quinta-feira, 13 de maio de 2010

A minha alma nasceu escrita... IV


-- Eu tenho um filho?
-- Não! tens centenas deles! Ou tinhas, mas eu matei-os todos.
Mal ela sabia, de que os verdadeiros filhos, eram na verdade os meus Eus.
Ela começara-se agora a lembrar de algo, à medida que associa o numero crescente de Eus à quantidade de filhos que vai matando. É então que ela leva a mão à faca...


-- Ei! porque é que tu não te estás a lembrar? Quem te matou fui eu! Era suposto lembras-te! Lembra-te porra!
-- E se eu me tiver a fazer de difícil?
-- Acho melhor parares!
Ela baixa a guarda, e quando volta a pôr a faca no sinto, toda a minha força desaparece. Tão rápido como desapareceu, a minha força cresce a uma velocidade descomunal, ao ponto de quase não conseguir conter a dor nos músculos. Os meus braços crescem, e fico maior.
Até que rebento as cordas, e lhe jogo a mão à faca.
Ela sente a força bruta no seu pulso, e agarra o meu. Os ossos da sua mão começam a mover-se. Os dedos estalam, e parto-lhe o polegar.
-- O que estás a fazer? -- pergunta em sofrimento, tentando libertar a mão. -- Pára! NÃO!!
O pulso estala, e arranco-lhe a faca da cinta. Ela fica espantada em dores e agonia, segurando no pulso.
-- O que estás a fazer paulo? Diz-me! -- continua ela com o interrogatório.
-- O que viemos fazer.
-- Hã? "O que viemos fazer"? Estás a falar do quê paulo?
Olho para a faca, e apertando ainda com mais força o seu punho, vejo-a crescer, finalizando numa espada comprida.
-- Mas que... o que estás a fazer? -- perguntou ela abismada, afastando-se a cada passo.
Sorrio e viro-me para a cadeira.
Com a espada e um só golpe, tento cortar a cadeira de um ângulo que me dê mais jeito.
Espetei a espada no chão, o que a deixou ainda mais admirada. Retirei o resto das cordas que se penduravam nos pulsos, e olhei para a cadeira. Ela, olhando também, pôde ver algo brilhar na ponta do braço. Foi então que a cadeira deslizou e caiu no chão.
-- Impossível... -- tropeçou nos pés de um morto, e caiu num pouco de sangue, pintando metade do seu vestido e o braço.
-- Anda cá querida! -- respondi, com um sorriso maléfico. Peguei na espada, e caminhei até ela, que recuava aos poucos.
-- Pára!
-- Um dia querida, um dia!
Peguei-lhe pelos cabelos, e ouvia gritar.
-- Não!
Enfiei-lhe a espada pela barriga a dentro.
Ela respirou fundo, e olhou-se, esvaindo em sangue. Peguei-lhe no pequeno vestido, e com um pequeno empurram no seu corpo, fiz-a cair, limpando também a minha espada.
Ela gemia, gritava por dentro, contorcia-se em dores, sinta o frio do chão, queimar-lhe a pele.
-- Queres saber quem sou?
-- Não.
-- Oh, então querida? Já não me queres fuder? -- riu, espetando novamente a espada no chão. -- Eu sou Eu. Sou Eles. Tinhas razão, eu sou "o único" que faz a ligação entre os vários univerços, as várias forças. Mas queres saber? Isso é tudo mentira! Nós somos um todo. Nós ligamo-nos entre nós. É por isso que sempre que matavas um de nós, alguém ficaria com conhecimento suficiente para, a partir daí, iniciar uma... chame-mos-lhe... viagem.
-- Do que falas? -- perguntou, tossiu e tentou segurar o sangue dentro dela. -- Isso é impossível! Eu sei que és o tal!
-- Serei?
Ela não disse nada, nem reagiu, mas pude sentir que se questionava.
-- Estás num ciclo infinito! Quer dizer... estavas! Porque, eu agora quero acabar com a tua alma. Quero que de uma vez por todas pares de matar as pessoas!
-- Eu matei-te!
-- Sim, várias vezes. Mas não foste capaz de destruir a nossa sabedoria. Começámos a testar-te. Começa-mos a tentar perceber como te matar, mas precisávamos de tempo... Quando tu pensavas que estavas a chegar a uma solução, nós já tínhamos iniciado o nosso plano para te matar.
Tu não te lembras, mas de todas as vezes que vinha-mos para cá, tu morrias. E posso-te dizer que não era bonito.
-- Do que falas?
-- Nós começámos a tirar prazer disto! De te matar. De compreender como tudo isto funcionava. De como, tu te apaixonas-te por nós. E tudo o que acabavas por nos contar, era informação importante. Até que vimos... à uns tempos para cá, que não dizias nada de novo. Vimos que tinhas chegado ao limite! Foi então que decidimos assassinar-te. Achas que aquele Eu que me viu entrar não me reconheceu? Nós trabalhos juntos! Porque é que achas que ele me disse aquilo? Para tu pensares que eu era o especial, the one!
-- Não compreendo. -- respondeu.
-- Ouve querida! Daqui em breve irás morrer, e desaparecer, por isso, mais vale não dizeres nada, e deixares-te de perguntas. Nós tivemos-te sempre debaixo de olho. À espera do momento certo. À espera que o ciclo ficasse estável. E aproveita-mos! Afinal quem anda a fuder quem? Tu a pensares que seria impossível matar-te, ou... compreender este mundo.
-- Não sabes o que dizes! Abre os olhos paulo! Eu amava-te realmente! Não era como as outras.
-- Cala-te! Até na morte me metes nervos!
E com um só golpe, arranquei-lhe a cabeça do corpo.
Admirei o seu corpo, e fechei os olhos.
Senti algo quente em volta de mim, e novamente um frio.
Encontrava-me de novo, no meu mundo. As paredes brancas... a luz forte, e a conversa das pessoas em meu redor. Todas falavam das suas experiências. E das coisas novas que tinham feito... no outro mundo.
Foi então, ao olhar para uma rapariga, igualsinha à do outro mundo, sorrir, que me apercebi e pensei nas suas palavras.
"-- Não sabes o que dizes! Abre os olhos paulo! Eu amava-te realmente! Não era como as outras."
-- "Outras." -- pensei -- Foda-se!
É então que sinto um vento atrás de mim, e sinto uma presença. A rapariga que tinha visto desaparece, e algo afiado trespassa-me o corpo. A minha espada esventrava-me de alto a baixo.
-- Afinal quem é que fudeu quem? -- pergunta ela, no seu vestido limpo e arranjado. -- Hã? -- e corta-me novamente, abrindo ainda mais o buraco na minha barriga. Retira a espada e caiu de joelhos no chão. Caminhou até à minha frente, e espetou a espada no chão. Tremendo em dores, olho para ela.
-- Achavas que o meu sere era único? Nós vigiamos tudo!
Com uma chapada, Eu, deito-a ao chão.
-- É por isso que não vais sair daqui viva! -- responde o meu outro eu.
-- O que... -- diz ela, sentindo um ardor na cara.
Eu caiu no chão, vendo o meu outro eu pegando na espada.
Eu, transformo a espada numa faca, e corto-lhe a garganta. Num grito borbulhento, ela tenta travar o sangue, mas cai alguns segundos depois.
No meu cérebro, surge então a imagem da porta de fumo, e a rapariga. Viajo até lá, "de novo". Olho para ele e digo:
-- Não! -- gritou eu. -- Ela vai matar-te paulo! Assim que entrares por essa porta, tens de fugir assim que tiveres oportunidade! -- pensando depois para comigo. -- "Estou farto de dizer esta merda! e de salvar-me., Foda-se que a puta nunca mais morre!"
Ela leva-o para dentro, e criando de novo a minha espada, sigo-os. Transformo-me, e mato-a. Aos poucos, engulo o seu corpo. A sua alma, fica então, a fazer parte de mim, vagueando pela minha pele.
Estava finalizado a matança. Todos os meus outros Eus vieram para este mundo, e começa-mos a lutar com os monstros daquele lugar. As pessoas começavam a desaparecer, à medida que o tempo passava, e é então que pela porta de fumo, elas começam a sair, de espada branca e dourada, brilhando num tom vermelho que envolvia a lâmina.


O momento chegara.
Nos nossos corpos, começavam a criar-se armaduras, que se cruzavam em cordas, em argolas, ferro trucido e incandescente. As fibras criavam o couro e a pele dura. Os pés revestiam-se de metal e pano, confortável.
As espadas cresciam um pouco mais, e os nossos corpos ganhavam mais força.
-- Não era bom que as guerras fossem travadas apenas pelos idiotas que as começaram? -- perguntou ela do fundo. A sua armadura simples e esbelta como a sua cara e corpo, acabava-se de formar, enquanto terminava a sua frase.
-- Vamos ter almoço! -- grito, apontando a espada para elas.
-- Vão-se a eles meninas. -- respondo na sua voz simpática e meiga.
Gritos de guerra soltam-se, e perdem-se no ar, guerreando primeiro, antes que qualquer outro soldado.
As fileiras aproximam-se, e o choque de ombros, faz alguns homens e mulheres cai no chão. As espadas trespassam os corpos, e sangue jorra na cara de companheiros. Uma guerra forma-se, à medida que mais e mais Eus e elas aparecem na imensidão do branco.
O som das espadas ouve-se mais alto que os próprios gritos, e é então que os verdadeiros Eus, tanto eu como ela, se defrontam. Olhando-se no olhos. Aproximam-se e... beijam-se.

-- Não paulo! Assim não! -- diz ela.
-- Não porquê? É suposto ser uma história! -- respondo, olhando-a para o texto que lhe deslumbra a mente. Parece atónica, e beijo-a, quebrando o seu feitiço.
-- Escreve outra coisa! -- diz ela, tentando arranjar maneira de continuar a história, escrita num bocado de papel, de um caderno amontoado em livros escolares.
-- Está bem... -- respondo. Apago até "beijam-se", e volto a pegar no lápis.
A minha mãe entra com um lanche "por fazer", e coloca a bandeja numa mesa.
-- Olhem para esta balbúrdia! Vocês não têm uma mesa? E esta roupa aqui espalhada paulo? Não é para arrumar?
-- Sim mãe, já vou!
-- O que é que vocês os dois andam a fazer?
-- Estamos a estudar poesia... -- responde a Mariana, a minha namorada.
-- Devem estar devem! -- responde a minha mãe, olhando-nos aos dois, deitados na cama, em cima de um monte de livros semi abertos. -- Andam é a estudar a fisionomia do corpo humano. -- responde com um pouco de cara séria, fechando de seguida a porta.
Rimo-nos, e atiro-me a ela, provocando-lhe cócegas.
-- Pára paulo! Tenho cócegas... -- grita, tentando soltar-se.
-- Ainda bem! -- respondo rindo-me.

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Este é capaz de ser um dos posts/ textos mais compridos que já escrevi aqui no blog.
Ainda assim, sinto que não escrevi nada detalhado.
Ainda que consiga "agarrar" o "leitor", acho que podia ter algo mais; mas como a histórias foi criado um pouco por intuição, por gosto, e aos pontapés, surgiu esta história, que eu acho que, se fosse bem escrita, daria um excelente livro. Mas, fica para outra altura! :D
As coisas foram criadas de forma espontânea, apesar de ter um certo caminho a seguir.
Era para acabar de uma forma, mas quis acabar assim. xD

Espero que tenham gostado desta aventura, um pouco estranha e confusa. ;)

sábado, 8 de maio de 2010

Alguém que não te importa..


Sou a flor do teu jardim
Sou o insecto que esmagas, a formiga que pisas
A comida que deitas para o lixo,
A revista que não lês, e as palavras que não dizes.
Sou os olhares que não fazes, as pessoas que não vês.
Sou a amizade que não queres,
A dúvida.

Sou o beijo falso, as mãos frias
Sou a mão que te bate, o dedo que te aponta.

Sou a flor do teu jardim,
que arrancas e cheiras, como se de bonito e cheiroso, algo restasse em mim.
Sou o ar que respiras, e expeles sem a minima importância...
Quando um dia te fizer falta, serás a primeira a correr para mim.

Depois do banho...


Com a água pelos tornozelos,
Aqui sentada admiro o mundo lá fora, deste quarto branco em azulejo.
Vejo a minha gatita Mia caminhar junto à porta, roçando-se pelas paredes.
A minha cara, molhada, sente o frio da brisa, da janela do meu quarto.
Devia a ter fechado... amanha estarei constipada.
Com as costas desprotegidas, rapidamente apanharei frio, e começarei a tremer.
Mas a água morna nos meus pés sabe-me tão bem. ^^
O cabelo comprido pinga.
Passo-lhe a mão enregelada, e vejo as pontas enfias na água, separarem-se no frenesim da agitação da água.
Ouço a Mia novamente, roçando-se contra a porta. Ali fica, parada, a olhar para mim com aqueles olhitos de quem dormiu pouco.
Fico hipnotizada com a sua postura, com o seu olhar e as suas orelhas...
-- Cátia! -- grita a minha mãe da cozinha -- Vou ligar a água quente! -- finalizou, em tom de interrogação.
-- Está bem mãe! -- gritei, ainda hipnotizada.
Começou a lamber-se, do nada, quebrando o ambiente.
Estava à espera de sentir a brisa de novo, como sinal de aviso de que estava a ficar frio. Mas a brisa não veio.
A minha mãe subiu, e eu mantive-me na mesma.
As escadas avisavam-me da sua chegada, até que após alguns passos no corredor, ela chega à porta.
A Mia , mia, olhando-a. Rosnando enquanto se rosa numa das pernas...
A minha mãe olha-a mas não faz caso.
-- Cátia! Já está na hora de sair.
-- Sim mãe...
-- Já! -- responde, fora da casa de banho, voltando para baixo. -- O almoço está pronto! Despacha-te.
-- Sim. -- respondo numa voz baixa, brincando com o cabelo na água.
Por fim saí, vesti-me, com uma t-shirt coberta de monstros que pareciam correr maluquinhos, em cores garridas, e uma saia pelos joelhos.
Sequei e arranjei o cabelo, pus perfume, e pintei um bocadinho os lábios. Coloquei um creme para a cara, e arranjei um pouco as sobrancelhas.
Desci... deixando para trás aquele meu mundo tranquilo, onde molho o meu corpo, o limpo, e onde principalmente, me deixa descansar a mente triste ainda que repleta de alegria e sorrisos...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O seu sabor...



-- Foda-se! o que é que estás a fazer? -- responde  ele levando a mão aos lábios. O sangue escorria por entre os dedos, deixando-a ainda mais excitada.
-- Descupa mor. -- responde ela, saboreando a réstia de sangue nos seus lábios.
-- Tás parva? Disse para mordiscar! Não arrancar.
-- Mas sabem tão bem...

O sabor a caramelo, fazia sonhar com o seu sangue.
O sabor da pele dele, da cara, das orelhas... faziam-na ficar louca de cada vez que se aproximava.
O açúcar nos seus dedos, obrigavam-na a chupa-los.
Brincava com os dedos dele na sua boca, só para sentir de novo o seu sabor a chocolate.
As palavras acudiam-a, enchendo a dispensa do seu coração com doces.
Impregnando as veias com migalhas de bolos.
E a sua roupa, perfumada, invocava-lhe a gulosice de mais uma noite a sós, nus, num canto qualquer.
Os corpos despidos, em fricção, criavam novos sabores, novas explosões na sua mente criativa e simples.

Ela, brincava constantemente com o seu cabelo, entrelaçando-o nos seus dedos, saboreando-o.
E ao olhar-se no espelho do seu quarto, brincava consigo mesma, acariciando, comendo-se.
O sabor a  baunilha nos seus dedos, faziam-na voar em sonhos com o seu menino encantado...

Deixa-me lamber o teu gelado...

Uma menina inocente...


Passei por ela na rua, e esboçou-me o sorriso mais bonito que alguma vez vira.
Um sorriso tímido, sensual e sexy, com o cabelo comprido cor de ouro a voar na brisa daquela tarde gelada de outono
Naquele jardim vazio, surgiram-me várias fantasias, desejos...
Ela pára, e enquanto continuava a deslumbra-la, ela olha-me.
Fico corado, e desvio o olhar, prosseguindo caminho.
-- Espera! -- grita ela. Enquanto a ouço correr para mim, fico ainda mais corado, fervilhando por dentro.
-- Ola. -- respondo.
-- Ola! -- responde ela com o seu sorriso, transbordando de energia. -- Segue-me. -- continua, agarrando com a sua mão gelada.
-- Tens as mãos quentinhas! -- diz ela, apertando-as um pouco mais, lembrando-me novamente do seu sorriso. Limito-me a responder com um sorriso muito tímido, enquanto olho para o chão molhado.

Pouco tempo depois, ela pára, junto a uma gruta quase bloqueada por trepadeiras e folhas mortas.
Olha em volta, e não vê ninguém. Com cuidado entra, levando-me pela mão.
Caminha-mos mais um pouco. A luz da entrada, parecia-se cansar a cada passo até ás entranhas daquela gruta escura.
Senti um puxão pelo meu casaco, e a parede atrás de mim.
-- Aqui estamos mais à vontade. -- sorriu gentilmente.
Um pingo caiu no lábio. Ela mordeu no dela. Aproximo-se.
E muito calmamente levou os lábios aos meus, as suas mãos acariciaram-me a cara, eriçando-me os pelos, e fazendo-me tremer.
Afastou-se, admirando a minha fogosa respiração. Esboçou um sorriso maroto, e desapertou alguns botões do meu casaco, que me protegiam o pescoço. Tirou-me o cachecol, e colocou-o em volta do seu pescoço desprotegido.
Agarrou-se a mim, e chegou-se perto do meu pescoço. A sua cara fria arrepiava-me o ombro exposto. Os seus beijos gentis aqueciam-me. Até que a sua língua tocou no meu pescoço.
Agarrou com força o meu casaco, e chegou ainda mais o seu corpo, enquanto a abraçava. Sentia tremer.
Devagarinho, enfiou a sua mão fria nas minhas calças. Brincando com os dedos, esfregando a mão...
Voltou para os meus lábios, continuando a segurar com força o meu casaco.
Abri-mos os olhos, e coloquei-lhe a minha mão dentro das calças.
As suas mãos continuavam frias, mas a sua menina lá em baixo, escaldava de prazer.
Passei os dedos devagarinho. Sentindo-a molhar-mos.
Continuei a acariciar, até que pouco tempo depois ela se veio. Parou de me lamber os lábios, e colocou a sua cara junto à minha. Coladinha a mim, sentindo os seios apertar-me o peito, gemeu. Senti o seu penso encher, e a sua respiração junto da minha boca. Beijou-me.
Retirei a mão, enquanto ela tremia. Coloquei ambas as mãos nas suas calças, a ajeitei-as.
-- Agora faltas tu...
Não disse nada. Ela notou no meu nervosismo, na minha vergonha, e abriu-me o fecho das calças.
Olhei para a luz lá ao fundo.
Abaixou-se e desapertou-me as calças. Olhou para cima e sorriu, colocando as suas mãos ainda geladas junto dele.
-- Posso brincar com ele? -- perguntou com um olhar inocente.
Fiquei ainda mais corado, e fechei os olhos por um momento...
Foi então que ela prosseguiu com o seu desejo ardente.


A minha língua arde enquanto brinco com a menina dela...

A minha alma nasceu escrita... III


-- Porque de cada vez que te toco, eu fico jovem novamente. Fico recuperada, e com as forças de volta. Quase como uma pilha.
Para ela, um simples toque em mim, de toda a vez que me encontrava à entrada da porta de fumo, fazia-a encher-se de uma extrema beleza e juventude. Enquanto que os outros Eus, lhes simplesmente curavam um bocadinho do corpo grotesco, que crescia e se tornava a cada morte.
-- Digamos que tu, és a minha experiência. -- disse sorrindo.
-- Experiência? Para o quê?

Ela aproxima-se da minha cara, e muito séria responde:
-- Quero quebrar o ciclo.
-- Qual ciclo?
-- Isto! Quero ser capaz de entender como o fazes! Como te consegues sempre lembrar. Como é que só tu me consegues deixar assim. Quero-te tornar imbecil e ignorante como todas elas! -- grita, apontando abrangente-mente para o seu lado direito.
-- Porquê? Pensei que gostasses de mim assim. -- questiono, um bocado confuso.
-- Gosto, e acabas por ser o único com quem posso ter uma conversa normal e diferente de cada vez que para cá vens. Mas eu quero entender melhor como acontece a transformação. Quero puder conseguir olhar para ti, e saber o que vais dizer, como vais dizer, como te moves... Quero ser capaz de te ler.
-- Quantas vezes já vim parar aqui?
-- Tu? Milhares. -- responde -- "E mato-te sempre da mesma maneira"-- pensa ela.
-- Porque não aceitas as coisas?
-- Aceitar? -- pergunta ela furiosa. a sua cara vira vermelha, nervosa. E por fim, dá-me um forte está-lo na cara.
Na minha cara, a marca da sua mão começa a surgir, enquanto um ardor se prolonga durante minutos.
-- Aceitar? Tu sabes o que já fiz por ti? O que já passei? Eu deixei de matar, de me alimentar, só para ficar bonita para ti! Deixei de te matar, só porque não te conseguia ver sofrer nas minhas mãos. Passei a ser doce... demasiado carinhosa! Sempre à espera que mudasses um dia! Sempre à espera de ouvir pelo menos uma vez, a mesma resposta, como fazem todas as outras pessoas! Eu queria fugir daqui, morrer ou desaparecer, como aconteceu contigo... é isso que me custa! Eu queria ir contigo. Mas sei que nunca te encontraria. Teria medo em não te reconhecer. Pelo menos, estando aqui, sei que sempre te verei. Quero compreender como acontece, e compreender este mundo.
-- E é matando-me que o consegues?
-- Sim, tenho esperança nisso. Sabes? Descobri-mos, a partir dos teus outros Tu, que ao decapitar-vos, estamos a apagar-vos grande parte da memória cerebral. Não é apenas o cérebro que guarda informação. Os músculos das tuas pernas, dos teu braços, dos dedos, os órgãos... Mas o cérebro acaba sempre por resistir à nossa "violação". Estamos a treinar novos métodos. E já que, a nossa idêntificação genética não nos permite saltar convosco, nós matamos. Tu vais-nos ajudar a dominar o univerço Pai!
-- Eu?
-- Sim. Com a informação que recolhemos dos vários povos, e com a quantidade de material que adquirimos por cada morte, conseguimos transformar e criar o que quer que seja. E tu! Vais-nos ajudar a sair daqui!
-- Mas porque é que haveriam de crer sair?
-- Queremos caçar! Não que nos apareçam nas mãos. Deixa de ter piada. Além disso, conseguiremos saltar de universo em universo. E poderei finalmente caçar-te! E amar-te.
-- E quem me dará depois a mão? -- ela olha para mim pensativa. -- Eu acho que estás aqui por uma razão.
-- Não acredito em superstições!
-- Bem, tu é que és o monstro. -- respondo, olhando os 3 "guardas" atrás de mim.
Ela fita-os, lembrando-se na figura em que se torna de cada vez que mata.

-- Jahani vu. -- disse ela para os 3 monstros. Fizeram uma pequena vénia com a cabeça, e saíram pela porta de fumo, que se formou um pouco mais à frente.
-- És a rainha?
-- Sou. -- respondeu admirando a porta de fumo desaparecer. Olha para mim e continua:
-- E irei continuar a ser, até tu me dares uma filha! Os rapazes destroem tudo! são corruptos! Ladrões.
-- Eu tenho um filho?
-- Não! tens centenas deles! Ou tinhas, mas eu matei-os todos.
Mal ela sabia, de que os verdadeiros filhos, eram na verdade os meus Eus.
Ela começara-se agora a lembrar de algo, à medida que associa o numero crescente de Eus à quantidade de filhos que vai matando. É então que ela leva a mão à faca...

domingo, 2 de maio de 2010

A minha alma nasceu escrita... II


Vejo e ouço as pessoas gritarem, morrerem ao meu lado, enquanto sou o único a ter um dos melhores momentos. E agora apercebo-me... Os meus outros Eus não me avisaram de tal espaço, de tal mulher, de tal sala de branco. Sinto-me estranhamente vazio.

Um dos três monstros volta-me a atar as mãos, e ela tem o orgasmo.
O som não ecoa, não se move... é como se ele se mantivesse ali, imóvel.
A matança continuava em meu redor.
-- Ainda não compreendi porque nos matam. -- digo, após ela levantar-se.
-- Ó meu querido. -- diz ela -- Tu hoje não te lembras de nada...
-- Hoje? Porquê? Eu costumo vir para aqui frequentemente?
-- Hmm nem por isso. Vens quase de semana a semana.
"-- Semana a semana?" -- questiono-me. Tento lembrar-me de algo, mas o meu cérebro não encontra nada.
-- Sim, -- responde ela -- Os outros aparecem frequentemente, para me tentar matar. Ainda não percebi porquê. -- diz ela, com um ar muito pensativo, olhando o corpo nu do meu outro Eu. -- Sabes onde estamos? -- procegue, inclinando-se perante a minha cara, monstrando um grande decote, continuando a provocar-me.
-- No inferno. -- respondo, olhando em volta.
Ela desata a rir-se, virando a cara para o "céu" branco, enquanto os 3 monstros mantém a compostura.
-- Estamos num universo "intermédio". Presumo que já ouviste falar da teoria M ou da teoria das cordas, não?
Nada digo, e começo a tentar compreender que sitio tão frio e estranho era este.
-- Os universos para se criarem, segundo essas teorias, é de que... existem universos paralelos, como podes comprovar, vendo tanta gente igualsinha sentada nestas cadeiras. Nós, somos o espaço vazio entre os universos, somos as paredes da célula. Onde todos entram, e saem. Quando alguém morre, essa pessoa vem para aqui. Supostamente, seria um local de descanso, um local temporário para a alma. Mas, começaram a vir milhares para aqui, e ainda que isto seja infinito, a sua presença era sempre concentrada para um único local. Este. -- responde por fim, abrindo os braços, indicando que onde ela se encontrava era o centro do seu mundo de branco. -- Deixámos então, as pessoas virem para aqui, descansar o merecido. Porém, reparávamos que elas vinham sempre com a mesma personalidade. Mesmo vindo e entrando de univerços diferentes, a alma daquelas pessoas... -- ela fita um dos da sua raça, apertar o pescoço a uma recente rapariga, quase da sua idade, ser apunhalada na barriga. Após alguns golpes, segura-a pelos cabelos, que ainda trazia, e degole-a. -- vinha escrita sempre com a mesma história. Pode criar impacto num novo universo, mas a história repete-se, e repete-se. E começávamos a  questionar a sua presença ali. Seria para estabilizar o Mega universo? -- Mega univerça significa o univerço pai, infinito, que contém todos os restantes -- Então, alguém, teve a interessante ideia de matar um ser, e ver o que aconteceria à sua "história". -- voltou a olhar para outra homicídio, e respirou fundo. -- Nada! Nada acontecia. E... como nunca tínhamos nada para fazer, decidimos começar a mata-los todos. Reparámos também, que o nosso alimento eram as vossas almas. As vossas histórias. E sabem tão bem! Vocês chamam-lhe açúcar e chocolate.
-- Vocês são demónios! -- respondo.
-- Não paulo! Não somos. Somos seres solitários, que convivemos com monstros e almas deprimidas. Simplesmente, começámos a ver a vossa morte como... um "carnaval". Uma festa. Mas tu? tornas-te-te único. Incrivelmente único.
-- Porquê eu? Com tanta gente a vir para aqui, há de haver mais alguém. -- respondi, tentando salvar-me de algo.
-- Não. E é por isso que gosto tanto de ti. Não te lembras? Apaixonámos-nos. Fizes-te inveja a todos os teus outros Tu. É por isso que me querem matar. Não te lembras? "Alguém o deve ter morto a não ser eu." -- pensa ela.
-- Porque me haveria de lembrar de alguém como tu?
-- Não digas isso, trato-te sempre tão bem.
Tomava agora atenção ao corpo do meu outro eu, tentando perceber o que acontecia diante dos meus olhos. Ela olha também, e sorri. O "meu" corpo desintegrava-se em espécie de areia brilhante. Desapareça por completo.
-- Voltou ao outro mundo, tão depressa não volta. -- responde ela, voltando a sorrir. --  Eles não me conseguem matar.
-- Eles? -- pergunto.
-- Sim, os teus outros Tu. São os únicos que têm consciência do que acontece neste "mundo". Mas... agora que lhes começámos a cortar as cabeças, eles já mal se lembram. É por isso que a cada dia estás mais forte. Eles tentam ensinar-te tudo, e transporta a sua energia para ti. É por isso, que mesmo que não faças exercício, e passes o dia todo sentado, tu não engordas, nem perdes as forças. E de cada vez que adoeces, é um deles a ser morto por um dos nossos. Começo a já nem me importar sabes? Ás minhas mãos, nada te acontece, o que é curioso, mas se for outro qualquer, já ficas doente. És como aqueles guerreiros do espaço do Dragonball. Que evoluem de nível a cada luta. Mas, tu és o único que ganha forças, depois de saíres para aqui. Ainda não consegui compreender como acontece. Será a transacção entre a parede deste mundo e a membrana do universo? Vocês humanos são estranhos. Mas tu consegues ser ainda mais estranho! -- responde, rindo-se.
-- Porque não me matas já? -- pergunto, para tentar sair dali o mais rápido possível.
-- Calma querido! Ainda temos umas horas. -- e sorri de novo.
Já que ali ia ficar, à espera da minha morte, queria aprender o máximo possível sobre aquele local.
-- Porque é que existem aqui 2 espécies?
-- Duas? Não querido, somos só uma.
-- Como? Vocês conseguem-se transformar?
-- Não. -- e solta uma grande gargalhada, que ecoa.
-- Aqueles que matam e se alimentam demasiado, ficam marcados com as atrocidades das suas histórias, por vezes podem ser histórias bonitas, mas são tão impuras como a noiva no dia do casamento. Eu também fico assim, até ao dia em que mato um Tu. Eles rejuvenescessem-me tanto! -- responde, sinto uma brisa passar-lhe pelos cabelos. -- Tu és único. É por isso que continuo tão bela.
Naquele momento, algo surge na minha mente, a dizer-me: "-- quando ela tiver mais feia, poderás mata-la".
Seria impossível, eu estava amarrado a uma cadeira, e tão depressa não conseguiria fugir da-li, ou apanhar o que quer que fosse para a magoar e até matar. Além disso, ficaria ali preso com os restantes daqueles... seres, que me matariam de uma forma talvez pior ainda.
Os planos começavam a formar-se na minha cabeça, enquanto ouvia o resto da história.
-- Sabes como é que eu sei que és o Principal? O único?
Não respondi.
-- Porque de cada vez que te toco, eu fico jovem novamente. Fico recuperada, e com as forças de volta. Quase como uma pilha.
Para ela, um simples toque em mim, de toda a vez que me encontrava à entrada da porta de fumo, fazia-a encher-se de uma extrema beleza e juventude. Enquanto que os outros Eus, lhes simplesmente curavam um bocadinho do corpo grotesco, que crescia e se tornava a cada morte.
-- Digamos que tu, és a minha experiência. -- disse sorrindo.
-- Experiência? Para o quê?