sábado, 12 de junho de 2010

Um boneco de lã...





A menina,  irrequieta, que mexia em botões e linhas daquela loja, chegou-se perto, olhou para o topo de uma prateleira invadida pela desarrumação de linhas de cores escuras. E entre aquele amontoado de fios, pôde ver uma perna felpuda de algo.
Seria um boneco? perguntava-se a menina, que não media mais do que o próprio balcão ao seu lado.
Olhou para a mãe, e apontou para cima. Parecia muda, mas tentava falar. Pouco tempo depois, gritou baixinho. "-- BONECO!!".
A mãe olhou a estante, e baixou-se para pegar na pequena menina. Colocou-a em cima do balcão.

Deixou que por si própria, a filha conhecesse os seus limites, enfrentasse as vertigens, e se tornasse confiante em fazer e descobrir as coisas por ela próprio. Seria esse o mundo proporcionado pelos pais de uma menina, que trabalhavam a todo o vapor, como os comboios, para que cada explicação, represália ou recompensa, fosse algo mais do que o olho pudesse ver.

Enfiou então, as mãos no emaranhado de "cobras", até sentir algo mais do que uma simples perna macia.
Puxou, trazendo consigo o ninho do coelho de peluche. Sentou-se no balcão, contemplando o trabalho que teria em retirar aquelas fios de lã. Cada um que colocava de parte, desvendava a verdadeira forma do peluche. Mas tinha medo, que o tempo no fosse suficiente para descobrir as capacidades de tal boneco.
Sabia que o dia da mãe na loja estava a acabar.
À medida que o tempo passava, e o boneco se tornava menos num amontoado de fios de lã, a sua imaginação voava, criando aventuras. Reparou então, no fim, de que aquele coelho de peluche, estava magoado num braço. "-- Dói Dói!" -- disse para a sua mãe, que arrumava uns casacos feitos de algodão. Esta, retorquiu com um sorriso e dizendo: -- "faz-lhe um penso.".

A menina tocou no seu "algodão", e tentou fechar com um pouco de fio. Enrolou-o em volta do braço e deu um nó com laço. O seu pai tinha-a ensinado, quando lhe apertava as sapatilhas.
-- "Olha!" -- disse ela para  a mãe.
-- "Muito bem, curas-te a ferida ao boneco. Amanha já estará corado." -- e sorriu.

Sua mãe, fez-la descer do balcão, ainda com o peluche na mão, e levou-a para casa.
Naquela noite, adormeceu envolta daquele peluche meigo. A mãe, enquanto a pequenina dormia profundamente, levou o boneco para a sala, onde com o seu estojo de linhas e alfinetes, agulhas e dedal, cozeu de novo o braço, enrolou novamente a linha de lã, e colocou-o no sítio.

-- "Tira-lhe o penso, para ver se já está curado." -- pediu a mãe, fingindo estar intrigada com o resultado.
A filha, desenlaçou o nó, e a mãe esboçou um sorriso que ela não podia ver.
Foi então que, admirada, a menina se vira para a mãe e diz: -- "curado!"
A mãe finge-se impressionada. Baixando-se para a altura da filha diz: --"És uma boa enfermeira.", e beijou-a nos cabelos.

O boneco de lã... tinha vida.
Tinha principalmente, uma amiga.


Há peluches nesta cama, que me conhecem o nome...

Quero...


Quero ser deixada em paz...
Com as minhas feridas.
Com a minha inocência...
Ferida dos sentimentos.

Quero ficar no meu canto,
Nua, e longe.
Perseguida pelos meus monstros.

Quero o meu quarto trancado.
Deitada na minha cama ou no chão.
Quero o silêncio das palavras, abafarem o mundo lá fora.
Quero poder pisar a relva e beijar as flores.
Quero ser deixada em paz.

Quero sentir as falhas da madeira no chão, e o frio da parede.
Quero chorar e puder hibernar nesse sentimento.
Beijar o rapaz, e fugir.
Amar alguém e ser feliz...

Ser princesa de um monstro encantado...
E deixar encantar-me por ele.
Voar para o gélido cume da montanha, e esquecer o tempo.

Quero sentar-me a um canto e chorar.
corar de encanto.

Quero morrer na minha solidão, no amor que transformei em ódio.
Entre almofadas e folhas.
Entre sonhos e desejos da criancice desproporcionada.
Entre bonecada e roupa.
Quero apagar-me do mundo, e desligar-me com um botão.

Quero... mas o mundo não deixa.
Tenho algo para lhe dar, e ele nada me dá a mim...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

És bonita, por um dia...


Acordas de manhã, tomas banho, penteias o cabelo, vestes umas cuecas e calças os chinelos.
Escolhes as "melhores" roupas, e sentas-te em frente ao espelho.
Arranjas melhor o cabelo, colocas bâton, melhoras as pestanas, e colocas maquilhagem.
Olhas-te ao espelho, e admiras a beleza provocadora.
"-- É hoje que vão olhar para mim."

Saias à rua, "despreocupada" com os olhares. E só de pensares nisso, reconfortas o teu espírito.
Hoje, adoras-te.
Veneras o teu cabelo, o sabor do bâton nos teus lábios, e pensas no que ele sentiria se te beija-se.
A tua pele hoje está macia, e os teus olhos muito mais atraentes e bonitos.
Os puxos que levas no braço, combinam com o teu tom de pele pálido. Tão colorido...
As calças realçam-te o rabo jovem, e a camisola o decote e os contornos, das tua mamas "perfeitas".
Os desenhos da mesma, de uns bonecos maluquinhos empoleirados uns em cima de outros, provocam o olhar.

Enquanto o tempo do teu passeio se acumula, vais reparando nos olhares constantes, feitos pelo rapazes.
Cai a noite, e tens de ir dormir, retirar a maquilhagem, o bâton, a roupa... e toda a tua boneca criada especialmente para este dia, é desfeito em 5 minutos.

De manha, quando acordares, a tua beleza terá desaparecido, o teu cabelo tornou-se indomável, e só com um bom puxão na escova, é que ele se desenlaça.
As pestanas já mal vão ao sítio, e as olheiras, do pouco sono, começam a aparecer.
A camisola nova, já não é tão alegre e "festiva" como a do dia anterior, as calças são elásticas, mas não te beneficiam a beleza das pernas. Notas então que te nasce uma borbulha numa bochecha, e uma das unhas estalou o verniz.

Hoje sentes-te triste.
Hoje queres ficar em casa e esconder a tua natureza.
Esperas que a semana acabe, e que no começo de uma nova, aquele borbulha horrenda tenha desaparecido, para poderes voltar sair à rua e sentires-te de novo confortável na sociedade.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

À noite, na estação...




As luzes iluminavam os bancos de ferro. E podia ver uma estrela no canto do olho.
Podia ver as nuvens, e as estrelas com grande nitidez. E a lua, descansava sobre o telhado de uma casa.
Eram 11:57 pm, e apenas a brisa caminhava na rua.
O painel de informações actualizou-se, enquanto o via. Um comboio iria parar dali por 3 minutos.

O banco era-me familiar, e o seu frio gélido aconchegam-te.
Mais uma noite, a passear entre a calma que a natureza tem para oferecer, e entre os sonos daqueles que sonham.
A linha hipnotiza-me, e viajo para lá do traço amarelo, em pensamentos e sonhos, em desejos e vontades.
Em fantasias. Encontro-me num parque, onde a vejo passear, e daí, viajo novamente, sonhando com ela, beijando tenuemente os lábios, acariciando a cara e os cabelos. Encantando-nos com o perfume.
Volto então a mim, e sinto-me, presente. Este é o presente, isto é o aqui e agora!
Olho as mãos, e toco o mundo, o ar. Estou aqui! Este é o agora.
Terei sonhado? Terei estado a dormir? Terei viajado?

Será este o meu mundo? É aqui que pertenço?
Olho em volta, tentando capturar o tempo. Tentando perceber porque estou aqui, no agora.
Passo a mão pela cara, e volto a sentir-me de novo no agora. Volto a sentir cada parte do meu corpo ganhar consciência... Porque estou aqui? Eu? Porque choro quando imagino o infinito do universo? Quando me sinto pequeno? Porque choro em perguntar-me "porquê eu?... e não outra pessoa?"?
Sinto a mão tocar-me na perna, sinto um cheiro no ar. Vejo as sombras das folhas no chão, e as estrelas no canto do olho.
Sinto o comboio chegar... Ouço-o travar, e as portas abrirem-se em sintonia.
Lá dentro, vejo uma rapariga, olhando-o o mundo lá fora.
Olha-me, enquanto admiro o seu casaco felpudo vermelho, e os seus cabelos morenos, encaracolados, caírem-lhe graciosamente pelos ombros.

É então que me desligo de novo, entrando num transe de probabilidades e sonhos.

Levanto-me, e dirijo-me para o comboio, sentando-me em frente à rapariga...
Olho-a por mais um bocadinho, e ela desvia o olhar. As portas fecham-se e vejo-a partir devagar.

Olho o relógio, e de novo voltam a ser 11:57.
Sinto as mãos e a cara de novo. Sinto o frio e os dedos encolherem-se uns com os outros, numa tentativa de afastar o frio. Estou aqui. Isto é o agora. Terei viajado?

Ouço o comboio aproximar-se, vejo as luzes tornarem-se maiores, e o seu barulho ensurdecedor.
Não desacelera, e sinto um forte vento bater no meu casaco, à medida que aquele pendular fura o espaço-tempo. Recomponho-me, e volto a olhar as mãos.
Estou presente, mas não sou eu, funciono, mas não me controlo.
Serei eu?

O comboio para, e vejo de novo a menina de vermelho. Estarei a sonhar?
Estou confuso. É este o meu mundo?
Volto de novo à "realidade".
Ao olhar para ela, sou capturado pelos seus olhos, que brilham à luz dos candeeiros de rua.
E o momento assombra-me...
Deverei ir com ela, ou ficar no banco?
Deverei entrar? Ou ficar?
Um único momento que me pode mudar para sempre.
Serei eu? Este é o agora, e apenas um sonho me questiona.

Olho o relógio de novo, e vejo o dia: 22/6/2010.
Ouço alguém entrar-me no quarto e acordar-me, por andar à procura de uns CDs para gravar.
Ligo o computador, e a data volta a mudar, o tempo e o local.
Estou de novo na estação, olhando a rapariga chegar.
Vejo a data no computador, enquanto tomo consciência da "realidade". 9/6/2010.
A mente apanhada pelo sono, tenta compreender o que vê. Será isto o agora?

O dia chega, e vejo-a chegar. Estarei a sonhar?
Ela olha-me intrigada, e quando tenta então, sair, já é tarde. As portas fecham-se. E parte de novo.
No dia seguinte, o meu pensamento está naquela noite.
Grito a mim mesmo para acordar! Para entrar no comboio. A minha mente tenta, enquanto sinto a cama debaixo das minhas costas...

Acordo! São 11:57pm, e sinto as mãos. Sinto-me vivo. Mas será este o agora?
O pendular passa, e o vento, de novo me faz tremer.
00:00am, o comboio ilumina-se à medida que se aproxima.
Mas ela, não vai lá dentro... admiro então, em choro, a sua partida.
Levanto-me, para voltar a casa.
Ouço passos e olho para trás. O seu casaco era vermelho, e trazia um sorriso que me despedaçava o coração de tão cativante e caloroso que era.
-- "Ola." -- respondeu ela, um pouco corada.
-- "Ola... "-- respondo com grande alegria. Ela ri-se e chega-se mais perto. -- "Queres... caminhar um bocadinho?"
-- "Sim."
Aproximei o meu braço do dela, e ela entrelaçou o seu no meu. Com um sorriso, olha-mo-nos, e liga-mo-nos então assim, com o coração e a mente, um ao outro.

Mais tarde no parque, beijo tenuemente os seus lábios frágeis, acariciando a sua face, e os seus cabelos que se confundem com os meus. Sonho comigo, naquele comboio, dizendo a mim mesmo para esperar até ás 11:57. Digo a mim mesmo para esperar por ela...

O seu sorriso ilumina-me, e subo no comboio...
O presente por vezes, já foi um "à de ser".

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Inspirado na minha pessoa, através do filme: Mr. Nobody.
Acho que foi, em termos de estruturação da história e ideias, um dos melhores que já fiz.
Agora... pode é não estar bem escrito e ou perceptível.
Mas gostei bastante desta nova experiência, escrito ao "calhas", mas com um certo seguimento.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Não preciso de agir "bem"...





Hoje, a bola passou-me à frente dos olhos, batendo no chão, perdendo velocidade.
As raparigas que jogavam, esperavam que eu a apanha-se, mas algo em mim, neste caso, nada, em mim se moveu ou preocupou em secar tocar-lhe.

Durante a minha caminhada, senti a bola bater no chão, pensei que me fosse bater, mas eis que me deparo com a sua presença no meu campo de visão. Foi estranho, pois apenas a olhei, a saltar para a estrada, sem reacção, continuei no meu passo calmo e lento, acompanhado pelas minhas cadelas.
Não tive nem tenho a obrigação de me dar com alguém, nem sequer de apanhar a bola.
Eu não existo, e se lhes desse esse prazer, de lhes devolver a bola, não iria receber nada a não ser um sorriso.
Não haveria amizades, nem conversas, nem comprimentos futuros. Tinha acabado ali o "nosso" contacto.
Mas, ao pensar nisso, acho que, não é qualquer um que reagiria de uma forma tão nula e calma perante uma bola a passar-lhe à frente dos olhos. Acho que precisariam de algum esforço. E orgulho-me então, de ter sido capaz de ignorar essa preocupação, de me envolver tão em mim e nos meus pensamentos, nas minhas ideias e vontades, na minha despreocupação...
Puderam pensar que sou narcisista, bem... pelo menos não me ando a mostrar a ninguém, nem a falar bem de mim, nem a vestir-me bem, nem a sorrir nem a exibir-me que nem um boi.

Gosto de pensar que sou duro, sim.
Que sou frontal e cruel, que sou verdadeiro e honesto, mas que nunca tem razão em certas coisas que.... "deviam" ser da temática "social".
Porquê ser algo para os outros que não sou?
Que não quero ser, e com o qual não me sinto bem?
Para além de ter ódio por todos.
Tenho inveja e nojo de vocês. Porque são tão "amiguinhos", tão engatatões e convencidos...
No Domingo, enquanto fiquei na carrinha, e os meus pais foram à praia, vi, quando os meus pais vieram, um gajo todo "cheio-de-estilo", com o cabelo espetado, t-shirt sem mangas, branca, e uns calções todos "fofos"... e, perante tal imagem veio-me a raiva e o ódio, o nojo, o intolerável, e disse para os meus pais:
-- Olha, aquele vai engatar sandálias!
-- Porque dizes isso? - perguntou a minha mãe a rir-se.
-- Vai todo papariconço! -- armado ao caralho.

Com uma cor de sujo e estupidez.
Fiquei na carrinha, porque gosto de ter o meu tempo, o meu espaço, os meus momentos e pensamentos sossegados. Quero ter disponibilidade para poder, dar ar ao meu cérebro, e ajuda-lo a compreender e a crescer.

O "rapaz" até podia nem ir fazer nada, e estar a voltar para casa, mas para a maneira de como caminhava, como olhava para as coisas, e de como se mexia, não pensaria noutra coisa, se não naquilo mesmo que me veio à mente. O pior de tudo, é que, são este tipo de gajos, que mulheres inteligentes, se apaixonam.
O meu pai disse-me que lá na escola, ainda que seja putos com a mania, e pitas sem pêlos na cona, que de cada vez que esses garotos "dreds", com um penteado á fanju, cabelo espetado e com roupas da moda, vão jogar futebol, as miuditas vão todas a correr atrás deles. E eu que pensava que elas com a idade cresciam, e ganhavam juízo, eis que o meu pai me deu esse exemplo, como prova de que as pessoas continuam a mesma merda de sempre.


Deparei-me de que, dou mais aos outros, do que a mim mesmo, e até pode nem ser coisas físicas, apenas psicológicas...
Como aquelas 3 raparigas que jogavam voleibol com a bola que me passou rente aos pés. Não precisei de lhes tocar, de lhes esboçar um sorriso, ou devolver a bola, para receberem algo de mim... receberam pura e simplesmente a consistência da minha pessoa, através dos meus passos calmos. Receberam o nulo, a negação de... "uma boa acção".

Eu não sou para ninguém! Não existo para ninguém!
Não faço as coisas para os outros, apenas porque me apetece, mas porque merecem.
Não faço parte da vida de ninguém, e muito menos sou alguém importante.
Não preciso de me rodear de pessoas "amigas" e simpáticas, para ter pessoas amigas e simpáticas à minha volta, elas até têm surgido nestes últimos dias... Simplesmente acontecem, e não forço nada.
Não preciso de me rodear de pessoas bonitas para ser bonito, nem de me rodear de pessoas inteligentes para ser inteligente. Não preciso de me rodear de pessoas cativantes, sorridentes ou depressivas. Não preciso de me rodear de alguém, para ser e tornar-me naquilo que sou.
Não tenho que provar nada, nem mostrar, nem fazer ou dizer.
Não preciso de vos dizer que sou melhor ou bonito, que sou inteligente ou divertido, pois eu sei como sou, e eu isso guardo-o para mim.

Não preciso de me envolver em conversas de ocasião se não o quiser.
Não preciso de ser o "grande amigalhaço", nem o ombro de alguém. Pois tal não me são importantes.
Não preciso de comentários para me alegrarem o espírito!
Não vivo de ninguém. E por tanto!!!... não tenho de agir bem para alguém! se não me apetecer.
Eu sei como sou. Sou consistente.

Eu sou como uma moeda. Posso ser mau, mas também posso ser bom.
Sou como o dado. Posso ser divertido e interessante de descobrir.
Sou como um livro. Quem não gostar da forma como está escrito, pode sempre atirar-me para o lixo, e escolher outro.
Sou como um cão, um gato ou um rato. Mas que não vive das custas de ninguém. Que não vive seguindo ordens de alguém. Não vivo impingido ou ameaçado. Nem acorrentado.
Não seria bom, se todos os casais que estão divorciados, ou que estão para se divorciar, se expusessem tanto como eu me exponho aqui? As minhas ideias, os meus sentimentos, ódios, prazeres, amores, paixões, raiva, tristeza, depressão, terror, gostos...?
Não seria formidável? E pouco me importo com o que vocês possam pensar.
"mas aí estaríamos-nos a revelar demasiado". E eu já não o faço?
E no entanto, ainda que algumas possam gostar da minha personalidade, ou da forma como escrevo, continuo sem conhecer amigos, sem ter namorada, ou conversar com alguém na internet a não ser o meu próprio irmão. E isso tira-me algo? É prejudicial para mim?, revelar-me?
NÃO! pois estou a ser sincero comigo mesmo, estou a aprender comigo mesmo, e além disso, posso desfrutar de um bom texto. Já que não gosto de ler, pelo menos leio o que escrevo.

Se os divorciados fizessem isso, antes de se conhecerem, e partilhassem as suas verdadeiras personalidades, provavelmente hoje não haveria tantos casais separados. Pois já saberiam com o que contar.
E... faço-o, para que as pessoas me possam conhecer: Para que me possam estranhar e entranhar. Para que me possam julgar.
Para que... talvez... possam aprender alguma coisa comigo, nem que seja a corrigir textos e erros ortográficos.
Pois, se conseguir ser útil, para alguém, algum dia, com algum dos meus textos, mudar ou ajudar nalguma ideia ou teoria, nalguma prova cientifica, ou resposta casual, então é com todo o gosto, ainda a mais do que aquele que tenho em escrever aqui, que escrevo e me exprimo.

Eu acredito que haja gente, rapaz e rapariga, tal e qual como eu, com a mesma maneira de pensar, de agir e sentir. Poderão até... estar mais avançados nas suas etapas de aprendizagem, ou talvez a caminhar para o patamar em que me encontro. E é também por eles que eu escrevo, para que se um dia lhes surgir este blog, possam talvez se quiserem, aprender ou ver outra maneira de ver as coisas...

Gosto tanto de um beijo, como de um passeio ao sol, entre a floresta.
Gosto tanto de um abraço, como de um espreitar da inocência, da criança que brinca na água.
Gosto tanto de carinho, como de dá-lo.
Gosto, mas não significa que alguém goste de mim, ou mais de mim por causa disso.
Adoro, mas não significa que tenha de ser bom ou sorridente para todos.
"Ouve-se...", mas não significa que tenho de ter uma namorada, amigos ou amigas à minha volta. Não por "não querer", mas porque não querem. Não que eu não deixe, mas porque não gostam...
Serei assim tão intimidante?

Não serão vocês os medricas? Talvez preconceituosos. Eu sei que o sou, e sou-o bastante, mas não significa que não me possam dissuadir de pensar o contrário de "vocês(tu)".

Não preciso de agir "bem", para ser aceite por vocês.
Funciono à minha maneira, não à vossa, nem com a vossa.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A água fria da praia...


Aqui, junto à beira-mar, onde a água me banha os pés, já engelhados pela velhice do tempo, brinco sozinho,
de calções puxados para cima, fugindo da ondas que nem um tolo, e correndo atrás dela, só para lhe mostrar que não tenho medo.

Atiro pedras e areia, búzios e conchas, chapinho e salto, enquanto as ondas rebentam abaixo do meu joelho, afogando-me por algumas segundos a bravura de à instantes.

Finalmente sento-me e admiro, o ir e vir da ondas, o seu rebentar e o som.
O cansaço, não tarde desaparece, e voltarei a brincar com ela, que me chama... em cada onda que acaba nos meus dedos dos pés.
Enfio os deditos na areia, e sinto o sol quente bater-me no corpo pequeno. Uma brisa leva-me o calor, mas continuo a derreter que nem um gelado.
É então que me levanto.
Fito o mar de frente, e com as minhas pequenas e fracas pernas de corrida, desajeitadas e cambaleantes, corro gritando ao mar, que me deixe entrar.
Que me afogue o sol do peito, que me arrefeça os bracitos e os cabelos.
A onda Monstro, erguesse à minha frente, tentando dissuadir-me, fazer-me correr de novo para a costa, para a terra firme que me acalorenta os pés. Mas ali fico, enquanto sinto a onda engolir-me.

Dou voltas e voltas, sinto a cara bater na areia, as cuequitas encherem-se como um balão, e os pés boiar no borbolhido formado pela onda.
-- Paulo! Anda, vem para a toalha! -- grita a minha mãe lá do fundo, com a mão sobre os olhos, como os índios fazem no deserto...
Levanto-me, ainda abalado, tentando perceber se estava com os pés assentes na terra ou no ar.
Cambaleando pela praia, rumo à toalha, com um ouvido a zunir e o outro cheio de água.
À minha espera, um pão com tulicreme, e uma toalha seca. Se tiver sorte, dali por 20, 30 minutos estarei de novo a brincar com a água.

"-- o meu pai diz que o vento cria as ondas..., eu acredito que "elas", sejam os seus tentáculos."

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Entre amigos...


Entre alguém que não me pertence, mas que fazem parte de mim, como os meus pulmões respirarem quando não lhes ligo.
São alguém que dorme, que descansa, cuja vida é levada tédiamente.
Como as suas caminhadas, uma á frente da outra. Mas todas serão únicas, pois hoje, uma pata à frente da outra, não será a mesma coisa amanha, e pelo menos, não terá o mesmo significado, o mesmo sono ou força.

Ela pula no arvoredo, enquanto a outra chafurda na poça.
As alturas dominam-lhes as pernas, mas a mente curiosa faz-las ir mais longe, sem o meu consentimento ou vigia. O amor-ódio, conjuga-se entre as duas, enquanto a gata, despreocupada, de lambe entre aquelas duas matulonas. Lutando com gatos e vizinhos, saltando telhados e roubando ratos...
Tareca; que se deita na janela, vendo o mundo que não compreende, mas que simplesmente aceita como sua casa, como vizinhança e territórios.

Caminham ao meu lado, prontas para mais uma aventura, para mais um passeio neste parque que é a Mealhada. Mais um dia sol e dois de lua. Entre sonhos e ganidos, entre latidos e sonos, as suas vidas caminham devagar, aguardando pelo almoço e o jantar.
Sem coleiras, para que ninguém as condene, para que tudo tenha medo, e ganhe uma segunda opinião.

Uma festa na mais grande, e um olhar desconfiante da mais pequena.
Completando assim as mudanças de humor, canalizando as suas emoções numa corrida pelo parque, como gato e rato. Mais um impulso nas pernas, um sorriso na cara, e uma finta só para distrair.

E eu? Onde me encaixo nesta história?
Bem... nesta familia, serei apenas mais um "dono".
Prefiro pensar que lhes sou um "pai".
Que as ensina a compreender e a ver o mundo com outros olhos, que não os delas.
Alguém que lhes coloca questões, dúvidas, que explica e ensina.
Serei alguém que lhes proporciona algo único de cada vez que saímos de casa. E com aquilo que sabem, ensinar-lhes coisas diferentes. Coisas que podem melhorar, ou criar com o já conhecem.

Quero apenas mostrar-lhes, de como nós humanos vemos o mundo, de como acontece e se resolve um problema. O que podem fazer, como podem sentir e tocar, cheirar. Sentirem emoções diferentes do que aquele parque demonstra ao virar de cada esquina.
Olharem uma flor e perceberem como é bela...
Talvez, ao fim e ao cabo, a elas isto seja desinteressante; mas a inteligência não aparece... aprende-se!


"Entre amigos... entre lambidelas e cócegas, os dias de verão passam que nem um furacão!"