Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te...
Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [2]
Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [3]
Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [2]
Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [3]
Flashback
Vesti a camisa branca, uma camisola vermelha e um casaco preto por cima. Ainda o sino da Igreja não tinha tocado para as 20h, já estava a caminho do shopping. Numa ultrapassagem, vi-te, sorridente, conversando com a tua filhota que brincava com um peluche. -- Uma noite de raparigas hã? -- O teu carro vermelho rapidamente passou pelo meu, e sais-te do carro no momento em que entrei no parque de estacionamento. És uma mulher que gosta de chegar a horas, agrada-me! Isso vai facilitar muito as coisas.
A pequena Joana segurava-te a mão enquanto ainda brincava com o boneco, sem se aperceber na confiança do teu caminhar nesses sapatos incrivelmente bonitos de salto alto, pretos. O vestido realçava as curvas do teu corpo, tornava a tua anca deliciosa e fazia sobressair o teu rabo em cada passo. Já a Joana, de cabelos loiros encaracolados docemente na ponta, ficava bem em qualquer coisa, principalmente com o mesmo par de meias pretas que vestias, por baixo de um vestido vermelho. Vinham para algo especial? Esta noite era especial ou estavas-te a sentir especial? Nunca vi ninguém tão bem vestido a entrar num centro comercial com gentalha de pobres, mas se continuares a cá vir, passo cá os meus dias! Uma mulher com uma class e glamour como a tua não vejo todos os dias e são cada vez mais difíceis de encontrar...
Depois de entrar, tentei procurar-te por entre aquele mar de gente analfabeta, e dei contigo a namorar alguma roupa interior na loja da Intimissimi. Rapidamente a pequenota se sentou e dirigiste-te, sem nunca perder a pimpolha do teu campo de visão, para a secção das meias, onde, de tempos a tempos, lançavas o teu olhar meigo sobre a brincadeira que crescia calmamente no canto de um banco branco, raso e almofadado.
Sentias os homens olharem para ti do lado de fora das montras, comiam-te, fodiam-te de alto a baixo. As suas esposas odiavam-te pelo facto de seres simplesmente mais bonita e te saberes vestir bem, de seres magra e alta, de pele reluzente e caminhar provocador. Outras, mais novas, passariam pela entrada da loja e da montra sem deixar, por um único segundo, que os seus olhos se desviassem daquela menina pequenininha, bonita e fofinha. A mente das raparigas viajava em sonhos de príncipes e sem querer, fortaleciam o sonho de um dia vir a ter filhos tão bonitos e saudáveis como a tua pequerrucha. De conhecerem o "homem-perfeito", de casarem e serem para sempre amadas, tratadas e acarinhadas até ao fim dos tempos, com direito a rosas e um jantar romântico para cada ocasião especial.
Sabes porque é que existe a luxuria? Porque é que vendem esse "status" e ele se torna, às vezes, tão fácil de atingir e fazer parte desse mundo? Porque o povinho exige ser também rei. Ter a possibilidade de ser grande e não apenas mais um que cava a terra. Quer fazer parte de uma genealogia distinguida quando a sua árvore familiar nunca saiu do mesmo galho. Até o nome tem de soar à rico! Incrível. O que os pobres fazem para tentarem ser reis.
Depois de entrar, tentei procurar-te por entre aquele mar de gente analfabeta, e dei contigo a namorar alguma roupa interior na loja da Intimissimi. Rapidamente a pequenota se sentou e dirigiste-te, sem nunca perder a pimpolha do teu campo de visão, para a secção das meias, onde, de tempos a tempos, lançavas o teu olhar meigo sobre a brincadeira que crescia calmamente no canto de um banco branco, raso e almofadado.
Sentias os homens olharem para ti do lado de fora das montras, comiam-te, fodiam-te de alto a baixo. As suas esposas odiavam-te pelo facto de seres simplesmente mais bonita e te saberes vestir bem, de seres magra e alta, de pele reluzente e caminhar provocador. Outras, mais novas, passariam pela entrada da loja e da montra sem deixar, por um único segundo, que os seus olhos se desviassem daquela menina pequenininha, bonita e fofinha. A mente das raparigas viajava em sonhos de príncipes e sem querer, fortaleciam o sonho de um dia vir a ter filhos tão bonitos e saudáveis como a tua pequerrucha. De conhecerem o "homem-perfeito", de casarem e serem para sempre amadas, tratadas e acarinhadas até ao fim dos tempos, com direito a rosas e um jantar romântico para cada ocasião especial.
Sabes porque é que existe a luxuria? Porque é que vendem esse "status" e ele se torna, às vezes, tão fácil de atingir e fazer parte desse mundo? Porque o povinho exige ser também rei. Ter a possibilidade de ser grande e não apenas mais um que cava a terra. Quer fazer parte de uma genealogia distinguida quando a sua árvore familiar nunca saiu do mesmo galho. Até o nome tem de soar à rico! Incrível. O que os pobres fazem para tentarem ser reis.
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Tudo o que vês e lês, existe e foi escrito com um propósito. Porque a máscara, na verdade, não caiu.