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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Intensifica-o, e tudo o resto se desmorona...

[Death white Cow - Pinterest]

Hoje, o mundo morre um pouco mais, e eu choro mais do que nunca. Ficando a garganta entupida de soluços sofridos. O peito arde e a dor cria um terror medonho no meu cérebro. O ar não passa, não consegue entrar, não pode descer, e a combustão intensifica-se nos pulmões.
Há dor maior do que não morrer? Dor maior do que estar vivo?
Há maior pecado que desejar morrer? Desejar a morte do Eu?
As lágrimas desbotam a máscara branca de um carnaval que nunca foi feliz.
Há sofrimento suficiente no mundo para perceberes que a vida nunca deveria ter germinado? Não é suficiente a extinção dos seres vivos para compreenderes que já nada tem valor?
Há algo neste planeta digno de ser amado? Digno de ser apreciado?
Embalo a criança dentro de mim, no colo mais quente e reconfortante que possuo dentro de mim. Ela chora, morre, cai e quebra-se. Nada do que lhe possa dar para tirar as incertezas, o sofrimento e as feridas nos joelhos, a manterá viva pelo sorriso das coisas.
A mascara branca perde a cor, o elástico e deixa de existir com o tempo. O sofrimento da alma enaltece cada músculos do meu corpo. Olhar o horizonte e observar a morte do mundo, em dor, em sangue, num misto de frio e nevoeiro, arranca de mim toda a consciência.
A cinza que me criou, o barro que me deu forma, trouxe com eles um defeito: Medo.

sábado, 17 de setembro de 2016

Experiência - Edição de Video 1


Musica: Autumn Leaves by Patrick Hawes

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Porque um dia havemos de lá chegar...


[Guerrier Nanite - Pinterest]

Diz-me, humano, porque tentas ser Deus? O que faz de vocês seres tão magnificos que se acham capazes de derrotar espécies que viajam através do espaço-tempo? Que tecnologias têm desenvolvidas que nos possam assustar? Que conhecimentos podem partilhar connosco que já não tenhamos descoberto? Que histórias nos podem contar que noz faça apreciar a vossa luta natural e animal naquilo que é a evolução do vosso cérebro? Que elos perdidos encontraram que nos liguem? Sentem-se dignos? Sentem-se grandes? Sentem-se ousados?
Não há nada em vós, que já não tenhamos tido, que não tenhamos feito, que não tenhamos conquistado ou descoberto. Comparo-vos a formigas, que desconhecem os continentes, os oceanos e o céu na sua magnitude.
Chegaram aos limites do Sistema Solar e julgam ter conquistado a galáxia e os seus segredos. Porque se fazem reis do nada? Porque lutam entre vós? Porque destroem o único planeta onde vivem? Têm energia pura e continuam a poluir os pulmões dos vossos filhos? A destruir a natureza que vos formou e acolheu? Que instintos correm nas vossas veias tão evoluídas, Senhores do nada? Que venenos vociferam em segredo contra vós próprios? O que ganham da escravidão da mente?

Descobriram o globo e delinearam as fronteiras dos grãos de areia, numa tentativa de conquistar e governar um ponto azul no oceano de estrelas e cometas. Não são nada, mas julgam-se tão grandes, tão poderosos. Quando vão compreender que tudo o que irá restar da vossa existência é uma simples sombra na areia.

terça-feira, 1 de março de 2016

A rapariga que cheirava a pão quente... [3]

Sentada à mesa, olhando pela janela, a avó observava as aventuras da neta que tão vincada na sua memória a faziam lembrar a própria filha, que fugia brincando dos patos e das galinhas, que se tornava mãe dos coelhos e pintainhos. O avô juntou-se à avó na recordação do tempo. O que era a velhice sem netos e bisnetos?
O avô aproximou-se da sua amada, deu-lhe a mão, e num momento indecifrável, por qualquer animal ou pessoa neste mundo, partilharam uma pequena memória. Sofia tinha a mãe impregnada no corpo.
Viram-na correr até ao fundo da quinta, trepando a muralha que separava a vinha do vizinho dos animais do seu avô, cuja gula não tinha fim.
O Sol dizia-lhe "Olá", e ela juntava todas as coisas à sua festa; o seu sorriso, a sua energia, o seu olhar, as suas mãos delicadas. Sentia o ar entrar-lhe nos pulmões, sem venenos ou doenças, e assobiava uma música clássica, que recordava de quando era criança. Um som que dançava com o incenso do quarto do pai e que parecia vir das próprias paredes escondidas pelos livros. Tornara-se na melodia que melhor descrevia o seu espírito. Juntava o primeiro passo com a primeira mesada. Recordou o toque pesado do vinil na sua mão, cuja escuridão da sua cor sempre lhe dera um ar misterioso e sinistro.
Perdida por um momento, procurou os seus avós ao longe. Olhavam-na num só sorriso. A avó acenou.
Vagarosa e curvada, preparou a mesa para fazer um bolo. O seu melhor amigo de amor eterno, deixou-se cair no sofá. Ajeitou a lenha na lareira, incitando o fogo a rugir, e deu-lhe de comer mais umas cavacas compridas.
Finalmente o cheiro da farinha sentia-se no ar. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Porque somos violentos...

[Wildebeest migration - Pinterest]

Porque somos tão violentos?
Porque agimos de forma agressiva?
É sofrimento? É solidão? É falta de amor? De afecto? De atenção?
O que nos torna animais tão cruéis? Tão frios de coração, de empatia para com os outros?
Foi-nos ensinado? É-nos ensinado? Absorvemos o que a sociedade nos dá? Nascemos simplesmente, com esse instinto?

Somos mamíferos, e os mamíferos são violentos. São mortíferos, são cruéis, são caçadores e presas. São a sucessão dos répteis, e de todo o mundo de gigantes.
Está-nos nos genes, em cada célula, em cada glóbulo vermelho. Enfrentámos durante milhões de anos dezenas de extinções em massa. Ao longo desse período de tempo, perdemos familiares, perdemos território, comida, pastagens, uma casa.
Isso enraizou-se nos genes dos nossos antepassados de forma tão profunda e avassaladora, que ficou com eles em cada pensamento.
Somos o resultado da fúria da Terra. Somos o sofrimento colectivo de todos os animais que já surgiram. Somos descendentes das primeiras moléculas que apareceram no universo.

A violência é espontânea, seja onde for, pois a sobrevivência é mais importante do que a nossa morte!

No entanto... continuamos a tentar ligarmo-nos uns aos outros de alguma maneira. Tendemos em formar grupos, em fazer amizades e desenvolver relações/laços com pessoas que não são do nosso sangue.
Agrupamo-nos em grandes manadas e alcateias. A nossa força cresce em números, por vezes incluindo-se na célebre frase: Um por Todos e Todos por Um.
A nossa sobrevivência está condenada e a esperança média de vida é proporcionalmente reduzida, a partir do momento em que a solidão nos penetra o consciente.
A solidão surge com violência.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Um elo perdido dos sentimentos...


Constrói reinos à sombra de conquistas, amontoando carcaças e inundando rios com o sangue dos teus e o dos outros. A causa alastra-se como um fogo de labaredas titeritadas pelo vento, substituindo a lua e as boas maneiras no toque das portas velhas. Fazem-se convidados e cultivam as suas sementes em virgens de uma beleza e inocência pura, que os seus anjos da guarda, divinos, se aterrorizam e gelam com tamanha barbaridade cometida por todo o corpo das suas santas prometidas. Não são guerreiros, nem homens, são monstros! Criaturas obscenas que fariam o estômago do próprio Diabo se revirar.
Consomem e são consumidos pela febre delirante de causas não naturais, de origem humana, de mãos pintadas de ouro e o coração encarcerado num reino que alcança o horizonte e engole o sol. Se descer dos céus, ninguém lhe dará tempo para os sermões e os dilúvios serão só mais uma enchente nos rios.
Secam as sementes, cozem o pão e matam um porco com vinho de uma pipa mais antiga que a própria casa, que a própria mesa o chão que pisam. Não existem portas nem portões que os sustenham na marcha virada à terra prometida.
São formigas adaptadas a mundos pós-apocalípticos. Árvores que se entranham na terra mais verde e bichos que furam as pedras mais duras. São um veneno incurável, que bombeia da terra a água do mundo e lhe injecta o resultado das suas inteligentes entranhas. O progresso, fomentado no tacto do verme que engrossa no útero da fêmea, carece de espírito que só pode ser preenchido com objectos de sons e cores do outro mundo. Do mundo do além, para lá da compreensão total e absoluta de quem o manipula. Já não à utensílios de pedra e a era do bronze à muito se derreteu e reciclou, para dar origem a uma nova fornalha de técnicas apoiadas pelo tédio e malandrismo.

Aguardo ansiosamente o momento em que todas as gerações que precederam Adão e Eva, se tornem numa só Era, e tudo se dissipe, sem estrondo, sem cheiro, sem vestígios da nossa existência. Um elo perdido da evolução.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O sofrimento do mundo...


"Se imaginarmos, tanto quanto for possível, a soma total de angústia, dor e sofrimento de cada espécie que vive na face da terra, teremos de admitir que  teria sido muito melhor se o sol tivesse sido capaz de produzir o fenómeno da vida na Terra em tão fraca quantidade como na Lua; e se, aqui como ali, a superfície fosse de uma calma cristalina." pág. 14 - nº 9 - Sobre o Sofrimento do Mundo de Schopenhauer

"Que a vida humana deve ser algum tipo de erro está suficientemente provado pela simples observação de que o homem é um conjunto de necessidades que dificilmente são satisfeitas; que a sua satisfação nada consegue a não ser uma situação indolor em que apenas cede ao tédio; e que o tédio é uma prova directa de que a existência em si mesma não tem valor, pois o tédio mais não é que a sensação do vazio da existência. Porque se a vida, por cujo desejo consiste a nossa essência e existência, possuísse em si um valor positivo e um conteúdo real, não existiria o tédio: a mera existência encher-nos-ia e satisfazer-nos-ia. Da forma como as coisas são, não temos prazer na existência a não ser quando estamos a lutar por alguma coisa - em cujo caso a distância e as dificuldades fazem com que o nosso alvo pareça satisfazer-nos (uma ilusão que se desvanece quando o atingimos) [...]" pág. 25 nº 5 - Sobre o Sofrimento do Mundo de Schopenhauer

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Ser morto é pior do que só morrer. Mas ser comido vivo é pior do que ser caçado à exaustão.
O ser humano, homo-sapiens, vive e desenvolve-se através de dois pontos que se afastam um do outro. O primeiro degrau é o amor/ódio. Imaginem uma linha cujo o amor e importância que damos ao caminhar se encontra no meio dessa linha, infinita ou não.
Num extremo temos o amor indescritível e incondicional que uma mãe tem por um filho no momento em que nasce; Do outro temos a falta desse amor - o ódio - em que um pai é capaz de tamanha atrocidade como o de espetar agulhas no corpo do seu filho recém nascido ou sufoca-lo com algodão.
O segundo degrau é a defesa do próprio eu através da razão ou pelas próprias mãos. Num extremo encontra-se a razão, que utilizamos cada vez que somos roubados e apresentamos queixa na policia, com a esperança de que o criminoso seja punido; No outro extremo temos a defesa dos nossos direitos pelas próprias mãos, em que se corta uma mão (ou algo pior) a um ladrão, violador e criminoso.
O ser humano, tal como todas as espécies que habitam neste planeta, vivem com um único fim: Serem felizes.
Respirar deixa-nos felizes. Saciar a sede, tomar banho, comer, correr, comunicar, viajar, passear, fazer sexo, deixa-nos felizes. Comprar é algo que se adquiriu à relativamente pouco tempo, graças à industria que controla o mundo através da Moda e das Tendências. Consumir deixa-nos felizes.
Mas esta felicidade não é duradoura. Não dura uma vida inteira. Tem de ser comprada, estimulada, exercitada e desenvolvida. Por essa mesma razão, não existe uma razão de existir, pois ser-se "feliz" não é mais que um conjunto de reacções químicas que nos estimulam o cérebro a lutar para nos mantermos vivos. São emoções, e emoções não são reais, são fabricadas. Esse é o núcleo do instinto animal! Sobreviver. Mas sobreviver é também por si um desejo das próprias células e dos vírus que as compõem. Sobreviver é desejar existir sem a vontade de verdadeiramente VIVER.
Poderemos dizer que de facto Vivemos; Que temos a sorte de poder apreciar a natureza do mundo com toda a sua vida que rasteja, caminha, voa e espalha as suas sementes. Mas esquecemo-nos de que não existe verdadeiramente uma razão de existir. Existimos porque tudo o que compõem este universo foi capaz de criar olhos para podermos ver o seu maravilhoso horizonte crescer e florescer.
A razão das coisas, desde o mais pequeno grão de areia ao maior sol, resume-se apenas a Ser. O que não é o mesmo que existir, pois existir implica interacção "sexual" que leva ao desenvolvimento, adaptação e evolução desse algo, seja astro-físico, seja animal; E a interacção é um acto de existir. Existir é, fundamental e unicamente: ser real, "palpável" e/ou observável.
Ser-se é tédio; Ser é a imobilização de si. Ser é "real" mas não tem valor quando trocado. A razão de Ser e de Existir é nula. Pois se nenhum de nós existisse, nada se perderia neste universo. Nem a sua magnitude se tornaria diminuta, ou os seus espectáculos cósmicos deixaram de se encher de cores exóticas.

A razão da nossa existência e o próprio sentido da vida, são imensuravelmente desvalorizáveis. A cruel verdade do nosso mundo humano, das nossas vidas, da nossa felicidade, do nosso amor, são facilmente embrulhadas como papel e deitadas ao fogo, pois tudo isso não é mais do que tentativas da nossa mente dar um sentido ao que nos rodeia. Queremos permanecer vivos, lutar pela "vida", porque os estímulos que recebemos nos são estranhos, nos fazem falsamente felizes. Todos os prazeres são reacções químicas que se transformam em amor. E o amor é, na sua essência, um desejo de sobrevivência; Quer da "coisa" pelo qual nos apaixonamos, quer de nós mesmos.
E as memórias não são mais que a exigência abominável, e imperceptível, que o próprio cérebro tem em se manter vivo. Não é permanecer "sã", mas vivo, a funcionar! A Existir, a Ser.
Ter e receber amor não é suficiente. Dar e partilhar muito menos. São tudo falsidades. São partidas que o próprio cérebro prega a si próprio. Pois se todos os animais tivessem amor por todos, inclusive as suas vitimas, deixariam de ser animais carnívoros ou herbívoros, pois até as plantas vivem numa paz tediosa em que apenas sobrevivem através da proliferação das suas sementes. Se os animais, tal como as plantas, não tiverem mais nenhum objectivo na vida do que simplesmente semearem-se, partilharem os seus genes, qual a sua razão de existir? Qual é o sentido da vida deles se não for apenas o de Existir? E porque haveríamos nós de ter o verdadeiro valor e significado da vida!? Porque haveríamos de ser egoístas ao ponto de nos acharmos melhores que outra coisa qualquer? Não somos deuses, somos átomos. Não temos verdadeiramente uma identidade, não somos realmente alguma coisa "interessante" até que o cérebro descubra e compreenda para que servem os pés, as mãos, a boca e as orelhas.

A própria felicidade de respirar, surge apenas na calma paisagem, onde o predadores não correm em direcção a nós e não precisamos de lutar pela nossa vida. Nesse único e mísero momento, vivemos a nossa existência. Existimos. Mas esse momento não dura muito tempo. Essa felicidade é efémera, pela simples razão de sermos obrigados a alimentarmos-nos. Logo aí, deixamos de apreciar as coisas, para preocuparmos-nos com elas ao ponto de não tirar os olhos do horizonte, o ouvido do vento e o nariz dos frutos venenosos ou comestíveis.
O próprio sofrimento, que pode ser observado e contabilizado através dos neurónios-espelho, quer através de uma ressonância magnética, pode ser medido.
Ao centro da linha de dois extremos, encontra-se a dor do respirar - o Zero. Num extremo, pela parte positiva, está o nascimento de um filho ou vê-lo cair da bicicleta, do outro está a dor que se sofre ao ver um filho ser atropelado ou bater-nos. A impotência, que surge pela incapacidade de controlar o mundo, as coisas e a nossa própria vida, faz nascer a depressão; E a depressão não é mais do que a revelação do degredo do mundo. Da crueldade e frieza. É nesse momento que a pessoa abre finalmente os olhos para a realidade da "morte" que a rodeia. Tudo é finito, feio e o que é bom acaba depressa. Não há prazer para sentir, não há amor para dar. Tudo deveria morrer. Nada é bonito e bom neste mundo.

O mundo existe, porque precisamos dele, porque interagimos. A simples razão, de um colecionador de pedras, nunca vir a encontrar uma pedra incrivelmente perfeita e sublime para a sua colecção, apenas e só porque esta se encontra inacessível no fundo do oceano, torna a existência daquela pedra tão naturalmente enjoativa e comum, nula. O colecionador não sabe que ela existe, e isso não lhe faz confusão. Mas é aí que entram os desejos insaciáveis do ser humano. Ele pode nunca vir a encontrar a pedra dos seus sonhos, a pedra do mundo, mas irá para sempre, até ao dia da sua morte, procurá-la em todos os cantos do mundo. E essa é fundamentalmente a razão de Viver. Não é sobreviver, é encontrar respostas às nossas perguntas.
Contudo, se nunca fizéssemos perguntas, não obteríamos respostas e o mundo não choraria por causa disso. O reino animal não entraria em colapso e o próprio planeta não se auto-destruía num apocalipse sem sentido.
O vazio, é a razão do universo.

"Depois da tua morte, serás o que foste antes do teu nascimento." pág. 54 nº 2 - Sobre o Sofrimento do Mundo de Schopenhauer

Não há nada mais bonito que a morte!


"Who are you? You are not you'r age, color, ethnicity. You'r not possessions, hobbies, believes. If you take away everything you have identify your self with: family, kids, everything; What would be left? who are you?" - Pig (2011)

"[...] we are like the widgets in a math problem, we only exist because of the question, beyond that we don't exist, we don't matter." - Loop (2007)

"Remember everything, for soon there will be nothing" - Desolate (2013)

Inicio: 28/06/2015

terça-feira, 14 de abril de 2015

A rapariga que cheirava a pão quente... [2]

O sol voltava a espreitar entre o nevoeiro derrotado pelo vento enquanto devorava o primeiro pão e metade do copo de sumo. À sua frente sentava-se o avô com um voraz apetite por geleias trincando lentamente o pão quente e caseiro cujo cheiro se entranharia na camisola que mais tarde o ajudaria a adormecer no sofá velho em frente à lareira. Penduravam-se na parede pequenas molduras carregadas de memórias e de um pó que fazia parte da história de toda aquela casa, daquela divisão. Pessoas defuntas, filhos emigrados e acontecimentos já esquecidos.
Com as energias recarregadas, calçou as botas de borracha e correu atrás da avó que carregava um pote com comer para os patos e as galinhas. As vozes dos animais mordiam-lhe o peito. Chamavam-na, inquietos, por um pequeno almoço de legumes e vegetais. Já não ficava a olhar de longe, aproximava-se com firmeza daquelas criaturas à solta e atirava um punhado de alimento ao ar,  uma e outra vez, semeando com um pouco mais de destreza que a sua avó, que já curvada sentia dificuldades em fazer tarefa tão fácil.
-- Trás-me seis ovos Sofia. -- apontou a avó para a gaiola das galinhas. A neta entrou devagar, afastando com o pé alguns pintainhos do caminho e procurou no largo ninho. Ao sair, trazia na mão quatro ovos ainda quentes. A tonalidade rosa em contraste com a sua palma da mão e o peso em forma de pêra que quase lhe escapava pela ponta dos dedos fizeram-na bater ligeiramente com a cabeça ao sair do hotel empalhado. De balde numa mão e os ovos noutra, juntou os nós e colocou cada um deles com cuidado no fundo do balde.
A sua avó, sem mais nada a fazer por ali e depois de dar água ao porco, voltou para casa, deixando a neta para trás, que se admirava com o bicar dos patos sobre o milho. Foi seguida durante alguns metros até que os passos se tornaram numa pequena corrida que nenhum dos coelhos se dignou a igualar. Os olhos negros e pequenos, de dentes pequeninos sobre alguns pequenos pedaços de cenoura, observavam-na correr de sorriso gentil no rosto e com os cabelos ao vento, num movimento físico que os deixava hipnotizar. Saltava nas nuvens, assim lhes parecia.

segunda-feira, 2 de março de 2015

A rapariga que cheirava a pão quente...


Ela acordou, pelo cheiro do pão cozido da manhã e da lenha crepitante no fogão negro e pesado. Levantou-se num salto, de olhar faminto e de estômago lambareiro, imaginando-se tão rapidamente a devorar o saboroso pão da sua avó, que ainda lhe faltava calçar os chinelos de algodão. De pijama embonecado e sorriso largo no rosto, agarrou a maçaneta da porta. Estava quente, iluminada por uma fresta nos cortinados que lhe embatia no rosto e numa perna. Como quem nos toca no ombro, voltou-se para o sol e perdeu-se num horizonte sarapintado de cores e flores, num prado verde que se estendia até onde a vista alcançava, limitando-se num muro baixo de pedras velhas e de amizades estranhas com o musgo e os cogumelos. Admirou os patos soltos junto ao lago. Os galos caminharem de peito feito e um fumo cinzento desaparecer com o leve vento que embatia nas árvores altas, e grossas, espalhadas pelo terreno trabalhado pelos seus avós. A casa de férias perfeita para qualquer rapariga da sua idade. Dezasseis anos.
A casa velha, do seu tetra-avô, de teto ligeiramente mais alto que ela própria, acolhia-a sempre com um abraço de nostalgia e conforto. Era o ar, o ambiente, os sonhos, os cheiros, os avós... Aquela era a sua casa. O seu recanto.
Abriu a porta, ultrapassou o avô carregado com um cesto de lenha e correu para a cozinha. Os cabelos castanhos encaracolados voavam numa liberdade e beleza que a sua avó nunca parava de admirar de olhos reluzentes. Lembrava-lhe a mãe quando era mais nova. Alta, sorridente, confiante, bela, apaixonada e quase sempre com a cabeça na Lua. Agarrou então num pão e com a faca cortou-o ao meio, recheando-o com o fiambre e o queixo que a sua avó comprava no mini-mercado ao fundo da estrada, para lá do moinho e da ponte.
Não se bebia leite naquela casa; Não por serem alérgicos, mas porque a vitamina C do sumo de laranja que se preparava na frescura da madrugada, lhes faziam melhor aos ossos e à disposição. Juntavam-se as frutas numa cesta onde a maçã dominava abundantemente de cores garridas, e um doce de abóbora que se deixava devorar pela gulosice do avô de costas cansadas.
Aproximou-se, da janela, quase embaciada, sentindo o frio do exterior com os olhos, aconchegando-se no conforto do lar que parecia acordar e aquecer-se sozinho. Os seus avós, que se moviam lentamente de um lado para o outro, de tarefas decoradas e gentilmente laboradas, pareciam pequenos anões, mágicos, sempre com um sorriso caloroso no rosto.




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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A beleza no teu rosto... [2]




A palavra "perfeição" não chega para te descrever o belo de que te constróis. A sublime dedicação e atenção que faz de ti uma arte que tu própria embelezas e aperfeiçoas todos os dias ao espelho, reconhecendo a sorte única que te foi concedida genética ou divinamente, fazem de mim um poeta balbuciante, que gagueja na tentativa de te desenhar em palavras e rimas a natureza que floresce nos ombros e te brota da geometria perfeita da tua face de cabelo loucamente encaracolado e domado por um penteado que revoluciona todos e quais quer padrões existentes na moda.
A cor negra que se cozia no tom vermelho do corset, num padrão de rosas e ervas que pareciam tatuar-te o corpo, tornavam-no deliciosamente curvo e os peitos mais fartos e redondos.

Porque olhar-te os olhos, que me envenenavam a mente e o meu cérebro que agradece aos deuses do Olimpo a criação deste anjo que inspirou os mais belos perfumes e poemas da história da humanidade, faziam a minha alma sentir-se pequena, incapaz de sorrir para ti na mesma alegria, no mesmo júbilo que transpareces tão facilmente por detrás desse olhar tão feminino de sobrancelhas longas, que terminavam numa curva vinda de um pincel. Artistas tentaram retratar-te, e nem mesmo Da Vinci, com toda a sua sabedoria em anatomia, geometria, arte e pintura, se atreveu a igualar o feito dos teus pais. A imperfeição imperceptível da tua face, dos teus olhos, dos teus lábios e das maçãs do teu rosto, tornam-te humana; Alcançável!

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Elas querem Homens Machos, de peito e costas largas, não um aristocrata de emoções poéticas.
Querem mãos na cintura e jantares chiques, mas não um ramo de flores ou um poema escondido na sua carteira.
Já nada encanta as raparigas. Já nada as conquista a não ser o livre-arbítrio.

domingo, 18 de janeiro de 2015

A beleza no teu rosto...


Poderia dizer que passei por ti, meio distraído, mas estaria a mentir. A enganar a memória que revejo toda as vezes que passo pelo banco em que te vi sentada, a observares o mundo, a lê-lo, a interpretá-lo, a ouvi-lo e a senti-lo. Querias transformar-te e perderes-te no ar que se invade de sons que as aves compõem e as árvores acompanham.
Olhei-te, hipnotizado, arrebatado pela beleza de que te compunhas. A face perfeita, que me ensandeceu o instinto primitivo, feminina e de expressão gentil, virou-se para mim. Os teus olhos grandes defrontaram os meus e erguestes as finas e longas sobrancelhas, perplexa de desejo estampado nos lábios. Lábios pintados de um vermelho tão intenso como o teu corset, floreado e ornamento. Chamava-os, desejava-os, num ardente e eloquente beijo, intenso de saudades e prazeres.
Respiravas calmamente, de coração aos pulos e de língua nos lábios, as mãos irrequieta-mente paradas sobre a tua saia, pestanejando imperceptível-mente uma luxuria e delicadeza perdida no tempo das civilizações.

sábado, 23 de agosto de 2014

A centelha da evolução...


Com o punho fechado sobre um osso, atacou o chão, quebrando-o sobre umas pedras. A força do impacto vibrou-lhe pulso acima, contaminando todo o braço como uma fraqueza. A brisa quente bateu-lhe no pêlo com mais força e o Sol escondido pelas nuvens atacou-o fulminantemente nas suas costas. Olhou para trás, desconfortável, bloqueando a luz com a sua mão e viu pairar à sua frente, uma montanha colossal que se rodeava de pequenos reflexos à medida que girava devagar e descia com fogos ardentes na sua base, sobre o solo verde e fresco. O chão tremeu, agitando o animal que se agarrava ao osso com a vida, com o ar que lhe faltava nos pulmões, com o medo da terra debaixo dos pés que não podia controlar... gritou e esbracejou, tentando afastar tamanho monstro, ao mesmo tempo que tentava ganhar coragem para se manter no local, agora coberto por um nuvem de pó.

A presença daquele objecto gigantesco, desconhecido à vista dos olhos ainda em evolução, parecia adormecer, num som gutural leve, continuo, como uma buzina, permanecendo nos ouvidos daquele animal ainda apavorado. Sem esperar, foi atingido no peito por uma nota ligeiramente mais aguda, seguido-se outra e outra, construindo uma melodia desconhecida. Um som pouco elaborado, fácil de ouvir, como uma canção de embalar. De repente, um grito estridente. Não, não era um grito, era uma criança a rir. Seguiram-se outras, formando um aglomerado de felicidade, criando na mente do humano actual, a imagem de dezenas de crianças a brincar no recinto de um infantário. Gradualmente, os risos silenciaram-se, seguindo-se uma ausência profunda de sons. O animal bufou, balançando os ombros sem sair do sítio.

Je t'aime!

Ouviu-se, suave, delicada e feminina. O animal endireitou o tronco, puxou os ombros para trás e olhou de frente a bola de luz que lhe surgia, pairando no ar, dirigindo-se a si. Assustou-se.
Por entre o brilho, apareceu um corpo pálido, caminhando sobre as duas pernas. Uma fêmea, alta, loira, de olhos grandes e azuis com um sorriso ligeiro no rosto. Nua.
O anjo luminoso susteve a marcha à frente do símio, e este a respiração, observando hipnoticamente aquela mulher que se erguia acima da sua cabeça, desprovida de pêlos e de garras, trazendo um perfume convidativo junto ao seu órgão genital, que se rodeava de uma pequena pelugem.
Outra voz surgiu por trás daquela figura misteriosa:

My love, my beautiful creature...

Abriu a mão, deixando o osso escorregar-lhe pelos dedos e aceitou a da fêmea. O caminhar do animal tornou-se mais estável e forte, à medida que se afastava da árvore que lhe dera abrigo e se aproximava da bola de luz. Esticou o braço e o um dedo. Encolheu-se receoso, olhou a fêmea com um sorriso na cara e os olhos dele brilharam. Tocou então a bola de luz e uma calma percorreu-lhe os músculos. Não estava com sono, mas sentia-se calmo, como uma epifania que não sabia compreender.

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Não estava para publicar este texto, mas aqui fica uma experiência...

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Silêncio...



Sentia-se o calor da terra e o chão calmo ser varrido por uma leve brisa. As estrelas caiam com o sol e a escuridão enchia o céu, levantando quem de noite não dorme.
Silêncio. Como uma doença profunda e um sono pesado. O som do mundo cessava, permanecendo melancólico, murmurando aos seres uma melodia harmoniosa, leve ao ouvido, maternal ao toque, reconfortando o pêlo e aquecendo o sangue. A natureza fechou os olhos e adormeceu. Ouvia-se o uivo do vento atravessar a terra como um cobertor, uma nota orgânica, que imitava o som do coração.

Silêncio. Tum-Tum. Tum-Tum. O vento parou, o sol desapareceu e tudo morreu, sem gritos ou rugidos. Sem fugas ou esconderijos. As flores perdiam a cor, as pedras o cheiro. Criava-se, alma a alma, um oceano azul infinito, límpido, calmo, que embalava os sentimentos num corpo sem sentidos. Não havia choros, medos ou tristezas, apenas uma paisagem decorada, bela. Uma musa desceu dos céus, pairando sobre um animal. Não haviam palavras a dizer, ou cânticos de embalar. Uma estrela cadente riscou o universo e a musa olhou-a. Deitando-se sobre a relva, contemplou o tenebroso estrondo que se espalhava invisível até onde a vista alcançava.

Silêncio.
Tum-Tum. Tum-Tum.
Os vulcões explodiram e o chão tremeu.
Despertava assim a vida.

Aqui, onde a terra se acaba e o mar começa...

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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

As mulheres não sabem amamentar...


Segundo um panfleto que se pode encontrar no Hospital da Mealhada, amamentar não é algo totalmente instintivo. Ao que parece, as mulheres de hoje são tão burras e ignorantes, que nem sabem segurar num bebé e amamentar. São mesmo? Isso significa que enfrentamos um nível de extinção nunca antes visto. Parece que Satanás não vai precisar de trazer o Apocalipse, visto que as mães estão a falhar na única tarefa simples que mantém a nossa espécie viva.

Posição e Técnica de Amamentação
A amamentação não é um comportamento totalmente instintivo. Mãe e bebé precisam de aprender a amamentar e a mamar.

OU

Amamentar é natural mas não é completamente instintivo.
É possível aprender a amamentar.

A única coisa que me ocorre é: "Esta gente escreveu isto com base em...?"
Bem, se pensarmos um bocadinho, a única razão para ensinar às novas mamãs como amamentar um bebé da forma "correcta", pressupondo-se de que existem benefícios ao utilizar uma determinada posição em detrimento de outra utilizada pelas nossas mães, avós e bisavós, deve-se ao facto de hoje em dia as meninas e as mulheres (jovens) terem deixado de frequentar as cozinhas com as suas mães, como se fazia à 30/40 anos. Deixaram, desde o tempo em que apareceu os computadores e internet, a tradição e o desejo de aprender a cozinhar, para que um dia cozinhassem também elas para os seus maridos e para elas próprias. Trocaram-se as mães por alguns blogs e livros muito mais fáceis de lidar e com o qual nem precisam de conversar ou aturar. Cozinham sozinhas sem ninguém a comentar que estão a fazer mal. A técnica e os paços mais detalhados e tão horrorosos em aprender E em fazer sempre da mesma maneira, são trocados pelas Bimbys.
É por tanto, natural que se deva ensinar a criançada a amamentar as crianças já que elas deixaram de parte, logo desde o início, o papel de ser Mulher. E toda a mulher deveria saber cozinhar, e não digo isto por ser machista ou malandro, porque eu adoro cozinhar, mas sim manter as suas origens de seres sociais, que tratam e cuidam das crianças, que preparam o comer e alimentam as suas crias. As mulheres antigamente, de à 30/40 anos, tinham uma auto-obrigação hereditária, um dom, um ponto positivo, que era: -- Sabiam cozinhar e fazer bom comer!.
Hoje em dia, não se sabem vestir, despem-se com "muita facilidade", preferem beber, fumar e desprezar os homens, e mais importante ainda, deixarem para trás o papel de se ser mulher, de ser feminina, de ser mãe, de ser sensível e o animal a ser conquistado. Obviamente que estarei a falar da maioria e por essa razão não se sintam ofendidas as mulheres que não encaixam na minha critica.
E se antigamente a mulher era a conquistada e se deixava conquistar, hoje elas já não estão tão interessadas nessa dança de acasalamento. Os papeis inverteram-se e agora são elas que pensam que mandam neles. O que não se aperceberam, é que o "homem" está a evoluir para o ser que elas sempre sonharam ter, e elas para as mulheres que nunca se deveriam tornar. À milhões de anos que evoluímos de uma determinada maneira, nomeadamente naquela em que a mãe é atenciosa e preocupada e o pai a figura que incentiva e protege. Para elas, também é verdade que se torna difícil cuidar de um filho sozinho, e baseio-me na quantidade de divórcios que começaram a acontecer desde o inicio da crise. No entanto, as mulheres também se têm tornado cada vez mais interesseiras. O casar por dinheiro já não é apenas um segredo bem guardado entre mães e filhas, é já do conhecimento de toda gente. A quantidade de homens/pais que se separaram e têm agora a obrigação de ajudar a mãe a cuidar da criança com uma quantia "simbólica" do seu ordenado é assombrosa! Parece que têm os filhos só para sacar dinheiro. O que até combina bem com a frase de um psicólogo: "Os pais de hoje, não querem ser pais". E não, não falo dos pais com dinheiro, bem na vida, grandes carros ou que vivem acima do limiar da pobreza, que têm ambições e hobbies produtivos e construtivos. Refiro-me aos pais que vivem no campo, em casas da segurança social, que não têm o 9º ano, em que falar de sexo é ainda tabu e o serão de domingo é passado a ver a TVI.
Se as mães de hoje, já não sabem e até já nem querem ser mães, então concordo em que se façam sessões que as ensinem a amamentar. E se por um lado a amamentação é importante para o desenvolvimento físico e psicológico de um bebé durante os primeiros 2 anos de vida, de nada adianta pois já foi comprovado, em estudos recentes, que a inteligência é algo hereditário. E todos nós dispensamos ovelhas de gado, que para isso, já basta o Zé-povinho que ainda cá permanece.

E não querendo falar apenas mal das mulheres, porque se 90% delas não vale o esforço dos bons homens, dos cavalheiros e daqueles que realmente se esforçam e dedicam à sua cara metade, também me vejo impelido a falar bem, e uma das coisas boas é a de que começam a interessar-se por agradar o seu homem na cama, e neste caso, falo exclusivamente daquelas que realmente têm uma mente aberta e sem tabus. Das mulheres que acompanham o homem numa volta de bicicleta ou que partilham a lida da casa, e -- porque não? -- que também os incentivam a limpar, a arrumar, a cozinhar e a tratar das crianças. Porque um homem sem uma mulher não cresce, e uma mulher sem um homem não ganha juízo. Mas não falando apenas de sexo e de lingerie, elas (as boas) também começam a ter conversas interessantes, e obviamente falo de uma percentagem da sociedade portuguesa muito, mas mesmo muito, pequeníssima. As poucas e boas, cada vez mais raras, não precisam de aprender a amamentar, a serem mais, a segurar numa criança ou a ler livros do género: "Porque chora o meu bebé?". Essas, já estão preparadas, já estão preocupadas, incentivadas, instintiva e geneticamente preparadas para segurar, amar e proteger uma criança, um rebento seu. No entanto, todas as mulheres são capazes de segurar num bebé, de o amamentar e acomodar nos seus braços, sai-lhes, a todas elas, de forma muito instintiva, não fosse afinal, uma necessidade biológica que executam à milhares de milhões de anos. Todos os mamíferos o fazem ainda que sejamos os únicos que seguram nas suas crias.
Afirmar que uma mulher não sabe amamentar, é o mesmo que passar um atestado de incompetência às mães das pessoas que escreveram estes folhetos. É suposto uma mulher aprender pela tentativa e erro, foi assim que as nossas avós fizeram, e é assim que se vive, através da experiência. Se uma mulher "não sabe amamentar", então não é mulher, e aparentemente, o que estes folhetos estão a tentar dizer, é que uma mulher só se torna realmente mulher, não apenas quando tem a menstruação pela primeira vez, engravida ou pare. Ela só se torna mulher quando a sua médica comprovar que sabe aplicar as técnicas de amamentação. Como isto está, não me admira nada que daqui por um par de anos, todas as mulheres sejam obrigadas a frequentar cursos de amamentação e de como se cuidar de uma criança.
Mas agora vêm vocês falar sobre aqueles encontros entre grávidas, que frequentam durante meses, para se preparem para o parto. Bem, quanto a isso só tenho a dizer que, parir nunca foi nem nunca será uma coisa fácil e muitas mulheres assustam-se facilmente com contracções ou sofrem de dores agonizantes durante vários minutos ou horas. Estes encontros servem para as preparar para o grande momento das suas vidas, e isso têm um grande impacto na auto-estima da mulher. E sim, também têm razão quanto à amamentação, mas desde que a mulher engravida até que o bebé deixe de amamentar, tudo pelo que a mãe passa, stress físico, psicológico ou emocional é transmitido para o bebé e também existem bastantes estudos que comprovam essa afirmação. Depois de deixar de mamar, tanto o pai como a mãe, influenciam directa e indirectamente a sua personalidade.

Hoje, elas vivem até cada vez mais tarde (30 anos) com o sonho de serem princesas, de terem um principio e um castelo. Sonham e fantasiam, sendo muito poucas aquelas que são capazes de lidar com uma relação de uma forma analítica complementando-a com a fragilidade, amor e uma pitada de ciúmes, de inveja. É suposto uma mulher pertencer e proteger o seu homem. Ainda que às vezes a violência para a maioria das macacas seja a solução, bastará, para as mais inteligentes, a utilização de pequenos gestos, um agarrar mais firme do braço ou da mão, um maior número de beijos ou olhares fulminantes. É também preciso que os bons homens deixem o futebol e ocupem esse espaço com a cozinha, com a mulher, com os pensos higiénicos ou os tampões, com as roupas ou as suas emoções. Eles são crescem se elas os chatearem, e elas só os agarram com força se eles se dedicarem. Mas cuidado, é preciso haver humildade, confiança e uma forte amizade. Relações com segundas intenções ou facadas pelas costas, não é uma relação, é uma guerra depressiva e negativa.

Mas deixando de parte as mulheres e a sua aparente incapacidade de cuidar de uma criança, penso que temos de começar a ensinar também os porcos e as vaquinhas a amamentar, e já agora, a preocuparem-se a terem mais cuidado com a higiene. A quantidade de bactérias que aquelas línguas trazem...

Deixando-me de brincadeiras, só não marco umas sessões, porque não tenho namorada, e ia parecer mal ir para lá sozinho... é isto que um homem recebe quando se preocupa com a saúde do filho e da mulher que ainda não tem. Sou olhado de lado, gozado e provavelmente "banido" por ter uma atitude demasiado estranha e direi até, TABU!.

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Informações:
A Unidade de Cuidados na Comunidade Bairradina está a organizar sessões pré natais sobre amamentação.
Informações e inscrições:

Contacte a sua enfermeira de família ou as conselheiras de amamentação:
  • Enfª Isabel Lima
  • Enfª Maria José Andrade
Contactos:
  • Centro de Saúde: 231 202 023
  • UCC Bairradina: 918 265 075
  • E-mail: ucc-mealhada@csmealhada.min-saude.pt
Links úteis de apoio às mães:

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ouve, respira, aceita...



Uma melodia tocava nos meus ouvidos, leve, como uma brisa pelos cabelos, levando-me da mente a preocupação. Um carinho gentil, de um amor que chega na primavera. O sol subia a cada passo, acordando do frio a natureza adormecida, hibernada no tempo; E em cada flor, cada pétala, cada folha, podia-se ouvir o espreguiçar cuidadoso. Criava-se à minha volta uma dança apaixonada que não se ouvia, nem se podia ler, mas que se podia sentir e fazer-nos chorar.

Sentei-me na margem do lago, onde as ondas me banhavam os pés e as pernas, num balançar orgânico acompanhando o som de uma música que recordava. Uma memória que me trazia alegria. Um reconforto emocional que não existia em fotografia ou numa peça de roupa. Um gesto, apenas. Uma mão sobre a minha cara e um par de lábios vermelhos, molhados, que embatiam nos meus como um doce. Fazendo crescer o roçar dos nossos corpos numa troca de pólens, de emoções e vibrações.
As notas flutuavam com o meu corpo, enquanto a natureza me carregava no seu ventre. E o seu ventre, era o mundo. Era aquele lago e aquela paisagem que acordava para um dia em que... não haviam oportunidades para aproveitar ou criar, mas uma solidão do cosmos com que se podia dançar.

Ouve...
Respira...
Aceita...
Estás em casa...

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Azul transparente...


Viemos do mar e cada vez que o seu som rebenta nos nossos ouvidos, o cheiro nos entra pelo nariz e o sabor salgado se agarra à língua, o nosso corpo anseia o azul transparente do elemento que nos sacia a cede, arrefece o corpo e nos faz boiar na solidão do nosso pensamento.

Esticámos as fronteiras do "fim do mundo" e tornámos a circunferência numa esfera.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Se eu te der a mão...



Se eu te der a mão e partilhar um sorriso acanhado, quero que dances comigo. Quero, porque se apenas desejar, tenho a certeza que a confiança foge de vergonha. E como tem mão forte, leva à força as palavras que te preparei em dizer. A minha vergonha é tão medricas, que até a voz me leva para não ficar sozinha.
Se te abraçar, quero que sintas aquilo que o meu corpo é incapaz de dizer. Que os meus olhos sejam, devagarinho, conquistadores dos teus. O nariz, do teu corpo, do cheiro dos cabelos e do odor apaixonado que dança sobre a tua pele arrepiada de ansiedade. Os meus lábios, dos teus, para sentir na ponta da minha língua o sabor do teu batom e tu o calor que te prometo nos dias mais frios ou o reconforto dos conquistados com a malícia que reconheço ao longe nesse rosto tão único.
Se eu te der a mão, a dança que julgas conhecer e capaz de recriar, transformar-se-á num voo, num bater de asas, de murmúrios e gemidos, de cores e sabores. Uma dança de acasalamento que te atrai a mim pelo caminhar que se desloca a ti, confiante. Pelo sorriso que deixo alegrar-me o rosto e os olhos que te penetram a mente.
Se aceitares a dança, dança comigo até ao pôr do nosso sol, até que as memórias de já velhas, se apaguem para podermos um dia, do outro lado, nos re-encontrarmos e vivermos de novo o amor, a paixão, o desejo e a saudade daquilo que foi a nossa dança, o nosso voo, as nossas memórias...

Danças comigo?

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Evoluímos ou Evoluímos-nos?



Quem trabalha e faz trabalhos com madeira, costuma dizer que a madeira dará o objecto para o qual nasceu para ser.

Nesta pequena curta-metragem, um objecto de madeira com características humanizadas, cria um retrato do seu oposto.
O ponto importante neste pequeno filme, não é apenas o facto de ensinar de uma forma muita fácil e transparente, que não devemos mudar ou moldar à força quem amamos, mas sim também, a razão de um objecto criado "humano" ser capaz de criar através da sua imaginação, sonhos e fantasias, o seu oposto. Um oposto que nunca viu e que nunca conheceu.
É então razão para dizer e constatar, que apesar de nunca termos visto algo, não quer dizer que não exista ou que não possa ser inventado. Mas isso significa que a ideia "abstracta", foi-nos implantada através de "poder divino", ou foi algo que realmente teve origem nas profundezas da nossa mente?
Sendo todos os animais capazes de sonhar, de recordar, de reconhecer e se adaptar, mesmo que apenas psicologicamente, significa que são também eles criadores de ideias abstractas? De dar origem na sua mente, no céu cérebro consciente, imagens que nunca viram?

Existe uma espécie de macacos, capaz de criar/inventar, desenvolver e aperfeiçoar ferramentas. Mas segundo os cientistas, têm dificuldade em passar à geração seguinte essa informação. Será, porém, que a sua capacidade "única" de transpor fisicamente uma ideia inexistente na matéria do cosmos, ser de origem divina e não através de um processo evolutivo no qual teve origem, não só o seu instinto de sobrevivência que obrigou a desenvolver planos de fuga ou de conseguir visualizar antecipadamente a sua rota de fuga, mas também em tornar eficaz uma tarefa? Como comer ou correr?
Não é no fundo, no fim e ao cabo, a evolução, uma construção, degrau a degrau de inovações? De uma melhor capacidade de previsão de uma acção, como por exemplo do tempo ou de um trajecto de fuga entre uma densa floresta?
Não é também uma evolução psicológica e emocional de ideias e pensamentos? Que de geração em geração se tornam mais nítidas e fáceis de compreender?
Significa então que é o nosso cérebro que nos adapta? Que não é a exigência do ambiente mas a capacidade que todos os seres vivos são capazes de objectivar, planificar e criar do nada, uma solução e/ou uma alternativa para aquilo que vêm?

Colour is in the eye of the beholder
Horizon - Do You See What I See (Part 1)
Horizon - Do You See What I See (Part 2)
Horizon - Do You See What I See (Part 3)
Horizon - Do You See What I See (Part 4)

Segundo o documentário "Do You See What I See" produzido pela BBC Horizon, as cores que o nosso cérebro consegue ver, encontram-se ligadas ao nosso vocabulário. Quanto mais nomes formos capazes de dar a cada cor, melhor será a sua visualização.
Comprovando que não é o ambiente que nos evolui, mas a mente.

Sendo então a resposta a uma pergunta que nunca foi feita e que por essa razão não existe:
Só somos de capazes de manipular o que nos rodeia, quando formos capazes de o entender? Quando consciencializarmos intrinsecamente que uma pedra não é só uma pedra, mas uma ferramenta de caça?
Que um conjunto delas não servirão apenas para enterrar os mortos, mas também para edificar um abrigo contra o vento, a chuva e o frio?
Só avançamos na árvore da evolução, quando na nossa mente der algum tipo de "clique"?

Explicar psicologicamente, a capacidade que este objecto humanizado teve para criar alguém seu semelhante, torna-se difícil, a partir do momento em que tento perceber de onde e como surgem os meus sonhos, principalmente aqueles que nunca vivi. Isso não é capacidade de projectar um pensamento no futuro, é algo muito mais.

Se mudar alguém não deve ser um objectivo da cara metade, melhorá-la não será a mesma coisa? E se então não há maneira de duas pessoas interagirem de forma positiva, isso impõe duas questões.
A alma gémea não se tornará com o tempo, um aborrecimento? Porque, se gostam de "tudo" e fazem "tudo". Esse entusiasmo e todas essas experiências têm uma razão para existir? Não evoluímos através da partilha de informação e da educação dos iliterados?
Como poderão duas pessoas conviveram se a maneira como vêm e sentem o mundo não pode ser aproximada através de um melhoramento da psicologia do outro? Se não há partilha, se as arestas não são limas, como poderão duas peças coe-existir? Não está em causa a leia da atracção, mas a capacidade emocional, mais do que psicológica, de suavizar as nossas decisões, ideias e opiniões.
Mas... significa então que deixaríamos de ser nós mesmos, apenas e só para um "bem maior"? E neste caso, o que está em casa? A sobrevivência da espécie ou uma escolha emocionalmente egocêntrica e instintivamente social?

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O caranguejo que viu o mundo morrer...



No horizonte, subia sozinho lentamente entre nuvens no céu azul, um Sol como nunca antes tinha nascido. A manhã escura, naquela praia invadida por pedras negras, iluminou lentamente a conquista que a natureza construía em cada buraco e saliência do paredão natural.
A maré subia com a luz, vagarosamente, em silêncio. Não se ouvia o vento nem a natureza, as aves ou as árvores. Por entre o rebentar das ondas, sentia-se o vazio do planeta. Não havia criaturas por perto para testemunhar o silêncio, se não o único caranguejo laranja que surgia inesperadamente debaixo de uma das pedras submersas pela água.

Subia a costa de lado, e ao chegar a terra seca, virou-se de frente para a grande pirâmide que ainda bloqueava o Sol. As cores no céu, antecipavam uma dança sombria. A morte do mundo. A morte das coisas, do calor, dos amigos e dos inimigos, do vento e da chuva. Sem qualquer forma de saber explicar, sentiu dentro de si o fim. Invadira-o como uma calma, um pensamento vazio, um odor agradável e um conforto caloroso. Hoje, será o ultimo dia que verá o Sol. Será o fim da pesca e das caminhadas, será a extinção inaudível da árvore da vida.

A água tocou-lhe os olhos e a onda puxou-o com ela. Deixou-se levar, envolto no cobertor transparente que espelhava a ultima viajem das nuvens. A escuridão abateu-se sobre ele, sentindo-se esquecido numa morte fulminante das cores, voltando então a ser recebido em êxtase pelo círculo milagroso da origem da vida. O calor apertava-lhe a carapaça e afundou-se, descendo ao fundo do oceano que o germinou. Ao fundo que levaria de volta, por direito, as carcaças de uma enorme evolução natural.
E sendo Nak, fruto da imaginação de um humano, ao interiorizar o fim de tudo, choraria com medo do seu desaparecer invisível, da calma com que se tornaria mais um na grande extinção à escala global. Porque estar sozinho, no fim, seria uma das maiores dádivas merecidas por todo o valor que nunca trouxe ao mundo. Mas saberia reconhecer! Porque deslumbrar o ultimo dia do universo, sentir o ultimo raio de luz entrar nos seus olhos e logo depois a escuridão gelada que nunca foi capaz de imaginar, faziam-no, não um humano de consciência, mas um animal que no fim dos seus dias, sentiu o seu fim.

Numa viajem até às profundezas do oceano que o viu nascer, fugiu assim ao contar das horas, dos minutos e dos segundos que lhe levariam os sonhos e as memórias.
Lá em cima, onde o Sol subia os céus, e cada molécula podia vibrar com vida, surgia já velha a escuridão, pesando em cada piscar de olhos, os fardos perdoados. O pano do teatro do pó das estrelas, fechava-se assim, no esquecimento gélido pintado pelas galáxias longínquas.


É na morte, que a natureza ressuscita...

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O que és tu para ti mesmo?


Calquei o chão, negro, morto. Respirei fundo e senti uma calma apoderar-se dos meus ossos, levando-me ao chão como uma tragédia retirada de uma opera. Uma leve brisa passou pelo meu corpo, entre cada pêlo dos meus braços, no pescoço transpirado e carinhosamente entre as orelhas. A frescura que me enchia os pulmões, desceu pelas pernas como um banho de seda. Senti-o mais frio nos joelhos acabando por desaparecer entre os dedos dos pés que se descalçavam do cansaço entre a terra húmida revirada.

Sozinho, enfiado num buraco empestado de morte, pintado de uma depressão que não queria ver e viver. Rodeado por um vazio infinito, de betão e destruição. Levantei os olhos, pintados pelo choro do medo de para sempre ficar aprisionado e inspirei. Os olhos fecharam sem força e o cobertor negro caiu sobre mim, aquecendo cada parte do meu corpo com o esquecimento da nudez que me vestia. Deixei-me por momentos desligar daquele lugar maldito e quando abri por fim os olhos, re-encontrei-me numa floresta colorida, que se despia num tom amarelo e vermelho, através de folhas que dançavam em direcção ao chão.
Ergui-me, semeando com as mãos a terra que agarrava com força. Entre os dedos sujos senti um gelo trepar, provocando-me um arrepio pela espinha abaixo. Com alguma força, a criatura agarrou-me uma mão, com mais força a outra. Com o medo a afogar-me numa arfar intenso, olhei com coragem que não tinha para o meu lado esquerdo e encontrei pequeno, uma menina de cabelos encaracolados, de olhos grandes e com um grande sorriso no rosto. Segurou-me melhor, e senti algo respirar ao meu ouvido. Uma mulher, alta, magra, nua tal como eu. Com um sorriso ligeiro e doce, aproximou-se da minha cara sem nunca desviar o olhar dos meus e beijou-me como se aceitasse a morte entrar no seu corpo.

As duas olharam em frente, para o interior de uma floresta que escurecia até ao horizonte, e da mesma forma que me arrastara até àquele ponto, arrastaram-me elas até à escuridão do desconhecido que temia com tudo o que me tornava eu em mim mesmo.

Tudo o que julgas saber, faz parte de um jogo que criaste na tua cabeça. Tudo o que sentes em cada momento, é como uma pista que te faz esquecer as regras. Porque tudo o que te faz cair tem a mesma força daquilo que te ajuda a levantar. Porque tudo o que construíste "por ti", é apenas um conto de fadas do qual não queres que a história acabe. Foi no momento que nasceste que a tua mãe perdeu o seu mártir e fez de ti o seu "mais que tudo", levando-te na garganta, propagando os teus feitos como um sermão, como uma doutrina e uma religião que seguirá até ao dia do seu momento final. Farás então um esforço para que a cruz não te persiga e o seu peso não se faça notar na tua cara mas na tua mente "tão matura". E o dinheiro que poupas tão religiosamente, servirá para pagar à voz de Judas, que te assombre a mente todos os dias, para o resto da tua vida, sobre tudo o que não te orgulhas. Um jogo psicológico, no qual jogas apenas tu, sem controlo, e que, sem saberes, saltitas para a destruição de ti mesmo. Tu corres para a partida e não para a meta.

Abre os olhos. Estás a errar e ainda não te deste conta...

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Medo...