terça-feira, 1 de maio de 2012

Quando todos se deitam...


Aquele momento na tua vida, em que todos na tua casa se deitam ao lado do seu amor, e tu, és o único que se vai deitar sozinho por não teres namorada. Sem amigos com quem conversar, antes de os teus olhos se sentirem pesados. Em que és o único a quem a vida parece gritar-te sempre que NÃO! ao amor.
A única coisa a que te podes agarrar, será à almofada ou aos teus pensamentos. À tua personalidade, às tuas conquistas, aos teus sonhos, ou à música que toca baixinho no computador. Mas nem estas coisas te ajudam.

Estás sozinho. É este o teu momento de descoberta, de compreensão do mundo social. ÉS! E és o que outros nunca o serão. O que nunca irão sentir. Tu viste o que ninguém viu. Tu sentes o que muitos irão desesperar. És forte e incrivelmente inteligente. Tu viste o fim do teu mundo, do amor, mas não cais-te.
E é assim que se distingue e descobre as pessoas com força emocional no meio de um mundo governado pelas modas, pelos que seguem a corrente. Mas nós, seremos aqueles que seguem contra a corrente e que permitem ao mundo correr.
A história está cheia desses casos. De indivíduos que pensavam fora do quadrado e não com o resto da estatística social. De pessoas que não viam as coisas da maneira como todos as olhavam.

-- Porque é que é assim?
-- Porque sempre foi assim.
Mas eu acho que posso tentar explicar... aprender e crescer.

Não sou, deixei de ser. Se não me tornar em nada na "vida"...
Do que terei de sentir medo? Do que terei de sentir tristeza, ou ódio, ou solidão... Sou eu. Único, e o que nunca ninguém foi. Sou eu. Que cresce, que aprende, que cai e que erra.

Não sou eu que perco, sou eu que ganho e são vocês que perdem.
Sou a íris do meu próprio ser.

A Natureza das cores...


Antes de poder sequer falar nas "cores", tenho de falar nos olhos.
O olho, "... é o órgão da visão dos animais, que permite detectar a luz e transformar essa percepção em impulsos eléctricos.". É um dos órgãos mais complexo que existe em "todos" os animais.
Ainda que seja muito útil para ver a natureza que nos rodeia, existem alguns animais que dispensam de olhos. Como é o caso da Toupeira-nariz-de-estrela (Condylura cristata).

Em Coimbra, em 2010 ou 2011, pude ver uma exibição sobre algumas espécies embalsamadas já extintas, experiências e utensílios usados no estudo de plantas, químicos, etc. Numa ultima sala, pude ver a evolução do olho, desde a sua origem até aos dias de hoje. Acho que não se podia fotografar, e também já andei à procura na internet de uma imagem fácil de interpretar como a que lá vi, mas não encontrei.

Os olhos, como referi acima, ajudam-nos a ver o mundo à nossa volta, porém existe uma parte importante. A cor!
Se todos vermos as coisas em tons cinzentos, não conseguimos distinguir frutos verdes dos maduros, ou os predadores escondidos no meio dos arbustos. Tudo seria estranhamente difícil de interpretar.

Para que serve então a cor?

Instinto animal
Distinguir objectos, animais no meio ambiente (predadores), camuflagem, aviso de perigo.

Marketing
Chamar a atenção através de cores fortes. Sinais de transito, semáforos, roupas, padrões. À uns anos li um estudo de que os seres humanos estavam a perder a capacidade de distinguir  as cores. A causa principal era o marketing por trás de todos os produtos, que usam cores fáceis de interpretar pelo cérebro. O que não estimula.

Alimentação
Distinguir frutos maduros dos verdes.  Distinguir arbustos venenosos dos não venenosos, da mesma maneira com os animais. Existem animais que usam camuflagem ou as mesmas cores que animais venenosos para não serem comidos.

Emoções
As cores causam várias emoções. Daí se usar Verde, Amarelo e Vermelho nos semáforos. Ou o rosa nas paredes das prisões para acalmar os reclusos.

Saúde
Conseguimos distinguir pessoas com falta de ar, pessoas com má alimentação através da cor pálida da pele.

Acasalamento
Existem aves que enfeitam o ninho com tons azuis. Saiu um estudo à uns meses (2011), de que as mulheres sentem-se mais atraídas por um homem de vermelho. A cor dos olhos, dos cabelos, dos lábios, das bochechas também são um papel importante neste acto.


Serve para algo mais, e até com bastante importância no mundo de hoje, quer para a área da alimentação e para o tratamento de águas. Permite medir o PH.

Para além de nos ter permitido (as cores), nos primórdios dos tempos, distinguir predadores e presas escondidos nos arbustos, também permitiu distinguir as cobras venenosas através do seu padrão de cores. Frutos venenosos, animais venenosos. A nossa própria capacidade de interpretar a natureza mudou a nossa mente. Mudou a nossa maneira de a compreender, de a ver, de a sentir. A quantidade de informação que atravessa os nossos olhos é incrível. É tanta, que nem o computador mais avançado de hoje teria capacidade em descascar, em compreender, em detalhar. Usamos software com reconhecimento de pessoas, objectos, de caras, scans de retina, mas em nada se compara à quantidade que o nosso olho + cérebro conseguem captar numa única imagem.

Pode-se dizer que foi foi um dos grandes impulsionadores (a visão das cores). Podemos não ter a melhor visão, mas como se sabe: Espécies diferentes, visões diferentes, capacidades cognitivas diferentes. Pois o facto de conseguirmos distinguir mais de 10 milhões de cores, permite-nos ver mais, conhecer mais do que existe à nossa volta. Se temos mais informações, é uma questão de tempo até a sabermos usar. É essa uma das razões de sermos um dos animais mais inteligentes e que evoluiu com mais capacidades do que muitas outras criaturas. Contudo, existem animais com uma visão muito mais dedicada à caça, do que a nossa.

Por isso, estimular a visão da criança, é tão importante como estimular a audição, o olfacto e o tacto. Como é referido no livro "A Inteligência Aprende-se". Onde uma criança com um espaço dedicado ás suas brincadeiras, onde as paredes têm várias cores e texturas, objectos que pode chuchar, morder e receber deles uma estimulação cerebral, evolui mais rapidamente que uma criança sem estes estímulos.

O importante aqui é perceber que através das cores o nosso cérebro mudou e cresceu com as descobertas ao longo de milhões de anos. Quando se começaram a pintar as grutas nas pré-história, até ao Egipto e aos dias de hoje, a nossa capacidade intelectual cresceu exponencialmente.
Mas ainda existe algo fascinante, a "Bioluminescência". A Bioluminescência existe em grande numero nas profundezas do oceano, onde a luz do sol não consegue chegar. E o que esses peixes das profundezas utilizam para afastar outros peixes ou acasalar é um conjunto de cores. E o mais incrível é que conseguem captar a mais ínfima dose de luz. É a evolução no seu melhor, e mais uma prova de que deus não fez nem criou nada.
Algo que ainda não consegui perceber muito bem, é a razão para o rapaz ser associado ao Azul, Verde ou Vermelho, e a rapariga ser associada ao Rosa. Sei que o rosa é uma cor calma, gentil, frágil, mas de onde vem esta "ligação" emocional com as cores? Serão os outros animais também propensos a este tipo de cores?

Mencionei noutro texto a nossa capacidade de olhar para uma paisagem e ficarmos deslumbrados pelas suas cores. O que é o "mal"?
"[...] Ouve um momento na nossa evolução em que uma "paisagem" deixou de ser vista como uma possível casa mas como um "fascínio". Mas é preciso ter cuidado com a maneira como "vemos" a palavra "paisagem" ou "espectacular". E eu irei mais fundo neste assunto. [...]"

Sem cores, não haveria arte. Sem arte não haveria progressos nem descobertas. Sem a sua vibração espalhada pelos nossos neurónios, não haveriam presas nem predadores. Tudo era monótono, e possivelmente, apenas as plantas sobreviveriam. Contudo, a natureza desprova as minhas palavras, mostrando que existem animais sem capacidade de ver o mundo, mas que continuam a viver nele.

A maior conquista do universo, é a sua capacidade para originar organismos capazes de deslumbrar as suas maravilhas.

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Teoria das Cores
Cor dos Olhos
Olho da Evolução
III - EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS. O OLHO E AS RECENTES DESCOBERTAS SOBRE OS ÓRGÃOS VISUAIS DOS MOLUSCOS


sexta-feira, 27 de abril de 2012

O dia da Morte / O valor da Vida

Depois de ver o filme "O Tempo que Resta" (Le Remps Qui Reste - 2005), comecei a pensar como seria se eu soubesse que iria morrer dentro de um mês, mais dia menos dia.
Só o facto de não saber, assusta, mas se tivesse a certeza do dia e da hora... isso seria ainda mais assustador.
Perdemos a noção de tudo? Deixamos de dar valor a tudo? Às pessoas? Talvez o nosso Eu comece a dar mais valor às coisas que antes... pareciam nem existir.
"Vive cada dia como se fosse o ultimo". Se assim fosse, ninguém trabalhava, porque a vida que nos resta não deve ser desperdiçada a trabalhar. De facto, ao sabermos que temos X dias de vida, faz-nos desistir do emprego. "Qual é o objectivo de continuar? É suposto vivermos e sermos felizes nos nossos últimos dias.".

Faz-me lembrar um documentário sobre o Suicídio Infantil que vi à vários anos. Um rapaz marca o dia e a hora, e naquela semana, ele viveu como se cada dia fosse o seu ultimo. Podia sentir as coisas que o rodeavam, tudo parecia ter vida, tinha valor. Comer um gelado deixava de ser só por gulosice e até a água tinha outro sabor, outra textura. Cada parte do seu corpo parecia respirar.

Mas... o que fazer nesses últimos dias? Naqueles tempos mortos que por vezes aparecem e ficam colados como resina. São uma tortura, porque vamos morrer e não estamos a aproveitar o tempo, estamos só a vê-lo passar. Se calhar é esse o sentimento que procuramos afinal. No fim de tudo. Sentarmos-nos no meio do nada de uma natureza que hiperativa, a ver o tempo passar por nós...
Alguns dormem, outros preferem continuar com a mesma rotina. Despedimos-nos da família e dos amigos. Isolamos-nos ou convivemos, OU, tiramos as melhores férias. "Mortos não pagam dividas".
A comida e a água ganham outro sabor, cada garfada é uma mistura de dor, de saudade, de angustia e de autenticas explosões de prazer.
Choramos a nossa morte, choramos o inevitável, choramos a solidão do nosso Eu, no nosso pequeno mundo, da nossa pequena bolha. A nossa bolha!

É no fim, que damos valor a cada rotina da nossa família, a cada palavra, a cada viagem, a cada jantar, a cada ida ao cinema. Não vamos pelo que lá encontrarmos, vamos por eles, pela viagem, pelas conversas, pelos risos, pelos rostos. Mas... estar junto deles sem nada para fazer é o maior sentimento de impotência e tristeza para com aquele dia, que de certa forma perdemos. Porque, por muito felizes que estejamos ao lado deles, cada olhar para aquelas pessoas que "um dia foram" a nossa familia, percebemos que eles continuarão os seus caminhos, a sua vida. Que o seu peito ainda irá encher milhares de milhões de vezes, que poderão ver o mundo, que poderão abraçar, beijar e dizer: "Amo-te" ou "Adoro-te". Caímos de joelhos num choro que nos tira o ar.

Queremos sentir-nos vivos, activos, ocupados com algo que valha o tempo da nossa atenção. Que valha tanto ou mais que estes últimos segundos da nossa vida.
A ida à escola deixa de ter valor, porém... sentimos algo enquanto esperamos ou enquanto nos sentamos e ouvimos pela ultima vez aquele professor que tanta raiva nos dava ou que tanto prazer nos dava em ouvi-lo. Percebemos que ninguém a não sermos nós, naquela sala ou naquele corredor, sabe que vamos morrer. São pessoas que combinam o fim de semana, e cujas as agendas se enchem de tarefas até ao próximo mês.
Ficamos sozinhos. Estamos sozinhos. Pois falar não vai adiantar de nada. Ninguém sabe como nos sentimos. Ou gozam ou sentem pena. E nós? Teremos mais um ou dois dias depois desta semana acabar. Se tivermos essa sorte. Contamos então as horas perdidas, os minutos... as tarefas chatas.

O nosso propósito neste mundo, deixa de existir. Deixamos de ter valor, de ter tempo. Deixamos de ser, de criticar, ou criticar tudo o que agora tem tanta importância. Porque devia ser assim e não assim, devia existir isto ou mais daquilo. O próprio mundo deixa de ser ainda menos perfeito do que era quando olhávamos para ele.

Como gerimos o tempo? Como o sentimos? A correr? A passo de caracol?
Não, a vida não é fodida, nem difícil, nem um desafio. Não o era à milhares de anos atrás, até alguém começar a mandar. Não havia assassinatos, nem violações, nem guerras em nome de deuses ou de ideias ou de territórios, apenas lutas e conflitos entre famílias, entre grupos, entre espécies pelo seu território, pela sua comida. Quando ainda éramos australopitecos, quando tudo não passava de uma grande confusão, a vida sim, era bonita. Não havia tempo e por consequente não havia stress, nem obrigações, nem casa para pagar, nem água, nem luz, nem escola para pagar, nem transportes. Podíamos morrer de uma dor de dentes? A dor era terrível? Sim, podíamos, mas nunca na vida nos podíamos sentir tão vivos. Nessas alturas, o nosso corpo esperava que tudo parasse. Porque depois de uma constipação, ficamos maravilhados com a energia do sol. Basta ficarmos uns dias doentes, ou torcer um pé, que ficamos logo com saudades da nossa energia. A Saudade vem bater-nos à porta de casa e pergunta aos nossos pais se podemos ir brincar para a rua.
Não havia medo da morte, apenas medo de ser comido ou abandonado.
A vida tinha valor.

A dias da nossa morte, lembramos-nos de tudo o que queríamos fazer ou que podíamos ter feito. Mas sabemos que já não temos tempo. Uma lista que é preenchida ao longo do tempo que nos resta é a melhor maneira para termos a certeza de que não nos esquecemos de nada.

Quando recebemos a noticia, engendramos maneira de arranjar tempo para pedir desculpa ou dizer o que nunca dissemos às pessoas que nos rodeiam. Para um pai será o mês mais difícil da sua vida. Saber que nunca irá ver o que os seus filhos alcançarão, no que se irão tornar. Que amigos irão fazer, as namoradas/os, os choros, as aventuras, as conversas, nos filhos, nos netos. Faltava dizer tanta coisa, faltava mostrar-lhes tanta coisa...

Sinceramente.... não sei o que pensar ou concluir, sei apenas que se acontecer comigo, não me calarei um único dia! Que iria passear e fazer tudo o que nunca fiz. Eu sei que é esse o objectivo, mas como se costuma dizer: "Só damos importância às coisas quando elas desaparecem".

Já não tenho medo da morte.

Não somos mais do que uma sombra...
Não somos mais do que uma memória,
Uma lembrança, um sentimento, uma ideia, um gesto.
Somos apenas fotografias emolduradas, que eu dia serão esquecidas.


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My Life Without Me
P.S. I Love You
O Tempo que Resta
The Jacket

Regressar depois da Morte
Anna Bagenholm (Back from the Dead)

Nostalgia...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Inspiração divina...


Segundo escrito no wikipédia, sobre aquilo que é "A palavra de deus" em Bíblia, a própria bíblia é:
"É considerada pela Igreja como divinamente inspirada."

Se é uma inspiração divina, não prova que vem de deus. Outro facto interessante, é que foi escrito por várias pessoas, por 40 para ser mais preciso.
Trata-se de um documento doutrinário originalmente compilado pela Igreja Católica para orientação de suas doutrinas.
Para além de ter sido escrito de 40 maneiras diferentes, a mesma história, foi compilado, filtrado, escolhido a dedo, o que ficava e o que não ficava.
Porém, o interesse neste texto não é falar na bíblia em si, mas na maneira que foi escrita. E as histórias foram divinamente inspiradas. O que significa, que à mais de 2000 anos, o que a bíblia pretendia ensinar e explicar, era o mundo daquela época. Escusado será dizer que não foi escrito para Europeus.

Inspiração divina, tem muito que se diga sobre ambas as palavras.
Primeiro de tudo, o que é "inspiração"?

Inspiração é uma emoção, um sentimento, (ódio ou amor) que temos por algo que nos fascina e motiva a fazer algo. É um processo emocional como a endorfina, que está encarregue de nos injectar com doses de prazer/ansiedade quando andamos de montanha russa. É o prazer misturado com o medo.
Continuado. Inspiração é um acto que surge na nossa mente através de emoções. E neste contexto, inspiraram-se numa criatura suprema, super inteligente, poderosa e sábia. A razão de todas as coisas. Bem... não, ele não é a razão de todas as coisas. Aliás, ele nem sequer existe, porque, ou ele tinha enviado um livro cá para baixo, o que acho estranho, porque ele nunca escreveu na vida, e a escrita humana, incrivelmente, apareceu à cerca de 7000 anos, pelo que pura e simplesmente, não existe nenhum deus. É um facto.
Ou tinha também inspirado todo o mundo, já que ele está em todo o lado e em todas as pessoas. Mas não, preferiu "hipnotizar" apenas aqueles coitados que não tinham grande coisa para fazer.
Inspiração tem apenas um significado e várias áreas onde se pode usar.
Para eles, foi uma tentativa de explicar o nosso mundo através de algo poderoso que nunca compreendiam. Da mesma forma que antigamente se matavam virgens ou se faziam danças para os deuses darem chuva, hoje sabe-se perfeitamente como é que se formam as nuvens, do que são feitas, como viajam pelo globo, como é transportada a água, a que temperatura evapora, e... por incrível que pareça, o tempo continua imprevisível.

Deus pelos vistos não controla a natureza, mas pelo que diz na bíblia, criou tudo. Afinal parece que não.
Divino, é algo de maior, que transcende a compreensão. Não de todos os indivíduos mas apenas de alguns. Porque... ainda que não compreenda astrofísica e construção de satélites, posso dizer então que é algo que me transcende, que é divinal! Porque é fabuloso, consigo ver as implicações que isso traz ao meu quotidiano e no entanto, não tem qualquer conexões com deus, nem com jesus, nem com religião, mas com electrónica e muita matemática e física.

Neste momento, a bíblia acaba de ser queimada. Não é mais do que um conjunto de folhas, de histórias, de moralismo, de ciência arcaica para tentar explicar e ensinar como funciona o nosso mundo e porque é que é assim. Basicamente, ele é assim porque deus quis. Não, não é porque deus quer, é porque é assim mesmo à milhares de milhões de anos. A própria palavra "biblia" não pertence à igreja, é uma palavra que conjuga várias outras. É uma palavra que expressa um conjunto de palavras. Neste caso, uma bíblia de códigos para computador, é um apanhado de todos os códigos/cheats para jogos de computador. Os chamados Almanaque. Mas o termo bíblia, também foi usado antes. E foi usado, e acredito, para englobar um conjunto de histórias, de ciência, de tecnologia. Bíblia tem implícito a palavra "biblioteca" e a biblioteca é um local onde se guardam vários livros. Pelo que, na altura a imprensa ainda não tinha sido inventada, e era necessário dar um nome a um conjunto de ensinamentos. De alguma forma, tinha-se de ensinar os padres e os reis a ler. E como todos sabemos, as folhas de papel, com o tempo começam a ser comidas ou a ficar frágeis. Uma prova disso são os papiros, que com húmidade e calor extremos, podem danificar e fazer o papel perder a sua consistência.

A inspiração divina, não necessita de ser feito através de um pensamento sobre uma criatura poderosa, pode ser perfeitamente sobre um cavalo alado, uma constelação. É algo divino e deus não é mais nem menos que zeus, pois ele, tal como todos os outros, foi criado pela imaginação.

Ontem de noite apercebi-me de algo. Antigamente os nossos antepassados acreditavam que o Sol nascia todos os dias. Que nascia mesmo de Nascer. Que tinha uma morte, um tempo de vida. E se nós próprios também acreditávamos que quando vinha a escuridão, morríamos por uns momentos? Bem... isso ficou fora de questão a partir do momento em que tivemos de nos manter acordados à noite, quer no topo quer no sopé da árvore a vigiar o perímetro de predadores.
O que é interessante, pois foi deus que fez os animais, e no entanto, se tiverem possibilidade somos caçados e comidos. Não me parece uma boa pessoa esse grande e sábio deus.
Para castigar? Limpava-nos de uma vez.  "-- Mas nem toda agente é má!". Tens razão sim senhora, mas então explica-me porque é que quando ocorreu o dilúvio, que sinceramente foram centenas deles ao longo da nossa história, porque é que apenas a família de Noé é que foi salva? E as crianças? As crianças que morreram afogadas! Que mal fizeram a deus para serem castigas daquela forma? As crianças não têm "pecado". São crianças, são inocentes, mas no entanto deus matou-as. Que giro. :)

A bíblia é apenas um livro de histórias, não é a palavra de deus, se não tinha sido ele a escrever. Para além de que "divinamente inspirados" não significa que tenham sido controlados por deus, mas pelas suas emoções. É através da inspiração, do desejo de fazer melhor, de chegar mais longe que nos inspiramos a nós mesmos, que nos glorificamos abstractamente através de emoções, imagens, cheiros, ideias para criar uma obra prima extraordinária. E a bíblia... está longe de o ser. Considero mais importa os "Lusíadas" e as Odisseias como escrita e história literária da nossa conquista como espécie humana, como mamíferos.
Seja-mos sinceros, já todos lemos histórias muito mais bem escritas e interessantes do que esse livro com um enredo que deixa muito a desejar, cheio de falhas, de lacunas, de erros, de múltiplas interpretações, enfim... Se querem ler um bom livro Harry Potter ou O Senhor dos Aneis, parecem-me livros muito bons, com uma excelente história, lutas e dragões que fazem saltar da cadeira e... estão muito mais bem escritos.

Inspiração divina = Palavra de deus? É esse o espírito!


Podem ler mais sobre este assunto:
A razão da inexistência de deus...
O que é o "mal"?
Porquê acreditar em deus?
Relegiao...
Enstein - Carta revelada...
O Baptismo...
Relegião e a Educação do sec.XXI
Pk nao querem, estudos sobre os seus deuses?
Satanismo
Para os católicos!!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A publicidade da deseducação...


Porque é que a publicidade não é mais cívica?
Porque as empresas não têm a "obrigação" de educar os cidadãos. Porem, se defenderem um lado não/menos moralmente aceitado, são criticadas, "banidas", são lhes apresentadas queixas, e/ou em casos extremos, levadas a tribunal.

Um desses casos é o "reclame" do abandono de animais. Funeral. Foi banido por ser demasiado "triste", melancólico, fúnebre, emocionalmente desconfortante. Porque as pessoas preferem ver publicidade enganosa, sobre telemóveis, sobre a TMN, a Vodafone, sobre a nova moda, a note tendência, dos perfumes, dos festivais de merda, da musica de merda, das contas poupanças da treta! Do que ver uma "publicidade" sobre o abandono de animais, de bullying, de espectáculos, de reciclagem, sobre o cancro da mama ou no cólon do útero, sobre o combate à SIDA ou à violência doméstica, de cursos universitários, de vagas de emprego, de poupança económica, de publicidade em prol da educação e cidadania das pessoas, particularmente das crianças.
Mas é preferível ver publicidade sobre o novo telemóvel XPTO do que se se consciencializarem para o abandono de animais, violência doméstica ou problemas de higiene.

Sim, os desenhos animados já ensinam muito, se bem que há uns que só des-ensinam. E os pais, e os avósinhos e os professores..
Mas não chega! Como é que uma criança pode aprender o mais importante para se tornar um bom cidadão, educado com as pessoas e o mundo, se quando lhe transmitem essa informação a única coisa que ela quer é brincar e intrinsecamente descançar?
A hora de maior atenção já passou à horas, e estar a ensinar algo tão psicologicamente exigente, é como escrever a vermelho numa folha toda pintada de preto. Fica marcado? Fica. É fácil de perceber? Não.

O mesmo acontece com os adultos. "Já não tenho idade para estas coisas. Tenho mais em que pensar."
Como é que funcionou o fascismo? Não é de pequenino que se torce o pepino? E não podemos também educar, (MELHOR!!) Re-educar os pais de hoje? As crianças de hoje?
Eu abordo este assunto em Ser-se... .

Num país, onde pais fumam junto das suas crianças, e que sem pensarem nisso, a dão a fumar do seu fumo, vêm-me vocês criticar a mim porque critico e "culpo" a publicidade que dá na televisão? Vêm-me vocês dizer que cada um é dono de si e que devem saber o que estão a fazer?
Li à uns dias uma noticia que me chocou bastante: Governo quer proibir fumo nos carros com crianças.
Critiquem-me agora por eu criticar o que passa na televisão! Se me criticam por isso, então não têm consciência dos problemas que a televisão trás às pessoas.
Vocês, pais que fumam, gostam que fumem para cima das vossas crianças? Então porque raio também fumam para cima dos filhos dos outros?!? Têm consciência do mal que o tabaco faz? Têm sequer responsabilidade como pais? Têm? A mim parece-me que não. Se para além de não terem respeito para com os vocês filhos, então para os filhos dos outros ainda devem ter menos, mas eu é que sou o mau da fita por criticar tudo e todos... é esse o espírito!

Eu não estou aqui a criticar por criticar, estou a criticar porque sinto e acho que as coisas estão mal! Não estou aqui para moralizar, só para consciencializar, alertar, dar uma opinião, uma visão. Mas eu já faço a minha parte. Não gostam, existem mais blogs, e de certo que é preferível ouvir os comentadores das televisões do que me ler. Por isso não me critiquem, porque pelo menos eu tento dar uma razão, e vocês simplesmente criticam porque é fácil. Nem sequer precisam de explicar porquê, apenas criticam, sabe bem... não é? Exacto.

Outra coisa interessante, que não ajuda em nada os alunos, é os professores pedirem para fazerem trabalhos, quer em Word quer em cartolina e não lhes dar qualquer orientação ou explicação. Quem ensina? Ninguém! Eu não aprendi. Não na minha altura. Hoje estou +/- "preparado", por aprender com o trabalhos dos outros. A falta de organização é uma falha que persegue cada criança até à vida adulta se esta não for corrigida. E por falta dela, inventam disciplinas/ aulas técnicas para os ajudar nesse mesmo aspecto. Não há tempo para tudo, não é? Não há, porque os próprios pais e os próprios professores não querem! Enchem os garotos com trabalhos e mais trabalhos, com actividades extra-curriculares, e ao fim de semana, é só espetar os filhos num ATL e lá vão as mamãnzinhas para a manicure!! E os papásinhos para os campos de futebol ver a bola! Ou emborcar umas cervejas, é maioritariamente assim e não digam que não! Quanto mais ocupados tiverem os filhos, melhor, porque os pais de hoje e de ontem, não querem ser pais.

A falta de organização, devia ser algo ensinado a cada criança, desde tenra idade, mesmo na primária. Começam por arrumar os livros, os lápis de cor, as mochilas e os casacos. Depois no ciclo, é-lhes introduzido os trabalhos em cartolina, trabalhos em computador, etc. Não precisa de ser algo exaustivo, precisa de ser algo gradual, tal como é a matemática e a língua portuguesa, mas o problema com essas duas disciplinas, é que os alunos que não percebem tão facilmente ou com a mesma rapidez, ficam para trás, com dúvidas. Os únicos que se safam são aqueles cujos os pais sabem utilizar bem ou moderadamente as ferramentas para a execução desse tipo de trabalhos. Os pais deviam sentar-se com os filhos e desenvolver esse tipo de trabalhos juntos! Tal como fez o meu pai com aquilo que sabia e podia! Tive trabalhos pouco atraentes de boas notas? Tive, mas não foi por ser pouco inteligente, foi por nunca me terem sensibilizado e ensinado a fazer esse tipo de coisas, a estruturar os trabalhos, a procurar, a reter informação, a resumir. E quem devia ter a obrigação de me ensinar, nunca me ensinou.

É um problema, pois se a criança não é capaz ou não lhe é ensinada a ser mais organizada, o seu pensamento, atenção e aprendizagem nas aulas, em casa, no ATL ou seja onde for, ficam confusas, baralhados e só irão compreender as coisas que já deviam ter percebido à uns anos atrás, com uma idade muito mais avançada. Só comecei a compreender melhor o uso da história de portugal para uso de "cultura geral" e para as minhas próprias experiências, para uso pessoal, quando fiz 16 anos. Numa noite em que fazia parkour aqui na minha terra com uns amigos. Deu-se-me um vaipe, e compreendi na altura. Juntei os pontos e tudo se iluminou. Coisas que eu pensava que tinha esquecido ou que não serviam para nada, faziam agora sentido. Faz-me lembrar o filme "Limitless".

Criamos então crianças desorganizadas com problemas de organização de ideias e de informação, de matéria, de educação, de cidadania, de moralismo. E comercializa-se-lhes produtos, modas, ideias e emoções baratas (falsas), que não as ajuda em nada, só prejudica.

Existe um problema em todo este portugal. E todos sabemos que a televisão influencia muita gente em muito pouco tempo. Falo sobre a televisão pois é o que chega a mais pessoas, mas não se esqueçam da rádio, das revistas, dos jornais, dos posters na rua, nos panfletos, entre muitos outros.

Abordei um assunto também sobre a publicidade, sobre o trabalho de pessoas que não tinham valor nenhum para outras. Aquele monte de revistas...
Hoje em dia não se dá valor, quer ao individuo, quer à equipa, e li a razão de isso acontecer em portugal. Como se pode ler na revista Marketeer - Nº 189 Abril de 2012, das páginas 17 à 20.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O nome das coisas...


"Como te chamas?". Porque é que é tão importante? Quer dizer... porque é que gostamos de saber como os outros se chamam? Não em todas as ocasiões, mas quando nos envolve de alguma maneira.
É e serve para identificar, conhecer e interagir "melhor". A pergunta é feita tanto para pessoas como para  objectos, animais, plantas ou natureza.
Não precisamos de saber o nome para o usar, mas precisamos para poder conversar sobre ele. Chamar-lhe "esta coisa", não diz muito e uma imagem de um objecto ao fim de algum tempo acaba por se perder nos cantos do cérebro. A identificação através de uma imagem e de um nome, é a ferramenta que pertence e é usada no córtex cerebral.

Informações sobre Memória.

Quando perguntamos o nome a outra pessoa, existem vários porquês associados. Podemos perguntar para posteriormente lhe associarmos os dados, sejam eles quais forem. O nome associa-se a uma cara, a uma roupa, a um momento, a um sentimento, tudo criado pelo cérebro. É por isso que quando olhamos para alguém e a reconhece-mos "facialmente" mas não através do nome, ficamos a coçar a cabeça à procura do nome. Vasculhamos todos os cantos e recantos, e se porventura tivermos a "infelicidade" de não nos lembrar-mos... lá vem o momento embaraçoso.

Perguntar o nome a uma pessoa que se encontre à nossa volta, e que possivelmente tenha comunicado ou esteja a manter uma conversa, é uma maneira de lhe dizer-mos: "Estou interessado em te conhecer melhor." ou "Quero que vás mais longe na tua opinião." ou ainda "Podes-te chegar mais perto de mim ou do nosso grupo.". Haverá outras, mas fico-me por estas, pois o intuito é perceber porque é que perguntamos.

Mas tem de haver algo mais. Algo que explique o porquê de uma cara sem nome ser... estranha e misteriosa, com um pouco de desconforto à mistura.
Na caça, quando ainda caminhávamos na savana, conhecer e saber quem estava ao lado de quem e onde, permitia localizarmos-nos no grupo, como por exemplo identificar o macho alfa.
O nome passa a ser então, mais do que uma palavra, passa a ser um resumo da própria pessoa. Um resumo conciso e fácil de lembrar. O X e o Y são bons a atirar lanças. O Q é bom a correr durante muito tempo. O Z é bom a incorra-lar e a orientar as presas para uma emboscada. Sabemos que o X está ao lado do Y, que o Z está lá mais à frente e que o Q vai do lado oposto. Podemos então pedir que cada um deles execute uma acção, não como grupo mas como indivíduos. É fácil de perceber que se todos fizerem bem o seu papel, acabarão por apanhar o animal. É uma macro-acção realizada por indivíduos, tal como o fazemos quando utilizamos um computador. Mexemos no rato, no teclado, entre outros dispositivos, para realizarmos uma acção. Quantos mais objectos conhecermos e soubermos manipular, melhores e mais rápidos nos tornamos.

Um nome ajuda a resumir um individuo/objecto, da mesma maneira que as caras não são todas iguais, nem mesmo em animais, por muito parecidos que nos sejam. As ovelhas sabem destingir a mãe, o pai, ou os irmãos. Ainda que para nós nos seja impossível.
Os nomes vieram tornar tudo muito mais rápido. Permitiram a evolução do cérebro humano, a criação e associação de palavras para símbolos, sentimentos, ideias, etc.

Existe algo que nos intriga, especialmente se essa pessoa tiver uma máscara à frente. Mas nesse momento não queremos saber o nome, queremos conhecer a cara. Mas qual é a razão? Por dia passamos por centenas de caras, e a que nos intriga mais, não foram aquelas que têm muito mais para contar no interior, mas aquela que está escondida. Um nome deixa então de ter valor, pois o mistério, se revelado, passou a ser outro e não o nome. O nosso cérebro ficou saciado, pois o que nos faz especular ainda mais, é a razão para o qual a pessoa estava a usar a máscara e que outros segredos e mistérios esconde.

Um nome é apenas uma informação de fácil acesso para outras informações. Se pensar em maçã, a imagem da maçã surge-me à cabeça. Se pensar no meu irmão, ele aparece-me com um sorriso na cara. Se pensar em mim, lembro-me de rapaz estranho de cabelo comprido do qual não conheço muito. Tudo tem um nome associado, nem que seja apenas "jardim", mas como se costuma dizer, uma imagem vale mais que mil palavras, e dar um nome a uma fotografia, hoje em dia tem uma grande importância pois de certo que irá ser pesquisada pelo que contém e não pela extravagancia do seu fotografo em lhe dar nomes sem nexo ou sem nada haver.

É importante dar um nome, mas mais do que isso, é importante dar valor, se assim o desejarem,  às imagens que guardam na memória, pois sem elas, hoje não seriam nada. Como humanos, não seriamos nada, não teríamos a capacidade de memorizar, e até mesmo as lembrar-mo-nos de emoções. Tenho dificuldades em acreditar que estariam tão vivas em nós se não tivéssemos criado e evoluído a partir de algum sistema/mecanismo. É essa uma das razões básicas que nos leva a perguntar: "Porque é que é assim?" "Porquê?". O ser humano nasce curioso pelo mundo, porque é algo que o cérebro aprendeu a fazer. Dar um significado às coisas. Dar um nome, uma razão, uma emoção, uma lembrança, algo que possa usar para partilhar ideias. A linguagem, falada e escrita, não são mais do que uma extensão das nossas emoções. Um sonho não é apenas um conjunto de imagens, são emoções. São um conjunto de acções que criam um sentimento. E sem compreender esses sentimentos, ficamos estranhos, vazios, incomodados, pois não percebemos o que temos, quer seja bom quer seja mau.

Existe uma razão para tudo o que nos rodeia, e se eu puder aproximar-me daquilo que vocês não vêm, sentir e perceber aquilo que vocês não sentem nem percebem, por muito disparatada que possa ser a minha visão e explicação das coisas, ficarei mais consciente do que sou, enquanto animal que sou instintivamente. Serei mais capaz de dar explicar o ser humano, o meu mamífero interior com cérebro capaz de recordar caras, nomes, objectos, símbolos, imagens, momentos...

Um passo de cada vez...

terça-feira, 17 de abril de 2012

A tristeza do teu olhar...


Olho para ti, deitada sobre uma cama feita de branco. Um azul gentil pintado em volta de desenhos rendados. Eram flores que pareciam crescer dos pés da cama e descansar sobre as almofadas.
A janela iluminava o quarto vazio, sem prateleiras, sem livros, sem bonecos...

Estavas calada, inerte, de vestido e pés descalços. Uma gota escorreu-te pela cara e olhas-te-me com desgosto. Senti nos teus olhos a dor, as perguntas que te faziam enlouquecer e entrar num estado onde nada fazia sentido; onde cada pensamento te oprimia, te corroía, deixando um sorriso arrepiante e tenebroso na face que ardia em morte. Um medo depressivo que rasgava a força dos teus ossos.

-- Porque me fazes isto? -- choravas.
Podia sentir o atrofio do teu coração junto do meu ouvido. Um respirar fraco de um peito em doença. A dor apertava-te os pulmões, num desespero sufocante que te degolava.
Já não tinhas sonhos, nem desejos... assim falavas, engolida por um túmulo.

Era desesperante ver o brilho dos teus olhos escorrer já sem lágrimas. Sem força, deitada assim tão pálida, transformavas a cama no teu leito fúnebre.
-- Porque é tão difícil amar-te? -- acusavas. -- Preciso de ti! -- e engoliste em dor, a resposta que nunca consegui deixar voar. As entranhas torciam a cada raiar do sol, sem puderes sentir o meu corpo junto do teu; Num abraço puro e inexplicável, em que os pêlos que se levantavam e todo o teu corpo tremeria. Querias sentir o conforto, a segurança que nos envolvia em cumplicidade.

Ergueste a mão olhando para mim... uma lágrima desceu pela cara, deitou-se gentilmente nos teus cabelos e disseste-me num suplicio, com a voz magoada e atirada ao medo:
-- Beija-me... beija-me...
Olhas-te para o lado; Poisas-te a mão sobre teu peito e os olhos fecharam. Temes-te o mundo.

Depositei na tua testa um beijo, e outro e outro... olhaste-me de frente, chorosa. Beijei-te o nariz e senti as lágrimas nos teus doces lábios. Senti a tua cara e limpei as lágrimas com dois ternerusos beijinhos. A minha mão acariciou-te a rosada bochecha. Encostaste-te a ela, derramando duas gotas do mais puro cristal.
-- Amo-te tanto... -- soltaste, num choro descontrolado, num abraço apertado da saudade mais profunda, da tristeza mais salgada. -- Preciso de ti! -- gritas-te num descontrolo de lágrimas e soluços. -- Sê meu...

-- Amo-te!



Nada podia ficar ao acaso... (+/- 4h)