sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Aos teus olhos...


Aos teus olhos... posso não ter valor, não ser um modelo, um pai, um bom amigo, não saber falar ou dar amor. Posso não ter  jeito, para ti ou para os outros. Posso não saber tanto, não ter estudos ou não saber estudar. Posso não ter dinheiro, boas roupas ou amigos. Posso ser duro, difícil, teimoso e insensível. Posso não ser nada, e sem saberes... ser tudo o que desejas.

A função dos filhos é duvidar, a dos pais, é fazer acreditar que "tudo" é possível.

Não nasci como mais um, para ser mais um, mas simplesmente para ser. Crescer um. Não um objecto e muito menos ovelha de rebanho. Não cresci nem fiz as coisas da melhor maneira. Não errei apenas porque era e sou "criança", que não conhece a "escola" da vida. Errei porque me foi dado espaço para tal, para sofrer, repisar e aprender. Olhando para trás, sendo eu um garotito ao lado de gente mais nova do que eu, tinha talvez... visão, sentimentos. Um dicionário, uma enciclopédia de argumentos que se tornaram em colecções gigantescas que eu próprio desconheço e esqueci. Mas sendo eu apenas um rapazito, aos teus olhos, bastou-me uma conversa de 3 horas com alguém 40 anos mais velho, para perceber que grande parte  daquilo que tanto debatia e ensinava, já me ocorria na mente desde que era vivo e tinha consciência de mim próprio. Porque eu pensava ser um grande bardamerdas que não sabia nada, e afinal, sou só um bardamerdas. Um bardamerdas que é melhor do que acredita ser.

Nada do que faço, para mim mesmo, é em vão. Nem livros nem colecções, nem textos nem filmes o serão. Têm um propósito, futuro e não a curto prazo.

Aos teus olhos serei apenas mais uma cara na multidão, uma personagem desfocada que nunca entrou na tua vida. Um objecto inanimado que não te faz reviver momentos, relembrar memórias, ou chorar sentimentos.
E tu, sem saberes, sou muito mais do que aquilo que vês, daquilo que achas e que ainda acreditas...
Não precisas de ainda acreditar naquilo que achas, tu, que me vês apenas com olhos e algumas memórias daquilo que achas que eu fui e que tu própria sempre acreditas-te que foste, que és e virás a ser.

Sendo eu, para ti, uma simples ave, desconheces as minhas capacidades...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O teu quarto gélido...



Ao cair no rio, transbordo-o, saceio-te a sede e escorro nos teus momentos mais tristes. Navego por ti, nas ondas do teu cabelo, enfrentando as tuas duas sereias e uma grande princesa, escondida, enfeitiçada e acanhada.

As mãos frias tocaram-lhe o peito, sem resposta. Separou ligeiramente os lábios, à espera que as palavras deslizassem sobre a língua, com algum carinho.
Ele adorava a sua doce voz, muito feminina, com agudos e graves que lembravam a primavera e os jasmins. O ambiente silencioso tornou-se num simples momento. Não havia incómodo pela ausência de palavras trocadas ou dos barulhos quotidianos. Ela fechou de novo a boca, e olhou-o nos olhos, deambulando pela cara que a fazia uma certa cocega brincalhona no seu pescoço, atravessando os contornos da orelha, acabando por explodir como confetis de memórias no seu cérebro. Desceu o olhar acastanhado, presenteado de ouro, pelas veias do pescoço, ele virou a cara para olhar pela janela, e derreteu-se de desejos com o encher do peito, de ar e de um grande suspiro inaudível.
Sentia-se observado. Olhando pelo canto esquerdo do olho, localizou sem dificuldade, a cara branca e os cabelos escuros, num quarto pintado pelas cores de uma rapariga embonecada. Estava a vários passos de distância, encostada à baixa armação de madeira na cama, iluminada, por pouco tempo, pelo sol que caminhava em direcção a casa.
Fitando o corpo dele, uma nuvem voo em frente ao sol e rapidamente se sentiu viva de novo. Com um olho meio fechado, virou a cara para a estrela, deixando que afasta-se da sua cara fria o gélido inverno que se sentia dentro do seu quarto.

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Seguimento de: Dói já não te reconhecer...

domingo, 17 de fevereiro de 2013

A tua mente num frasco...


Nós que somos incapazes de ter limites, podemos desejá-los até mesmo suplicar que aconteçam, para que os políticos ganhem finalmente asas?
Escolher e já não submeter-se.
Ser finalmente livres. 
Há que recordar que a sociedade também é uma obra nossa e que temos de começar pelo indispensável revolução do espírito, das mentalidades.
Cada um de nós deve encarnar, acompanhar e até mesmo exigir a mudança que quer ver nascer, contribuir com uma música íntima para fazer dançar o mundo. 
O síndrome Titanic
"Mudar" o mundo, é algo que "todos" gostavam de poder fazer. Mudar para melhor, obviamente, implementar sucesso, vacinas e paz pelo mundo, acabar com "todas as doenças" e a "fome". É bonito dizer-se. Porém, é necessário perceber que a estrutura que governa e faz o mundo mover-se, é inalterável e não pode, de maneira alguma, ser alterada, melhorada, para bem, para o bom senso, para o respeito, para a amizade e cooperação. Não somos animais "calmos", somos animais territoriais. Não somos animais pacíficos, somos interesseiras e invejosos. As nossas hormonas guerreiam com as do vizinho do lado numa batalha que já dura à mais de 300 000 mil anos.
Será por tanto, impossível, instintivamente, travar algo que nos é natural.
Existe outra parte, que engloba a psicologia do individuo. A maneira como comunica, como vive, como ouve e compreende. Aquilo que é capaz de discernir de "importante", "urgente" dos bens de "primeira necessidade". Os bens de primeira necessidade, têm-se vindo a alterar, para pior. É verdade que uma pequena parte da população ainda possui um cérebro e coloca-o a funcionar sempre que pode, para não apanhar pó, mas os restantes 99%, esperam que lhes seja dito o que pretendem, o que devem comprar, de quem devem gostar, o que devem fazer, com quem podem dialogar, o que devem odiar, que tabus ter, que grau de sabedoria académica é preciosa para o seu futuro. Já que toda a sua vida se resuma especial e unicamente à entrada da universidade, às notas e à sua média, poder-se-á dizer que a sua vida é patética e insignificante. E posso afirmá-lo, pois 80% dos alunos, são cerebralmente afectados única e exclusivamente para se dedicaram ou não aos estudos, mas não a mais do que isso. E como um amigo meu me disse recentemente: "Eles poderão de lá sair com notas altas, com mestrados, licenciaturas, diplomas disto e daquilo, mas muitos desses, irão saber muito menos do que tu ou eu.". Não foi pelo facto de ter tirado melhores notas, foi e é pelo facto de não fazer dele, o barro imoldável, imutável, criado pela sociedade, uma ferramenta. Uma auto-ferramenta. Não fazer de si algo. E ele tem razão no que diz, e já eu dizia o mesmo. Não digo que não haja gente boa, porque há, mas se as à, o que fazem de si? Que projectos têm? O que podem vender quando saírem de um curso? Ao fim de 3 ou 4 meses esquecem "toda" a matéria que assimilaram. É um facto, a não ser obviamente que goste muito daquilo que faça e que tenha aprendido. Mas até o meu professor de programação era e é um dos melhores programadores, que sabe programar em várias linguagens diferentes, e por vezes, na altura em que me dava aulas, esquecia-se de como fazer certas coisas. Tinha de ir para casa e estudar, ou pesquisar na internet. Dizia-nos ainda, nos testes, que podíamos usar apoio, usar o caderno, mas não o telemóvel. Óbvio.
Escolher e já não submeter-se. -- O síndrome Titanic
Porque ninguém, mesmo ninguém, hoje em dia tem o poder de escolher e de decidir por si. Ninguém é capaz de usar os seus próprios sentimentos, criados de raiz e envoltos em memórias. Ao contrário disso, usam o que lhes foi incutido. Emoções e opiniões manipuladas. Ideias implantadas, cerebralmente agrafadas como o Abecedário. É o que se denomina de "Mensagem Subliminar".
Da Vinci tornou-se conhecido por contar mensagens escondidas nos seus quadros, no publico em geral, quando o livro "O Código Da Vinci" saiu em formato de livro e mais tarde como filme.
Stanley Kubrick é um dos, se não mesmo o primeiro, realizador a transformar todos os frames do seus filme com algum tipo de mensagem escondida. O filme mais conhecido será o The Shining, escrito pelo famoso escritor de contos de terror, Stephen King.
No filme-documentário "Room 237", afirmam que Stanley Kubrick estudou e leu, para além de ter contactado várias agências de publicidade que usavam mensagens subliminares nos seus anúncios. Estudo de fio a pavio toda a história do subliminar, para poder incorporar nos seus filmes, tudo o que pudesse sem que ninguém se apercebe-se à primeira. Pelo que dizem, ainda no mesmo filme, foi necessário quase 7 ou mais de 7 anos para que as pessoas pudessem ver o filme com outros olhos, unindo os pontos. Eyes Wide Shut é um desses casos, que usa uma história "normal" e que no entanto, cada imagem, cada frame contém informações que se descontextualizam da história em si. Objectos, palavras, quadros de parede, carpetes, padrões, música, fotografias, sombras, figurantes, cores, formas...

"Nós que somos incapazes de ter limites, podemos desejá-los até mesmo suplicar que aconteçam[...]" -- O síndrome Titanic

O filme Branded, como já falei aqui, aborda precisamente este tema. Todos os nossos desejos são fabricados e manipulados pelas empresas de publicidade, que tentam vender, que nos manipulam a opinião para comprarmos. Para terem uma pequena ideia, coisa de uma semana, entrei numa loja de sapatos para mulher, com o cantito de 2 metros quadrados para homem. Nada de anormal e a que eu já não tivesse habituado. Mas qual não foi o meu espanto, quando comecei a ver o mesmo tipo de sapato em todo o lado.
Eram TODOS iguais, e só se distinguiam pela cor, pelos efeitos e brilhantes, pelos adornos e tipo de salto. Olhei à volta e 90% da loja estava repleta dos mesmos tipos de sapatos. Pensei logo: "Querem criar um nova moda". E foi o que aconteceu. É de facto moda. Já o são. Outra coisa muito interessante, é que eram todos feios! Pelo menos para mim. Eram sapatos de salto alto, grosso, alguns com uma inclinação enjoativa! Comentei tal facto com o meu irmão, que me disse ter lido algures que ter o pé apoiado durante tanto tempo sobre os dedos, causa problemas de coluna, problema a nível dos ossos do pé, e deforma a própria planta. É um "hábito" que as mulheres querem ver implementado nelas próprias, só para poderem mostrar o riquismo e a segurança que sentem. Querem ter aquele caminhar distinto sobre saltos altos finos e "poderosos". Querem mostrar força. E no entanto, acabam por deixar de ser mulheres para serem modelos pré-fabricadas pelas industrias de moda.

O riquismo e a superioridade...
Eu quero, posso e Compro!
Pronta para arrasar?
O divórcio em Portugal...


Não somos nós que exigimos algo novo, são as marcas que nos vendem a vontade de comprar!
Não somos nós que decidimos, são as marcas que decidem por nós!
Não somos nós que compramos, são as marcas que nos controlam o desejo de ter. Porque... sejamos realistas, os produtos Apple são MUITO bons, lindos, bonitos, eye-candy/ atraentes e caros. Significam riqueza, poder, status social. Mas não servem absolutamente para nada. Quem compra, tem mesmo só para mostrar, só para dizer que tem um, que tem dinheiro. É um objecto mais por ... do que por necessidade.

Vamos pegar no reclame da Coca-Cola Zero, que eu julgo que toda a gente já conhece. Youtube (Esp.)
Não sei se já alguma vez leram na internet ou nalguma revista, que o vosso dedo do meio é o maior de todos os 5 na vossa mão. Ou outro tipo de factos interessantes que vos coloca a olhar para o corpo todo no momento em que o lêem!? O que este anúncio faz, é precisamente a mesma coisa. Utiliza a vossa curiosidade, falta de atenção, falta de informação, para além dos tão famosos neurónios-espelho, para vos incutir o acto de beber. Um bom exemplo é o Bocejar  Contagia-se com uma facilidade assustadora, tal como a tosse.
Utiliza a manipulação psicológica sem que a própria pessoa saiba que o acto de beber foi provocado e implementado nela, sem ser necessário tocar na pessoa ou lhe dizer o que quer que seja. O cérebro vê, assimila e faz. E não há nada de mal com isso. Todos temos esse mecanismo de espelhos, e a razão é simples: "Permitiu-nos, desde o inicio da nossa evolução, aprender mais rápido e melhor." É por essa razão que os truques de magia e de ilusionismo funcionam, porque se aproveitam das falhas do cérebro. Há os que olham, e os que vêem. Daí as mensagens subliminiares terem um grande impacto na população em geral, porque estão apenas preparadas para olhar e ouvir. Nunca vendo e interiorizando.
O famoso ilusionista Derren Brown, fez um espectáculo especialmente dedicado sobre o assunto. "Derren Brown - Something Wicked This Way Comes" - Youtube
Continuando, a pessoa é levada a fazer acções que lhe parece perfeitamente normal e construídas por si própria, costuma-se dizer que todas as decisões são nossas. Que todos temos opiniões, que somos diferentes. No entanto, tem-se vindo a dizer que as pessoas pensam que existe Democracia em Portugal ou Liberdade, coisa que não é de todo verdade. Não existe Democracia nem Liberdade em Portugal apesar de as pessoas terem essa ideia pré-concebida, pré-implantada e implementada. Julgam ter poder na sociedade, porque lhes foi incutido como sendo um dado adquirido. Algo é assim, porque já o é à muito tempo.


As pessoas são assim controladas pela publicidade, pelas marcas, pelas imagens, cores e palavras, que lhes parecem inocentes e contextualizadas. É uma informação "tácita" que percorre o cérebro sem elas próprias saberem. Tal como o bocejo ou a tosse. E o grande problema desta manipulação psicológica do individuo  é que acontece e está presente em todo o lado!
Este tipo de manipulação dá-se a vários níveis.
Psicológica: Amor, respeito, opinião própria sobre determinado assunto, capacidade de auto-reflexão, auto-estima, auto-imagem social (ver-se ao espelho), sentimentos, emoções, desejos, objectivos, necessidades, prazer, compreensão e visão do mundo que o rodeia, formas de socializar.
Física: Aparência, auto-obrigações, auto-penitências, dietas, obrigações sociais, capacidade de discernir beleza, exigência por perfume, tipo de cabelo, cor, exigência física na escolha do parceiro.
O acasalamento entre dois homo-sapiens deixou de ser algo natural, para passar a ser um "algo" comercial, que se possa vender e manipular, re-escrever e embelezar.

As mulheres gostam de preliminares  do charme que os seus homens lhes possam proporcionar antes do sexo, porque estão preparadas instintivamente para serem seduzidas pelo macho. Acontece com todos os animais, e os humanos não são excepção, por tanto, a razão de as mulheres gostarem de preliminares  é pura e simplesmente porque estão desenhadas e programadas para serem compradas com tempo, com danças, com cheiros, com cores e cantigas, como sempre foram ao longo de milhões de milhares de anos. Desde as Andorinhas às Suricatas.

Mudar o mundo, tal como o conhecemos, e desde que o conhecemos, que é algo impossível  Alterem a forma como as pessoas processam a informação, alterem as escolas e o sistema de ensino, e o que irão ver se não mudarem o resto, com ou sem leis, serão guerras anárquicas. Serão lutas porque uns acham que algo está mal, ou porque outras acham que estão a ser manipuladas. É, desta maneira, impossível melhorar o que nos manipula e ainda gere dinheiro com isso. E! Terão de consciencializar de que nem todo o progresso traz algo de positivo. "Surviving Progress". A nossa geração está a ser moldada em todos os sentidos, desde os filmes às músicas, passando pela maneira como as pessoas interagem neles, nas séries, no que dizem e no fazem. Tudo se torna num meio, num objectivo para nos ser comercializado, exigido.

Não me referindo necessariamente a tabus, as revistas (neste caso, refiro-me à Cosmopolitan porque foi a que tive acesso mais recentemente) falam muitas vezes em usar abordagens sexuais para manter um homem interessado ou, simplesmente, para perder as calorias extra para caber num tamanho "XS" e, agora, parafraseando: "Na manhã de domingo faz sexo duas vezes e "obriga" o teu namorado a prolongar as sessões, pelo menos, 30 minutos para perderes 350 calorias".
Assusta-me viver num mundo em que o sexo não é visto como algo natural, algo que vale por si e é complementar ao amor, não, parece que é uma simples moeda de troca, um meio para atingir um fim. Uma espécie de sacrifício para um bem maior. Brrr.
Beatriz em Vamos falar de sexo (?)

O livro 1984 de Eric Arthur Blair ou George Orwell, apresenta já na altura, algo que só podia ser imaginado. "Big Brother" foi um conceito criado pelo próprio, e todos nós hoje sabemos o que significa. De uma forma muito sucinta, significa que todos os nossos passos e acções estão a ser observados 24h/dia 7 dias/ semana.
"It's really hard to design products by focus groups. A lot of times, people don't know what they want until you show it to them." — Steve Jobs, 1998

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um pincel e três guaches...



Existe um chilrear que dança no ar...
Uma caixa de guaches que pinta o momento.
Um lápis desenha e assombra as nuvens no papel limpo pela lixívia.
Os guaches choram rios coloridos, serpenteantes, banhados pela cera arenosa.
Soltaram as crianças, como balões, como pomba livres.

Sem ninguém se aperceber, a natureza cruzou-se com a alegria e os sorrisos rasgados. A euforia dos pequeninos entrelaçou os dedos com as flores, deixando os raios de sol encaracolar os seus cabelos rebeldes. Fizeram-se corridas entre borboletas. Saltitaram entre os riachos, criaram ramos de flores e ofereceram-nos às meninas.
E estas fugiam, de rapazes com as mãos porcas da terra e minhocas penduradas nas pontas dos dedos.
Quando a fome apertou, os rapazes subiram às árvores, deixando cair para as pequenas camisolas das suas namoradas, fruta. A fruta mais doce e suculenta que poderiam encontrar. Porque "roubada" sabe sempre melhor...

Debaixo de uma grande árvore, sobre uma larga toalha, sentaram-se todos, para contemplar no sossego incomum de criaturas energéticas, o fim do mundo rasgado de luz, encoberto pela escuridão que traria as aventuras do medo.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O riquismo e a superioridade...


O riquismo em portugal e a superioridade dos filhos.
O individualismo.

O riquismo invadiu desde à muitos anos, a mente dos portugueses, afastando a razão e a capacidade de raciocino lógico do seus cérebros. Passam a vida preocupados com a riqueza. Com dinheiro, com estatuto, com cursos grandes e caros, com saídas profissionais de sonho, com empregos de prestigio, carros, casa, roupas... até uma saída às compras elas têm de ir bem vestidas e apresentáveis, não é por irem engatar alguém, mas para serem observadas. Para que todos as olhem e comentem o quão bonita e bonito está.
A mania do acharem-se importantes, de que por terem dinheiro são mais, de que por se vestirem melhor, ou serem "grandes" de onde quer que venham, significa que possam criticar desalmadamente quem não o é e quem não o tem.

Vi num blog, uma mãe apresentar fotos suas com a sua filha numa biblioteca, dando um ar mais superior e de intelectualidade às duas. Foi, teve e tem um propósito psicológico. Colocar-se acima dos outros. Mas algo que me "incomodou" ainda mais, foi o facto de apresentar as roupas da filha e as dela, como uma passagem de modelos de uma revista de roupas caras. Transformou e transforma a filha num brinquedo, num quadro que mostra a todos os que passam por ela, como se fosse a coisa mais incrível do mundo. Saíram à rua com as melhores roupas, porque se saírem com umas calças diferentes, já não lhes fica bem, e não combina... "com a mala chanel."
Querem tudo! Querem ter tudo e fazer tudo! Uma era de consumismo. Uma geração destruída e em declínio. Futuros "pais" que nunca souberam ser crianças, adultos, que nunca souberam aprender a crescer.

Nós que somos incapazes de ter limites, podemos desejá-los até mesmo suplicar que aconteçam, para que os políticos ganhem finalmente asas?
Escolher e já não submeter-se.
Ser finalmente livres. -- O síndrome Titanic
Querem ser mais do que os outros, dê por onde der! Querem subir mais alto, nem que para isso calquem e pisem quem estiver no caminho. É um riquismo por comodismo, por ganância, de ódio e inveja. Não têm amor, não têm respeito nem educação, apenas uma empatia criada pelos seus neurónios espelho. Preocupados com a moda e a publicidade. Com a partilha obsessiva do que não interessa à cultura psicológica de um conjunto de civilizações de filósofos, músicos e conquistadores. Uma destruição atrofiada e guiada pelos sonhos, pelo desejo de ser cantora, ser actriz e dançarina de hip-hop. Porque o entretenimento é importante, e a educação fica em segundo plano. E se não ficar em segundo plano, o tempo tratará de baixar o seu QI para o mesmo nível que tinham quando ainda andavam nos tomates do pai.
Porque ter acesso a informação não é o mesmo que se ser inteligente, e ser-se inteligente, não é sinónimo de "cultura geral". Porque ter um curso universitário não é diferente de um 12º ano. Talvez as experiências sejam diferentes, mas não a maneira como se estuda. Continua-se a estudar, e isso não é novidade nenhuma.
E se no entanto, não tiverem um curso universitário, continuam a crer ser gente com dinheiro, com riqueza e com paz no mundo. Querem um emprego "decente", "honesto", para não serem criticados. Porque o tabu destrói a reputação de uma pessoa, e elas não querem ser vistas como borralheiras de gatas, de caras feias.
Porque é mais importante ter um curso, do que saber usar o que aprendeu nele. Porque é mais importante ser-se universitário com boas notas, do que um universitário com qualidades profissionais. Porque é mais importante ter-se experiência, do que ter uma oportunidade para as poder ter.
Saber muito não é o mesmo que ser inteligente, e no entanto, é por pessoas se acharem confiantes demais daquilo que são e daquilo que querem da vida, e não na vida, que pessoas com "talento" se perde, como é o caso de um rapaz tenista de mesa que ficou em 2º lugar no mundo, e o português que bateu o record da maior onda surfada. Porque o que é estrangeiro é que é bom!!! Ainda assim, existe muito português povinho e português altês (da classe alta) que se acha no direito de se sentir mais só porque os papás têm. Calcam e não têm respeito.

Antigamente havia pobres e ricos, agora tudo quer ser rico.
-- Eu tenho um carro e tu tens uma carroça.
Hoje, é pior do que há 20 anos. Hoje, todos querem ser mais do que os outros. Querem ser melhores, ganhar mais, subir mais.
Como dizia um senhor na Sic em "Os Comentadores": Os portugueses são muito trabalhadores, mas não se dão bem. São invejosos, são sumiticos. São como macacos! Os macacos não trabalham em conjunto, porque são invejosos! Porque sabem que terão de partilhar aquilo que conseguem, com o outro, e preferem não ajudar, não trabalhar em conjunto, do que ter fruto partilhado por mãos alheias.

Querem luxo, sonham com glamour, com dinheiro, com poder económico e profissional. Sonham, mas não sabem criar. Sabem manipular as regras para proveito próprio. 

Li algo na internet, de que os filhos de pais ricos, quando não tiverem dinheiro, não saberão o que é trabalhar para o ter.
-- O meu filho tem que ser melhor do que o dos outros!
-- O meu filho tem que ser muito bom na escola!
-- O meu filho só pode vestir e comer do melhor!
-- O meu filho só vai aos melhores explicadores!
-- O meu filho só anda nas melhores escolas!
-- Só o meu filho pode ter o melhor médico da região!
-- O meu filho é o melhor! Só tem 4 e 5! É o melhor aluno!

O meu filho, o meu filho, o meu filho...
O teu filho deveria ter era educação e não regalias que não pode nem sabe valorizar!
O teu filho deveria descer do pedestal em que o colocas e o exiges estar, e experimentar andar pelo próprio pé, e a levantar-se das próprias quedas.
O teu filho... será um delinquente. Não um "delinquente" cerebral, mas um delinquente socialmente aceite mas demasiado orgulhoso daquilo que ele acha que é e tem, quando na realidade, é pior por dentro do que aparenta ser por fora.

No Jumbo em Aveiro, na secção dos livros, enquanto folheava atentamente um livro sobre o universo, vi uma mãe olhando para uns livros com o filho ao lado, não mais de 12-13 anos e lhe dizer:
-- Estes livros são interessantes para ti Afonso! Muito fixes para ti.
-- Tenho de encontrar enciclopédias apropriadas à idade dele.
PARA TI
Livros para ele? Interessantes para ele? Muito fixes!? E para ela? Já não tem idade para ler livros? Já não tem idade para se interessar por alguma coisa literária? Já não tem pachorra nem paciência para essas coisas? Já não tem idade para coisas "interessantes", porque as coisas "interessantes" são para garotos e não para adultos? Faz-me lembrar um reclame do continente, de uma mãe que tem na mão algumas peças de lego.

Vi à pouco um novo reclame do Continente, daquela senhora a quem fartam de lhe chamar o nome?
E surge uma cena de ela a falar com algumas peças de lego à frente dela, e o que me apercebi era de que ela era como muitas mães, uma marca, uma imagem de mãe muito comercializada, daquelas mães que oferecia coisas "fixes" e boas aos seus filhos, que era "rica", que tinha dinheiro e boa saúde, que "dava" amor, era atenciosa, "dedicada", preocupada e presente. No entanto, não sabia para que servia ou no que podia ser usado o lego. É uma mulher que não sabe brincar, que vê aquelas coisas pequenas como um brinquedo "complexo" que dá para fazer muita coisa na mão dos seus filhos, mas uma coisa muito morta nas suas. Apenas conhecia metade do objecto. Não se importava nem se preocupava com a sua funcionalidade.
Não tinha consciência da potencialidade do brinquedo. Era lego, ela sabia o nome, mas para ela seria só mais bonecada espalhada pelo chão. Não percebe, portanto, nada sobre o assunto quando se fala em brinquedos. Sabe o que é e para que servem, para entreter as crianças quando está mais ocupada, mas não quer nem se interessa por mais nada. 
Não estou a ser mau, estou a ser realista.
Os pais de hoje em dia não sabem brincar, não se interessam por fazer parte desse desenvolvimento nos seus filhos. Somos um país de pais ausentes no que toca a interagir com os seus filhos.
Os pais de hoje, acham que o brincar e os brinquedos da criança, são um mundo à parte da criança, que não compreendem nem querem compreender, para além de não quererem entrar ou interagir. -- Ainda não sei, mas caminho para lá...

Na verdade, este riquismo que existe na mente dos portugueses, tem vindo grande parte da américa, com o tão famoso "sonho americano". Porém, as suas raízes vêm no inicio da era industrial, na maquinização, da industrialização. Como tínhamos tanto dinheiro, por sermos um dos únicos povos com rotas comerciais que se espalhavam por todo o mundo e que iam mais longe, escusávamos de fazer roupas, carros, de plantar e colher, porque os outros faziam-nos por nós. Porque tínhamos dinheiro, e como devem saber, ele compra tudo. Para juntar à equação, quando começámos a receber dinheiro da União Europeia, que era considerado "fundo perdido", milhões de portugueses começaram a fingir empresas só para ficar com o dinheiro. Pois caso a empresa fosse à falência, não precisavam de restituir. E assim vivemos durante anos, até que vieram os políticos e nos endividaram  Quisemos até não poder mais! Queríamos dinheiro! Queríamos ser mais que os outros! Queríamos ter um carro melhor, uma casa maior, uma escola perfeita e comida de americanos.
Queríamos, queríamos, queríamos... até que se tornaram no que são hoje. Uma geração de velhos e adultos que lutam pelo ultimo e grande naco de carne. Porque ser-se rico significa prestigio, significa ter contactos, ter cunhas e favores. Se bem que eu não sei o que é que se faz com "prestígio" de riqueza.

E os favores? Serão assim tão relevantes? Cunhas? "Contactos"? Não será isso tudo algo a que chamamos, nós os pobres, de entre-ajuda!? Não é? Contactos? Porquê? Gostam de ter com quem conversar quando se sentem sós?
Se não conseguem lidar com a vossa própria solidão, a vossa própria tristeza e depressão, então isso significa que vocês, são apenas mais umas pessoas, que comem e cagam e não têm consciência  Não é por criticar, é por ser verdade. Não é por ser melhor, é por consciencializar, por olhar e ver, por saber utilizar o que sei, o que aprendo e o que teorizo, o que sonho e fantasio. Porque eu vejo o que os outros não querem ver, e isso incomoda-os... Incomoda-vos.

Para mim, é muito fácil "criticar", falar "mal", apontar o dedo a tudo e todos, e adoro quando as pessoas me criticam por criticar os outros. Significa que se sentiram ofendidas. Sentem-se incomodadas e acham que têm uma grande coisa para me dizer. Quando na realidade, estão a ser tão iguais como as que critico. Uma critica só para não estarem caladas. Uma critica só para ver se conseguem ficar por cima, com argumentos que deixam muito a desejar, sinceramente.
Pior ainda, não aceitam criticas. Mas olham-se ao espelho todos os dias, e são capazes de desenhar o maior monstro que já caminhou na terra. Ou, ainda pior, acharem que são as melhores do mundo, porque se sentem psicologicamente, com poder para fazer e ter tudo o que desejarem. Porque sabem que todos os seus desejos e caprichos são respondidos e saciados, sem precisarem de fazer qualquer esforço adicional para além do tirar do cartão de crédito ou de sorrirem.

Uma geração, para quem o "socialismo" é o melhor que podem ter na vida. Para quem as noitadas e a universidade é a coisa mais sexual e prazerosa que terão. Mas esquecem-se, de que para "serem bons pais", não é começar a pegar num livro, ou a preocuparem-se duas semanas antes de o fazerem. Tal como a lista de objectivos para o ano novo. A nova lista de objectivos...

O problema está, em as pessoas acharem-se pessoas, longe da evolução animal, e afirmam-no com grande convicção e certeza, que se esquecem que são muito piores que os animais.

Não me referindo necessariamente a tabus, as revistas (neste caso, refiro-me à Cosmopolitan porque foi a que tive acesso mais recentemente) falam muitas vezes em usar abordagens sexuais para manter um homem interessado ou, simplesmente, para perder as calorias extra para caber num tamanho "XS" e, agora, parafraseando: "Na manhã de domingo faz sexo duas vezes e "obriga" o teu namorado a prolongar as sessões, pelo menos, 30 minutos para perderes 350 calorias".
Assusta-me viver num mundo em que o sexo não é visto como algo natural, algo que vale por si e é complementar ao amor, não, parece que é uma simples moeda de troca, um meio para atingir um fim. Uma espécie de sacrifício para um bem maior. Brrr. 
Beatriz em Vamos falar de sexo (?)
Desfolhamos uma revista, e a única coisa que vemos é como perder peso, como se manter elegante, como atrair o homem ou a mulher certa. Parvoíces que não existiam na idade da pedra, e não foi por isso que deixámos de procriar.
A revoloução industrial estragou por completo um conjunto de gerações. O iluminismo e o Renacentismo, foram apenas épocas que se devem contar como lendas. Foram períodos da nossa história, dos europeus, que só devem ficar nos livros, que devem ser enfeitados, embelezados e não estudados e a ter como exemplo. Nem todo o progresso é positivo! Surviving Progress

Querem tudo, quer riqueza, os filhos têm de ser mais do que os outros, e falta uma coisa importante, a educação do indivíduo  Já nem falo do humano, porque crianças ensinadas assim nunca o serão, e sim, crescem com a marca da "besta" da deformidade cognitiva e intelectual. São robôs e não "mentes" únicas.

O consumismo e "é a leio do mais forte", dominam a nossa sociedade.
Porque vocês querem ser iguais aos outros, e acabam por ser é piores.
Porque querem ser importantes e não têm capacidade de argumentar.
Porque querem ser "livres", e não sabem o que é sê-lo do outro lado do mapa, na ponta das asas e no caminhar, no galopar forte e constante de um animal que vocês adoram admirar... num zoo.
Fecham tudo, para controlar. E o grande problema, é que são vocês os incontroláveis. Pessoas com problemas de auto-estima, que para se sentirem controladas, para sentirem que a vida é controlável, e por si só, confortável, controlam o mundo que vos parece "irreal". Controlam a natureza que não compreendem e não sabem sentir, ver e ouvir.

Vocês querem tudo, mas não sabem o que fazer com isso...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O cérebro auto-metamórfico...


Não sei precisar qual o nome do documentário que me deu esta ideia, ou que abordou o tema. Já foi à alguns meses, infelizmente.

Todo o cérebro é auto-metamórfico. Ou seja, e esta é a minha teoria:
Todo o cérebro se transforma, se modifica, consoante as hormonas que possui no corpo, o cheiro que emana. O cérebro reconhece o corpo onde se encontra, e trabalha em conjunto com ele. É um órgão que mede a altura em que se encontra, a distância dos objectos, reconhece cheiros e distâncias do som, através dos vários mecanismos que o corpo, onde o cérebro se desenvolve, possui.

Trocar de cérebros para fazer tal experiência, ao fim de uns anos será completamente inútil, no meu entender, visto que o cérebro se habituou a todo o conjunto de químicos e mensagens que o seu corpo "verdadeiro" enviava e recebia. No entanto, tal como existem pessoas que ao perderem um braço, uma mão, ou uma perna, aprendem e re-ensinam o cérebro a perceber que o que antes existia já não existe, ensinam o cérebro a criar e manipular outro tipo de mensagens.
Caso o cérebro de um paralítico ou de um amputado fosse re-colocado num corpo saudável, talvez seja possível que o este se re-ensine a caminhar, a falar, a escrever, a agarrar objectos ou a focá-los.

O nosso cérebro é auto-metamórfico. Não necessito de o trocar de corpo para perceber isso. Como referi acima, os amputados, aprendem e ensinam o seu cérebro a lidar com a inexistência de um membro que antes podiam usar abundantemente.
Como já li em alguns livros e artigos sobre crianças, o nosso cérebro está constantemente a aprender e a arquivar informação, ainda que com o tempo seja cada vez mais difícil aceder.
Da mesma maneira que o cérebro aprende a lidar com um transplante de mão, fígado, rim, e segundo uma noticia, dois braços, então ao ser transplantado para outro corpo, como já vários cientistas tentaram, e acredito que ainda tentem, é algo que pode ajudar e salvar vários pacientes  E ao invés de se fazer transplantes de mãos, porque não o corpo todo? Na América existem hospitais que aproveitam toda a pele de alguém que morreu. Basicamente  desmembram toda uma pessoa para salvar várias. De uma perspectiva parece desumano e macabro, mas é uma necessidade. Um "mal" necessário.

Soldado americano recebeu transplantes dos dois braços
Chrysalis

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Moralmente incorrecto...


No facebook official do site "Lifes Little Mysteries" anunciaram uma noticia publicada pelo site "Live Science" sobre se seria possível clonar ou recriar um Neanderthal através do seu ADN encontrado.

Como seria de esperar, 99% das pessoas estava contra a clonagem. Pois estavam preocupadas com as experiências malucas que os cientistas o iriam sujeitar. Estavam preocupadas com a vida social que não lhe seria possível de dar por causa dos média. Da vida normal que nunca teria.
Estavam contra experiências em ser humanos, estavam e estão contra cientistas, contra o uso "abusivo" e "imoral" da ciência em seres humanos.
Para piorar os seus fracos argumentos "contra" a clonagem de pessoas, afirmavam sem saber, que por alguma razão os Neanderthal já não existiam.

Por alguma razão se tinham extinguido.
Deus tinha-lhes dado um propósito de existirem, e esse propósito acabou quando os matou ou os deixou morrer.

Que são criaturas estúpidas, sem qualquer tipo de inteligência, caras feias e muito gorilas.
Não podiam estar mais erradas!

Voltamos um pouco ao que eu tanto critico. Para as pessoas, tudo é um dado adquirido. TUDO. Não lhes escapa nada. Lembram-se com certeza de alguém vos dizer ou alguém vos ensinar ou ouvirem nalgum lado, de que os Neanderthal eram criaturas estúpidas, feias, sem destreza e muito, muito atabalhoados.
É algo que se pensava na altura, é verdade. Era uma certeza que se tinha, um "dado adquirido". Como acontecia muito na idade média, em que as pessoas afirmavam que o Diabo existia, que a terra era o centro do universo e que o mundo era plano.
Na realidade, os Neanderthal eram seres tecnologicamente muito mais avançados do que os Cro-Magnons.
Eram mais fortes, eram mais inteligentes, conseguiam criar e aperfeiçoar ferramentas.
Comparando ambas as espécies, os Neanderthal eram, na nossa árvore genealógica, os "humanos" mais perfeitos que existiam. Eram a elite guerreira. E é devido a eles que hoje existem cabelos encaracolados, loiros e ruivos.
O livro "O Clã do Urso das Cavernas", é talvez um dos livros mais conhecidos sobre a temática do cruzamento entre os Cro-Magnons e os Neanderthal.

Usando uma analogia aos descobrimentos portugueses: "Se comparássemos a Caravela Portuguesa enquanto tecnologia da idade média, com tecnologia de ponta do século XXI. Ela seria uma nave espacial, e todos os outros barcos no planeta, seriam barcos a remos."

No documentário "O Mundo do Neandertal", se não estou em erro, os realizadores através de pesquisas cientificas, explicam e mostram como o Neanderthal evoluiu, como era a sua cultura e que impacto tinha a sua aparência física na mente dos Cro-Magnons.
Também foi "descoberto" e "teorizado", de que estas duas espécies coexistiram, dando origem ao Homo-Spiens que hoje conhecemos.
Como é óbvio, não podemos acreditar em tudo o que vemos. E as coisas que aqui estou a afirmar, são fundamentadas, não só com um único documentário ou artigo, mas com vários, de perspectivas diferentes.


Depois de uma breve introdução, a desmistificar as "teorias" que tantos acham estarem correctas e que são tão importantes que entram para a "cultura geral" da sociedade colectiva. Estando estas pessoas mais erradas do que pensam, prossigo para o motivo que me fez escrever. De salientar que acesso a informação, não é o mesmo que ser inteligente.

Quantas pessoas morreram nas primeiras cirurgias ao coração nos primórdios da medicina moderna?
Quantas pessoas morreram até que a técnica utilizada hoje em dia, fosse aperfeiçoada até que mais nenhuma pessoa morresse?
Quantos milhares de anos passaram até que se inventaram as vacinas?
Quantas milhares de pessoas morreram por não terem sido vacinadas?
Quantas pessoas morreram com intoxicação alimentar até que saí-se uma lei que proibisse a venda de produtos com certas substâncias ou quantidades X acima do exigido?
Quantas crianças morreram asfixias com sacos de plástico, até que se escreve-se que os sacos não devem ser colocados na cabeça?
Quantas pessoas "precisaram" de morrer em acidentes de automóveis, de cães, de avião, para que a tecnologia torna-se mais seguro algo que era dado como seguro, porque era na verdade um "dado adquirido". Sempre foi assim, nunca ninguém morreu, então está bem feito.
Não sei se se lembram do acidente que aconteceu com a nave espacial Columbia. A nave ao reentrar na atmosfera explode e todos os astronautas morreram como consequência. As causas do acidentes foram simples. No dia em que a nave descolou da terra rumo à estação espacial internacional, uma telha de uma das asas, caiu. Devido a este acidente, a NASA tomou medidas drásticas  Exigiu em missões posteriores, que a segurança fosse redobrada, falhas que ao principio não se viam, fossem corrigidas e medidas de segurança extra fossem implementadas. Agora, toda a vez que uma nave espacial pretende descer à terra, é obrigada a fazer uma volta de 360º, mostrando, obrigatoriamente, toda a sua fuselagem de cima a baixo.

Foi constituída uma comissão independente de inquérito ao acidente, a Columbia Accident Investigation Board (CAIB), que produziu um relatório oficial de 400 páginas após quase sete meses de investigação, no qual foram apontadas as causas técnicas e organizacionais que estiveram directa ou indirectamente envolvidas na origem da destruição do Columbia. Foram ainda perspectivadas hipotéticas soluções de resgate da tripulação e elaboradas 29 recomendações a implementar, 15 das quais de cumprimento obrigatório, sem o qual não poderia haver um regresso aos voos. -- Wikipedia

E estou a falar disto porquê?
Segundo um série televisiva, a "Built From Disaster", os especialista abordam o tema - desastres - da seguinte maneira.
Mostram a construção de um edifício ou de uma ponte, que para a altura em que foi construída  era das estruturas mais seguras do mundo. Peguem como exemplo o Titanic. Ao longo do documentário, mostram os vários progressos e fracassos que se fizeram até àquele ícone, na altura, se tornar o mais seguro do planeta. Uma estrutura segura, praticamente "indestrutível", é-o até encontrarem uma falha. E é precisamente o que mostram. A falha e as falhas que transformaram o mais seguro das construções em apenas um amontoado de cacos e pó. De seguida, averiguam quais os problemas e métodos que podem ser utilizados para os prevenir ou melhorar...
Resumindo muito simplificada-mente o que a série apresenta:
Uma estrutura é construída com a mais alta tecnologia de segurança. Essa segurança torna-se um dado adquirido até que se dá uma catástrofe, que obriga os construtores a reinventar e redesenhar todo o edifício ou estrutura. Implementam-se novas medidas de segurança, novos mecanismos de aviso, novos sistemas de combate a incêndios, supressão de gazes tóxicos, etc etc.
Todos os desastres são "maus" no ponto de vista social, porque se morrem pessoas. Mas do ponto de vista da tecnologia e dos sistemas de segurança, são uma bênção, porque se pode corrigir as falhas, e criar uma estrutura ainda mais segura.
Aprendemos através dos erros. Somos seres que estão constantemente a melhorar o que já existe, e é por isso acontecer que a ciência e a tecnologia avança.
É preciso aprender, descobrir, experimentar para evoluir. É preciso arriscar como fizeram Galileu Galilei, Copérnico, Charles DarwinIsaac Newton. Arriscaram e como consequência libertaram-nos da ignorância.
Vi também num outro documentário, de que nada é realmente único, no sentido de ser novo no mundo. No sentido de ser uma descoberta sem influências. Afirmam e explicam, que todas as descobertas feitos pelas grandes mentes, eram e são, descobertas com influências em descobertas anteriores, que tiveram também elas influencias de outras mais antigas.
Um exemplo simples, é a criação de um design web. A criação de um interface. Todo e qualquer interface, é  de facto único e criado de raiz  e ninguém pode duvidar disso, mas todos eles foram influenciados por algo anterior. Numa citação muito conhecida de um programador ou designer, ele diz que nenhum design é realmente original. Que tem influencias quer-se queira quer não.
"It's really hard to design products by focus groups. A lot of times, people don't know what they want until you show it to them." — Steve Jobs, 1998
Resumindo então a minha ideia principal, que acho ainda não a ter explicado, acredito que a clonagem de seres humanos, algo imoral e tabu num sociedade de mente fechada, acho correcto. Acho ainda mais correcto, darem poder para que os cientistas possam fazer experiências em humanos, com humanos e criar humanos. Fazem-nos em ratos. Clonam aos ponta-pés, ratos de laboratório, onde experimentam químicos  produtos que vocês mulheres tanto adoram colocar na cara, no corpo e na cabeça.
E estas experiências não são feitas apenas em ratos, mas também em coelhos, macacos, cães. São torturados, é verdade, mas é um "mal necessário". Eu não digo que é um "mal necessário", é sim, importante. Sim, sou CONTRA qualquer tipo de crueldade animal, mas não posso deixar de valorizar as experiências cientificas "horrorosas" que os cientistas de Hitler fizeram aos judeus. Pois foram eles, os cientistas alemães, na segunda guerra mundial, que permitiram aperfeiçoar a medicina e psicologia moderna. Grande parte daquilo que temos hoje em dia na nossa sociedade, foi desenvolvido pelos Alemães durante a segunda guerra mundial, nos campos de concentração, em laboratórios secretos, onde usaram e abusaram de cobaias humanas. Foi importante e relevante.
Por isso sim, aceito que se façam clones partir de ADN do Neandertal.
Uma criança a quem é proibida a re-montagem de um conjunto de peças de lego de maneira diferente da que vem no manual, é uma criança cuja criatividade será reprimida. Proibirmos uma criança de desmontar uma cassete VHS, um carro a pilhas ou montar uma estrutura em lego de maneira diferente, é fechar numa caixa a capacidade de aprender e compreender como funcionam as coisas, o mundo. Dar à criança a total liberdade de explorar e construir algo sem seguir o manual, permite-lhes aprender o que pode ser melhorado, o que pode ser desenvolvido de maneira diferente ou como pode ser implementado. Permite-lhes ver o mundo de uma maneira mais abrangente e não tão fechada.
Não é hoje, mais do que nunca, do interesse dos pais, que os seus filhos tenham nos primeiros 6 anos de vida, o maior número de experiências?
Brinquem, mas não estraguem nada! Vejam, mas não consciencializem!
É preciso dar liberdade. É preciso dar liberdade aos cientistas de explorar técnicas que "desafiam" a mente retrógrada da sociedade.
Como é abordado no documentário "Surviving Progress" (Site Oficial), nem todo o progresso é bom, é verdade, e não posso dizer que apoio cientistas malucos que matam pessoas por puro prazer, como se vê muita vez nos filmes de terror.
O que eu defendo, é permitir que se possa criar algo, neste caso, recriar algo e aprender com isso.
É necessário haver diversidade de talentos e não singularidade social, em que todos são iguais. Todos são médicos, advogados, psicólogos, e no entanto continuamos-nos a queixar desses mesmos médicos, advogados e psicólogos que são maus, agressivos, brutos e sem respeito, sem educação.

Steam Locomotive Valve Gear - 5 tipos de engrenagens, desenvolvidas para criar um motor a vapor.
5 tipos diferentes de inveções, que permitiram abordar e conhecer 5 maneiras de se gerar energia/propulsão a vapor.
Eu não errei 10.000 vezes só descobri 10.000 mil maneiras de não se fazer uma lâmpada.
-- Thomas Edison
É importante perceber que sem riscos, a "sociedade" tecnológica, cientifica e medica, não avança, não evolui, não progride. Sou a favor das descobertas! A favor das teorias sem provas plausíveis. Sou a favor, por elas têm valor psicológico. Têm valor no sentido de serem mais uma maneira diferente de vermos o mesmo problema. Utilizando parte da frase de Thomas Edison:
"Temos apenas 1000 respostas diferentes de como surgiu a vida na terra".
Freud, o "pai" da psicologia moderna, é visto como um génio. Uma pessoa que nos permitiu compreender e estudar o cérebro humano. No entanto, novamente um dado adquirido, as pessoas acreditam no que ouvem. Freud é estudado no curso de Psicologia, permitindo perceber que contribuiu para a psicologia. Não vou dizer que não, ele deu tanto na sua área, como Albert Einstein. Porém, existe algo que as pessoas não sabem. As teorias de Albert Einstein, grande parte delas, foram, anos mais tarde, refutadas. Os cientistas, matemáticos e físicos, perceberam que Albert Einstein estava errado em muita das teorias que desenvolvera. Foi importante que ele tenha tido a coragem de as criar e as colocar em cima da mesa como uma possível hipótese/solução, sem as conseguir provar, pois permitiu que a nossa percepção do mundo, principalmente da física e da ciência, se alargasse.
Einstein criou o pensamento mais positivo que pode existir: "Tudo é possível  até prova em contrário". Com este homem, a nossa sociedade evoluiu a olhos vistos, pois "tudo" podia ser possível  "tudo" podia ser explicado através de uma teoria que não possuía, ainda, bases sólidas que a pudessem provar.
"Anti-Freud" de Michel Onfrayd - Editora: Objectiva


Não querendo engonhar muito no assunto, finalizo com um pensamento geral do texto.
Se não nos autorizarmos a nós próprios a evoluir, a nossa sociedade destina-se para um colapso de cultura e inteligência.
É preciso, como referi acima, que seja possível experimentar e estudar o que é "moralmente incorrecto". Nós somos seres com inteligência, temos de a usar. A tecnologia militar está 4 anos à frente da tecnologia existente na sociedade. É verdade que a guerra é uma coisa má, mas é necessária! Neste caso sim, é um "mal" necessário. É importante que exista evolução.
Nada é pior para uma sociedade, do que o elitismo psicológico. Nada é pior para o ser humano, do que a comercialização de ideias e opiniões.
Ken Robinson, debate e defende a diversificação de talento e não a singularidade de uma única função exercida por todos os indivíduos da sociedade.

Sir Ken Robinson: Do schools kill creativity?
RSA Animate - Changing Education Paradigms


Este texto parece fugir ao tema inicial que foi debatido no inicio, mas não é o que acontece na minha mente. Na realidade, todo este texto é a minha opinião, a minha critica, a minha visão, debatida, explicada, exemplificada e argumentada. É debatível e questionável. Uma maneira diferente de argumentar.
Para que uns sejam salvos (ex: medicina), outros tiveram de morrer, 99% em condições "in-humanas".

Há milhares de anos não existiam vacinas e isso não nos impediu de chegar ao que somos hoje. Não existia higiene e isso não nos fez desaparecer da face da terra.
Porque as pessoas preocupam-se com o que não precisam, e desleixam-se para o que é realmente importante e necessário.

O divórcio em Portugal...
Eu quero, posso e Compro!
É algo que imita, ou algo que é?

Se nos privarmos das experiências e do auto-conhecimento, o que nos resta? No que nos tornamos?