sábado, 9 de junho de 2012

Um berço...


Vê-lo dormir tranquilo, no seu berço. Imaginar e sonhar que seja feliz. Vê-lo um dia caminhar pelo próprio pé, correr, cair, fazer amigos, encontrar alguém que o faça também feliz e que assim morram ao lado um do outro.

Acordar com o seu choro, e levantar-me com a preocupação no peito. Pegar-lhe e deitá-lo sobre os meus braços junto ao meu peito. Assim, choramingão e irritado. Desvendar os mistérios que o seu choro esconde e que eu como pai e papá, instintivamente, saberei responder.

Mas lá vem a mãe, orgulhosa e preocupada de braços abertos para proteger o seu rebento do que quer que lhe tenha acontecido ou incomodado.
-- É a fralda. Vai-te deitar que eu mudo. -- responde o pai.
O bebé volta para o seu progenitor, e lá vão os dois a balbuciar numa língua que ninguém entende. Já a mãe... fica de braços cruzados à porta, a ver o desenrolar de todo aquele acontecimento, que ainda hoje, depois de vários meses, não se habituou nem se quer habituar. Ver o pai mudar a fralda ao seu filho, numa ligação que ela própria sabe ser diferente da que ela tem com o seu filho.
Não é por ser uma coisa de homens, ou por ser uma coisa de mulheres. É a natureza no seu estado mais puro.
Do pai,o bebé procura a força e estabilidade. Da mãe... procura alimento, reconforto e calma.

A mãe aproxima-se do seu homem, e abraça-o pela cintura, depositando a sua cabeça no seu ombro. Observando a cena, aquele espectáculo mágico. Feliz.

Deitado de novo no seu berço, limpinho e mais calmo, observam o seu bebé rir e balbuciar de olhos bem arregalados, brilhantes e grandes. Gesticulando com as suas pequenas mãozitas. Mãozitas com o qual vai aprender a desenhar e a pintar. Montar puzzles, acariciar cães, gatos, sentir e arrancar a relva. Trepar aos montes e ás árvores.
Não tinham pressa de ver o seu bebé crescer e tornar-se num alguém. Queriam saborear todos os momentos únicos e fascinantes. Tanto para aprender um com o outro, e muito mais para descobrir em conjunto. Com aquele pequeno ser que entrou nas suas vidas e da qual não queriam que sai-se tão depressa.
Lágrimas de felicidade, sorrisos e noites sem dormir, só para sentir o seu mexer irrequieto na barriga da mamã. Cada vez que acontecia, pareciam testemunhar a sua caminhada, o seu primeiro passo. Um passo lunar...

Vê-lo deitado, tranquilo, no seu berço de olhos e braços esticados para os seus pais, dar-lhes ia outro motivo para não dormirem muito naquela noite. As suas conversas iriam durar horas, com tanto fascínio, desejo e amor que partilhavam por um único ser, num sentimento mútuo que os fazia chorar. Felizes e completos.

Um berço de vida... cheio de vida, repleto de aventuras e descobertas, de emoções e sonhos. Um berço pequeno perante tamanhos corações. Nada teria mais importância do que sentir todo aquele pequeno mundo crescer e ganhar brilho aos olhos daqueles papás tão emocionados perante a fragilidade e capacidade que a natureza e eles mesmos! tiveram em criar o seu bebé.

A dor partilhada... num momento único de cumplicidade, para um perpétuo momento de felicidade.
Do parto ao primeiro colo... animais somos, e façamos o que fizermos, os nossos filhos serão sempre a maior conquista que faremos neste planeta. Por muitas luas e planetas que descobriremos no futuro, o primeiro passo será para sempre mais importante que a ida à lua. Somos seres simples no seu estado mais puro, mas gostamos de dramatizar.
Um dia pelas montanhas, em contacto com a natureza e os animais... e a sua mente voará para palácios e castelos.

Uma mente em borbulho cósmico.
Um abraço e um cheiro para controlar o pior dos pesadelos.
Um choro e um coração preocupado.
-- Mamã... Papá... adoro-vos!
E com um sorriso se iniciará outra etapa da nossa história.

Amo filhos que ainda não tenho...
Que ainda não vi nascer e que nunca abracei...
Amo filhos que ainda não segurei, lhes olhei nos olhos e disse:
-- Tu és o meu filho! E eu sou o teu papá!

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