ler um livro, a escrever, a desenvolver projectos. Não precisas de ter medo por andar sozinho(a).
Sê tu próprio. Não te sinjas por modas, nem pelo que os outros fazem.
Acusarem-te de não viveres, de não curtir a vida, não significa que estás errado, signfica que preferes investir o teu tempo noutras coisas.
Usa esse tempo livre para enriqueceres a tua cultura geral. Para ler, para compreender melhor o mundo que te rodeia.
Constrói e solidifica a essência daquilo que és. Tornares-te melhor de ti para os outros. Cada tentativa que resulte num erro, estás a um passo mais próximo de te tornares quem sempre desejaste ser. Mesmo que te inspires em alguém físico, ou no personagem de um livro ou das tuas histórias, reconhece e percebe que um dia irás lá chegar, irás ser tão bom ou melhor do que aquilo que sonhas.
Dá tempo. Alcançar esses objectivos demora anos.
Uma dica... Põem os pés fora de casa ou os pés bem acentes na terra. Sê analítico em tudo o que te acontece ou te rodeia. Não deixes as emoções tomarem e controlarem as tuas decições. É esse o caminho que tens de percorrer para te tornares alguém ainda mais interessante. Crescer! Descobrires-te, re-inventares-te. A ti, e à tua história. Virares a página do teu próprio livro, e continuares, levando contigo tudo o que sabes, tudo o que sentes, tudo o que sonhas, tudo o que te faz sofrer e sorrir.

Tu, que me lês, e és um merdas; Sentes-te um merdas ou te fazem sentir um ninguém que não sabe aproveitar a vida, curtir, festejar, fazer amigos. Vou-te contar um "segredo".
Para poderes fazer alguma coisa da tua vida, tens de começar uma revolução dentro de ti para alcançar a mudança mais importante da tua mente: Confiança!
Enquanto não tiveres confiança em ti, nas coisas que fazes, nas coisas que dizes, e te deixares dominar pelas incertezas, pelos medos, pela vergonha, pelos pensamentos negativos, pela depressão ou pela morte daquilo que testemunhas todos os dias de ti próprio, vais continuar a caminhar na mesma estrada, com espinhos e árvores tombadas.
O dia em que respirares confiança, vais enfrentar o próximo degrau: tornares-te Macho/Fêmea-Alpha. E por muito que finjas ter confiança, um dia isso vai tornar-se parte de ti como o caminhar, e não há mal nenhum nisso, porque no fim e no fundo, todos nós usamos máscaras.
Os ombros vão estar direitos, as costas deixaram de estar quebradas pelo medo e insegurança, e o teu caminhar vai ser firme e confiante.
Com o tempo, com a luta que pretenderes fazer, vais perceber mais tarde que TU podes alcançar tudo! Que TU podes fazer tudo, ser tudo, ir a todo o lado e perguntar o que quiseres! Porque a vida, torna-se muito mais simples, muito mais fácil, quando a vês sem medos, sem vergonhas, sem o nervosismo de interacção humana.
Depois do teu exame de condução, o medo de conduzir controlava a tua mente. Injectava em ti sonhos aterrorizantes de acidentes e multas. No entanto, com o tempo, ganhas-te confiança nos pedais, nas mudanças, no volante, e em ti mesmo. Se olhasses para trás, para a tua primeira aula de condução, dirias que foi uma das experiencias mais assustadoras da tua vida, mas que conquistaste, com o tempo, por muito dificil que tenha sido.
É precisamente assim que deverás ver a vida. Não há razão para ter medo, vergonha, incertezas, receios, nervosismo, ou entrar em paranóia ou stress por algo tão insignificante.
Porque o segrego, é saberes que o podes fazer! É saber que com o tempo tudo se torna um hábito ou te nsai aturalmente.
É agarrar a vida pelos cornos! Torcer e amassar! É rasgar tudo aquilo que te prende numa zona de conforto que existe apenas na tua mente, e seres a pessoa curiosa que és! Perguntar, descobrir, aprender.

Não precisas de beber, de fumar, de sair à noite, de ir ao cinema, de ter montes de amigos e te sentires integrado num grupo. Isso são tudo cadeados que te prende nas caixas daquilo com que a sociedade te pretende controlar e desmiular. Esses vicios e fraquezas não fazem parte da pessoa que és; da pessoa que escondes e guardas dentro de ti: o Macho/Fêmea-Alpha! O líder! O corajoso! O destemído! E não há mal nenhum em seres tudo isso porque os outros não fazem ideia nem querem saber.

Enquanto não te puseres á frente do urso, não saberás que tens um lobo dentro de ti. Se vais sair, cordeirinho, sai à vida agarrando-a pelos cornos! Torce e amassa! Tudo o que tens de fazer, é saber que o podes fazer. Só tens de ir lá e conquistar. E mostra a todos os filhos da puta que te disseram que não podias fazer nada da tua vida, que estás a caminho! Porque tu vais conquistar tudo aquilo que eles disseram que não serias capaz. E lembra-te: Tudo aquilo que não te matar, é melhor correr!!!
Tens dentro de ti tudo o que precisas para ser um líder, para conquistar e dominar a tua vida e o que desejas para ti. Será com esses pés que vais desbravar caminho para que outros te sigam. Será com essas mãos que irás criar o que mais desejas. Com a tua postura, irás dominar e conquistar qualquer lugar que entres. Se errares? É natural, como a natureza. Não vives para aprender, aprendes para descobrir realmente como viver.
Tu constróis a tua vida.

Mas... e quando te sentires triste? Vazio, com medo, nervososo, envergonhado, sensível? Aprende a perdoar. A perdoar aquilo que és. Aprender a analisar o porquê das coisas que te deixam assim. Além disso, quem disse que depressão é uma coisa má? Que descer até ao fundo do poço é uma coisa horrível? Que ter medo te destrói? É com os momentos mais tristes e infelizes da nossa vida que podemos valorizar o sorriso, a gargalhada, a piada, os momentos realmente bons, bonitos e genúinos. Pois para sentires o carinho e o afecto de um abraço, tens primeiro de sentir a solidão e a tristeza profunda. Aprende a abraçar a solidão e tudo o que ela traz consigo.

Existe uma frase muito interessante sobre relacionamentos:
"Ao inicio é tudo muito bonito. Cheio de amor e paixão; A pessoa lambe-te de alto a baixo e de um dia para o outro, deixas de ser alguém."
As pessoas à tua volta, têm o Síndrome Titanic. O que me sempre me diferenciou de pessoas da minha idade, é que eu sabia que o navio iria bater um dia. Enquanto eles estão na "curtição", a fumar, a beber, a "viver a vida", despreocupados por o navio ir bater no iceberg, eu já comecei a aprender a nadar.
Consciêncializa outra coisa: Essas pessoas que conheces, que vão para os cafés, ou que bebem e fumam, que saiem de casa para "aproveitar" a vida, que saem à noite, grande parte dessa gente não tem filhos, não tem obrigações financeiras dispendiosas todos os meses. Muitas não trabalham, não têm filhos, só estudam, e os papás sustentam todos esses gastos de vida louca. Vivem a vida com o dinheiro dos pais, e não há nada mais humilhante para o carácter de uma pessoa dessas, do que usar e gastar o dinheiro de outras pessoas, para aclamarem e plenos pulmões que eles é que sabem "viver a vida", e curtir, e que eles é que são fixes porque têm amigos, e saem de casa, e fazem festas e vão todos juntos até á praia. Mas alguém os sustenta...

A construção do teu império pessoal, da tua pessoa, da tua mente, da tua solidão, da tua força, da confiança e da tua presença, é a escada mais importante que subirás na vida. Tu és o Alpha.
Se as coisas não te desafiam, não te irão mudar. E quando um dia olhares para trás, para a pessoa que és hoje, vais sentir orgulho ou saber que podias ter feito mais?

O que farias se não tivesses medo?

O que farias?
O que dirias?
Onde irias?

Isso que sentes, que te prende, é o único obstáculo entre ti e a realização de tudo o que desejas ser. É uma pergunta que te faz tremer, porque descobres nesse ponto de interrogação o vazio em que sempre sobreviveste, sem nada para espremer, sem nada para emoldurares. Foste, simplesmente. Existes meramente, como um peão num jogo de xadrez. Como uma cara no meio da multidão, no plano de fundo da vida dos outros.

Vais ter medo a tua vida toda, ou vais fazer alguma coisa com ela!?

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Nunca...


Nunca amei ninguém, como te amo a ti.
Nunca desejei ninguém, como te desejo a ti.
Nunca senti por ninguém, o que sinto por ti.
Nunca vivi com ninguém, o que vivi contigo.
Nunca sofri tanto por alguém, o que sofro todos os dias por ti.

És para mim o luto mais difícil de fazer.
Sabes onde me encontrar... se um dia quiseres caminhar.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Um dia deixarás de ser tu...

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Sinto saudades de ser amado...
Saudades de sentir o amor através do abraço, de um beijo, de um simples olhar.
As memórias tornam-se pesadelos de uma angústia que se descontrola de dia para dia, que se infiltra no coração triste, sozinho, com tamanha amargura, saudade, solidão.
Choro em sofrimento, invisível, recordando o teu cheiro, o teu amor por todo o meu corpo, a tua presença.
Uma saudade de ti que se transforma, que se monstrifica em cada lágrima derramada sobre o rosto que grita por ti, pelo calor das tuas mãos, pelo toque suave dos teus lábios, pelo laço simples e perfumado que colocavas à minha volta em cada saudade morta por um abraço teu.

Sinto saudades do amor...
Saudades de o buraco da solidão ser preenchido pelo que sou incapaz de lhe dar, como humano que sou na minha mais perfeita imperfeição que é de viver sozinho. Não existem amigos suficientes para o tapar. Não existem risos nem apoio que cheguem, para que a escuridão atenue ou vá embora.
É nas saudades que te vejo. É na dor de te perder, de não te ter, de não te acarinhar, de ouvir a tua voz cantar aos ouvidos.
É no compromisso de saber que estás lá, e sempre estarás, numa promessa de ternura.
Saber que me dás com toda a paixão que carregas contigo, com todo o desejo.

Sinto saudades da cama preenchida...
Saudades do teu peso ao meu lado, do teu calor, dos movimentos de conforto e desconforto.
Da minha mão no teu corpo, na tua cintura, só para saber que ainda ali estavas, que ainda respiravas, que ainda me amavas.
Uma memória, um sonho que nunca poderia criar com todos os detalhes que foi ter alguém, tu, assim ao meu lado, todas aquelas horas da noite, num mesmo colchão, num mesmo sono...
Saber que de manhã, ao acordares, nos demorávamos a preparar para ganhar a vontade de sair debaixo dos lençóis.

Tenho saudades...
Penso então, na razão de te ter sido tão fácil deixares para trás, todo esse mundo, todo esse carinho e ternura que um dia partilhámos. Essa história mágica, os momentos únicos.
Repenso, num sofro de sentimentos abafados, o teu querer da distância, a tua vontade da morte de todas as coisas que um dia nos foram queridas, nos foram especiais.
Para onde foi a vontade? Onde encontro eu a minha força de seguir em frente e esquecer que tudo isso foi apenas só mais um capitulo inacabado?
Que razão existe de quereres atirar todos os momentos que passámos juntos, para o lago, pedra-ante-pedra? Que horrores cometi? Que atrocidades te fiz para chegares a ponto final?

Pensar amar alguém, é-me uma traição...
Conceber sequer dar o mesmo amor a outra pessoa, é um pensamento que sou incapaz de completar na minha mente, no meu coração, através dos músculos do meu corpo, cujo único que querem é ter-te de volta, sabendo eu que sou imperfeito.
Um imperfeito que continua a crescer, a aprender, a criar quem é e o que será.

Se é esse o desejo, de te perderes de mim, espero que um dia não te arrependas, tarde de mais.
Sempre estive aqui, com vontade de amar e ser amado. Nesse dia, possivelmente, já farei alguém feliz todos os dias...tal como um dia te fiz a ti.
Um dia deixarás de ser tu... deixarás de ser a "tal" que julguei ter encontrado.
Que todos os beijos te continuem nas memórias dos momentos que partilhámos.
Que os ramos de flores te alegrem nos dias mais tristes.
Que a minha ausência na tua cama se faça sentir nos teus pés e nas tuas costas.
Que a saudade do meu amor por ti te assombre nos dedos entrelaçados de outro qualquer.

Um dia... tornares-te-ás apenas um alguém... pois da saudade o amor não se alimenta, torna-se pequeno. Se não alimentares, evapora-se com o tempo.


Um beijo a tudo o que foste, a tudo o que fizemos, a tudo o que de bonito partilhámos.
Um abraço de "adeus" que não quero dar, por tudo o fomos.


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Que o meu texto te dê conforto, tu que me estás a ler, nesta altura tão difícil para ti, como foi e é sem dúvida para mim.
Porque amo com tudo o que sou e tenho para dar.
Errei por dizer coisas parvas sem nunca com o objectivo de ofender.
Errei por dizer piadas simples, apenas por achar que me ajudariam a integrar, a ser aceite, a acalmar o meu nervosismo.
Errei por não pensar primeiro antes de falar.

Que a minha experiência te ajude a crescer, a corrigir, a ser melhor.
Não penses que deste de menos. Disso não te poderás arrepender. Seria pior se nada tivesses dado, ou fosse insuficiente.
Trata-a(o) com todo o carinho, atenção, dedicação e ternura. Dá-lhe, proporciona-lhe o sentimento que gostavas de receber, que adoras sentir, que te faz e sabe bem.

Nunca te esqueças de uma coisa muito importante:
"Quando um dia tudo acabar, e tudo desaparecer, só poderás contar contigo mesmo(a)."
"Vai piorar antes de começar a melhorar."
A solidão humana não chega para descrever o sofrimento que é o de existir sozinho na tua própria mente carregada de amor e dedicação que tens para dar.
Tens um valor inestimável! Nunca deixes de ser, muito menos de dar...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Vou sentir saudades tuas...

[Im Fine. - Pinterest]
[Be gente. - Pinterest]


(played during a thunderstorm)


Deixa-me ajudar-te...
Quero ouvir-te, e saber que os meus olhos te dão alento.
Tocar o teu rosto de mão quente e deixar que te deites na palma da minha alma.
Conta-me os medos que te assombram. Os receios que te controlam a vida e o espírito de quem és, que te suga a força e a vontade de seres, de te inspirares.
Desabafa o receio de te perderes de ti, do que já foste.

Sem ti, não consigo respirar!
Apareces em todos os recantos das minhas memórias, como personagem de fundo... E quando penso no nosso último beijo, no ultimo abraço, no ultimo "adeus"; O aperto no peito faz-me chorar a saudade que sinto todos os dias por ti.
É do teu olhar de sorriso tenurento, que vou sentir mais saudade. Dos teus lábios tocarem os meus gentilmente. Do conforto que foi chorar no teu peito, do reconforto que foi ser abraçado por ti.
É o desejo de te voltar a sentir junto de mim, minha, princesa, meu amor eterno...

Que a tua face não desapareça da memória.
Que o teu cheiro e doçura não esbote da minha pele.
Que a tua essência abrace para sempre quem sou.
Foste tu a minha amada. A minha paixão de uma vida, a parte de mim que nunca fui capaz de ser.
És a luz que me ilumina a escuridão do vazio que hoje, neste dia sombrio e frio, se abate sobre mim, me rasga o peito e enche de lágrimas num sofrimento mudo, num mundo que já não faz sentido.

Já senti amor, mas foste tu a primeira que mexeu comigo.
A primeira amizade por quem lutei mais.
A personalidade com quem mais cresci e amadureci.
Que não seja um acabar. Que não seja um adeus. Que o até já esteja ao virar da esquina, e todo o tempo que perdemos nos reencontre, com o mesmo amor e paixão do nosso primeiro beijo, do nosso primeiro abraço, ao pôr do sol, nas Portas de Coimbra, no sitio mais bonito que foi conhecer-te, descobrir-te e amar-te. Um momento ao qual me agarro, pois tudo o que é mais sagrado, aconteceu ali, junto de mim, por ti e para ti.


"Sê gentil contigo, estás a fazer o teu melhor que podes."

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Intensifica-o, e tudo o resto se desmorona...

[Death white Cow - Pinterest]

Hoje, o mundo morre um pouco mais, e eu choro mais do que nunca. Ficando a garganta entupida de soluços sofridos. O peito arde e a dor cria um terror medonho no meu cérebro. O ar não passa, não consegue entrar, não pode descer, e a combustão intensifica-se nos pulmões.
Há dor maior do que não morrer? Dor maior do que estar vivo?
Há maior pecado que desejar morrer? Desejar a morte do Eu?
As lágrimas desbotam a máscara branca de um carnaval que nunca foi feliz.
Há sofrimento suficiente no mundo para perceberes que a vida nunca deveria ter germinado? Não é suficiente a extinção dos seres vivos para compreenderes que já nada tem valor?
Há algo neste planeta digno de ser amado? Digno de ser apreciado?
Embalo a criança dentro de mim, no colo mais quente e reconfortante que possuo dentro de mim. Ela chora, morre, cai e quebra-se. Nada do que lhe possa dar para tirar as incertezas, o sofrimento e as feridas nos joelhos, a manterá viva pelo sorriso das coisas.
A mascara branca perde a cor, o elástico e deixa de existir com o tempo. O sofrimento da alma enaltece cada músculos do meu corpo. Olhar o horizonte e observar a morte do mundo, em dor, em sangue, num misto de frio e nevoeiro, arranca de mim toda a consciência.
A cinza que me criou, o barro que me deu forma, trouxe com eles um defeito: Medo.

domingo, 30 de outubro de 2016

Ele existe em ti, consegues ver?

[Horizon - Pinterest]

Conheces o vazio? Consegues senti-lo? A subir pelo teu corpo, arrastando a tua sombra pelo chão, esticando-a e torcendo-a através do caminho que tomas.
Sentes o frio comer-te as costas e as mãos? O choro da chuva inundar-te a mente de melancolia e fazer descer por ti um diluvio de incertezas e inseguranças? Os desejos e os sonhos dissipam-se na escuridão e um poço é tudo o que tens para usar; sem corda, sem balde, sem água.
Sentes a solidão engolir-te? O horizonte assombra o teu presente com o inevitável fim que antevês, que se aproxima e não muda, não melhora, não se transforma. Caminhas lentamente para ele, o teu fim trágico, onde todos os teus arrepios acordam e gritam apavorados o assombro que se avizinha, ali, ao fundo, aqui tão perto, no agora que se cobre de nuvens.

E não há nada mais bonito que o terror que sentes na alma, no peito. O desejo de abraçar essa negra nuvem que se avizinha, com o nevoeiro que a acompanha como uma capa de herói.
O que ser nesse momento? O que fazer? O que dizer?
O nevoeiro passa por ti, atravessas-o sem mexer um músculo e sentes que te arrasta. Deixa-te levar, qualquer lugar será melhor do que a vida miserável que levas neste mundo em devaneios.

Conheces o vazio? A dor que ele traz? O ódio de que te alimentas? O frio que te derrota?
Queres conhecer o fundo do poço que escavas de mãos despidas e de costas rasgadas? Abre os olhos e chora. A derrota vê-se no horizonte e nunca poderás fugir dela.

sábado, 17 de setembro de 2016

sábado, 9 de julho de 2016

Não te prendas ou fujas do passado...

[Come with me - Karel Balcar]


À morte dela te tornarás em nada e ficarás com tudo. Exposto ao mundo de emoções e esventrado de dentro para fora, pela ausência de um sere que não és tu, mas que te fazia sentir sagrado. Aos olhos dela, eras o sorriso que tinha medo em esboçar, os passos de dança que tinha medo em dançar e as palavras que criavam nós na sua língua, na sua mente envergonhada e medrosa.
Na morte dela, descobriste que o amor por alguém é algo cruel.

Descobres que tudo destes, sem pedir nada em troca, sabendo desde sempre que nunca houve um beijo de si mas um aperto de mão, num negocio feito e aceite por ela.
Recordas os seus pés nas piores circunstâncias, os medos no rosto, as inseguranças caírem pelos seus dedos. Ela viu em ti o homem que sabias ser e tu o príncipe encantado que acreditou salvar a impotência de alguém distraído. Era bonito olharem-se pelo espelho. Era carinhoso o gemido que fazia aos passares as mãos na sua essência. Mas toda a vez que a olhavas, tocada e exigente, perdias o desejo e a paixão. Perdias o fogo.
A sua morte afasta-te do mundo dos vivos. Afasta-te do "querer", da "saudade". Estar morta, era pecado, um alívio, o fim da escravidão emocional.

Tornavas-te feliz, sem nada do que restava do contracto. Recordas a sua existência. Recordas o sorriso e as palavras, na morte de todas as suas coisas. Agora que respiras por ti, não te esqueças do que foi viver, do que foi fazer feliz. Abraça-a todos os dias quando o sol nascer, porque aceitar que um dia ela te fez feliz, é a prova de que lá pelo meio, ela foi quase a mulher de procuravas.

Não te prendas ou fujas do passado, abraço-o, valoriza-o e aprende com ele...


segunda-feira, 28 de março de 2016

Vou dar-te uma proposta irrecusável...

[Be strong to stand alone - Pinterest]


Tenho errado bastante estes últimos dias... seja por falar demais, por achar que tenho piada, por sentir que posso dizer tudo o que me apetece, brincar com a situação ou levantar a voz só porque me chateio com alguém que não faz o que era suposto fazer.

Por causa disso, tenho andado muito stressado e sem vontade de escrever. Mas como sempre usei o blog como uma escapatória para expor os meus pensamentos, para falar sobre eles, para me re-educar e avaliar, vou aproveitar para despejar mais um monte de balelas, só porque sei que me vai ajudar na criatividade futura.

Percebo agora, com 26 anos, que continuo a falhar mesmo quando não quero. Pouco controlo a situação, mas continuo a ficar zangado comigo mesmo por essas coisas acontecerem. Era suposto eu já ser um homenzinho certo? O que me falta? O que estou a fazer de mal? É falta de namorada? É falta de ter um filho? Esse ultimo pensamento aparece todos os dias, sempre que vejo uma criança. Mas e a namorada? Em que falho?

Não posso achar que consigo controlar tudo. É impossível. Mas tenho aprendido muita coisa de todas as merdas que faço. Sejam pequenas ou grandes. Isso é bom sinal. Significa que ainda não parei no tempo.
Tenho continuado a ler, coisa que eu raramente fazia antes de começar a escrever o meu livro, em 2014, que ainda nem o primeiro capítulo está concluído porque é muita informação e pesquisa para introduzir; Mas tenho aprendido bastante com todas as páginas que li das dezenas de livros que já comprei. 400€ em livros é obra!

A verdade é que eu sei o que me falta. Falta-me falar mais com as pessoas, faltam-me amigos. Abrir a mente e expor o que sou. Conversar. Mas... é só isso que preciso? Socializar? Eu sei que a essência humana exige o sacrifício do meu espaço pessoal, "exige" de mim a partilha de tempo e paciência, mas eu não sei lidar com as pessoas com conversas de "café". Prefiro observá-las nos seus a fazeres.

As minhas ideias têm mudado bastante, principalmente perante o mundo, desde que comecei a ler mais. Grande parte das minhas opiniões, principalmente as que escrevi já vezes sem conta no blog, são hoje "muito" diferentes das que defendia antigamente. Hoje atribuo a culpa da geração, única e exclusivamente aos pais, à educação que eles dão aos filhos, seja em casa ou na rua. A culpa não é da televisão, nem da moda, nem da publicidade, nem do dinheiro. É dos pais. É impossível controlar tudo o que acontece na vida dos filhos, mas é a prepará-los para a vida, para a sociedade, que eles vão saber fazer a escolha certa mais vezes do que as más.
Isto para dizer que apesar de por um lado eu ter deixado de ser burro e com mania de que "eu sei tudo", tenho aprendido com todos os livros que já li, de qual é o meu valor. Por essa mesma razão, sinto-me dividido entre o ser Nada e o desejar ter uma mulher e uma filha a quem amar, porque independentemente de tudo o que fizer, a minha biologia e condição humana, acima do instinto animal, me gritam para deixar os meus genes, para ter filhos, constituir familia. Ser feliz. Ter amigos.

Tenho 26 anos e não tenho namorada. O que é que isso diz de mim? Que sou muito tímido e não saio de casa. Mas tenho um centro de backups, "WD Mirror 4TB", ao qual posso aceder fora de casa, ou partilhar um ficheiro com alguém sem pagar serviços de terceiros. Ou um novo aparelho de gravação que me permite gravar da televisão com uma qualidade muito superior à que antigamente tentava fazer. TVRip-DesenhosAnimados

Estou apetrechado com alguns dos equipamentos mais incríveis que nem sonhava vir a ter, e a conseguir configurar, apeser de me dizerem que seria impossível. Mas não tenho namorada! E eu quero uma, porque quero dar, quero receber, e a punheta não é a mesma coisa... verdade seja dita. Todos queremos ser amados, e eu sou um deles. É preciso julgarem-me!?
Tenho um quarto que é só meu, verdadeiramente. Cujas paredes de 3 cores diferentes foram todas pintadas por mim. Incluindo o chão, que não escapou ao cimento que tive de colocar para tapar os grandes buracos causados pela "tinha". (Vermelho escuro, Amarelo e Verde.)
Quando foi preciso redesenhar a instalação de cabos de rede para a Fibra da Vodafone, tomei a iniciativa, desenhei a planificação da passagem de cabos no computador, dialoguei com o meu pai sobre a melhor estratégia a tomar e quando foi altura de fazer os furos nas paredes, peguei no berbequim e furei tudo sozinho. O meu pai comprou as calhas, é certo -- ficava-lhe a caminho do trabalho -- e quando foi para finalizar, colei as calhas nas paredes. Re-instalei os cabos e as cabeças RJ45 nos mesmos. Comprara em antemão uma bateria UPS, que fornece energia aos aparelhos de internet sempre que falha a luz cá em casa, o que é quase todos os meses, pois a minha mãe liga forno, máquina de lavar roupa e loiça tudo ao mesmo tempo e vai tudo abaixo. Perdi a conta ao número de computadores e discos que perdi por causa disso.
Já no quarto, colei outras calhas para passar cabos de rede para a box e o computador. Aos poucos tenho tornado um quarto que era do meu irmão, no meu. Mais pessoal, mais arrumado.
Tenho-me tentado aperfeiçoar, incluindo nas roupas, gastar bem gasto, gastar no que gosto, e comprar sempre que me interessa verdadeiramente e me fica bem.
Tomar a decisão de pintar o meu quarto, de arranjar e construir tudo o que tinha, na verdade, era uma das coisas que precisava às bastante tempo. Dar um significa a tudo o que sou por dentro e exteriorizar, em parte, o que tenho para oferecer. É por isso que continuo a errar. Porque continuo a aprender, e a estudar tudo o que me rodeia, principalmente quem sou e o que quero ser, para além do que não quero ser e fazer. Aos poucos torno-me no que sempre quis ser, mas que não tinha coragem para tomar a iniciativa.

Mas não tenho amigos... não tenho namorada... não tenho sexo... não tenho uma aventura que me guie. Faço a minha vida, passo a passo, seja lento ou muito lento. E independentemente de errar mais vezes do que as que acerto, orgulho-me, e vou-me orgulhando de todos os pequenos apontamentos que vou alimentando ao meu cérebro, à minha personalidade.
Estou mais confiante. Sou confiante! Tenho tantos projectos que quase não tenho tempo para mais nada. Mas tenho algo que valorizo... Tempo para mim! Tempo para rir. Espaço para ser e existir. Espaço para descansar e ouvir-me. Tempo para apreciar e aproveitar... Não me falta dinheiro, não me falta tempo nem felicidade.

Só procuro alguém que queira sentar-se comigo e ouvir o que houver para se ouvir.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Tenho esperança...


Não olhes para mim como se o mundo fosse acabar. Não olhes para mim como se um adeus não bastasse. Não basta, mas será breve. Crio esperança de te voltar a ver; Recordar a face rosada de sorriso apaixonado, o calor e a fragrância do teu corpo, o sabor da tua pele, a cor da vergonha.
Ouvir-te nesta hora tardia, de lágrimas no rosto, a soluçar um sofrimento antecipado, destrói-me, adoece-me. E é então este abraço apertado que me dás de despedida, que nos arranca a força das pernas; Não estou preparado para te ver sofrer, fazeres das tripas coração por só mais uns minutos comigo.
Que todas as minhas cartas de amor te toquem o coração e te libertem da angústia em que te deixas engolir. Que as minhas palavras te relembrem do que somos, das cores com que pintamos a vida.
És a recompensa mais valiosa, o sonho mais marcante, neste momento em que o sol deixa de brilhar.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A vontade de morrer...


É de noite. As cortinas iluminam-se pelo candeeiro da rua, que ilumina a parede do meu quarto. O silêncio aconchega a solidão do meu corpo, coberto de lençóis finos. Não há rangidos, relógios em tic-tac, o frigorifico a trabalhar ou luzes a piscar. Não existe som, se não o dos carros lá fora, lá embaixo no asfalto velho. Estou sozinho, na noite mais fria da primavera.
Vivo na morte de mim próprio, na saudade do que fui, na tristeza do que não tive, na raiva do que nunca consegui ser. Vivo, sem saber viver, sem saber ser; sendo apenas aquilo que se encaixa melhor no que sofri: a desilusão e o abandono.
Não há velas na minha escuridão. Não há cordas para me tirar do poço, nem escadas que possa subir. Respiro vagarosamente, com o calor a querer escorrer-me do corpo, exausto de mim, das minhas ideias e torturas. Sinto o lençol roçar-me o peito e as mãos frias regelarem-se com os dedos dos pés.
Há monstros debaixo da minha cama, na esquina amaldiçoada do meu roupeiro, dentro das gavetas e para lá do espelho. Tento adormecer, fechar os olhos, descansar o corpo e a alma, mesmo por uns pequenos segundos, mas estou sozinho, num quarto que tranco à chave. Vivo sozinho, algures dentro de mim. Sou a depressão vivida de uma morte que se avizinha.
Um carro passa, sem levar de mim o sentimento da tristeza. Alguém existe mas não sabe que aqui estou. Ninguém sabe que sofro, que choro e grito nas profundidades do meu corpo torturado que se aguenta, dia após dia, à dança funebre.
Quem me ampara as quedas que tomo?
Quem me abraça quando choro?
Quem sorri comigo?
Quem me quer ver feliz?
Se tiver de partir deste mundo, que seja sem voz, sem diários, sem recados ou abraços. Sem lágrimas, sem dor, sem pistas para onde fui. Se tiver de viver o resto da minha vida encarcerado, longe do que sonho, viverei sem vontade de existir; E essa, é a maior dádiva que receberei do meu nascimento.

A vontade de morrer...

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Se precisares de mim...



Abro os meus braços e deixo que caias no meu peito. Agarras-me, envolvo-te e choras. Conheces de cor a maneira como os meus braços te tocam no corpo e isso deixa-te ainda mais triste. Cais tanta vez junto de mim, que julgas já não saber fazer mais nada a não ser chorar, dos erros, e depender de mim para te limpar as lágrimas.
Dizes-me então que não és fraca e que não precisas de mim, mas não falas das coisas e isso envenena-te por dentro, destruindo a fraca confiança que tens de ti mesma.
Os abraços já não chegam; Nem as palavras, nem a minha presença, o ramo de flores e o bilhete surpresa. Isolaste do mundo. Pões uma máscara dos "dias tristes" e deixas-te ficar na cama, a soluçar entre lençóis que falsificam o calor do meu corpo e a força dos meus braços.
Uma e outra vez, perdes o equilíbrio e precisas de mim, do meu ombro, para que voltes a olhar para cima. Aprender que se caíres sete vezes te levantas oito.
Este sorriso que trago comigo, não é um gozo do teu sofrimento, é o meu amor por ti, que te espera para poder proteger e ajudar a ultrapassar mais um degrau na aventura a que chamas inferno.

Se precisares de mim, não precisas de correr à minha procura, estou mesmo ao teu lado, onde sempre estive e onde sempre estarei. Decidas o que decidir, erres o que errar ou desesperes pela dor que aperta o peito, eu estarei aqui, para te ouvir, para te apoiar, para te ajudar a crescer.

A solidão é um buraco escuro que deves aprender a controlar.

Abraça-me.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O sofrimento do mundo...


"Se imaginarmos, tanto quanto for possível, a soma total de angústia, dor e sofrimento de cada espécie que vive na face da terra, teremos de admitir que  teria sido muito melhor se o sol tivesse sido capaz de produzir o fenómeno da vida na Terra em tão fraca quantidade como na Lua; e se, aqui como ali, a superfície fosse de uma calma cristalina." pág. 14 - nº 9 - Sobre o Sofrimento do Mundo de Schopenhauer

"Que a vida humana deve ser algum tipo de erro está suficientemente provado pela simples observação de que o homem é um conjunto de necessidades que dificilmente são satisfeitas; que a sua satisfação nada consegue a não ser uma situação indolor em que apenas cede ao tédio; e que o tédio é uma prova directa de que a existência em si mesma não tem valor, pois o tédio mais não é que a sensação do vazio da existência. Porque se a vida, por cujo desejo consiste a nossa essência e existência, possuísse em si um valor positivo e um conteúdo real, não existiria o tédio: a mera existência encher-nos-ia e satisfazer-nos-ia. Da forma como as coisas são, não temos prazer na existência a não ser quando estamos a lutar por alguma coisa - em cujo caso a distância e as dificuldades fazem com que o nosso alvo pareça satisfazer-nos (uma ilusão que se desvanece quando o atingimos) [...]" pág. 25 nº 5 - Sobre o Sofrimento do Mundo de Schopenhauer

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Ser morto é pior do que só morrer. Mas ser comido vivo é pior do que ser caçado à exaustão.
O ser humano, homo-sapiens, vive e desenvolve-se através de dois pontos que se afastam um do outro. O primeiro degrau é o amor/ódio. Imaginem uma linha cujo o amor e importância que damos ao caminhar se encontra no meio dessa linha, infinita ou não.
Num extremo temos o amor indescritível e incondicional que uma mãe tem por um filho no momento em que nasce; Do outro temos a falta desse amor - o ódio - em que um pai é capaz de tamanha atrocidade como o de espetar agulhas no corpo do seu filho recém nascido ou sufoca-lo com algodão.
O segundo degrau é a defesa do próprio eu através da razão ou pelas próprias mãos. Num extremo encontra-se a razão, que utilizamos cada vez que somos roubados e apresentamos queixa na policia, com a esperança de que o criminoso seja punido; No outro extremo temos a defesa dos nossos direitos pelas próprias mãos, em que se corta uma mão (ou algo pior) a um ladrão, violador e criminoso.
O ser humano, tal como todas as espécies que habitam neste planeta, vivem com um único fim: Serem felizes.
Respirar deixa-nos felizes. Saciar a sede, tomar banho, comer, correr, comunicar, viajar, passear, fazer sexo, deixa-nos felizes. Comprar é algo que se adquiriu à relativamente pouco tempo, graças à industria que controla o mundo através da Moda e das Tendências. Consumir deixa-nos felizes.
Mas esta felicidade não é duradoura. Não dura uma vida inteira. Tem de ser comprada, estimulada, exercitada e desenvolvida. Por essa mesma razão, não existe uma razão de existir, pois ser-se "feliz" não é mais que um conjunto de reacções químicas que nos estimulam o cérebro a lutar para nos mantermos vivos. São emoções, e emoções não são reais, são fabricadas. Esse é o núcleo do instinto animal! Sobreviver. Mas sobreviver é também por si um desejo das próprias células e dos vírus que as compõem. Sobreviver é desejar existir sem a vontade de verdadeiramente VIVER.
Poderemos dizer que de facto Vivemos; Que temos a sorte de poder apreciar a natureza do mundo com toda a sua vida que rasteja, caminha, voa e espalha as suas sementes. Mas esquecemo-nos de que não existe verdadeiramente uma razão de existir. Existimos porque tudo o que compõem este universo foi capaz de criar olhos para podermos ver o seu maravilhoso horizonte crescer e florescer.
A razão das coisas, desde o mais pequeno grão de areia ao maior sol, resume-se apenas a Ser. O que não é o mesmo que existir, pois existir implica interacção "sexual" que leva ao desenvolvimento, adaptação e evolução desse algo, seja astro-físico, seja animal; E a interacção é um acto de existir. Existir é, fundamental e unicamente: ser real, "palpável" e/ou observável.
Ser-se é tédio; Ser é a imobilização de si. Ser é "real" mas não tem valor quando trocado. A razão de Ser e de Existir é nula. Pois se nenhum de nós existisse, nada se perderia neste universo. Nem a sua magnitude se tornaria diminuta, ou os seus espectáculos cósmicos deixaram de se encher de cores exóticas.

A razão da nossa existência e o próprio sentido da vida, são imensuravelmente desvalorizáveis. A cruel verdade do nosso mundo humano, das nossas vidas, da nossa felicidade, do nosso amor, são facilmente embrulhadas como papel e deitadas ao fogo, pois tudo isso não é mais do que tentativas da nossa mente dar um sentido ao que nos rodeia. Queremos permanecer vivos, lutar pela "vida", porque os estímulos que recebemos nos são estranhos, nos fazem falsamente felizes. Todos os prazeres são reacções químicas que se transformam em amor. E o amor é, na sua essência, um desejo de sobrevivência; Quer da "coisa" pelo qual nos apaixonamos, quer de nós mesmos.
E as memórias não são mais que a exigência abominável, e imperceptível, que o próprio cérebro tem em se manter vivo. Não é permanecer "sã", mas vivo, a funcionar! A Existir, a Ser.
Ter e receber amor não é suficiente. Dar e partilhar muito menos. São tudo falsidades. São partidas que o próprio cérebro prega a si próprio. Pois se todos os animais tivessem amor por todos, inclusive as suas vitimas, deixariam de ser animais carnívoros ou herbívoros, pois até as plantas vivem numa paz tediosa em que apenas sobrevivem através da proliferação das suas sementes. Se os animais, tal como as plantas, não tiverem mais nenhum objectivo na vida do que simplesmente semearem-se, partilharem os seus genes, qual a sua razão de existir? Qual é o sentido da vida deles se não for apenas o de Existir? E porque haveríamos nós de ter o verdadeiro valor e significado da vida!? Porque haveríamos de ser egoístas ao ponto de nos acharmos melhores que outra coisa qualquer? Não somos deuses, somos átomos. Não temos verdadeiramente uma identidade, não somos realmente alguma coisa "interessante" até que o cérebro descubra e compreenda para que servem os pés, as mãos, a boca e as orelhas.

A própria felicidade de respirar, surge apenas na calma paisagem, onde o predadores não correm em direcção a nós e não precisamos de lutar pela nossa vida. Nesse único e mísero momento, vivemos a nossa existência. Existimos. Mas esse momento não dura muito tempo. Essa felicidade é efémera, pela simples razão de sermos obrigados a alimentarmos-nos. Logo aí, deixamos de apreciar as coisas, para preocuparmos-nos com elas ao ponto de não tirar os olhos do horizonte, o ouvido do vento e o nariz dos frutos venenosos ou comestíveis.
O próprio sofrimento, que pode ser observado e contabilizado através dos neurónios-espelho, quer através de uma ressonância magnética, pode ser medido.
Ao centro da linha de dois extremos, encontra-se a dor do respirar - o Zero. Num extremo, pela parte positiva, está o nascimento de um filho ou vê-lo cair da bicicleta, do outro está a dor que se sofre ao ver um filho ser atropelado ou bater-nos. A impotência, que surge pela incapacidade de controlar o mundo, as coisas e a nossa própria vida, faz nascer a depressão; E a depressão não é mais do que a revelação do degredo do mundo. Da crueldade e frieza. É nesse momento que a pessoa abre finalmente os olhos para a realidade da "morte" que a rodeia. Tudo é finito, feio e o que é bom acaba depressa. Não há prazer para sentir, não há amor para dar. Tudo deveria morrer. Nada é bonito e bom neste mundo.

O mundo existe, porque precisamos dele, porque interagimos. A simples razão, de um colecionador de pedras, nunca vir a encontrar uma pedra incrivelmente perfeita e sublime para a sua colecção, apenas e só porque esta se encontra inacessível no fundo do oceano, torna a existência daquela pedra tão naturalmente enjoativa e comum, nula. O colecionador não sabe que ela existe, e isso não lhe faz confusão. Mas é aí que entram os desejos insaciáveis do ser humano. Ele pode nunca vir a encontrar a pedra dos seus sonhos, a pedra do mundo, mas irá para sempre, até ao dia da sua morte, procurá-la em todos os cantos do mundo. E essa é fundamentalmente a razão de Viver. Não é sobreviver, é encontrar respostas às nossas perguntas.
Contudo, se nunca fizéssemos perguntas, não obteríamos respostas e o mundo não choraria por causa disso. O reino animal não entraria em colapso e o próprio planeta não se auto-destruía num apocalipse sem sentido.
O vazio, é a razão do universo.

"Depois da tua morte, serás o que foste antes do teu nascimento." pág. 54 nº 2 - Sobre o Sofrimento do Mundo de Schopenhauer

Não há nada mais bonito que a morte!


"Who are you? You are not you'r age, color, ethnicity. You'r not possessions, hobbies, believes. If you take away everything you have identify your self with: family, kids, everything; What would be left? who are you?" - Pig (2011)

"[...] we are like the widgets in a math problem, we only exist because of the question, beyond that we don't exist, we don't matter." - Loop (2007)

"Remember everything, for soon there will be nothing" - Desolate (2013)

Inicio: 28/06/2015

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O que lhe dizias em cinco minutos? A morte...



Entrei no comboio, já atrasado e meio a correr, com os calores na cara e entrei na primeira carruagem da frente. Estava apinhado de gente! Aveiro tem destas coisas. Olhei para um lado e para o outro e percorri o corredor à minha esquerda, na esperança de encontrar uma lugar vazio e uma rapariga sozinha. Obviamente. Vi-a e aproveitei a oportunidade.

Chorava ao telemóvel sobre qualquer coisa. Cheguei a pensar que tinha acabado com o namorado, até que percebi metade da conversa e ouvi a palavra "morreu". Tinha morrido a mãe de uma amiga dela que vivia em Coimbra. Naquele exacto momento lembrei-me do livro "A Criança Perante a Morte dos Pais".
Senti-me impelido em lhe dizer alguma coisa, em pôr em prática o que tinha aprendido em papel e num encontro de psicologia sobre a natureza da morte. Não consegui falar. Afinal, ela não me conhecia de lado nenhum. Mesmo assim, achei que deveria dizer alguma coisa, mas não consegui falar, nem encontrar as palavras certas.
Nos 30 minutos que se seguiram, em que a olhava já mais descansada e sem o rosto vermelho da pena e da perda, tentava encontrar as palavras, o tom e os gestos que a pudessem acalmar e a ajudar neste situação tão difícil.


Foi então que a 5 minutos da minha paragem, que o meu cérebro começou a engendrar o que lhe dizer! Mas a coragem nunca chegou e acabei por descer do comboio a pensar que tinha perdido uma oportunidade única de ajudar alguém.
Pelo meio ainda trocámos olhares, ao deixar cair um caneta e ela me a apanhar com um ligeiro sorriso. Ficou vidrada por momentos a olhar para mim, que iria jurar ter-se passado quase 10 a olharmo-nos. Ao fim do dia, junto da amiga, acredito que tenha sido motivo de conversa. Afinal, não lhe disse nada, mas julgo ter servido como descompressão em algum momento durante o seu sofrimento.

A morte não é fácil. Sei que dói e que vai ser difícil. A tua amiga vai precisar de ti, de te abraçar, de te ver chorar e de te ouvir. Mas é importante que lhe dês tempo e espaço para digerir todo este processo de luto. Dá-lhe espaço para poder chorar sozinha, mas mantém-te perto o suficiente para ela te ver e saber que estás lá, por ela, que pode contar contigo e que não te esqueceste de que sofre. E dá-lhe tempo para chorar e gritar, ao seu ritmo, sem prazos. Vai precisar de expor a raiva e a injustiça. Caso não possas estar com ela todos os dias, pede a alguém que fique, que olhe pela sua segurança.
Antes de precisar de psicólogos e de comprimidos para a depressão, ela vai precisar acima de tudo, de tempo, de espaço, de atenção e reconforto. Estão ambas magoadas, mas também não te podes esquecer de ti.
Lembra-te: é importante que chores quando tiveres vontade de chorar. Que grites, quando sentires vontade de gritar. É importante lidares com tudo isto. Não atires para trás das costas, não tentes esquecer ou passar um pano quente por cima. Mais tarde ou mais cedo, rebentas e podes não conseguir recuperar. Fala, desabafa. Não falar sobre o assunto, só vai tornar tudo muito mais difícil de engolir. Não tenhas medo nem vergonha de chorar.

E tu, o que lhe dirias se tivesses apenas 5 minutos?

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[editado: 30/10/2015] Saving a people's Life - Preventing suicide

domingo, 15 de março de 2015

Shhh...


Ela caiu ao chão. O susto!
Da cara jorrava sangue. A aflição!
A cara tornava-se pálida. O desespero!
Correu impetuosa de braços esticados no ar,
Segurou na sua cria, que mal podia falar,
A respiração difícil, mirravam os músculos do corpo,
E a morte anunciava-se no rosto.

Se estiveres calado, consegues ouvir a morte tirar-te a vida... Arrancar-te o toque da pele, o ar do peito e o sabor da lingua. Se estiveres calada e parares de gritar que nem uma louca, ouves a morte rasgar-te a pele e arranhar-te os ossos frágeis do cancro podre com que injectas a tua mente demente.

Shhh... Quero ouvir a morte encher-te de agonia!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O desconforto do teu sorriso...


Ali estava, de cara série e olhar fulminante, sem nunca desviar o olhar dos meus olhos, dos meus gestos e do meu corpo. Como se tudo o que eu fizesse lhe metesse raiva, nojo e desconforto.
-- Está tudo bem? -- perguntei-lhe preocupado. Tirei o casaco e pousei-o no cabido junto à porta. Deparei-me então com umas malas a rebentar pelas costuras e percebi que algo não estava mesmo bem.
-- O que se passa Joana? -- perguntei, aproximando-me da fera pronta para me devorar.
-- Quando é que me ias contar? -- gritou-me atirando com um pedaço de papel meio rasgado e escrito a azul. -- Achavas que eu era burrinha não!? Que não ia descobrir nada!?
-- Do que é que estás a falar?
-- Do bilhetinho! Do bilhetinho da menina Inês!
Apanhei o pedaço de papel e li as letras amaçadas. Senti um estalo forte na cara, que me atirou à parede.
-- És nojento! Odeio-te! Como foste capaz!? Como foste capaz de nos fazer isto!? Pensaste em nós enquanto a estavas a comer? Pensaste ao menos na Beatriz!? Na tua filha!?
Esmurrou o peito com força, onde na noite anterior pousara a cabeça até adormecer. Criando um monólogo de palavras à volta de um assunto que a perturbava no trabalho.
A raiva dela penetrava-me o tronco como um dedo que apontava na mente as grandes desilusões que ela ainda desconhecia e que me deixavam a cabeça em água. Senti um nó no estômago e uma indisposição tão forte que parecia desmaiar. Se desmaia-se, será que ela me acudiria?
Respirei fundo, agarrei-lhe pelos braços que se agitavam no ar para a tentar acalmar, mas ela tinha mais agilidade que eu e soltou-se, respondendo com um forte estalo. Olhei-a de frente.
-- Atreve-te a bater-me! Atreve-te só! Bates-me e nunca mais a vez! -- ameaçou-me, apontando em direcção ao quarto dela. -- És horrível! Como é que eu pude casar com um homem como tu!? Tu nem és um homem! És um porco! És nojento!
Agarrei-lhe o dedo que me apontava à cara e aproximei-me.
-- Achas-te uma santa não achas? Só eu é que sou mau... E tu!?
-- Eu?
-- Sim, TU!
-- Eu pelo menos nunca me atirei a nenhum homem!
-- Não...
-- Nem nunca fui para a cama com outro se não tu! E não! Mas não preciso de te provar nada! Devias ao menos ter-me respeito, a mim e à minha filha!
-- Tua? -- ri-me -- Vê lá se páras para pensar! Se pedires o divórcio ficas sem nada, a não ser o dinheiro de sobrevivência para a Beatriz! E isso não te paga as saidas com as tuas amigas, a escola e um apartamento.
-- Não te preocupes comigo, eu cá me arranjo!
-- Ainda gostava de saber onde foste buscar a ideia de que te andei a trair com uma Inês.
-- Não fui buscar ideia nenhuma! Bastou-me encontrar esse bilhete de merda na porcaria do teu casaco quando o pus para lavar que liguei logo os pontos todos! As noites no trabalho. Os dias em que chegavas tarde a casa. A falta de interesse pelo sexo, pelo meu jantar, ou as já poucas brincadeiras com a Beatriz...
-- Os filmes que tu fazes na tua cabeça... -- gozei um pouco. Empurrou-me com força e apontou-me de novo o dedo à cara.
-- Mas estás a gozar comigo!? És um merdas! E eu que acreditava que eras diferente dos outros! Que podia ser finalmente feliz... mas parece que fui bem enganada. Tantos anos ao teu lado, desperdiçados. A única coisa bonita que saiu desta "relação" foi a Beatriz. Cresce! A sério! Bem precisas.
-- Foste feliz porque eu aceitei muito das tuas merdas! É um jogo de interesses, habituate! Eras gira, achas que ia perder a oportunidade de foder um cu desses!? -- levei outra estalada.
-- Cala-te!
-- Só pensa o contrário quem é paneleiro... Uma mulher como tu deve estar nas mãos de um homem que a sabe aproveitar, por isso, estiveste nas minhas! Como se costuma dizer: "O dinheiro deles, está bem é nas minhas mãos!".
-- Não acredito nisto... És mesmo estúpido! Vai-te embora! Já te fiz as malas e tudo! Vai-te! Anda!
-- Não faças mais figuras tristes Joana. Vê se te sentas e se ponderas bem no que estás a fazer.
-- Não preciso de pensar em nada! Já pensei em tudo o que tinha a pensar! Agora põem-te daqui para fora! Não te quero voltar a ver mais à frente! E aí de ti que te aproximes dela!
-- Estás-me a ameaçar!? Cuidado, isso é crime!
-- Põem-te na rua, ou eu chamo a polícia!!! 
Aproximei-me. Agarrei-a contra o meu corpo e tapei-lhe a boca.
-- Atreve-te! -- segredei ao ouvido.

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Estes erros ortográficos matam-me...
Existem outros textos semelhantes a este, alguém consegue adivinhar?

domingo, 15 de junho de 2014

És o meu presente...



Esta foto, que seguro agora com alguma dor no peito, tinha um significado muito mais forte de quando a tirei. Lembro-me de dizeres, antes de sairmos de casa:
-- Tenho-te uma surpresa. Um requinte bordado em mim, muito antes de ter nascido. Um carinho comprado de trabalho com amor, por alguém que nunca conheci mas que sabia cada centímetro do meu corpo. Alguém que me amou em cada cruzar de linha, e que fiz erguer em cada correcção. Sendo eu perfeita, fiz o escriba aperfeiçoar a sua letra, que um dia pintaria na minha pele um brilho de sedução. A história da minha surpresa, herdada, abria em mim a gaiola que libertou minha mãe, senhora de sabedoria profunda e de um conforto aconchegante. Aqui me mostro, vestida por um Deus, para o dia da minha dança de acasalamento.
Caminhavas pela praia, deixando para trás pegadas que marcava levemente a areia, como um toque no meu corpo. O vestido cozia-se a ti, dando-se em cada movimento, envolvendo-vos de tal maneira, que nenhum poderia viver sem o outro. Era-te uma protecção. Um ornamento cuidadosamente vestido e absorvido pela pele que te compõem fisicamente o Eu. Ressaltava de ti, um Sol tristonho por não poder ficar mais tempo sobre a tua pálida figura. Reflectias-lhe apenas uma imagem angelical daquilo que lhe concedias. Deste-me a mão, entrelaçaste os dedos e sorriste para mim. Beijámo-nos. Tocaste-me o rosto, a barba e acarinhaste a bochecha rosada.
-- Meu querido... Meu amor eterno, de mãos que me afagam a carência. És a razão do meu sorriso surgir quando estou triste, dos gemidos gritarem-me pelo corpo e de um amor pequenino e cuidadoso que se abraça ao meu coração. Todos os dias morro, a cada olhar que te faço e percebo que é mais um dia em que não estarás cá.
Os olhos conteram uma lágrima e ficaste sem expressão. Estavas prestes a chorar, soube-o. Pegaste na minha mão por breves segundos e atiraste-a para as tuas costas, pedindo um abraço. As mãos lançadas ao meu pescoço obrigaram-me a baixar, enfrentando a sereia bela, de olhos grandes focados nos meus. Fechaste os olhos e segui os teus passos. Os lábios secos humedeceram-se, com toque suave e demorado da tua boca. Abraçaste-me com força e ao teu ouvido declarei baixinho:
-- Amo-te! Amo-te! Amo-te! -- ouvi o teu sorriso e senti uma força agarrar-se ao meu tronco. Choraste-nos, pois a perda faz-se acompanhar dos dois e não apenas de mim. Pelos momentos únicos que vivemos e não veremos. A força do Sol embateu numa nuvem e o calor aqueceu-nos as pernas e as costas a partir do chão.
-- Amo-te! -- respondeste-me com um enorme sorriso, de lágrimas já secas e o cabelo entre-cobrindo o espelho da alma. Estava feliz, por ter encontrado o presente do mundo para mim. Dois animais, separados por biliões de colisões, mortes e evolução. Dois seres que desde o inicio do tempo, aguardavam o momento para colidir, viver, evoluir e morrer.

Choro-te, no banco que nos viu crescer...