terça-feira, 29 de junho de 2010

Mãe...




Mãe... hoje quero ficar aqui contigo, deitado na cama, a descansar.
Mãe... hoje não quero brincar.
Quero ficar abraçado a ti. Quero sentir o teu coração bater devagar... e adormecer.
Quero ficar embrulhado nos lençóis da cama, sossegado na tua almofada, cheirando de longe o aroma da almofada do pai.
Quero que o sol pare na janela, e o tempo ande devagar.
Estou cansado mamã... não quero ir lá fora, e também não quero comer.
Não quero ir passear, ou estar junto da sckuly.
Mamã... tenho medo. Deixa a porta aberta, para que te possa ouvir.
Deixa-me ouvir a água da panela ferver...

Mãe, fica só mais um bocadinho.
Lê-me uma história, beija-me e aconchega-me entre os peluches.
Baloiça-me no teu colo, e fala-me baixinho.
Mãe.. mãe?
Tenho saudades de quando me seguravas, e me fazias sentir frágil.
Tenho saudades dos remendos nos bonecos, e das pantufas de lã que fazias no inverno.

-- Mãe?
-- Diz filho...
-- Eu não quero crescer...

domingo, 27 de junho de 2010

Lago de Infância...


Estou agora no lago...
Tenho o pé na água, e sinto-o gelar.
Os calções molham-se em cada passo, para o interior daquele azul profundo.
Os peixes nadam entre as minhas pernas, sinto as suas caudas baterem-me...
O sol da tarde, trespassa os ramos dos eucaliptos, que enchem de mentol aquela baía pequena.

Depois de um banho, eu e o meu irmão, brincamos à beira do lago, montando com pedras uma barragem.
As ondas pequenas, fazem-nos imaginar tsunamis, e reforçamos as pequenas paredes da "muralha".
A minha mãe chama-nos para colocarmos o creme, e é então que nos transformamos em pequenos índios, pintados de uma só cor. Pegamos nuns ramos já mortos, e lutamos um com o outro, entre as árvores e folhagem morta, que nos pica as pernas, e nos magoa os pés.
As espadas chocam e pode-se ver as faíscas saltar. Saltamos agora nós para dentro de água, e a minha mãe grita para que saiamos dela, pois tínhamos acabado de comer pão com tulicreme.

Só dali a 20/ 30 minutos é que sairíamos da água.
O pai tinha nadado até à outra margem, e nós a brincar com o que podíamos.
As cadelas, descansavam nas nossas toalhas, e a minha mãe vigiava-nos da sombra.

-- Está frio aqui...
-- Faz chichi.

És estúpido...


És estúpido...
Insensível e parvo.
Distante e incompreensível.
Frio, mau.
Ignorante, puto, pirralho, convencido
Feio, deformado, sujo,
Infeliz, burro...
Racista, preconceito,
Crítico, resmungão.

Não és ninguém!
E ainda assim continuas a pensar que o és.
Não és melhor, és até pior.
Que nojo de pessoa.
Falso e anti-social.
Introvertido, e fechado no seu "mundo" de merda.
Onde pensa que é o melhor do mundo, e não vale o esforço de ninguém.
Não tens amigos! Não tens ninguém!
Não te dás com ninguém!
Não és nada.
Vais morrer sozinho e abandonado.
Enjaulado, como vieste ao mundo.

Não aplaudes, nem cumprimentas.
Não dizes "olá", nem sorris.
Não falas, nem convives.
Não partilhas nem experimentas.
Não vives, nem amas.
Não aceitas, e deitas fora.
Não conheces, e nem queres saber.
És indeciso, escreves mal, e achas que tens piada.
Sempre zangado com tudo e todos.

És estúpido... paulo.

sábado, 26 de junho de 2010

No parapeito de um dia de sol...


Sento-me, na janela do meu quarto, com vista para o campo, onde as casas se escondem entre árvores e o sol forte da madrugada.
Os cabelos, correm pela minha cara, enquanto a brisa entra no meu mundo. De luzes apagadas, televisão desligada, e com o relógio-despertador adiantado uma hora.
Lá ao fundo, vejo os postes de electricidade, e por trás deles, as montanhas verdes, que me fazem sonhar.
Que me ajudam a desaparecer desta pequena vila, e que me levam para terras de aventura. Mas hoje quero ficar sossegada... sentada, deslumbrada, pela vida que transborda para lá do parapeito desta janela.
Olho o meu reflexo na janela, e admiro a cor dos meus olhos, o tom de dourado torrado que o sol cria ao tocar nos meus cabelos, os lábios vermelhos, e o nariz pequeno ensardado (cheio de sardas).
Sinto as costas tocarem na janela atrás de mim, e a minha barriga "danone", contorcer-se de fome.
Ouço a música, num volume baixo, vindo do meu computador, criando sensações e emoções em mim, criando e injectando uma dose de adrenalina. É calma, mas acorda-me o espírito e a musa da escrita. Imagino o copo transbordar de água, serpentes em forma de dragões lutarem com os cosmonautas da roma antiga, os portugueses lançarem-se aos mares com as suas caravelas, a água transformar-se em sangue, das batalhas sangrentas dos gladiadores. Ouvir as espadas ,sentir as faíscas arderem num puff...e acalmar o espírito guerreiro com o som do chilrear de uma andorinha.

É sábado, e o dia parece demorar uma eternidade a passar. Os minutos parecem horas...
Encosto a cabeça junto aos joelhos, e fecho os olhos. Sinto a brisa passar dançando, entre os meus lábios já secos. E aqui, semi-nua, com boxers e sutien, com o corpo a dormir na varanda de uma casa escondida no meio da vila, a algumas centenas de metros da padaria, e a cerca de 3 km da escola, onde ouço os carros passar. Ouço as pessoas conversar, os velhos falar sobre futebol, as raparigas do tempo de salazar, cobiçar a vida uma das outras, à janela da rua principal.
A roupa, junto aos pés da cama, aguardam com impaciência o meu corpo. Pulariam de alegria, se fossem reais. Ouço a minha mãe chegar a casa, e a Carolina, a minha irmã gémea, gritar: "-- Andreia! A mãe comprou croissants!" E eu, num pulo, desço as escadas que dão para o primeiro piso da minha casa, e corro desenfreada para a cozinha, tentando lutar com a minha irmã, pelo croissant maior que houver dentro do saco de papel...
Corro para cima, encosto a porta do quarto, e sento-me de novo na varanda criada pela minha mente imaginativa. Espalhando migalhas pelas minhas pernas, ao sabor daquele fiambre e queijo tão característico da minha terra. E depois de tudo comido, sacudo-me, e sento-me ao computador. "navegando" em imagens do deviantart, em músicas e vídeos, em filmes sem legendas...
A escuridão, iluminada pela única entrada do meu mundo, deixa-me envolvida numa sensação de calma.
O meu quarto, cheira ao calor do verão, com a calma do outono, fresca como a primavera, e aconchegante em tempos de muita chuva e neve.
As prateleiras de cima, são sub-carregados com livros.
A cama desfeita, e as gavetas das cuecas e meias, viradas do avesso.
Nem tudo é perfeito não é? :)

Conceito para um Media Player (Concept and Design UI)

Este conceito/ design, foi criado a partir de algumas ideias encontradas na internet e no próprio deviantart.
Este projecto, engloba também a ideia de "colecção e "manutenção" de albuns" deste software, também criado por mim: Metallum Archive - Project

Como criado de software, este conceito passou da imagem para algo físico, com botões e mais do que simples imagens. Ainda não está completo, e muito menos o seu tamanho será pequeno.
Tenciono adicionar a possibilidade de adicionar Artistas e Albuns, a partir do Last.fm.

Para caso, de alguém, com conhecimentos em programação, me perguntar ou ficar a pensar se as músicas ficam guardadas na base de dados... eu respondo: Podem ser guardadas, mas o espaço na BD, ficaria enorme, e o backup demoraria muito tempo. Além disso, o ficheiro de backup ficaria demasiado grande.
Podia-mos optar por encriptar o texto do documento .sql, para que ficasse mais pequeno. Mas teríamos ainda assim , de desencriptar o documento.
A única opção que encontrei, para tornar o processo mais acessível, foi o de pedir a pasta Principal das músicas, pesquisar pelo nome da pasta, através do nome do album, e mostrar uma lista de possibilidades ao utilizador.
O componente que optei para fazer o controlo da música, é um chamado: BASS.DLL, para Delphi e outros.
As imagens são em PNG, com transparência. O restante, é criado em run-time.

Qualquer dúvida sobre programação, perguntem.

Um dia divertido...


O dia do nosso aniversário, é suposto ser divertido.

Quando somos crianças, "desejamos tudo de bom", mas alguns minutos, horas depois, alguém nos magoa.
E pensamos: "--- fogo, acontece sempre algo de mal nos meus anos, e é sempre comigo!"
Quando crescemos e nos tornamos adultos ou "jovens-adultos", as coisas más parecem ser postas de parte.
Dá-se entrada para as piadas, os momentos de risadas e anedotas, para os momentos maus e bons, e para aqueles mais estranhos.

Mas... quando convidamos a namorada, será que aquilo, entre os dois, resulta?
Será que dura? Óh, pelo menos ela veio aos meus anos, mesmo depois de ela me ter posto os palitos, ou ter acabado comigo só porque queria uma vida profissional mais "estável" e descomprometida.
Pareço falar muito no "namoro" e "amor", na "paixão" e "amizade". Talvez porque sei que uma relação pode acabar tão rápido e com o mesmo sentimento de um peido. Foi "bom" enquanto durou, e agora que acabou, parece que sou engolido numa solidão, de incertezas e inconsciências, incluindo o mau cheiro.
Bem, eu não, porque não tenho namorada. Sou demasiado tímido para ter uma nova, e demasiado selectivo para que alguma me agrade. Sei o que funciona, e o que não funciona.
Será que estou disposto a dar tudo o que sou, novamente a outra rapariga? Pelos vistos não.

Eu odeio cantar os parabéns. Ainda que sejamos uns dos poucos países no mundo com uma letra diferente, acho, para mim, demasiado invasiva.
Nunca tive colegas que se lembraram dos meus anos, "colegas de escola!". Nem muito menos isso os preocupou. E para mim, isso não me afecta em nada.
Queria receber um brinquedo, e o caralho das velhas, davam-me um par de meias e uma camisola.
A minha mãe não é pobre nem incapacitada! E além disso, sei escolher roupa mais bonita!!

Como hoje fui ao aniversário, do filho da patroa da minha mãe, surgiu-me esta ideia.
Entrei em casa, e vi 3 raparigas, até que bonitas, mas com uns 6 anos mais velhas do que eu.
E como sempre, todo o meu corpo é controlado pelo meu cérebro, impedindo-me de me magoar.
Nem olhei mais para elas, depois do "boa-tarde".
Sorrir para elas? Sentar-me juntos dos amigos do aniversariante?
NÃO POSSO ESTAR SOZINHO PORRA??
Não me podem parar de chatear, de me perguntarem se está tudo bem comigo?
Não posso estar calado? E sentado no meu canto?
Não estou a perturbar ninguém foda-se! Estou distante. Mas pelo menos não ajo obrigado.
Nem conheço ninguém, nem sou obrigado a conhecer. Não posso ser assim?
E como já sei que vai haver pessoal que vai comentar, a dizer que eu não devia ser assim, que devia dar-me mais com as pessoas, fazer amigos e sorrir, sair de casa e conhecer gente nova e fixe, porque isso é algo bom para o corpo.

Deiam um peido um cheirem-no! Porra!!
Não posso estar sossegado?
Como umas coisitas e pronto! Não sou o bobo, nem o palhaço da festa!... Não fui contratado para fazer as pessoas rir. E depois vem o meu pai dizer-me (não o disse hoje, mas já o disse noutras vezes):
"-- Queres ser aquele gajo mercanbuzio, que não se dá com ninguém não é? Trombudo, e armado em parvo."
E depois vem outro gajo numa conversa do messenger, dizer que eu "devia ser" mais simpático. "DEVIA SER"?? Mas eu sou obrigado a ser alguma coisa? Não posso estar no meu mundo?
Ser negativista e depressivo? Calado e introvertido? Foda-se...
Desde de quando é que eu sou obrigado a agir como tu, ou como outra pessoa qualquer?
Para sermos todos iguais e voar-mos como as borboletas e poisar de flor em flor...?? bahh!!
Chateia outro, porque a mim não me incomodas. Se é que estás a falar comigo, porque ainda não ouvi uma palavra de jeito a sair da tua boca desde que chegas-te ao pé de mim.
Mas eu tenho de me dar com tudo e todos?
Tenho de olhar para as raparigas e sorrir?
Fazer as vontadinhas e ajudar a menina que trás a roupa cá a casa, só para ser um "cavalheiro" e parecer mais um pretendente ao trono de sua majestade?
Entrar na sala, e declarar os meus atributos com poesia? Só para que as raparigas lutem entre si para ficarem... "comigo"?
Para quê? Se elas pedem aquilo que eu não lhes posso dar? E aquilo que eu quero, elas não dão e nem podem? Ya, devovos parecer um machista, que sou melhor que todos. E se for? Não o posso ser?
Só porque tu o dizes? E que é que te deu esse "curso"? Tiras-te numa universidade? À, já sei, aprendeste com a vida...

Mas eu preciso ser o rapaz cobiçado? Vestir-me bem? Cheirar bem, ser limpo e de barba feita, de cabelo semi-encaracolado, e brilhante? Preciso ou tenho a necessidade de chamar a atenção? De fazer rir, sorrir e ser simpático? De me expressar, através da minha presença, positivamente. De contribuir para algo positivo numa conversa ou ambiente? EU já fui assim, quando era inocente, e garoto. Foi desde aí, que me tornei no que sou hoje. Aquela "namorada" do norte, foi um abre-olhos dos grandes, para conseguir atingir esta "maturidade" de personalidade. Será que não me posso achar perfeito?
E porque não? Não diriam: "-- mas tu és muito bonita e perfeita, tens muitas virtudes!" a uma rapariga que pensasse em fazer dietas, ou que fosse bulémica, anoréctica, ou que se tentasse suicidar?
Então porque caralho!!, não posso eu pensar isso para mim? Afinal que tem razão sou eu, e não tu!
A minha opinião é que conta, e não a tua. Porque é que ainda não te calas-te?

Tenho de... parecer feliz, mesmo quando não estou, de ser simpático, quando não o quero, de sorrir, quando não achei piada?

{texto censurado a "pedido" da "Milena"}

Como é óbvio, o título do texto é uma ironia. Assim como a imagem.
"A porta de entrada é a serventia da casa"!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Conheces-me?


Conheces-me?
Sabes como sou?
Compreendes o que sinto e o que digo?

Serei diferente de ti?
Conheces-me realmente?
Consegues fazer-me chorar?
Chorar, chorarei, mas será real?
Pareço-te indiferente?
Não me aceitas?

Porque não me mantens longe?
Fechado, numa capa com folhas, com recordações que odeias.
Dentro de uma caixa de madeira, forrada com papel enflorado (papel com desenhos de flores).
Porque me tocas? Não sabes que não te quero perto de mim?
Esse olhar, que me corta as vestes e a carne... esse olhar que tenta desesperadamente arrancar-me um sorriso.

Porque me cheiras? Se não uso perfume.
Porque me arranjas a camisola, se não me preocupo com a aparência?
Será que me conheces realmente?
Porque tendes em sorrir para mim, se de mim não receberás nada?
Porque coras, se a tua presença, em nada me afecta?
Porque choras, se nunca te liguei?
Porque amas, mas não me conheces?
Porque te apaixonas, por algo que desconheces?
Serei uma aventura?
Serei um sonho?

Uma cobaia, talvez.
Também sinto dor. Mas será real?
Eu também penso em ti. Mas será com a mesma importância?

Conheces-me as horas?
As cores?
Os números, ou os planetas?
Conheces-me o mundo que te coloca de parte?...

Será que me odeias?
Ou será que te intrigo?
Serei mais um desconhecido, mais um "acaso" na tua vida?
Uma personagem passageira nas tuas histórias, que contas nos diários da tua vida.
Serei uma fuga, para a tua personalidade se puder soltar?
Algum som que conheças?
Um peça de roupa que me identifique.
Serei uma foto e um texto no teu blog?
Mereço ser visto? Ou ignorado?

E és tu quem decides?
Porque pensas, se não te dei tal liberdade?
Porque falas comigo, se te comi a fala?
Será que as tuas opiniões contam? E serão quantas?
Sorri um bocadinho. E pensa, será que me conheces?
Que me consegues dominar, ou importunar?

Serei, um doente, evolucionista, um incapaz e incompreendido, miúdo consciente, de uma inconsciência que não interessa a ninguém.

Será que me conheces...?