quinta-feira, 11 de março de 2010

Noite de vermelho...


A minha boca rebenta em sangue...
A faca penetrara-me com tamanha força, que se cravou no poste ao qual estava atada.
Aquele punho, remexendo nas minhas entranhas, rasga-me ainda mais...

Com um puxão, ele tira a faca de mim, saindo com ela, intestino e comida por digerir.
Arrepiada por tal visão, de me decompor em órgãos... grito com a boca cheia, os olhos pesados afectam-me a visão, e as lágrimas choram-se mais grossas.
A dor no meu cérebro, provoca-me frios...

E de novo, aquela figura, volta-se a aproximar de faca na mão, perfurando outra parte do meu corpo...
O bico penetra-me como um seringa, como um beliscão, penetrando-me mais, sinto a pele rasgar e gritar, sinto órgãos contorcerem-se dentro de mim, sinto-o enfiar a mão deste corpo tão magro e ensanguentado...

Solto de novo um grito, sem força, sem voz...
E de novo, ele volta a esfaquear-me, e uma vez, e outra, e outra e outra...
Perante tal nojo, a dor desaparece aos poucos, sonhando eu que estaria num filme...
Amarrada a esta árvore, num parque desta floresta tão calma...
Onde está toda agente? Não me ouvem?
Grito de novo...
Sendo eu rapariga, a minha força de nada conta, perante tal brutamontes.

Não o conheço atrás daquele espécie de "gorro" da tropa. Não lhe ouço uma palavra...
Corta-me as cordas, e caiu ao chão...
Na impossibilidade de me mecher e fugir, ouço um disparo e no exacto momento, uma dôr incontrolável penetrar-me a coluna. Deixo de sentir as pernas..
A escorrer para uma valeta perto de mim, vejo o meu sangue e pedaços de madeira a irem como barcos à vela, num mar vermelho e calmo.

Ele aproxima-se, e colocando uma taça junto do meu pescoço, aproxima a faca que estivera a afiar antes...
Olho, e grito com todas as forças, pedindo-lhe para que me deixe ir, para que me solte, para que pare...
Degola-me, e com um jacto de sangue não apanhado pela taça, reposiciona-a.
Sinto as suas luvas tocarem-me... e o medo da morte aproxima-se.

Deitada no chão, esfaqueada, degolada, vejo o meu passeio naquela noite, que começara de uma forma tão tranquila e com algumas risadas, acabar numa visão da minha própria morte...
Rebentando em sangue por todos os orifícios rasgados, sufocava-me, e afogava-me em mim.
Queria que acabasse depressa.
Desejaria morrer sem dores.

E com uma machada, termina assim ele, o meu sofrimento...
Senti ainda assim, a pressão e pancada daquele gume tão grosso e comprido penetrar-me o crânio.

Que flores tão bonitas...
E o seu cheiro... como perfume....
Seria esta a minha ultima visão, num mundo que não tive tempo de deslumbrar.

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Este "texto", tem como base um filme de 2008 com o nome:
"Lat den ratte komma in" ou "Let the Right One In".

Achem o que quiserem de mim.
Adoro o sofrimento, de provocar desconforto e vómito.
O feminino é uma tela difícil, e cativante.


Podem encontrar mais deste tipo de textos aqui:
Comprimido a uma boneca...

O choro da minha morte...
Raízes de cabelos arrancados...
Fantasy? Rape and Kill!

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