segunda-feira, 16 de julho de 2012

Hoje vi...


Hoje, no forum de Coimbra, vi uma menina com pouco mais de 2 anos, de volta daqueles carros e cavalos que os pais usam para os sentar e entreter ao mesmo tempo, enquanto passeiam pelo shopping.
A rapariga sentou-se no carro, e ali ficou por uns 5 ou 6 minutos, pareciam uma eternidade, mudou de carro e permaneceu mais uns minutos.
Os pais... esses olhavam para ela de braços cruzados e nenhuma palavra saía da boca deles. Não havia diálogo e pareciam chateados um com o outro. Não havia amor.

Foi então que a menina saiu do carro e se dirigiu a um cavalo. Subiu com alguma dificuldade, e para meu espanto, os pais simplesmente ficaram a observar. Não a ajudaram, não se baixaram ao nível dela, não a incentivaram, não se predispuseram para a segurar para lhe dar confiança em dar o primeiro passo sozinha e quem sabe até, subir tudo sem a ajuda dos pais. Uma simples salvaguarda por traz não faz mal a nenhuma criança...
Nesse momento apercebi-me, de que aquela criança, aquela rapariga, se quisesse alguma coisa, no futuro, teria de fazer por ela. Mas ela teria de se atirar às coisas de que realmente queria fazer. Não só por iniciativa própria mas porque dos pais não teria nenhum incentivo. Seria/será uma pessoa fria no futuro, capaz de passar por cima de tudo e todos só para conseguir o que quer. Não é por culpa dela, e isto será só uma "estatística" generalizada, mas por culpa dos pais que nunca o souberam ser nem agir nos momentos certos.
A começar na falta de comunicação verbal entre os pais, à falta de ajuda ou incentivo e/ou preocupação para a fazerem sentir que os pais estão do lado dela, e não como meros espectadores.

É triste ver este tipo de casais, que pensam ser tanto e mais que os outros, mas quando se trata de comunicar e entrar no mundo da criança, são incapazes sequer de fisicamente demonstrar amor. E não falo de abraços, beijinhos, sorrisos ou uma palavra de confiança, mas sim de fisicamente, tal como se lê as emoções de uma pessoa pela sua postura.
Como li no livro "Mulheres Inteligentes Relações Saudáveis", de "Os erros capitais de uma relação doente" (pág. 61 à pág. 67), de uma mulher, mãe, que fazia reuniões, tinha milhares de clientes para atender, funcionários para supervisionar, metas para cumprir. Era excepcionalmente boa e trabalhadora naquilo que fazia, mas faltava-lhe uma coisa... dialogar e comunicar com os filhos e o marido. Era incapaz.
Isto para dizer que ela era uma mulher de sucesso, que subiu na vida, que tinha um negócio, estudos e era decidida, mas não tinha o mais importante. Comunicação com o seu Eu e com a sua família mais intima. Era incapaz de "amar" os rebentos que tinha trazido ao mundo. Uma pessoa pode ter tudo na vida, subir tudo o que tiver para subir, os cursos todos que tiver, o dinheiro, as casas, e a saúde, viajar para todo o lado e realizar todos os seus sonhos e caprichos, mas se não tiver a capacidade de se sentar com os seus filhos durante algumas horas a desenhar e a pintar, a correr e a partilhar os bonecos, para mim e na minha perspectiva não é nada nem é ninguém.
Se eu tenho capacidades e conhecimentos para cuidar de um bebé? alguns, muito poucos talvez, mas pelo menos preocupo-me e tenho o cuidado em aprender, em ver, em ler, em ajoelhar-me diante deles e tentar compreender de que maneira posso ensinar utilizando simples brincadeiras.
É difícil? É! Dá trabalho? Possa... nem imaginam! Mete medo ter consciência de que ainda não estou preparado? Até tremo acreditem quer não. Mas tenho meio caminho desbravado. E sinceramente... acredito que estou 2 anos à frente do que qualquer outro rapaz/rapariga da minha idade. Com a excepção de uma ou outra pessoa, como é óbvio.
Não, não sou melhor, não sou mais, mas teoricamente sei mais. Se isso é algo bom? Depende da perspectiva. Saber teórica é bom, não ter prática é mau, mas eu não tenho medo de errar, de falhar, de me descuidar. Toda e qualquer interacção com uma criança, desde bebé até à sua fase mais adolescente, ajuda-me, ensina-me e mostra-me como ser e não ser. Ajuda-me a ser e a agir, para além do falar.

Se ter um filho é algo que me preocupa de momento? Não, o que me ocupa a mente de momento é encontrar uma namorada, que para além de saber crescer, ser madura, simpática, atinada da cabeça e que não tenha medo de ser, que também ela tenha a consciência e o desejo de aprender com os seus filhos.
Porque até eu com 22 anos, mesmo que veja o BabyFirstTV, que aparentemente não me tem nada para dar, já me ensinou coisas e me mostrou coisas que nunca pensei puder aprender com um canal tão simples, básico e infantil como este.
Não é por ler muito, ver muito e saber muito ou o conhecer muito que me faz feliz, é o saber olhar para as coisas e juntar os pontos. Saber usar aquilo que sei e aquilo que não sei para compreender as situações que acontecem a cada momento à minha volta. Nisso sim, sou "superior", mas não gosto de me pôr num pedestal, pois numa universidade de pessoas e rapazes, eu não serei ninguém, a não ser apenas e só mais um número. Vão olhar para mim como um rapaz de cabelo comprido que mete medo sem precisar de fazer mais nada. Um rapaz que aparentemente não tem nada para dizer nem de nada sabe falar.
Mas basta haver a oportunidade de me abrir, de me expressar, de comunicar com as pessoas, e a mente delas fica em branco. Um espanto que lhes pinta a alma de branco.
Mas eu gosto de ser assim. Calado. Fosse um gajo falador, divertido, sempre sorridente, amigo de tudo e todos e perderia a graça, o encanto, o misticismo e aquela intriga que despleto na cabeça de muita gente.
Não sou só mais um rapaz que se parece com "jesus cristo", tenho algo mais que as intriga e eu sei disso.

Não serei "cristo" para os meus filhos, seria antes e acima de tudo, um Pai e um Humano, consciente, com amor e vontade de ensinar, de brincar e fazer crescer. De mostrar o mundo através de um som ou pelo simples atirar de uma pedra para um lago. Não basta estimular, é preciso saber fazê-lo, como fazê-lo e quando fazê-lo.


Aquilo que não vejo, não me faz crescer...
Hoje vi...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Como cobrir um país em caos e violência...


Ponham os camionistas a fazer greve durante +/- 3 a 4 semanas.
Juntem os camiões de recolha de lixo pelo mesmo tempo.
Médicos por um período igual e intermitente, sem nunca fecharem as maternidades e as urgências.
Da mesma forma, intermitente, juntem os transportes públicos, Autocarros e Comboios.
Fechem bancos, centros comerciais, caixas de multibanco,
Fechem a Internet e as telecomunicações por períodos intermitentes de manhã à noite.
Tal coisa, acontece em Die Hard 4.0, um "fire sale", um autêntico colapso de tudo o que rege a nossa sociedade. Gás, água, electricidade, bolsa, desvalorização de moeda, internet, telecomunicações, serviços de urgência, transportes públicos, etc.

Verão o caos que criam num país! As pessoas ficam pior que num filme pós-apocalíptico. Até à pedrada irão entrar no parlamento, irão matar por comida, por dinheiro, e por um país melhor.
O interessante é que estas greves nunca são ao mesmo tempo, e são por curtos períodos.
Ainda se lembram da greve dos camionistas que durou 2 semanas? Começou a faltar a comida nos super-mercados, a gasolina nos postos de abastecimento, roturas de stock...
Imaginem agora um país imerso num caos, com promoções do Pingo Doce. Parece o fim do mundo! Até crianças atropelam...

Sim, este país só vai ao sitio quando se der uma revolução. Não estamos em crise, ainda não. Só quando os "ricos" se sentirem apertados é que isto vai entrar em parafuso. Quando os políticos forem alvo de atentados, de tentativas de homicídio, quando todos os grandes centros comerciais tiverem actos de violência e vandalismo, fogo posto, caixas de multi-banco rebentadas, ourivesarias assaltadas, casas despidas de quais quer ouros, colares e diamantes. Ricos roubados na rua, carros roubados e casas assaltadas. Não preciso de me alongar muito, é fácil semear a desordem e o caos, se pensarem por uns minutos no assunto.

Mas perguntam vocês se é isto que eu quero ver acontecer. Não, não é! Mas vai ter de ser. Na Inglaterra aconteceu algo muito semelhante. Quem não trabalhava ficou sem ver os seus "subsídios de reinserção social", e desataram a partir tudo. Até que as pessoas trabalhadoras tiveram que sair à rua para proteger o que era delas por direito.
Já que a justiça não faz nada, e a policia não pode fazer o seu trabalho sem ir presa, fazem os cidadãos.
É fácil...

Quando esta merda toda rebentar!! O "25 de Abril" vai parecer um menino do couro ao lado disso.

Vai bastar apenas uma pessoa atirar a primeira pedra, para o país cair como dominó.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O que faz dos humanos, humanos?


A capacidade de engenho, de criar algo, de utilizar algo para um determinado fim que não o esperado, não é única. Pois tal como os macacos, eles usam longos paus finos para retirar formigas e térmitas. Ou pedras de determinado diâmetro e peso para quebrar nozes.
Mas o que mais nenhum cérebro é capaz de fazer, é o de se preocupar ou de se dedicar inteiramente a um objecto. É a arte de o actualizar, melhorar, aperfeiçoar e por vezes reinventá-lo.

O próprio cérebro tem facilidade em aprender e crescer, porque é mais elástico e mais flexível. A razão? Um aperfeiçoamento genético, físico, cognitivo, psicológico e complexidade dos meios de comunicação. É a razão de termos uma das linguagens mais complexas do reino animal. Tanto verbal como física.

Há pouco tempo, uma amiga tinha-me dito que o que nos diferenciava dos outros animais, era a capacidade de criar arte. Bem, não concordo plenamente nessa afirmação dada por um professor, mas acredito que não terão tanta capacidade para "sentir" uma pintura. Mas ai vem a parte interessante, uma pessoa pode olhar para um quadro e não gostar nada e achar que é feio. Outra pessoa pode ter uma epifania. Da mesma maneira que uma pessoa quando olha para uma paisagem, vê mais do que uma paisagem, e outra pessoa é capaz de ver apenas um monte e algumas árvores espetadas desordenadamente.
Se conseguimos influenciar a escolha de peixes e entre outros animais apenas e simplesmente através de uma ou várias cores, podemos chegar a uma altura em que poderemos criar uma pintura dedicada aos seus cérebros. Um quadro pintado segundo a perspectiva de um peixe ou de um cão e não de um humano. Como referi em "Animais espelhados como humanos...".

Talvez aquilo que nos torna humanos, aquilo que nos torna diferente dos outros animais, é a capacidade de aperfeiçoar objectos e técnicas ao longo da nossa vida. Para além de que somos animais com explosões cerebrais. Ideias!
E esta capacidade de fazer surgir ideias do nada, dá-nos uma vantagem sobre qualquer outro animal. Pois as nossas ideias vêm quer estejamos calmos ou em perigo, e tal não acontece tão frequentemente quando outros animais estão em sossego. Só quando correm perigo de vida, é que a sua adrenalina é absorvida pelo cérebro e é então nessas alturas que tem de tomar as decisões mais importantes... "-- O que vou fazer para me manter vivo?". A vontade de querer viver é inerente a qualquer animal, tal como já referi em "Qual é o nosso propósito?".
A capacidade de ver "beleza" numa pintura, numa música não será mais importante que a nossa capacidade de nos adaptarmos e de fazer adaptar os objectos que nos rodeiam às nossas necessidades.
Se existem elefantes capazes de "sentir" a pintura, porque não outros animais? Já lhes deram a oportunidade de explorar a sua mente, as suas capacidades, os seus gostos, a sua felicidade?

A pintura é algo importante para a mente, mas a música influencia todo o meio envolvente. Existe um filme "The Last Mimzy (Mimzy - A Chave do Universo)", que aborda um pouco este tema da música. Em que o rapaz através de vibrações consegue coordenar um ninho de aranhas a criar uma ponte de teia. Em MythBusters - Talking to plants demonstram o mesmo. O crescimento das plantas é condicionado pela música que ouvem e não propriamente pelo sol ou pelos adubos. Até se usa para hipnotizar cobras.

No fim de tudo isto, de quais quer comparações sobre arte, música, escultura, criação e experiência, todos somos iguais. Não é entre humanos, mas entre mamíferos. Porque possuímos um instinto animal que perdura à milhares de milhões de anos, quase inalterado. E não devemos colocarmo-nos num pedestal só porque somos mais capazes que as suricatas. Não fossem o antepassado comum, e continuaríamos a roer raízes e a comer insectos como rodeadores que fomos nos tempos dos dinossauros. Dêem as mesmas ferramentas e habilidades a um lobo, e ele não se tornará diferente de um "humano". Coloquem-lhe os 4 dedos e um polegar. Façam-no caminhar e ter a capacidade de inovar, evoluir e passar o conhecimento de geração em geração. Verão que aquilo que nos irá diferenciar é "quase" nada.
Albert Einstein tem uma frase interessante que retrata precisamente aquilo que aqui estou a dizer.

"Everybody is a genius. But if you judge a fish by its ability to climb a tree, it will live its whole life believing that it is stupid." ― Albert Einstein

Não é por um peixe não conseguir subir árvores, que deixa de ter valor para o meio ambiente. Tudo e qualquer coisa é importante para que o eco-sistema não entre em colapso. Refiro isso em "A minhoca no berço da vida...", de que elas são importantes para a fertilização e mineralização de solos. Adicionam valor ao um metro quadrado em que vivem, e não nojo ou repugnância. Da mesma maneira que as pessoas têm nojo dos Abutrez por comerem carne em putrefacção. Houve um esforço enorme por parte dos biólogos de vida selvagem e cientistas para que as pessoas dessem valor a estes animais que muito fazem no meio ambiente.

Nós não devemos viver contra a natureza, quer física quer psicologicamente, devemos sobreviver com ela. Afinal de contas... este planeta pode desaparecer num ápice, basta um asteróide ou umas poucas erupções vulcânicas e cobrir a atmosfera de gazes e nuvens, que em três tempos vamos todos desta para melhor. Nada que ter medo, pois a ciência mostra-nos que isto já aconteceu antes e que os próximos animais a pisar a terra serão sempre melhores que os anteriores. Tal como demonstra o documentário "Terra Formação De Um Planeta".
-- E em relação ao 6º sentido?
Não se preocupem, porque os elefantes também o têm. Choram pela morte de um filho, reconhecem ossadas, e quando sabem que vão morrer, dirigem-se ao "cemitério de elefantes". Cemitério de elefantes!?
Pintam e criam música simples. Não é um 6º sentido nem um dom, apenas um aperfeiçoamento.

O que faz dos humanos, humanos? A capacidade para ver o mundo de várias maneiras pelos mesmos olhos.

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Rã - Espécie ameaçada

domingo, 8 de julho de 2012

O cabelo consciente...

[_ by ~AnitaAnti]

O cabelo, pelo menos o meu, acredito, que tenha e ou sirva como uma extensão da minha personalidade.
Não é absurdo, porque é algo meu, que eu penso e "sinto". Cada um terá a sua teoria e esta é a minha.
A ultima vez que cortei o cabelo, foi em Junho de 2009, para além de o corte ter ficado pequeno e até "interessante", fiquei triste, um pouco vazio. Decidi então nunca mais cortar. E se corta-se, deixaria crescer bastante para que quando se corta-se o tal um ou dois centímetros das pontas, não acaba-se com o couro cabeludo rapado.
O meu pai leu algures, que pelo menos uma ou duas vezes na vida, todos devem rapar o cabelo, para que o couro cabeludo "renasça" e respire. Que apanhe ar e até mesmo algum pouco de sol que tanto faz bem à pele desde que não seja em excesso.

Vi uma vez um episódio do "Extreme Makeover", (que agora não consigo encontrar) em que várias mulheres se submetiam a uma mudança de visual, tanto física como estilo corte de cabelo. E haviam várias mulheres com um cabelo extremamente grande. Em 90% dos casos, foi-lhes mostrado um video, uma compilação de outras mulheres que tinham cabelo comprido, que também não queriam cortar, decidiram arriscar e cortar. No fim adoraram. Mas não foi a imagem das que adoraram que me ficou na cabeça, mas uma simples imagem que passou num cagagésimo de segundo, que me ficou cravado na memória. Uma mulher que se olhou ao espelho no fim, e chorou de tristeza, de solidão. Tinha perdido algo.
De uma perspectiva, é normal ficarmos "incomodados" ou com bichos no estômago quando estamos habituados a uma rotina, a algo que nos é natural, e temos de lidar com mudanças rápidas. É o que acontece quando mudamos de carro, de casa, de cores de camisola, de amigos, de escola.

O cabelo, é também um peso, noto isso quando tomo banho. Se fico muito tempo com a cabeça para baixo, rapidamente apanho uma dor de pescoço.
Estive a ver Girl shaves her head bald - 2011, e veio-me à cabeça, de como será para as mulheres, que rapam o cabelo, usarem a maquilhagem. Usam mais? Usam menos? Compreendem melhor as curvas da sua cara? Usam-nas melhor? Não usam de todo.
Será que uma vez rapado, irão continuar com ele assim, rapado/curto, durante mais tempo que o normal?
Outra coisa que reparei, foi o de que, se não se penteasse o cabelo, pelo menos aquelas pessoas que têm cabelo comprido e ondulado/encaracolado, acabariam, ao fim de alguns meses por criar rastas. Não é pelo não tomar banho, mas porque é o que acontece se não escovar-mos ou desentrelaçarmos os nós que vão dando ao longo do tempo, quer quando caminhamos, corremos, dormimos, quando o vento sopra ou viramos a cabeça.

Quando durmo mal, quando tenho pesadelos, ou fico a pensar muito durante o sono, noto que de manhã o meu cabelo está mais oleoso. Quase como se exterioriza-se aquilo que se passa dentro do meu cérebro. Os problemas, a felicidade ou a tristeza. Não é só por causa do calor mas pelo que me vai na mente. É algo "absurdo"? Para mim não o é de todo. Não me aconteceu várias vezes, e ainda que tenha consciência de que o meu cabelo é mais oleoso do que seco, percebo também que ele fica assim mais facilmente quando algo me perturba. Normalmente é quando penso mais, durante a noite. Pois não sei se sabem, mas é à noite que o cérebro mais aquece, e mais trabalha.
Antigamente não tinha muitos cuidados com o cabelo, mas desde que comecei a aprender algumas técnicas, uma das melhores coisas que aprendi, foi a apanhar o cabelo durante a noite. Não entrelaça os cabelos e é mais fácil de escovar/pentear depois de manhã. Que é o que costumo fazer quando acordo. Penteio com o pente e não com uma escova.

Gosto de sentir o cabelo na minha cara, nos meus ombros. Gosto de o usar quando faço massagens, e de sentir o cabelo da minha namorada na minha boca, na minha cara, nas minhas mãos.
Prefiro o cabelo ondulado/encaracolado, ao liso. Pois o encaracolado, para mim pelo menos, tem mais vida, tem força! Tem vontade, é selvagem, tem uma identidade. Enquanto que o cabelo liso... é algo simplório. Muito simples, muito banal, muito "pita rica" e singela. Não tem vida, não tem força. É pura e simplesmente... trivial.
O que também vi num programa televisivo, foi de que o cabelo que fica solto, espetado no topo da cabeça, que cria... algo "não bonito" do ponto de vista da moda e dos modelos com os seus produtos, é sinónimo de saúde do couro cabeludo.

No que toca a cabelo, também existe o seu extremo.
De um lado, do lado mais negativo, estão as rastas, sinónimo de sujidade e desleixo. O que é verdade.
Na outra ponta, temos os cabelos de modelos e princesinhas que usam e abusam de produtos para que os cabelos fiquem sempre bonitos e brilhantes.
Mas no meio ainda existe duas diferenças. Aqueles que lavam, escovam e está a andar. E aqueles que lavam, escovam e aplicam um ou outro produto para as pontas.

Há coisa de um mês, quando vinha no comboio para casa, enquanto olhava para o cabelo de uma rapariga, encaracolado/ondulado louro, os gestos que ela fazia para atirar o cabelo para trás e o manter fora da cara e das bochechas, olhei em redor e apercebi-me de algo. Questionei-me.
Para que serve o cabelo hoje em dia? É só para proteger?
Tornámos um dos meios principais para nos proteger do calor, o cabelo, o pêlo se pensarmos como mamíferos que somos, para manter fresco os nossos cérebros, em... moda.
Preocupamo-nos com o aspecto do nosso cabelo, ou com o cabelo dos outros. Os penteados tornam-se moda, tal como aconteceu com aquela mania dos Emos, de andar com uma franja sobre um olho.
Se alguém não tem o cabelo minimamente bem tratado e arranjado, e não falo de rastas, pensamos logo que a pessoa não se cuida, não toma muitas vezes banho, que se não souber cuidar do seu cabelo, não sabe cuidar do seu corpo e de si. De uma perspectiva, isso é inteiramente verdade!
Se fôrmos desleixados com a nossa maneira de vestir, se não formos acertivos com o que realmente queremos para nós, tornam-mo-nos aos olhos das outras pessoas em figuras desleixadas. Nem sequer é preciso pensar muito sobre isso, porque é a realidade.
Mas porque razão é que pessoas que parecem desleixadas, normalmente são-o?

Ou nos preocupamos em exagero com a nossa aparência, neste caso com o cabelo, ou não nos preocupamos devidamente.
O cabelo, como referi acima, deixou de ser algo útil, para ser algo estético. É só cabelo! É só pêlo! Não os precisamos de encher de produtos, cremes, máscaras e sprais para sermos o centro das atenções. Nós não nos atraímos uns aos outros única e exclusivamente pelo cabelo. Sei que os tempos mudaram um pouco desde que éramos símios, mas cabelo é só cabelo. Nós atraímo-nos através das ferómonas, de substancias quimicas que libertamos. Cheiramos as hormonas uns dos outros, o suor, os genes. Sentimos atracção pela parte física, pelas curvas do nosso corpo às curvas da nossa cara.
As raparigas costumam estar sujeitas a vários estereótipos de moda, que as leva a cuidarem melhor do seu cabelo. Mas não significa que por cuidarem bem ou muito bem do seu cabelo, seja quem for que o faz, que será um bom amigo, uma boa pessoa, um bom humano, que seja inteligente, que saiba crescer, que seja madura e consciente. Pois quem se preocupa exageradamente com a sua aparência, desde as roupas que veste, as marcas que compra, perfumes, bijutaria, colares e fios, e tratamentos para o cabelo e cara... é alguém, que tem problemas emocionais. Que não acredita em si mesma e que precisa da opinião dos outros, que vive dos sorrisos e bons comentários das outras pessoas. Que necessita de se sentir vista bonita fora do seu quarto, para se sentir "completa" e "realizada". Têm uma baixa auto-estima.

Não devemos deixar de pentear o cabelo e de o lavar, mas não sejamos de extremos.
O que é o cabelo hoje em dia? Uma forma de marca? Uma moda? Uma esponja capaz de atrair ou afastar pessoas? Um campo de relva alta onde os cabeleireiros e não só, podem fazer as suas experiências?
Da minha perspectiva, para além de o cabelo ser só cabelo, e ser necessário cuidar e tratar da forma mais simples possível, sem gastar muito dinheiro, acho que o grande problema de não vermos o cabelo de outra forma, é devido às revistas, publicidade a produtos, estrelas que aparecem de cabelo "perfeito". Interiorizamos essa... "verdade" como sendo uma realidade. O que é um problema grave! Pois ficamos com uma ideia completamente errada e perigosa de como o cabelo humano deve "ser".

Costumo ver muito rapaz com o cabelo curto, e fico a pensar qual é a razão de eles o usarem assim. Certamente não será apenas por ser mais fácil de lavar, por não pesar, ou por não gostarem de cabelo comprido, mas sim também porque, para além de ser uma moda muito bem conseguida, para além de ser um estereótipo, de ser uma "marca", uma "personalidade", é algo que ajuda com as raparigas. É algo que está tão enraizado na nossa cultura, que o cabelo comprido no homem deixou de ser sinal de virilidade, maturidade, força, para passar a ser algo como incómodo, calorento, uma competição indesejada.
O cabelo curto, passou a ser a chama para grande parte de todas as mulheres, desde que a tropa foi introduzida na sociedade humana. O acto de rapar o cabelo, era algo duro de fazer para os homens até àquele momento, mas com os anos, tornou-se uma imagem de marca, um sinal de respeito e superioridade. Daí existirem os Skinheads, homens e mulheres com a cabeça completamente rapada, que tentam mostrar superioridade por um acto tão simples. Portanto, o cabelo curta, nos dias que correm é algo que atrai as mulheres, porque sentem que o homem fica mais limpo, mais visível, que não compete com o cabelo dela, é mais fácil de passar a mão, de o controlar.
O que não acontece com os rapazes de cabelo comprido, que hoje em dia assusta muita rapariga. E assusta porque é comprido. Porque não é um hábito. Associou-se ao HeavyMetal, à violência, ao estranho e ao confuso. Ao obscuro, ao negro e à música satânica. E as raparigas de hoje sentem-se ameaçadas por rapazes assim. Sentem-se desconfortáveis. Obviamente que existem excepções. Mas até as raparigas que gostam de rapazes com cabelo comprido, têm opiniões quando ao tamanho que o cabelo de um rapaz ou do seu namorado deve ter. O interessante, é que na idade média, era completamente normal um homem possuir cabelo comprido. Tal como nos mostra o filme Braveheart.
A necessidade de andar com o cabelo cortado, iniciou-se sobre-tudo através na necessidade de tomar banho. Era escusado andar a gastar água no campo de batalha ou até mesmo em casa para lavar tanto cabelo. As pessoas começaram a cortar mais vezes para pouparem água. Não só devido à guerra, mas também devido à falta de água potável para beber.

Um cabelo longo-curto, que toca nos ombros, é algo que as mulheres consideram viril. Principalmente se o homem possuir uma pêra e um bigode simples bonito. A tal barba por fazer de 2 ou 3 dias que 99% da mulheres parece adorar e derreter-se. O que é interessante porque já ouvi e conheço raparigas que odeiam homens de barba, seja de que maneira for. Da mesma maneira acontece com os pêlos no corpo. Lá está, é a moda, uma mudança negra por parte dos nossos instintos animais.
Bem, realmente é mais bonito ver a vagina de uma mulher com pouco ou nenhum pêlo à volta. Dá realmente um ar mais limpo. Mas eu não estou a dizer que devem arrancar tudo. Sei que de uma forma evitam infecções urinárias, sujidade entre outro tipo de problemas. Fica mais fácil de lavar e limpar. Mas aparar também é uma boa solução.
Ainda que uma mulher com pêlos nos braços, hoje em dia comece a parecer cada vez mais nojento e "tabu",  os pêlos debaixo dos braços são importantes para ajudar a soar.

De onde veio esta mania das mulheres para fazerem depilação ao corpo tudo, incluindo aos braços, às sobrancelhas, às mãos? Onde veio esta mania para arranjar as unhas? Esta mania com a maquilhagem?
Desde quando se tornou o cabelo, um quadro de exposição para uma obra de arte, e não pura e simplesmente como um quadro onde mostrar ao mundo daquilo que realmente somos feitos. De como é realmente a nossa beleza natural. Transportamos na cabeça, uma imagem do que os nossos genes podem oferecer à mulher ou ao homem.
O cabelo curto, não é uma consciência de século XX, uma visão actualizada da mentalidade social, mas sim um estado que evoluiu para se tornar hoje, em algo... simples absurdo. E o que quero dizer é que, quando ainda estávamos na idade da pedra e do bronze, e todos usávamos cabelos compridos. Nenhuma mulher se preocupava com o cabelo do homem. Havia sexo na mesma. Havia amor na mesma. Havia caça, casas, armas, bebés, roupas. Os homens não deixavam de ser homens por ter o cabelo comprido. Algo mudou e hoje os homens de cabelo comprido são vistos como "difíceis" e/ou maus, e não como "pessoas" normais.
Um caso interessante é do vocalista dos Cannibal Corpse que tem 2 filhas, uma esposa e é vocalista de uma das bandas de Death Metal mais conhecida em todo o mundo. Não é mau pai por ter cabelo comprido. Diria até que é pior que as filhas! Ama a mulher, faz festas de anos, tem amor e sente amor. É responsável, é maduro, não fuma, não bebe, nem consome drogas. O cabelo comprido faz dele um homem que impõe respeito? Sim, faz, porque ele também não nenhum franganote. Mas não se torna má pessoa por usar o cabelo daquela forma.

Hoje em dia tendemos em ver o cabelo, não como uma extensão da nossa personalidade, ainda que por vezes, ao cortar o cabelo e mudar de estilo soframos alterações, quase como acontece quando mudamos de roupa. Lá está, volto um pouco ao inicio, quando digo que é quase como mudar de casa, de carro. Demora tempo a habituarmo-nos. E é por demorar e criar um espaço temporal para novas oportunidades, que criamos inconscientemente novos caminhos para "novas" experiências. Tendemos em vê-lo como algo que define o estatuto daquela pessoa, no meio social.
Pode-se dizer então que o cabelo de uma pessoa faz mais do que simplesmente proteger a sua cabeça. É um cartão de visitas. É uma fonte de atracção, de cobiça, espanto, inveja. Pode ser ainda usado como ferramenta de sedução e charme. Ou como algo completamente obscuro e depressivo, como o caso da personagem Samara no filme The Ring.
Deixou portanto de ser só pêlo, para passar a ser algo mais. E até os pêlos púbicos das mulheres já merecem "penteados". É incrível observar o aparecimento de industrias que se dediquem a este tipo de coisas.

Não sei como é que as mulheres se vêm umas às outras da perspectiva dos seus cabelos. Numa sociedade cada vez mais "americanizada", as mulheres, na minha maneira de ver as coisas, são muito mais frias e ríspidas umas com as outras. Se tem as pontas espigadas é porque é desleixada, não se preocupa nem trata e por consequente, não arranjar um homem que goste dela.

Não sou contra estilos de penteado, acho apenas, da minha perspectiva, que as pessoas se preocupam de mais. É verdade que hoje podemos usar o cabelo para muita coisa, em várias situações e momentos. Podemos bater recordes mundiais, até mesmo com a barba, mas perdemos aquela visão de ver o cabelo como sendo só pêlo. Um pêlo que herdámos com uma certa "gafe" já repararam?
Existem animais que têm pelo, mas dali não cresce mais. Tal como as unhas. Mas a nós não. Está sempre a crescer e a regenerar. Houve então uma altura na nossa evolução em que perdemos os pêlos no corpo e passámos a ter apenas cabelo, que cresce sem parar.


Podemos ter ferramentas, mas não saber usá-las...
Podemos saber usar as ferramentas, mas não saber aproveitá-las... explorar as nossas capacidades e melhorar os nossos conhecimentos.

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Os tipos de cabelo e a "personalidade" das pessoas.
Reciclagem de cabelo humano?
First Haircut! Ankle Length Long Hair
Sei que o humorista português João Seabra tem um sketch sobre cabelos, mas não consigo encontrar o video.

sábado, 7 de julho de 2012

Animais espelhados como humanos...


As pessoas, aquelas que se designam "pessoas", têm a facilidade, e.. penso que qualquer "pessoa" que se designa humana, tem facilidade em dizer que os animais, têm características humanas.

"Estudos mostram que os suricates são capazes de ensinar activamente suas crias a caçarem, um método semelhante à capacidade humana de ensinar."
Fonte: Wikipedia

O texto acima, mostra de uma forma muito "banal" a "superioridade" intelectual que um humano acha possuir sobre qualquer outro animal.Que as Suricatas, como refere o texto acima, têm semelhanças com os humanos e não o contrário. Que somos os únicos animais a saber arte, o que é de todo mentira. Qualquer animal capaz de possuir sentimentos, emoções e amar outro animal, será sempre capaz de reproduzir qualquer forma de arte.
Os ninhos que os pássaros machos constróiem, ou as cores que pintam o seu corpo, são obras de arte para as fêmeas. Como é o caso dos Pavões, ou daquelas aves que gostam de tons azuis e roubam tampas de garrafas e tampas de canetas da bic.
Para nós será uma forma de arte abstracta, e "é-nos" impossível pensar que um animal como um cão tem capacidade para compreender o que é pintura abstracta. A nossa forma de ver o quadro, é que está mal, está errada e muito deslocada. Se queremos ver pinturas de uma perspectiva "humana", deslocamo-nos a uma galeria com pinturas criadas e idealizadas por humanas. Se queremos ver pinturas criadas de forma muito "natural" e inconsciente, então vamos ver uma galeria de pinturas feitas por animais. A visão que temos de ter destes quadros, não é sobre uma visão "humana" ou de "pessoa", mas uma visão fora do nosso olhar humano, e ver as coisas de maneira diferente. De perceber que aquela pintura não é pintura por ser muito abstracta e pinturas abstractas não são nada a não ser riscos de tinta ao acaso. Mas visto de uma perspectiva diferente, de uma perspectiva psicológica, aqueles riscos e rabiscos, ensinam muito. Fazem-nos entrar na mente daquele animal e perceber como funciona.

Jackson Pollock é reconhecido mundialmente pelos "rabiscos" e pintura abstracta, e não é por os fazer que deixa de ser um humano com uma visão diferente do mundo. O que é interessante, é que ao estudar os seus quadros de uma forma mais matemática, é possível reconhecer padrões ou semelhanças com Fractais.

Nós tendemos em espelhar-nos nos animais, isto é, vermo-nos nos animais, reconhecer semelhanças humanas em animais "irracionais" e selvagens, porque olhamos-os de uma perspectiva de "pessoa" e não como um humano consciente de que é um mamífero.
E da minha perspectiva, fazê-mo-lo, porque não sabemos ver as coisas fora do quadrado, fora dos olhos humanos-pessoa.
Nós e as Suricatas, evoluímos de um único antepassado comum. A espécie Mamíferos. A grande espécie que sobreviveu e surgiu na época dos Dinossauros. Muitas vezes são definidos como roedores, daí os nossos dois dentes da frente da parte superior da nossa boca crescerem sempre primeiro. A razão, é que descendemos de roedores e não criados por Deus.
E onde eu quero chegar, é que, se nós descendemos de tantos animais para trás, nomeadamente do Símio, então as nossas consciências não são superiores a quais quer animais, mas um aperfeiçoamento, o que não significa que sejamos melhores ou únicos na nossa maneira de ser comparativamente aos restantes mamíferos. Somos o simples aperfeiçoamento de milhares de anos de evolução.
A nossa maneira de socializar, de comunicar, de interagir e sentir, amar, chorar, é algo que descende e evoluiu de geração para geração. Portanto... as Suricatas não têm comportamentos semelhantes aos humanos, nós é que temos comportamentos iguais aos deles, com a capacidade de os aperfeiçoarmos da mesma forma complexa que conseguimos falar e pensar em mais do que uma língua.
Eu não diria que somos mais que os animais, diria que de uma certa perspectiva, até somos menos.
Que animal serias?

Como se costuma dizer e ouvir muito, gostamos de humanizar as coisas.
Gostamos de humanizar os extra-terrestres. Os monstros, os fantasmas, os animais...
Estive a ver um documentário sobre o primeiro filme de Alien, e o criador da criatura Alien, H. R. Giger, tentou dar-lhe um aspecto mais humanizado. E a razão que costuma ser dada, é a de que... nos reconforta ver traços de semelhança, algo que possamos compreender facilmente, que nos é familiar.
Documentário: Alien Documentary
Até os robôs tendemos em humanizar. Introduzir-lhes características humanas, não só as expressões faciais, mas também uma cara. Algo que se assemelhe, que possamos identificar. Da mesma maneira que olhamos para uma mulher ou um homem e sabemos se está triste ou feliz, se tem bons genes ou é resistente fisicamente.

Charlie Holloway: David, why are wearing a suit man?
David: I beg your parten.
Charlie Holloway: You don't breath remember? So... why wear a suit?
David: I was designed like this. As you people are more confortable with your own kind. If i didn't wear a suit what would be the porpouse.
Prometheus (retirado auditivamente do filme)

A leitura das expressões faciais e reconhecimento de caras, não é algo caracteristico dos humanos, e daí muitas pessoas, talvez poucos, se perguntarem como raio é que os leões, os elefantes, as ovelhas, as zebras, os macacos, etc, se conseguem destingir uns dos outros. Não é só pelo cheiro, é também pela sua cara.
Ainda que para nós humanos, não consigamos ver as diferenças entre duas ovelhas, elas existem. E prova disso é um documentário que vi em tempos no Odisseia.


Gostamos de nos sentir superiores, de que somos indiscutivelmente únicos, com qualidades únicas. De que somos a origem de tudo o que existem no reino animal. Que tudo o que lá existe, veio de nós. Tendemos em  achar estranho tais atitudes e acções dos animais em teste. Não de uma maneira animal e instintiva, mas de uma maneira superior, como que num pedestal, bem lá no alto, como cientistas que muitos "sabem ser". É preciso e é necessário descer ao nível dos animais, de criar um contacto, mesmo que seja apenas através de micro-expressões ou acções, para os compreender melhor.
Não, nós não somos mais do que eles. Mais do que os macacos, que as Suricatas ou os elefantes. Não somos mais na medida de sermos uma raça superior de uma perspectiva de declarar todas as outras como inferiores, somos seres vivos com qualidades superiores, com capacidade para deslumbrar uma paisagem, mas não somos superiores como animais e mamíferos. Existem seres capazes de sobreviver no ácido sulfúrico e a grandes profundidades.
Como abordo em O que é o "mal"?, a nossa capacidade de... "admirar" uma paisagem, não é mais do que uma resposta através de emoções que camuflam a verdadeira acção instintiva do nosso cérebro. Não é uma "paisagem" que vemos na verdade, é algo mais.

É por vermos as coisas de uma forma mais instintiva, mais dissecada, "fora do quadrado", sem uma visão fechada e social, que compreendo aos poucos a mente humana.
Mas de nada vale, se não souber juntar os pontos.
Por isso... da próxima vez que olharem para algum animal e pensarem:
-- Olha! Parece mesmo uma pessoa.
Tenham consciência de que não são eles que parecem pessoas, pois antes de nós existirmos, já eles caminhavam neste planeta à milhares de anos.
Não são eles que são parecidos connosco, somos nós que para além de descendermos deles, somos semelhantes a eles.


Aquilo que não vemos, não nos faz crescer...

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Que animal serias?
O que é o "mal"?
A Natureza das cores...
Apontar é feio...
A natureza
O que é "espectacular"?

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Eu vi o choro...


Vi o leão chorar,
Morreu o seu filho e as lágrimas secaram-lhe na juba.
Mal consegue levantar o olhar...
Abraçada à sua cria, a mãe de coração perdido ruge em tristeza.

Aquele prado gigante, tornou-se no mais triste dos lugares,
O mais forte dos ventos aparecia para dançar na juba do pai e tentar limpar as lágrimas à mãe.
Tudo parecia confuso...
Não havia chuva e o calor da areia era a única coisa que fazia mover as suas caudas "felizes".
Mas cada lágrima que caia no chão, era um trovão que não caia bem.
Sucumbiram um sobre o outro.

O casal olhou-se... cada um soltou a sua lágrima de amor e recordaram nas suas faces, a vida do seu, para sempre pequeno, rebento.
Não tivessem pêlos na cara e poder-se ia ver a sua palidez, a sua agonia ferver-lhes no estômago... o azedo misturar-se na garganta com o sal das gotas derramadas.
Um rugido sem forças...
A mãe tocou-lhe na pata, mas não reagiu.
Desesperada tentou abaná-lo, mas era um peso literalmente morto.

Dia e noite, o pai e a mãe, ali permaneceram.
Com amor ao seu filho, protegeram-no da chuva, do calor extremo e dos perigos.
Não o abandonaram... pois ainda hoje visitam as suas ossadas.
Rodeadas de flores, os dois deitam-se por minutos, cheirando aquilo que um dia foi... a criatura mais feliz da  savana.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Qual é o nosso propósito?



Torno o mundo num lugar melhor por simplesmente existir... e sem mim, o mundo perderia o sorriso e o olhar que precisa para o admirarem.
Agora consigo ver...

Qual é o propósito para a nossa existência? Qual? Para nós humanos? E porque haveria de nós, humanos, ter um propósito mais especial que qualquer outro ser vivo?
As nossas diferenças como humanos, para com os animais, são, de uma perspectiva, nulas.
Não faríamos mais nem menos, se um cão ou um leão, um lagarto ou um urso tivessem capacidade de caminhar sobre duas patas, possuírem 4 dedos e um polegar. Não somos mais... e também não somos menos. Somos simplesmente... o produto de uma evolução iniciada por vírus. Somos a própria lei: "Os mais fortes vencerão".

Qual é o propósito de existirmos? Porque conseguimos!
Não existimos para deus, não fomos criados para ninguém, surgimos do caos e da violência do cosmos, porque conseguimos.
Qual o sentido da vida? Qual vida? A nossa vida, humana? E a vida dos outros animais, é menos importante que a nossa? Qual é o propósito da vida deles?
Propagar a espécie.
Porquê?
Porque podem! É disso que vive a natureza, o mundo, o universo. Nada deixa de estar vivo. Nada desaparece... simplesmente deixa de conseguir ser aquilo que é. Plantas, animais, répteis, todos desaparecem, as estrelas morrem, os planetas chocam e as galáxias são engolidas. Deixam de conseguir ser.
O propósito deles?
-- Conseguirem ser, sem saber que o conseguem.
Qual é o sentido da nossa vida?
Por sermos seres instintivamente curiosos, não conseguimos deixar essa razão de lado, mas eu vou tentar responder de uma perspectiva.
O sentido da nossa vida, não é aprender nem descobrir, não existe. E não existe porque somos feitos de seres que conseguiram aparecer, e serem simplesmente. Não é descobrir o propósito do nada, mas conseguir estar nele. É o instinto primitivo a qualquer criatura que viva neste planeta... sobreviver.

Antes sequer de respondermos às mesmas perguntas sobre nós, humanos, sobre a nossa perspectiva, devemos responder primeiro à razão do porquê um porco existir, uma pedra, uma flor, uma ave, a água.
Desde o Big Bang aos dias de hoje, a única explicação para nós existirmos é... porque nós conseguimos existir. Conseguimos surgir, evoluir e ser.
Se um animal é menos do que nós, então nós também seremos menos do que ele.
Não somos diferentes de outros extraterrestres, pois também eles, instintivamente, delimitarão territórios, criarão conflitos por uma fêmea, e instintivamente irão querer sobreviver.
Serão tão maus e tão bons, como nós o somos.

A competição... reina até ao mais ínfimo dos átomos.

Charlie Holloway: What we hoped to achieve was to meet our makers, to get answers why they made us in the first place. 
David: Why do you think your people made me? 
Charlie Holloway: We made ya 'cause we could. 
David: Can you imagine how disappointing it would be for you to hear the same thing from your creator?
Prometheus