quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Ainda não sei, mas caminho para lá...



Vi à pouco um novo reclame do Continente, daquela senhora a quem fartam de lhe chamar o nome?
E surge uma cena de ela a falar com algumas peças de lego à frente dela, e o que me apercebi era de que ela era como muitas mães, uma marca, uma imagem de mãe muito comercializada, daquelas mães que oferecia coisas "fixes" e boas aos seus filhos, que era "rica", que tinha dinheiro e boa saúde, que "dava" amor, era atenciosa, "dedicada", preocupada e presente. No entanto, não sabia para que servia ou no que podia ser usado o lego. É uma mulher que não sabe brincar, que vê aquelas coisas pequenas como um brinquedo "complexo" que dá para fazer muita coisa na mão dos seus filhos, mas uma coisa muito morta nas suas. Apenas conhecia metade do objecto. Não se importava nem se preocupava com a sua funcionalidade.
Não tinha consciência da potencialidade do brinquedo. Era lego, ela sabia o nome, mas para ela seria só mais bonecada espalhada pelo chão. Não percebe, portanto, nada sobre o assunto quando se fala em brinquedos. Sabe o que é e para que servem, para entreter as crianças quando está mais ocupada, mas não quer nem se interessa por mais nada.

Não estou a ser mau, estou a ser realista.
Os pais de hoje em dia não sabem brincar, não se interessam por fazer parte desse desenvolvimento nos seus filhos. Somos um país de pais ausentes no que toca a interagir com os seus filhos.
Os pais de hoje, acham que o brincar e os brinquedos da criança, são um mundo à parte da criança, que não compreendem nem querem compreender, para além de não quererem entrar ou interagir.

Reconheço em mim, uma certa falha, um certo buraco que me faz sentir pouco ou nada preparado para ter um filho, educar e fazer crescer. Mas algo que noto cada vez mais, é que nem todos sabem o que é educar ou como educar.

É fácil ler uns livros e usar o "senso" comum como ferramenta, mas de que serve se não se souber ou perceber o que é um bebé, como funciona, o que é e foi ser criança? Não, um bebé não é um objecto, é uma esponja com uma capacidade única e incrível nos seus primeiros 6 anos de vida.
Usar o senso comum e livros técnicos, ou a igreja, é como ensinar uma criança a fazer contas de somar num papel através de um exercicio ficticio e imaginário e não usar de todo um exercício físico, com moedas ou limões, em algo que possam realmente tocar, sentir, compreender e interiorizar. Somos seres visuais, e é verdade que também somos muito imaginativos e incentivos, mas ao usar exercícios tão fictícios como os que vêm em livros, pode ser um problema. Mas também não estou a dizer que não se deve fazer esse tipo de exercícios sem algum exemplo prático, porque deve ser feito, o que é importante retirar desta ideia, é a de que se usarmos várias formas de ensinar e conjugá-las de forma simples, divertida e interactiva, porque o que uma criança na primária o que quer é saltar e brincar, podemos criar crianças com uma mentalidade bem mais forte.

Não, não sou pai, sinto algum receio porque como disse acima, não me acho nem me sinto preparado, mas preocupo-me, como também me "farto" de escrever em vários outros textos. Preocupo-me, informo-me, interesso-me. Digo isto centenas de vezes, porque cada vez mais me apercebo que existem jovens que se acham prontos, que desejam ser pais ou mães, que acham que saberiam cuidar bem de uma criança, que desejam uma nos braços, mas nem se quer têm consciência. Sim, é uma critica! Critico muito no meu blog, mas também digo muita coisa interessante e digna de ser lida. Não gostam? Há quem goste e quem se preocupe. Existe mercado para tudo não é verdade?
Falta-lhes capacidade de compreenderem-se a elas mesmas, mesmo elas achando-se muito inteligentes e capazes de resolver problemas. Que por trabalharem ou terem um curso se acham já maturas o suficiente para educarem um filho. Que por receberem muito dinheiro ou carta de condução, lhes dá o direito, e têm, de dizer que são capazes e estão prontas.
Pois enganam-se! Não estão prontas porque não têm consciência nem se preocupam. Saber que marcas de comida comprar, fraldas, carrinhos, vestidos e camas, não é tudo. Se não se souber o que é ser e como foi ser criança. E de que maneira se pode dar educação mas também inteligência, porque a inteligência aprende-se. Tornam-se na estatística que tanto criticam.
Porque lá por termos instinto animal que nos ajuda através deste grande passo nas nossas vidas, também somos animais inteligentes, com capacidades cognitivas. E convém também usar essa parte do cérebro.

Sim é uma critica, e não falo de muito neste texto porque já falei muito em outros anteriores, como os que deixo no fim deste texto. Mas quem sou eu para criticar não é? Bem, sou um rapaz que sente que está e se preocupa mais do que aqueles que andam à minha volta. Não vou esperar para ter um filho nos braços ou a minha vida se recomponha para me preocupar em ter filhos, ou me preocupar em os educar bem. Não é depois de tudo que me vou pôr a preocupar. É como estudar para um teste, há testes que estudamos no dia anterior ou só no próprio dia, mas neste grande momento? Tem de se preocupar e aprender muitos anos antes.



E lembrem-se, quando acharem que estão preparados, ainda só estão a meio caminho!

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sábado, 25 de agosto de 2012

Quero saber...


Cada vez que te olho de longe, a saudade do meu coração relembra-me a dor que sinto, num choro sem lágrimas de sofrimento invisível, o tempo em que tento não esquecer a tua cara, o teu cheiro, os dedos cruzados nos meus e a tua voz doce junto ao meu ouvido.
Não precisamos de falar naquele momento de reencontro, que acontece apenas entre os nossos olhos. As almas cruzam-se, entrelaçam-se em sentimentos. Separados por alguns metros, mas já nos sentimentos tão próximos um do outro que os nossos cérebros dançam entre si, como animais em época de acasalamento, num hipnotismo enfeitado, ondulante de luzes e cores.
Finalmente aproximamo-nos numa correria de deslumbre, em que cada passo nos faz imaginar os braços um do outro, o toque dos lábios e as caricias das nossas mãos. O tempo parece abrandar...
O teu corpo frágil e pujante de desejo, abraça-me num aperto forte que me faz sentir vivo, reconforto que nunca senti e confiança que me faz ser homem de novo. O teu cheiro penetra-me nas roupas, os teus longos cabelos que te caem pela face de solidão e saudade, enrolam-se nos meus, cheiram ao champô que tanto usas, e no teu pescoço posso sentir um pouco do perfume que tanto adoras. As tuas hormonas femininas saltam diante do meu nariz, e todo o meu eu te protege de qualquer outro macho. És a minha fêmea, a minha querida e delicada flor, és a minha humana, e apenas tu te encontras registada no meu coração. Levantas a cabeça para me olhares nos olhos e lágrimas escorrem-te pelas bochechas, tão triste... tão sozinha...
-- Tive tantas saudades tuas amor!! -- murmuraste-me.
-- E eu tive saudades tuas!
-- Não! -- respondes-te baixando a cabeça -- Eu tive mais!!
-- Tive tantas saudades tuas. -- disse, com um sorriso gentil, enquanto sentia a tua fragilidade. Adoro isso em ti. Pareces cristal... um sensível cristal... que aguarda desesperadamente por um carinho e reconforto.
Os teus olhos secavam lentamente, enquanto todas as recordações nos relembravam a nossa história. Levantei a tua cara, até fitar os teus lábios, com a minha mão e beijámos-nos por breves segundos de olhos abertos. Sentis-te a minha língua tocar-te nos lábios e inspiras-te bem fundo, agarraste-me na cara com vontade e não me largas-te mais. Parecia um beijo ansioso de despedida, um beijo de saudade interminável.
Juntos assim, não precisamos de mais nada para nos fazermos felizes, mas continuas na dúvida, com as tuas perguntas e receios, com a incerteza de saber se estamos a ser precipitados demais. E eu respondo-te que se nos damos tão bem emocionalmente, as nossas conversas duram horas e nunca têm fim, temos ainda uma vida toda pela frente para nos conhecermos, reconhecermos, e ouvirmos um ao outro. Pois como sabes, somos duas pessoas com muita coisa para dizer... e com muito mais ainda para fazer!

Quero-te ouvir, ver chorar, sentir-te frágil e vulnerável, rebentar e encher de raiva. Quero compreender-te, conhecer-te, aprender contigo e deixar que sejas o que nunca te deixaram ser.
Quero saber o que escondes dentro de ti... agarrar-te na mão e puxar-te para cima, como nunca ninguém o soube fazer contigo.
Estou aqui... sempre estive!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A geração anti-pedagógica...


O desemprego voltou a subir, mas desta vez alcançou quase 2 000 000 (2 milhões) de desempregados! 655 000 estão inscritos no centro de emprego e 50% são licenciados (325 000).

Se já dizem que no século 21 existem mais licenciados de que há registo, também existe maior taxa de desemprego para os mesmos. Têm um curso mas não têm emprego. Em portugal estamos a enfrentar um problema pelo qual a França já passou em 2006, se não me engano. Mas lá está, num país cujos agricultores são pagos para não produzir e assim deixar portugal dependente de produtos externos que podiam muito bem ser colhidos por cá, continuamos o mesmo país em crise à mais de 30 anos que não avança nem deixa avançar.


Li num video do youtube um comentário que fala sobre as gerações. E era algo mais ao menos assim:
Cada vez que surge uma nova geração, ela fica pior que a anterior! Mais burra, mais malandra, mais inculta, mais fria, mais distante, menos amor, menos paciência, menos capacidades.

E ele tem razão! Vi o trailer do "novo" filme sobre a Lagoa Azul, e li alguns comentários, apesar de não ter sido necessário, mas enquanto via o trailer percebi que aquele filme não seguia o mesmo amor e carinho que os 2 primeiros criaram. Apercebi-me então que o amor como o conhecíamos e via-mos nos filmes antigos, como o muito célebre Feiticeiro de Oz, tem os seus dias contados, já Fernando Pessoa dizia o mesmo num dos seus poemas. Sim, o amor começa-se a perder neste ambiente cada vez mais urbano e industrializado, onde tudo envolve tudo, onde tudo se embrenha em tudo. Em que o esforço que se faz numa relação é canalizado única e exclusivamente para os dias de festas ou quando o espírito anda de sorriso.
No mesmo sentido, a propósito do seguimento da falta de amor de uma geração que caminha para o seu colapso e para a destruição do mundo, onde todos têm tudo, ou não têm nada. Onde os ricos gostam de se mostrar mais ricos e os pobres de se fazerem de coitadinhos, e outros pobres de lutar pela sua vida, vem o novo reclame do "Regresso às aulas" do Continente. Quando o ouvi pela primeira vez, colei os olhos no televisor, fiquei a ouvir a pior música que mais irrita ouvir onde quer que passe, uma música de merda, ainda pior, cantada por um garoto de merda.
Que merda é esta meu? Agora os putos lutam através do estilo? Lutam uns com os outros para ver quem tem mais e melhor? Quem vem vestido com as melhores marcas e o melhor material escolar? Para onde caminha esta geração? Para um colapso de mentalidades. Vamos ver daqui por uns 10 ou 15 anos, adultos que não sabem ser adultos, e pior de tudo, que nunca foram crianças. Que, como referi acima, sempre tiveram tudo, pediram tudo, que se acham os melhores por terem estilo, por terem um carro (pago pelos papás), o 12º ano sem nenhuma aptidão nem valor para acrescentar ao mundo. Acabaram de testemunhar, com este video, a geração de merda, os pais de merda que temos, a publicidade de merda que existe, os programas e educação de merda que se espalha por todo o lado, e os futuros pais que irão pisar este país quando os nossos filhos nascerem. É a geração de merda dos morangos com açúcar. A geração de merda dos ipads, iphones, smartphones. Têm tudo mas não têm nada. E a 99% falta-lhes a inteligência. E vamos ser sinceros, sempre lhes irá faltar inteligência e maturidade, para além da consciência, educação e capacidade cognitiva.

Voltámos ao estatuto do "Sr.doutor" só porque um tem e pode ter mais do que os outros? Voltámos ao tempo em que os ricos se voltam a achar superiores? Intensificámos a "preocupação" que os garotos têm por tudo o que é de marca? Em que criticam e falam mal dos que não têm só porque podem ter, comprar e pagar as roupas de marca? Como apareceu uma vez numa reportagem onde crianças se preocupavam mais com as roupas umas das outras do que em brincar.

Estamos a entrar, se bem que eu acho que já entrámos à alguns anos, numa geração Anti-Pedagógica. Uma geração que só se vai preocupar com os filhos e o seu futuro, de forma consciente, se é que serão pessoas conscientes o suficiente para perceber e se preocuparem com isso, quando engravidarem as namoradas ou quando tiverem o filho nos braços. Ai sim, começam a ler alguns livros, a falar com alguém, a interagir com o filho dos outros, vão a psicólogos e a consultas de aconselhamento e planeamento familiar porque na verdade, não sabem ser pais. Eu não sei ser pai, mas pelo menos preocupo-me à muito mais tempo. Uau, estou-me mesmo a armar em bom e importante não estou? Bem... não, mas também depende da perspectiva. Pode ser que com este texto consiga abrir os olhos a alguém e ela passe para o lado dos bons.

Uma coisa que devia existir, e digo isto porque eu não sei se existe, era um psicólogo de família. Tal como existe um médico de família, devia existir um psicólogo de família. Porque pagar para tentar resolver ou conversar um problema familiar é algo absurdo. Ainda assim, acho que seria um caso perdido porque muitas pessoas nem sequer percebem o que se lhes está a dizer.
Esta geração não precisa de psicólogos que os acompanhem, não precisam de dinheiro, iphones, modas e cursos universitários, precisam é de aprender a ter humildade. Aprender a respeitar os outros. Aprender a dar valor ao dinheiro. E os pais precisam de aprender a dar valor aos filhos. Os pais precisam de aprender a ser pais. Porque esta geração Anti-Pedagógica, que não quer nem se preocupa em educar, e em ser educada da maneira correcta, vai trazer muitos problemas para o futuro de portugal. Porque se estas gerações em que vivemos e estamos a criar, já são um problema, onde alunos batem em professores, agridem outros alunos no meio da rua, em que o número de agressões cresce de ano para ano, entre alunos e alunos e entre alunos e professores, a próxima geração que vier será das piores de que há memória, e aí sim, vão todos pedir para que Salazar volte. Para que bater nos alunos seja uma lei ou uma regra e um direito dos professores. Já o era à dezenas de anos. E não falo em agressão pura e dura, mas umas palmadas nas mãos nunca fizeram mal a ninguém. Eu levei a minha dose, fui chamado de ignorante por professores e já falaram mal para mim, porém, não é por isso que deixo de ser quem sou, com interesse por documentários, filmes, livros, artigos de revista, estatísticas e estudos científicos. Não deixei de ser quem sou, nem me tornei mais agressivo por os meus pais me baterem na altura correcta, os professores me ralharem, me darem uns "carlassos", por sofrer de bullying na escola. Não deixei de ser quem sou, aliás, sou quem sou por tudo o que me aconteceu. E ainda que me aconteceu grande parte das coisas, para ser um testemunho para os meus filhos e eu próprio não me ficar a perguntar para o resto da vida, como seria se eu fosse vitima de bullying? Violência escolar. Assim já sei.

Adoro o meu país! E o futuro dele? Ui! Até choro de tanta alegria.... Vocês não?
Os meios de comunicação criam cópias, modas, mentes espelho, personalidades falsas e sem valor. É esta a nova geração. Uma geração de repetidores e não de criadores.

domingo, 19 de agosto de 2012

A agressividade...


A "agressividade" de uma criança é condicionada pela maneira como os pais lidam com a mesma. A maneira como fala, como se expõem, como comunica física ou verbalmente, para ela ou perante ela moldará a sua estabilidade ou instabilidade psicológica, emocional e até mesmo o da aprendizagem, socialização e capacidade de responder a estimulas da maneira "correcta" (sem agressividade), e dificuldade em ser carinhoso, bondoso, educado.
A falta de afecto dará origem uma criança incapaz de saber e de dar amor aos outros. Será muito distante emocionalmente. Terá dificuldade em ser afectuoso de forma física e verbal, e na incapacidade de o ser nesse aspecto, com abraços, palavras de apoio, "comprará" as pessoas que ama ou que o amam, com objectos ou acções como por exemplo jantar fora, dar uma volta de carro mais do que um convívio em família.

Tal como pôde ser ouvido, numa pequena "noticia" sobre cães perigosos e cães no geral, na SIC, em que as atitudes dos cães são influenciadas única e exclusivamente pelos seus donos. Se um rapaz é violento para outras pessoas, quer na forma física ou verbal, o seu cão, sendo como um "filho" fácil de absorver o seu carácter, irá agir da mesma maneira mais tarde ou mais cedo. É então aí que se destinge um bom dono de um mau dono.
As minhas cadelas, não são cães perigoso, mas são cães e como tal gostam de correr. Mas existe uma diferença entre as minhas cadelas e o restos dos cães na zona onde vivo, pois onde vivo, os cães das outras pessoas não sabem estar com o dono. Não sabem respeitar os outros cães pelo que se põem logo a ladrar sem razão nenhuma enquanto as minhas olham e não ligam. É difícil educar um cão, demora o seu tempo, é verdade, mas as minhas aprenderam a atravessar a estrada/passadeira só quando eu me meto à estrada ou à passadeira. Por vezes atiram-se à estrada mas volto a relembrá-las de que só devem passar quando eu passar. Não mordem a ninguém, apenas ladram. Não fogem de casa, nem vão para muito longe quando estou com elas onde quer que seja. Nem sempre me corre bem, e sei que também não sou o único a andar com as minhas cadelas soltas, pelo que fico um pouco mais feliz por existirem donos conscientes. E como é óbvio, que os meus cães se meterem à bulha com outro, por muita educação que lhes tenha incutido, o instinto animal é e sempre será mais forte nessas ocasiões, mas é para isso que ensinamos os nossos filhos a comportarem-se e a não serem violentos, pois se conseguirmos com que se contenham nos seus impulsos de agressividade, os ensinarmos a controlarem-se, poderemos prevenir alguns acidentes. Não todos, mas alguns.

Uma criança sem amor poderá desenvolver mais facilmente depressões, stress, fúrias descontroladas, impulsos violentos e nervosos.
Segundo as primeiras 40 páginas do livro "Vida em Família - Agressividade" de Edwige Antier (Link FNAC - Livro), a atenção e o carinho que não se dá ao bebé nos primeiros meses e anos de vida, poderá ter implicações profundas que originará agressividade. Mas a agressividade não é de todo física, é verbal, psicológica, gestual. Criam-se birras, gestos, expressões faciais, palavras, destroem emoções e sentimentos.
Na página 31 em "As atitudes correctas" (3-9 meses), retrata exactamente aquilo que muitos pais têm medo de fazer e de dar e aquilo que tenho vindo a escrever ao longo dos tempos. O dar carinho a mais pode torná-lo molengão, dar mimos físicos e verbais pode torná-lo mole e pouco "macho" ou pouco "mulher". De uma certa perspectiva, estaríamos a criar uma criança demasiado frágil.

"Não tenha medo de tornar o seu filo «caprichoso». Brinque com ele, atenda aos seus pedidos e responda-lhe, fale com ele, pegue-lhe muitas vezes. Nesta idade, não existem más intenções nem tendências para caprichos. Só o desejo de despertar, que será tanto maior quanto lhe tiver mostrado  uma imagem positiva do primeiro interveniente que para ele conta: a sua mãe." 
"Se se lhe ralha, proibindo-o de atirar objectos, dá-se um sinal de mal-entendido total, pois não havia má intenção da parte dela. (da criança) Pelo contrário, aprende que atirar objectos pode conter uma intenção agressiva para com o outro e, então, a pouco e pouco, renová-lo-á deliberadamente. Desse modo, ter-se-á ensinado a agressividade através da repreensão."

O que este pequeno texto quer dizer é que uma criança na sua fase de descobrir o universo que o rodeia, através de objectos e cores, tem a necessidade atirar objectos para longe ou para perto para compreender as distâncias. Tal como fala no livro algumas linhas anteriores, nós atiramos uma pedra para o posso, para perceber quão fundo é. O bebé através da repreensão, irá associar uma acção violenta. E quando mais velho, atirar um objecto é sinónimo de violência e agressividade. Como todos sabem, os impulsos instintivos que todos os animais possuem é algo fácil de rebentar. A primeira coisa que ele fará em atirar objectos. Ora, mas eu não estou a dizer, e ninguém disse para não se avisar ou chamar à atenção de uma criança já com o seu cérebro mais desenvolvido, é a partir do 1º ou 2º ano, que a criança começa a tomar consciência de que é um ser humano, que caminha e pode falar e é aí que se deve ensinar que atirar objectos a pessoas é mau. Deve haver consciência educativa.
Da mesma maneira que associamos perfumes, cores ou nomes a uma emoção, um sentimento, uma memória, os bebés fazem e farão o mesmo. A razão de associarmos memórias e sentimentos e emoções é pelo simples facto de serem fortes, de causarem grandes repercussões no nosso sub-consciente. É a forma, que nós humanos, desenvolvemos para aprender depressa.

"A segurança afectiva que o bebé sente com os pais é indispensável à sua construção psíquica."
A não fazer - pág. 33

Na pág. 31 em "Braços Estendidos: pegar-lhe?", aborda a situação que falei acima. Um bebé que "pede" colo, não pede apenas colo, pede atenção, pede carinho, e o "gritar" e agitar os bracitos no ar, é uma maneira de o bebé dizer: "Quero carinhos! Quero atenção!". Se os pais berrarem com ele ou lhe negarem a atenção que tanto pede ficará a pensar que pedir atenção é algo mau, negativo. Começa a perder a confiança nos pais, a sentir-se frustrado. Quando deve ser o contrário. Tal como abordo noutros textos, devemos dar atenção aos nossos filhos, fazê-los sentir amados, valorizados. Se nos disponibilizarmos em responder aos seus pedidos de amor, nos interessarmos em responder às suas perguntas ou ajudarmo-los nos seus momentos de descoberta, mesmo quando bebés, estaremos a incentivar as suas mentes a agirem, mais tarde, sozinhas.

Algo que este livro "Vida em Família - Agressividade" de Edwige Antier, tenta mostrar é que o amor "em excesso" não existe, apenas sim e só, falta dele! Pelo que consegui auto-consciencializar pelas poucas páginas que já li, é a de que "temos" a mania de que dar demasiado carinho ou atender-lhe a todos as vontades quando crianças, que os vai tornar mais moles, mais sensíveis, menos activos, mais dependentes. Quando o grande problema não é no inicio da vida mas depois de a própria criança compreender o que é e onde está. O verdadeiro perigo para a educação cívica de uma criança começa aí.
Nós humanos, quando bebés, exigimos atenção física diferente de outros animais. Não é exclusiva pois até macacos bebés esticam os braços para as suas mães e nunca se viu nenhuma mãe, eu pelo menos nunca vi, negar o colo ao seu filho ou atenção. Onde eu quero chegar é que, os gatos e os cães que andam demasiado ao colo ficam moles, porque não estão habituados. Mas não é o facto de estarem ou não "habituados", mas sim o bater do coração. Todos os bebés e crianças ao colo dos seus pais, acabam por adormecer. Mas ainda existe outra coisa, é que nenhum gato ou cão é levado ao colo durante tanto tempo nos seus primeiros anos de vida. Daí a não se habituarem. A ficarem moles porque não é esse tipo de atenção física que exigem dos seus pais.

Quando se trata de um bebé, não se deve tratá-lo de uma perspectiva de pessoa, mas de humano. Tal como os pais animais tratam os seus filhos. Os seus filhos não acabam por ser menos que os outros por terem mais atenção, mimos, carinhos e abraços. É preciso ajudá-los a tactear o novo mundo que desconhecem. É preciso ajudá-los, acima de tudo, a reconhecer amor, a sentir amor, a fazem-nos sentir protegidos e correspondidos. Pois uma criança que comunica, que é incentivada a exprimir-se, que é valorizada pelas suas conquistas e acarinhada sempre que o deseja, será uma criança feliz capaz de ser simpática e amável para toda agente.
Algo interessante que li há uns dias, foi a necessidade de educar as crianças para respeitarem a natureza, as plantas e os animais.

Algo que vi num documentário, foi a mãe deixar o seu filho chorar durante a noite, porque queria sempre colo. E a mãe era incapaz de o deixar sozinho. Até que pediu ajuda e a senhora lhe disse para o deixar chorar, e isso é algo que me faz confusão. Qual era a razão de o bebé chorar tanto? O que é preciso entender antes de mais, é que o bebé, neste documentário, era filho de uma mãe insegura. Extremamente insegura que ao menor choro e esbracejar, a mãe estava colada de volta do bebé. Não a censuro. O que aconteceu foi que passou essa sua maneira de estar e de agir, de olhar, de comunicar, através de expressões faciais e emoções exteriorizadas, para o seu filho. Em "A Inteligencia aprende-se", refere que o bebé mesmo estando numa divisão da casa diferente da de onde se encontram os pais, que sentem a sua presença, a sua maneira de estar e de falar. E li à uns dias, que mesmo não estando fisicamente presente junto do seu filho, que a comunicação verbal também ajuda bastante a desenvolver a sua própria capacidade oral de se expressar e a sua inteligência cognitiva.

Muitos pais não sabem ser pais, eu não o sei nem nunca o saberei, mas o aspecto principal e importante nesta afirmação é de que os pais não se preocupam em serem "bons" pais. Não se preocupam em se conhecerem a eles primeiro, antes de deitar no mundo o seu rebento. Não se informam, atiram-se de cabeça muitas das vezes, vão a reuniões quando percebem que não estão a fazer grande coisa, ou que os seus filhos não estão a agir como esperavam. Eu preocupo-me "bastante", e ainda que eu ache que seja insuficiente, tenho consciência de que já é mais que muita gente da minha idade, mais nova ou mais velha. Tento comprar livros que me ensinem, que me façam ver as coisas de maneira diferente. Não compro tantos como gostaria, é verdade. Mas antes de poder ler um livro, preciso de me conhecer a mim, de dicecar a minha maneira de ser, de agir, de aprender, de falar, de comunicar, de me expressar. Preciso de me conhecer antes mesmo de conhecer e namorar com uma rapariga. É preciso haver comunicação, troca de palavras, compreendermo-nos um ao outro, antes sequer de interagir com o nosso bebé. Mas como é óbvio, vão pensar que penso demais, que sou exigente ou muito maçudo, que penso em tudo e me preocupo demasiado ou com demasiadas coisas. Mas aquilo que eu não quero ser é como os outros pais.
Esse é a minha visão, a minha vontade, e a minha maneira de ver as coisas.

Deve-se ter consciência da maneira como se educa, se fala, comunica, expressa para um filho, caso contrário poderemos estar a fazer pior do que pensamos.
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Cuidado com os rótulos nas crianças

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

És parte de mim...



Esqueci a pessoa que eras, o rapaz por quem senti desejo, uma atracção e uma forte vontade de abraçar. Ouvir-te falar era o melhor que uma rapariga como eu poderia receber de um rapaz com tanto para dizer. As tuas conversas não me incomodavam, não eras chato e adorava a tua ideia diferente de veres e colocares as coisas. Parecia que bastava mudá-las de sitio ou sentarmos-nos numa pedra diferente deste Buçaco, e tudo ganhava um novo sentido. Mas era tão difícil eu perceber isso... que só via quando estavas por perto. Mas... quando realmente estavas perto de mim, com o teu ombro encostado ao meu e me olhavas nos olhos, eu sentia-me vulnerável, irrequieta, frágil e muito, mas muito, pequenina. Os teus olhos penetravam-me a alma, o corpo, a minha mente. Sentia por ti um desejo tão físico de te ter! Um desejo de sentir os teus braços em volta do meu corpo carente de carinho e amor. Sentia-me estranha, com um desejo emocional tão forte por ti que todos os meus namoros pareciam uma piada comparados com aquilo que sentia por ti quando me olhavas. A tua presença assustava-me. Arrepiava-me a alma e fazia-me sentir viva! Estar ao teu lado, sentir-te ali a ouvir-te falar ou mesmo quando te calavas para me ouvir ou escutarmos o som da natureza, o meu corpo gritava para nunca fosses embora.

Ver-te pela primeira vez depois de tantos anos, sim, para mim pareceram anos, décadas! Tiveste demasiado tempo longe de mim meu doce amor, meu sonho de infância... Despertas-te em mim algo que nunca senti por ninguém. A minha visão afunilou e olhei-te ao longe. Uma explosão de emoções percorreram-me o corpo, senti-me envolver em sentimentos tão fortes por ti que não sabia bem o que dizer a não ser desejar abraçar-te, beijar-te, sentir o teu corpo, os teus cabelos, deixar-me hipnotizar pelo teu cheiro, despir-mo-nos na cama e beijar-te o corpo com ternurosos beijos, acariciar-te a alma e segredar-te ao ouvido:
-- És a rapariga mais bela que eu tanto amo e desejo...
Ainda me lembro de te ver ao longe, de capa e cabelo arranjado. O olhar que me lanças-te foi tão mágico e senti-te tão perto de mim, que andar parecia não fazer sentido. Conversámos a noite toda sem nunca me incomodares com o que quer que fosse. Sinceros um com o outro. Partilhámos os nossos medos e os nossos pensamentos, e ainda que muita gente os tivesse, eras tu a única que me fazia sentir compreendido.
Já perto de te ires embora, encostei-me ao teu ombro por breves segundos, e pude sentir o teu corpo recolher-me nesse teu canto, no teu encanto. Tocaste-me a alma e fizeste-a vibrar em sintonia com a tua. Nesse momento único... deu-me vontade de chorar. Havia esquecido a pessoa que eras... e até a ultima conversa má e fria que tive contigo, para que alguns meses depois te enviasse uma mensagem a convidar-te para apareceres na feira. Mal eu sabia que o reencontro me faria apaixonar por ti novamente... mal eu imaginava que aquilo que sentia por ti e tinha esquecido, ainda fazia o meu coração fervilhar, tudo aquilo que sou, sentia-se protegido ao lado de uma rapariga tão mágica como tu!

Se nunca ficarmos juntos, quero pelo menos vir a sentir por outra rapariga, aquilo que sinto por ti cada vez que trocamos olhares... és parte de mim.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O gato saltitão...


Uma colherada de iogurte, num dia fresco de verão, e o Tubias nunca mais foi o mesmo...
Aquilo gatito branco e alaranjado, era o mais saltitão que havia passado naquela casa. Atirava-se a tudo o que mexia e parecia comestível. Era um traquinas que fazia asneiras e fugia quase sem deixar rasto. Quando saia de casa para o quintal relvado, abaixava-se e punha-se a olhar para os passaritos, de repente, lá saltava ele, meio atabalhoado e sem jeito. Corria em pulos e com as garras no ar, não tinha jeito para a caça... Não precisava, a sua comida aparecia sempre a horas numa tigela vermelha de plástico, e a água era sempre fresca.
Não usava a cama que lhe compraram, pois qualquer parte da casa era o seu local de descanso. Ora dormia no meio do sofá, entre as pernas de Mariana, a dona e amiga de Tubias, ou até mesmo de barriga para o ar na mesa do quintal. Era um molengão... preguiçoso até dizer chega. Foi preciso aparecer a Francisca, uma gata muito independente, para que ele começa-se a crescer. Demorou algum tempo até que a Francisca o deixa-se aproximar-se, mas ao fim de uns meses, os dois já passavam juntos. Saiam de casa com o pequeno almoço na barriga e saltavam de muro em muro, miando um para o outro. Comunicavam. Finalmente comunicavam! Comunicavam? Ou partilhavam? Será que cresciam e ensinavam coisas um ao outro? Seriam realmente amigos? Não estaria Francisca a miar, tanta vez, para o Tubias ir embora?
O que diziam um ao outro? Francisca intrigava-se. Queria saber porque miavam tanto quando estavam juntos, e pareciam chorar quando se perdiam um do outro. O miar era diferente, e isso percebia-se facilmente.
Tubias e Francisca, rapidamente se envolveram numa relação mais séria, e ao longo de penosos meses, a barriga de Francisca tornava-se cada vez maior. Estaria grávida de 4 gatitos. Quatro pequenos gatitos malhados muito quietos. Ah!! Como o tempo passa, hoje Mariana já mal os vê. Desaparecem durante 3 dias e só voltam quando a fome aperta.

Todos os animais mudam. Mudam em consciência. Mudam por amor, por atracção. Tubias podia nem falar para Francisca, mas aconteceu Francisca não ser assim tão fria como Tubias pensava. Não tinham nada que os fizesse separar. Nem a música, nem filmes, nem canais de tv favoritos, roupas, piercings, tatuagens... apenas ciumes.
Será que vivem mais felizes? Que sentem muito mais amor? É fácil de perceber que, de uma certa perspectiva, namoram com mais gatos e gatas com maior facilidade, mas são realmente tão humanos como nós gostamos de pensar? Seriam um casal de gatos que teve sorte no "amor"? O que aconteceu para se darem tão bem? Não existem almas gémeas, mas existem pessoas que nunca se tendo beijado, abraçado ou conversado, para que a sua presença física provoque gigantescas explosões nas emoções. Não é um amor, desejo ou paixão apenas e só pelo sexo, por instinto, por atracção de macho e fêmea. É uma atracção de amor, de emoções, de vontade de se sentirem fisicamente, de se abraçarem, de se tocarem de uma forma tão profunda que um beijo, um simples beijo é o culminar, será um orgasmo emocional, psicológico e físico.

Uma colherada de iogurte, e aqueles gatos não voltam a comer whiscas tão cedo!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Um presente diferente...


Hoje ela faz anos, a Inês, menina com cabelos cacheados muito loiros e uma cara sempre com ar traquina. O pai ajoelhou-se perante a sua filha enquanto a acariciava nos cabelos e nos ombros, disse com um pequeno sorriso.
-- Hoje o Papá e a Mamã não te vão dar uma festa de anos.
A pequenina olho para o pai e depois para a mãe há espera de algo que indicasse que o seu pai estivesse a mentir. Muito inocente, sem perceber bem porque é não merecia uma festa de anos, nem amigos, nem prendas, nem bolos, ficou-se a olhar para os pais, um pouco confusa.
-- Hoje vamos a um sitio especial. -- falou a mãe desta vês, que afagou a cara da sua filha.
-- Hoje somos só nós os três. Sozinhos numa aventura. -- finalizou o pai com um sorriso.

Saíram de casa, e o papá colocou música clássica. Algum tempo mais tarde, o carro parou e qual não foi o espanto de Inês, quando percebeu que estava perto de um castelo, e que o único caminho para o conquistar com as suas mãos, os seus pés e os seus olhos, era ter de atravessar uma floresta por um caminho sinuoso, escadas em pedra e por vezes sem onde se segurar.
A mãe na frente e o pai atrás, rapidamente a pequena já corria e subia pelas pedras e caminhos que inventava. Não podia ter imaginado uma prenda e uma festa de anos melhor.

"O importante não é chegar ao destino, é como caminhamos e aprendemos até ele." Porque a menina não saltava e subia em vão. Não parava de correr por desobediência, mas porque queria ir mais longe, queria ser ela a descobrir, a aprender. Aquela... aventura não era só mais um passeio, nem só mais um dia diferente. Os pais de Inês faziam questão de lhe ensinar pelo menos uma coisa por dia, e que ela cresce-se sozinha. Que fosse consciente de quem era, das suas capacidades. Queriam que se sentisse livre, amada e valorizada. Podia não ter toda a bonecada que pedia, mas nada do que fazia com os seus pais era em vão. Tudo tinha valor, nada era "nada". Até mesmo o entornar do leite na mesa, a faria perceber que se tivesse mais sossegada não virava o copo sem querer e que as toalhas eram a melhor coisa para absorver. Havia coisas más, mas os pais não as viam única e exclusivamente como coisas más, coisas parvas; Davam educação, mas também consciencializavam e ensinavam. Sentava-se com o seu mais querido rebento e faziam uma introspecção. Não eram lições de moral nem valores sociais, eram valores de dois pais, com o desejo de ver a sua filha tornar-se e ir mais além daquilo que tinham sido.

Inês irá perceber um dia, que o maior presente que os pais lhe puderam dar, não foram só as viagens e os passeios "diferentes". Foi tudo aquilo que viu e esqueceu. Tudo aquilo que caiu e aprendeu. Hoje... seria um dia diferente para um futuro mais consciente.