Mostrar mensagens com a etiqueta nascer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta nascer. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Sê diferente, mas consciente...



Após a tua morte deixarás o que trouxeste no teu nascimento.
Perante o teu fim irás perceber que o valor da vida não existe. Que não somos nada. Um universo sem humanos seria a mesma coisa. Na mesma belo, na mesma magnífico e incrivelmente fascinante.
Mas se estás aqui, por vontade ou não, encontra um buraco, escava um e faz dele o TEU buraco.

Ainda te lembras de quanto tempo demoraste a aprender a gatinhar? A andar? A distinguir cores? Objectos? Ou quanto tempo precisaste para atar pela primeira vez os sapatos? A escrever as letras ou o abecedário?
Talvez não te lembres, mas todos os dias foram uma luta. Todos os anos te sentias mais alto e mais capaz. Os livros e os filmes, com o tempo, começaram a ter uma história mais interessante com ideias que nunca tinhas percebido.

Por isso chora, esconde-te, grita, mas não tenhas medo, não desistas, estás a crescer. E se errares!? Se errares, aprende com eles. Re-escreve-te.
És um animal magnífico, acredites quer não. Adopta um cão ou um gato. Perceberás mais tarde, que a domesticação foi o melhor que a nossa espécie alguma vez conseguiu alcançar sem tecnologia.

Quando te voltares a sentir triste, pega num livro de receitas de doces e faz um bolo. Se correr mal, faz de novo. Lembra-te: é através das experiências que crescemos! Demoraste anos a aprender a atar os teus próprios sapatos, por isso dá-te um desconto. Estás a aprender, a crescer!

"Se caíres sete vezes, levanta-te oito."

--------------------
Se este texto te ajudar, deixa umas palavras, também eu preciso de saber que faço falta neste mundo...

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Sorri, sê feliz, ama...


A tua mãe adora deixar-me sozinho contigo na cama enquanto me conquistas a atenção com livros enfeitados de personagens mágicas. Ela prepara o pequeno almoço para os três e eu invento uma história só para ti, cheia de vida, de risos e brincadeiras. És a minha ouvinte mais apaixonada. Deliciaste a olhar para mim, super atenta, sentindo a minha voz acarinhar-te os ouvidos, e as caretas preencherem a tua sede de imaginação e brincadeira.
Os desenhos enfeitam os livros mas tu enfeitiças as nossas vidas. Roubas-nos as energias só para te pudermos acompanhar e recarregas-nos com um simples sorriso. Adoro quando sorris. A beleza que exteriorizas da tua vontade de conhecer as coisas que te rodeiam. Ajuda-nos a ser crianças de novo. Pede-me só mais uma história. Pede-me só mais uma dança com a mãe. Tu adoras ver-nos dançar e eu adoro dançar com as duas únicas mulheres com quem me casei. Todos os dias és uma aventura de perguntas espontâneas e desinibidas. Todos os dias me obrigas a crescer, a aprender, a aceitar. Todos os dias deposito o meu coração no teu presente.
A tua mãe diz que deveria ter mais calma, mas sou incapaz de te deixar com perguntas por responder, com livros de histórias por contar, com brinquedos de viva própria por personificar. És o meu recreio.

Maria? Sorri. Sê feliz. Nós amamos-te!

domingo, 31 de agosto de 2014

És um podre...

[- by harequil]

Subiu o banco, recordando as vezes que ganhava altura para roubar os doces do armário. Deu um nó à volta do pescoço e pendurou a corda na viga mais forte da casa. Esticou a corda, levantando-se ligeiramente em bicos dos pés e resistiu à gravidade que os chamava. Chorou, recordando a felicidade inocente que iria deixar para trás, na escuridão. Recordou, sem viver, cada memória que julgava existir no pequeno espaço da sua mente. Mas nenhuma delas tinha realmente valor, pois na morte ninguém deixa nada no mundo a não ser a influencia das emoções ou o trabalho que ajuda a compreender um vazio que nas profundezas obscuras da nossa galáxia não interessaram a ninguém, muito menos ao pó das estrelas ou aos pedaços de pedra flutuantes.
A sua vida era uma tragédia de sonhos fracassados. Uma falsa realidade ao qual tinham por hábito chamar-lhe vida.
-- Faz-te à vida!
Mas qual "vida"? Nasces, ensinando-te desde muito cedo que és especial, que tens valor, que tens capacidades e que deves seguir os teus objectivos, os teus sonhos, as tuas paixões, e acima de tudo, ser feliz e viver cada dia ao máximo. E o que é a vida? É viver? Sobreviver? Uma ilusão da mente que não quer ser esquecida. Um horror aos olhos de quem não quer esquecer a beleza caótica que não vêm e que apenas sabem admirar. Não existem histórias para escreveres. Não existem estradas para percorreres ou caminhos para criares. Não existe nada que possas mudar por ti, e até a vida te é roubada na morte! E a morte... essa tornar-se-à a tua vida, de onde não poderás fugir. Para todo o sempre, ficarás confinado no infinito universo fracamente iluminado, porque até nele nada existe para ser visto.
Não existe vida na tua vida, nem sonhos nem ambições. Não existes, sobrevives, aguardando a única certeza, que será a morte, e mantendo acesa a chama daquele ou daquela que um dia encontrarás, e que te fará a pessoa feliz que tanto mereces.
Mas a corda ao pescoço não quer saber dos teus amores! Não quer ouvir as tua lamentações ou perceber porque choras. Chamaste a morte ao subires ao banco, e agora que ela se apresenta acobardaste? Queres viver afinal? E o que sabes tu de "viver"? Se respirar não te ocupa a mente? Se sentir a água escorrer-te pelo corpo não te transporta para a irrealidade da tua consciência, que dentro de toda a caixa e funil de que foste e és, será a única coisa real e palpável que terás para o resto da tua vida...

Estás sozinho. Deram-te à luz, expuseram-te aos micróbios e bactérias, a um mundo que não conheces e nunca irás descobrir, porque não nasceste para viajar e ser especial. E para sobreviveres neste mundo de horrores, as tuas células, num grito desesperado e instintivo, ensinaram-te a caminhar e mais tarde a correr, para que fugisses. Mas tu és daqueles que se deixou ficar a admirar a natureza das coisas, ao invés de correr atrás de um "sonho".
Os outros, julgam viver, julgam correr, julgam ser felizes, mas o que sabem eles da vida? Os teu podres, só são podres se os vires como tal. Trabalha a merda que cagas, embeleza-a, faz dela uma obra de arte. Transforma aquilo que tens, naquilo que queres ser e não és. Amassa bem a tua matéria prima, e reconstrói a corrida que te ensinaram para fugir da morte. Lê, aprende e ouve. Não fales a menos que seja necessário. Não interajas a menos que seja preciso. Observa e aprende a não errar onde os outros erram. Não, não é só a tua vida que é uma tragédia, a dos outros, muitas vezes parece um filme de terror. E até a aventura daqueles que viajam e se dizem realizados, 90% do tempo, é um tédio que precisa de sentir a adrenalina nos outros 10%, para esquecer a infelicidade daquilo que são. Não és melhor, mas tens-te saído bem! Não tens grande coisa nem és nenhum cientista que salvou milhares de pessoas, mas a razão de não o seres, baseia-se nas variáveis que fazem de ti uma pessoa única. E é por isso que estás a ler este texto enquanto tens a corda ao pescoço e te ergues no topo de um banco com apenas três pernas.
É verdade que não podemos ser todos médicos, nem todos ricos ou professores, porque precisamos de pessoas que limpem as casas de banho do shopping que frequentas, ou que limpem a mesa suja onde te queres sentar a comer com a tua família ou amigos. Ou pessoas que te atendam nos super-mercados, que tomem conta dos teus filhos ou da tua mãe/avó agora numa cama de um lar para idosos, que se sujeitem a limpar a merda e o vómito que tu te recusas a ver e/ou limpar.
Queres ser grande? Queres ser importante? Queres ser rico? Tenho um "segredo"... o esforço e o trabalho não farão tudo, precisas de SER e caminhar como se o fosses! Grande, importante, rico, inteligente, destemido, aventureiro. Mas nunca te podes esquecer de ser humilde e ter respeito por quem te serve.
Mas é claro que também podes ser um granda cabrão e um a granda cabra e fazer o que te apetecer! Trepares por cima de todos, e só parares quando chegares à tua meta.
Ou viveres os teus sonhos de forma tão intensa, que te fará acreditar que tens super poderes ou, por alguma razão, és melhor do que certas pessoas, só porque lês mais, ou tens mais amigos, ou aceitas melhor.

Queres fazer parte da população que se governa ou governareste a ti mesmo? Então começa-te a preparar! Um dia vais ter uma namorada(o), que com o tempo se tornará mais do que isso, e terão filhos. Quando essa altura chegar, como irás governar a tua casa, se não governas o teu quarto e a tua mente?
Manda os outros à merda! Sorri e agradece quem te serve. Não precisas de amigos, nem de cunhas, precisas de um apertar de mão forte, de um argumento confiante e de uma personalidade que não vacile.

Mas agora, o melhor que tens a fazer é saltares do banco e esperares que a próxima vida seja melhor...

sábado, 23 de agosto de 2014

A centelha da evolução...


Com o punho fechado sobre um osso, atacou o chão, quebrando-o sobre umas pedras. A força do impacto vibrou-lhe pulso acima, contaminando todo o braço como uma fraqueza. A brisa quente bateu-lhe no pêlo com mais força e o Sol escondido pelas nuvens atacou-o fulminantemente nas suas costas. Olhou para trás, desconfortável, bloqueando a luz com a sua mão e viu pairar à sua frente, uma montanha colossal que se rodeava de pequenos reflexos à medida que girava devagar e descia com fogos ardentes na sua base, sobre o solo verde e fresco. O chão tremeu, agitando o animal que se agarrava ao osso com a vida, com o ar que lhe faltava nos pulmões, com o medo da terra debaixo dos pés que não podia controlar... gritou e esbracejou, tentando afastar tamanho monstro, ao mesmo tempo que tentava ganhar coragem para se manter no local, agora coberto por um nuvem de pó.

A presença daquele objecto gigantesco, desconhecido à vista dos olhos ainda em evolução, parecia adormecer, num som gutural leve, continuo, como uma buzina, permanecendo nos ouvidos daquele animal ainda apavorado. Sem esperar, foi atingido no peito por uma nota ligeiramente mais aguda, seguido-se outra e outra, construindo uma melodia desconhecida. Um som pouco elaborado, fácil de ouvir, como uma canção de embalar. De repente, um grito estridente. Não, não era um grito, era uma criança a rir. Seguiram-se outras, formando um aglomerado de felicidade, criando na mente do humano actual, a imagem de dezenas de crianças a brincar no recinto de um infantário. Gradualmente, os risos silenciaram-se, seguindo-se uma ausência profunda de sons. O animal bufou, balançando os ombros sem sair do sítio.

Je t'aime!

Ouviu-se, suave, delicada e feminina. O animal endireitou o tronco, puxou os ombros para trás e olhou de frente a bola de luz que lhe surgia, pairando no ar, dirigindo-se a si. Assustou-se.
Por entre o brilho, apareceu um corpo pálido, caminhando sobre as duas pernas. Uma fêmea, alta, loira, de olhos grandes e azuis com um sorriso ligeiro no rosto. Nua.
O anjo luminoso susteve a marcha à frente do símio, e este a respiração, observando hipnoticamente aquela mulher que se erguia acima da sua cabeça, desprovida de pêlos e de garras, trazendo um perfume convidativo junto ao seu órgão genital, que se rodeava de uma pequena pelugem.
Outra voz surgiu por trás daquela figura misteriosa:

My love, my beautiful creature...

Abriu a mão, deixando o osso escorregar-lhe pelos dedos e aceitou a da fêmea. O caminhar do animal tornou-se mais estável e forte, à medida que se afastava da árvore que lhe dera abrigo e se aproximava da bola de luz. Esticou o braço e o um dedo. Encolheu-se receoso, olhou a fêmea com um sorriso na cara e os olhos dele brilharam. Tocou então a bola de luz e uma calma percorreu-lhe os músculos. Não estava com sono, mas sentia-se calmo, como uma epifania que não sabia compreender.

--------------------
Não estava para publicar este texto, mas aqui fica uma experiência...

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Silêncio...



Sentia-se o calor da terra e o chão calmo ser varrido por uma leve brisa. As estrelas caiam com o sol e a escuridão enchia o céu, levantando quem de noite não dorme.
Silêncio. Como uma doença profunda e um sono pesado. O som do mundo cessava, permanecendo melancólico, murmurando aos seres uma melodia harmoniosa, leve ao ouvido, maternal ao toque, reconfortando o pêlo e aquecendo o sangue. A natureza fechou os olhos e adormeceu. Ouvia-se o uivo do vento atravessar a terra como um cobertor, uma nota orgânica, que imitava o som do coração.

Silêncio. Tum-Tum. Tum-Tum. O vento parou, o sol desapareceu e tudo morreu, sem gritos ou rugidos. Sem fugas ou esconderijos. As flores perdiam a cor, as pedras o cheiro. Criava-se, alma a alma, um oceano azul infinito, límpido, calmo, que embalava os sentimentos num corpo sem sentidos. Não havia choros, medos ou tristezas, apenas uma paisagem decorada, bela. Uma musa desceu dos céus, pairando sobre um animal. Não haviam palavras a dizer, ou cânticos de embalar. Uma estrela cadente riscou o universo e a musa olhou-a. Deitando-se sobre a relva, contemplou o tenebroso estrondo que se espalhava invisível até onde a vista alcançava.

Silêncio.
Tum-Tum. Tum-Tum.
Os vulcões explodiram e o chão tremeu.
Despertava assim a vida.

Aqui, onde a terra se acaba e o mar começa...

--------------------

terça-feira, 13 de maio de 2014

Não são sonhos...


Os horrores que dizes sonhar, que dizes ver e imaginar durante a noite, não são imaginações ou fantasias que desconheces a origem. Não foi um sonho, foi uma experiência que viveste. Estiveste lá. Foste a personagem principal e sentiste no teu cérebro todos os arrepios do corpo. Sentes a tristeza, a saudade, o ciúme, a ansiedade e o medo. Não são apenas sonhos, são memórias do teu outro eu, perdido algures noutro universo. Não são previsões, são o passado de um eu que não recordas. Que não te faz mas que se torna e vai tornando, na fantasia irrealista da vida que levas de olhos abertos. Aquilo que és não existe nesta escuridão que te surge de olhos fechados. Não cresce, mas morre, perseguido e afogado, medroso e ranhoso, fugitivo para sempre do teu próprio Eu, que não sabes ouvir ou ver. É de ti quem foges quando te perseguem.

Não são invenções "estranhas" na tua cabeça. São emoções e recordações do monstro horrendo que foste antes de fechar os olhos, e na personagem dos sonhos dos outros cada vez que os abres. Não existes verdadeiramente, até sentires na garganta o sopro da vida e o medo em forma de adrenalina acordar o teu corpo do sono profundo, que muito lentamente, deixaste substituir a realidade ilusória. É uma falsa ideia que te cresce na mente, e não a criação de liberdade. Não são teus, porque nunca foste verdadeiramente deles.

Encontrei beleza na escuridão...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

As mulheres não sabem amamentar...


Segundo um panfleto que se pode encontrar no Hospital da Mealhada, amamentar não é algo totalmente instintivo. Ao que parece, as mulheres de hoje são tão burras e ignorantes, que nem sabem segurar num bebé e amamentar. São mesmo? Isso significa que enfrentamos um nível de extinção nunca antes visto. Parece que Satanás não vai precisar de trazer o Apocalipse, visto que as mães estão a falhar na única tarefa simples que mantém a nossa espécie viva.

Posição e Técnica de Amamentação
A amamentação não é um comportamento totalmente instintivo. Mãe e bebé precisam de aprender a amamentar e a mamar.

OU

Amamentar é natural mas não é completamente instintivo.
É possível aprender a amamentar.

A única coisa que me ocorre é: "Esta gente escreveu isto com base em...?"
Bem, se pensarmos um bocadinho, a única razão para ensinar às novas mamãs como amamentar um bebé da forma "correcta", pressupondo-se de que existem benefícios ao utilizar uma determinada posição em detrimento de outra utilizada pelas nossas mães, avós e bisavós, deve-se ao facto de hoje em dia as meninas e as mulheres (jovens) terem deixado de frequentar as cozinhas com as suas mães, como se fazia à 30/40 anos. Deixaram, desde o tempo em que apareceu os computadores e internet, a tradição e o desejo de aprender a cozinhar, para que um dia cozinhassem também elas para os seus maridos e para elas próprias. Trocaram-se as mães por alguns blogs e livros muito mais fáceis de lidar e com o qual nem precisam de conversar ou aturar. Cozinham sozinhas sem ninguém a comentar que estão a fazer mal. A técnica e os paços mais detalhados e tão horrorosos em aprender E em fazer sempre da mesma maneira, são trocados pelas Bimbys.
É por tanto, natural que se deva ensinar a criançada a amamentar as crianças já que elas deixaram de parte, logo desde o início, o papel de ser Mulher. E toda a mulher deveria saber cozinhar, e não digo isto por ser machista ou malandro, porque eu adoro cozinhar, mas sim manter as suas origens de seres sociais, que tratam e cuidam das crianças, que preparam o comer e alimentam as suas crias. As mulheres antigamente, de à 30/40 anos, tinham uma auto-obrigação hereditária, um dom, um ponto positivo, que era: -- Sabiam cozinhar e fazer bom comer!.
Hoje em dia, não se sabem vestir, despem-se com "muita facilidade", preferem beber, fumar e desprezar os homens, e mais importante ainda, deixarem para trás o papel de se ser mulher, de ser feminina, de ser mãe, de ser sensível e o animal a ser conquistado. Obviamente que estarei a falar da maioria e por essa razão não se sintam ofendidas as mulheres que não encaixam na minha critica.
E se antigamente a mulher era a conquistada e se deixava conquistar, hoje elas já não estão tão interessadas nessa dança de acasalamento. Os papeis inverteram-se e agora são elas que pensam que mandam neles. O que não se aperceberam, é que o "homem" está a evoluir para o ser que elas sempre sonharam ter, e elas para as mulheres que nunca se deveriam tornar. À milhões de anos que evoluímos de uma determinada maneira, nomeadamente naquela em que a mãe é atenciosa e preocupada e o pai a figura que incentiva e protege. Para elas, também é verdade que se torna difícil cuidar de um filho sozinho, e baseio-me na quantidade de divórcios que começaram a acontecer desde o inicio da crise. No entanto, as mulheres também se têm tornado cada vez mais interesseiras. O casar por dinheiro já não é apenas um segredo bem guardado entre mães e filhas, é já do conhecimento de toda gente. A quantidade de homens/pais que se separaram e têm agora a obrigação de ajudar a mãe a cuidar da criança com uma quantia "simbólica" do seu ordenado é assombrosa! Parece que têm os filhos só para sacar dinheiro. O que até combina bem com a frase de um psicólogo: "Os pais de hoje, não querem ser pais". E não, não falo dos pais com dinheiro, bem na vida, grandes carros ou que vivem acima do limiar da pobreza, que têm ambições e hobbies produtivos e construtivos. Refiro-me aos pais que vivem no campo, em casas da segurança social, que não têm o 9º ano, em que falar de sexo é ainda tabu e o serão de domingo é passado a ver a TVI.
Se as mães de hoje, já não sabem e até já nem querem ser mães, então concordo em que se façam sessões que as ensinem a amamentar. E se por um lado a amamentação é importante para o desenvolvimento físico e psicológico de um bebé durante os primeiros 2 anos de vida, de nada adianta pois já foi comprovado, em estudos recentes, que a inteligência é algo hereditário. E todos nós dispensamos ovelhas de gado, que para isso, já basta o Zé-povinho que ainda cá permanece.

E não querendo falar apenas mal das mulheres, porque se 90% delas não vale o esforço dos bons homens, dos cavalheiros e daqueles que realmente se esforçam e dedicam à sua cara metade, também me vejo impelido a falar bem, e uma das coisas boas é a de que começam a interessar-se por agradar o seu homem na cama, e neste caso, falo exclusivamente daquelas que realmente têm uma mente aberta e sem tabus. Das mulheres que acompanham o homem numa volta de bicicleta ou que partilham a lida da casa, e -- porque não? -- que também os incentivam a limpar, a arrumar, a cozinhar e a tratar das crianças. Porque um homem sem uma mulher não cresce, e uma mulher sem um homem não ganha juízo. Mas não falando apenas de sexo e de lingerie, elas (as boas) também começam a ter conversas interessantes, e obviamente falo de uma percentagem da sociedade portuguesa muito, mas mesmo muito, pequeníssima. As poucas e boas, cada vez mais raras, não precisam de aprender a amamentar, a serem mais, a segurar numa criança ou a ler livros do género: "Porque chora o meu bebé?". Essas, já estão preparadas, já estão preocupadas, incentivadas, instintiva e geneticamente preparadas para segurar, amar e proteger uma criança, um rebento seu. No entanto, todas as mulheres são capazes de segurar num bebé, de o amamentar e acomodar nos seus braços, sai-lhes, a todas elas, de forma muito instintiva, não fosse afinal, uma necessidade biológica que executam à milhares de milhões de anos. Todos os mamíferos o fazem ainda que sejamos os únicos que seguram nas suas crias.
Afirmar que uma mulher não sabe amamentar, é o mesmo que passar um atestado de incompetência às mães das pessoas que escreveram estes folhetos. É suposto uma mulher aprender pela tentativa e erro, foi assim que as nossas avós fizeram, e é assim que se vive, através da experiência. Se uma mulher "não sabe amamentar", então não é mulher, e aparentemente, o que estes folhetos estão a tentar dizer, é que uma mulher só se torna realmente mulher, não apenas quando tem a menstruação pela primeira vez, engravida ou pare. Ela só se torna mulher quando a sua médica comprovar que sabe aplicar as técnicas de amamentação. Como isto está, não me admira nada que daqui por um par de anos, todas as mulheres sejam obrigadas a frequentar cursos de amamentação e de como se cuidar de uma criança.
Mas agora vêm vocês falar sobre aqueles encontros entre grávidas, que frequentam durante meses, para se preparem para o parto. Bem, quanto a isso só tenho a dizer que, parir nunca foi nem nunca será uma coisa fácil e muitas mulheres assustam-se facilmente com contracções ou sofrem de dores agonizantes durante vários minutos ou horas. Estes encontros servem para as preparar para o grande momento das suas vidas, e isso têm um grande impacto na auto-estima da mulher. E sim, também têm razão quanto à amamentação, mas desde que a mulher engravida até que o bebé deixe de amamentar, tudo pelo que a mãe passa, stress físico, psicológico ou emocional é transmitido para o bebé e também existem bastantes estudos que comprovam essa afirmação. Depois de deixar de mamar, tanto o pai como a mãe, influenciam directa e indirectamente a sua personalidade.

Hoje, elas vivem até cada vez mais tarde (30 anos) com o sonho de serem princesas, de terem um principio e um castelo. Sonham e fantasiam, sendo muito poucas aquelas que são capazes de lidar com uma relação de uma forma analítica complementando-a com a fragilidade, amor e uma pitada de ciúmes, de inveja. É suposto uma mulher pertencer e proteger o seu homem. Ainda que às vezes a violência para a maioria das macacas seja a solução, bastará, para as mais inteligentes, a utilização de pequenos gestos, um agarrar mais firme do braço ou da mão, um maior número de beijos ou olhares fulminantes. É também preciso que os bons homens deixem o futebol e ocupem esse espaço com a cozinha, com a mulher, com os pensos higiénicos ou os tampões, com as roupas ou as suas emoções. Eles são crescem se elas os chatearem, e elas só os agarram com força se eles se dedicarem. Mas cuidado, é preciso haver humildade, confiança e uma forte amizade. Relações com segundas intenções ou facadas pelas costas, não é uma relação, é uma guerra depressiva e negativa.

Mas deixando de parte as mulheres e a sua aparente incapacidade de cuidar de uma criança, penso que temos de começar a ensinar também os porcos e as vaquinhas a amamentar, e já agora, a preocuparem-se a terem mais cuidado com a higiene. A quantidade de bactérias que aquelas línguas trazem...

Deixando-me de brincadeiras, só não marco umas sessões, porque não tenho namorada, e ia parecer mal ir para lá sozinho... é isto que um homem recebe quando se preocupa com a saúde do filho e da mulher que ainda não tem. Sou olhado de lado, gozado e provavelmente "banido" por ter uma atitude demasiado estranha e direi até, TABU!.

--------------------
Informações:
A Unidade de Cuidados na Comunidade Bairradina está a organizar sessões pré natais sobre amamentação.
Informações e inscrições:

Contacte a sua enfermeira de família ou as conselheiras de amamentação:
  • Enfª Isabel Lima
  • Enfª Maria José Andrade
Contactos:
  • Centro de Saúde: 231 202 023
  • UCC Bairradina: 918 265 075
  • E-mail: ucc-mealhada@csmealhada.min-saude.pt
Links úteis de apoio às mães:

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ouve, respira, aceita...



Uma melodia tocava nos meus ouvidos, leve, como uma brisa pelos cabelos, levando-me da mente a preocupação. Um carinho gentil, de um amor que chega na primavera. O sol subia a cada passo, acordando do frio a natureza adormecida, hibernada no tempo; E em cada flor, cada pétala, cada folha, podia-se ouvir o espreguiçar cuidadoso. Criava-se à minha volta uma dança apaixonada que não se ouvia, nem se podia ler, mas que se podia sentir e fazer-nos chorar.

Sentei-me na margem do lago, onde as ondas me banhavam os pés e as pernas, num balançar orgânico acompanhando o som de uma música que recordava. Uma memória que me trazia alegria. Um reconforto emocional que não existia em fotografia ou numa peça de roupa. Um gesto, apenas. Uma mão sobre a minha cara e um par de lábios vermelhos, molhados, que embatiam nos meus como um doce. Fazendo crescer o roçar dos nossos corpos numa troca de pólens, de emoções e vibrações.
As notas flutuavam com o meu corpo, enquanto a natureza me carregava no seu ventre. E o seu ventre, era o mundo. Era aquele lago e aquela paisagem que acordava para um dia em que... não haviam oportunidades para aproveitar ou criar, mas uma solidão do cosmos com que se podia dançar.

Ouve...
Respira...
Aceita...
Estás em casa...

--------------------

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O caranguejo que viu o mundo morrer...



No horizonte, subia sozinho lentamente entre nuvens no céu azul, um Sol como nunca antes tinha nascido. A manhã escura, naquela praia invadida por pedras negras, iluminou lentamente a conquista que a natureza construía em cada buraco e saliência do paredão natural.
A maré subia com a luz, vagarosamente, em silêncio. Não se ouvia o vento nem a natureza, as aves ou as árvores. Por entre o rebentar das ondas, sentia-se o vazio do planeta. Não havia criaturas por perto para testemunhar o silêncio, se não o único caranguejo laranja que surgia inesperadamente debaixo de uma das pedras submersas pela água.

Subia a costa de lado, e ao chegar a terra seca, virou-se de frente para a grande pirâmide que ainda bloqueava o Sol. As cores no céu, antecipavam uma dança sombria. A morte do mundo. A morte das coisas, do calor, dos amigos e dos inimigos, do vento e da chuva. Sem qualquer forma de saber explicar, sentiu dentro de si o fim. Invadira-o como uma calma, um pensamento vazio, um odor agradável e um conforto caloroso. Hoje, será o ultimo dia que verá o Sol. Será o fim da pesca e das caminhadas, será a extinção inaudível da árvore da vida.

A água tocou-lhe os olhos e a onda puxou-o com ela. Deixou-se levar, envolto no cobertor transparente que espelhava a ultima viajem das nuvens. A escuridão abateu-se sobre ele, sentindo-se esquecido numa morte fulminante das cores, voltando então a ser recebido em êxtase pelo círculo milagroso da origem da vida. O calor apertava-lhe a carapaça e afundou-se, descendo ao fundo do oceano que o germinou. Ao fundo que levaria de volta, por direito, as carcaças de uma enorme evolução natural.
E sendo Nak, fruto da imaginação de um humano, ao interiorizar o fim de tudo, choraria com medo do seu desaparecer invisível, da calma com que se tornaria mais um na grande extinção à escala global. Porque estar sozinho, no fim, seria uma das maiores dádivas merecidas por todo o valor que nunca trouxe ao mundo. Mas saberia reconhecer! Porque deslumbrar o ultimo dia do universo, sentir o ultimo raio de luz entrar nos seus olhos e logo depois a escuridão gelada que nunca foi capaz de imaginar, faziam-no, não um humano de consciência, mas um animal que no fim dos seus dias, sentiu o seu fim.

Numa viajem até às profundezas do oceano que o viu nascer, fugiu assim ao contar das horas, dos minutos e dos segundos que lhe levariam os sonhos e as memórias.
Lá em cima, onde o Sol subia os céus, e cada molécula podia vibrar com vida, surgia já velha a escuridão, pesando em cada piscar de olhos, os fardos perdoados. O pano do teatro do pó das estrelas, fechava-se assim, no esquecimento gélido pintado pelas galáxias longínquas.


É na morte, que a natureza ressuscita...

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O que és tu para ti mesmo?


Calquei o chão, negro, morto. Respirei fundo e senti uma calma apoderar-se dos meus ossos, levando-me ao chão como uma tragédia retirada de uma opera. Uma leve brisa passou pelo meu corpo, entre cada pêlo dos meus braços, no pescoço transpirado e carinhosamente entre as orelhas. A frescura que me enchia os pulmões, desceu pelas pernas como um banho de seda. Senti-o mais frio nos joelhos acabando por desaparecer entre os dedos dos pés que se descalçavam do cansaço entre a terra húmida revirada.

Sozinho, enfiado num buraco empestado de morte, pintado de uma depressão que não queria ver e viver. Rodeado por um vazio infinito, de betão e destruição. Levantei os olhos, pintados pelo choro do medo de para sempre ficar aprisionado e inspirei. Os olhos fecharam sem força e o cobertor negro caiu sobre mim, aquecendo cada parte do meu corpo com o esquecimento da nudez que me vestia. Deixei-me por momentos desligar daquele lugar maldito e quando abri por fim os olhos, re-encontrei-me numa floresta colorida, que se despia num tom amarelo e vermelho, através de folhas que dançavam em direcção ao chão.
Ergui-me, semeando com as mãos a terra que agarrava com força. Entre os dedos sujos senti um gelo trepar, provocando-me um arrepio pela espinha abaixo. Com alguma força, a criatura agarrou-me uma mão, com mais força a outra. Com o medo a afogar-me numa arfar intenso, olhei com coragem que não tinha para o meu lado esquerdo e encontrei pequeno, uma menina de cabelos encaracolados, de olhos grandes e com um grande sorriso no rosto. Segurou-me melhor, e senti algo respirar ao meu ouvido. Uma mulher, alta, magra, nua tal como eu. Com um sorriso ligeiro e doce, aproximou-se da minha cara sem nunca desviar o olhar dos meus e beijou-me como se aceitasse a morte entrar no seu corpo.

As duas olharam em frente, para o interior de uma floresta que escurecia até ao horizonte, e da mesma forma que me arrastara até àquele ponto, arrastaram-me elas até à escuridão do desconhecido que temia com tudo o que me tornava eu em mim mesmo.

Tudo o que julgas saber, faz parte de um jogo que criaste na tua cabeça. Tudo o que sentes em cada momento, é como uma pista que te faz esquecer as regras. Porque tudo o que te faz cair tem a mesma força daquilo que te ajuda a levantar. Porque tudo o que construíste "por ti", é apenas um conto de fadas do qual não queres que a história acabe. Foi no momento que nasceste que a tua mãe perdeu o seu mártir e fez de ti o seu "mais que tudo", levando-te na garganta, propagando os teus feitos como um sermão, como uma doutrina e uma religião que seguirá até ao dia do seu momento final. Farás então um esforço para que a cruz não te persiga e o seu peso não se faça notar na tua cara mas na tua mente "tão matura". E o dinheiro que poupas tão religiosamente, servirá para pagar à voz de Judas, que te assombre a mente todos os dias, para o resto da tua vida, sobre tudo o que não te orgulhas. Um jogo psicológico, no qual jogas apenas tu, sem controlo, e que, sem saberes, saltitas para a destruição de ti mesmo. Tu corres para a partida e não para a meta.

Abre os olhos. Estás a errar e ainda não te deste conta...

--------------------
Medo...

domingo, 29 de setembro de 2013

Um momento para mais tarde recordar... [2]



Ergueste-te e endireitaste o corpo despido. Ajeitaste a Carolina junto ao teu seio e percorreste o soalho de madeira até à cadeira de baloiçar da tua avó. Sentaste-te. Beijaste-a na testa e deixaste que te segurasse no indicador. A força dela percorria-te o dedo como um arrepio na espinha. Observei-vos com ternura, testemunhando uma das primeiras interacções entre mãe e filha, o primeiro laço de intimidade que os "homens nunca irão perceber".
A tua a pele branca ao sol, fazia exteriorizar em brilho o interior doce, rejuvenescido, que se alimentava da beleza platónica da nossa semente que com tanto carinho seguravas nos braços. Era capaz de te ver nos olhos, a ansiedade de a veres tornar-se uma pequena mulherzinha, comprares-lhe o primeiro soutien e aconcelhá-la nos namoros. Ouvi-la falar sobre o seu primeiro príncipe, o seu primeiro beijo, a sua primeira vez e criares por fim a união mais inesquecível de todas! Ser-se Mãe!

Irrequieta, a Carolina agitou as pernas e procurou a mama com a boca. Era comilona! Tinha comido à tão pouco tempo, mal tinha arrotado e já estava a pedir mais!? Vamos ter de arranjar um part-time só para a alimentar. Que assim seja. Sai mesmo ao pai quando era garotito, ou será mais à mãe? Sim, porque tu eras igual! Empanturravas-te toda de chocolate e comias os bolos todos que apanhasses na mesa da cozinha. "Diziam que tinha um diabrete no corpo...", lembras-te de me contar? Talvez seja por isso que às vezes te vejo brincar de forma tão irracionalmente criança com a nossa pequenina. O teu sorriso nessas alturas deixa de ser matreiro ou provocador, e passa a ser um verdadeiro tesouro que transmite energia, alegria, felicidade, calma e segurança. Um sorriso tão puro e reconfortante que se pode sentir, para além de ser visto e amado, por todo o corpo como uma descarga eléctrica, que me põem aos pulos por dentro, aos gritos e a correr de um lado para o outro, por saber que estás feliz, que chegaste e me desejas.

Olhaste-a desesperada, estampando-se na cara a frustração de perder uma e outra vez, o mamilo que lhe dava alegria e conforto. Ajeitaste-as, à Carolina e a mama, e devagar chuchou a fome que nos impressionava. Ver-te tão calma e feliz, deixava-me em êxtase.
-- Devagar Carolina. -- avisaste-a. Por alguma razão ela cessou e olhou-te nos olhos, levantou os braços no ar e gesticulou as mãos sobre a tua cara. Sorriste e como mãe babada, endiabrada, provocaste estranhos barulhos junto das suas mãozinhas e na tua cara abriste a cortina para uma das peças de teatro mais cómicas que uma criança tão nova poderia sorrir.

Sabendo como és, vendo o que fazes, sentindo como a amas, completas-me, uma e outra vez, todos os dias, até à nossa velhice.

--------------------

domingo, 15 de setembro de 2013

Um momento para mais tarde recordar...




Baixaste a cabeça, guardaste o cabelo por trás da orelha e ficaste a olhar para o rebento que encostavas ao peito, junto do coração que amadureceu. Cresceste... a tua sensibilidade ficou mais aguçada, o teu instinto maternal tornou-se mais vincado. Tornaste-te mais simples, mais confiante. Re-encontraste-te e re-escreveste parte de quem eras. Trouxeste do passado a criança e as brincadeiras, as músicas e as roupitas que sempre foram as tuas favoritas.

Olhas-te para mim, que te observava sentada à janela banhada pelo sol que se prendia no cortinado e fazia brilhar o teu cabelo dourado, cintilante como um estrela. Os meus olhos colados no milagre que fizeste nascer, despertou-te a atenção, um olhar meigo e um sorriso caloroso. Voltaste a entrar dentro da bolha emocional que criavas à tua volta e em volta do nosso filho. Um casamento perpétuo e único que te era difícil de explicar. Segurava-lo com a maior calma, mas já mais seria capaz de te o tirar de dentro dessa pequena caixinha de protecção criada pelo teu corpo, pelos teus ombros, braços e mãos. Era só teu, eras tu, somos nós. Um pequenino sere incapaz de comunicar, desajeitado e dependente, que nos proporciona a maior alegria e o maior amor incondicional. Um botãozinho por casar...
Um murmúrio leve ouviu-se no quarto, e lentamente, como as ondas do mar, foi-se transformando numa melodia sem letra, cantarolada com murmúrios hipnotizantes. Começaste então a balançar o teu corpo de um lado para o outro, embalando as duas únicas criaturas enfeitiçadas pela tua beleza e pela tua voz. Não me recordava de alguma vez ter ouvido essa música de embalar, mas trazia-me à memória, momentos de infância que julgava ter perdido no pó daquilo que um dia foi a minha vida mais alegre. Senti na barriga o calor do carinho que emanavas, e nos lábios os teus, carnudos e secos, à espera de uma língua para te saciar a cede. Beijei-te, lambeste os lábios. Com um olhar matreiro sorriste.
-- É só minha! -- afirmaste olhando-a. -- É nossa... -- fitaste-me os olhos. Levaste a mão à minha cara e acarinhaste-me. -- É nossa. -- declaraste. Sorri, beijei-a na testa e senti-a com a cara, olhando-te mãe babada.
A tua beleza emocionava-me. O teu amor invejava-me. Um anjo, perfeita, bonita. Todo o teu Eu exterior parecia gritar aos meus seis sentidos para nunca mais largar a tua mão, deixar de olhar para os teus olhos e parar de beijar o teu corpo.

És a melodia mais bonita que já ouvi, e o abraço mais acolhedor que já senti. Um momento para mais tarde recordar.

domingo, 1 de setembro de 2013

O silêncio...




A escuridão vai e vem, sobre um vento que nunca sopra, cantando ao som do silêncio que não tem voz nem presença. O uivo do lobo levanta-se sobre a lua cheia, ultrapassando as nuvens e perdendo-se nas estrelas que não compreende. A água escorre no rio como uma veia em adrenalina, protegendo da chuva tempestuosa os peixes peregrinos.
Os pássaros já não cantam, o sol já morreu e um candeeiro acende-se no inicio da rua, onde sombra alguma mora. Os papeis fazem corridas, e o som do frigorifico começa como um zumbido inerte, sem asas. O quarto encolhe, os ouvidos dilatam e até o mais pequeno grilo te desperta a atenção. A roupa acolhe o corpo abandonado, despejado como um balde para a fossa de amores e carinhos que existem apenas na tua mente fantasiosa. Desconheces o porquê, mas decoraste como um mapa a tristeza que te corrói e a felicidade que te faz correr. O sono não vem e dás-te fechada num quarto vazio que já esteve mais cheio, de um algo que espremido não dá nada. A solidão segreda-te ao ouvido, o murro no estômago que não sentes, mas que cheira a azia. Toda a gente nesta casa dorme acompanhado, e tu, és a única ovelha malhada que estraga a tendência, a estatística. Apertas-te então nos cobertores já tão enrolados, na esperança de fazer desaparecer do teu corpo o frio emocional que te acompanha em cada sorriso e em cada passo. Olhas para o lado à espera de ver um milagre mágico personificado, e dás-te de caras com uma parede velha que te conhece o rosto melhor do que tu lhe recordas a tinta. O incómodo que te faz criar histórias, é o mesmo que te destróis os sonhos que já não recordas mas que te fazem relembrar, vezes e vezes sem conta, as merdas que foste fazendo. Os erros que se entalam na garganta e se acumulam como martelos que nunca param de bater no corpo frágil que já não controlas,  que já não respira; Que apenas sobrevive, aos fracassos que guerreiam com a tua fragilidade e os teus sentimentos, à espera sorrateiramente de um descuido teu para assumir de vez o controlo da vida amarfanhada e nojentamente defeituosa.
O medo não é teu, foi-te herdado, assim como tudo o resto que cresceu em ti e contigo. A criação de um ser humano, começa no momento fora das cronologias e dos temporizadores. Um momento que te passa em faísca por esse teu corpo que não te atrai.
A noite não é escura, é apenas o teu lado negativo a observar. O mundo não fechou as persianas só para deixar de te ouvir pensar. Não se esqueceu que existes quando tudo se calou, e não apagou a luz só para deixar de te ver.

O silêncio... está na tua mente, e é nela que começa a tua revolução.

sábado, 6 de julho de 2013

É castigo ou tortura?




Dar uma chapada na cara de uma criança, dos 2 ou 14 anos, de uma certa perspectiva, é algo obsceno, frio e insensível de se fazer. É algo que muitos pais e mães usam como ultimo recurso, mas é especialmente perpetuado quando a criança falta ao respeito na cara dos pais. Quando lhes chama nomes menos próprios para uma criança daquela idade.

Uma chapada na cara, é, grande parte das vezes, humilhante para quem a leva. Sendo a nossa cara a parte do corpo que constitui o maior número de músculos, e a "única" que nos permite comunicar de forma não verbal. Por tanto, a razão para uma chapada ter tanto impacto nas nossas emoções, deve-se ao facto de ela nos "proibir" expressarmos-nos. Um sinónimo de que deveríamos estar calados, que deveríamos ter vergonha e em parte, deixar de existir. Que a nossa opinião não conta para nada e não tem importância. É, para além do "cheiras mal da boca", uma forma de rebaixar, de inferiorizar. Se um adulto se sente incomodado e inferior, alvo de gozo, então uma criança, por muito inconsciente que seja, sentirá que fez a pior coisa do mundo. O que é o objectivo da chapada. Mas para uma criança, é quase como que os próprios pais dizerem ao filho:
-- Odeio-te! Não gosto de ti!


Dar uma chapada, só mesmo em ultimo caso e na altura certa, é a atitude mais correcta a ter? Pessoalmente acho que não, pois mexe bastante com a caixa psicológica da criança. Uma palmada no rabo ou nas mãos, é sempre melhor do que um puxão de orelhas ou uma chapada.
Como li na internet, existem crianças com problemas graves de audição devido a um puxão de orelhas que foi longe de mais. Inclusive, crianças que ficaram com os músculos da mesmas, rasgados.
Existem vários livros hoje em dia, que "ensinam" os pais a educar e a responsabilizarem-se pelos seus actos, sem ser à chapada e à palmada, ainda existe muito casal que, ou não sabe educar ou tem excesso de raiva a mais. Que usam e abusam do poder de serem "pais" para poderem descarregar o stress do seu dia-a-dia nos seus filhos. Da mesma forma que existem muitos pais que amam os seus filhos, que os respeitam e ouvem, existe também, de forma proporcional, pais que "odeiam" os filhos, que se tivessem poder de escolha ou capacidade de recuar no tempo, preferiam nunca ter tido filhos. Como abordo em parte em "Elas, que andam sozinhas...".
Para esses pais, o "castigo", tanto físico como psicológico é uma forma de tortura? Uma tortura do qual tiram prazer?
Vocês então perguntam-se: "Mas que tipo de pai é que haveria de retirar prazer por encher um filho de porrada e de violência psicológica?". Bem, todos os pais que são divorciados ou que estão separados e têm filhos, e que nunca os quiseram. Os mesmos pais que se tiveram uma noite de sexo com um rapaz ou rapariga qualquer e que ao saberem que a miúda estava grávida, sentiram a vida arruinar-se para sempre.

Até que ponto, um castigo não é uma forma de tortura, mais do que educação? Até que ponto uma palmada, uma chapada, um castigo, um berro mais alto aos ouvidos, não é para os pais, um escape ao stress que os filhos lhe causam todos os dias, simplesmente por existirem, por terem despesas, por causarem prejuízo e mais dores de cabeça do que momentos de orgulho.

Castigar uma criança, não é o mesmo que estar a educar. O meu ralhava comigo e por vezes dava-me umas palmadas bem assentes no rabo e mandava-me, a mim e ao meu irmão, para o quarto de castigo. Como muitos pais fazem. No que ele se tornava único, era quando ao fim de algum tempo, depois de nos deixar pensar no que tínhamos feito, vir falar connosco, incutir, conversar, digerir a informação, o porquê do castigo, o porquê de estarmos errados, onde errámos e o que aprendemos.
Na minha opinião, acredito que a agressão verbal, é pior do que a física. A agressão psicológica, os jogos psicológicos, a frieza das palavras para com os sentimentos da criança. Uma palavra é capaz de fazer mais danos a uma criança, do que uma palmada marcada no rabo. Porque enquanto uma palmada forte, desaparece ao fim de umas horas, uns dias, uma palavra irá agarrar-se a qualquer parte do seu cérebro e ficar lá até ao dia da sua morte, a torturá-la e a manipulá-la da forma mais negativa que se conhece.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A voz que me encanta...

Atarefado com trabalho que trouxe para casa, encontras-me debruçado sobre papeis e com os dedos aos pulos pelas teclas do teclado. Olhavas-me as costas largas, curvadas do cansaço, imaginando os sorrisos partilhados nos dias em que caminhávamos lado a lado pela praia, tu de barriga e eu ternurento por ti.
Ouvi-te os passos. Julguei por momentos vir a receber um beijo teu, mas afastavas-te, devagar, na esperança de não me perturbar a concentração.

Encostei-me um pouco para trás, para tentar organizar as ideias, e ouço então uma melodia, uma voz harmoniosa, sensível, aconchegante. Senti as notas encaracolarem-se nos meus cabelos, desembrulhando-me da memória os momentos nostálgicos de criança. Levantei-me da cadeira e deixei-me guiar com pezinhos de algodão, até à nascente daquele carinhoso tom de voz. Foi na porta do pequeno quarto, que na minha barriga se desembrulhou um presente,  uma borboleta, uma palavra, um sentimento. Amor.
De braços cruzados, seguravas com ternura e completa dedicação, o filho que trouxeras ao mundo, que partilhas-te comigo. Deitavas-te sobre uma manta de um verde muito fraco, sobre edredons grossos e macios. Era uma imagem que me criava nostalgia. Sentia o teu abraço à minha volta, a tua voz nas costas da orelha como um murmúrio apaixonado e um beijo húmido, demorado e saboroso, dos teus lábios.
Ele de olhos fechados, sossegado, ouvia-te. Calmo, tranquilo. Envolvido pela voz, pelo teu tom, pela tua energia e palavras de uma mãe carente de abraços. A canção de embalar, deliciava-o através da magia cuidada e ténue da mamã botão.

Ver-te deitada, com ele ao teu peito, embelezou e amaciou ainda mais a imagem e o calor que senti-a cada vez que te deitavas ao meu lado. Abriste os olhos, ao sentir a respiração mais suave do teu pequerrucho, e deparaste-te com o meu sorriso parvo de pai babado. A troca de olhares entre os dois foi reconfortante. Soube, sem proferires uma palavra, que o enlaçavas em nó debaixo das tuas asas. E eu, no momento em que o segurei pela primeira vez, senti nos dedos trémulos, a força motriz que me fez querer correr de novo, viver de novo, respirar de novo, partilhar. A mesma dedicação que te fluía pela voz, pelo abraço protector, fluía-me pelas veias, pelo peito que se tornou largo, pela mente que amoleceu, pela paciência que cresceu. És para mim uma musa, um anjo que caiu do céu para me trazer, não um perfume, mas uma vida de sorrisos, de abraços e beijinhos, de alegria, felicidade e muitas aventuras. És a mãe que sempre imaginei, tornaste-te na mulher menina de braços grandes como o mundo, capazes de acarinhar o universo inteiro de estrelas.

terça-feira, 25 de junho de 2013

O momento em que respirei pela primeira vez...


Desde o momento em que respirei pela primeira vez, os meus pulmões encheram-se de esperança. Recebi o "dom" da sobrevivência. Fui condecorado e aplaudido de entre os milhões que me acompanhavam no seu ultimo momento de vida.
Chorei, berrei, esperneei e gritei em plenos pulmões, um grito de guerra, que tinha jurado fazer-se ouvir desde o grão microscópico que me constrói e envolve. As mãos tinham força suficiente para agarrar o ar, mas também a vida, pelos colarinhos, o vento e os sentimentos. De apertar-lhe os ossos com força e mostrar o ferro de que sou feito. Os olhos castanhos comuns, iriam ver o mundo e as pessoas de uma maneira completamente diferente. As orelhitas entretiam-se com a voz de embalar da mãe, com os pijamas e o timbalalão (cabeça de cão, orelhas de gato, não tem coração).

Não sou um, são milhões, com perspectivas e objectivos diferentes. Guerreiros do passado que se preparam para a batalhada do futuro. Cada parte de mim foi desenhada para sobreviver, para lutar e trepar. Cada parte de mim é irracional, não possui tempo mas uma história. Um caos lutador que luta, que se levanta e repara. Uma sopa caótica de gerações e hereditariedades, de experiências que se juntaram numa pequena caixa. O meu corpo grita, rasga e esperneia, na tentativa de hoje conseguir agarrar a vida pelas roupas, de a apertar e segurar nos braços com convicção suficiente para a fazer perceber de que se também ela quer uma vida "fácil", que não me aperte demasiado os atacadores dos sapatos e me invoque os joelhos ao chão demasiadas vezes. Pedir ao vento para que as chapadas não sejam tão fortes e frias como as de agora. Que a natureza me deixe respirar, descansar e sonhar de alivio.

Voltar à tona de água, e sentir um fervilhar percorrer-me o corpo, como se não respirasse à centenas de anos, apesar de nunca ter esquecido como se fazia. O oxigénio apertava contra as costelas os pulmões roxos pela fome do grito da vida. Pelas ordens dos milhões de músculos, de sentir nas pernas os músculos correrem por mim, e as mãos penetrar o inimigo.

No momento em que respirei pela primeira vez, o território desconhecido e inalcançável, era irrelevante. Todos os estímulos, todas as palavras, todas as memórias, tinham um tempo de vida muito inútil. A inocência da minha mente frágil, esponja e muito carente, é agora, um caderno já velho, um pouco mal cuidado como as guerras que já combati e perdi. Tivesse eu nunca nascido, desconhecer o passado e o futuro, e o presente seria mais tolerável, mais fácil, mais interessante. A dificuldade do jogo muda. Sou eu quem o mudo, não é o mundo ou a vida, pois esses ainda os seguro com força. Acredito eu. Um ser incapaz, que até na coisa mais comum do mundo, respirar, o faz mal.
As guerras da respiração, o deslumbre ao abrir dos olhos sobre as paisagens de perder a vista e a fala, envelhecem com o tempo, escondendo-se cansados, na escuridão mais triste e sossegada das minhas conversas, das minhas memórias e experiências.

A primeira vez em que parei de lutar, percebi que não queria lutar sozinho, mas ao lado de alguém como tu, que vale a pena. Que me faz sorrir e esforçar. Agarrar nos meus sonhos como uma espada e correr pelo campo fora, de peito e cabeça erguidos. De te agarrar pela mão e criarmos juntos algo extraordinário. Porque foi no momento em que respirei pela primeira vez, que não fazia sentido viver tão longe de e sem ti. Acompanhas-me a voz e ajuízas a mente ainda criança. E se errar é uma maneira de dizeres "está atento", então direi que tens uma paciência extraordinária e uma mente ainda mais bela.


Bastou um momento para saber quem tu eras.

--------------------
Lengalengas

sábado, 8 de junho de 2013

Um peixe sem sermão...


O branco da minha pele, confundia-se com a neve. A pele rasgava-se a cada sopro do vento que me arranhava as orelhas e cortava as mãos. Um frio intimo, que me abraça e faz o coração disparar. As suas mãos enrolam-se nas minhas costas, trauteando nos ossos da coluna cansada.

Os cabelos imitavam as ondas das águas, encaracolando-se, molhado-se, tornando-se um peso. Todo o meu corpo estava louco, incontrolável. Cada pequena parte, parecia estar em auto-destruição, e até o meu cérebro começara a dar sinal de demência.

O meu Eu ficou sozinho. Enjaulado. A verdade é que também não poderia fugir.

Uma rabanada de vento, fez-me comer cabelos e agarrar com força à terra que me parecia engolir a cada subida do caudal do rio. Mas o meu corpo inerte, congelado pela saudade, pela solidão e pelo choro que me descia pela bochechas vermelhas, permanecia em fúria, sem dono e sem rédeas. Um formigueiro subiu-me pela braço. Soube naquele momento, que a morte estava próxima.
-- Ana! -- ouvi gritar. -- Ana! Ana! -- ouvi de novo, camuflado pelo som da espuma junto aos meus ouvidos, distorcido e retorcido pelo vento uivante que passava sobre mim. Que caminhava pesada e demoradamente, apertando cada ponta de osso exposto. Nem voz nem forças. Para sempre aprisionada na posição desencaixada, à margem de um rio sem sentimentos ou consciência. Um espírito narciso que me fazia flutuar para longe do meu miradouro.

As pedras batiam-me nas costas, partindo em cacos a cabeça já parcialmente vazia do meu alguém. Parti num barco rachado, afundado pelas lágrimas, na violência caótica de uma violação cerebral que me arrastou através de um bosque do qual lhe conhecia apenas as sombras, os gestos, as vozes e os seus cheiros. Fui abandonada e ali me deixaram, à beira de um rio que crescia, sem me antes terem ensinado a nadar.

Não tive o meu sermão, e agora pago ao ser reciclada pela malícia da natureza egocêntrica.
Sou um peixe em águas profundas. Demasiado profundas...

terça-feira, 7 de maio de 2013

Adivinha o quanto eu gosto de ti...



Seguro-te nos braços com a vontade de nunca te deixar partir. Desejo para mim, que fiques para sempre assim, pequeno o suficiente para te segurar, atirar ao ar e levar pelo dedo.
Os olhos profundos que herdaste da tua mãe, olham-me acompanhado de um grande sorriso e do riso mais carinhoso que me encanta todas as vezes que te fazemos uma careta. A tua mãe, ela que te é tão dedicada, derrete-se ao ver-me mudar-te a fralda, a brincar com os teus brinquedos junto de ti ou a ouvir-me ler-te umas histórias de animais encantados.
Tornas os ombros do pai, num cavalo que orgulho em te fazer cavalgar e conquistar o mundo em redor.
À noite permaneço ao teu lado até adormeceres, enquanto a tua mãe te canta uma canção de embalar. Enches de alegria, uma vida já tão rica em abraços e beijinhos. Exiges e aventuras-te por sítios,  que sendo-te completamente desconhecidos, não temes em apalpar, agarrar e conquistar.

A caminho do super-mercado, cantamos as cantigas que aprendes na escola que eu e a tua mãe fazemos um esforço para aprender. Já lá vai o tempo em que as sabia de cor... Danças sem medo e cumprimentas sem vergonha, todos os meninos e meninas com que te cruzas. Atiras-te à fruta e gritas-lhes os seus nomes. Já sabes tirar o saco e escolher as cores da roda dos alimentos que a tua mãe tanto te ensina durante as horas do banho. Corres de um lado para o outro, e só paras quando encontras a tua secção favorita, ou a dos brinquedos ou a dos livros enfeitiçados com criaturas e personagens mágicas. Desfolhas livros medievais, de astronomia. Debruças-te sobre os de pintora, anatomia e de lendas antigas. Mostra-me o que descobriste, ensina-me o que aprendeste...

Tocas em tudo, aprendes e devoras o feitiço do desconhecido. Sento-te ao meu colo, e contamos as nuvens, rimo-nos para a mamã e beijas-nos com um grande abraço nos nossos pescoços. O perfume da mãe "cheira sempre muito bem" e não te cansas de dizer o quando gostas de nós. Fico com ciumes, e às vezes medo, que ela me troque por um príncipe perfeito que tanto me esforço em afastar dos sapos.

-- Papá! -- Não me vês chorar, mas é o que acontece cada vez que te vejo receber-me empolgado de braços abertos. Corres de mim no recreio do ATL para junto das outras crianças, mas assim que o Sol troca com a Lua, sabes que as cócegas e os aviões de colher estão a chegar. Largas tudo o que estás a fazer e corres para nós, que te esperamos impacientemente, orgulhosos e completos, ao portão que serve de entrada para o teu pequeno reino.
A tua mãe, quando sai mais cedo do trabalho, aparece de surpresa no escritório do pai, onde acabas sempre por fazer as delicias de toda a gente, enquanto te observo ao longe, com a mãe galinha sempre por perto.
Levar-te a navegar pelas ruas, pelos monumentos, museus e bibliotecas, delicia-nos. Colas-te aos vidros e tentas sempre mexer em tudo. Queres descobrir, saber o porquê e como funciona. Já seguras na máquina fotográfica, aplicas os dotes que a tua mãe te costuma ensinar e tiras as fotos mais trémulas e engraçadas que inocentemente te esforças em tirar.

Que traquina! Todos os fins de semana saltas e abraças os pais já cansados. Já não temos a tua energia, mas esforçamos-nos para te acompanhar em tudo o que desejas e te empenhas em fazer. Sabes o abecedário e contar até 20. Deixas todos de boca aberta quando lhes respondes de onde vêm os bebés ou como aparecemos na Terra. Não te escondemos nada e esforçamos-nos para que compreendas tudo.
Lá me vês então, eu ou a tua mãe, a desfolhar nos livros grossos o significado de alguma coisa, quando as perguntas que antigamente eram tão fáceis de responder, se tornam autênticas demandas do conhecimento.
Ensino-te a pintar e a desenhar. Já não deixas que te segure na mão como antigamente... és tu, por ti, sozinho. Demos-te liberdade e ensinamos-te que a vida nem sempre é fácil. Tu escolhes, tu decides. Demos-te opinião. Mostramos-te e explicamos-te para que decidas e aprendas por ti. Mas és cabeça dura, sais à tua mãe...

Odeio quando ralho contigo e te ponho de castigo, e até a tua mãe sofre cada vez que te dá uma palmada nas mãos. Deixamos-te sozinho durante um bocado, que para nós parece uma eternidade, a pensar no que fizeste. Conversamos contigo, abraçamos-te e beijamos-te.
És uma criança cheia de vida e sempre com amor para dar. Ensinas-nos o que fingimos por vezes esquecer, só para teres o prazer de ensinar e explicar. De poderes por breves momentos, seres tu o pai e a mãe.

Amo-te com todas as forças que tenho e ensino-te tudo o que aprendi e aprendo, cada vez que te vejo crescer...

domingo, 14 de abril de 2013

A gravidez está sobrevalorizada...


Mas qual é a melhor forma de anunciar a gravidez? - Pais e Filhos

Faltou explicarem como é que os casais de jovens ou as raparigas adolescentes poderiam anunciar a gravidez aos pais e família, e já agora aos amigos.
O que é engraçado, porque para um jovem é o fim do mundo, para um "adulto" é um milagre, apesar de saber que a facilidade de se engravidar é bastante elevada.

É a hipocrisia social no seu melhor.
Porque quando somos novos, engravidar é o fim do mundo, quando somos "adultos" e achamos que somos ou estamos capazes de educar e tratar bem de uma criança, pelo menos o nosso primeiro filho, é um milagre. Mesmo eles sabendo que a facilidade de engravidar, quer seja antes dos 16 ou depois dos 25, é igual para ambas as raparigas.
Sim, talvez haja raparigas que tenham dificuldade em engravidar, devido a problemas genéticos delas, ou deles, mas dizer que estar grávida é a melhor coisa do mundo?
Acho que o próprio ego entra de rompante nesse sentimento e nessas imagens que temos da gravidez no geral, porque engravida-se tão facilmente, que acaba tudo por ser muito corriqueiro. Afinal, o que tem isso de especial? A nossa mãe esteve grávida, as dos nossos pais também, e sempre foi assim durante milhares de milhões de pessoas, mas continua-se a achar que engravidar é um fenómeno na natureza, apesar de sermos os mamíferos que têm o seu período fértil mais frequentemente, mais cíclico e mais normalizado do que os outros mamíferos. Achamos que só a nossa gravidez é que é uma coisa do outro mundo, mas já antes de existirmos, haviam mamíferos que davam à luz e sempre deram à luz.
O que tem então uma gravidez de especial? Tocando um pouco no ego que falei acima, ter o próprio filho bebé nos braços, nos seus primeiros anos de vida, em que ainda é fofo e nos faz rir porque é um bebé, é inocente, não percebe o mundo que o rodeia, mas que se interessa, que faz muitas perguntas, que chora e pede abraços, que dá uma certa vontade aos papás para que eles sejam melhores do que os outros, só porque gostam da mania do "superior" e "senhor doutor", até consigo dar um bocadinho de valor a isso. Já que os pais nunca fizeram nada de jeito na vida, fazem-no com os filhos, e os filhos são um investimento de uma coisa boa a longo prazo. O problema é quando os filhos saem piores do que os pais e se tornam ladrões, assassinos, agressivos, que batem em mulheres ou em homens, que são violentos, que são neuróticos e psicóticos. Aí... o pai já não quer responsabilidades ou não sabe onde falhou. Acaba por ser um filho que se torna num cão. Um cão que sempre foi muito fofinho, muito meigo, muito fixe e interessante, até ao dia em que morde em alguém e acabamos todos por ficar desiludidos.

O ter um filho, toca no ego dos pais, não só porque se pode moldar para o que queremos, para o que desejamos e para o que ambicionamos que ele seja. Basicamente um mini-nós, nas palavras de Dr. Phil. Servirá também para mostrar aos outros papás, amigos, amigas e familiares, do filho prodígio que achamos ter e onde investimos "todo" o nosso esforço e dinheiro. É quase a mesma coisa que comprar acções de uma determinada empresa que está a crescer, e que num dia, ao fim de uma dúzia de anos, começará a dar riqueza. O problema neste pensamento, é de que a riqueza tem de vir de trás. Convém ter-se uma boa educação para se caminhar de forma direita e com poucos solavancos na vida. Não, não sou apoiante de proteger os filhos de tudo, mas abrir as pernas, ser fodida, parir e deixar os garotos nas escolas e igrejas só porque não sabe o que fazer com estes fedelhos nojentos e ranhosos, só porque não se sabe como falar ou explicar-lhes os deveres e não ter paciência para TPCs, tendo apenas e só o conhecimento social e geral daquilo que se vê nas outras famílias, em revistas, filmes, publicidade, imagens e músicas... podem ficar felizes, pois pertencem ao grande grupo de pais que não sabe o que fazer com uma criança. Sabem abrir é as pernas, agora educar e responsabilizarem-se pelos próprios filhos... já é outra conversa.

Sim, de certa forma, ter-se um filho antes dos 18, 20 anos, sem se ter emprego, é algo de grande falta de responsabilidade, imaturidade e parvoíce. É-o, de facto.
Mas também não o é quando duas pessoas, por muito que se amem, não sabem psicologicamente nada sobre bebés? Sim, aprende-se, sempre se pode aprender, mas é a mesma coisa que irmos para um exame do qual sabemos todas as perguntas, mas simplesmente não estudámos a matéria previamente, vamos com a vontade toda de o fazer, mas quando é para escrever... UPS, fiz merda! Vamos todos confiantes, a achar que sabemos tudo, e a única coisa que sabemos é 1% da teórica que tivemos a rever 1 semana ou 8 meses antes. E uma base sólida de educação não se constrói em 8 meses. Não se traça um plano de vida em 8 meses. Não, quando se trata de um bebé.
Pronto, está bem, é verdade que ser-se neurótico e ler tudo também é capaz de fazer mal, mas é só capaz, e muito provavelmente nem irá fazer mal nenhum. O que faz mal não é a informação, mas como a utilizamos e a super-protecção que se dá às crianças. Esse é que é o grande problema, para além de não se saber lidar com elas, por acharmos ou não nos lembrar-mos de que já fomos assim, e não sei porquê, mas os papás de hoje em dia parecem esquecer-se disso a uma determinada altura da gravidez e depois durante toda a vida do garoto, estragam o que nunca souberam usar.
É verdade que eu não tenho filhos, que já me fartei de escrever muita coisa por aqui sobre o assunto, que volto a tocar nas coisas que já escrevi e a falar novamente nas ideias que apoio, mas deixa-me cansado e chateado ver tanta gente com a mania de que vai ser bom pai, quando nunca pegou num livro. Também é verdade que para se ser pai, à 500 anos não era preciso e nem sequer existiam livros, mas... se formos por aí, também é escusado tomar vacinas e por isso, devemos ser fortes e rijos, sermos homens de colhões grandes e aguentar o frio ou um osso partido. O problema é que a esperança média de vida ao invés de estar nos 79 para os homens e 82 para as mulheres, desceria logo para os 40/50.
Por tanto, se queremos crescer e evoluir, se queremos progredir na sociedade, convém usar o que está à nossa disposição. É a minha maneira de ver as coisas. Se tenho oportunidade, informo-me. Se não tiver, invisto o meu tempo a procurar.

Sim, ter filhos é um fenómeno que de facto não ocorre na natureza... Só pode, para as pessoas acharem que é algo divino e inexplicável... No entanto, não invalida de não poderem chorar ou de se orgulharem, apesar de ser tudo muito pelo riquismo, de ter filhos e ter descendentes, quase como se fossemos reis. E porquê? Porque agora, até filhos de pobres, (nada contra isso), podem ser reis. Podem um dia vir a tirar os pais da miséria. Uma miséria e um conjunto de dívidas que eles próprios criaram porque também queriam o "riquismo" para si. Uma mania que anda agora muito em voga desde os anos 70. A tal mania de os nossos filhos têm de ser advogados, médicos, doutores. Basicamente trabalhar em altos cargos para serem ricos. Não é para fazerem o que mais gostam ou no que são bons, mas no que lhes dá muito dinheiro. A ideia do povinho, claro está. Pobres a tentarem ser ricos só por mania e não por necessidade. E quando falo em filhos de pobres, falo em guetos, em povinho que a única coisa que sabe ver à frente é carros, motas, gajas nuas, cu de saias, cerveja e futebol. O básico e muito comum em portugal. Toda a cultura deste país, muito resumidamente.

A gravidez está sobrevalorizada... e as pessoas são todas hipócritas. Se ter um filho aos 23/25 é uma coisa assim tão boa, porque não aos 16 ou aos 18? à 50 anos, as raparigas tinham filhos muito mais cedo. Desde que tivessem capazes de dar à luz, casavam-se mal podiam.

Já nem falo em inseminação artificial e no facto de a probabilidade de nessas gravidez falsas, mecânicas e contra natura, terem uma probabilidade superior de nascerem gémeos criados em laboratório e não de forma natural, hereditária e genética. Por causa dessa porcaria da inseminação artificial, ainda vai haver muita guerra, principalmente pelos gémeos que nasceram de facto de dois pais com genes capazes de desenvolver gémeos. Eu começo a minha.
Se ser-se gémeo hoje em dia é uma coisa "rara" e ainda incomum, com esta merda das inseminações, o que não vai faltar por aí é gente clone umas das outras a meter nojo a quem por direito herdou genes que capazes de gerar gémeos.

Não paras de me surpreender...
A violência infantil...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Não paras de me surpreender...



Entrei à tua procura, com um pequenino sorriso nas minhas bochechas. Respirava fundo, não por ter medo mas por ansiedade. As minhas mãos começavam a soar e a roupa parecia prender-me os movimentos.
Sentei-me na primeira cadeira que encontrei e sorri para a Joana, a enfermeira com quem tanto conversavas.
-- Ela está mesmo a sair! -- respondeu, reconhecendo-me.
-- Obrigado. -- sorri.
Ouvi a porta abrir e de imediato me levantei escondendo atrás das costas o que trazia na mão. Felizmente ainda vinhas meia distraída e a conversar com a doutora.
-- Obrigada... -- respondeste, depois de dois beijos na sua cara. Voltaste-te para a enfermeira Joana e reparaste logo numa sombra muito distinta, com um formato e altura bastante reconhecível. Atiraste o olhar contra o meu peito e subiste-o até aos meus olhos, à minha cara, aos meus lábios que conhecias de cor. Olhaste-me com alguma tristeza, um certo trago a raiva que se desenhava nas tuas sobrancelhas mas um sorriso que rapidamente transformou todo o teu corpo em total euforia química. Parecias uma criança a desembrulhar um ovo-kinder, ou aquela estudante que tinha tirado o seu primeiro "Muito Bom". Qualquer pessoa que olhasse para ti naquele momento, iria perceber a felicidade jubilante em que te encontravas, era contagiante! Eu próprio não podia deixar de me sentir tão feliz por te ver tão confiante e confortável.
Destapei a mão direita do pano surpresa e apresentei-te, muito romanticamente, como se fosse a primeira vez que te pedisse em namoro ou em casamento, um ramo de flores vermelhas, muito bem enfeitado. Coisas melosas que eu sei que te agradam.

A tua face corou e tapaste a boca com alguma vergonha. Tinha chegado atrasado à consulta, sabia-lo, mas não me tinha esquecido de ti. Jamais de um rosa como tu. Reparaste na camisa branca, debaixo da camisola vermelha, nas calças bege que tu tanto dizias fazer sobressair o meu rabo bonito. Ficaste embasbacada, admirada e sem saber o que dizer. Deixaste-te absorver pela minha presença, pelas cores, pelo presente que já não importava mas que ajudava a embelezar e a dar valor àquela mão tão grande que adoras ver passar pelo teu corpo, à noite, quando o frio aperta.
Estiquei o braço oferecendo-te o ramo, e todo o teu corpo tremeu, levemente, gritando por um abraço que parecia tocar-te. Correste para mim, chorando de felicidade pelo momento que nunca irias esquecer. E se o fizeres, estarei aqui todos os dias da tua vida, para te-o relembrar, de como foi e ainda é mágico.
Abraçada a mim, a apertar-me com força, segredas-te-me ao ouvido, as palavras que me fizeram vibrar e desbotar em lágrimas.
-- São gémeos. São um casal...
A voz doce cintilou nos meus ouvidos como uma simples canção de embalar, pura, perfeita. O meu peito já fraco encheu-se de ar e abracei-te, colei-te a mim. Agarrei-te com vontade de te mostrar que eras minha, e sem medo, chorei por ti e por mim o milagre que a natureza nos tinha presenteado. Aqueles dois pequeninos intrometiam-se entre nós, como ainda hoje fazem de braços esticados à espera de colo. Mas abraçar-te não chegava, e queria olhar para a tua cara, reconhecer a tua felicidade, relembrar-me das lágrimas e do teu sorriso incrivelmente ternurento.
Viste-me a chorar, de bochechas molhadas e lábios rasgados, um para cada lado, com os olhos a brilhar, mesmo achando que podia ser da luz, sorriste um pouco, reconhecendo os sentimentos que transbordava. Beijei-te, senti os teus lábios, os teus cabelos, o cheiro ao teu perfume, o calor do teu corpo, e riste-te, contagiando-me de imediato.
-- Parabéns!! -- felicitou a Joana, batendo palmas por breves momentos, até que aceitas-te o seu abraço respondendo oportunamente:
-- Obrigada.
Cada um tão caloroso e verdadeiro, que quando chegou a minha vês, podia jurar que sentiste um bocadinho de ciúmes. E vontade não te faltou de lhe dizer: -- "Já chega, ele é meu, larga-o!"

Aceitaste o ramo de flores que olhas-te por breves segundos, pois o grande presente não eram elas, com as suas cores aromáticas e beleza sinfónica, era eu. O maior e o melhor presente naquela pequena sala. Percorreste todo o meu corpo demoradamente, gravando na memória uma imagem babada de mim, a que agrafaste com força à ecografia e às emoções eufóricas que te faziam pular.
Muito rapidamente, debruçaste-te sobre a grande mala e vasculhastes os pojos e despojos de maquilhagem, telemóvel, carteiras de cartões e moedas, lenços e batons, retirando com cuidado de um pequeno bolso escondido, a ecografia oferecida pela doutora.
-- Olha... a Inês e o André. -- largámos juntos as lágrimas de felicidade que a Joana parecia partilhar com alguma inveja. Sabíamos que era apenas uma foto, a preto e branco, onde nada podia ser destingido, mas olhar para ela, era como ver os futuros desenhos a lápis daqueles rebentos abotoados às nossas asas.
Sentis-te um ponta-pé na barriga, e olhas-te rapidamente para mim. Agarraste-me na mão e levantas-te a roupa que te escondia esse sexy umbigo. Fui tocado, interagi de novo. Na minha mente, as minhas mãos pareciam agarrar as deles, e desejei secretamente sentir naquele momento a força das suas mãozinhas, de ouvir o seu choro, de apressar o processo...
-- Vamos! Quero ir comer, estou cheinha de fome. Parece-me que vão sair glutões como o pai... -- sorriste incriminando-me de comer mais do que a tua barriga danone aguenta. Cozinhas bem! O que queres que faça!?
Despedimos-nos da Joana, atravessamos a porta e o Sol radiante parecia já saber da noticia. Até a Lua nos tinha vindo espreitar, para que rapidamente fosse afastada pelas nuvens que pareciam pintar o azul do céu, com pinceladas brancas de guache. As mesmas pinceladas loucas com que os nossos filhos pintam tudo o que vêm, tudo em que tocam. Não as transformam em ouro, mas a nossa paciência e dedicação... parecem-se com ele!

-- Ai que guerrillas! Não sei como conseguem ter tanta energia! Que diabretes!
-- Só podem sair a alguém... -- retorqui.
-- A ti! -- respondeste sem pensar, sorrindo como um pequeno diabrete. Sem avisares correste para junto deles de braços abertos.
-- Vou-vos apanhar! hahahahah
-- Não me escapam!
Eles, corriam de um lado para o outro, a fugir de nós, gritando em plenos pulmões o medo criança de serem apanhados pelo papão do papá e pela bruxa da mamã... Estás tramada connosco!