quinta-feira, 31 de maio de 2012

A minha rosa envergonhada...


Entrei em casa, cansado do calor. Levei uma baforada de ar fresco e deparei-me com uma casa vazia. Desprovida de qualquer grito dos meus pequeninos. -- O que andam a fazer aqueles traquinas? -- pensei. Pousei as chaves e a mala, olhei-me ao espelho e ajeitei os cabelos.

Via ao balcão da cozinha... e devagar, coloquei as minhas mãos sobre as suas ancas...  Abracei-lhe a barriga e cheirei-a... Beijei-lhe o pescoço, lambi-lhe a orelha e disse-lhe num sussurro:
-- Amo-te...
-- Está calor! Onde metes-te o puxo? -- respondeu depois de me depositar um beijo nos lábios. Tirei o puxo do pulso e mostrei-lho. Segurou-o e apanhou-me o cabelo. Em três tempos o meu cabelo desaparecera-me dos ombros, e já só sentia as suas mãos acariciarem-me o rosto e o pescoço.
-- És tão bonito... -- disse ela deslumbrando-me. Parecia nostálgica, enfeitiçada! Olhava-me nos olhos... o nariz, os lábios e todas as "imperfeições" que só eu podia ver.
-- Fazes-me tão feliz... -- respondi de sorriso largo e tímido. Com um beijo, fogoso e terno, abracei-a com força. Junto de mim. Querendo que o coração de ambos pudessem conversar. Matar saudade da distância que todos os dias nos faziam sentir.
Abraçou-me por cima dos ombros e segurei-a com força. Senti o seu peito contra o meu. O seu corpo parecia tremer... Pouco mais baixa do que eu, tocava-me de uma maneira tão especial, que me fazia sentir relaxado. Pareciam massagens, eram carinhos, eram beijos, palavras mágicas. Senti-lhe a língua penetrar-me a boca e a sua saliva passear junto da minha. O seu cheiro enaltecia-me a mente, levava-me para outro mundo.
Senti-lhe as mãos tocarem-me gentilmente a cara, e a saudade que sentira durante todo o dia fez-me contemplá-la até que aquele sentimento desaparece-se. O desejo de a voltar a ver, de a voltar a beijar, de lhe tocar e senti-la só minha. A minha mulher, a mãe dos meus filhos, a minha musa, a minha alma gémea.

O seu sorriso fazia-me corar de vergonha, mas tão tolo quanto ela, sorria também. Pousei as minhas mãos na sua anca. Um gesto que ela adorava, que a fazia derreter de prazer e de ternura. Sentia-se minha, só minha. Sentia-se pequena e desejada.
Mordiscou o lábio e disse-me num sorriso matreiro, envolto em vergonha:
-- Os garotos não estão cá...
-- Eu logo vi... ou tinham feito alguma ou fugiram. -- ela sorriu e foi absorvida pela imagem dos seus filhos. Corriam pela casa, pelo verde jardim a gritar e a saltar. A sujarem a roupa e a esfolarem os joelhos de tanto subir às árvores. São piores que o papá na idade deles!
-- O que estás a pensar em fazer com este tempo só para nós? -- sorrio passando-me as mãos pelo peito.
-- Tomar banho...
-- Fogo! És um desmancha prazeres! -- chateou-se. Cruzou os braços e ficou a olhar para mim quase com beicinho.
-- Contigo... à luz das velas, rodeados de rosas... que tenho no carro, a comer uns bons-bons...
Um sorriso começou a crescer, a ganhar magia, os seus olhos brilhavam e sentia-se numa espiral crescente de felicidade, de desejo, amor e carinho. Saltou-me para os braços, fechou os olhos e abraçou-me com força.
-- Porque é que és assim? Porque é que és assim tão perfeito? Não te mereço...
-- Porque te amo, e adoro fazer-te feliz... meu amor... -- e passei-lhe a mão pela cara, de olhos fixos nos dela. O meu sorriso deu-lhe reconforto, paz, e uma calma que parecia fazê-la chorar.
Dei-lhe um beijo e dirigi-me para a porta de entrada.
-- Já venho...

Ela acabou de arrumar o ultimo prato e foi para cima, para o quarto. No corredor, uma foto do casal. Na altura namorados. Tirada numa floresta, num dia estranho. Sorriu, mas sorriu pelas coisas boas e pelas más que tinha esquecido e que já não lhe faziam confusão. Abriu uma gaveta junto às pernas do armário, e remexeu alguma lingerie... Abriu um pequeno saco e sorriu empolgada. Não podia ser o dia mais indicado para a usar... tinha-a comprado à uns dias, e deixou-a escondida para uma ocasião especial.
-- "Ele vai adorar!!" -- pensou para si.
Guardou-o embrulhado, e despiu-se. Vestiu apenas um robe, e ficou à janela do seu quarto, à espera. De sorriso estampado e a sua mente perdida num dia tão solarengo. Ansiava o seu marido, o seu homem, junto dela, dentro dela. Deseja o seu cheiro, sentir as suas mãos pelo seu corpo, e aquela língua tão marota... que a deixava molhada só de pensar no prazer que ele lhe dava. Era incrível... sentia-se a melhor mulher do mundo.

Ele preparou o banho, espalhou as pétalas das rosas pela casa de banho, pela banheira e sobre a água em espuma. Acendeu dois paus de incenso e colocou uma sinfonia de Telemann a tocar. Baixou o volume só para criar o ambiente e contemplou a sua façanha. Não podia estar mais feliz. Sabia que ela ia adorar, chorar e derreter-se... mereciam um tempo para os dois, e estava ansioso por lhe fazer as massagens que ela tanto gostava.

-- Amor? -- chamou ele.
-- Estou a ir...
Entrei na banheira e continuei a olhar para o ambiente. Queria que fosse perfeito até ao fim. É então que a minha atenção é interrompida, pela coisa mais bonita e perfeita que existe na minha vida... Ali estava ela, de sorriso maroto e em pose sexy. Suavemente, deixa pousar o robe no chão. A temperatura sobe a pique e eu fico sem jeito. Ela aproxima-se vagarosamente, desfrutando da paisagem, absorvendo os cheiros, sentido a música dançar sobre a sua pele e derretendo-se sobre todas aquelas emoções, aquela magia...
Chegou-se perto de mim, e com um sorriso tímido e uma voz quase sussurrante me disse:
-- Sou bonita?
-- Oh amor! És a mulher mais bonita do mundo! Até fico sem fôlego quando te vejo dormir...
Encolheu-se tímida, a tapar a sua menina, olhando o seu peito.
-- Não me podia sentir mais feliz por estar ao teu lado. Amo-te tanto meu amor! -- e abracei-a com todo o carinho, desejo e ternura. Com força e medo. Não a queria largar, não a queria parar de sentir assim, tão frágil e sensível. Perfeita...
-- Amo-te assim... minha pequenina...
-- Amo-te...

Com amor, para a minha rosa envergonhada...

terça-feira, 29 de maio de 2012

Mesmo com amor...



Mesmo com amor, eu continuo a desejar nunca ter nascido.
Continuo a desejar morrer e matar-me.
Continuo a sonhar com o dia que parece demorar.
Continuo a suicidar-me vezes sem conta... esteja onde estiver.

Para mim não é fraqueza. Para mim, desejá-lo, não é desistir.
Eu sou consciente do que faço nesta "terra".
Eu sou consciente do que tenho para dar ao "mundo". E eu não tenho nada, porque não sou ninguém.
Ninguém faz de mim gente. Ninguém faz de mim importante. Ninguém faz de mim maduro, se eu não o fizer por mim.

Qual é o objectivo?

Nunca devíamos ter descido das árvores. E tudo se tornaria num mundo melhor.
Não havia zangas, não havia stress, não havia dividas, não havia tristeza, nem frieza. Não havia inimigos nem segundas intenções. Fomos a melhor espécie que já pisou esta terra, e tornámos-nos na pior merda com duas pernas.
Não, não tenho orgulho do que alcançámos como espécie. Os prós e contras tornam-se o oposto da anti-matéria e da matéria. Em que no fim, havia mais matéria que anti-matéria.

Sim, realmente desejar não só a minha morte mas também a de todos deve-vos fazer odiar-me.
O amor que sinto, talvez nem seja deste mundo, e até a minha própria mente, devia ser estudada por psicólogos, mas eu não tenho cunhas nem dinheiro. Talvez devesse ter andado numa escola privada, mas os meus papás não têm dinheiro para esse tipo de caprichos. Talvez me devesse ter faltado mais motivação para estudar e menos brincadeira, mas o meu pai preocupava-se em fazer-nos felizes enquanto era-mos crianças e a minha mãe em nos tornar educados.
Era-mos o orgulho. Era-mos calados. Era-mos educados. Era-mos "inteligentes". Era-mos diferentes.
EU... sou diferente.

Aquilo que eu me tornei, aquilo que eu tive, aquilo que eu vivi, aquilo que eu senti, aquilo que me ensinaram... foi e é, a melhor coisa que me puderam dar. Que me souberam dar. Que eu pude aprender e compreender.
Não sou o melhor aluno na escola, não sou o mais inteligente... mas tenho amor pela minha namorada!
Tenho amor e desejo por quem me ama e respeita.
Sei ser criança e maduro. Hoje sei que estou melhor. Hoje... sou melhor.

Quer acabe ou não a universidade, quer chegue ou não longe na vida, pelo menos, saberei que fiz o melhor com aquilo que tinha. Saberei que dei o melhor. Que fiz o que achava correcto.

Morrer... como sempre escrevi por aqui, é um desejo. Uma questão de tempo. Uma data no calendário.
Eu disse aos meus pais que desejava nunca ter nascido, e não me arrependo nem me dá nenhum nó na garganta. Voltarei a dizê-lo.
Se um dia os meus filhos me o disserem, da mesma maneira que o disse aos meus, as coisas serão diferentes. Não fiz nada de mal. Fiz algo de bom. Não criei nem eduquei crianças com problemas psicológicos, mas crianças capazes de chegar muito, mas muito mais longe. Com ou sem a minha ajuda. Poderão chegar onde não cheguei. Poderão sentir o que nunca senti. Poderão compreender o que nunca tive tempo nem capacidade.

Não quero criar filhos prodígios apenas e só com capacidades académicas. Com as melhores notas, com as melhores relações. Quero criar filhos conscientes e maduros. Inteligentes e com a sua mente a pensar fora da caixa. Serão os meus filhos. E terão a melhor mente que alguma vez alguém poderia conhecer. A melhor mente com que alguém poderia conversar e aprender.

Não quero nem ambiciono prodígios. Ambiciono crianças capazes de serem mais e melhores do que as outras. Tal como eu sou. Narcisista e com a capacidade de amar que mais ninguém terá neste mundo. Com a capacidade de aprender e crescer. De atingir metas de consciência que eu nunca fui capaz de atingir com a minha idade. Desejo crianças conscientes e com capacidade cognitiva, filosofa e psicológica acima de tudo e todos. Os meus filhos serão melhores do que eu.

E é nisso que me impele continuar a acordar de manhã. É isso que me faz continuar vivo. É isso que me tira da tristeza que é não conseguir compreender a matéria em tempo recorde, acabar trabalhos, e ter sempre na cabeça que todos os meses tenho de pagar 160€.
Se vivesse uma vida desafogada, nunca envolta em merdas e preocupações, talvez eu crescesse muito mais. E nunca me irei cansar de falar de ti, pois da outra nunca parei até me mudarem de rumo.
E vou-te ser sincero. Ainda te amo e não é mentira. A outra também sabe, e aceita. Mas é por ser demasiado estúpido que ainda sinto por ti.
Sou um ignorante de merda, um inconsciente com o amor e as relações. Sou muita estúpido e de capacidade lenta. Por achar que ainda teremos alguma coisa.
Parvo eu, a pensar que fazes estas merdas todas só para ver o que é que eu digo. Para ver o que é que eu faço. Parvo eu a pensar que ainda me amas mas que não queres admitir... quando a realidade é que já mudas-te de banco, já mudas-te de parceiro, de homem, de pila e de cheiros. É tão bonito, é tão fácil amar não é?
Não sou como tu, sou melhor. E tal como eu, serão os meus filhos.
Demore o tempo que for preciso para te esquecer, que não será com a mesma facilidade fria e insípida que tiveste, acredita que eu serei muito diferente e muito melhor para a minha namorado do que alguma vez fui para ti.

Eu estou feliz, sou feliz e fazem-me feliz. Se me amas? Se fosses madura e responsável? Se fosses verdadeira contigo mesmo, se é que realmente me amasses, deixavas-te das tuas merdas e dizias-me. Mas tu és como todas as outras raparigas... amar não é contigo. Nem aprender, nem crescer, nem ter consciência ou aceitar... se não te sabe bem, deita-se fora. Como costumas fazer com o litro de leite que deitas fora quando acabas de comer os teus cereais. Sabe bem viver desafogada não sabe? Sabe bem poder ter tudo e qualquer coisa.
Não me custa falar, porque eu pelo menos, aprendi uma coisa desde muito cedo. Se não falar, se não perguntar apenas e só por ter vergonha, perco tudo o que mais gosto.
Quero e vou esquecer-te quando sentir que fiz de tudo para voltar. Mas... voltar para quem? Para o quê? Com que desejos? Recebido de braços abertos ou com uma cara ainda mais fria do que aquela que vi pela ultima vez? Os teus amigos... se fossem gente madura, ao invés de tentarem gozar comigo, estavam calados e de mente bem aberta para compreender e perceber o que nunca irão ter. Vocês perdem. Eu só tenho a ganhar de cada vez que penso em ti, ou falo de ti.
Fosses tu uma mulher que realmente me amasses até ao fim como me escreves-te, me disses-te e me fizes-te sentir, e falarias para mim. Medo? Medo de quê? As coisas não seriam iguais, mas não haveria razão para não funcionarem. O comodismo faz-te mal. E andares sempre a trocar de namorado, faz ainda pior. Sim, porque tu esqueces rápido e nunca aprendes nada com isso. Mas espero, sinceramente, estar errado.
És uma rapariga difícil, mas eu também sou. Sabes ser fria, mas eu também. Sabes manipular mas eu também sei. Amas? Eu sei amar. Mas estou diferente, muito diferente...
Da mesma maneira que eu não te reconheço, tu não me reconhecerias a mim.
Só quero que aprendas e te tornes na pessoa que sempre desejei que te tornasses desde o inicio.
Omitir? Mentir? Calar-me? Perco eu e toda agente que me lê. Perco eu e os meus filhos um dia quando lerem os meus textos. Sejam maus ou bons de se ler. Sejam depressivos ou felizes, são os meus textos, as minhas visões do mundo, os meus sentimentos. E deles não abdico.
Pelo menos eu tento fazer uma coisa... consciencializar as pessoas.
Posso não vir a ser uma grande merda no futuro, mas serei melhor que o meu pai e a minha mãe. Posso não acabar a universidade, que por minha vontade, continuarei lá, sem desistir, até a terminar, mas pelo menos terei e saberei dar o que nunca ninguém deu à minha namorada.

Os animais não vão à escola, não têm cursos, não usam palavras, não expressam amor nem sentimentos, não escrevem poemas e até podem nem pintar quadros... não têm objectivos nem sonhos ou ambições como nós, humanos, mas são os melhores de que existem no mundo. E quando acasalam, grande parte deles, é para toda a vida. Coisa que tenho dificuldade em ver nos casais que passam por mim. Que julgam saber tudo sobre as relações inter-pessoais, sobre os defeitos, sobre os erros, sobre as palavras rasgadas, e as falhas que têm, criam e causam na relação e não vêm. Não sou totalmente consciente, mas deixei de ser um garoto à muito tempo! Deixei de ser o namorado que tu tiveste à muito tempo. Não sou o outro, não sou o antigo Paulo, nem sou nenhum puto estúpido que tu vês, vias, ou gostas de pensar que eu era só para te sentires melhor.
Não sou. Falo de ti e das próximas e sabes porquê? Eu conto-te... para que para além de eu crescer, também os outros possam ver nos meus erros, nos meus problemas, nas minhas relações, no meu amor, a razão do seu namoro ou casamento estar em ruínas. De compreenderem e serem capazes de transformar as coisas más em coisas boas. Hoje por eles, amanhã por mim. Não é o que se costuma dizer quando se deixa passar a ambulância?
Não perco nada em falar de ti, até porque nem estou a falar mal, estou-te a consciencializar, a falar para ti, se quiseres ouvir. Mas também estou a "ensinar" aos outros. Principalmente aos meus filhos...

Julgas que perco por ser assim?
Julgas que perco por dizer o que digo?
Julgas que perco por falar de ti ou do que me incomoda ou me deixa triste?
Só aprendo e tu nem sabes o quanto...


Mesmo com amor... mesmo ter crescido, ter aprendido e ter-me tornado melhor e muito diferente. Anseio morrer de veias abertas e com um nó na garganta.
Não sou eu que desapareço do mundo, é o mundo que desaparece de vocês...
Eu faço cá falta, mas estou-me a cagar para isso, para ti e para vocês.
É tão bom viver feliz não é?
É tão bom ser-se sociável, ter amigos e amiguinhas, ter namoros e namoradas, amar este e aquele. É fácil ser-se cidadão modelo, e não um cidadão único. É bom ser-se aceite...
Tu não gostas? Eu adoro...

Sou criador e não um repetidor!

As relações...



Existe algo acerca das relações, hoje em dia, em que se algo não está bem, simplesmente se desiste. Se algo não "funciona" como queremos, deitamos fora. Se algo dá demasiado trabalho para corrigir ou compreender, atira-se para um canto e arranja-se outro mais fácil e acessível. Eu sei do que falo. É por isso que falo.
Hoje em dia, as coisas trocam-se, quer estejam a funcionar "bem", quer tenham problemas. Se forem demasiado complicadas, é para esquecer...

As relações de hoje, fazem-me lembrar uma noticia que vi à vários meses na SIC, se não estou em erro, sobre um casal que decidiu adoptar uma criança. Ao fim de uns dias, acharam que não queriam aquela criança e devolveram-na. É a mente que abunda a nossa sociedade. Pois pelo que pude ler nas pesquisas, a devolução de crianças adoptadas é maior do que se imaginava.

Primeiro estranha-se e depois entranha-se. Como me costumava sempre dizer o meu pai. Se não gosto de algo, é uma questão de tempo até deixar de torcer o nariz e "aceitar".
Aceitar não é o mesmo que deixar ser afectado por isso, mas precisamente o contrário. É aceitar a outra pessoa. O que é muito incomum hoje em dia. Aceitar implica, não pelo lado negativo, compreender, tentar compreender. Ter consciência da razão de a pessoa ser assim. Tentar "moralizar", educar e re-educar. "Perder tempo". Mostrar e explicar de forma madura aquilo que sentimos, que problemas pode causar ou o desconforto que nos faz sentir.

Numa conversa que tive com o meu irmão, partilhámos a ideia de que, hoje em dia quem tem de lutar numa relação, são os homens e não as mulheres. E a razão de isso estar cada vez mais em voga, não tem só haver com o a revolução feminina, mas também com toda a publicidade por trás de cada roupa, música, imagem de moda. O neuro-markting re-constrói mulheres pelo lado negativo e anti-instintivo, anti-natura daquilo que realmente deviam ser. E o mesmo acontece com os homens. Porém, as mulheres são o alvo mais fácil. São bombardeadas com milhares de imagens de beleza, homens ricos, histórias de amor perfeitas, fantasias que só existem em contos de fadas.
Deixa-se a consciência, a aprendizagem, as descobertas, as aventuras, o moralismo, a realidade, e as relações interpessoais de lado, de fora. São colocadas a um canto. E nem percebem aquilo que perdem por se deixarem manipular. Não sabem o perdem, pois também não aprendem nem crescem.
E um dos piores problemas, é que julgam estar certas.

Ouvi de uma colega, uma critica que ela fazia à publicidade a cremes e à silhueta e o corpo perfeito. De um lado, numa revista, aparecia um texto que enaltecia o quão todas as mulheres eram bonitas e perfeitas. Que não precisavam de cremes, nem de perfumes ou de dietas para serem modelos exemplo. E do outro lado da página, aparecia a publicidade a um novo creme, ou a uma nova dieta.
"Sente-se gorda ou flácida?" "Tome já o XKY!"
É este tipo de publicidade, este tipo de abordagens que têm para com as mulheres, que faz com que elas cada vez mais saiam do seu instinto animal, para passarem a ser cópias de modelos a tentar serem as melhores. O pior, é que só fazem mal a elas próprias. Pois uma mulher, ou um homem, que não tenha auto-estima. Que não saiba dar valor ao corpo que tem, às rugas, às estrias, não é uma mulher mas uma obsessão e doença psicológica.
Na minha opinião, a mulher não deve deixar, de todo, o local que sempre controlou e no qual sempre foi perfeita. Cuidados íntimos, higiene, preocupada em parecer bonita para o namorado, preocupada em mostrar que aquele é o macho dela. MAS... que também ela tem uma opinião a dar. A mulher deve ser sinónimo de gentileza, de carinho, sentimentalismos. É carente, frágil, necessita de carinhos constantes e mimos em "exagero". E sim, também deve ser critica, mostrar a sua opinião, mas saber dá-la! Saber aceitar e compreender. Devem acima de tudo, deixar os óculos "sujos" em casa e mostrarem os bonitos olhos que têm, a cana do nariz, as sobrancelhas e as olheiras.

Uma mulher não tem sempre que ser uma flor. Mas também não deve deixar aquilo que sempre foi. Não deve deixar de ser uma influencia positiva para um homem. Pois uma mulher consegue sempre trazer o homem mais "bruto", para o seu lado e ser quase tão sensível ou mais do que ela própria.

Uma relação, um namoro, não é algo, ou não devia ser algo, "simples". No sentido em que se acabar acabou. À que saber e compreender onde é que se errou e não percebeu, e tentar corrigir isso. Um vicio ou uma mania pode desaparecer num curto espaço de tempo se a pessoa que estiver ao nosso lado for compreensiva. Souber estar do nosso lado, saber falar e incentivar. Lutar pelas nossas conquistas, dar valor ao nosso esforço e não andar sempre com palavras derrotistas na ponta da língua. Não ter sempre algo frio e cruel para nos atirar à cara. Pois como me aconteceu a mim, nunca fiz nada para a ver sofrer. Nunca menti  por puro prazer ou porque é a única coisa que sei fazer. Menti, omiti, para não a fazer sentir-se triste.
Bastava também ela não perguntar todos os dias. Deixar e esquecer o assunto, pois era algo que eu fazia para mim e não para ela. Há que saber lidar com os problemas.
Compreendo que se tenha sentido triste, incomodada. E compreendo que tenha pensado que ela não tinha jeito nenhum. Mas tocar no assunto, todos os dias, cria um cancro. E o que devia criar era um espaço de compreensão, onde expunha a sua "dor" e o seu desconforto.

É a falar nos problemas, nos meus problemas "simples" e sem ponta por onde lhes pegar, que eu próprio me ensino, aprendo, cresço e ganho mais capacidades para um dia educar os meus filhos. De mostrar um lado diferente aos meus colegas ou aos meus pais. E até mesmo... à minha namorada.

Se algo está mal, deve-se resolver. Se ninguém traiu ninguém, ninguém matou ninguém, ninguém agrediu ninguém, então o problema não deve ser assim tão grave ou impossível de resolver. Um vicio, dependendo do vicio, é tratado com uma boa dose de compreensão, espaço e boa disposição.
Uma zanga, esfuma-se no ar, com uma simples caixa de chocolates, um bilhete e 2 rosas. Um jantar ou um piquenique com os filhos. Uma ida ao cinema, um jantar romântico à luz das velas em casa. Ou até mesmo um banho e uma massagem.
Há que saber ser-se. Há que saber compreender, aceitar e ouvir o outro para que uma relação cancerígena, se transforme num verdadeiro conto de fadas. E ás vezes nem é preciso muito para que se torne e se volte a envolver com o mesmo amor que cada um tinha no inicio do seu namoro.

As relações de sucesso, são criadas por duas pessoas com amor uma pela outra e não simplesmente ódio. Duas pessoas diferentes podem-se amar, se souberem ser. Se souberem crescer. Se tiverem maturidade. Se compreenderem as relações interpessoais. Se souberem aceitar, dar espaço e valorizar as conquistas de cada um. Mostrar onde errou e o que pode fazer para corrigir. O que pode melhorar. Comunicação é importante, mas o saber comunicar e lidar com a pessoas que amamos é algo diferente.
Se duas pessoas se amam, por muito diferentes que sejam, ou opiniões que tenham -- cada pessoa pensa por si o que é diferente e o demasiado diferente -- não vejo a razão de haver distanciamento, frieza, ódio, raiva, nojo. Existe desconforto, mas também existe aceitação e compreensão.


É comigo com quem tu te queres casar?
É comigo com quem tu queres ter filhos?
É a mim que tu queres aturar?
É comigo com quem tu queres aprender, crescer, ensinar, descobrir, viver, sentir e explorar?
É comigo com quem tu queres partilhar a tua velhice?
É de mim que tu queres receber o carinho, o amor, a dedicação e a atenção para o resto da tua vida? Quando tiveres velha e senil. Quando não te conseguires mexer nem limpar...
É comigo que queres partilhar a velhice e a doença?
É ao meu lado que desejas partir?
É comigo?
-- "Sim!"


Uma relação não deve ser vista como uma prisão, mas como uma caixinha de surpresas! E acreditem, existe muita coisa para descobrir e aprender dentro dessa caixa.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

40 bolos... e uma dor de dentes!


Na pesquisa por um bolo, deparei-me com este site, e logo me apressei em ver os posts de bolos e doces. Eis que me deparo com uma lista de 40 ideias para bolos, para oferecer no dia da mãe.

Se repararem, as cores Laranja e Chocolate aparecem bastante nesta lista. E sem dúvida de que cada um deles nos desperta atenção, desejo e gulosice. Para não falar da água na boca...

Não se esqueçam de lavar os dentes! Gulosos...
40 bolos... e uma dor de dentes.

Não sei porquê, mas fiquei com vontade de provar a Tarte de cenoura...

Pais e o sexo...


Sexo. Fazer amor.
Como será que os pais pensam nos seus filhos a fazerem sexo com os seus namorados/namoradas?
Como é que imaginam? O que sentem? O que vêm? Do que têm medo?

É um assunto "tabu"? Depende da perspectiva. Se eu tenho uma certa... vergonha em debater este assunto? De momento sim, mas talvez tenha uma opinião diferente quando acabar este texto.

Como é que os pais se sentem, ao saberem que o seu filho iniciou a vida sexual? Que tem uma vida sexual activa. Quer seja má ou saudável. Pois existem várias perspectivas do mesmo assunto. Fazer amor sem haver amor, não é saudável. Fazer amor sem ter prazer, não é saudável. Fazer amor "obrigado" também não é saudável.
Eu não sou pai, ainda, mas... De certa forma, e talvez esteja a pensar demasiado cedo nas coisas, pois eu próprio ainda sou um rapaz "muito novo", que pouca ou nenhuma experiência tem com a sexualidade. Mas acho interessante, da perspectiva dos pais, a maneira como eles/eu vêm os seus filhos, o que imaginam, se é que imaginam alguma coisa.
Educamo-los e educam-nos (a nós) para usar o preservativo. Será que eles sabem quando estamos a fazer amor? A porta está trancada... não se ouve nada a não ser a televisão ou a música. O que sentem?
-- Estão a fazer amor... É melhor deixá-los sossegados.

E nós? Conseguimos imaginar os nossos pais a fazer amor? É muito semelhante ao que nós fazemos com as nossas namoradas/namorados, mas... parece estranho. Em algum momento da vida deles, o paizinho teve de ejacular dentro da mãe. Assim como as vossas professoras, tiveram de receber o esperma dentro delas. Demasiado pornográfico? Ou demasiado natural? É estranho, é interessante e pertinente abordar este assunto.
Fazer amor torna-se algo "bonito", algo do qual obtemos prazer e onde libertamos o nosso stress frustração, mas também é um momento único onde podemos dar e receber amor da maneira mais física, psicológica e emocional possível.
Como abordei num texto anterior, as pessoas ao fazer amor transformam-se. Não significa que seja pelo lado negativo. O cérebro, quer do homem quer da mulher, ficam um pouco mais concentrados no prazer, no próprio prazer, mas também no prazer um do outro. Deixam de conseguir falar para começarem a ter uma respiração mais acelerada, com o calor do corpo, os cheiros, os aromas, o prazer, as sensações físicas, os gemidos, e a maneira como se abraçam ou se tocam um ao outro, torna o ambiente naquele local, muitos mais do que "fazer amor", para passar a ser uma explosão de amor e prazer.

Sem dúvida de que a geração de hoje tem uma mentalidade muito mais aberta, muito mais interessada em descobrir e aprender. Dependendo da pessoa.

Mas abordemos outro assunto. E chega até a ser bastante engraçado.
Quantas das pessoas que vêm num shopping, acham que fizeram amor à 15, 20 ou 30 minutos?
Acontece. Nunca me aconteceu, que me lembre, mas achei engraçado e interessante quando o meu irmão me perguntou pela primeira vez.

Imaginar os nossos pais a fazerem amor, ou a combinarem horas quando não estamos em casa para fazer amor, é algo "estranho". Só em filmes! Não é?
E as cenas mais ousadas? As langeries? As Fantasias? Será tabu pensar nisto, e até para mim se torna "estranho", mas é algo natural.

Os filhos deitados ainda na cama, ou a verem desenhos animados, e os pais a fazerem amor de porta aberta.
Os filhos na escola ou com as namoradas, e os papás a combinarem uma hora a aproveitarem o tempo para se dedicarem um ao outro.
Não fazem amor todos os dias? Não é importante, desde que haja amor, respeito e maturidade. Não sei como será a minha vida como pai, de casado e com filhos. Mas tentarei dar à minha mulher espaço para se sentir confortável. Dar-lhe amor e carinho para se sentir amada ou bem disposta, sentir que tem pertence, que tem um local dela. Que saiba que eu a amo quer haja muito ou pouco tempo para aquele momento tão especial.

Fazer amor, para mim, não é foder, nem é "sexo". Existe um pouco de prazer à mistura, como tudo, mas não significa que não tenha carinho e respeito pela pessoa. Já por algumas vezes me saíram palavras "estranhas", mas não significa que quem as diga, namorado ou namorada, seja um autentico bicho. Um porco de merda como todos pensam. Fazer amor, é dar amor, é dar tempo. É dar prazer, atenção, é deixar sair o stress e as frustrações, esquecer o que nos incomoda ou deixa tristes. Uma pessoa transforma-se. Ninguém fica igual durante um momento como este. Nem mesmo um violador. E até mulheres violadas, num certo ponto tiveram prazer. Não digo que seja com todas. É preciso ter a consciência de que mulheres/homens violados não sentem o mesmo, ou podem não sentir o mesmo. Não quero que me julguem. É algo que suponho, é algo que penso, é algo que levo a reflectir. Uma violação não é algo que acontece de ânimo leve. Mesmo para os pais dessa rapariga, ou marido dessa mulher, as coisas, depois de acontecerem se tornam simpáticas. Fazer amor com essas pessoas fragilizadas e brutalmente rasgadas, da mesma maneira que faziam, demora e pode demorar anos.

Pais e o sexo... não abordo este assunto no seu todo, pois tenciono que cada um pense e reflicta sobre ele quando não tiver tão ocupado. Digamos... quando estiverem na paragem à espera do autocarro, ou do comboio. Na fila do supermercado ou à espera da vez na sala de espera.

Há várias maneiras de se fazer amor. Bem... sinceramente, faz-se sempre da mesma maneira. Podem ter é abordagens diferentes. Sentimentos diferentes. Desejos diferentes. Mais preliminares. Mais carinhos, massagens. Cheiros, perfumes, ambientes, iluminação...
Contudo... cada um tem a sua maneira de encarar as coisas. Mas será, por vezes, a maneira mais correcta?
Existe respeito? Existe amor? Existe desejo e vontade? Existe carinho e sensibilidade?

Amor inteligente, relações saudáveis.

sábado, 26 de maio de 2012

Fazes-me sorrir...

[Eu]

Fazes-me rir e não sei bem porquê...
Espetas-me um sorriso na cara e nem precisas de te esforçar.
Ouves-me e aturas-me... eu... um rapaz tão estranho.

Fui beijado por um anjo.
Tocaste-me a alma como ninguém...
Fazes-me ser o que nunca fui, fazer com o tempo, o que nunca fiz.
Abres-me os olhos... e o coração.

Abris-te os braços e abraças-te-me com força, e nunca mais me largas-te, assim desejo essa imagem.
Naquele dia de sol, numa semana tão estranha, o teu sorriso, as tuas palavras, o teu cabelo...
Tive medo... tive vergonha... mas caminhámos um para o outro, vermelhos que nem tomates e ficámos parados. Assim... juntos, à frente um do outro. Toquei-te na mão, olhei para ela e beijei a palma.
-- Fazes-me feliz... -- disses-te.
Sorri e abracei-te com força. Oh... tremeste por todos os lados!
-- Amo-te... Amo-te... Amo-te... princesa do meu coração.

Cada vez que adormeço, invades-me os sonhos. Com os teus olhos tão grandes e bonitos. Pareces Alice a entrar no País das Maravilhas, mas quem fica maravilhado sou eu.
Desejo sentir a tua cara, pequenina, ouvir-te falar no meu colo. Sentir o teu coração e beijar-te com o maior carinho que guardo no peito.
Ver-te sorrir... faz-me chorar. Não de triste, mas de puro amor.
Sedutora-mente bela... magnificamente perfeita. És o espaço que me preenche a solidão e tudo o resto em que eu falho como humano.

Fazes-me sorrir... mesmo quando eu não me consigo levantar.
Ensinas-me e mostras-me, fazes-me crescer... e eu já aprendi tanto contigo, que espero não parar.
Contigo ao meu lado, sinto e sei que serei um bom pai, um bom namorado, um bom marido, pois tenho ao meu lado, a pessoa mais incrível e carinhosa do mundo. Tu!
Com o sonho de lhes ensinar a pintar, a desenhar e a ler... a ouvir a música clássica e o piano na sala...

A nossa relação, é como eu costumo dizer: "é um trabalho em progresso, um projecto inacabado."
É uma vida, uma relação que nunca pensei ser possível, ser real.
Podia sonhar, podia imaginar e até escrevê-la... mas surpreendeste-me com a tua gentileza, a tua sinceridade.
Não sei bem o que escrever, ainda estou em estado de "choque". Chocado pela tua beleza... pelos teus gestos, pela tarde, pelo o brilho dos teus olhos!
Sou um sortudo em te ter.
Desenhas a tua história e ensinas-me a escrever a minha. Com os teus livros, os teus filmes, as tuas músicas, e os teus textos... fascinas-me, invejas-me. Mas às vezes parece que gostas de me irritar... casmurra!
Com tanto rapaz por aí e tinhas de te agarrar a mim... mas eu sou o sorriso escondido que tanto procuravas. "A mente incrível à espera de ser descoberta". Dois tolos, dois casmurros, dois estranhos entranhados de confusão psicológica... coitados dos nossos filhos! ^^

Se não fosse aquele dia... não estaria aqui, não chegaria aqui. Aqui! Onde estou hoje, contigo.
Enfeitiçado pelas curvas do teu corpo, perfumado pelo teu perfume e envolvido nos teus caracóis.
És diferente... e eu adoro-te. Fazes-me feliz.

Fazes-me sorrir... e és capaz de me ouvir chorar. De barafustar e ficar distante. Não porque te odeio, mas porque é a minha maneira de crescer, de dar tempo ao cérebro. Lidas comigo de uma maneira tão especial que às vezes fico envergonhado por não te o fazer mais vezes.
Um dia sem ti, e a minha vida descarrila, num turbilhão de negativismo...
-- És a pessoa mais incrível e inteligente que já conheci! Tenho orgulho e prazer em te ter conhecido.

Amo-te (L)

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Eu tinha de escrever, porque eu sei que me adoras ler... ^^

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Hoje passei pela tua mãe...


Hoje passei pela tu mãe... e disse-lhe bom dia. Ela admirada, respondeu:
-- Ola. Bom dia.
Disse-lhe que te amava e ela esboçou um sorriso de orelha a orelha, escondendo uma  gargalhada de timidez. Corei que nem um tomate.
-- Não quero que fique com uma ideia errada de mim. Mas ela tem um sorriso tão bonito... e cada vez que penso nela fico sem saber bem o que lhe dizer.
-- Ai tu é que és o Paulo... Ela não é uma pessoa fácil; penso que sabes isso.
-- Sim, já pude ver. Mas eu também não lhe fico atrás. -- soltei um sorriso e ela riu-se.
-- O amor é louco não façam pouco. -- disse ela olhando para mim.

-- És um rapaz cheio de sorte em tê-la ao teu lado.
-- E ela é uma rapariga com um rapaz único. -- respondi, tentando mostrar à tua mãe que era um rapaz de bem.
-- Sempre soube que vocês fariam um bonito casal. Um casal estranho e difícil, mas um bonito casal. Com muito para dar, com muito para aprender um com o outro. Acredita em mim. Eu sei o que tenho em casa!
-- Ela faz-me mesmo feliz...
-- E tu a ela? Depois de terem voltado, parece que lhe caiu a graça do espírito santo em cima e anda sempre com um sorriso, sempre bem disposta. Nem sabes o bem que lhe fazes...
-- Nem ela sabe o quão preciso dela.

Do saco que levava comigo, retirei algo embrulhado, sem laços nem cartas. Um mistério e um segredo tal como eu gosto de ser.
-- Podia-lhe entregar isto? Acho que ela vai gostar.
-- E se ela não gostar fico com ela! -- respondeu ela com um sorriso. Eu ri-me corado e um pouco nervoso. Apalpou o embrulho e tentou desvendar o que era.
-- Não lhe tomo mais tempo. Foi um prazer conhecê-la! -- sorri.
-- Pensei nunca vir a conhecer o rapaz que roubou o coração à minha filha...
-- Não... nada disso, foi mais ela que roubou o meu do que o contrário. Acredite.
Despedi-me com dois beijos.
-- Eu entrego-lhe, não te preocupes.
-- Obrigado.

Eu com tanto medo da tua mãe, e mal sabia que ela era um anjo. :$