sábado, 23 de abril de 2016

Até te vais borrar de medo! [2]

[The moment - Pinterest]


Hoje não vais dormir.
Eu sou a besta que guarda as chaves da tua prisão. Vou arrancar-te a pele dos ossos e quando encontrarem o teu corpo, vais estar triturado no fundo de um pântano.
Rasgar-te o sorriso da cara nunca me fez sentir tão em casa. Estás com medo de mim agora? A morte ao meu lado é mais misericordiosa! O tempo será uma tortura.
Junta os teus amigos e vem lutar pela tua cabeça. Levanta os braços, desta não vais parar ao chão, nem ao hospital, mas trouxe um caixão para cada um!
Vou matar o número Um! Caçar o líder da revolução inconsciente e irreverente. Ainda te sentes com sorte? Ainda te sentes com força?
Se entrares na escola, junto o grupo à tua volta, pois eu vou entrar com a manada atrás de mim!
Junta as pedras, que de paus não tenho medo de usar. Protege a cara ou ficarás irreconhecível.
Sou O lobo solitário que te arrancará do coração da alcateia. Sentes o medo tornar a visão turva? Cheiras a morte? Antevês o teu fim? Delicio-me com o teu sofrimento!

terça-feira, 5 de abril de 2016

A objetificação da Mulher e do Homem na sociedade e em contexto de Violência Doméstica... [6]

A objetificação do Homem
Através dos vários meios de comunicação social - Parte 2




Seguindo as ideias já partilhadas aqui, a objetificação do homem, repito-o de novo, é talvez mais forte que nas mulheres.
Para os homens, o machismo que existe no mundo não pertence a nenhuma cultura ou sociedade, mas a cada homem. Pertence e nasce consigo. Acompanha-o para toda a vida. Quer isto dizer que a violência surge no homem e morre com ele, quando opta pela via política.
No entanto... Apesar de as mulheres olharem-se de alto abaixo, de cobiçaram e invejarem ou denegrirem o aspecto de outra mulher, só porque se sentem atacadas ou oprimidas por não serem mais bonitas, mais provocadores, ou por serem precisamente isso, são agressivas através da sua comunicação física e micro-facial. As mulheres não vêm isso, mas os homens vêm. E é por essa mesma razão, que os homens detectam e comunicam entre si sem precisarem de falar. Basta estarem ao lado uns dos outros na fila do supermercado, quer seja para comprar fiambre, carne ou pão. Os homens -- quer as mulheres acreditem quer não -- irão sempre ver os outros machos como intrusos, como adversários, quer seja por serem mais altos, mais fortes, mais bonitos, mais bem vestidos, mais sensuais, com melhor olhar ou forma de abordar as raparigas.
Os homens estão em constante batalha uns com os outros. É um facto; e negar, seria errado!




Renato Gonzaga: "acho dificil ficarem escolhendo resgatados num incendio, cara...ta tudo fudido pegando fogo, os caras salvam oq aparecem..nao tem dessa de crianças e mulheres..um bombeiro nao vai passar por vc e te deixar pra trás enquanto procura mulheres..
Esses videos sao toscos demais....ela manda alguns numeros de violencia e coisa e talz..mas quem eh o principal causador de violencia? Eu ja fui assaltado uma pa de vezes e colocaram uma arma na minha cara mais de uma vez..e nenhuma delas foi feito por uma mulher.
Homens morrem mais pq sao mais relapsos com a propria saude, vide exames de prevenção ao cancer de prostada que o cara reluta em fazer pq nao quer passar pelo constrangimento.
A prioridade no titanic provavelmente era pra quem tem dinheiro.
Alistamento obrigatorio é uma lei criada por homens...pq ao inves de querem que as minas se alistem os caras nao lutam pra q o proprio alistamento nao seja obrigatorio?
Mulheres nao fazem trampo pesado pq sao tidas como incapazes pelos proprios homens.
Essas minas desses videos so querem fazer aquela media com a rapaziada..mas eh mto papo raso furado.
[Facebook] Porque precisamos do Machismo

Os homens, são vistos como inferiores em várias publicidades. São apresentados ao público como Maridos burros, trabalhadores ignorantes, incapazes, pais sem qualidades, com dificuldades e sem capacidade para educar ou entreter uma criança ou fazer um bom trabalho.

"I think it’s probably even more damaging the way men are stereotypically portrayed in commercials. How often do we have to put up with the stereotypes of the “smart wife–dumb husband,” or “smart kid–dumb dad,” or even “smart female employee–dumb male employees” to sell various products? Boyfriends are almost always portrayed as stupid and childish. Guys hanging out together are portrayed as juvenile, immature, and usually bumbling morons. Given the alternatives, I’d rather be given the option to use objectification for power than to be dismissed constantly as meaningless, ineffective, and just plain stupid." -- Jon 
Em: Let’s Reverse The Gender Roles In Ads Which Objectify Women & See The Effect…

Mas os homens também sofrem na própria sociedade que eles governam. São obrigados, em alguns países, a ir á tropa e nenhum deles se opôs a esse "lei". São obrigados a sair e a fugir em último de locais perigosos, pura e simplesmente para dar passagem às mulheres e crianças, para além de idosos, que já não ficariam cá a fazer nada. São obrigados a pagar ajudas de custos à mãe do seu filho, só porque estão divorciados ou porque a rapariga se quis "separar".
Como já repeti anteriormente, neste tema de objectificação, o homem é obrigado a ir para as trincheiras, caso uma guerra ocorra. Onde é que as mulheres se enquadram? Em casa, à espera. Porque os homens irão ser obrigados a serem fortes, a criarem músculo e a lutarem selvagem e heroicamente pelo seu país, pelos seus antepassados e futuras esposas. O papel do homem sempre foi o de governar. Seja uma ou várias cabeças.

Por consequência da entrada ilegal de imigrantes e "refugiados", os países europeus começaram a notar que grande parte das pessoas que atravessavam as suas fronteiras, ou que entravam nos seus países, eram jovens fortes, bem vestidos, sorridentes, que fugiam a uma guerra civil. O seu objectivo é simples: Constituir família nos países mais ricos da europa.
O único problema nesta fotografia, é de que estes jovens, capazes de lutar, preferem que sejam outros a fazê-lo por si. Não são machos Alpha no seu país, mas serão-no com as fêmeas destes países agora em invasão.
Os Leões, quando descobrem que uma das fêmeas teve crias de um outro leão que não é alpha, matará sem dá, essas mesmas crias, apesar da mãe das mesmas fazer tudo ao seu alcance para que tal não aconteça. Os homens reagem quase da mesma maneira, quando descobrem que a sua mulher teve relações com outro homem. Não é pelo facto de ela ter relações extraconjugais, mas sim por na cabeça do homem, esse acto de infidelidade ser visto como: "Deixei de ser o macho alpha dela. Terei de lutar de novo pelo mu lugar na alcateia em que vivo. Pois se não o fizer, serei visto como só mais um macho sem qualquer controlo pela fêmea que deveria ser só minha." -- Algo mais ou menos nesta linha de pensamento.
Os homens tentarão mais vezes, e de várias maneiras, fazer parte de um grupo, do que as mulheres, pois os homens precisam de união quando os momentos assim o exigem.
Alguma vez viram um grupo de mulheres correr contra polícias ou outros manifestantes, ou grupos políticos/religiosos? Não! Existe uma razão: Os homens tornam-se mais fortes e mais corajosos quando estão em grupo e quando defendem as mesmas ideias, com amigos que apoiam as suas ideologias. As mulheres recuam, ficando atrás dos homens.

Muitos são os videos, no YouTube, de casais que são espancados, e o homem é geralmente o único que leva mais porrada de 2,3,4,5,6 delinquentes, enquanto que a mulher é capaz de levar só umas chapadas ou uns murros. MAS, não é por o namorado se tornar o alvo de outros machos, que foge. Ele fica e protege a namorada, por muito mal que possa ficar do confronto.

Boyfriend defends girlfriend in park

Outra das coisas que acontece no mundo dos homens, é que os homens, quando lutam, andam numa escaramuça de pode demorar alguns minutos, muito intensos, e depois separam-se. Atenção!!!! Tal só acontece, se não estiverem a lutar pela própria vida. Caso seja esse o caso, o homem que está em perigo, irá lutar e dar tudo o que tem para matar ou conseguir controlar o adversário.
Quando se separam, recuperam o fôlego, e verificam se ambos continuam com vontade de lutar, com vontade de subir a machos Alpha. Nenhum homem inteligente continuaria a lutar, e a gastar as suas energias, a menos que se sinta ameaçada, gozado ou ridicularizado. Os machos, sejam em que ambiente for, e que animal for, lutará sempre pela sua masculinidade.
Depois de descansaram uns segundos, voltam à carga, tentam sempre submeter o outro à derrota de si, para que saia de rabo entre as pernas e reconheça a superioridade de quem o derrotou.

[Be strong to stand alone - Pinterest]

Os machos, mesmo na nossa sociedade, testam-no constantemente no seu grupo. Tentam subir sempre um bocadinho na hierarquia, seja através de piadas, de maior esforço, de melhor laços de amizade, de companheirismo para derrotar um colega, etc.

Alpha Male - National Geographic Study
Russian Gopniks Shop and Fight

No caso das mulheres, e essa é uma diferença abismal, é a de que quando começam à luta, a primeira coisa que atacam é a cara e o cabelo da adversária. Ao contrário dos homens, que querem controlar e subjugar o outro macho através da força, a Fêmea quer simplesmente destruir a beleza, neste caso a cara e o cabelo, da vítima, para que nenhum homem a ache bonita. É também por essa razão, que quando um grupo de mulheres ataca uma mulher, regra geral é sempre deixada nua, com cabelo cortado, espezinhada, pontapeada e socada até deitar sangue por todos os orifícios.
Uma das coisas que diferencia também a luta entre homens e mulheres, é que -- e apenas se o caso não for de vida ou de morte, mas de vingança ou de medir forças --, os machos param a agressão quando vêem que é demasiado ou que o alvo dá todas as indicações, verbais ou físicas de tal. Face que as mulheres, se agarram imediatamente pelos cabelos e NUNCA mais se soltam, a não ser que alguém as separe.


Os homens, são 99% dos casos, aqueles de criam as lutas e que as mantém. São também 99% dos homens que defendem as suas fêmeas. Está no seu código genético, e não o fazer, seria como renunciarem a sua masculinidade, como tem vindo a acontecer cada vez mais desde a chegada dos "metrosexuais". É por essa mesma razão, que os Russos, sem qualquer influencia externa, e sem capacidade de serem Americanizados no seu todo (culturalmente), continuam a ser um dos países mais violentos. Em que a luta é ainda vista, tal qual como em Inglaterra entre Hooligans, como coisa de macho, de homem, de Alphas.

No video, acima, é fácil de perceber que ambos estão a lutar pela mesma rapariga. O que significa que os dois irão tentar tornar-se no macho Alpha e conquistar a fêmea "submissa".
No minuto "0:41", em que o rapaz moreno chama uma possível amiga, ele tenta demonstrar que ele tem atrás de si, fêmeas com fidelidade. Fêmeas interessadas na sua amizade, e isso desencadeia na rapariga principal, um conjunto de reacções, elas mesmas, de disputa e estudo dos dois machos à sua frente. É o momento em que ela percebe, que se quiser o moreno, que já tem fêmeas à sua volta, terá de lutar. E lutar é um bom partido pois significa que o macho rodeado de fêmeas amistosas, é um bom partido. O rapaz loiro, percebendo a sua desvantagem de conquistas femininas, sente-se ameaçado, e só volta a "atacar", quando o ambiente estiver mais favorável e com apenas a fêmea principal, sozinha, sem distrações de outras fêmeas.
O que desencadeia a "luta" de argumentos entre os dois, é o toque entre os tacos de snooker, que acontece aos "2:12". Esse toque, significa que o rapaz nº1, está claramente a tentar mostrar-se superior, o que para qualquer macho é um sinal de desafio à sua presença e posicionamento na hierarquia. Por consequência dessa pequena briga, a fêmea reage instintivamente, sem se meter entre os dois. O sorriso e expressão facial -- movimento ligeiro de sobrancelhas -- que surge na sua cara ao minuto "2:14", diz tudo o que ela sente por dentro: "Quero ver quem vai lutar por mim. Quero saber como se vão defender, resolver a situação e sair vencedor." Até mesmo a maneira como ela se posiciona na mesa, ou de como se afasta para ver como as coisas evolvem, demonstra que apesar de ser fêmea, nenhum dos dois rapazes lhe ir bater, de poder vestir e dizer o que lhe apetecer, ela reconhece a sua "inferioridade", reconhece o seu local perante dois machos que se testam e preparam numa possível luta. A fêmea já tinha escolhido, logo do inicio, o seu macho Alpha, mas precisava de saber como é que ele próprio defenderia a sua integridade e o seu espaço pessoal.

Contudo, toda esta situação de não-agressividade, demonstra que a forma como nos damos uns com os outros, como lidamos em sociedade e em grupos, chega a ser contraditório em relação ao que já escrevi anteriormente. Os Humanos, reagem a uma situação de liderança de duas formas completamente diferentes e opostos.

  1. Através de violência.
  2. Através do diálogo.

Body Language - Indicators of Interest (IOIs)

Todas estas situações, existem no mundo dos homens. Óbvio, e mais do que óbvio, existiram excepções, mas são uma minoria muito baixa.
Existe um micro-mundo em volta de todos os homens, incluindo mulheres; E apesar de serem as mulheres as que mais se cobiçam e invejam, tanto na rua como com amigas, os homens -- caso assim se sintam dispostos a subir no ranking -- irão estudar-se uns aos outros, tentar fortalecer laços de amizade ou estudar essas mesmas amizades. Para o homem, mesmo que os próprios não percebam nem vejam isso, tudo é um jogo de posicionamento e reposicionamento, no grupo de amigos e na comunidade.

É também essa outra das razões pela qual os homens medem os pintelhos ou os pénis no duche quando são novos. Ou os músculos quando são mais velhos. Ou a inteligência e o charme. O odor e o status social. Os machos encontram-se biológicamente preparados para tentar dominar. A pornografia e o sexo são também uma das áreas em que os homens são extremamente objectificados.
Caso não aguentem mais de X minutos, são fracos. Caso não tenham um pénis com mais de Y centímetros, já não prestam, nem para foder e nem se podem considerar homens. Se não sabem satisfazer uma mulher na cama e dar-lhe um orgasmo, não valem nada na cama e são incompetentes. É precisamente por isso, que grande parte dos homens se preocupa com a mulher no momento do sexo. É por isso que se preocupam se teve ou não um orgasmo, se gostou ou não gostou. E não, não falo daqueles que só querem comer e deitar fora.
Incluindo também no tema da pornografia e do sexo, se um homem não deita uma quantidade de sémen grande, com força e com jactos de esperma, como fazia o famoso Peter North, a sua masculinidade pode estar por um fio, pois todos os homens sabem o quão importante é ter o aparelho a funcionar, e de preferência com força e capacidade suficiente para engravidar uma fêmea. Quanto mais esperma e mais força, mais longe chega ao canal do útero e maior probabilidade tem de ser ele a engravidar e não outro macho qualquer.

Se um homem não tem vontade ou capacidade, não presta, tem de tomar viagra. Se uma mulher não tem vontade, ou não consegue ter prazer, a culpa é do homem porque não sabe entusiasmar e estimular a mulher. O homem perde sempre das duas maneiras.

E independentemente de as meninas e as mulheres dizerem que não caiem mortas no chão por homens de músculos, ou seja: que preferem homens normais a homens de músculos, enganam-se a elas próprias, pois o mais natural é a mulher querer ser protegida por um macho com força física, do que por um paneleirote que evita confusões. Dependendo da situação, obviamente.

domingo, 3 de abril de 2016

O que nos separa?

[Cave Painting- Pinterest]


Como poderia eu viver se os meus antepassados não tivessem morrido?

De onde venho, a morte não existe na vida, pois vivemo-la por completo. Não existe medo da escuridão pois sabemos ilumina-la.
Se te aproximares de um buraco negro, o momento em que olhares para trás, irás testemunhar a explosão do Sol, a Terra evaporar-se e o universo escurecer. Sobreviverás tempo suficiente para ver a implosão de tudo o que existe, de tudo o que vês. O universo deixará de existir, e resta-te observar.
Queres saber o que é ser de outro planeta? Queres saber como é viver no meu? Observa a tua história. Se achas que somos assim tão diferentes, devias estudar melhor. Aquilo que nos separa nos genes, liga-nos na historia violenta pela sobrevivência. A nossa origem "animal", faz de nós primos, pois no universo nada se perde, tudo se transforma.
Tu sabes o que é escrever, contar, reconhecer estrelas no céu e cozinhar. Agradece aos teus antepassados pelas suas conquistas e experiências. Neste dia de grande feito cientifico para ambas as espécies, partilhamos a cultura evoluída e aperfeiçoada daquilo que os nossos deixaram para trás. Ou neste caso, para a frente. Mas é o futuro capaz de existir sem um passado? E o passado existir sem se viver o presente? As horas passam, porque a consciência, obrigada pelas condições atómicas do movimento perpétuo, assim dita a vontade de permanecer vivo, em movimento.
Se perguntares qual a linguagem com o qual nos poderemos comunicar, dirte-ei sem gaguejar ou muito pensar, que é a Matemática; A linguagem analítica e harmoniosa da natureza das coisas. Mas se realmente quisermos comunicar a nível emocional e físico, bastará dançar, criar uma melodia e desenhar. A verdadeira linguagem que permitirá a nossa comunicação, será precisamente a criatividade. Será a partir dessa experiência, que iremos comunicar tudo o resto. Inclusive manobras sociais de amizade e talvez até formas mais sensuais de chegar ao sexo. A partilha de experiências, felicidade, amizade e amor.

Queres saber o que é ser de outro planeta?
Diz-me então o que é ser.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Vou dar-te uma proposta irrecusável...

[Be strong to stand alone - Pinterest]


Tenho errado bastante estes últimos dias... seja por falar demais, por achar que tenho piada, por sentir que posso dizer tudo o que me apetece, brincar com a situação ou levantar a voz só porque me chateio com alguém que não faz o que era suposto fazer.

Por causa disso, tenho andado muito stressado e sem vontade de escrever. Mas como sempre usei o blog como uma escapatória para expor os meus pensamentos, para falar sobre eles, para me re-educar e avaliar, vou aproveitar para despejar mais um monte de balelas, só porque sei que me vai ajudar na criatividade futura.

Percebo agora, com 26 anos, que continuo a falhar mesmo quando não quero. Pouco controlo a situação, mas continuo a ficar zangado comigo mesmo por essas coisas acontecerem. Era suposto eu já ser um homenzinho certo? O que me falta? O que estou a fazer de mal? É falta de namorada? É falta de ter um filho? Esse ultimo pensamento aparece todos os dias, sempre que vejo uma criança. Mas e a namorada? Em que falho?

Não posso achar que consigo controlar tudo. É impossível. Mas tenho aprendido muita coisa de todas as merdas que faço. Sejam pequenas ou grandes. Isso é bom sinal. Significa que ainda não parei no tempo.
Tenho continuado a ler, coisa que eu raramente fazia antes de começar a escrever o meu livro, em 2014, que ainda nem o primeiro capítulo está concluído porque é muita informação e pesquisa para introduzir; Mas tenho aprendido bastante com todas as páginas que li das dezenas de livros que já comprei. 400€ em livros é obra!

A verdade é que eu sei o que me falta. Falta-me falar mais com as pessoas, faltam-me amigos. Abrir a mente e expor o que sou. Conversar. Mas... é só isso que preciso? Socializar? Eu sei que a essência humana exige o sacrifício do meu espaço pessoal, "exige" de mim a partilha de tempo e paciência, mas eu não sei lidar com as pessoas com conversas de "café". Prefiro observá-las nos seus a fazeres.

As minhas ideias têm mudado bastante, principalmente perante o mundo, desde que comecei a ler mais. Grande parte das minhas opiniões, principalmente as que escrevi já vezes sem conta no blog, são hoje "muito" diferentes das que defendia antigamente. Hoje atribuo a culpa da geração, única e exclusivamente aos pais, à educação que eles dão aos filhos, seja em casa ou na rua. A culpa não é da televisão, nem da moda, nem da publicidade, nem do dinheiro. É dos pais. É impossível controlar tudo o que acontece na vida dos filhos, mas é a prepará-los para a vida, para a sociedade, que eles vão saber fazer a escolha certa mais vezes do que as más.
Isto para dizer que apesar de por um lado eu ter deixado de ser burro e com mania de que "eu sei tudo", tenho aprendido com todos os livros que já li, de qual é o meu valor. Por essa mesma razão, sinto-me dividido entre o ser Nada e o desejar ter uma mulher e uma filha a quem amar, porque independentemente de tudo o que fizer, a minha biologia e condição humana, acima do instinto animal, me gritam para deixar os meus genes, para ter filhos, constituir familia. Ser feliz. Ter amigos.

Tenho 26 anos e não tenho namorada. O que é que isso diz de mim? Que sou muito tímido e não saio de casa. Mas tenho um centro de backups, "WD Mirror 4TB", ao qual posso aceder fora de casa, ou partilhar um ficheiro com alguém sem pagar serviços de terceiros. Ou um novo aparelho de gravação que me permite gravar da televisão com uma qualidade muito superior à que antigamente tentava fazer. TVRip-DesenhosAnimados

Estou apetrechado com alguns dos equipamentos mais incríveis que nem sonhava vir a ter, e a conseguir configurar, apeser de me dizerem que seria impossível. Mas não tenho namorada! E eu quero uma, porque quero dar, quero receber, e a punheta não é a mesma coisa... verdade seja dita. Todos queremos ser amados, e eu sou um deles. É preciso julgarem-me!?
Tenho um quarto que é só meu, verdadeiramente. Cujas paredes de 3 cores diferentes foram todas pintadas por mim. Incluindo o chão, que não escapou ao cimento que tive de colocar para tapar os grandes buracos causados pela "tinha". (Vermelho escuro, Amarelo e Verde.)
Quando foi preciso redesenhar a instalação de cabos de rede para a Fibra da Vodafone, tomei a iniciativa, desenhei a planificação da passagem de cabos no computador, dialoguei com o meu pai sobre a melhor estratégia a tomar e quando foi altura de fazer os furos nas paredes, peguei no berbequim e furei tudo sozinho. O meu pai comprou as calhas, é certo -- ficava-lhe a caminho do trabalho -- e quando foi para finalizar, colei as calhas nas paredes. Re-instalei os cabos e as cabeças RJ45 nos mesmos. Comprara em antemão uma bateria UPS, que fornece energia aos aparelhos de internet sempre que falha a luz cá em casa, o que é quase todos os meses, pois a minha mãe liga forno, máquina de lavar roupa e loiça tudo ao mesmo tempo e vai tudo abaixo. Perdi a conta ao número de computadores e discos que perdi por causa disso.
Já no quarto, colei outras calhas para passar cabos de rede para a box e o computador. Aos poucos tenho tornado um quarto que era do meu irmão, no meu. Mais pessoal, mais arrumado.
Tenho-me tentado aperfeiçoar, incluindo nas roupas, gastar bem gasto, gastar no que gosto, e comprar sempre que me interessa verdadeiramente e me fica bem.
Tomar a decisão de pintar o meu quarto, de arranjar e construir tudo o que tinha, na verdade, era uma das coisas que precisava às bastante tempo. Dar um significa a tudo o que sou por dentro e exteriorizar, em parte, o que tenho para oferecer. É por isso que continuo a errar. Porque continuo a aprender, e a estudar tudo o que me rodeia, principalmente quem sou e o que quero ser, para além do que não quero ser e fazer. Aos poucos torno-me no que sempre quis ser, mas que não tinha coragem para tomar a iniciativa.

Mas não tenho amigos... não tenho namorada... não tenho sexo... não tenho uma aventura que me guie. Faço a minha vida, passo a passo, seja lento ou muito lento. E independentemente de errar mais vezes do que as que acerto, orgulho-me, e vou-me orgulhando de todos os pequenos apontamentos que vou alimentando ao meu cérebro, à minha personalidade.
Estou mais confiante. Sou confiante! Tenho tantos projectos que quase não tenho tempo para mais nada. Mas tenho algo que valorizo... Tempo para mim! Tempo para rir. Espaço para ser e existir. Espaço para descansar e ouvir-me. Tempo para apreciar e aproveitar... Não me falta dinheiro, não me falta tempo nem felicidade.

Só procuro alguém que queira sentar-se comigo e ouvir o que houver para se ouvir.

terça-feira, 1 de março de 2016

A rapariga que cheirava a pão quente... [3]

Sentada à mesa, olhando pela janela, a avó observava as aventuras da neta que tão vincada na sua memória a faziam lembrar a própria filha, que fugia brincando dos patos e das galinhas, que se tornava mãe dos coelhos e pintainhos. O avô juntou-se à avó na recordação do tempo. O que era a velhice sem netos e bisnetos?
O avô aproximou-se da sua amada, deu-lhe a mão, e num momento indecifrável, por qualquer animal ou pessoa neste mundo, partilharam uma pequena memória. Sofia tinha a mãe impregnada no corpo.
Viram-na correr até ao fundo da quinta, trepando a muralha que separava a vinha do vizinho dos animais do seu avô, cuja gula não tinha fim.
O Sol dizia-lhe "Olá", e ela juntava todas as coisas à sua festa; o seu sorriso, a sua energia, o seu olhar, as suas mãos delicadas. Sentia o ar entrar-lhe nos pulmões, sem venenos ou doenças, e assobiava uma música clássica, que recordava de quando era criança. Um som que dançava com o incenso do quarto do pai e que parecia vir das próprias paredes escondidas pelos livros. Tornara-se na melodia que melhor descrevia o seu espírito. Juntava o primeiro passo com a primeira mesada. Recordou o toque pesado do vinil na sua mão, cuja escuridão da sua cor sempre lhe dera um ar misterioso e sinistro.
Perdida por um momento, procurou os seus avós ao longe. Olhavam-na num só sorriso. A avó acenou.
Vagarosa e curvada, preparou a mesa para fazer um bolo. O seu melhor amigo de amor eterno, deixou-se cair no sofá. Ajeitou a lenha na lareira, incitando o fogo a rugir, e deu-lhe de comer mais umas cavacas compridas.
Finalmente o cheiro da farinha sentia-se no ar. 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Tenho esperança...


Não olhes para mim como se o mundo fosse acabar. Não olhes para mim como se um adeus não bastasse. Não basta, mas será breve. Crio esperança de te voltar a ver; Recordar a face rosada de sorriso apaixonado, o calor e a fragrância do teu corpo, o sabor da tua pele, a cor da vergonha.
Ouvir-te nesta hora tardia, de lágrimas no rosto, a soluçar um sofrimento antecipado, destrói-me, adoece-me. E é então este abraço apertado que me dás de despedida, que nos arranca a força das pernas; Não estou preparado para te ver sofrer, fazeres das tripas coração por só mais uns minutos comigo.
Que todas as minhas cartas de amor te toquem o coração e te libertem da angústia em que te deixas engolir. Que as minhas palavras te relembrem do que somos, das cores com que pintamos a vida.
És a recompensa mais valiosa, o sonho mais marcante, neste momento em que o sol deixa de brilhar.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [44]


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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [43]

A faca atravessava o peito da inimiga, que soluçava sangue da boca, olhando fixamente para o tecto enquanto o frio lhe percorria o peito. Sentia o coração bater cada vez mais devagar e a respiração arfante de Joana mesmo ao seu lado.
Cuspiu-lhe em cima. Olhou para as suas mãos, pintadas de sangue e esfregou-o na própria cara. Tinha libertado o monstro; Encontrado a raiva perdida do seu animal interior.
-- "Vou matar o Gonçalo!" -- decidiu.
Vitoriosa, afastou-se, desligou o aviso do telemóvel e procurou uma casa de banho, em especial com chuveiro de água quente. Despiu-se, evitou confrontar-se no espelho mas foi capaz de reter uma breve imagem de si, da sua cara pintada, das mãos e dos braços salpicados. A água bateu-lhe na nuca, desceu os cabelos e cobriu o corpo em forma de abraço caloroso. Sentiu algo na consciência, um peso de culpa, mas uma grande satisfação na morte. Na raiva extravasada, no ódio infligido, na morte assistida. Os gritos e grunhidos da vítima agarravam-se às suas pernas trémulas, mas a satisfação que era saber que a causa da morte da mãe estava agora morta, que se tinha feito justiça... parecia que todo o peso e saudade do mundo lhe aliviavam as costas, os ombros, as dores de pescoço. O seu corpo renascia. O valor da vida nunca lhe tinha sabido tão bem. O duche de breves minutos libertavam-lhe a mente do casulo, do castelo que fizera crescer. A água lavava da cara não só o sangue mas todas as máscaras que usara até àquele pequeno momento de vislumbre. Tirar a vida, bem merecida, deu-lhe uma razão para viver e saborear. 

Banho tomado, olhou para o relógio: O assassino estava a demorar-se. Junto a uma parede, abriu um cacifo alto, velho e em ferro, onde encontrou um maço de tabaco de uma das vítimas. Ao lado, em pequenos sacos de plástico com fecho "zip", amontoavam-se os bens pessoais das vítimas do seu futuro namorado. Pareciam provas de crime, o que de facto eram! Se alguma vez alguém as encontrasse ou fossem entregues à policia, especialmente as cartas de condução ou documentos de identidade de cada um dos sacos de carne e osso, à polícia, facilmente iriam relacionar as imagens e os nomes com as mais de 30 pessoas desaparecias nos últimos 10 anos.
Retirou um cigarro, com o filtro branco marcado por batom, e acendeu-o. O prazer inflou-lhe o peito, em cada um dos pulmões, e com o fumo a querer sair expirou uma epifania que lhe subiu ao cérebro. Segregava tanta dopamina com um só "travo" -- do cigarro -- que o prazer da acção se associava à memória curta: os olhos perderem o brilho e a cara estagnar numa só expressão.
Olhou para trás, para a montra da morte, e com um certo escárnio nos olhos odiou o corpo defunto, de lábios roxos.
As câmaras continuariam a gravar até deixarem de ter espaço no cartão de memória.